O ministro relator Edson Fachin votou a favor da medida cautelar na Reclamação 42576 , que proíbe a criação de subsidiárias da Petrobrás, como manobra para vender ativos. Os demais ministros do STF têm até o dia 25 para votar. FUP e sindicatos convocam a categoria a pemanecer mobilizada 

Os petroleiros conseguiram dar um importante passo para evitar que a Petrobras seja privatizada sem licitação e sem autorização do Congresso Nacional, como quer o presidente da empresa, Roberto Castelo Branco.  Nesta sexta-feira, 18, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) deu início ao julgamento de reclamação feita pelo Senado e pela Câmara Federal, questionando a legalidade do fatiamento da Petrobrás em subsidiárias para facilitar o processo de privatização, o ministro Edson Fachin, se posicionou contrário à manobra da direção da estatal.

Relator do processo sobre o pedido das mesas do Congresso Nacional, Fachin citou em voto que o refino do petróleo é monopólio da União e por isso precisa do controle legislativo, mesmo ao ser exercido por terceiros. Na Petrobrás, uma empresa pública de economia mista, o refino é atividade legalmente autorizada para a empresa-matriz. Portanto, a atividade não pode ser desmembrada em subsidiárias, sobretudo para fins de alienação.

Na reclamação feita ao STF, as mesas do Senado e da Câmara pedem que sejam imediatamente paralisadas as privatizações das refinarias da Petrobrás ante o desvio de finalidade que transforma as plantas em subsidiárias com o único intuito de vendê-las sem autorização legislativa.

O pedido foi feito em atendimento à denúncia da FUP durante a greve de fevereiro deste ano, quando dirigentes da Federação se reuniram com os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, David Alcolumbre (foto abaixo), para cobrar providências contra as manobras da direção da Petrobrás para vender ativos, burlando a decisão do próprio STF, que no ano passado determinou que a venda da empresa estatal mãe (matriz) só pode ser feita mediante lei aprovada pelo Congresso.

O julgamento da medida cautelar na Reclamação 42576 no STF está sendo feito em sessão virtual, onde os demais ministros do Tribunal têm até dia 25 para apresentar seus votos. Nesta data, a FUP e seus sindicatos irão realizar uma série de atividades e atos nas bases operacionais e nas redes sociais para que o STF atue em defesa da Petrobras.

 “Entendemos que essas privatizações são ilegais e estão sendo feitas à revelia do STF. Esperamos que os demais ministros sigam o voto do relator, mas, para isso, precisamos continuar pressionando”, ressalta o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.  

#PETROBRÁSFICA

Para sensibilizar o STF e a população, a FUP e seus sindicatos promoveu nesta tarde o tuitaço #PetrobrásFica, com apoio da CUT e de diversos movimentos sociais e sindicais.

Na noite de quinta-feira (17/9), quando a Rlam (BA) completou 70 anos, os petroleiros da FUP promoveram o ato virtual #PetrobrásFica, com projeções de imagens da campanha no edifício-sede da empresa (Edise), no Rio de Janeiro.

Pela manhã, a categoria realizou o ato “RLAM 70 anos: história, luta e resistência”, em frente à entrada principal da unidade, em São Francisco do Conde. A Rlam é a primeira refinaria que integrou o Sistema Petrobrás e também a primeira da lista de oito unidades que a gestão Castello Branco quer privatizar.

A campanha Petrobras Fica já foi lançada em seis estados: Amazonas, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Por meio de vídeos, parlamentares e artistas defendem a manutenção da empresa nos estados

Simultaneamente, a FUP e seus 13 sindicatos também lançaram nas redes sociais a campanha “7 razões para a Petrobrás não vender refinarias”, para mostrar à população os riscos associados à privatização dessas unidades

A ideia é pressionar os vereadores, prefeitos, governadores, deputados estaduais e federais para que se engajem na luta contra a venda da estatal e a retirada dos investimentos nas regiões onde atua, já que o projeto da gestão Bolsonarista é de que a Petrobrá permaneça com suas atividades apenas no eixo Rio-São Paulo.

Participe das mobilizações nas redes sociais, usando a hastag #PetrobrásFica

[FUP, com informações da CUT e da Advocacia Garcez]

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Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas participa da iniciativa inédita que reunirá no dia 07 de outubro representantes de vários países 

[Do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas]

Um encontro internacional inédito, reunindo representantes de trabalhadores em empresas e serviços públicos para se opor à privatização e valorizar estas categorias - em especial neste período de pandemia que assola o planeta - será realizado de forma virtual no próximo 7 de outubro com a participação do Brasil.

A data foi definida durante reunião do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas realizada no último dia 16, com a presença de entidades nacionais e internacionais, entre as quais sindicatos, centrais, UNI Américas (integrante da Uni Global Union, que engloba categorias profissionais de 140 países) e a ISP, a Internacional de Serviços Públicos.

O encontro será transmitido via Facebook, possivelmente de forma cruzada para atender aos vários públicos, e detalhes estão sendo ajustados. A divulgação, porém, já foi iniciada a partir da central sindical das Américas e federações internacionais.

Com o título em espanhol Lo público en manos públicas: en defensa de los empleos, las empresas y los servicios públicos de calidad´´ (ou em tradução literal ´O público em mãos públicas – em defesa dos empregos, empresas e serviços públicos de qualidade´), a atividade trará em pauta discussões como a do trabalho decente, acesso universal a bens e serviços públicos; Estado democrático; orçamento público a serviço da sociedade e da justiça fiscal e, claro, o debate sobre a privatização.

“É o primeiro evento nesse formato que realizamos no Brasil, inédito também para os sindicatos mundiais, e com certeza será um primeiro passo de grande importância para a defesa das empresas e serviços públicos”, afirma a coordenadora do comitê, Rita Serrano, que também representa os empregados da Caixa no Conselho de Administração do banco.

Para participar do encontro internacional, que tem horário de início previsto para as 11h, será necessário fazer inscrição prévia, pois o número é limitado e preferencial a representantes de entidades sindicais, movimentos sociais e fóruns de defesa do patrimônio e serviço público.

Outras entidades internacionais participantes são: IndustriALL Global Union (de trabalhadores em mineração, energia e manufatura); ITF - Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes ; ICM - Internacional dos Trabalhadores da Construção e Madeira; IE - Internacional da Educação e CSA, a Confederação Sindical das Américas.

