Depois de uma primeira rodada no último dia 21, representantes da FUP e do Sindiquímica-PR voltam à negociação, hoje, com a Petrobrás, em mesa mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília. A reunião acontece neste momento e estão em pauta o destino de centenas de empregos dos petroleiros da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), entre outras pautas petroleiras.

A categoria, que suspendeu a greve que já durava 20 dias, para viabilizar as negociações no TST, continua mobilizada em todo o país. Na própria Fafen, continua uma vigília que entra em seu 38º dia. No Norte Fluminense, diretores do Sindipetro-NF estiveram na manhã de hoje no Heliporto do Farol, em diálogo com os trabalhadores.

No último sábado, 22, o Conselho Deliberativo da FUP, que reúne representantes das direções da FUP e dos 13 sindicatos filiados, fizeram uma primeira avaliação do movimento de greve e da primeira reunião no TST. Ontem, os sindicalistas fizeram reunião preparatória para as negociações de hoje, no Tribunal.

“Ao contrário do que é dito na televisão, a luta dos petroleiros não acabou. A greve está suspensa enquanto durar a negociação, e não cancelada. Ainda há muito o que ser feito pela garantia dos empregos dos petroleiros da Araucária Nitrogenados (FAFEN-PR), que estão com as demissões suspensas até 6 de março”, alertou a FUP.

Uma das propostas do movimento sindical petroleiro, defendida pela FUP na mesa de negociações, é a transferência ou cessão dos trabalhadores da Fafen para outras unidades da Petrobrás. “Nada justifica as demissões de empregados de uma empresa 100% Petrobrás quando a falta de efetivo, muitas vezes denunciada pela FUP nas reuniões das comissões, tem colocado vidas em risco nas unidades operacionais diariamente”, argumentam os sindicalistas.

Também estão em negociação temas como tabela de turno 3×2, interstício total e mudança de local do relógio de ponto. A mesa poderá, ainda incluir a discussão sobre a PLR 2019. Uma nova reunião do Conselho Deliberativo da FUP acontece nesta sexta, 28, para avaliar o andamento das negociações e os próximos passos.

Publicado em SINDIPETRO-NF

A força da greve histórica dos petroleiros, que já havia garantido no TRT-PR a suspensão das demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen/PR), inclusive as 144 que foram efetivadas no último dia 14, conquistou nesta sexta-feira, 21, as principais reivindicações da categoria.

Em reunião com a Petrobrás, mediada pelo TST, a FUP garantiu a abertura de um canal de negociação com a Petrobrás e a Aruacária Nitrogenados (Ansa), envolvendo também o Sindiquímica-PR, para discutir o plano de hibernação da Fafen e o destino de seus trabalhadores.

Outras violações do Acordo Coletivo que vinham sendo feitas pela gestão da Petrobrás, através de imposições da tabela de turno 3 x 2, do fim do interstício total e da implantação de relógios de ponto nas áreas operacionais, também serão revisadas pela empresa.

Uma nova reunião, mediada pelo TST, será realizada na quinta-feira, 27, para dar sequência à negociação.

Além de garantir os principais pontos da pauta de reivindicações dos petroleiros, que levou a categoria à greve, a reunião desta sexta fez a gestão da Petrobrás negociar os dias parados e cancelar as mais de mil advertências aplicadas contra os grevistas. Essa é uma importante vitória contra a gestão autoritária de Castello Branco, que anunciou diversas retaliações contra os trabalhadores que aderiram ao movimento, como cancelar as férias e desimplantar os petroleiros das plataformas.

A mediação com o TST também reduziu em 95% o valor das multas de mais de R$ 50 milhões impostas às organizações sindicais. A cobrança será de R$ 2,475 milhões, valor a ser pago conforme a capacidade financeira de cada sindicato.

“Os petroleiros, em greve, obrigaram a Petrobrás a negociar e deixaram claro que a categoria seguirá na luta para defender nossos empregos e nossos direitos. Nada que temos foi dado. Cada conquista foi obtida na luta e será através das lutas que as manteremos”, afirma Alexandre Finamori, diretor da FUP.

