Petroleiros do RN cobram reajuste real e se preparam para greve

Quinta, 20 Outubro 2011 22:00
Em Assembleias realizadas nesta quarta-feira, 19, em todas as áreas de trabalho, os trabalhadores do RN decidiram pela não aceitação da proposta apresentada pela Petrobras na última rodada de negociação.

Sindipetro RN

Após cinco rodadas de negociação com a Petrobras e nenhuma contraproposta de ganho real, petroleiros estão em Estado de Greve

Em Assembleias realizadas nesta quarta-feira, 19 de outubro, em todas as áreas de trabalho, os petroleiros do Rio Grande do Norte decidiram pela não aceitação da proposta apresentada pela Petrobras na última rodada de negociação, em 14 de outubro, e aprovaram a manutenção do Estado de Greve e de Assembleia Permanente. As entradas para os turnos de trabalho foram atrasadas em duas horas, inclusive a dos funcionários administrativos, e houve cortes na emissão de Permissão de Trabalho (PTs).

Para a categoria, as propostas apresentadas pela empresa são insuficientes, restritas neste momento às cláusulas sociais, e desconsidera importantes reivindicações dos trabalhadores. “Achamos que a Petrobras tem condições de iniciar a negociação imediata das cláusulas econômicas, mas a empresa se recusa a iniciar as discussões sobre as questões salariais”, analisa o coordenador geral do SINDIPETRO/RN, Márcio Dias.

A avaliação dos dirigentes sindicais é de que a categoria precisa estar preparada para uma grande greve nacional, já que a Petrobras está resistente em atender as principais reivindicações da categoria. “No próximo dia 21, durante reunião do conselho deliberativo da FUP, iremos apontar o próximo dia 30 como data de indicativo para paralisação, com ocupação e controle de produção”, afirma Márcio Dias.

Mobilização nas bases

A realização das Assembleias nas sedes administrativas das empresas, campos de petróleo, locais de embarque, plataformas marítimas, unidades industriais e nas sondas, marcou o dia de Mobilização Nacional da categoria no Rio Grande do Norte. A campanha faz parte do calendário de luta dos trabalhadores do Sistema Petrobras na busca de um acordo que atenda a pauta de reivindicações e objetiva fortalecer a unidade da categoria petroleira na justa luta pelo atendimento das suas reivindicações, com discussões em torno da Lei de Greve.

Unidade

O dirigente Márcio Dias ressaltou a importância da adesão dos sindicatos não filiados à FUP ao Dia de Mobilização Nacional, com a realização de um ato unificado neste 19 de outubro. “O momento é de busca na unidade de ação para garantia da conquista dos nossos direitos.”

Pauta de reivindicações

Em campanha salarial, a categoria decidiu em Conselho Deliberativo da FUP no último dia 3 que, caso a Petrobras não apresentasse contraproposta até o dia 17 de outubro, os funcionários entrariam com indicativo de greve ainda este mês. Já são cinco rodadas de negociação sem respostas.

“É lamentável que a empresa ignore demandas econômicas e sociais importantes. Não podemos analisar propostas consolidadas de Acordo Coletivo de Trabalho de forma fragmentada. Queremos que a empresa apresente uma proposta única, com respostas concretas para as cláusulas sociais e econômicas da nossa pauta de reivindicações”, ressalta a diretora de Formação Política Social do Sindicato, Fátima Viana.

A Petrobras enviou minuta à FUP com a antecipação da reposição da inflação (7,23%, calculado pelo IPCA, acumulado do período entre setembro de 2010 e agosto de 2011), retroativo à 1º de setembro. Porém, a negociação coletiva continua. Os trabalhadores reivindicam aumento real de 10% acima da inflação, além de incluir na convenção questões sociais como o fim das práticas antissindicais, igualdade de direitos, melhoria dos benefícios e defesa da vida.

Na sexta-feira (21), o conselho deliberativo da FUP vai avaliar os resultados das reuniões e discutir sobre a possibilidade de paralisação. A maioria dos sindicatos filiados à FUP está em mobilização e assembleias permanentes.

Mídia

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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