Mais – Outras atividades em defesa das empresas e serviços públicos também foram apresentadas durante o encontro desta quarta do comitê, assim como se discutiu a situação dos Correios, cujos trabalhadores seguem em greve, da Petrobras, e de ações na esfera jurídica para tentar barrar os processos privatistas desejados pelo governo Bolsonaro. A agenda dos próximos días inclui a live “Qual o futuro dos bancos públicos? (23/09); ato em defesa da Caixa promovido por frentes parlamentares (23/09); seminário “As privatizações, a desnacionalização do patrimonio e das riquezas nacionais” (24/09) e ato em defesa da Petrobras (03/10). Em breve serão divulgados nas mídias do comitê os detalhes de todas estas atividades, fique atento!

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Deputados do PT apresentam PL que criminaliza venda das estatais sem aval do Congresso para evitar manobra do governo e FUP lança campanha “Petrobras Fica” para impedir saída da estatal de 13 estados. "É algo similar ao ‘Petróleo é Nosso’ da década de 1950 quando toda a sociedade brasileira se envolveu na defesa do patrimônio público", explica o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar. A campanha também espera sensibilizar o STF que tem julgamento marcado para a esta sexta-feira (18) sobre as privatizações das refinarias e terminais da Petrobras. O julgamento atende ao pedido das mesas do Senado Federal e do Congresso Nacional, protocolado em julho, para impedir a venda de refinarias da Petrobras, sem aprovação prévia do Legislativo.

[Do portal da CUT]

No governo sem proposta, sem planejamento e com gestão incompetente e conturbada de Jair Bolsonaro (ex-PSL), os únicos projetos que existem são a retirada de direitos da classe trabalhadora e a privatização das estatais. A sanha privatista foi contida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu  que as estatais do país só podem ser vendidas após aprovação do Congresso Nacional. Mas, a equipe econômica comandada pelo banqueiro Paulo Guedes manobra para burlar a decisão dos ministros da mais alta Corte do país.

A brecha encontrada pelo governo foi colocar à venda as subsidiárias das estatais já que o STF decidiu proibir a venda da matriz, a empresa mãe, mas não suas subsidiárias. A falcatrua consiste em criar novas subsidiárias passando a elas o controle de alguns ativos da empresa mãe, que não poderiam ser vendidos, e vender as subsidiárias recém- criadas.

É o caso da Caixa Econômica Federal (CEF). Para vender a Caixa Seguridade responsável por 20% dos lucros do banco, Bolsonaro enviou ao Congresso Nacional, no mês de agosto, a Medida Provisória (MP) n º 995 autorizando que subsidiárias do banco e as sociedades constituídas por elas constituam outras subsidiárias e adquiriram controle societário ou participação societária minoritária em sociedades empresariais privadas. A MP agiliza a venda da Caixa.

Os parlamentares do Centrão que apoiam o governo Bolsonaro em troca de cargos de liberação de verbas de emendas, nem precisam votar a MP 955, pois mesmo que ela caduque após o prazo de validade, as subsidiárias recém-criadas já podem ter sido vendidas, avalia a deputada Érika Kokay (PT/DF).

Para ela, a atitude covarde de parte do Parlamento vai retirar das mãos do país a possibilidade de reconstrução nacional pós- pandemia, já que a Covid 19 mostrou que mais do que nunca precisamos de estatais como a Caixa responsável pelo pagamento do auxílio emergencial, o que nenhum banco privado teria competência para realizar.

Não votar a MP 995 é uma estratégia covarde de parte do Parlamento, que se esconde através de um artifício do governo e vende o seu voto em benefício próprio
- Érika Kokay

Na avaliação da parlamentar, como a MP tem validade até dezembro deste ano, mesmo que o Congresso a rejeite, o estrago estará feito. E como resposta a mais esta tentativa de Bolsonaro de burlar a lei, Kokay apresentou junto com o deputado Frei Anastacio Ribeiro (PT-PB), o Projeto de Lei 4269/20 que tipifica o crime de desestatizar empresas públicas ou sociedades de economia mista sem autorização legislativa, reformula a dispensa de licitação para empresas estatais e regula operações com carteiras de instituições financeiras federais. 

A pena prevista é reclusão de 10 a 16 anos e multa de 1% a 20% do faturamento bruto da empresa pública ou da sociedade de economia mista afetada no exercício anterior à ocorrência do crime.

“O projeto é uma resposta à tentativa covarde e fraudulenta deste governo que quer entregar o Brasil ao capital estrangeiro e aos parlamentares que não querem colocar a cara para o povo ver. É preciso que se pressione o Congresso Nacional, que é suscetível à pressão popular, para que esta Medida Provisória caia antes de completar seus 120 dias de prazo e o governo seja impedido de realizar esta manobra clandestina”, afirma a deputada.

E é para fazer pressão popular que a Federação Única dos Petroleiros (FUP) lançou a campanha “Petrobras fica”. A ideia é pressionar os vereadores, prefeitos, governadores, deputados estaduais e federais das localidades de 13 estados em que estão instaladas unidades da Petrobras, para impedir que a estatal seja vendida, e permaneça com suas atividades apenas no eixo Rio-São Paulo como quer o governo Bolsonaro.

A campanha ‘”Petrobras fica” já foi lançada em seis estados: Amazonas, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Por meio de vídeos, parlamentares e artistas defendem a manutenção da empresa nos estados. 

“Estamos demonstrando como é importante economicamente para esses estados, manter a Petrobras. Tanto que estamos recebendo apoio de diversos políticos e autoridades, da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras, do Congresso e, inclusive, dos não progressistas”, diz o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar.

Nossa campanha é algo similar ao ‘Petróleo é Nosso’ da década de 1950 quando toda a sociedade brasileira se envolveu na defesa do patrimônio público
- Deyvid Bacelar

Segundo ele, a campanha também espera sensibilizar o STF que tem julgamento marcado para a próxima sexta-feira (18) sobre as privatizações das refinarias e terminais da Petrobras. O julgamento atende ao pedido das mesas do Senado Federal e do Congresso Nacional, protocolado em julho, para impedir a venda de refinarias da Petrobras, sem aprovação prévia do Legislativo.