Neste sábado, a FUP e seus sindicatos voltam a se reunir para avaliar os resultados da negociação e discutir os próximos passos do enfrentamento aos ataques da gestão Castello Branco contra os trabalhadores.

Principais pontos firmados pela Comissão de Negociação da FUP com a Petrobrás e TST:

Cumprimento da Cláusula 26 do Acordo Coletivo da Ansa, que garante discussão prévia com o sindicato sobre demissões em massa – FUP, Sindiquímica-PR e Petrobrás/Ansa terão reunião no dia 27 para discutir o plano de hibernação da Fafen-PR.

Suspensão da implantação unilateral das tabelas de turno de 3x2 – os sindicatos, junto com os trabalhadores, discutirão uma nova tabela de turno, que será submetida à categoria para aprovação em assembleias, e apresentada à gestão da Petrobrás. A empresa terá 25 dias para extinguir a tabela 3 x 2, sem impor aos trabalhadores condicionantes para quitação de passivos trabalhistas das antigas tabelas de turno.

Fim do interstício total e exigência dos trabalhadores chegarem na madrugada – FUP e Petrobras buscarão na mesa de negociação, no próximo dia 27, a solução dessa pendência.

Cartões de ponto para apuração da hora extra da troca de turno - a Petrobrás se comprometeu a discutir com a FUP na reunião dia 27 o posicionamento equivocado dos relógios de ponto nas áreas operacionais.

Punições e advertências durante a greve – advertências aplicadas pela Petrobrás serão canceladas e a empresa firmou compromisso de não aplicar punições contra os grevistas. As férias que haviam sido arbitrariamente canceladas pelos gestores serão mantidas ou reagendadas, em comum acordo com os trabalhadores.

Desconto dos dias de greve -  metade dos dias parados será compensada e outra metade, descontada. Os contracheques dos trabalhadores que foram zerados serão corrigidos pela empresa no dia 06 de março. Conforme acordado com o ministro do TST relator do dissídio, o desconto dos dias parados não terá reflexos sobre férias e 13º salário, pontos que serão ratificados na reunião do dia 27. 

[FUP]

 

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O Grupo de Trabalho assinou na manhã de hoje, na sede da Petros no Rio de Janeiro, o Termo de Compromisso que viabiliza um novo Plano de Equacionamento do Déficit dos Planos PETROS dos pós 70.

A proposta foi elaborada pelo GT PETROS com o objetivo de reduzir o impacto financeiro das contribuições extraordinárias no orçamento mensal de grande parte dos participantes e assistidos e oferecer sustentabilidade ao PPSP-R e ao PPSP-NR, ambos dos pós-70.

O novo PED abrange os déficits de 2015 e 2018, além de incorporar o resultado de 2019.

O Conselho Deliberativo da Petros, aprovou no dia 20, por unanimidade, o Novo PED proposto pelo Grupo de Trabalho e aprovado pelos participantes e assistidos dos dois planos.

O GT teve muito trabalho para se chegar a este resultado. O Novo PED foi construído com base na proposta apresentada pelo GT PETROS e negociado entre as patrocinadoras e as entidades sindicais representativas dos participantes e assistidos, durante diversas rodadas de encontros presenciais.

Ao final, o novo modelo foi aprovado em todas as assembleias das entidades sindicais.

O Novo PED segue agora os trâmites de aprovação nas instâncias de governança das empresas patrocinadoras, a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) que supervisiona as empresas estatais e o órgão supervisor da Previdência Complementar, a Previc.

A previsão de implantação do novo equacionamento é 25/04/2020.

