[Por Nicola Pamplona, na Folha de São Paulo]

Enquanto busca soluções para lidar com a pandemia de coronavírus e a queda do preço do petróleo, a Petrobras está propondo a seus acionistas triplicar o teto para pagamento de bônus a sua diretoria. A medida provocará um aumento de 26,6% na projeção de gastos com salários e benefícios dos executivos.

A proposta, que será debatida em assembleia de acionistas agendada para o dia 22 de abril, já contempla mudança feita na política de remuneração variável da companhia adotada em 2019 e criticada por sindicatos, por ampliar a diferença entre a premiação dos executivos e a dos demais trabalhadores.

O documento foi protocolado na sexta-feira (20), no mesmo dia em que a estatal informou que vai recorrer a US$ 8 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões) de linhas de crédito para enfrentar a crise, que levou o petróleo a bater na semana passado os níveis mais baixos em 17 anos.

A Petrobras afirmou que a crise do coronavírus poderá causar restrições à saúde de sua força de trabalho, com reflexo na operação de algumas de suas instalações, causando impacto negativo em seus resultados e condição financeira.

Segundo o documento enviado aos acionistas sobre o bônus, a Petrobras propõe desembolsar R$ 43,3 milhões para pagar salários, benefícios, bônus por desempenho e encargos a seus administradores no período entre abril de 2020 e março de 2021. No mesmo período do ano anterior, foram R$ 34,2 milhões.

No texto, o presidente da companhia, Roberto Castello Branco explica os salários não serão reajustados - para eles, a Petrobras reservou R$ 14,1 milhões, uma média de R$ 120 mil (incluindo décimo terceiro) por diretor.

Segundo ele, 91% do aumento do bônus corresponde à provisão para remuneração variável, item que compreende desempenho. A proposta mais que triplica o teto de gastos para o pagamento dos bônus, que passa de R$ 3,3 milhões em 2019 para R$ 12,5 milhões.

Desse total, segundo a empresa, R$ 700 mil referem-se a uma parcela da remuneração variável de 2018, que foi dividida em quatro prestações. Assim, a projeção de prêmios pelo desempenho de 2019 é de R$ 11,8 bilhões, mais do que o dobro dos R$ 5,5 bilhões (considerando as parcelas que ainda restam) de 2018.

Daria uma média de R$ 1,3 milhão por diretor, incluindo os encargos. A Petrobras diz, porém, que o valor que final ainda está sendo apurado. Em nota, informou apenas que as projeções consideram o centro das metas previstas no programa de remuneração —que garante dez salários de bônus ao presidente e aos diretores.

OUTRO LADO

Em nota enviada à Folha, a Petrobras defende que o pagamento dos bônus "refere-se ao cumprimento de metas desafiadoras estabelecidas para o ano de 2019". No ano, a estatal teve lucro recorde de R$ 40 bilhões, impulsionado pela receita obtida com venda de ativos como gasodutos e ações da BR Distribuidora.

O aumento na premiação dos executivos é fruto do Programa de Prêmio por Performance, instituído em 2019 em substituição à antiga PLR (Participação nos Lucros e Resultados). Segundo a estatal, o novo modelo "visa valorizar a meritocracia e trazer flexibilidade para um cenário em que a empresa busca mais eficiência e alinhamento às melhores práticas de gestão".

O sistema foi criticado por sindicatos de petroleiros por ampliar a distância entre os valores pagos ao alto comando da companhia e os empregados de menor remuneração.

No modelo anterior, a empresa distribuía aos empregados entre 4,25% e 7,25% do lucro líquido, dependendo do cumprimento das metas. A distribuição respeitava um piso de R$ 21,9 mil e um teto equivalente a quatro salários. Em 2013, foi aprovado um programa adicional de bônus para os executivos, com teto de oito salários.

No modelo atual, o presidente pode receber até 13 salários, caso as metas seja ultrapassadas. Já empregados sem cargo de liderança estão sujeitos a um teto de 2,6 vezes o rendimento mensal. No centro da meta, enquanto o presidente recebe dez salários, os demais receberiam dois.

[Via Folha de São Paulo]

Publicado em Sistema Petrobrás

Desde a chegada do novo coronavírus ao Brasil, o Sindipetro Unificado abriu um canal de diálogo para cobrar e fiscalizar medidas de prevenção nas unidades da Petrobrás. O objetivo é preservar a saúde dos trabalhadores, especialmente àqueles enquadrados nos grupos de risco.

A estatal já dispensou pessoas com mais de 60 anos, além de gestantes e os que apresentam baixa imunidade. Entretanto, o sindicato recebeu mensagens de petroleiros, principalmente cardíacos e diabéticos, que continuam trabalhando presencialmente. Questionada, a direção da empresa se comprometeu a resolver esses casos assim que possível.

