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O drama dos participantes do Aerus: Lição e alerta

Imprensa da FUP

Merece uma séria reflexão o drama que atinge hoje os 8.289 participantes ativos dos planos de previdência complementar patrocinados pela Varig e os 6.792 aposentados e pensionistas da empresa que recebiam em dia os benefícios pelos quais contribuíram a vida toda. Sob intervenção da SPC e em processo de liquidação, o Aerus tem um rombo de mais de R$ 1,5 bilhão e é o principal credor da Varig. Os participantes da ativa correm sério risco de jamais recuperarem as contribuições feitas ao fundo e os aposentados e pensionistas provavelmente sofrerão reduções drásticas em seus benefícios, pois o atual patrimônio do Aerus não é suficiente para cobrir metade dos compromissos atuariais garantidores das aposentadorias.

Divididos em dois planos, um de Benefício Definido e outro de Contribuição Definida, os participantes do Aerus estão todos à deriva. Independente da modalidade do plano, nem BD, nem CD são agora capazes de lhes garantir o direito legítimos às contribuições que fizeram ao longo de toda a vida. O motivo da crise vai além das dívidas acumuladas pela patrocinadora. Erros de gestão, falta de capitalização e péssimos investimentos causaram perdas milionárias aos participantes, comprometendo a maior parte do patrimônio do fundo.

Segundo técnicos do Aerus, mais da metade da carteira de investimentos em renda variável é formada por ações sem liquidez, que dão prejuízos. O fundo também acumula perdas expressivas em decorrência de investimentos em shoppings centers e participações "especiais" no controle de companhias. Uma trajetória de investimentos mal sucedidos que muito nos lembra as antigas gestões da Petros.

O drama que vivem os participantes do Aerus nos deixa lições e alertas importantes. Os trabalhadores, principalmente os da ativa, precisam ter o entendimento de que previdência complementar é hoje um direito fundamental, que deve ser encarado com a mesma prioridade que damos aos salários e às condições de trabalho. É a fiscalização diária e o controle da gestão do fundo que garantirão a segurança de todos os participantes, tanto os que já gozam dos benefícios, quanto os que ainda farão juz das contribuições no futuro. Caso contrário, é chorar sobre o leite derramado.


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