Confira as taxas das novas contribuições extraordinárias, que substituirão as taxas cobradas no atual equacionamento, conhecido como o PED assassino. Elas ficarão bem menores:

PPSP-R pos 70:

Ativos: 10,56%
Assistidos: 12,05%

PPSP-NR pos-70:

Ativos: 12,00%
Assistidos: 13,59%

Federação Única dos Petroleiros

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Após cruzarem os braços por 20 dias e arrancarem o compromisso de negociar com a Petrobrás o cancelamento da venda da Fábrica de Fertilizantes do Paraná (Fafen) e a demissão de mil trabalhadores, petroleiros de todo o país seguem em assembleias definindo pela suspensão provisória do movimento.

Ao menos até esta sexta-feira (21), quando a Comissão Permanente de negociação da Federação Única dos Petroleiros (FUP) sentará para dialogar no Tribunal Superior de Trabalho (TST) com representantes do Ministério Púbico.

Renira sente na pele e no bolso os efeitos da política da Petrobrás voltada ao mercado externo

Em São Paulo, na Avenida Paulista, a greve dá mostras de que foi capaz de unir movimentos de diversas trincheiras em defesa da democracia, do emprego e do patrimônio nacional, em um ato organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Aos 77 anos, Davina da Silva, vestida com um colete laranja da Petrobrás e um botom no peito com a imagem de Carlos Marighella, aponta que espera dos novos petroleiros o mesmo amor de quem já lutou pela classe trabalhadora em plena ditadura militar.

“Eu trabalhei no Edise (Edifício Sede da Petrobrás) e em São Paulo na área administrativa, uma área difícil que não faz greve, na época da ditadura, quando o sindicato ainda estava se reestruturando. E acredito que essa greve foi a maior até que a de 1995, aquela em que senti que a resistência do pessoal e a adesão foi maior, que havia maior comprometimento com a luta.Espero que essa nova geração se espelhe nos petroleiros antigos, que têm amor pela Petrobrás e que tenham a visão de que esse e um bem inegociável”, afirma.

Também uma lutadora com muitas histórias para contar, Renira do Nascimento, 54, pele negra e cabelos brancos, saiu da ocupação Nova Vitória, em Guarulhos, onde luta por moradia ao lado do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Para ela, o apoio à greve é importante porque não se trata de uma reivindicação restrita à categoria.

Davina aponta que defender a Petrobrás é defender o Brasil

a“A luta é pelo nosso país, se a gente não brigar por ele, vamos perder tudo, olha quanta coisa que estamos perdendo e não vemos. Na época do Lula, comprávamos uma TV fininha, hoje em dia, a gente não sabe se compra arroz e feijão ou gás. O Bolsonaro não está olhando para nós”, criticou.

Batalha pedagógica

A avaliação do diretor de base do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro-SP) Tiago Franco é que a greve foi vitoriosa ao mostrar, ao mesmo tempo, que há caminhos para lutar contra quer destruir os direitos trabalhistas, ao mesmo tempo em que deixou claro a tragédia que pode ser a retomada de um processo de privatização em massa.

“Por um lado, com o acampamento no Edise e as paralisações em todo o país, demos um exemplo pedagógico de como se deve lutar. E, por outro, ao colocarmos na pauta a discussão sobre a elevação do preço dos combustíveis e do gás, atrelados a nova política de reajustes adotada pela empresa a partir do golpe contra a presidenta Dilma, mostramos como é ruim a gestão da Petrobrás estar prioritariamente voltada a interesses de mercado”, analisou.

Privatização que, conforme ressalta Liciane Andrioli, do Movimento dos Atingidos por Barragens, não leve em conta, nem de longe, os interesses da maior parte dos brasileiros.

“A Petrobrás produz e refina a maior parte do petróleo no Brasil, gera muita riqueza e estão querendo colocar essa riqueza nas mãos estrangeiras. Além de levar o que é nosso para outros países, a privatização ainda prioriza o lucro em prejuízo das vidas e do respeito ao meio ambiente”, falou.

