| Paralisação
de 24 h tem adesão total em nove
refinarias, 32 plataformas da Bacia
de Campos, áreas de produção
do RN e ES e principais terminais do
país |
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Rio, ato contra a 7ª Rodada da ANP
mobilizou petroleiros de vários estados,
com participação da CUT, CNQ
e MST
Direção Colegiada da Federação
Única dos Petroleiros (FUP) considera
excelente a paralisação de
24 horas que os trabalhadores do Sistema
Petrobrás estão realizando
nesta segunda-feira (17) nas unidades de
refino, produção e exploração
de petróleo e terminais de distribuição,
com participação também
dos trabalhadores do regime administrativo.
Esta é a primeira grande mobilização
da campanha reivindicatória da categoria,
que rejeitou nacionalmente, em todas as
bases da Petrobrás, a contraproposta
apresentada pela empresa no último
dia 07. A paralisação também
teve por objetivo protestar contra a Sétima
Rodada de Licitação de Blocos
Petrolíferos, que a Agência
Nacional de Petróleo (ANP) iniciou
nesta segunda-feira (17), no Hotel Sheraton,
no Rio de Janeiro.
Em nove das 11 refinarias da Petrobrás,
houve corte na rendição dos
turnos (veja quadro abaixo). Na Bacia de
Campos, principal área produtora
de petróleo do país, 32 plataformas
aderiram à paralisação.
Na Refinaria de Duque de Caxias (Reduc)
e na Fábrica de Lubrificantes do
Nordeste (Lubnor), os trabalhadores não
aprovaram a greve, mas realizaram manifestações
pela manhã.
Manifestação no Rio -
Paralelamente à greve de 24 horas
dos petroleiros, a FUP, a CUT e o MST realizaram
um ato público hoje, pela manhã,
em frente ao Hotel Sheraton, exigindo alteração
na Lei do Petróleo e a suspensão
dos leilões das áreas exploratórias.
A manifestação contou com
participação de caravanas
de petroleiros vindas dos estados de São
Paulo e Minas Gerais, além de trabalhadores
de Duque de Caxias, do Rio de Janeiro, do
Norte Fluminense e do Amazonas. O presidente
da CUT, João Felício, o diretor
da Confederação Nacional do
Ramo Químico (CNQ), Cairo Correa,
o coordenador regional do MST, Guilherme
Gonzaga, além de representações
de trabalhadores sem terra de vários
estados do país. O ato foi encerrado
com uma passeata do Hotel Sheraton até
a Praia do Leblon.
Greve
de advertência - Além de protestar contra a Sétima
Rodada de Licitação, a paralisação
de 24 horas dos petroleiros tem também
por objetivo pressionar a direção
da Petrobrás a resolver as pendências
do fundo de previdência complementar
da categoria (Petros), assim como avançar
nas negociações referentes
à campanha reivindicatória.
A FUP e os sindicatos estão desde
2002 tentando resolver a situação
dos trabalhadores novos que foram impedidos
de ingressar no atual plano de previdência
complementar da empresa. Hoje, já
beira a 10 mil o número de trabalhadores
prejudicados. Já em relação
à campanha reivindicatória,
os petroleiros rejeitaram em todo o país
a contraproposta apresentada pela Petrobrás
no último dia 07, propondo apenas
4,89% de reposição salarial.
A categoria reivindica 10,2% de reajuste,
além da solução das
pendências da Petros e demais reivindicações
referentes às condições
de trabalho e segurança.
Próximos encaminhamentos -
Nesta terça-feira 918), a FUP apresentará
à Petrobrás o resultado das
assembléias, onde os trabalhadores
rejeitaram a contraproposta da empresa,
e cobrará a retomada imediata das
negociações sobre Petros e
também da campanha reivindicatória.
Os petroleiros exigem que as pendências
previdenciárias da categoria sejam
resolvidas de vez pela Petrobrás.
Se não houver avanço neste
sentido, a Federação estará
indicando mobilizações mais
contundentes e, se preciso for, uma greve
com parada de produção.
