| Projeto
de alfabetização Mova
Brasil atende mais de 70 mil jovens
e adultos |
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Imprensa
da FUP
A Federação Única dos
Petroleiros e seus sindicatos filiados concluem
este mês a terceira etapa do programa
Mova Brasil, que desde sua implantação,
em 2003, já alfabetizou 46.589 jovens
e adultos em várias regiões
do país. Parceria entre a FUP, a
Petrobrás e o Instituto Paulo Freire,
o projeto está formando este semestre
23.828 alunos em seis estados e inicia em
julho a sua quarta etapa de alfabetização,
com a meta de atingir 25 mil jovens e adultos
no Rio de Janeiro, Bahia, Ceará,
Rio Grande do Norte, Sergipe, São
Paulo e Pernambuco, além dos estados
que abrangem a região do Semi-Árido
Nordestino. Uma novidade nesta nova fase
do projeto é a inclusão dos
catadores das cooperativas de reciclagem
de resíduos sólidos, que participam
do Programa Petrobrás Fome Zero.
No último dia 14, cerca de cinco
mil pessoas participaram, em Nova Iguaçu,
na Baixada Fluminense, da formatura dos
2.256 alunos dos 11 municípios abrangidos
pelo projeto no estado do Rio de Janeiro.
A solenidade contou com a presença
do presidente da República, Luiz
Inácio Lula da Silva, do ministro
da Educação Fernando Haddad,
do presidente da Petrobrás, José
Sérgio Gabrielli, do coordenador
da FUP, Hélio Seidel, do diretor
do Instituto Paulo Freire, professor Moacir
Gadotti, além de dirigentes da FUP,
dos Sindipetros Duque de Caxias e Norte
Fluminense, representantes da Petrobrás,
prefeitos e parlamentares dos municípios
da Baixada Fluminense, do Norte e do Noroeste
do estado do Rio de Janeiro, que participaram
da terceira fase do projeto Mova Brasil.
A formatura teve como oradora a dona de
casa Celícia Geralda Gonçalves
da Silva, 50 anos, aluna de Duque de Caxias,
que se emocionou e deixou a todos emocionados
ao ler o discurso redigido por ela para
os demais formandos e autoridades que participaram
da solenidade. Dona Celícia não
conteve as lágrimas ao ser abraçada
pelo presidente Lula, que em seu discurso
destacou a força de vontade e o empenho
dela e dos demais alunos, que venceram obstáculos
e preconceitos para conquistarem um direito
que lhes deveria ter sido garantido quando
crianças.
"Saio daqui com a alma lavada, ao ver
que pessoas que nunca tiveram o direito
mais elementar que um cidadão pode
ter, que é o acesso à educação,
terem agora, depois de adultos, a oportunidade
de finalmente resgatarem esse direito",
declarou o presidente da República,
após entregar pessoalmente o diploma
de alfabetização a dona Isidora
da Silva, 82 anos, moradora de Campos e
a aluna mais idosa do projeto no pólo
do Rio de Janeiro.
Em seu pronunciamento, Lula também
destacou o discurso do coordenador da FUP,
Hélio Seidel, que frisou a importância
de uma entidade sindical ser também
um veículo para resgate da cidadania,
indo além de sua função
cotidiana de defesa dos interesses corporativos
da categoria que representa. "Neste
ano em que a Petrobrás comemora a
auto-suficiência do país na
produção de petróleo,
o projeto Mova Brasil ultrapassa todas metas
para o qual foi concebido. É uma
forma de devolvermos para a sociedade uma
parcela ainda muito pequena do empenho de
todos nós na construção
desta empresa, que cresceu através
da luta de seus trabalhadores e do povo
brasileiro", comentou o coordenador
da FUP.
O ministro da Educação, Fernando
Haddad, o presidente da Petrobrás,
José Sérgio Gabrielli, e o
diretor do Instituto Paulo Freire, Moacir
Gadotti, foram unânimes em destacar
que o combate ao analfabetismo é
um dever dos governantes, mas que precisa
ter o compromisso e empenho de toda a sociedade
brasileira. "O Mova Brasil é
mais do que um projeto de alfabetização.
É um programa de inclusão
social, geração de emprego
e formação da cidadania",
afirmou o professor Gadotti.
Inclusão
social e resgate da cidadania
O
projeto Mova Brasil é um importante
instrumento de resgate da cidadania e de
engajamento de seus participantes em movimentos
que buscam a transformação
da sociedade, através de ações
políticas voltadas para o combate
à pobreza e à desigualdade
social. Visando à melhoria da qualidade
de vida de sua comunidade, os alunos que
participam do projeto acabam envolvendo-se
em diversas iniciativas que extrapolam a
sala de aula, como conselhos comunitários,
campanhas de combate à tuberculose,
organização de hortas comunitárias,
tratamento de água, reciclagem de
lixo e coleta seletiva, projetos de agricultura
familiar, entre tantas outras ações
de impacto social no meio em que vivem.
Além disso, o Mova Brasil é
também um projeto gerador de emprego,
através da formação
e qualificação de monitores
e coordenadores selecionados nas próprias
comunidades onde as turmas de alfabetização
são montadas. A FUP e os sindicatos
de petroleiros têm participação
decisiva neste sentido, já que somos
responsáveis pela articulação
política de todo o projeto, que abrange,
desde o levantamento das demandas de turmas,
até à viabilização
e funcionamento das salas de aula. Tudo
isso é fruto de um processo permanente
de diálogo dos sindicatos com os
movimentos sociais locais, como associações
de moradores e agricultores, igrejas, ONGs,
unidades da Petrobrás, administrações
municipais entre outros parceiros que fazem
o projeto acontecer.
"É muito gratificante para nós
dirigentes da FUP e dos sindicatos estarmos
diretamente envolvidos em um programa de
inclusão social e de resgate da cidadania
voltado para um segmento da população
que tem sido tão discriminado, como
é o caso desses jovens e adultos
que jamais tiveram a oportunidade de aprender
a ler e a escrever. Além disso, é
um orgulho vermos que a credibilidade e
a experiência de organização
e mobilização do movimento
sindical petroleiro têm sido referência
para as entidades populares que são
nossas parceiras no projeto", declara
o coordenador da FUP, Hélio Seidel.
- É uma satisfação
imensa podermos fazer do Mova Brasil o sucesso
que tem sido, superando todas as expectativas
ao ultrapassarmos 50 mil pessoas atendidas
nesses três anos do projeto. Em consonância
com a CUT, a FUP e os sindicatos pela primeira
vez exercitam na prática ações
de cidadania, que vão além
da nossa rotina diária de representantes
dos trabalhadores na luta e defesa de seus
interesses corporativos. Estamos vivendo
um novo momento na história da nossa
entidade sindical, uma experiência
inédita que abre caminho para um
papel fundamental que temos na luta de classe:
a construção e viabilização
de alternativas reais de transformação
social.
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