Na Refinaria de Paulínia (Replan), dos 475 trabalhadores do administrativo, 242 já estão trabalhando à distância ou afastados – o que representa 51% do contingente. Para os que continuam trabalhando presencialmente, foram criados novos horários para evitar aglomerações. Em relação aos trabalhadores de turno, a empresa ainda não divulgou os números.

Outra preocupação é com a parada de manutenção, que atualmente é responsável pelo acréscimo de cerca de 700 trabalhadores terceirizados na Replan. Para Gustavo Marsaioli, diretor do Unificado, “a parada não é prioridade nesse momento, a prioridade é a vida dos trabalhadores”.

Após o fim da pandemia, a empresa se comprometeu a implementar a tabela escolhida nas assembleias que sucederam a greve – atualmente, devido ao vírus, o turno em vigor é o de 12×12 (12 horas de trabalho por 12 horas de descanso). Além disso, a Replan disponibilizará veículos leves para diminuir o tempo de deslocamento dos trabalhadores que moram longe.

Canal de denúncia

Para facilitar o diálogo, o recebimento de sugestões e denúncias de possíveis irregularidades, o Sindipetro Unificado criou um e-mail específico nesse período de pandemia. Possíveis aglomerações ou outras irregularidades podem ser informados imediatamente ao sindicato pelo e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Confira o comunicado do diretor Gustavo Marsaioli na TV Petroleiros: 

[Via Sindipetro Unificado de São Paulo / Por Guilherme Weimann]

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Subestimando o avanço do coronavírus, que já atinge todo o território brasileiro, a direção da Petrobrás impõe aos petroleiros jornadas de trabalho que os levarão à exaustão física e ao esgotamento emocional, justamente quando a pandemia estiver próximo do pico no país. A greve sanitária será inevitável e já está em contagem regressiva, iniciada pela própria empresa.

Castello Branco e seus gestores agem da mesma forma que o governo insano de Jair Bolsonaro, ao qual servem. Menosprezam os efeitos devastadores da pandemia e sacrificam os trabalhadores para proteger os setores econômicos que ainda lhe dão sustentação política.

Enquanto a diretoria e as gerências da Petrobrás estão de quarentena, no aconchego de seus lares, os petroleiros devem manter a produção a qualquer custo. Nas áreas offshore, os trabalhadores são confinados por sete dias em um quarto de hotel, afastados da família, antes de embarcar para as plataformas, onde são obrigados a permanecer por 21 dias.

Nas refinarias e terminais, são submetidos a turnos ininterruptos de 12 horas, à revelia das medidas de controle sanitário que as entidades sindicais vêm cobrando. A situação é ainda pior para os terceirizados, cujas condições precárias de trabalho são ignoradas pelas gerências.

A Petrobrás tem se recusado a discutir com a FUP e seus sindicatos propostas para garantir a segurança dos trabalhadores e da sociedade. Reivindicações, como suspensão temporária da produção e participação nos comitês nacional e regionais de gestão da crise do coronavírus, foram desprezadas pela empresa.

Em vez de negociar medidas necessárias para conter o avanço da pandemia, as gerências se aproveitam da situação de vulnerabilidade dos trabalhadores para tentar intimidar a categoria, anunciando demissões e punições dos grevistas. Um flagrante descumprimento do acordo que foi chancelado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), há menos de um mês.

A diretoria da Petrobrás atua contra os trabalhadores e os interesses do país, da mesma forma insana que age o governo ao qual serve. As medidas impostas pela gestão Castello Branco levarão as unidades da empresa ao colapso, tal qual o sistema de saúde em função da sobrecarga causada pelo coronavírus.

Segundo especialistas, a pandemia atingirá o momento mais crítico nas próximas semanas, quando milhares de brasileiros já estarão contaminados. Como ficarão os petroleiros submetidos às condições desumanas de trabalho nas plataformas e áreas industriais? Terão condições físicas e psicológicas de manter a produção, isolados de suas famílias quando elas mais precisam?

A greve sanitária será questão de dias.

Federação Única dos Petroleiros

Publicado em Sistema Petrobrás

Por Henrique Jager e Rafael Rodrigues da Costa Para o portal GGN

A empresa brasileira perdeu quase metade de seu valor na primeira semana da crise, enquanto na maioria das empresas a redução ficou entre 20% e 35%. O que justifica uma performance tão pior da Petrobras?

