| Anistia
ainda depende de vontade política da
Petrobrás |
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Enrolação no cumprimento da Lei 10.790
A
novela em torno do cumprimento da Lei de
Anistia 10.790 parece não ter fim. A trama
de burocracias criada desnecessariamente
pela direção da Petrobrás ganha a cada dia
mais um episódio de enrolação e desrespeito
aos petroleiros que aguardam impacientemente
o cumprimento da lei. A Comissão de Anistia
- imposta por exigência da Petrobrás, apesar
de todas as pressões em contrário feitas
pela FUP - continua estagnada, aguardando
desde o início de janeiro pela publicação
de uma portaria que regulamente os seus
trabalhos. A morosidade agora é atribuída
a divergências entre os Ministérios do Planejamento
e das Minas e Energia em relação a um dos
artigos da portaria.
Um
desrespeito sem limite aos companheiros
que lutam há dez anos para reverterem demissões
e punições políticas impostas arbitrariamente
pela Petrobrás entre 1994 e 1996. Injustiças
que esperávamos já ver superadas com a anistia
sancionada no final de novembro pelo presidente
Lula e festejada por José Eduardo Dutra,
que havia assumido este compromisso com
a categoria muito antes de tomar posse como
presidente da empresa.
Portanto é de se estranhar a falta de vontade política por
parte dos dirigentes da Petrobrás em resolver
definitivamente esta questão. Pelo contrário.
A cada dia criam mais um obstáculo ao processo
de anistia. Os petroleiros não admitem enrolação
e exigem o cumprimento imediato da lei.
A Anistia da categoria foi aprovada em tempo
recorde pelo governo Lula (quatro meses!)
e, portanto, deveria estar sendo exercida
com a mesma urgência.
A
FUP continua buscando o cumprimento da Lei
10.790 através dos canais democráticos de
interlocução e negociação com o governo
e a Petrobrás. Além de gestões em Brasília
- reforçada pela direção do Sindipetro Litoral
Paulista que está na capital federal desde
a semana passada em contato com parlamentares
e representantes dos Ministérios - a Federação
também está participando da Comissão de
Anistia como representante dos trabalhadores.
Se
não houver avanços significativos nestes
fóruns, a FUP e os sindicatos estarão implementando
um calendário de mobilizações e outras ações
contundentes que vise a garantir a anistia.
Divergências na Comissão
Ainda
no aguardo da publicação da portaria, a
Comissão de Anistia reuniu-se informalmente
no último dia 06 para dar continuidade às
dicussões do regimento interno, que irá
dispor sobre os procedimentos pertinentes
ao processo de apreciação da anistia. Foi
a quarta reunião informal da Comissão desde
que foi instituída, em 29/12/2003, e também
a mais polêmica. A Petrobrás não aceitou
assegurar no regimento que a anistia abranja
também os dias parados (e seus respectivos
reflexos) e punições políticas, como congelamento
das carreiras, perdas de funções, remanejamentos,
entre outras.
A
empresa também está exigindo que as notificações
dos anistiados ocorram via publicação no
Diário Oficial da União e não mais através
de correspondência, como havia sido acordado
anteriormente. Ou seja, procedimentos que
dificultam ainda mais a anistia, limitando
a abrangência do processo.
Atitudes que só reforçam a desconfiança que já paira sobre
a categoria: a falta de vontade política
por parte da direção da Petrobrás.
(Matérias publicadas na edição do Primeira Mão de 09/02/2004)
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