Um mapeamento da agência de notícias especializada em petróleo, EPBR, atualizado em agosto deste ano, e divulgado pelo jornal ‘O Estado de São Paulo’, mostra que ao todo existem 164 áreas de produção de petróleo e gás da Petrobras sendo vendidas em todo o Brasil. Desse total, 148 áreas estão localizadas fora do eixo Rio-São Paulo. A empresa também está se desfazendo de infraestrutura logística, usinas térmicas, eólicas e de biocombustíveis, fábricas de fertilizantes e terminais de importação de gás natural líquido.

A preocupação com a saída da Petrobras dos estados vai além da possibilidade de desemprego, já que a FUP conquistou dois anos de estabilidade para os petroleiros no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) aprovado pela categoria.

"Com o processo de privatização esses trabalhadores passam a sofrer instabilidade pessoal e profissional. Poderão sair em processos de aposentadorias, transferidos para unidades que ainda pertencem a Petrobras em outros estados ou sair e ir para a empresa que adquirir o ativo. A família deste trabalhador passa a conviver com uma instabilidade muito grande", afirma o técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômicos (Dieese) / subseção FUP, Cloviomar Cararine.

A Petrobras tem nos 13 estados em que pode deixar de atuar mais de 11 mil trabalhadores e trabalhadoras próprios como mostra o quadro abaixo

Dieese/ FUP

Fonte: DIEESE/ FUP

Apesar da não demissão dos seus trabalhadores, a saída da Petrobras provocará um imenso impacto nas economias das cidades onde ela está instalada. Somente na cidade de Araucária (PR), onde a Araucária Nitronegados (Ansa), foi fechada em fevereiro, estima-se que deixaram de circular na cidade cerca de R$ 40 milhões no semestre, com o desemprego de trabalhadores das empresas de fertilizantes e de adubos, que viviam no entorno da Ansa.

Outra preocupação tanto dos trabalhadores quanto das autoridades dos estados é em relação às dívidas que a Petrobras tem nesses locais. Somente a dívida ambiental com a cidade de Araucária é de R$ 2 bilhões, depois que houve um vazamento de óleo cru nos rios Barigui e Iguaçu, em 2000. Após 20 anos, a dívida ainda não foi paga.

“A Petrobras se retira do local e não paga os passivos ambientais e outras dívidas. Dificilmente o investidor que comprar vai querer arcar com esta conta”, finaliza Deyvid Bacelar.

[Reportagem de Rosely Rocha | Edição: Marize Muniz]

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Nesta quarta-feira, dia 16 de setembro, a Refap completa 52 anos. Inaugurada em 1968, traz o nome do político gaúcho Alberto Pasqualine, senador e relator do projeto de criação da Petrobrás e defensor do monopólio do petróleo pela estatal brasileira.

RETROCESSO

O que estamos vendo, neste momento em que a Refap completa 52 anos, é um retrocesso aos anos 60. Nesta época, o RS não figurava entre os estados a serem contemplados com refinaria. Havia uma política centrada em RJ, SP e MG. Foi só em 1961 que o então governador Leonel Brizola (governador entre 1959/1963) saiu a campo e depois de enfrentar várias resistências, desapropriou a fazendo onde hoje é a Refap. A instalação da Refap (no RS) e Gabriel Passos (em MG) significou a consolidação da Petrobrás e da indústria do petróleo no Brasil, o que, àquela época, já incomodou setores contrários, liderado por interesses internacionais.

A RESISTÊNCIA SE IMPÕE

A mesma resistência que foi necessária para trazer a Refap para o RS se impõe hoje para manter a refinaria estatal. Só que hoje, o governo luta para privatizar a unidade e a resistência tem que vir dos trabalhadores e da sociedade.

A Refap representou e representa muito para o desenvolvimento do RS. Não podemos aceitar que esta história seja destruída, para atender interesses de grupos privados. Depois de 52 anos, a luta se faz ainda necessária e ela é, hoje, de cada petroleiro e petroleira. 

[Via Sindipetro-RS]

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No dia 17 de setembro de 2020, a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), localizada no município de São Francisco do Conde, na Bahia, completa 70 anos. Para comemorar essa data, a diretoria do Sindipetro Bahia realizará um ato, a partir das 7h dessa quinta-feira, em frente ao acesso principal à Rlam (próximo ao portão 3), utilizando máscaras e respeitando o distanciamento físico entre as pessoas devido à pandemia da Covid-19.

A homenagem à Rlam será feita através de seus trabalhadores e trabalhadoras que ao longo dessas 7 décadas ajudaram a construir essa que hoje é a segunda maior refinaria do país em capacidade de processamento.

Um bolo de 2 metros de comprimento está sendo confeccionado para marcar a data e cantar parabéns para a Rlam. Para o ato, foram convidadas diversas entidades sindicais, centrais de trabalhadores, a exemplo da CUT, assim como parlamentares e representantes de movimentos sociais e da juventude.

Há cerca de um mês, o Sindipetro lançou a campanha “Rlam 70 anos, História, Luta e Resistência” com atos e um plano de mídia, que incluiu anúncios em outdoors, rádios e sites de notícias. A mobilização dessa quinta-feira fecha o ciclo dessa comemoração e dá continuidade a outro ciclo, o da luta em defesa da Rlam, da Petrobrás e da soberania nacional.

Venda ilegal

Ao entrar em operação em 1950, a Rlam era um dos símbolos do sonho de um povo que buscava uma nação independente em energia.

A Refinaria de Mataripe – como é conhecida- nasceu antes mesmo da Petrobrás, cuja lei que levou à sua criação foi sancionada pelo presidente Getúlio Vargas em 03 de outubro de 1953, dando à Petróleo Brasileiro S.A as atribuições de pesquisa, exploração, refino, transporte e sistema de dutos.

Incorporada à Petrobras, a Rlam faz parte do capital social da estatal, portanto, não sendo uma subsidiária não poderia ter sido colocada à venda pelo governo Bolsonaro sem autorização do Congresso Nacional.

Mas após 70 anos de operação e contribuição efetiva para o crescimento e desenvolvimento industrial da Bahia, a Rlam está prestes a ser vendida para um conglomerado dos Emirados Árabes, mesmo de forma ilegal.

