Vergonha

Vergonha, muita vergonha e mais vergonha para a categoria petroleira com a última decisão do Conselho de Administração da atual gestão da Petrobrás. Resolveram trazer de volta João Elek, o diretor de governança e conformidade que estava afastado por ter sido denunciado pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

O diretor-executivo de governança e conformidade, João Adalberto Elek Jr., foi diretor financeiro do Citibank por mais de 20 anos e acabou recentemente afastado temporariamente do cargo, pois contratou sem licitação a consultoria financeira Deloitte, empresa onde sua filha trabalha.

A advertência que João Elek recebeu da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, mesmo não tendo caráter punitivo, escancara a permissividade dos gestores da Petrobrás com os atos ilícitos cometidos pelo alto escalão.  É muito grave o fato de um diretor ter contratado sem licitação, por R$ 25 milhões, a empresa onde a filha estava passando por processo de seleção.

Ilusão de transparência não engana a mais ninguém

Os gestores da transparência e das “Regras de Ouro” mais parecem ilusionistas do mal a utilizar os códigos de Ética, Conduta e SMS como ferramentas de assédio moral contra os trabalhadores, mas para os “amigos do rei” a lei por eles criadas não se aplicam. Exatamente como acontece agora com o diretor de governança, risco e conformidade, João Elek.

Na última reunião com a Petrobrás o coordenador geral da FUP, Zé Maria voltou a criticar o conflito de interesses: “fomos obrigados dar ciência no Código de Ética e no Guia de Conduta e os que se recusaram tiveram suas chaves de rede bloqueadas. Estamos sendo obrigados a fazer cursos anticorrupção e a os gestores seguem protegendo o diretor de Conformidade, sem dar as devidas explicações aos trabalhadores”, e ainda afirmou que a Petrobrás tem que sair desse discurso vazio e ser clara sobre o fato. Nós, representantes dos trabalhadores, exigimos uma resposta.

Numa companhia como a Petrobrás, punições provenientes dos códigos de conduta não se aplicam somente aos funcionários de chão de fábrica e sim também ao alto escalão que ocupa as antessalas de Pedro Parente, presidente licenciado da Prada consultoria.

Elek, peça para sair, leve Parente e todo Conselho de Administração junto.