O presidente Jair Bolsonaro ultrapassou todos os limites ao permitir que mais de meio milhão de brasileiros tivessem suas vidas interrompidas por uma doença para a qual já há vacina.  Quase dois terços das mortes por Covid-19 no Brasil ocorreram neste primeiro semestre de 2021, quando países do mundo inteiro avançavam nas campanhas de vacinação. Muitas das vidas perdidas poderiam ter sido salvas, se não fossem a incompetência, o negacionismo e o projeto genocida do atual governo. A FUP e seus sindicatos reafirmam a solidariedade com cada uma das famílias atingidas por essa tragédia anunciada, bem como o nosso compromisso de continuar na luta por #ForaBolsonaro e por #Vacinajá

[Com informações da Rede Brasil Atual]

O Brasil ultrapassou a trágica marca de meio milhão de vidas perdidas para a covid-19, com a certeza de que muitas destas mortes poderiam ter sido evitadas. Se o país estivesse na média do mundo, seriam 125 mil. Entretanto, além do vírus, o Brasil enfrenta um governo aliado da morte. Jair Bolsonaro, desde o início da pandemia, incentivou e promoveu aglomerações; divulgou mais de 2 mil mentiras sobre a covid-19, entre elas, informações falsas contra o uso de máscaras. Atacou com desinformação, rejeitou e ignorou vacinas.

No sábado, 19, mesmo dia em que o país alcançou a sombria marca de 500 mil mortes pela covid-19, mais de 750 mil pessoas foram às ruas protestar contra a gestão genocida do presidente, cobrando responsabilização do governo pelas vidas perdidas, Vacina no Braço e Comida no Prato. Foram 427 atos em todas as capitais e no Distrito Federal e em mais de 400 municípios brasileiros e outros 17 no exterior.

Trabalhadores, estudantes, artistas, políticos, religiosos, familiares de vítimas da Covid, todos unidos em atos de protestos e de soliariedade aos brasileiros e brasileiras que choram a perda das mais de 500 mil vidas que foram ceifadas pelo vírus. É como se, em pouco mais de um ano, uma cidade como Florianópolis desaparecesse. A capital catarinense tem 508 mil habitantes. Mas, nas palavras do presidente, “e daí?”. “É só uma gripezinha”. Se lamentar pelos mortos? “Coisa de maricas”. Além de todo o histórico de falas, atitudes concretas como aliado do vírus. Bolsonaro chegou a entrar na Justiça contra prefeitos e governadores que adotaram medidas (fracas) de isolamento social para frear o vírus.

A revolta, a indignação, a dor estavam estampadas nos olhares dos manifestantes, protegidos por máscaras e atentos às recomendações de segurança feitas a todo instante pelos organizadores dos atos, que tiveram ampla cobertura da mídia. 

Dirigentes da FUP e dos sindicatos filiados, assim como petroleiros de diversas unidades do Sistema Petrobrás e de empresas do setor privado também compareceram aos atos, de norte a sul do país. Em seu perfil no instagram, o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, registrou a presença no ato em Feira de Santana, na Bahia, onde falou aos manifestantes:

 

Nesta sexta-feira, 18, diretores do Sindipetro-NF participaram de uma audiência pública realizada pela  Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para debater as condições de saúde dos profissionais petroleiros durante a pandemia de coronavírus.

Na ocasião, o sindicato aproveitou a oportunidade para frisar que os petroleiros estão sendo constantemente expostos à contaminação, e as empresas petroleiras não fazem o devido trabalho de prevenção.

O assessor médico do Departamento de Saúde do Sindipetro NF, Ricardo Garcia, explicou a dinâmica de trabalho dos petroleiros e o risco que correm, bem como falou sobre a atuação das empresas. “Os funcionários embarcam de helicóptero, então a aglomeração já está feita. Além disso, estão sendo feitos testes rápidos pelas empresas, notoriamente ineficientes. Deveria ser feita a testagem molecular, antes, durante e depois do embarque. Além disso, os funcionários sofrem com problemas psíquicos. Se já tinham uma jornada de trabalho muito grande e exaustiva, agora os profissionais convivem com o medo de voltarem para suas casas e contaminarem suas famílias”, relatou.