[Via Sindipetro Unificado SP | Por Guilherme Weimann e Luiz Carvalho -Fotos de Guilherme Weiman]

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Protagonistas de uma das mais importantes e simbólicas greves da história recente do país, os petroleiros garantiram a suspensão das demissões na Fafen-PR e conquistaram a abertura de um processo de negociação mediado pelo TST. Fatos que refletem a importância da maior greve que a categoria já realizou desde maio de 1995.

Reunidas nesta quarta-feira, 19, no Conselho Deliberativo da FUP, as direções sindicais de todo o país avaliaram que o momento é de acumular forças para buscar o atendimento da pauta de reivindicações que a gestão da Petrobrás tem se recusado a negociar. O Conselho indicou a suspensão provisória da greve para que a Comissão Permanente de Negociação da FUP possa participar na sexta-feira, 21, da negociação no TST, junto com representantes do Ministério Público do Trabalho.  O indicativo destaca ainda que a greve será retomada, caso não haja avanços na mediação feita pelo Tribunal.

“Nossa greve foi construída e fortalecida, dia após dia, com organização, estratégia e respeito à categoria. Conseguimos um canal de negociação que só foi possível por conta da força da greve, da ocupação de 30 dias em Araucária, da nossa permanência aqui na sede da Petrobrás desde 31 de janeiro, da vigília em frente ao prédio, dos atos e manifestações de apoio e solidariedade que aconteceram em todo o país, como a marcha histórica de ontem, no centro do Rio”, reforça o diretor da FUP, Deyvid Bacelar.

“Essa unidade que está sendo demonstrada na greve trouxe esperança para os trabalhadores da Fafen e para as nossas famílias. Foi a greve que obrigou a Petrobrás a suspender as demissões em massa e a reverter as que já haviam sido aplicadas contra 144 companheiros”, afirma o petroquímico Ademir Jacinto, diretor do Sindiquímica-PR e um dos integrantes da Comissão Permanente de Negociação da FUP, que está há 20 dias ocupando uma sala na sede da Petrobrás.

Ele ressalta a importância da abertura de um processo de negociação para que seja garantido o cumprimento da Cláusula 26 do Acordo Coletivo de Trabalho, onde a Araucária Nitrogenados se compromete a não promover despedida coletiva ou plúrima sem prévia discussão com o sindicato.

A luta é contínua

Na tarde desta quinta-feira (20) será realizado em São Paulo um grande ato em solidariedade aos petroleiros, em defesa da Petrobrás e da soberania nacional. A manifestação está sendo convocada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com concentração no vão do Masp, às 16h30.

A categoria petroleira segue mobilizada em defesa dos empregos, contra o desmonte do Sistema Petrobrás e por preços justos para os derivados de petróleo.

A interrupção da greve está condicionada ao avanço da gestão da empresa na negociação com os trabalhadores.

A luta não cessa. A luta é contínua.

Íntegra do documento da FUP, com orientações para os sindicatos:

[FUP]

 

 

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É mais um importante passo na luta da categoria petroleira, que está em greve há 19 dias contra as demissões e o fechamento da fábrica

O juiz Flávio Antônio da Cruz, da 11ª Vara Federal de Curitiba, determinou nesta quarta-feira, 19, que o Ministério Público Federal investigue os riscos para a soberania nacional, decorrentes do fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen). A denúncia foi apresentada por dirigentes do Sindiquímica-PR, que, através de uma Ação Popular, cobram a suspensão imediata da hibernação da unidade.

O fechamento da fábrica, a única que produz ureia pecuária no país, além de amônia ativa e Arla, insumos essenciais para o agronegócio e a indústria de componentes de motores automotivos, aumenta a desindustrialização e compromete a soberania nacional. Agricultores e pecuaristas ficarão ainda mais dependentes da importação destes insumos, o que refletirá no bolso do consumidor, que já sofre com o atual cenário de dólar alto.

Acionista integral da Araucária Nitrogenados, gestora da Fafen, a Petrobrás terá que responder por “lesividade ao patrimônio público, à soberania nacional, à função social da propriedade, ao consumidor e ao tratamento favorecido às pequenas empresas, bem como seu papel no desenvolvimento nacional e na redução na desigualdade social”, como cobram os autores da Ação.