Portanto, a comemoração dos 70 anos da Rlam é também um grito de socorro e um convite para que a sociedade baiana se junte à luta em defesa dessa grande refinaria, cuja operação possibilitou o desenvolvimento do primeiro complexo petroquímico planejado do país e maior complexo industrial do Hemisfério Sul, o Polo Petroquímico de Camaçari. Além de ter contribuído para o desenvolvimento tecnológico, geração de empregos e renda para a Bahia.

Resistência

A Refinaria Landulpho Alves é também conhecida pela capacidade de luta de seus trabalhadores e trabalhadoras. A Rlam já foi palco de muitas mobilizações e greves como a realizada em 1983, em plena ditadura militar.

Na época, os petroleiros e petroleiras cruzaram os braços para lutar contra o arrocho salarial, a manipulação do INPC, o Decreto-lei nº 2.036 e contra o acordo com o FMI.

Desafiando a Lei de Segurança Nacional, do regime militar, o movimento dos petroleiros (Rlam e Replan) foi o ponto de partida da primeira greve geral do país desde o golpe de 1964, abrindo caminho para a criação da Central Única dos Trabalhadores.

Em razão da postura e capacidade de luta dos trabalhadores da Rlam, há um trevo no acesso principal à refinaria que foi batizado de Trevo da Resistência.

[Via Sindipetro Bahia]

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Em artigo publicado originalmente na ‘Carta Capital’, o senador Jean Paul Prates, presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobrás, denuncia a atuação direção da estatal: “Estão fazendo letra morta à conquista da autossuficiência em petróleo”. Leia a íntegra:

Por Jean Paul Prates (PT/RN)

A decisão da atual direção da Petrobras de concentrar as operações no pré-sal é um risco para a maioria dos estados, para os interesses estratégicos do País e para a própria empresa. À exceção do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde se concentram as operações de extração de petróleo mais relevantes, esse plano da companhia significa um impacto brutal sobre a economia dos estados, notadamente do Norte e do Nordeste, de onde a empresa pretende se retirar. Para o País, significa tornar letra morta todo o esforço para a conquista da autossuficiência em petróleo, que não é um título para pendurar na parede, mas uma condição essencial à soberania energética.

Para a empresa, redunda no risco permanente de se circunscrever a apenas um tipo de operação (o offshore), um tipo de ambiente (as águas profundas) e em uma única formação geológica (o pré-sal). É uma estratégia perigosa para uma petroleira e um movimento imprudente para uma empresa que tem o que tantas outras almejam, a diversidade de frentes de atuação.

Para exemplificar o impacto da estratégia da Petrobras nas economias regionais, cito o caso do meu estado, o Rio Grande do Norte, onde a cadeia produtiva do petróleo e gás representa atualmente 45% do Produto Interno Bruto industrial, mesmo com a desaceleração das atividades da estatal.

A missão da Petrobras é abastecer o Brasil, é chegar aonde for necessário – não apenas onde esteja o lucro. Deixar a maior parte do País desassistida é um atentado contra essa missão, que está estabelecida em lei

A especificidade dos processos necessários à operação no sertão e no semiárido exige um grau de sofisticação tecnológica que não está ao alcance de qualquer empreendedor do ramo petrolífero. Cito as operações em Alto do Rodrigues, um dos quatro municípios que mais arrecadam royalties com a extração do petróleo no Rio Grande do Norte. Mas isso requer um modelo de extração com características muito específicas, com injeção de vapor para aquecer o óleo endurecido.

Este é apenas um caso comprovador de que o vácuo criado com a retirada da Petrobras não será preenchido com a entrada de empresas privadas, pois a maioria delas não tem capacidade tecnológica para fazer frente a esses desafios. A petroleira, hoje, ainda transita em diversos ambientes operacionais. Atua na selva, no sertão, em águas rasas, no xisto betuminoso e poderia estar atuando no gás de xisto. Está baseada na Amazônia, no Nordeste, no Sudeste e no Sul. Pode perfeitamente continuar a distribuir suas­ atividades, sem prejuízo da capacidade de concentrar mais investimentos na fatia mais lucrativa, que é o pré-sal.

A ideia de concentrar a atuação da Petrobras no Sudeste e no pré-sal baseia-se na concepção equivocada de que a empresa deve atender, primordialmente, seus acionistas, como se não fosse ela uma estatal e uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento do País. Estatais são construídas com o esforço de gerações de um povo para cumprir missões essenciais. A missão da Petrobras é abastecer o Brasil, é chegar aonde for necessário – não apenas onde esteja o lucro. Deixar a maior parte do País desassistida é um atentado contra essa missão, que está estabelecida em lei.

É atirar a vasta maioria do território nacional ao risco permanente de crises agudas de abastecimento, à mercê das oscilações do mercado internacional, sobre as quais não temos controle.

Tomemos como exemplo três refinarias que estão à venda, a Landulpho Alves, na Bahia, a Abreu e Lima, em Pernambuco, e a Isaac Sabbá, no Amazonas.

A Refinaria Landulpho Alves é a principal fornecedora do Polo Petroquímico de Camaçari. A Refinaria Abreu e Lima é a grande fornecedora de diesel para o Nordeste. A Refinaria de Manaus é responsável pelo abastecimento de combustíveis em grande parte da Região Norte.

Privatizadas essas refinarias, em um processo no qual não se faz qualquer exigência aos compradores, quem garante que elas continuarão a suprir esses mercados e a dar suas contribuições às economias locais?

Os novos donos terão carta-branca para produzir como e para quem quiser. Ou até mesmo para fechar essas plantas, o que seria excelente para os importadores de combustíveis e uma tragédia para o Brasil.

Também não custa lembrar que, sem uma Petrobras nacional, o Brasil perde a capacidade de fazer política de preços voltada para a estabilidade interna, como ocorria nos governos do PT, dando um mínimo de segurança ao setor produtivo, que depende dos preços do frete e de petroquímicos, entre outros.

São riscos graves assumidos pelo governo Bolsonaro e pela atual direção da Petrobras. O liberalismo gosta da ousadia de “matar no peito”. Mas não cabe a um governo, que vai passar, nem a executivos que, circunstancialmente, assumam a gestão de um patrimônio público da magnitude da Petrobras uma decisão desse quilate. Instrumentos para a construção do futuro não devem servir de adereços em aventuras. Por isso defendo a obrigatoriedade de uma autorização do Congresso para a venda de ativos da Petrobras e outras estatais. Minha defesa do patrimônio público não desconhece a contribuição do setor privado ao desenvolvimento do Brasil. Trabalhei como consultor e fui coautor técnico da Lei 9478/97, que regulou a entrada de investidores privados no setor de petróleo. Mas é exatamente por estudar e apoiar essa presença privada no setor que alerto para suas limitações e para sua estranheza à missão estratégica da estatal.