Já o diretor e coordenador de Saúde e Segurança do Sindipetro NF, Alexandre de Oliveira pontuou que os petroleiros não estão bem definidos nos grupos de vacinação prioritária contra a covid-19: “Para a Marinha, aquaviário é quem conduz embarcações, logo os petroleiros estariam fora desse grupo de vacinação. Também há muita controvérsia se somos considerados portuários, também prioritários em alguns locais, assim como os industriários”.

Após ouvir o relato dos petroleiros, a coordenadora de Vigilância e Promoção da Saúde, da Subsecretaria de Vigilância em Saúde (SVS) da Secretaria Estadual de Saúde (SES-RJ), Eralda Ferreira, destacou a importância da identificação da ocupação profissional nos registros de contaminação pelo coronavírus. “Assim, será possível entender as categorias mais expostas”, explicou.

Na ocasião, a presidente da Comissão de Saúde, a deputada Martha Rocha (PDT) disse que a comissão pode fazer interlocuções com o Ministério Público, com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-RJ) e com o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado (Cosems-RJ), já que a atuação dos petroleiros alcança diversos municípios do estado.

“É nosso papel fazer com que outros organismos conheçam o processo de aflição dos petroleiros e suas demandas justas e necessárias, para que tenhamos uma solução para essa situação”, declarou.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

Trabalhadores que responderem ao questionário terão os dados preservados e mantidos sob sigilo. Objetivo é contribuir para a pesquisa científica no campo da psicologia do trabalho

 [Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

A rotina dos petroleiros durante a pandemia do coronavírus virou objeto de pesquisa científica da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A disciplina de Psicologia do Trabalho, do Departamento de Psicologia, firmou parceria com o Sindipetro PR e SC para realizar coleta de dados sobre o cotidiano dos trabalhadores e sua vida social. 

O questionário é voltado a todos os petroleiros da ativa, próprios e terceiros, nos estados do Paraná e Santa Catarina. A categoria tem até 16 de julho para acessar a pesquisa (clique aqui) e responder as questões. 

O projeto de pesquisa surge com a constatação de que as situações de trabalho foram desveladas e até mesmo intensificadas na pandemia, seja pelo trabalho em home office ou presencial.  Além disso, sugere a introdução do questionário, “o trabalho invadiu a vida privada e a família acaba por participar mais intensamente da vida do trabalhador(a). Isso ocorre com diferentes modos de ser família e da mesma se organizar. Estar trabalhando em casa ou de modo presencial pode ser, também, um fator que possibilita ou facilita o assédio moral”. 

A partir da coleta e análise dos dados, será feito um relatório para subsidiar um plano de ação que busque promover melhorias nas condições de trabalho, com ênfase na saúde mental. Os dados fornecidos serão mantidos em absoluto sigilo e a não exposição e a não identificação dos participantes está garantida. 

Flexibilização nas medidas de contenção à pandemia acontecem em paralelo ao aumento de 30% dos casos de covid-19 entre os trabalhadores da refinaria

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

Justamente no momento em que o país se aproxima da marca de meio milhão de mortes decorrentes da pandemia de covid-19, a Refinaria de Paulínia (Replan) está diminuindo as medidas de proteção contra o vírus e flexibilizando atividades, mesmo após registrar alta de contágio entre os trabalhadores.

Segundo a gestão da refinaria, no mês de maio houve um aumento de 30% nos casos de trabalhadores que testaram positivo para covid-19, dos quais 67% pertencem ao quadro efetivo da companhia. A empresa, entretanto, não forneceu números de quantos petroleiros foram ou estão contaminados e/ou afastados.

Simultaneamente ao aumento nos casos de trabalhadores contaminados, o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) foi informado sobre um treinamento de brigada, realizado no início de junho, que expôs 25 pessoas ao vírus por realizarem metade da prática junto a um trabalhador que testou positivo para covid-19.

Antes de descobrir que estava com o vírus ativo no corpo, o petroleiro realizou treinamento de 12 horas junto aos demais participantes, que durou dois dias, sendo diagnosticado por meio do teste rápido apenas no segundo dia do exercício, que mesmo assim não foi suspenso. “Somente o trabalhador contaminado foi afastado, os demais continuaram no treinamento”, relatou um trabalhador que preferiu não se identificar.