No despacho concedido em favor de Caio Rocha da Silva e Reginaldo Fernando Lopes da Silva, trabalhadores da Fafen e dirigentes do Sindiquímica-PR, autores da Ação Popular, o juiz federal Flávio Antônio da Cruz cobra que sejam apuradas as denúncias de “que a ordem para interrupção do funcionamento da ANSA - Araucária Nitrogenados S/A seria ofensiva ao interesse do povo, dado comprometer o desenvolvimento da indústria nacional no setor de fertilizantes, ser agressiva à soberania da República Federativa do Brasil, ser contrária à superação de desigualdades sociais e regionais, dentre outras variáveis”.

Federação Única dos Petroleiros

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Quinhentos veículos, entre motos e carros, participaram nesta quarta-feira, 18, de uma ação do Sindipetro-NF para conscientizar a população sobre a importância de uma Petrobrás voltada para os interesses públicos e chamar atenção para a greve dos petroleiros.

A ação aconteceu de forma tranquila no Posto BR localizado no bairro da Aroeira em Macaé. Trabalhadores em greve e diretores do sindicato distribuíram vouchers de R$ 20,00 aos motoristas e eram colados adesivos em apoio ao movimento nos carros e motos abastecidos.

Os moradores de Macaé costumam pagar um dos preços da gasolina mais cara do país. A média nos postos da cidade é de R$ 5,19 do litro do combustível. A categoria petroleira alertou a quem abastecia que um dos problemas do alto preço da gasolina é porque está equiparada ao mercado internacional.

“Estamos aqui para denunciar que a Petrobrás já vem se comportando como empresa  privada ao usar a política de preços com paridade ao mercado internacional. Nossa ideia é chamar atenção para a greve petroleira. Ontem o movimento já conquistou uma vitória que foi a suspensão das demissões em massa dos companheiros da Fafen Paraná. Mesmo assim tem que seguir forte para tentarmos reverter todos os ataques que estamos sofrendo ” – explicou o diretor do Sindipetro-NF, Sergio Borges.

[Via Sindipetro-NF | Foto: Rui Porto Filho]

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Via INEEP

A Petrobras divulga nesta quarta (19/02) o resultado anual de 2019. Segundo estimativas do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a expectativa é de que a empresa registre um expressivo aumento nos lucros, que devem alcançar cerca de R$ 38 bilhões. Esse montante é cerca de 42% superior em relação ao ano de 2018. 

Todavia, esse resultado somente será alcançado se os gastos realizados (bônus de assinatura e despesas com a aquisição da cessão onerosa) pela Petrobras na aquisição de novos blocos exploratórios de cerca de R$ 35 bilhões não impactarem as despesas da companhia (tabela 1). 

Na avaliação do Ineep, por conta de as despesas com bônus de assinatura serem lançadas como ativos e depreciadas ao longo do tempo, a partir da comprovação da viabilidade técnica e comercial da produção de óleo e gás nas áreas leiloadas, estas não afetarão os gastos da companhia. 

Cabe observar que esse expressivo resultado nos lucros e na geração de caixa (EBITDA estimando em R$ 122 bilhões – Tabela 1) da Petrobras em 2019 foi, em boa medida, influenciado por receitas não recorrentes de venda de ativos que totalizaram R$ 44,5 bilhões. Entre os ativos vendidos, destacaram-se a TAG, a BR Distribuidora e os campos maduros na Bacia de Campos. 

Tabela 1 – Estimativas do Balanço da Petrobras

 

Além das receitas não recorrentes, o provável resultado positivo da Petrobras se deve ao aumento de 6,4% na produção de petróleo e gás em 2019, na comparação com 2018, registrando uma média 2,77 milhões de barris equivalentes de petróleo. A produção no pré-sal, que se expandiu em 28%, foi a área que mais impulsionou esse resultado, já representando cerca de 59% da produção de petróleo no Brasil. 

