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Petroleiros de todo
o país clamam por justiça
Há
sete longos anos, os petroleiros vêm lutando
incansavelmente para reintegrar todos os
demitidos nas greves de novembro de 94 e
maio de 95. Desde então, esta tem sido uma
das principais bandeiras de luta das nossas
campanhas reivindicatórias. O grito por
justiça e dignidade para os petroleiros
arbitrariamente demitidos pela direção da
Petrobrás volta a ecoar nesta quarta-feira
(07/08), quando petroleiros de todo o país
estarão protestando contra o veto de FHC
ao projeto de lei de anistia, aprovado por
unanimidade pelo Congresso Nacional.
Os
atos fazem parte do calendário de lutas
aprovado pelo VIII CONFUP. A maior manifestação
deverá ser em São Paulo, em frente ao Geasp,
e que contará com a presença do presidente
da CUT estadual, Antônio Carlos Spis, um
dos demitidos na greve de 95, reintegrado
recentemente à Petrobrás, através de acordo
de aposentadoria.
Vários
demitidos estarão participando dos atos
em todo o país, exigindo que a direção da
Petrobrás repare o erro cometido na época
contra todos os trabalhadores, inclusive
os que foram punidos por exercerem o direito
de greve. Basta de perseguição política.
Já é hora de Justiça.
ENTREVISTA com o deputado federal Jair Meneguelli sobre
os bastidores da luta pela anistia dos petroleiros
Desde 95, os petroleiros e os parlamentares do bloco de
esquerda vêm lutando pela anistia para os
demitidos. Que análise o senhor faz deste
processo?
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Meneguelli - A luta contra as demissões dos petroleiros
começou durante a greve, quando vários
parlamentares interferiram junto ao
executivo para que a categoria pudesse
retornar ao trabalho com a garantia
de que não haveria nenhuma retaliação
por parte da Petrobrás e do governo.
Isso não aconteceu. O Congresso Nacional
abandonou os petroleiros à própria
sorte e o deputado Luciano Zica apresentou
à Câmara um projeto de lei que previa
a anistia ampla e irrestrita dos demitidos.
Começamos a negociar com os líderes
do governo a aprovação do projeto
já na Comissão de Trabalho. Fomos
fazendo concessões, com a garantia
do governo de que o projeto seria
aprovado. Com o término do mandato
do Zica, fiquei responsável pela reapresentação
do projeto, que foi aprovado nas Comissões
de Trabalho e Justiça até chegar ao
plenário. Tudo isso sempre negociado
com as lideranças do governo. Tivemos
resultado e o projeto foi aprovado
por unanimidade tanto na Câmara, quanto
no Senado. Nos reunimos várias vezes
com o Arnaldo Madeira e o Artur Virgílio
(líderes do governo na Câmara e no
Congresso, respectivamente), que me
diziam sempre estar negociando o projeto
com o aval do presidente.
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Se
os líderes do governo diziam que estavam
negociando o projeto com carta branca do
presidente, como o senhor explica o veto
de FHC?
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Meneguelli - Foi uma surpresa o veto do presidente.
Ninguém entendeu nada, muito menos
eu. O Virgílio dizia que tinha carta
branca do presidente para negociar...
Tentei falar com ele quando fui informado
sobre o veto, mas não consegui. Falei
apenas com o Arnaldo Madeira, que
se mostrou surpreso com a decisão
de FHC, mas me adiantou que não derrubaria
o veto.
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O
senhor acredita que a direção da Petrobrás
teve influência no veto?
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Meneguelli - Tudo é possível. O presidente anterior
da Petrobrás demonstrava concordar
com o projeto. O mesmo não posso dizer
de Gros. Parece que ele tem resistências
à anistia. Não posso dizer o que aconteceu,
mas, evidentemente, alguém interferiu
no processo. Não há outra explicação,
já que os líderes do governo garantiam
que FHC estava de acordo com a anistia.
Nada, no entanto, justifica esta atitute
do presidente. O que FHC fez foi negar
a cidadania para os petroleiros demitidos
arbitrariamente, por exercerem seu
direito de greve. Que democracia é
esta?
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Os
petroleiros continuarão lutando pela Anistia.
Quais as perspectivas agora?
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Meneguelli - Quando soube do veto, tentei uma
audiência com FHC para entender o
que aconteceu. Precisamos continuar
pressionando o presidente, reivindicando
esta audiência. Pode ser o primeiro
passo na luta pela derrubada do veto...
Por outro lado, ainda temos o projeto
de anistia do senador Eduardo Dutra,
do qual sou o relator na Comissão
de Trabalho da Câmara. Um projeto
mais amplo que estamos lutando pela
aprovação. A agilidade deste processo
depende, é claro, do próximo governo.
Se Lula for eleito presidente, a reintegração
dos petroleiros já é certa. Não dependerá
de um projeto de anistia.
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(Matéria e entrevista publicadas na Edição Especial do Primeira
Mão, de 06/08/2002)
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