O teste RT-PCR, considerado o padrão ouro e com maior confiabilidade para identificar o vírus no corpo humano, foi realizado apenas no petroleiro que positivou para o vírus no teste rápido.

A empresa ainda utilizou um único ônibus para transportar todos os petroleiros até o local das atividades. “E isso aconteceu sem nenhum rastreio de contato com o funcionário que havia positivado para covid-19”, revelou outro trabalhador que também preferiu não ser identificado.

Médico do trabalho e assessor do Sindipetro-SP em questões de saúde, Adilson Campos explica que, principalmente por conta do atraso na compra de vacinas por parte do governo federal, ainda não é o momento apropriado para qualquer tipo de aglomeração. “Qualquer aglutinação de pessoas é um crime contra a saúde pública e, mesmo com a vacinação, não está indicada a aglomeração”, informou.

O recente treinamento de brigada adotado pela refinaria também divergiu do modelo aplicado antes da pandemia, que era realizado durante horário de serviço, por 6 horas diárias e fracionado em quatro dias por ano.

Medidas preventivas deficitárias não são novidades

A diminuição nos cuidados da Petrobrás com os funcionários não é recente. Em maio, a empresa, sem negociar com as entidades sindicais, anunciou aos trabalhadores em teletrabalho que todas as atividades presenciais estão previstas para voltar a partir de outubro, mesmo com os calendários de vacinação prometendo, até meados da data estipulada, a aplicação somente da primeira dose.

Também no último mês, em reunião com a gerência da Replan, foi informado ao Sindipetro-SP que as máscaras fornecidas à maioria dos trabalhadores são as de três camadas, que possui proteção entre 78% e 87%, e não a PFF2, o modelo mais indicado por especialistas por apresentar eficácia de até 98% contra partículas que contenham o vírus.

Para o médico Adilson Campos, todas as medidas de prevenção ao vírus precisam ser seguidas à risca até que se tenha pelo menos 80% da população brasileira vacinada. “É preciso continuar com os protocolos de higiene, distanciamento social e uso de máscara, e a melhor delas é a PFF2 porque tem filtro. Não podemos afrouxar as medidas de segurança agora”, afirmou.

Ainda de acordo com ele, uma das ações mais eficazes na contenção da doença é a informação, o que contrasta com a omissão da Replan. “É importante sabermos todos os números de infectados para que tenhamos maiores condições de conter a pandemia. Falta de transparência só interessa ao governo e ao vírus”, concluiu.

Sindipetro-SP, que aguarda agendamento de reunião com a gestão da Replan para discutir como serão realizadas as próximas paradas de manutenção, é contra a flexibilização de qualquer medida restritiva para a contenção da pandemia e estuda ações em prol da garantia de saúde para todos os trabalhadores.

Aumento de mortes em toda Petrobrás

Segundo o 61º Boletim de Monitoramento da Covid-19, divulgado nesta terça-feira (15) pelo Ministério de Minas e Energia (MME), em dois meses e dez dias a Petrobrás registrou 45 mortes em decorrência da covid-19, o que representa uma alta de 125% em relação ao boletim divulgado na primeira semana de abril, que registrava 20 mortes.

O número de petroleiros contaminados também aumentou e contabiliza um total de 7.205 trabalhadores infectados desde o início da pandemia. Somente nos seis primeiros meses de 2021, foi registrada uma alta de 78,9% na quantidade de casos nos trabalhadores da estatal – que não detalha os números por unidades de produção e nem contabiliza os funcionários terceirizados.

Pai de gêmeos prematuros, trabalhador da maior refinaria da Petrobrás receberá indenização equivalente ao período de 120 dias de afastamento após ação do Sindipetro Unificado SP

[Da imprensa do Sindipetro SP | Foto: EBC]

No início deste mês, mais especificamente no dia 7 de junho, a 9ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região manteve a condenação da Petrobrás ao pagamento de indenização a um operador da Refinaria de Paulínia (Replan) – a maior do país – referente à licença-paternidade, que foi equiparada ao mesmo período da licença-maternidade.

A decisão ratifica o julgamento da 2ª Vara de Trabalho de Paulínia (SP), ocorrido em janeiro deste ano, que deferiu ação encabeçada pela assessoria jurídica do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP).