O papel da Petrobras não cabe em uma planilha.

[Artigo publicado originalmente na revista Carta Capital / Foto: Fernando Brazão/Agência Brasil]

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Apesar do lucro de mais de R$ 600 milhões no primeiro semestre, Correios se negam a negociar com os sindicatos. Os trabalhadores mantêm greve e fará manifestações na quinta, dia 17, quando completa um mês de paralisação. Julgamento no TST será dia 21. A luta da categoria por direitos e soberania é também a luta dos petroleiros e petroleiras. Somos todos trabalhadores dos Correios!

#euapoioagrevedoscorreios

[Do portal da CUT]

Os Correios tiveram lucro líquido de R$ 614 milhões no primeiro semestre de 2020 e até o final do ano com as entregas de Natal e outras encomendas, a previsão é que chegue a R$ 1,5 bilhão.  Apesar deste imenso lucro, o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) insiste na privatização de um dos serviços mais importantes para a população brasileira, especialmente para os moradores de pequenos municípios, distantes das metrópoles sem acessos a serviços bancários, à internet e outros meios de comunicação.

Para defender o direto da população a essas políticas públicas, em defesa da soberania nacional e da manutenção dos direitos dos 100 mil trabalhadores e das trabalhadoras dos Correios, que ganham em média de R$ 1.700,00 a R$ 1.900,00 mensais, que quase 70% da categoria estão em greve desde o dia 17 de agosto.

Sem aceitar as negociações feitas pela ministra Kátia Arruda, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), a direção dos Correios demonstra mais uma vez que quer privatizar a empresa a qualquer custo, acredita Amanda Corsino, secretária da Mulher da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) e presidenta do sindicato da categoria, em Brasília.

“Esta greve não é só dos trabalhadores dos Correios, ela é do conjunto da classe trabalhadora que sabe que o governo tem a intenção fazer da estatal uma das primeiras a serem privatizadas. Se isso acontecer vai se abrir uma nova era de privatizações no nosso país, por isso nós temos que lutar e resistir contra a privatização dos Correios para evitar também o desmonte das outras empresas públicas”, declara Amanda.

Por entender este contexto que entidades, sindicatos e parlamentares se uniram na última sexta-feira (11) num Dia Nacional de Luta em Defesa dos Correios e de Apoio à Greve dos Trabalhadores. Na mesma data ocorria  a audiência de conciliação promovida pelo TST, mas a direção da empresa se recusou a negociar qualquer cláusula e as propostas da ministra Kátia Arruda. 

Na audiência de conciliação, conta Amanda Corsino, a ministra tentou várias vezes negociar. Primeiro sugeriu que houvesse um acordo em torno das cláusulas sociais, entre elas o direito das mulheres amamentarem seus filhos duas vezes ao dia e manter políticas contra o assédio moral e sexual, entre outras. A empresa se recusou. Kátia Arruda então perguntou se os Correios não poderiam aceitar manter os direitos conquistados anteriormente, sem reajustes salariais. Diante na nova negativa, sugeriu que apenas as cláusulas econômicas fossem a julgamento. Mais uma vez a direção se negou a ceder em favor dos trabalhadores. Diante do impasse, a ministra marcou o julgamento da greve para a próxima segunda-feira (21).

“A empresa de prontidão respondeu que não tinha acordo, que a proposta dela era manter apenas nove cláusulas, retirando 70 itens de acordos coletivos anteriores e que iria seguir a legislação vigente. Isto de certa forma chocou a ministra que afirmou que seguir a legislação trabalhista é obrigação, não concessão de direitos”, afirma Amanda.

Atos dia 17/09 em defesa dos Correios

Segundo a dirigente, o fracasso da audiência de conciliação demonstra que é preciso fortalecer a greve da categoria. Para isso serão realizados atos unificados nos estados e no Distrito Federal, na próxima quinta-feira (17).

A ideia é preparar os trabalhadores para o julgamento dia 21. Cada estado está organizando seu ato. Em Brasília será realizada uma manifestação em frente ao Ministério das Comunicações, já que o ministro da Pasta, Fábio Faria tem, segundo a dirigente, afirmado que está ali para comandar a privatização a pedido de Bolsonaro e para isto vai apresentar ao Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) um modelo de privatização. Se aprovada, a proposta seguirá para o Congresso Nacional.

Diante desses ataques, a secretária da Fentect diz que está pedindo um reforço de apoio da CUT, demais centrais e outras entidades que possam participar dos atos da próxima quinta-feira, de preparação para o julgamento do dia 21, que deverá levar a Brasília caravanas de trabalhadores de diversos  estados.

Defender os Correios é defender a soberania nacional

A defesa da soberania nacional e do papel importante para a sociedade dos Correios são pontuados pelo secretário de comunicação da Fentect, Emerson Marinho. Segundo ele, os Correios são uma empresa superavitária e tem condições de construir a integração nacional por estar presente em todas as cidades do país.

“Não foi à toa que a empresa foi escolhida pelo próprio governo para ser o operador logístico no pagamento do auxílio emergencial. Se não fosse isso, as pessoas excluídas digitalmente não teriam condições de receber o beneficio”, diz Marinho. 

Além deste apoio logístico, os Correios são responsáveis pela entrega dos livros que serão utilizados pelos estudantes do ensino básico de escolas públicas municipais e estaduais de todo o país, e é a única empresa que mesmo não obtendo lucro com a entrega de encomendas e correspondências nas cidades longínquas do sertão e ribeirinhas, é capaz de prestar este tipo de serviço.

A empresa também emite documentos, transporta as urnas de votação eletrônicas nas eleições, e ainda tem a função de correspondente bancário, garantindo o pagamento de pensões e aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em locais em que não há nenhuma agência bancária. 

“Os Correios fomentam a economia dos municípios sem agências bancárias, porque as pessoas tendem a fazer compras no mesmo local que recebem o benefício. Quando o morador não precisa sair, ele consome na sua própria cidade. E como nenhuma empresa privada vai querer atuar numa área em que não terá lucro, a economia desses locais estará em risco.

