Acidente industrial ampliado coloca em risco população de Duque de Caxias

 

A falta de segurança dos dutos da Petrobrás operados pela Transpetro coloca em risco toda a população de Duque de Caxias. Os trabalhadores não garantem mais a integridade dos dutos nem sua operação segura, devido à falta de efetivo e a falta de manutenção.

O projeto de faixa de duto que incentivava a população a cuidar dos dutos acabou, a pobreza aumentou e nossos dutos de petróleo, gasolina, diesel, e gás estão a mercê da própria sorte.

A população de Duque de Caxias poderia ser conhecida, hoje dia 26 de abril de 2019, no mundo por uma grande explosão seguida de incêndio devido a um furto de gasolina em um duto que passa na zona rural da cidade.

O terreno ficou contaminado e a gasolina começou a evaporar formando uma atmosfera explosiva. Muitos motoristas que passaram no local, sentiram cheiro de gás. Se a concentração fosse maior, teria no carro uma fonte de ignição para se iniciar um inferno na terra.

A sorte protegeu a população, mas não foi para todos

Uma família da zona rural teve a contaminação do ar fatal para três cachorros e dois gatos. E o mais grave para sua filha de 9 anos. Segundo o Sindipetro Caxias, ela está no hospital público da cidade de Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro, Adão Pereira Nunes, e vai morrer lá porque a Transpetro não quer gastar dinheiro e fazer a transferência para o Hospital da Força Aérea do Galeão, que fica na capital. Que é especializado em queimados.

A menina desmaiou devido a atmosfera contaminada. Perdeu os sentidos e caiu dentro de uma poça de gasolina. Teve queimadura em 80% do corpo, além de queimadura interna por ter respirado vapores tóxicos e ingerido, pois caiu com a face no produto.

A Agencia Nacional de Petróleo – ANP também é responsável pelo acidente por sua inercia na fiscalização. A Federação Única dos Petroleiros se reuniu com a agência no dia 16 de janeiro de 2017 para tratar do problema de insegurança nos dutos. A Federação estava muito preocupada com a ‘mexicanização’ dos dutos no Brasil, isto bem antes do acidente ampliado no México em 20 de janeiro de 2019, que teve mais 60 mortos.

Lembramos o acidente em Vila Soco, em Cubatão, São Paulo, que no dia 24 de janeiro de 1984, sumiu do mapa após um grande incêndio em um duto de gasolina, com mais de 700 mortos. Após 45 anos, as famílias não tiveram reparação.

O México tinha um histórico de furto e acidentes em dutos, tendo mais de 10 mil por ano. No Brasil, este processo está em curso, mas até 2016 tínhamos uma média de 70 furtos por ano. Nada foi feito pela ANP e os acidentes se ampliaram.

O Sindipetro Caxias lamenta a atitude da Transpetro/Petrobrás por não tomarem nenhuma providência para salvar esta vida, deixando a família desamparada com uma filha num hospital público.

O Sindipetro Caxias denuncia a Transpetro/Petrobrás por não acionarem nenhum protocolo de segurança conforme a Convenção sobre a Prevenção de Acidentes Industriais Ampliados 174 da OIT, que foi ratificada pelo Brasil sendo lei desde 15 de janeiro de 2012. As empresas não acionaram nenhum protocolo porque estes não existem, conforme já denunciado pelo sindicato em Audiência Pública na cidade.

O Sindipetro Caxias pede aos gerentes da Transpetro e da Petrobrás que não deixem Ana Cristina morrer.

Por fim, é preciso lembrar que dia 28 de abril, é o dia mundial em memória as vítimas de acidente de trabalho. Acidentes podem ser prevenidos, pois para muitas vítimas não tem volta.

Via Sindipetro Caxias