Estou exposto ao risco de pegar covid-19, mesmo com os cuidados recomendados – colegas meus de trabalho, sob as mesmas condições, também pegaram

JOSÉ, OPERADOR NA REPLAN

Os gêmeos prematuros, nascidos com 32 semanas e 2 dias de gestação, ainda estavam sob cuidados da Unidade Intensiva de Saúde (UTI) Neonatal quando José* e sua companheira decidiram ingressar com o processo, no dia 29 de junho.

“Eu e minha esposa decidimos entrar com esta ação por vários motivos. Primeiramente, a pandemia, porque toda vez que eu vou trabalhar estou exposto ao risco de pegar covid-19, mesmo com os cuidados recomendados – colegas meus de trabalho, sob as mesmas condições, também pegaram”, recorda.

Com uma jornada de 12 horas, que inclui alta periculosidade, José foi obrigado a retornar ao trabalho após 20 dias do nascimento de seus filhos – 15 dias a mais do que é previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), devido ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico da categoria.

Sou filho de pais divorciados e minha mãe trabalhou muito, muito duro para conciliar emprego com o meu cuidado

JOSÉ, OPERADOR NA REPLAN

Nesse período, a companheira ainda necessitava realizar oito visitas diárias ao hospital, intercaladas a cada três horas, para poder amamentar os filhos sob cuidados intensivos. Mesmo assim, a primeira decisão da Justiça, proferida pelo juiz Renato Clemente Pereira, no dia 2 de julho, negou o pedido de prorrogação da licença-paternidade para o mesmo prazo concedido à licença-maternidade.

“Sou filho de pais divorciados e minha mãe trabalhou muito, muito duro para conciliar emprego com o meu cuidado. Não quero que nós passemos pela mesma situação, prometi para mim mesmo que com meus filhos seria diferente”, afirma José, ao rememorar porque decidiu recorrer da sentença.

Vitória justa, mas tardia

Em janeiro deste ano, entretanto, a juíza Cláudia Cunha Marchetti reviu a decisão anterior e deferiu o pedido do petroleiro, por entender que “a igualdade buscada pela Constituição é material que não se apoia tão somente tratar os iguais como iguais, mas também, sobretudo, tratar os desiguais como desiguais na medida em que se desigualam”.

A magistrada se baseou no artigo 8º da CLT, segundo o qual as autoridades administrativas “na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito”.

A paternidade de gêmeos prematuros e em tempos de pandemia, não pode ser considerada uma paternidade normal, o que justifica um tratamento diferenciado

TRECHO DA SENTENÇA DA JUÍZA DO TRABALHO CLÁUDIA CUNHA MARCHETTI

Além disso, utilizou-se dos artigos 226 e 227 da Constituição Federal, que garantem a proteção especial do Estado à família e à criança e prevê como dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança o direito à vida, à saúde e à convivência familiar, respectivamente.

“Conforme analisado acima, a paternidade de gêmeos prematuros e em tempos de pandemia, não pode ser considerada uma paternidade normal, o que justifica um tratamento diferenciado ao autor em relação aos demais empregados da reclamada que se tornaram pais, como forma de equalização das condições desiguais, não havendo se falar, deste modo, em violação do princípio da isonomia como sustenta a reclamada, mas na sua efetiva aplicação”, justifica a sentença.

Além disso, a juíza afirmou que a decisão levou em consideração o risco da função desempenhada pelo operador: “O autor executa função de alto risco não só para si, mas como para a coletividade, o que justifica a concessão de tratamento diferenciado ao mesmo, não apenas em razão do princípio da isonomia, mas, também, como forma de assegurar o interesse coletivo em razão do aumento do risco de acidentes por erro humano, considerando o desgaste físico e emocional decorrentes dos cuidados com os bebês”.

O autor executa função de alto risco não só para si, mas como para a coletividade, o que justifica a concessão de tratamento diferenciado ao mesmo

TRECHO DA SENTENÇA DA JUÍZA DO TRABALHO CLÁUDIA CUNHA MARCHETTI

A decisão foi ratificada no início deste mês pelo juiz relator Renato Henry Santanna, do TRT-15, que apenas descontou os 20 dias de licença que José já havia tirado logo após o nascimento dos filhos. “A situação excepcional enfrentada pelo empregado, durante o período crítico da pandemia do coronavírus, decorrente do nascimento prematuro de gêmeos – circunstância que demanda cuidados médicos extraordinários e acompanhamento de mais de uma pessoa, […] enseja a adoção, pelo empregador, de uma conduta empresarial compatível com a função social do contrato, observado o dever de assistência do genitor na salvaguarda da saúde dos recém-nascidos e de sua esposa […]”.