Em meio a uma crise que começou ainda antes da pandemia do novo coronavírus, o preço internacional do petróleo já vinha caindo desde meados de 2019. A percepção do mercado era de que a oferta mundial estava crescendo mais do que a demanda. O surto de coronavírus, que começou na China, e a guerra de preços iniciada com a disputa entre Arábia Saudita e Rússia piorou em muito um cenário que já era ruim. As notícias são péssimas para todas as grandes petrolíferas, mas em especial para a Petrobras. A empresa brasileira quase metade de seu valor em uma semana, enquanto na maioria das empresas a redução ficou entre 20% e 35%. A grande questão que se coloca nesse cenário de queda generalizada é: o que justifica a Petróleo Brasileiro S.A. cair quase 20 pontos percentuais a mais que seus pares?

A queda no preço internacional obviamente tem seu impacto. A título de exemplo, entre os dias 1º de janeiro e 5 de março deste ano – antes da crise russo-árabe – o preço do barril tipo Brent apresentou uma queda de 26,44%. Eram os impactos da redução do consumo internacional, principalmente nos países asiáticos (primeiros a serem afetados pela pandemia do coronavírus). Em um único dia, a segunda feira passada, dia 9, a cotação do barril tipo Brent derreteu 24,1%, consequência da queda do consumo internacional somada ao fracasso nas tratativas para um acordo de controle de produção entre os principais países exportadores de petróleo (Opec+). A ideia, que não foi para frente, era diminuir a produção para segurar os preços. Uma disputa entre os dois maiores exportados de petróleo do mundo, Arábia-Saudita e Rússia, fez eclodir um conflito que deve continuar no curto/médio prazo.

Apesar das grandes oscilações nos dias seguintes, o preço do Brent encerrou a semana com uma desvalorização de 23,8%, indicando que a redução do valor responde a outros fatores, para além da crise russo-árabe, e pode perdurar por algum tempo.

Esse cenário de patamar mais baixo do preço afetou grande parte das empresas de petróleo no mundo. Ao longo da semana, as ações dessas empresas caíram vertiginosamente, entre 20,0% e 48,2, conforme exposto na tabela abaixo, com exceção da estatal chinesa Sinopec.

Veja tabela de variação da Ação/ADR na Bolsa de Nova York no Mês de Março do 2020.

Esses dados permitem duas conclusões importantes. Primeiro, as empresas com maior atuação no segmento downstream (refino, petroquímica e distribuição) têm maior capacidade de reagir a grandes oscilações do preço do petróleo. E, segundo, a Petrobras teve uma perda de valor de mercado significativamente maior que os demais players do setor.

Sobre o primeiro aspecto, um exemplo é a chinesa Sinopec, que embora atue no segmento de exploração e produção (E&P), tem uma presença maior no downstream. Ela viu o valor de suas ações ficarem num patamar estável (crescimento de 0,8%) entre os dias 6 e 13 de março. Além disso, entre as empresas que perderam valor, a Exxon teve a menor queda de preço de suas ações no dia 9 de março (12,2%). Não por acaso, entre as grandes operadoras analisadas, a americana é a que possui o maior parque de refino, capaz de processar cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia.

Sobre o segundo aspecto – a capacidade de reagir às oscilações – o exemplo é justamente a Petrobras, que perdeu quase metade de seu valor em uma semana. Ao mesmo tempo, a maioria de suas concorrentes viu uma redução entre 20% e 35%. Como explicar essa desvalorização de quase 20 pontos percentuais a mais na Petrobras?

Como destacado pela produção do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a estratégia de concentrar praticamente toda a energia da empresa no segmento de E&P – mais especificamente na província do pré-sal – com fins de exportação de petróleo bruto, adotada pela Petrobras nos últimos anos teve um papel importante. Dentro dessa estratégia, está claro que a Petrobras terá – no médio prazo – uma capacidade muito menor de resistir às oscilações de preços do barril do petróleo por conta da privatização e saída de várias atividades de downstream (refino, distribuição e petroquímica, por exemplo), bem como de outras formas de energia (elétrica e eólica).

Cabe apontar que as demais empresas listadas na tabela acima e a maior parte das demais grandes petrolíferas do mundo caminham em sentido inverso, aumentando sua resiliência às flutuações do preço do petróleo, por meio da diversificação. As operadoras europeias, por exemplo, embora tenham reduzido sua atuação no segmento de refino fora de seu país sede, têm avançado a passos largos no desenvolvimento de novas fontes energéticas.

