| O
povo na rua em defesa da ampliação
do projeto de desenvolvimento do país |
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Imprensa
FUP
No último dia 28, trabalhadores,
estudantes e diversos representantes de
entidades sociais voltaram às ruas
em manifestações por todo
o país, divulgando os principais
eixos de luta do Projeto Brasil, uma ampla
plataforma de reivindicações
dos movimentos sociais para o presidente
Lula, candidato à reeleição.
O documento foi aprovado em plenária
da Coordenação dos Movimentos
Sociais (CMS), em abril, em Recife, durante
o 2º Fórum Social Brasileiro.
Sob o lema Direitos para o povo: o Brasil
que queremos, as mobilizações
realizadas pela CMS apresentaram à
sociedade as propostas de defesa dos direitos
da população, ampliação
dos recursos para as áreas sociais,
geração de emprego e renda,
mais investimentos em saúde, educação,
entre outras importantes bandeiras. O primeiro-secretário
de Finanças da CUT e coordenador
da CMS, o petroleiro Antonio Carlos Spis,
considera que o Projeto Brasil pode se tornar
um pólo aglutinador das diversas
forças políticas de esquerda
no país e que as mobilizações
do dia 28 cumpriram o papel de socializar
com a sociedade o Projeto Brasil.
Veja a seguir os principais trechos da
entrevista de Spis ao Portal Mundo do Trabalho:
Após a mobilização
do dia 28 de junho, para onde caminha a
CMS? A estratégia da Coordenação
dos Movimentos Sociais no dia 28 foi socializar
com a população o Projeto
Brasil, que foi construído com o
movimento social, sindical e estudantil
em dois grandes momentos deste ano
a 4ª Plenária Nacional da CMS,
realizada no mês de março,
em São Paulo; e o Fórum Social
Brasileiro, no mês de abril, em Recife.
Nosso espírito é continuar
caminhando para a frente e à esquerda.
Este é o compromisso.
O diálogo com a sociedade potencializa
as ações?
A
compreensão do conjunto das entidades
que compõem a CMS, como a CUT, a
UNE e o MST, é que o diálogo
com a sociedade é fundamental, particularmente
com o conjunto dos desempregados e excluídos
que se encontram nas grandes periferias,
abandonados nas favelas, mantidos quase
inatingíveis, e que acabam virando
presa fácil do crime organizado.
Temos de chegar até lá para
dar perspectiva a milhões de pessoas
que são vítimas das mais nocivas
formas de exclusão social por meio
do confinamento pela alienação,
pelo desemprego, pela falta de assistência
e inexistência de qualquer ação
do Estado que garanta segurança ou
alento de um futuro melhor para esta e para
as futuras gerações.
Como a concentração dos meios
de
comunicação reforça
esta alienação e exclusão?
Acreditamos que para a superação
destas mazelas são necessárias
atitudes reflexivas, que aumentem a auto-estima
da população, lhes dêem
ânimo a partir da valorização
da sua própria história de
resistência, que é de sobrevivência
a tantas adversidades e dificuldades impostas
pela selvageria deste modelo, do salve-se
quem puder. Por isso, distribuímos
centenas de milhares de jornais com o Projeto
Brasil no conjunto dos estados e municípios.
Acreditamos que precisamos enraizar a CMS
e aprofundar esse debate. Quando a sociedade
se somar a esse projeto nacional de desenvolvimento,
democrático e popular, ele vai estar
mais forte, porque a experiência nos
diz que quem assume a luta por esses valores
não abre mão deles até
a sua conquista. Por isso, trabalhamos para
chegar aonde o povo está, e isso
nos impulsiona a ter uma relação
mais próxima, uma comunicação
mais direta. Se as pesquisas apontam que
a grande maioria da população
é analfabeta funcional, é
preciso informação mais boca
a boca.
Qual a saída para o impasse quando
há uma grande concentração
da mídia na mão de tão
poucas famílias?
A bandeira da democratização
dos meios de comunicação está
na linha de frente das reivindicações
da CMS. Defendemos o fortalecimento e a
ampliação do número
de rádios e televisões públicas,
comunitárias e populares, para que
a sociedade não fique refém
da manipulação das grandes
redes, nas quais a informação
não passa de uma mercadoria, que
tem dono. Queremos meios em que mais do
que possamos falar, possamos dar voz aos
que são calados pela lógica
dominante.
Qual o norte do Projeto Brasil?
Desde a primeira Carta ao Povo Brasileiro,
há um consenso de que só haverá
aporte sustentado de recursos ao Orçamento
da União para as políticas
sociais com mudanças na política
econômica. O enorme superávit
primário e as altas taxas de juros
são instrumentos que não servem
ao país mas apenas ao capital
volátil, que acaba ficando com enormes
quantias de dinheiro que faltam à
saúde, à educação
e ao fortalecimento de uma política
mais ousada de geração de
emprego e renda. Precisamos construir uma
ponte mais sólida com a sociedade,
para avançar na concretização
da justiça social.
O projeto vai agora para as mãos
do presidente?
A posição da CUT é
de que devemos entregá-lo ao presidente
Lula. Afinal, apesar dos inúmeros
problemas ainda existentes, das soluções
não concretizadas para a questão
agrária, habitação
urbana ou empregos, é nossa compreensão
que é com este governo que vamos
avançar. É com quem temos
espaço para vislumbrar a possibilidade
de sua implementação. A CMS
tem autonomia para definir, mas esta é
a nossa idéia de como devemos continuar
caminhando. Alckmin representa mais do entreguismo
neoliberal de Fernando
Henrique: mais privatização,
criminalização
dos movimentos sociais, entrega
da soberania, mais retrocesso.
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