Por isso, José receberá o valor de R$ 15 mil de indenização referente aos 100 dias que “perdeu” ao lado dos filhos. “Reitero que seria muito mais seguro para nós se não precisássemos disto, se a empresa me desse um tempo maior de licença remunerada”, opina.

Paternidade ativa

Em depoimento à Justiça, a médica pediatra que acompanha os bebês de José defendeu que o direito à equiparação da licença-paternidade à licença-maternidade deveria ser estendida a todos os pais de gêmeos prematuros como uma política pública, medida que defende na Sociedade Brasileira de Pediatria.

Enxergo que se eu cumpro o meu papel de pai – que, para mim, só difere do papel de mãe porque eu não dei à luz nem posso dar de mamar – minha esposa tem mais tempo para cuidar de si mesma

JOSÉ, OPERADOR NA REPLAN

Visão semelhante possui José, que também espera que a decisão possa beneficiar outros trabalhadores: “As leis brasileiras estão muito defasadas nesse contexto, e precisam ser remodeladas para o nosso contexto atual. Espero que isto possa beneficiar outros pais que se disponham a cumprir seu papel, pois sei que têm muitos em situação até pior do que a minha. Creio que seja assim que fazemos mudanças na sociedade, um passo de cada vez”.

Além disso, José destaca a importância da paternidade, tanto para diminuir a desigualdade de gênero, como também para o desenvolvimento dos filhos: “Hoje em dia, o capitalismo cobra muita coisa da gente – e da mulher, cobra-se ainda mais. Por isso, enxergo que se eu cumpro o meu papel de pai – que, para mim, só difere do papel de mãe porque eu não dei à luz nem posso dar de mamar – minha esposa tem mais tempo para cuidar de si mesma. A presença do pai é muito importante no desenvolvimento das crianças, eu me motivo a cuidar deles porque é minha responsabilidade e alegria. São duas pequenas vidas que precisam de mim também”.

*José é um nome fictício criado para preservar o sigilo da fonte. 

O SBT fez uma longa reportagem na quarta-feira, 16, sobre a demissão arbitrária do diretor do Sindipetro-NF, Alessandro Trindade, punido pela direção da Petrobrás por distribuir cestas básicas na ocupação Campo dos Refugiados, em Itaguaí, região metropolitana do Rio de Janeiro.

"Deveria ser apenas mais uma ação de amor ao próximo, mas se transformou num pesadelo", destacou o repórter Fabiano Martinez, que entrevistou o petroleiro. "Eu estou sendo demitido por realizar um ato solidário, levar comida a quem mais precisa", afirmou Alessandro, que recebeu por e-mail a notificação da empresa de demição por justa causa".

A reportagem, exibida em duas edições do jornalismo do SBT, teve grande repercussão entre os petroleiros e petroleiras, que continuam se mobilizando para garantir o retorno do companheiro aos quadros da Petrobrás.

A FUP e o Sindipetro-NF ingressaram com ações judiciais para tentar reverter a demissão arbitrária de Alessandro, cujas atividades sindicais são garantidas por lei e pelo Acordo Coletivo de Trabalho. As entidades também denunciaram a Petrobrás por violar acordos internacionais que garantem o respeito à liberdade e à autonomia sindical. 

Após a denúnica da Federação Única dos Petroleiros (FUP) sobre médicos da Petrobras estarem receitando tratamento com ivermectina para trabalhadores com sintomas de Covid-19, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga ações e omissões do poder público no combate à pandemia quer explicações da direção da empresa. A informação foi divulgada pela coluna Radar da Revista Veja, que ouviu o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP), que revelou que pretende investigar o caso. “Vamos pedir informações à companhia”, afirmou o parlamentar à coluna.

Apesar da ivermectina ser um antiparasitário, comumente utilizado no combate a piolhos, sem qualquer eficácia comprovada no tratamento da Covid-19, trabalhadores da Bacia de Campos com sintomas da doença ou já contaminados tiveram o medicamento prescrito pelo setor médico da Petrobrás. O Sindipetro-NF e a FUP receberam várias denúncias nesse sentido, atraindo a atenção da imprensa.