Por fim, e talvez um dos mais importantes fatores que explicam a maior oscilação da Petrobras, é a percepção por parte do investidor de que a empresa vem flexibilizando as normas de governança corporativa adotadas, principalmente a partir de 2015. Destaque ao esvaziamento do Conselho de Administração (CA) e de suas estruturas de apoio, além do enfraquecimento das instâncias superiores, como o próprio CA e a Assembleia de Acionistas, que estão ocorrendo a passos largos. Um exemplo desse processo foi a última Assembleia de Acionistas, realizada dia 4 de março de 2020, que deliberou sobre a retirada do poder do CA na indicação dos cargos de Gerente Executivo (equivalente à função de diretoria nas empresas que possuem vice-presidentes) e sobre o processo de escolha dos Conselheiros de Administração Independentes. Ambas as medidas aprovadas sofreram forte oposição dos acionistas minoritários. Há que se destacar que estas medidas de governança foram implantadas quando o atual presidente da Petrobras era membro do CA, com seu total apoio.

Um bom exemplo de uma das consequências destas decisões é um fato largamente anunciado pela imprensa no ano passado. Logo nos primeiros meses do ano de 2019, um amigo do presidente Bolsonaro foi indicado pelo presidente da Petrobras para ocupar o cargo de gerente

Executivo de Segurança Institucional. Após a análise do Comitê de Pessoas e Remuneração, vinculado ao CA, ficou evidente que o indicado não tinha as qualificações exigidas para o cargo e o Conselho de Administração vetou sua posse. Posteriormente, ele foi incorporado ao grupo de mais de 20 assessores que compõem a equipe particular do atual presidente da empresa. Não fosse a prerrogativa que o CA tinha de homologar a indicação dos Gerentes Executivos, um trabalhador sem as qualificações necessárias estaria ocupando um cargo estratégico. Agora, nada impede que a direção da Petrobras de posse ao amigo do presidente.

Como destacado acima, a queda no preço do barril de petróleo vem afetando bastante o valor de mercado das petrolíferas. Mas entre as grandes empresas de petróleo listadas na bolsa de valores a Petrobras foi a que mais perdeu valor. Para além do preço do barril, a estratégia de focar os negócios da companhia na exploração/produção de petróleo bruto com a finalidade de exportação, a revisão da estrutura de governança adotada a partir de 2015 e as sucessivas crises políticas observadas no país nos últimos tempos são fatores que ajudam a entender a aversão que o investidor vem mostrando pela empresa nos últimos tempos.

Artigo publicado originalmente em https://jornalggn.com.br/a-grande-crise/erros-da-administracao-fazem-da-petrobras-campea-em-desvalorizacao-por-jagger-e-costa/

Publicado em Economia

Apesar da Petrobras adotar a política de preços internacionais desde o governo Temer, a queda nos preço do barril no mundo dificilmente aliviará os bolsos dos consumidores 

A queda nos preços do barril do petróleo no mundo dificilmente vai favorecer os consumidores brasileiros. Os preços nas bombas dos postos de combustíveis, do diesel, da gasolina e até mesmo o gás de cozinha, devem ficar estáveis.

A análise é do técnico da subseção do Dieese na Federação Única dos Petroleiros (FUP), Cloviomar Cararine. Para ele, após a Petrobras ter iniciado a política de acompanhar os preços internacionais, a estatal ficou mais vulnerável às turbulências do mercado externo, prejudicando a economia do país e fazendo o consumidor pagar pela conta.

“As reduções podem se perder ao longo da cadeia, entre distribuidores, até chegar aos postos de gasolina. A falta de estabilidade dos preços prejudica a fiscalização”, afirma Cloviomar.

O técnico do Dieese diz ainda que para entender como a atual política de preços da Petrobras impede que a redução do preço do barril chegue ao consumidor, é preciso analisar as políticas econômicas dos três últimos governos: Dilma Rousseff (PT), do golpista Michel Temer (MDB-SP) e do ultraliberal Jair Bolsonaro (sem partido).

Antes do golpe que derrubou a ex- presidenta Dilma, em 2016, a direção da Petrobras levava em consideração vários fatores para chegar ao preço: aumento da produção de petróleo no Brasil, o custo dessa produção, o preço de custo na refinaria, a taxa de câmbio, o valor que as importadoras pagavam para trazer derivados, entre outros, o que favorecia o consumidor.

Já Michel Temer mudou a estratégia da Petrobras e passou a reajustar diariamente, para cima ou para baixo, o valor do preço do petróleo de acordo com o mercado internacional. Subiu lá fora, aumentava aqui, se caísse, baixava, o que na grande maioria das vezes fazia o consumidor pagar mais caro.

O atual governo de Jair Bolsonaro misturou as duas políticas. De um lado, já não reajusta diariamente o preço dos combustíveis (a média de reajuste é a cada 15 dias), mas mantém a política de preços atrelada ao mercado internacional. No entanto, em virtude de sua visão privatista deixou de levar em consideração as variáveis que Dilma utilizava para diminuir o valor que o consumidor pagava. Atualmente, a Petrobras já não olha o volume e o custo de produção de petróleo porque a decisão do governo é exportar óleo cru e, assim, os preços continuam em alta.

