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da CUT denuncia: privatização
da CTEEP foi direcionada para a desnacionalização |
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Por
Leonardo Severo, da Agência CUT
O presidente nacional da CUT e líder
eletricitário, Artur Henrique da
Silva Santos, denunciou que o processo de
privatização da Companhia
de Transmissão de Energia Elétrica
de São Paulo (CTEEP), levado a cabo
no dia 28 de junho, foi dirigido para
a desnacionalização.
O edital conteve vícios que
impediram a participação no
leilão de várias estatais
brasileiras, como foi o caso da Copel, de
Furnas e da Cemig, deixando o caminho livre
para que a CTEEP fosse parar nas mãos
de uma empresa colombiana, com maioria de
capital estatal, a Interconexion Elétrica
S.A (ISA), declarou.
O Ministério Público está
investigando denúncia de que o próprio
presidente da CTEEP, José Sidnei
Colombo Martini, se reuniu no final de janeiro,
em Bogotá, com dirigentes da ISA,
acompanhado por alto executivo da Rio Bravo
Investimentos um dos consultores
contratados pelo governo estadual para fazer
a avaliação da CTEEP
e a modelagem do controle acionário
da empresa. Há documentos que
comprovam a viagem de Martini, solicitada
em ofício datado de 26 de janeiro,
pelo secretário estadual de Energia,
Mauro Arce, por orientação
e interesse do governo de São Paulo.
PREJUÍZO
- A tal modelagem rendeu prejuízos
aos acionistas da CTEEP, avaliou a Eletrobrás
que, por meio do seu presidente, Aloísio
Marcos Vasconcelos Novais, alertou no dia
12 de junho, em carta ao secretário
Mauro Arce, que o "Mecanismo de Ajuste
do Preço Final de Leilão,
previsto no edital da operação,
simplesmente reduzia o preço da companhia.
Ocorre que tal mecanismo,
que atende aos objetivos de pronta venda
do controle da empresa, traçados
pelo acionista controlador da Cteesp, afeta
os interesses dos acionistas minoritários,
dentre os quais esta empresa [a Eletrobrás],
que detém parcela significativa das
ações do capital da Cteesp,
dentre ordinárias e preferenciais,
informava então Aloísio Vasconcelos,
frisando que os investimentos efetuados
na CTEEP seriam aviltados.
É inaceitável que uma
empresa lucrativa e estratégica como
a CTEEP tenha sido entregue desta forma,
às vésperas da eleição.
Se já é um crime a doação
e a entrega de um patrimônio público
deste porte em qualquer época, o
que dizer durante o processo eleitoral,
onde a escolha de novos governantes determinará
que tipo de Estado queremos construir: de
justiça social, voltado para a maioria
da população, ou um Estado
mínimo, como querem os neoliberais?,
questionou Artur. Na avaliação
do presidente cutista, esta é apenas
uma das inúmeras transgressões
cometidas pelo desgoverno tucano, numa
clara afronta ao Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), que vem dizendo que não se
pode implementar Plano de Cargos e Salários
para os funcionários, pois teria
um viés eleitoral. Enquanto isso,
um governo estadual pode vender uma empresa
a meses da eleição? Não
tem cabimento.
CONVERSA
FIADA -
No início da privatização
do setor elétrico, em 1997, recordou,
os tucanos alegavam que por ser a CTEEP
a transmissora por onde passa um terço
de toda a energia elétrica do país,
sua permanência nas mãos do
Estado serviria para manter o controle social.
Na época, frisou Artur, era
esse o discurso do genro de FHC, David Zylberstajn,
então secretário estadual
de Energia de São Paulo. Alegavam
então que dava para vender a geração
e a distribuição, mantendo
a distribuição, pois isso
obrigaria o setor privado a obedecer determinadas
regras. Passados 11 anos, simplesmente se
desfizeram de um patrimônio avaliado
pela Aneel em R$ 16 bilhões, por
apenas 1,193 bilhão, o equivalente
a 7,5% do valor real da empresa, e mais,
com R$ 600 milhões em caixa. É
importante frisar que se somarmos esse dinheiro
em caixa com o lucro da empresa no ano passado,
que foi de R$ 468 milhões, praticamente
dá o valor pela qual ela foi vendida,
o que comprova a subavaliação.
Artur ressalta que os eletricitários
sempre consideraram positiva a entrada
do capital privado no setor, mas para expandir
a capacidade, para novos investimentos em
áreas onde o retorno é longo
e o próprio Orçamento do governo
encontra dificuldade, pelo prazo de maturação.
Em vez disso, o que o PSDB fez foi vender
o que está pronto.
ACÚMULO
- Embora não tenha conseguido reverter
o processo de privatização,
destacou o dirigente cutista, a mobilização
dos trabalhadores do setor, comandada pelo
Sinergia-SP, conseguiu garantir no Acordo
Coletivo cláusulas sociais que impedem
a demissão em massa, mantendo os
empregos até o final de 2008. Agora,
o segundo passo são as ações
políticas e jurídicas, denunciando
a subavaliação, o processo
dirigido e a não-aprovação
da Aneel. Há uma gama de processos
jurídicos que apontam as falhas do
processo e elencam mecanismos de reversão.
Além disso, temos realizado várias
audiências públicas nas Câmaras
Municipais, denunciando a privatização
e envolvendo a população nesta
luta, esclarecendo sobre os riscos da alienação
deste patrimônio, acrescentou.
E
a pressão para reverter a entrega
não pára por aí, enfatizou,
pois temos assegurada uma vaga no
Conselho de Administração
da empresa, onde nosso representante tem
acesso a informações que possibilitarão
fortalecer as denúncias. Além
disso, como empresa acionista, a Eletrobrás
também tem um representante indicado
dentro do Conselho, que poderá questionar
esta operação altamente prejudicial
para o Estado e para o país.
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