Esse aumento da produção ocorreu em virtude de novas unidades de produção e, principalmente, devido ao ramp-up dos 8 novos sistemas que entraram em produção em 2018 e 2019. Cabe observar que as decisões de investimentos para que essas unidades produtivas entrassem em operação ocorreram há pelo menos cinco ou seis anos atrás. 

A plataforma P-68, por exemplo, que iniciou sua produção em novembro de 2019, foi contratada pelo consórcio Petrobras e Galp, em 2012, junto à subsidiária da Sembcorp Marine, Jurong do Brasil Prestação de Serviços Ltda (JDB). Na época, o estaleiro fechou um contrato de US$ 674 milhões “para a construção de um total de oito módulos e integração do módulo funciona para dois Navios Plataformas de Produção, Armazenamento e Transferência (FPSO)”, entre estes a P-68. Ou seja, a entrada da P-68 para produzir os campos de Berbigão e Sururu, em 2019, somente foi possível em razão de uma decisão de investimento tomada em 2012. 

Os resultados positivos da produção de petróleo e gás são, portanto, o resultado de decisões de investimento iniciados em períodos anteriores que requerem um elevado montante de recursos que, após a produção, irá gerar retornos e geração de caixa por longos períodos. 

Com o avanço da produção de petróleo e a estagnação no nível de utilização das refinarias, as estimativas do Ineep mostram que a Petrobras tem aumentado de forma expressiva suas receitas oriundas da exportação de petróleo cru. Entre 2018 e 2019, as exportações cresceram cerca de 25,2% (de 428 para 536 mil barris/dia), sendo que a receita com a exportação de petróleo já representa mais de 15% da receita total da Petrobras. 

Por outro lado, a utilização da capacidade das refinarias da Petrobras em 2019 ficou em 77%, praticamente igual ao nível do ano anterior, mesmo com o aumento da demanda de derivados no mercado consumidor brasileiro. Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o consumo de combustíveis cresceu 2,9%, entre 2018 e 2019, saltando de 2,35 milhões de barris/dia para 2,41 milhões de barris/dia. Todavia, a queda de 2,7% do volume total de vendas dos derivados fez com que a Petrobras perdesse ainda mais participação no abastecimento para o mercado interno. Tal participação caiu de 76,2% em 2018 para 72,0% em 2019, uma expressiva queda de quatro pontos percentuais em apenas um ano. 

Considerando a segunda metade dos anos 2010, a perda de participação foi ainda maior (cerca de dez pontos percentuais), saindo de 82,9% em 2015 para os mesmos 72,0% de 2019. Nesse período, a produção de derivados se reduziu de 2,03 milhões de barris/dia para 1,74 milhões de barris/dia (uma queda de 14,2%). 

Isso evidencia que a redução do market share da Petrobras no mercado de derivados, fruto de sua política de preços alinhada com o preço paridade internacional (PPI) e da estratégia de subutilização das refinarias, possibilita a entrada de novos competidores (importadores) sem que essa concorrência tenha significado uma diminuição dos preços dos derivados. Isso é explicado pelo fato de todo o mercado estar “alinhado” ao preço de importação. 

Pelo lado do endividamento, os resultados do balanço devem reforçar a política em curso de acelerada desalavancagem (trajetória de redução da relação dívida líquida/LTM EBITDA). Com as receitas oriundas das vendas de ativos, a Petrobras deve adiantar o pagamento de dívidas junto aos seus credores, reduzindo o seu nível de endividamento, mas num montante menor do que nos trimestres passados em virtude dos gastos com bônus de assinatura de novas áreas de exploração. 

Os resultados operacionais e financeiros do balanço anual 2019 da Petrobras devem evidenciar a estratégia de desinvestimentos, que gera caixa no curto prazo, mas pode afetar as condições produtivas da empresa no médio e longo prazo. Todavia, cabe ressaltar que, para além da venda de ativos, os resultados positivos estão ancorados na descoberta do pré-sal e nos investimentos passados que visaram acelerar o desenvolvimento da produção dessa fronteira. 