“Não importa se o custo de produção e refino caíram. O que importa agora é se aproximar do preço internacional sem levar em consideração essas variáveis, até porque interessa ao governo vender as refinarias e privatizar a Petrobras. Por conta disso, os preços dos combustíveis sobem”, conta o técnico do Dieese/FUP.

Ainda segundo Cloviomar, se o governo levasse em consideração a redução dos custos da produção, os preços dos combustíveis poderiam cair. No entanto, a equipe econômica do governo, liderada pelo banqueiro e ministro da Economia, Paulo Guedes, tem uma política de  privatização, de retirada do Estado da economia.

“A retirada do Estado da economia passa pela privatização da Petrobras, que já começou com a BR Distribuidora sendo privatizada e agora existe a tentativa de vender metade do parque de refino, além de permitir a entrada forte de empresas estrangeiras na produção de petróleo no Brasil”, alerta.

Cloviomar afirma ainda que sem o Estado controlar a venda e o refino do petróleo, o consumidor paga um preço maior, porque a decisão do mercado é o lucro e não o abastecimento.

A retirada do Estado do mercado petrolífero aumenta a instabilidade. É como se o Brasil não produzisse petróleo e a população não é beneficiada
- Cloviomar Cararine


Como é composto o preço dos combustíveis

Além das políticas econômicas de cada governo, o preço final da gasolina depende de uma série de fatores.

A constituição do preço começa na refinaria com o preço do barril, soma-se aos impostos federais e estaduais, a participação da indústria agro alcooleira, já que o etanol entra na composição da gasolina, os valores cobrados pelas distribuidoras, que compram na refinaria e levam até o posto, e , por fim, o próprio dono do posto de gasolina que determina o preço final.

 “O problema é que quando a Petrobras aumenta o preço nas refinarias automaticamente sobe o preço na bomba de gasolina. Os postos de combustíveis não fazem a redução de preços, a indústria agro alcooleira aumenta o preço do álcool e do etanol e as distribuidoras aumentam sua margem de lucro. Com isso, quando se reduz o preço na refinaria,nem sempre ele cai na mesma velocidade nos postos”, critica Cloviomar.

Atuação do governo Bolsonaro deixa país mais vulnerável 

Na tentativa de reverter o cenário de instabilidade nas bolsas (a Petrobras responde por 11% do Ibovespa) e no câmbio (dólar) o governo tem queimado as reservas cambiais deixando o país vulnerável. O governo Bolsonaro já queimou US$ 42 bilhões, que agora somam US$ 350 bilhões. Essa não pode ser a única medida adotada pelo governo, alerta a técnica da Subseção Dieese/CUT Nacional, Adriana Marcolino.

“O maior entrave é o baixo crescimento dos últimos anos e a falta de credibilidade internacional do Brasil (nas instituições, no comando do país e na economia). Falta atuação do governo para retomar crescimento com investimento público e utilizando todas as ferramentas disponíveis ao Estado brasileiro”, afirma Adriana.

Entenda a crise do petróleo

Na última sexta-feira (06),  a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) discutia um acordo para a redução da produção em todos os países, devido à baixa produção da economia mundial atingida pelo Coronavírus 19. Rússia e Arábia Saudita não chegaram a um acordo sobre o tamanho das cotas de cada um nesse novo cenário.

 Diante disso, a Arábia Saudita anunciou, na segunda-feira (09), que irá aumentar a produção de barris de petróleo de 9,7 milhões/dia para até 11 milhões/dia (o país tem capacidade para produzir até 12 milhões/dia).

Os sauditas cortaram entre US$ 4 e U$ 6 o preço de seus barris para entrega em abril com destino à Ásia e em 7 dólares os destinados aos Estados Unidos. A  Aramco reduziu o preço do barril da petroleira Arabian Light a um preço sem precedentes de 10,25 dólares, diz o site Bloomberg.

Como resultado da briga entre os dois países, os preços internacionais do petróleo caíram cerca de 25% , o maior tombo em quase 30 anos.

No Brasil, o efeito desta decisão derrubou o valor da Petrobras. Em 24 horas, a estatal brasileira perdeu num só dia, em valor de mercado mais de R$ 91 bilhões, o equivalente a 15 vezes o prejuízo alegado pela Operação Lava Jato.