Maioria dos países tem serviço postal público

De 270 países, apenas oito têm os serviços dos Correios privatizados, sendo que Portugal e Alemanha começaram a discutir a reestatização do serviço, que após ser privatizado ficou caro e ruim. A Argentina fez o mesmo processo no governo peronista de Cristina Kirchner , que reestatizou o serviço após queixas da população.

Até mesmo os Estados Unidos mantêm o serviço postal, o United States Postal Service (USPS), estatizado com 600 mil trabalhadores . Lá grandes empresas como Fedex e DHL atuam na área de encomendas, sem concorrer em outros serviços prestados pela estatal, como o pagamento do cheque do seguro-desemprego, que pode ser descontado nas agências dos correios.  

O serviço é considerado tão estratégico que o Congresso dos Estados Unidos irá votar um projeto de financiamento de US$ 25 bilhões, já que boa parte da população deverá votar pelos correios nas próximas eleições presidenciais, por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid 19).

“Enquanto países neoliberais que pregam a livre concorrência mantêm como estatais empresas estratégicas, o Brasil vai na contramão com Bolsonaro, que quer privatizar uma empresa que não tem nenhuma dependência financeira da União”, critica Emerson Marinho.

[Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil]

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De um catálogo de 9.800 itens que a estatal se desfez desde junho, 980 já possuem pedidos de compra emitidos e 1162 estão em análise para serem adquiridos novamente, afirma reportagem do Sindipetro Unificado SP, que teve acesso exclusivo a dados internos da Petrobrás por meio de uma fonte que preferiu não ser identificada.

[Por Guilherme Weimann, da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

No início do mês de setembro, um caminhão saiu carregado da Usina Termelétrica (UTE) Luiz Carlos Prestes, em Três Lagoas (MS). Por R$ 9 mil, quem estava na sua boleia comprou como sucata uma série de materiais que até então faziam parte do estoque da unidade, pertencente à Petrobrás.

Apenas uma das peças, entretanto, possuía valor aproximado superior ao que foi pago por todos os produtos. Pedro*, trabalhador da UTE, conta à reportagem que flagrou uma válvula de controle pneumática nova, embalada na caixa, também dispensada como reciclável. O equipamento custa entre R$ 12 mil e R$ 15 mil e possui aplicabilidade industrial.

Apesar da falta de sentido econômico à primeira vista, essa é uma cena recorrente e faz parte de uma política deliberada da petroleira em relação aos seus estoques de materiais – consumíveis, sobressalentes e direcionados à manutenção e engenharia.

De acordo José*, trabalhador atuante nos processos de alienação, existe um histórico de ineficiência na aquisição e na venda de materiais. Ele afirma que o mau planejamento, a lentidão, a gestão de estoques centralizada e as mudanças abruptas de projetos são alguns dos fatores que elevam os estoques da companhia.

“O escopo de trabalho muitas vezes é volátil, variando subjetivamente de acordo com as mudanças gerenciais. Os processos de compra são lentos, mal executados e os materiais demoram para chegar. A alienação é o final da cadeia, o gargalo do ciclo, mas não é ela que origina o problema”, explica.

Mesmo não sendo responsável pelo início desse ciclo vicioso, o processo de alienação de bens evidencia o descaso e a má gestão. “Toda empresa faz alienação de materiais. Mas o que elas costumam vender? Coisas que não usam mais, que estão deterioradas. Já na Petrobrás, praticamente o único critério que está sendo levado em conta é o preço”, afirma.

A maioria das empresas mantém uma estratégia redução de estoque, já que ele se traduz em capital imobilizado e sem liquidez, ou seja, em recursos financeiros sem possibilidade de uso imediato para investimentos, aquisições ou transações financeiras com rentabilidade. Por isso, é preferível, do ponto de vista econômico, minimizar os estoques – mesmo que, muitas vezes, isso seja feito em detrimento da segurança operacional.

Mas esse processo não se dá de forma conectada e planejada na Petrobrás. Para alcançar as metas estabelecidas, a gerência orienta a alienação dos materiais com o maior custo unitário, sem uma avaliação precisa de quando poderiam ser utilizados e de seus níveis de deterioração. Fatores como o potencial de uso, a atratividade de mercado e a obsolescência acabam sendo desprezados na formulação da lista de materiais a serem vendidos.

“Se a meta é vender R$ 1 milhão, ao invés de venderem mil produtos de R$ 1 mil, eles escolhem dois de R$ 500 mil para não terem o trabalho de análise e, com isso, baterem a meta de alienação no período estipulado”, exemplifica.

Dados internos da companhia, que a reportagem teve acesso exclusivo por meio de uma fonte que preferiu não ser identificada, mostram que foram alienados 9.800 tipos de materiais desde o dia 1º de junho – todos novos ou em condições de utilização –, já descontados os itens deteriorados ou com prazo de validade excedidos.

Dos 9.800 diferentes materiais alienados desde junho, os relatórios apontam que 980 já possuem pedidos de compra emitidos e outros 1162 estão em processo de aquisição. “Isso comprova que a Petrobrás não aplica o critério de potencial de utilização e está recomprando por preços atualizados os mesmos materiais que vendeu por preços simbólicos, o que tem gerado prejuízo sistêmico bilionário para a companhia”, indigna-se José.

Sucateamento e desnacionalização

Esse desperdício não ocorre apenas pela falta de diálogo e controle entre os vários setores e unidades produtivas. Nos últimos anos, mudanças abruptas de projetos em curso levaram a companhia a perder bilhões de reais em sucatas, literalmente.

O caso mais emblemático ocorreu no Estaleiro Rio Grande, localizado no Sul gaúcho. Em 2010, a Petrobrás encomendou oito cascos de plataformas para a Ecovix, dona do estaleiro, pela quantia de R$ 10 bilhões.

Em 2016, entretanto, a Petrobrás decidiu transferir para a Ásia a construção de nove plataformas, que já estavam em construção ou que haviam sido encomendadas de estaleiros envolvidos na operação Lava Jato, incluindo a Ecovix. Todas as plataformas eram destinadas ao Campo de Lula, no pré-sal.