As denúncias tiveram ampla repercussão nas mídias, com mais de 100 matérias veiculadas sobre o fato nas últimas 48 horas. A Petrobrás foi obrigada a se posicionar e disse que a responsabilidade são dos médicos e não da companhia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) condena o uso de Ivermectina no tratamento para a Covid-19; além da comprovada ineficácia, existem os efeitos colaterais. A insistência neste tratamento contraria não só os protocolos dos órgãos de saúde mundial: a própria farmacêutica Merck, que fabrica o medicamento, declarou em comunicado oficial que, na análise de seus cientistas, não há eficácia no uso do medicamento para a Covid-19.

Enquanto o governo federal resiste em cumprir recomendações internacionais da OMS, a Petrobrás adota protocolos internos contestados para o enfrentamento da Covid-19.

Nos últimos dois meses, as mortes por Covid-19 entre trabalhadores da Petrobrás aumentaram 125%. O total de trabalhadores contaminados já chega a 7.205 desde o início da pandemia, com 45 vidas perdidas em consequência da doença, o que equivale a mais de 17% de todo o efetivo próprio da Petrobrás. Esses dados são referentes a apenas os empregados diretos da holding, não envolvem subsidiárias, nem trabalhadores terceirizados. Atualmente, outros 40 petroleiros estão hospitalizados com complicações da Covid-19. Saiba mais aqui.


Acompanhe a evolução dos casos, nos gráficos e estudos produzidos pelo Dieese e divulgados semanalmente nos boletins "Petroleiros e Covid-19". Acesse aqui a edição desta semana


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Publicado em Sistema Petrobrás

Nesta terça-feira (15), o Sindipetro MG enviou ofícios para a secretaria municipal de saúde dos municípios de Betim, Juiz de Fora, Ibirité e Montes Claros – cidades onde há unidades da Petrobrás – solicitando esclarecimentos sobre a ausência de data para a vacinação dos trabalhadores da indústria.

Os ofícios lembram que o Ministério da Saúde, em 17 de maio, apresentou uma lista dos grupos prioritários para receberem a vacinação. O texto ressalta que é de interesse do Plano Nacional de Imunização ofertar a vacina COVID-19 a toda a população brasileira, a depender da produção e disponibilização das vacinas, mas neste momento é extremamente necessário o seguimento das prioridades elencadas”.

Segundo o quadro do MS – disponível aqui – os trabalhadores industriais ocupam o 27º lugar no quadro geral, com uma população estimada em 5.323.291 de pessoas no país.

No entanto, as prefeituras – assim como a de Belo Horizonte – não seguiram essa ordem e começaram a vacinação de setores que vinham depois dos industriais, assim como abriu o calendário para o cadastro de pessoas de 55 a 59 anos, antes dos trabalhadores da indústria.

“Em que pese ser inquestionável – e, inclusive, louvável – que o avanço no calendário de vacinação seja extremamente positivo, esta entidade vem requerer à Secretaria Municipal de Saúde esclarecimentos acerca da motivação para que os Trabalhadores da Indústria, que figuram na 27a posição da tabela de Grupos Prioritários definida pelo Ministério da Saúde, não puderam, ainda, se apresentar para a vacinação”, questiona o ofício do Sindipetro MG.

Urgência da vacinação

Os petroleiros não os únicos nessa situação. Jairo Nogueira Filho, presidente da CUT MG, destaca que desde o início do ano a central cobra as autoridades para que haja prioridade na vacinação de alguns grupos, que nunca deixaram de trabalhar presencialmente. Além dos trabalhadores da indústria, ele cita os eletricitários, os trabalhadores do saneamento, motoristas, atendentes de supermercado, trabalhadores da coleta de lixo. “A gente defende a vacinação para todos, com urgência, mas há grupos prioritários, que não podem parar – e nunca pararam. E não é um grupo tão grande, deveriam ter sido priorizados pela grande exposição e surtos de contaminação”. 

A mobilização do dia 29 de maio chamou atenção para a necessidade de vacina para todos, assim como de medidas de proteção econômica. o tema também está na pauta de novas mobilizações, marcadas para o dia 19 de junho.   