 

Fonte: CUT

 

Publicado em Petróleo

Por André Ramalho, do Valor

Concentrando-se na produção de petróleo para exportação, a Petrobras terá cada vez menos margem de manobra para lidar com cenários de preços baixos no mercado internacional, como o atual. A avaliação é do economista Rodrigo Leão, coordenador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), vinculado à Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Leão destaca que o tombo dos preços, vivenciado neste momento, afetaria a empresa de qualquer jeito, mas que o plano estratégico da estatal está aumentando a sua exposição às flutuações do mercado internacional.
“Quanto mais a Petrobras se direciona para uma atividade [exploração e produção] e um mercado [a China], o resultado da companhia fica mais refém do mercado internacional”, afirma o especialista.

Ele argumenta que, apesar de atingir todas as petroleiras, a queda dos preços é sentida de forma diferente entre cada uma delas, a depender de suas respectivas estratégias de atuação. Companhias mais integradas, com presença forte em refino e petroquímica, costumam sentir um pouco menos os efeitos dos choques de preços, porque as cotações dos derivados costumam, historicamente, cair em ritmos menores que o do petróleo bruto.

Com a queda dos preços do petróleo e a queda do consumo global, Leão acredita que uma das saídas da Petrobras, no curto prazo, pode ser aumentar o fator de utilização de suas refinarias, de olho no mercado interno. A Petrobras vem operando seu parque de refino com capacidade ociosa. Em janeiro, o fator de utilização era de 80%.

A estatal alega que que elevar a carga processada significa “queimar dinheiro”, porque significa aumentar a produção de derivados de baixo valor agregado, alguns deles vendidos com preços inferiores ao do petróleo cru.

“Mas nesse momento muitos desses derivados de baixo valor agregado podem ser mais rentáveis do que o óleo cru. No curto prazo, a estratégia da empresa deve girar em torno do aumento da produção interna. Ou a companhia será obrigada a "segurar" a redução dos preços dos derivados internamente para contrabalançar a forte queda do Brent. De uma forma ou de outra, a estratégia para lidar com a crise passará pelo mercado interno. O presidente Roberto Castello Branco fala em buscar mercados alternativos para o óleo cru, além da China, mas isso é muito difícil hoje. Os Estados Unidos atualmente importam muito menos do que no passado. A Europa também começa a vivenciar o surto do coronavírus, bem como os demais países asiáticos”, afirma.

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Domingo, 08 Março 2020 14:09

Uma petroleira no CA da Petrobrás

por Alexandre Gaspari

Rosangela Buzanelli não é a primeira mulher a representar trabalhadoras e trabalhadores da Petrobrás no Conselho de Administração da empresa. Entretanto, sua eleição este ano é emblemática. Em um governo que desvaloriza e desrespeita as mulheres e vem promovendo o desmonte da companhia, vendendo ativos em diversas áreas e promovendo uma privatização da Petrobrás em partes, a escolha de Rosangela é símbolo não apenas de empoderamento feminino: representa também o desejo de petroleiras e petroleiros de ter uma Petrobrás pública e cada vez mais forte, retomando seu papel de vetor do desenvolvimento social e econômico brasileiro.
Com o lema “Reunir para Resistir”, Rosangela venceu o pleito em primeiro turno, recebendo 5.300 votos – 53,62% do total. Foi a primeira vez em que um representante dos trabalhadores da Petrobrás foi eleito em primeiro turno para o CA. O que se torna ainda mais representativo considerando que ela foi uma das duas únicas mulheres a concorrerem, numa lista de 21 candidatos.
Por ser diretora do Sindipetro-Norte Fluminense, Rosangela teve dificuldades em conversar com as pessoas em algumas bases da Petrobrás durante a campanha. Devido à histórica greve dos petroleiros em fevereiro – a maior desde 1995 –, seu crachá foi bloqueado e seu acesso impedido a algumas instalações da empresa.
Os percalços não desanimaram a engenheira geóloga de 60 anos, 33 deles dedicados à Petrobrás, como geofísica. O desafio de chegar ao CA foi maior, inclusive, que seus planos pessoais, que incluíam sua aposentadoria, pouco antes de ser convidada a integrar a chapa que venceu as eleições no Sindipetro-NF.
“Tenho compromisso com o coletivo desde jovem. Isso me fez adiar meus planos pessoais para contribuir com essa causa. Minhas principais motivações são o coletivo que está comigo e defender a Petrobrás, não poderia dizer ‘não’”, conta ela, explicando a importância do apoio da Federação Única dos Petroleiros (FUP) para sua decisão de concorrer ao CA da Petrobrás. “Pobre daquele que nunca experimentou a magia e a força do coletivo”, completa.
Rosangela Buzanelli é formada pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e tem mestrado em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Paulistana, ingressou na Petrobrás em 1987, quando se mudou para o Rio de Janeiro.
O trabalho como geofísica a levou a outras cidades do país, como Curitiba, no Paraná, e Macaé, no Norte Fluminense, onde mora desde 1997. Nos 33 anos de Petrobrás, Rosangela viveu experiências profissionais tanto na área operacional quanto na administrativa. Conheceu e conversou com trabalhadoras e trabalhadores de todos os níveis funcionais da empresa, o que lhe deu uma visão ampla das demandas de petroleiras e petroleiros da companhia.
Por isso, Rosangela faz questão de reforçar o caráter técnico e coletivo de seu mandato no Conselho de Administração da Petrobrás.
“Queremos marcar uma atuação bastante firme, com argumentos sólidos, baseados em estudos, fatos e dados, pelos direitos de petroleiras e petroleiros e por uma Petrobrás pública, forte, integrada e indutora do desenvolvimento social, econômico e tecnológico do Brasil. A missão é árdua, mas temos de ocupar esse assento para fazer o contraponto, trazer para esse fórum um olhar diferente da visão hegemônica que, baseado em estudos técnicos, provoque a reflexão de cada integrante do Conselho antes de votar”, detalha.
Outro ponto fundamental é garantir um trabalho com muita transparência, que dialogue com os trabalhadores e trabalhadoras. “Essa vitória é nossa, dos trabalhadores e trabalhadoras. Tenho o compromisso de defender a transparência, de defender a nossa Petrobrás e o corpo técnico da empresa. Vamos reunir para resistir”, lembra ela.

