FUP inicia negociação com a Petrobrás cobrando respeito à vida

Domingo, 25 Setembro 2011 21:00
Empresa concorda em antecipar a reposição da inflação.

Imprensa da FUP

A FUP realizou nesta segunda-feira, 26, a primeira rodada de negociação com a Petrobrás, onde foram tratadas reivindicações referentes a SMS, condições de trabalho, efetivos, relações sindicais, inovações tecnológicas e segurança no emprego. Os trabalhadores cobraram uma resposta da empresa para os pontos tratados na reunião preliminar, no dia 19, quando a FUP reivindicou a antecipação imediata do ICV para repor a inflação do último ano e recompor o poder de compra dos salários.  

A Petrobrás concordou com o pleito, mas propôs como índice o IPCA. A empresa propôs a redação de um acordo provisório, somente referente à reposição da inflação, retroativa a setembro e com reflexos nos adicionais e demais cláusulas econômicas do atual acordo. A FUP avaliará o acordo e cobrou que a antecipação seja também extensiva aos trabalhadores das subsidiárias. A negociação prossegue nesta terça, quando serão discutidas as reivindicações referentes a salários, adicionais, benefícios e AMS. 

Trabalhadores da P-35 são intoxicados por CO2, mas Petrobrás mantém a produção mesmo assim

A FUP abriu a reunião de negociação com a Petrobrás, denunciando a postura dos gestores da empresa de manter a plataforma P-35, na Bacia de Campos, operando, apesar da ocorrência de um grave acidente, na madrugada desta segunda-feira. Um vazamento de CO2 do sistema de ar condicionado intoxicou pelo menos 25 trabalhadores que foram retirados da plataforma. Alguns deles chegaram a ser submetidos a uma câmera hiperbárica para recuperarem sua capacidade respiratória. No entanto, apesar da gravidade do acidente, mesmo assim, os gestores da empresa decidiram manter a plataforma produzindo, com trabalhadores na sala de controles operando a unidade com equipamentos autônomos. No ano passado, a P-35 foi interditada por falta de segurança.

Defesa da vida

Ao defender as reivindicações da categoria referentes à saúde e segurança, a FUP ressaltou que as mudanças nas práticas e na política de SMS só ocorrerão se houver uma decisão política da Petrobrás neste sentido. A postura dos gestores da empresa tem sido de inibir e até mesmo de punir o trabalhador que cumpre os procedimentos de segurança, para evitar que haja impacto na produção e, consequentemente, nas metas gerenciais. A forma como a Petrobrás tratou o acidente ocorrido nesta segunda-feira na P-35 é a prova disso.

Combate à subnotificação de acidentes - A FUP criticou duramente as subnotificações de acidentes, ressaltando que esta arbitrariedade contribui para aumentar os riscos a que são expostos os trabalhadores e, consequentemente, os acidentes. A FUP lembrou as palavras do presidente José Sérgio Gabrielli, no Fórum Nacional de SMS, quando comentou que “subnotificação de acidente deve ser caso de demissão por justa causa”. Justamente por praticar a subnotificação, a Petrobrás teve que firmar em 2006 um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), se comprometendo a notificar todos os acidentes de trabalho com afastamento ocorridos em suas unidades. O TAC, no entanto, tem sido rotineiramente descumprido pela empresa, que foi obrigada a renovar o acordo com o MPT em 2010 por mais quatro anos por continuar subnotificando os acidentes. Uma das reivindicações da categoria é retirar o TFCA dos indicadores de metas corporativas da empresa.

Outras reivindicações ressaltadas pela FUP

Fortalecimento das CIPAS - eleição para todos os membros das CIPAs, com mandato de dois anos e possibilidade de reeleição; liberação dos cipistas;  participação de representantes dos sindicatos nas reuniões das CIPAs.

Investigação de acidentes - participação do sindicato em todas as comissões de investigação de acidentes, independentemente do tipo de ocorrência.

Primeirização de todos os postos de trabalho permanentes, inclusive os relacionados ao SMS.

Recomposição dos efetivos – realização de estudos para recomposição dos efetivos próprios (operação, manutenção, segurança industrial, apoio operacional) em todas as unidades, com participação da FUP e dos sindicatos.

Segurança no emprego - implantação da Convenção 158 da OIT no Sistema Petrobrás e nas empresas contratadas, para proteger o trabalhador contra demissões imotivadas, garantindo-lhe o pleno direito de defesa e o exercício do contraditório.

Inovações tecnológicas – implantação de quiosques em todas as unidades do Sistema Petrobrás para promover a inclusão digital, principalmente para os trabalhadores terceirizados.

Licença maternidade – extensão da licença maternidade de 180 dias para as mães adotantes.

Abono de faltas – garantir ao trabalhador o abono de 05 faltas ao ano, como era praticado pela empresa no passado.

Regimes e jornadas – implantação do turno para os trabalhadores da manutenção e celebração de acordos específicos de jornada durante as paradas de manutenção para o turno e a manutenção.

Dia de desembarque – extensão do acordo firmado com o Sindipetro-NF para todas as bases com trabalho confinado, em terra e no mar.

Pendências cobradas pela FUP

Fórum de SMS – a Petrobrás propôs agendar uma reunião específica com a FUP para definir o funcionamento da comissão paritária que discutirá propostas para novas práticas de SMS.

Regramento das PLRs futuras – a Petrobrás informou que se posicionará sobre esta questão na próxima semana.

Implantação do Plano Petros 2 na Transpetro – a subsidiária informou que nesta segunda-feira, 26, a diretoria da Petros se reuniu com a Previc para resolver as últimas pendências em relação a implantação do PP-2.

Mídia

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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