Por isso, não há dúvidas de que as perspectivas na produção de petróleo devem garantir um futuro promissor à empresa, principalmente por conta do pré-sal, desde que permaneçam os investimentos na exploração e produção (E&P). Todavia, a concentração das atividades da estatal somente neste segmento traz riscos de longo prazo, principalmente numa eventual turbulência no mercado internacional que reduza bruscamente o preço do barril do petróleo. A atual desverticalização da empresa – que tende a se aprofundar em 2020 – pode comprometer a capacidade futura de geração de receitas tendo em vista a eliminação de várias atividades que poderiam “atenuar” eventuais dificuldades no setor de E&P.

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Um grande ato em frente ao edifício Torre Pituba, sede administrativa da Petrobrás na Bahia, marcou o 19º dia de greve nacional dos petroleiros.

Tão representativo quanto o movimento paredista da categoria, o ato em apoio à greve dos petroleiros e contra a sua criminalização reuniu muitos parlamentares e representantes de entidades sindicais, da juventude, das universidades, centrais sindicais e sociedade organizada. Além de petroleiros aposentados que vieram de várias cidades do interior da Bahia a exemplo de Feira de Santana, Serrinha, Catu, Alagoinhas, São Sebastião do Passé e São Francisco do Conde.

Todos queriam deixar claro o apoio aos petroleiros. “Vocês não podem ficar sozinhos em um momento tão importante como esse. Essa é uma greve estratégica para o destino da nação” afirmou a deputada estadual Olivia Santana (PCdoB) que comparou a greve dos petroleiros às grandes manifestações da década de 70 que já afirmavam que “o petróleo é nosso”.

A deputada Fátima Nunes (PT) conclamou: “vamos dizer sim a essa greve justa e necessária, vamos dizer sim à democracia e não ao fascismo”.

Para o deputado Hilton Coelho (PSOL) a greve dos petroleiros “é um raio de esperança na atual conjuntura. Parabéns pela coragem”, afirmou.

Já a Deputada Neusa Cadore (PT) definiu a movimento paredista como uma luta legitima que representa muito do enfrentamento que precisamos fazer. “O que a gente mais precisa nesse momento é dessa coragem, desse posicionamento, é ir para a luta”.

O também deputado Jacó (PT) parabenizou os petroleiros pela resistência. “Essa categoria tem todo o nosso apoio. Essa luta não é só de vocês, mas de toda a sociedade brasileira”.

“A greve dos petroleiros está crescendo, incomodando e ganhando cada vez mais solidariedade, apesar da imprensa tradicional só agora, depois de quase 20 dias, ter acordado para esse importante movimento”, ressaltou o Secretário de Desenvolvimento Urbano da Bahia, o deputado federal licenciado, Nelson Pelegrino, que lembrou outras grandes lutas da categoria petroleira como as greves de 1983 e 1995.

O deputado Robinson Almeida (PT) disse  que se identifica muito com a luta da categoria petroleira, afirmando que “o que acontece hoje no Brasil faz parte de um processo que tem um contexto  mais amplo que começou desde que o governo popular democrático descobriu o pré-sal e começou a transformar o Brasil em uma grande nação autônoma e soberana”.

O diretor de comunicação do Sindipetro Bahia, Radiovaldo Costa, enalteceu os petroleiros e petroleiras da ativa que, mais uma vez, estão escrevendo a sua história com muita dignidade, resistindo a todo tipo de assédio e pressão por parte da gestão da Petrobrás, assim como s aposentados. “A empresa ligou para vários petroleiros que se aposentaram recentemente oferecendo três mil reais por dia (liquido) para que substituíssem os grevistas. Eles disseram não e muitos bateram o telefone na cara de quem ligou. Essa foi a resposta que eles deram à Petrobrás. É por essas e outras que seguimos com força e grande orgulho de quem somos. Não somos criminosos, somos trabalhadores, somos petroleiros, apesar da justiça, a  mando da Petrobrás, estar tentando criminalizar o nosso movimento”.