 

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Domingo, 08 Março 2020 13:47

Uma mulher no comando nacional de greve

Cibele Vieira não só participou da greve nacional petroleira que terminou recentemente como foi uma das pessoas que integrou o comando de greve ao ocupar, junto a outros quatro petroleiros, o edifício sede da Petrobras no Rio de Janeiro por 21 dias. Ao fazer parte da Comissão Permanente de Negociação, Cibele representou as mulheres petroleiras, as operárias e as sindicalistas.

Ela liderou uma greve vitoriosa que reverteu o esvaziamento do espaço negocial coletivo imposto aos trabalhadores pela nova gestão da Petrobrás, com o fato de que os representantes dos trabalhadores sentaram à mesa e esperaram a negociação, e desta maneira, a empresa se viu obrigada a conversar com os empregados. Mesmo que a negociação tenha acontecido por intermédio do Tribunal Superior do Trabalho. Ao final desta greve intensa, que muitos da geração de Cibele nunca tinham passado, o saldo foi positivo, principalmente com relação às questões corporativas “ficou claro que através da luta vão se conseguindo as pequenas conquistas e dessas conquistas é possível acreditar na vitória”, com isso o enfrentamento acontece e o trabalhador passa a ser respeitado.
Sua história no movimento sindical tem base numa preocupação que carrega consigo desde a adolescência, que é pensar no outro e enfatizar sempre o interesse coletivo. Desde que entrou na Petrobras, Cibele sempre participou ativamente das reuniões do sindicato, mas só passou a fazer parte da diretoria depois de sete anos de empresa. Sua participação foi construída ao longo do tempo. Segundo ela, a maioria da categoria petroleira é de homens, hoje somos 16 %, e infelizmente nas direções sindicais, essa estatística é ainda menor.
Na Federação Única dos Petroleiros, houve avanço significativo na representação das mulheres, pela primeira vez nesta gestão são oito (entre titulares e suplentes) mulheres. Para Cibele, “infelizmente a gente ainda cresce dentro de uma cultura machista, de que a tomada de decisão não é das mulheres, mas felizmente isso tem sido cada vez mais questionado e a mudança comportamental é percebida como uma sociedade mais igualitária apesar dos ataques da onda conservadorismo que vivemos”.
O desafio de lutar contra o machismo que existe no meio sindical é importante. Há sem dúvida uma diferença de tratamento entre homens e mulheres, mas é preciso mostrar que isso não é mimimi, não é frescura e que manifestações de machismo acontecem até num ambiente onde as pessoas se respeitam.

 

 

 

Publicado em Movimentos Sociais

Em janeiro de 2020, na iminência de uma nova greve dos caminhoneiros e dos petroleiros, o presidente Jair Bolsonaro esbravejou: a culpa dos elevados preços de combustíveis era dos governadores em função dos impostos estaduais. No raciocínio do presidente, mesmo com a queda dos preços da refinaria, o valor mais alto dos combustíveis na bomba era responsabilidade dos governadores.

A retórica do presidente motivou, mais uma vez, uma guerra de narrativas sobre a raiz dos problemas dos preços dos combustíveis. Em análise realizada em 2017, o INEEP lembrou que, na época – e o cenário continua o mesmo até hoje – “não houve nenhuma mudança estrutural na cadeia produtiva dos derivados de combustíveis (variações nas alíquotas dos impostos ou significativas alterações nas margens dos distribuidores e postos), o que torna muito frágil a tese que enxerga os aumentos dos combustíveis como decorrência dos impostos e dos carteis dos postos”.