Com isso, o Estaleiro Rio Grande, que chegou a ter 24 mil trabalhadores no seu pico de produção, transformou-se em um deserto de ferragens. Além da demissão em massa, a medida fez com que fossem vendidas como sucata cerca de 80 mil toneladas de estruturas de aço, que seriam utilizadas na construção das plataformas P-71 e P-72.

O abandono desses projetos em território nacional fez com que a indústria naval fechasse milhares de postos de trabalho. Apenas no Rio de Janeiro, um dos líderes do setor, foram demitidos 55 mil trabalhadores entre 2014 e 2018.

Essa política vai de encontro à política de conteúdo local existente no Brasil desde 1999. O mecanismo obriga que todo equipamento destinado à exploração de petróleo no país tenha uma porcentagem mínima de materiais produzidos pela indústria nacional. Ele foi feito para evitar a chamada “doença holandesa”, que se caracteriza pela extração e exportação de óleo bruto, sem o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional.

O atual presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, já fez duras críticas ao conteúdo local. Em 2019, ele afirmou que essa regra foi responsável por uma “história desastrosa, perda de produtividade e corrupção” e, ainda, “trouxe enorme prejuízo, não somente para a Petrobrás, mas para todo o país”.

*Os nomes das fontes foram modificados para garantir o sigilo. 

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Segundo levantamento do INEEP, mais da metade das 29 operações já concluídas de venda de ativos no Brasil foram com grupos estrangeiros. Dos mais de 40 ativos atuais que estão em negociação, a tendência é que pelo menos metade seja arrematada por multinacionais.

[Do Ineep]

Desde 2015, quando a Petrobras acelerou seu programa de desinvestimentos a fim de reduzir sua alavancagem financeira, cerca de 40 processos de venda nos segmentos de upstreammid/downstream e biocombustíveis tiveram contrato assinado ou foram concluídos. Segundo levantamento do Ineep, mais da metade das 29¹ operações envolvendo ativos no Brasil foram fechadas com grupos estrangeiros. 

Companhias de fora são maioria nas aquisições de campos e blocos offshore e de ativos de transporte de gás, enquanto as brasileiras – algumas delas, com aportes de fundos internacionais – dominam as compras de ativos terrestres da Petrobras. A tendência é que essa configuração se mantenha nas compras dos mais de 40 ativos atualmente em desinvestimento, com as estrangeiras avançando ainda sobre as refinarias da estatal. 

No upstream, a transação de maior monta foi a venda de 25% da participação da Petrobras no campo de Roncador, na Bacia de Campos, para a Equinor, por US$ 2,9 bilhões. A norueguesa ainda pagou US$ 2,5 bilhões pelo bloco BM-S-8, onde está campo de Bacalhau (antiga descoberta de Carcará), em Santos. 

Sua compatriota BW Offshore comprou 70% da participação da Petrobras no campo de Maromba, também na Bacia de Santos, por US$ 90 milhões. 

Já a inglesa Trident Energy adquiriu, por US$ 1,5 bilhão, os campos de Pampo e Enchova, em Campos, enquanto a franco-saxã Perenco comprou o Polo Pargo, na mesma bacia, por US$ 398 milhões. 

A francesa Total comprou o campo de Lapa, se tornando a primeira operadora estrangeira de um campo no pré-sal da Bacia de Santos, por US$ 1,1 bilhão. A transação incluiu a aquisição da área de Iara, onde está o campo de Atapu, que começou a produzir este ano. 

A malaia Petronas, por sua vez, levou 50% do campo de Tartaruga e do Módulo III de Espadarte, na Bacia de Campos, por US$ 1,3 bilhão. 

A PetroRio e a Ouro Preto Óleo e Gás foram as únicas brasileiras a comprar ativos offshore da Petrobras, adquirindo, respectivamente, a parcela da estatal nos campos de Frade (US$ 100 milhões), em Campos, e dos campos de Pescada, Arabaiana e Dentão (US$ 1,5 milhão), na Bacia Potiguar. 

Empresas nacionais constituíram, por outro lado, a quase totalidade dos compradores de ativos terrestres. 

A PetroRecôncavo comprou 34 campos no Rio Grande do Norte por US$ 384 milhões; a Karavan Oil, 27 concessões no Espírito Santo (Polo Cricaré), por US$ 155 milhões; a Eneva, o campo de Azulão, na Bacia do Amazonas, por US$ 54 milhões; a Imetame Energia, o Polo Lagoa Parda (ES), por US$ 9,3 milhões; a Centro Oeste Óleo e Gás, 50% da participação não operada da Petrobras no campo de Dó-Ré-Mi, em Sergipe-Alagoas, por US$ 37,6 mil; a Eagle Exploração Óleo e Gás, o Polo Tucano Sul, por US$ 3 milhões; e a 3R Petroleum, os polos Macau (RN), Rio Ventura (BA) e Fazenda Belém (RN), por US$ 191 milhões, US$ 94,2 milhões e US$ 35,2 milhões, respectivamente. 

Um detalhe: tanto a Karavan Oil como a 3R Petroleum contam com private equity de origem estrangeira por parte da Seacrest Capital Group Limited e da Starboard Restructuring Partners, respectivamente. No início de setembro, a 3R pediu autorização para realizar uma oferta inicial de ações (IPO) para levantar recursos a fim de comprar mais campos da Petrobras. 

A exceção no onshore ficou por conta da norte-americana Central Resources, que arrematou os campos Ponta do Mel e Mesa Redonda, na Bacia Potiguar, por US$ 7,2 milhões. 

No mid e downstream, o consórcio formado pela francesa Engie e o fundo de pensão canadense Caisse de Dépôt et Placement du Québec (CDPQ) comprou, por US$ 8,6 bilhões, 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG), que detém malha de gasodutos com extensão de cerca de 4,5 mil km. 

O gestor de fundos canadense Brookfield adquiriu, por US$ 5,2 bilhões, 90% da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), que opera 2 mil km de gasodutos. 

A japonesa Mitsui levou 49% da Gaspetro, por US$ 593 milhões. A subsidiária da Petrobras detém participação em 19 distribuidoras de gás natural em diversos estados do país. 

Já a mexicana Alpek adquiriu 100% da Petroquímica Suape e a Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe), por US$ 435 milhões. 

As únicas brasileiras a figurarem no mid/downstream são a Copagaz e Nacional Gás Butano, que assinaram contrato para comprar a Liquigás, por US$ 925 milhões – em operação ainda pendente de aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). 

