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P-36: Cinco anos depois, petroleiros ainda lutam por condições seguras de trabalho.

A Imprensa da FUP

No último dia 15, a FUP e os sindicatos realizaram atos políticos, protestos e manifestações nas unidades do Sistema Petrobrás, exigindo condições dignas de trabalho e segurança para todos os trabalhadores - próprios e terceirizados. A mobilização marcou os cinco anos do acidente que afundou a maior plataforma da companhia, onde 11 petroleiros morreram e expuseram para o mundo a deficiência na gestão de Saúde, Meio Ambiente e Segurança (SMS) de uma das maiores empresas do setor petróleo. Um modelo falido que, cinco anos depois, ainda vigora na Petrobrás.

Nos quatro cantos do país, os petroleiros mortos no acidente com a P-36 foram lembrados e homenageados por seus familiares, amigos e colegas de trabalho. Faixas, cartazes e boletins dos sindicatos cobraram mais uma vez condições seguras de trabalho. E enquanto as gerências de SMS gastam milhões em programas de prevenção de acidentes distantes da realidade do chão de fábrica, os trabalhadores tentam entender como que uma empresa do porte da Petrobrás é incapaz de evitar que tragédias como a da P-36 continuem se repetindo, ano após ano.

Tragédias silenciosas

Apesar de nenhum outro acidente após a P-36 ter causado tamanho impacto na imagem ou nos cofres da companhia, silenciosamente, sem repercussão da mídia, os petroleiros continuam morrendo no ambiente de trabalho. Acidentes que absurdamente se reproduzem na Petrobrás e que nos últimos cinco anos já consumiram a vida de 90 trabalhadores. Mais de oito vezes o número de vítimas da P-36! A grande diferença é que 80 dos petroleiros mortos nestas tragédias silenciosas eram de empresas terceirizadas, com direitos e condições de trabalho totalmente diferenciados.

Tragédias anunciadas pela FUP e sindicatos muito antes das explosões na P-36. Desde 1995, ocorreram pelo menos 237 óbitos por acidente em unidades da Petrobrás, dos quais 190 com trabalhadores terceirizados. Uma média de 1,7 morte por mês, onde 80% dos acidentes envolvem prestadores de serviços, cujas condições de trabalho e segurança estão muito aquém do que é praticado pela companhia.

Áreas internacionais

A internacionalização da Petrobrás tem trazido em seu rastro denúncias de condições precárias de trabalho e de desrespeito ao meio ambiente que não condizem com a prática da empresa no Brasil. A própria empresa divulgou a ocorrência de 15 óbitos nos últimos cinco anos de trabalhadores terceirizados em unidades da América Latina.

Um número alarmante em se tratando de áreas com efetivos reduzidos. A FUP tem se articulando com sindicatos de petroleiros da Argentina, Colômbia, Bolívia, Venezuela e outros países latinos para exigir da companhia uma política integrada de RH e SMS, com condições básicas de trabalho e segurança e respeito ao meio ambiente. Um instrumento fundamental de pressão neste sentido é a construção de uma rede internacional de trabalhadores da Petrobrás, que já vem sendo discutida em vários encontros e fóruns sindicais.

SMS e Terceirização

As denúncias e cobranças históricas do movimento sindical referentes às questões de segurança e terceirização fizeram a Petrobrás avançar em alguns pontos, como a recomposição dos efetivos e as comissões de análises de acidentes. A empresa também ensaia alguns passos, ainda que tímidos, rumo à primeirização. Investimentos que, apesar dos dirigentes da companhia considerarem altos, não são mais valiosos do que a vida de um trabalhador.

Portanto, ainda é pouco o que tem sido feito. As áreas de SMS e de Terceirização foram as que a Petrobrás menos avançou nas negociações com a FUP e os sindicatos. Seja nas campanhas reivindicatórias, seja nas comissões previstas no Acordo Coletivo de Trabalho, a empresa teve várias oportunidades de construir junto com os trabalhadores alternativas de mudanças que teriam reflexos imediatos nos índices de acidentes.

A companhia ainda pode alterar esse quadro e alcançar a meta de acidente zero que o presidente Sérgio Gabrielli tanto enfatiza em seus discursos. As bandeiras de luta da categoria há tempo apontam o caminho: nova política de segurança, recomposição dos efetivos, primeirização das atividades permanentes e condições dignas de trabalho para todos os petroleiros.


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