Confira os ofícios enviados:

Ofício_036_2021_Juiz_de_Fora_Vacinação_de_trabalhadores_da_indústria 

Ofício_034_2021_Betim_Vacinação_de_trabalhadores_da_indústria Ofício_035_2021_Ibirité_Vacinação_de_trabalhadores_da_indústria 

Ofício_037_2021_Montes_Claros_Vacinação_de_trabalhadores_da_indústria

[Da imprensa do Sindipetro MG]

A direção do Sindipetro Bahia se reuniu na segunda-feira (14), com representantes da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, para solicitar a inclusão dos petroleiros – próprios e do setor privado – no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19.

Participaram da reunião, o Coordenador Geral do Sindipetro Bahia, Jairo Batista e o Diretor de Comunicação da entidade, Radiovaldo Costa, com o apoio do Deputado Federal, Joseildo Ramos (PT-BA), que também estava presente.

Os sindicalistas descreveram o trabalho realizado pela categoria, que exerce atividade essencial, ininterrupta, e, muitas vezes, trabalha em locais com aglomeração, ressaltando ainda a questão da segurança industrial. Eles também informaram que é grande o número de petroleiros infectados pelo vírus e que muitos já morreram após serem contaminados nos locais de trabalho.

Após a exposição dos motivos que justificam a inclusão dos petroleiros (próprios e terceirizados) no grupo prioritário, os sindicalistas protocolaram o pedido da prioridade na vacinação, que será levado ao Comitê Estadual de Secretários Municipais de Saúde, por um dos representantes deste comitê, que também participou da reunião com o sindicato.

A proposta é que sejam vacinados imediatamente todos os petroleiros e petroleiras próprios da Petrobrás e os do setor privado da indústria do petróleo, que residem nas cidades de Salvador, Alagoinhas, Catu, São Francisco do conde, Madre de Deus, Candeias, Itabuna, São sebastião do Passé, Itanagra, Pojuca, Mata de São João, Araças, Cardeal da Silva, Entre Rios, Esplanada, Jequié, Camaçari, que são as cidades onde há concentração de trabalhadores que exercem atividades de petróleo na Bahia.

Direção da Petrobrás não ajuda

O Sindipetro já está enviando notificação para as secretarias de todos estes municípios para que também pautem a necessidade de vacinação da categoria petroleira.

A entidade sindical também está notificando a Petrobrás, Transpetro e Biodiesel, para que a estatal, se movimente enquanto empresa para buscar garantir a priorização das vacinas para os seus trabalhadores próprios e terceirizados. Já que a estatal não fez nenhum movimento neste sentido, diferente de outros setores (empresários e empresas), que se mobilizaram em busca da proteção de seus funcionários.

Em reunião da Comissão de SMS da Petrobrás, que também aconteceu na segunda (14), a Federação Única dos Petroleiros (FUP), questionou a estatal se havia um planejamento para garantir a vacinação dos petroleiros próprios e terceirizados. De acordo com a Federação “os representantes da empresa que integram o EOR admitiram que não há uma atuação corporativa junto aos municípios, apesar de diversas prefeituras já estarem vacinando os trabalhadores da indústria”.

Ao lavar às mãos e deixar os seus funcionários entregues à própria sorte a direção da Petrobrás deixa visível a sua negligência com os petroleiros e petroleiras, que continuam morrendo e se contaminando no ambiente de trabalho.

A direção da estatal deveria unir forças com o movimento sindical para garantir a vacinação da categoria. Esperamos que repense e aja de maneira correta.

Clique para ler o documento protocolado na Secretaria de Saude do Estado da Bahia.

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

A Petrobrás já registrou 7.205 trabalhadores contaminados desde o início da pandemia e 45 mortes por Covid-19. Esses dados são referentes a apenas os empregados próprios da holding. Além destes, outros 40 petroleiros estão hospitalizados em função da doença. 

[Da comunicação da FUP \ Foto: Ag. Brasil]

A contaminação por Covid-19 continua a avançar na Petrobrás. Em apenas dois meses e dez dias, mais que dobrou o número de trabalhadores efetivos mortos pela doença na empresa, segundo o 61º Boletim de Monitoramento Covid-19, divulgado nesta terça-feira (15) pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e atualizado semanalmente. Atualmente, são 45 óbitos registrados nesta semana, iniciada em 14 de junho - uma alta de 125% em relação às 20 mortes por Covid apuradas pelo MME em 5 de abril, no 51º boletim de monitoramento.