Na área de biocombustíveis, a francesa Tereos comprou a usina de açúcar e álcool Guarani, por US$ 202,8 milhões, e a portuguesa Galp, a produtora de óleo vegetal Belém Bioenergia Brasil, por US$ 24,7 milhões. 

Os grupos brasileiros São Martinho e Turdus Participações, por seu turno, adquiriram as produtoras de etanol Nova Fronteira e Bambuí Bioenergia, respectivamente, por US$ 133 milhões e pelo valor simbólico de R$ 1 – segundo a Petrobras, devido ao patrimônio líquido negativo da Bambuí. 

Perspectivas

A Petrobras conduz, hoje, aproximadamente 40 processos de desinvestimento de ativos no Brasil, sendo 29 no upstream, cinco no mid/downstream, cinco em energia elétrica e dois em biocombustíveis. 

A maioria dos ativos à venda no upstream consiste em campos ou blocos nas regiões Nordeste e Norte, nas bacias do Recôncavo, Camamu, Sergipe-Alagoas, Ceará, Potiguar, Pará-Maranhão e Solimões. No Sudeste, há ativos em desinvestimento nas bacias do Espírito Santo, Campos e Santos, enquanto, e, no Sul, a Petrobras tenta vender uma concessão na Bacia de Pelotas. 

Empresas norueguesas, como a BW Energy e a DBO Energy, estão de olho nos processos em curso. A última tem interesse em ativos offshore e onshore, com a ideia, inclusive, de implantar projetos de geração de energia eólica em concessões terrestres. 

As australianas Karoon e Rockhopper também estão entre as estrangeiras interessadas em empreendimentos marítimos, ao lado da Perenco e, possivelmente, a alemã Wintershall. 

Operadora dos campos de Tiê e de seis blocos de exploração no Recôncavo, além do campo de Tartaruga, em Sergipe-Alagoas, a canadense Maha Energy é outra que analisa os desinvestimentos da Petrobras. 

Os grupos Seacrest e Starboard buscam novas compras no onshore e offshore. No caso da última, a tendência é que siga utilizando a marca 3R Petroleum em projetos terrestres e Ouro Preto, em marítimos. 

A russa Rosneft, que opera blocos exploratórios na Bacia do Solimões, estaria interessada na compra do Polo Urucu, assim como a brasileira Eneva. 

Sediada no Brasil, a Pindorama Energy também estuda aquisições de ativos onshore da Petrobras no país. 

Presidida por Márcio Félix, ex-secretário de Petróleo e gás do Ministério de Minas e Energia, a Energy Platform (EnP) volta suas atenções a ativos na Bacia do Espírito Santo, onde pretende construir uma refinaria em parceria com o Oil Group. 

No caso dos ativos exploratórios à venda, como Sergipe-Águas Profundas e os blocos no Pará-Maranhão e Pelotas, a avaliação é que as empresas, no momento, têm pouco fôlego para entrar em projetos de mais alto risco. 

No mid/downstream, os ativos de transporte (NTS e TAG) têm sido muito olhados por fundos de pensão, como o próprio CDPQ, pois representam a segurança de fluxo de caixa durante um período extenso. 

Em relação à Gaspetro, reportagem publicada pelo jornal O Globo, em julho, mostrou que empresas como a Cosan, Naturgy (controladora da Ceg e Ceg Rio), Ultrapar e a Mitsui estariam entre as interessadas. 

No caso das refinarias, destaque para o Mubadala Investment Company, dos Emirados Árabes Unidos, que negocia a compra da Refinaria Landulpho Alves (RLAM) com a Petrobras. Entre outros postulantes à compra das oito plantas à venda estão a Raízen (joint venture entre a Shell e a Cosan), a Total, traders de combustíveis como a holandesa Vitol e a japonesa Marubeni (como consorciadas), a malaia Petronas, as chinesas CNPC e Sinopec e o grupo brasileiro Ultrapar.

Nos biocombustíveis, a expectativa é que grandes grupos do segmento, como o JBS Biodiesel e a própria BSBios, tentem arrematar a PBio e a parcela de 50% da Petrobras na BSBios. 

Quanto às eólicas Mangue Seco 1, 2 3 e 4, empresas controladas por fundos de investimento, como Ômega e Echoenergia, estão entre as potenciais interessadas nos empreendimentos. 

Finalmente, no que tange às termelétricas, a Petrobras deve encontrar dificuldade para vender as plantas a óleo combustível em um mundo com restrição de financiamento, sobretudo para empreendimentos de combustíveis fósseis. Um caminho possível é o surgimento de sinergias com projetos industriais, com grupos menores da área de energia com atuação regional e/ou empresas interessadas na autoprodução de energia. No caso das térmicas a gás, podem aparecer interessados para fornecer energia a sistemas isolados (não conectados ao Sistema Interligado Nacional – SIN). 


 1 – Não se considerou a venda da participação da Petrobras na BR Distribuidora, via oferta pública de ações.

2 – A análise excluiu a BR Distribuidora, cuja parcela remanescente da Petrobras será vendida via oferta pública de
ações.

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[Da imprensa do Sindipetro-RN]

Neste sábado, 5 de setembro, a diretoria do SINDIPETRO-RN realiza em Mossoró uma carreata em defesa da Petrobrás no Rio Grande do Norte. A concentração do ato está agendada para às 8 horas no "Posto do Ceguinho"(Av. Presidente Dutra, Alto de São Manoel). O protesto busca chamar atenção dos mossoroenses sobre as consequências da saída da Petrobrás do nosso Estado.

Na última semana o Governo Bolsonaro anunciou a venda de diversas áreas da Petrobrás na bacia potiguar. Essa decisão extrema vai causa forte impacto social e econômico na vida de todos os mossoroenses.

A saída da Petrobras de Mossoró vai aumentar o desemprego e fechar pequenas e grandes empresas. Deixando um rastro de miséria e pobreza por toda a cidade. Todos perdem com essa decisão.
Por isso, é preciso unir forças para barrar o desmonte da nossa Petrobrás no RN.

Participe dessa luta! Juntos somos mais fortes.

A Petrobras Fica no RN!

OBS: Todas as medidas de segurança serão tomadas para evitar aglomeração durante a atividade. Separe sua máscara e o álcool em gel, e venha defender a Petrobrás no RN.

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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