Na quarta-feira (19), a direção
da FUP estará em Brasília
participando da "ocupação
pacífica do Congresso Nacional"
que a CUT convocou, com o objetivo de pressionar
os deputados e senadores a construírem
uma agenda dos trabalhadores, dando seqüência
aos trabalhos parlamentares voltados para
a valorização do salário
mínimo e a redução
da jornada de trabalho, sem redução
de salário. A Federação
Única dos Petroleiros também
se reunirá com parlamentares para
discutir a Proposta de Emenda Constitucional
número 410, que trata sobre a propriedade
das reservas de petróleo (veja matéria
abaixo).
PARALISAÇÃO
DESTA SEGUNDA-FEIRA
NAS
REFINARIAS
REPLAN - Refinaria de Paulínia,
em Campinas (SP);
RPBC- Refinaria Presidente Bernardes,
em Cubatão (SP);
RECAP - Refinaria de Capuava, em Mauá
(SP);
REVAP - Refinaria do Vale do Paraíba,
em São José dos Campos (SP);
RLAM - Refinaria Landulpho Alves, na Bahia;
FAFEN - Fábrica de Fertilizantes
Nitrogenados, Bahia
REMAN - Refinaria de Manaus, em Manaus
(AM);
REFAP - Refinaria Alberto Pasqualine (RS);
REGAP - Refinaria Gabriel Passos (MG)
REPAR - Refinaria de Araucária,
no Paraná;
SIX - Superintendência da Industrialização
do Xisto, no Paraná;
NOS TERMINAIS
Terminais de Guararema, Guarulhos, Barueri,
São Caetano, Alemoa, Pilões
e São Sebastião, (todos
no estado de São Paulo);
Terminal de Senador Canedo (GO);
Terminais de Guaramirin, Itajaí,
Biguaçu e São Francisco
(todos em Santa Catarina);
Terminal de Paranaguá (PR);
Terminal de SUAPE (PE);
Terminal Marítimo Almirante Alves
Câmara (BA);
Terminal de Osório (RS);
Terminal de Cabiúnas (Macaé,
no Norte Fluminense).
NAS
ÁREAS DE PRODUÇÃO
Os petroleiros das principais áreas
de produção e exploração
de petróleo da Petrobrás
também aderiram à paralisação
de 24 horas. Na Bacia de Campos, principal
área produtora do país,
houve participação de 32
plataformas. No Rio Grande do Norte, o
movimento atingiu os campos de produção
do Pólo Guamaré, Mossoró
e Alto do Rodrigues. Houve também
mobilização no Espírito
Santo e no Paraná.
Projeto
de Emenda Constitucional elaborado pela
FUP
A Federação Única dos
Petroleiros elaborou um Projeto de Emenda
Constitucional (PEC) ao artigo 176, que
trata sobre a propriedade das reservas de
petróleo. A emenda proposta pelos
petroleiros foi apresentada ao deputado
federal Luciano Zica (PT/SP) em junho e
está tramitando no momento pela Comissão
de Constituição e Justiça
da Câmara. A PEC devolve à
União o monopólio sobre as
reservas petrolíferas do Brasil,
resgatando, assim, a soberania nacional
sobre este setor estratégico para
o nosso país.
"O petróleo e o gás natural
são riquezas da sociedade brasileira,
bens estratégicos que a nossa nação
dispõe para garantir direitos sociais
e a integração da América
Latina", defende o coordenador da FUP,
Hélio Seidel.
O que diz o atual Art. 176 da Constituição
Federal - As jazidas, em lavra ou não,
e demais recursos minerais e os potenciais
de energia hidráulica constituem
propriedade distinta da do solo, para efeito
de exploração ou aproveitamento,
e pertencem à União, garantida
ao concessionário a propriedade do
produto da lavra.
O que propõe a PEC - As jazidas,
em lavra ou não, e demais recursos
minerais e os potenciais de energia hidráulica
constituem propriedade distinta da do solo,
para efeito de exploração
ou aproveitamento, e pertencem à
União. |