Representatividade

Além dos parlamentares  citados e do ex-deputado federal, Luiz Alberto, participaram do ato representantes da CUT, CTB,  MAB, Astape, Abraspet, Sindprev, UNE, APUB,  SISPEC, SASB, SINDBEBE, ADUNEB, DCE da UNEB, Levante Popular da Juventude, Sinergia, Senge, Sindpec, Andes e Fórum Popular Sindical e da Juventude.

Greve

A greve segue forte na Bahia com a adesão de petroleiros e petroleiras da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), de 07 áreas de produção terrestre da UO-BA (Taquipe, Santiago, Araças, Miranga, Buracica, Candeias e Bálsamo), do Terminal de Madre de Deus, Usina de Biocombustíveis de Candeias (PBIO), do Terminal de Camaçari, Terminal de Candeias e Terminal de Catu. 

[Sindipetro Bahia]

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A greve da categoria petroleira, que entra em seu 18º dia, com 21 mil trabalhadores mobilizados em mais de 120 unidades do Sistema Petrobrás, continua.

A FUP e seus sindicatos, entre eles o Sindipetro Bahia, irão recorrer da decisão do juiz do Tribunal Superior  do Trabalho, Ives Gandra, que decretou a ilegalidade da greve dos petroleiros utilizando como fundamento o resultado de uma medida cautelar que a Petrobras ajuizou em seu favor. 

Durante todo o dia de hoje (18), diretores da Federação Única dos Petroleiros e assessores jurídicos das entidades sindicais estarão em Brasília percorrendo os gabinetes dos deputados e senadores, e também no próprio TST buscando uma interlocução política e jurídica para que o movimento paredista da categoria seja resolvido da forma correta, dentro da legalidade, pois desde o seu inicio a greve vem sendo realizada dentro da Lei. Portanto é um movimento legítimo e constitucional.

Na quarta-feira, 19/02, durante todo o dia, acontece o Conselho Deliberativo (CD) da FUP, no Rio de Janeiro, quando representantes dos 13 sindicatos filiados à Federação estarão reunidos, representando a categoria petroleira de cada estado. No CD será feita uma avaliação da greve, da decisão do ministro Ives Gandra, analisando cada cenário. As assessorias jurídicas dos sindicatos e da FUP também darão o seu parecer. Ainda na quarta-feira, a FUP divulgará para a categoria o indicativo do Conselheiro Deliberativo.

Enquanto isso, vamos permanecer unidos e confiantes, pois desde seu inicio a greve dos petroleiros tem se pautado conforme a Lei, sendo, portanto, legal e legitima.

A FUP e os Sindipetros não concordam com a medida tomada pelo juiz Ives Gandra e não entendem o motivo pelo qual o ministro retirou de pauta o julgamento da greve que estava marcado para ser feito na segunda (17) pela turma de ministros do Tribunal, para, em seguida, emitir uma decisão monocrática em favor da Petrobrás.

A greve continua e convocamos toda a categoria – trabalhadores da ativa, aposentados, pensionistas, terceirizados – a comparecer ao ato que será realizado nessa quarta-feira (19), às 7h, em frente ao edifício Torre Pituba. Levem suas famílias e vamos mostrar a força dos petroleiros e petroleiras.

Nesse momento, a categoria deve se manter unida e calma, acompanhando as informações divulgadas pela FUP e o Sindipetro Bahia. Acesse os sites e redes sociais dessas entidades sindicais. Fique ligado e siga as orientações da FUP e Sindipetro. Não dê ouvidos à direção da Petrobrás, pois só a categoria e seus órgãos representativos podem ditar os próximos passos do movimento.

Fonte – Sindipetro Bahia (com informações da FUP)

 

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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