Isso, porque o peso dos impostos na determinação dos preços, embora seja importante, tem um percentual relativamente rígido e oscila segundo o preço final dos derivados. Ou seja, o “centro” da oscilação está no preço da refinaria.

Segundo Bolsonaro, o problema é que o preço na refinaria tem caído, mas isso não estaria se refletindo na bomba. Será verdade?

Quando assumiu o governo em 01/01/2019, o preço da gasolina e do diesel na refinaria era, respectivamente, de R$ 1,51/litro e de R$ 1,85/litro, segundo dados do DIEESE. Em 29/02/2020, o preço da gasolina estava em R$ 1,71/litro e o preço do diesel em R$ 1,93/litro, ou seja, um aumento de 13,2%, no caso da gasolina, e de 3,9%, no caso do diesel.

Os especialistas do setor poderiam alegar que esse aumento é explicado pela variação do preço internacional do petróleo, algo que não aconteceu. No mesmo período, o preço internacional do petróleo caiu de R$ 1,45/litro para R$ 1,41, uma queda de 2,8%. Ou seja, ao contrário do que afirma Bolsonaro, durante seu governo, os preços da Petrobras aumentaram e, mais grave, no caminho contrário ao do preço internacional do petróleo.

Esse ponto é importante porque coloca em xeque a versão do governo federal e da Petrobras sobre a formação dos preços. Primeiro, os valores elevados dos combustíveis têm sim relação com o refino. Segundo, a Petrobras não tem sequer seguido o preço internacional do petróleo. Ao que tudo indica, há um mecanismo de se aproveitar dos períodos de elevação do preço internacional para subir o valor dos produtos que saem das refinarias, mas, quando os preços caem, a queda não é proporcional no refino.

Como se se sabe, o uso da fake news foi algo estrutural para a vitória de Bolsonaro nas eleições presidenciais e é algo estrutural para sustentação de seu governo. E é exatamente o que ele faz agora no debate sobre os preços dos combustíveis. Ele só trata do tema quando os preços na refinaria caem, mas se finge de morto quando os preços sobem.

Com isso, a estratégia de jogar a culpa no colo dos governadores e confundir a população tem mais chance de alcançar sucesso.

A questão do preço é séria e deve ter um olhar técnico e, ao mesmo tempo, social tendo em vista o impacto dos preços tem na vida dos brasileiros. Mas, seriedade técnica e sensibilidade social é tudo que falta ao atual governo.

Federação Única dos Petroleiros

Publicado em Petróleo

A Greve dos Petroleiros mais uma vez colocou em evidência o traço autoritário do Estado, dedicado a proibir o conflito social em lugar de garantir seu desenvolvimento democrático em prol da sociedade.

Às multas milionárias impostas aos sindicatos se somaram "permissões" para a punição e demissão de grevistas, como se no Brasil o trabalho não fosse livre (Constituição, art. 5°, inc. XIII), e como se a Liberdade Sindical não fosse um direito humano fundamental.

Essa conjuntura adversa somente é possível pelo quadro de um executivo hegemonizado pelo fascismo, e que conta com a colaboração, por ação ou omissão, dos demais poderes.

Nesse sentido, a FUP lembra às trabalhadoras e trabalhadores que:

1° - A origem da Greve está no descumprimento de acordos coletivos de trabalho por parte da Petrobrás, Transpetro, ANSA e demais Subdidiárias, acordos estes firmados em 4 de novembro de 2019 no próprio Tribunal Superior do Trabalho;

2° - Que a luta da FUP e de seus sindicatos, e particularmente do Sindiquímica PR, é por EMPREGOS, e não por planos de "benefícios" para demissões em massa;

3° - As empresas já estão em franco descumprimento das condições propostas pelo TST, nas reuniões de 21 e de 27 de fevereiro, por exemplo punindo e transferindo grevistas de local e de regime de trabalho;

Tudo considerado, e tendo em vista a autonomia dos sindicatos, a FUP apoiará a decisão que vier a ser tomada pela assembleia de trabalhadoras e trabalhadores do Sindiquímica-PR.

CADA PETROLEIRA E PETROLEIRO DEVE TER A CLAREZA DE QUE NOSSA GREVE JÁ É VITORIOSA, POR DEMONSTRAR QUE OS TRABALHADORES PODEM E DEVEM LUTAR CONTRA O FASCISMO, NA DEFESA DE SEUS DIREITOS.

 

 

Publicado em Sistema Petrobrás
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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