Fórum Social Mundial acontece em meio à retirada de direitos e ataques à democracia

Terça, 13 Março 2018 15:27

No atual cenário político brasileiro o Fórum Social Mundial (FSM), que começa nesta terça-feira (13), em Salvador,  será um espaço de encontro para aglutinar forças contra os retrocessos de direitos e ataques à democracia; desmontes esses que teve origem com o golpe de 2016 e que resultou no impeachment da presidenta Dilma Rousseff.  O FSM  tem uma extensa programação até sábado (17).

Diante deste quadro de retirada de direitos conquistados pela luta popular a palavra que marca o FSM é resistência. O tema que norteia as atividades este ano é "Povos, Territórios e Movimentos em Resistência", com o slogan "Resistir é Criar, Resistir é Transformar". Para José Antônio Moroni, cientista político e membro do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) o FSM desempenha um papel importante na atual conjuntura política brasileira.

“Nesse contexto o Fórum Social Mundial realizado  aqui no Brasil cumpre um papel importante de aglutinação de várias forças, não só do campo da esquerda, mas com outras forças progressistas e democráticas”, avalia.

Ele ainda pontua que o ataque à democracia e os desmantelamentos de direitos que o país vive não diverge do cenário mundial, análise essa que a feminista e integrante do coletivo SOS Corpo, Verônica Ferreira, também pontua e reforça que a realização do Fórum amplia a internacionalização das lutas sociais.

“O Fórum é um espaço de forças anticapitalistas, antipatriarcais, no caso do movimento feminista que estão aqui, antirracista; quer dizer das forças antissistêmicas e é um espaço de fortalecimento do internacionalismo das lutas sociais”, pontuou.

Para discutir as múltiplas crises sociais e diversidade de agendas de luta o evento conta com uma vasta programação. Boa parte das atividades será realizada no Campus de Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de outros locais da capital baiana, como o Parque do Abaeté, em Itapuã, e o Parque São Bartolomeu, no Subúrbio Ferroviário da cidade. A estimativa é que compareçam cerca de 60 mil pessoas de 120 países, para debater e definir estratégias frente ao modelo desenvolvimentista.

O FSM contará ainda com representares de organizações e entidades de países como Canadá, Marrocos, Finlândia, França, Alemanha, Tunísia, Guiné, Senegal, assim como também de países sul-americanos e representações nacionais.

Estão confirmadas as participações do ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, Fernando Lugo, do Paraguai, e José Mujica, do Uruguai. Também participarão o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, a militante indígena e pré-candidata à vice-presidência pelo Psol Sônia Guajajara, a presidente da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), Lorena Peña, e o filósofo congolês Godefroid Ka Mana Kangudie.

O primeiro Fórum Social Mundial ocorreu em Porto Alegre, em 2001 e é uma iniciativa da sociedade civil organizada que tem como objetivo promover um encontro plural e democrático em busca de uma reflexão coletiva sobre as múltiplas crises que aprofundam a desigualdade social. O evento é realizado a cada dois anos, o último foi realizado no Canadá, em 2016.

Confira a programação

Terça 13

Marcha de abertura do FSM, a partir das 15h. O percurso sairá da praça do Campo Grande, passando pela avenida Sete, até a praça Castro Alves, conhecida como “Praça do Povo”, palco de grandes manifestações de luta e resistência baiana. Será montado um palco para apresentações culturais com performances artísticas e musicais.

Quarta 14

Pela manhã, será realizado o Tribunal contra os Despejos, na Faculdade de Arquitetura da UFBA.

Às 9h, ocorre o Tribunal Popular para Julgamento dos Crimes de Feminicídio contra as Mulheres Negras, no auditório do IFBA; à tarde, a partir das 14h, Marcha das Mulheres Contra o Racismo, com concentração no largo do Campo Grande; no mesmo horário será realizada a Assembleia Mundial da Juventude, no Acampamento Intercontinental das Juventudes, que será montado no Parque de Exposições de Salvador.

Quinta 15

Às 17h, ato em Defesa da Democracia, no Estádio de Pituaçu, com as presenças dos ex-presidentes Lula, Dilma, Lugo (Paraguai) e Mujica (Uruguai).

Sexta 16

Assembleia Mundial dos Povos, Movimentos e Territórios em Resistência, às 14h, no Acampamento dos Povos Indígenas, no Centro Administrativo da Bahia

Sábado 17

Pela manhã, será realizada a Ágora dos Futuros, com a apresentação dos resultados das atividades do FSM, na Praça das Artes, campus de Ondina da UFBA.

Assembleia Mundial das Mulheres

Na manhã de sexta (16), a Assembleia Mundial das Mulheres será a única atividade na programação oficial do FSM, com possibilidade de acontecer no centro histórico de Salvador. A exclusividade tem como objetivo garantir que as mulheres com outras agendas políticas no Fórum estejam liberadas para debater questões de gênero, pautas feministas e lutas das mulheres, como a criminalização do aborto, o feminicídio, o combate contra a violência da mulher e o machismo, entres outras.

Acampamento Intercontinental da Juventude

Mais do que um alojamento, o acampamento da juventude é um local para debates e discussões políticas. Nesta edição, ocupará o Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador, a partir deste domingo (11) até o próximo (18), com capacidade para receber cerca de 6 mil jovens. Atos, shows e assembleia farão parte das atividades do Acampamento Intercontinental da Juventude (AIJ), que terá ainda uma vila gastronômica da economia solidária, palcos para apresentações culturais e debates.

[Via Brasil de Fato, com informações Rede Brasil Atual]

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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