Em todas as comparações os resultados são dramáticos. No boletim de número 38, do MME, de 4 de janeiro de 2021 (foi o primeiro boletim de 2021, contendo, porém, dados do ano anterior), a Petrobrás contabilizava 3 mortes. Ou seja, em apenas cinco meses deste ano, a empresa registrou 15 vezes o número de mortos de 2020.

Também aumentou o número de petroleiros infectados pelo coronavírus. Os 7.205 contaminados na Petrobrás desde o início da  pandemia, até o momento, já representam  15,5% do total de empregados efetivos da companhia (46.416). Isso significa que do primeiro boletim do MME deste ano - o de número  38, de 4 de janeiro -, até o mais recente (o  61° boletim , de 14 de junho), o número de casos de contaminação entre contratados da Petrobrás aumentou 78,9%. Do total de vítimas da doença, 6.949 foram recuperados, 216 confirmados em quarentena e 40 estão hospitalizados.

A Petrobrás não detalha os números por unidade de produção. Tampouco contabiliza os trabalhadores terceirizados, que convivem com empregados contratados em unidades operacionais. Porém, estatísticas da Agência  Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) permitem constatar que a grande parte dos infectados são trabalhadores de unidades de exploração e produção (E&P).


Acompanhe a evolução dos casos, nos gráficos e estudos produzidos pelo Dieese e divulgados semanalmente nos boletins "Petroleiros e Covid-19". Acesse aqui a edição desta semana


O Painel Dinâmico de Casos de Covid, da ANP, registra, no acumulado de março de 2020 a 10 de junho de 2021, total de 5921 infectados  confirmados, sendo 70% deles (4.232 casos) trabalhadores que acessaram as plataformas  de petróleo. Os dados da ANP não incluem apenas a Petrobrás, mas também as demais petroleiras que atuam em unidades marítimas no país. “No entanto, 83% das unidades de exploração e produção offshore no Brasil são próprias da Petrobrás ou afretadas por ela”, observa o diretor de Saúde e Meio Ambiente do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), Alexandre  Oliveira.

O coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, ressalta que   “os números da Petrobrás são subestimados, principalmente porque não registram terceirizados. A FUP já tem notícias de mais de 80 mortes por Covid na empresa”.

Para Bacelar, os números crescentes e assustadores de mortos e contaminados refletem o descaso da  gestão da empresa com a saúde do trabalhador e a ineficiência da política de prevenção à Covid-19 nas instalações da Petrobrás.

Ele lembra que a FUP e sindicatos filiados apresentaram, desde 2020, um conjunto de procedimentos a serem seguidos pela empresa para redução dos riscos de contaminação. Entre eles estão a manutenção de embarque  de, no máximo, 14 dias; garantia de testagem  para Covid-19 na metade do período do embarque (atualmente, o teste é feito apenas no início do embarque), adoção de máscaras de proteção de qualidade para todos os trabalhadores. As recomendações foram avalizadas pelo Ministério Público do Trabalho e pela Fiocruz.  Ainda assim, a Petrobrás insiste em descumpri-las.

Petrobrás recomenda Ivermectina a petroleiros contaminados

A Petrobrás está receitando Ivermectina para tratamento da Covid-19 a seus empregados,  segundo comprova receita fornecida a trabalhadores da empresa contaminados ou com suspeita de contaminação pela doença. O Sindipetro-NF e a FUP vêm recebendo  denúncias nesse sentido.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) condena o uso de Ivermectina no tratamento para a Covid-19; além da comprovada ineficácia, existem os efeitos colaterais. A insistência neste tratamento contraria não só os protocolos dos órgãos de saúde mundial: a própria farmacêutica Merck, que fabrica o medicamento, declarou em comunicado oficial que, na análise de seus cientistas, não há eficácia no uso do medicamento para a Covid-19.

Enquanto o governo federal resiste em cumprir recomendações internacionais da OMS, a Petrobrás adota protocolos internos contestados para o enfrentamento da Covid-19.

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.