Protesto na Fafen-PR: “Vamos transformar esse sentimento em raiva! Em fúria!”

Sexta, 17 Janeiro 2020 18:51

O ritmo e a raiva; a raiva e o ritmo. Essa junção de sentimentos esteve presente nesta manhã (17), durante protesto em frente à Araucária Nitrogenados (Ansa/Fafen-PR). Ato aconteceu após comunicado da Petrobrás sobre o fechamento da unidade e a demissão sumária de mil trabalhadores.

A postura autoritária e cruel por parte da empresa fez com que se juntasse dois ingredientes fundamentais para uma grande mobilização: o ritmo (mesma sintonia contra a destruição do Sistema Petrobrás) e a raiva (diante das demissões em massa que atingirão os petroquímicos e suas famílias).

A direção da Petrobrás vai entender o recado, pois uma coisa é certa: haverá enfrentamento, aconteça o que acontecer. Toda arbitrariedade tem limite e essa gestão da empresa encerrou sua cota de desrespeito para com o trabalhador.

Diante disso, os petroquímicos e petroleiros, ao lado dos seus familiares, além de representantes de federações, centrais sindicais e sindicatos; junto com políticos, ex-políticos, movimento estudantil e secundarista; demonstraram sintonia: ninguém vai aceitar o fechamento da fábrica e as demissões em massa.

Em cima do ônibus da Federação Única dos Petroleiros (FUP), palavras e sentimentos eram lançados com emoção e sinceridade. O clima estava pesado, já que o momento é tenso, e os trabalhadores fizeram questão de deixar claro que isso não é um problema, mas sim um ingrediente.

A papo foi reto: “a única luta que se perde é aquela que se abandona. No nosso caso, não vamos desistir, vamos lutar até o fim. Não podemos temer, não temos nada mais a perder”, disse Gerson Castellano, dirigente da FUP e petroquímico.

E o ritmo continuou quente. “Lembremos aqui que muitos gerentes que estavam na fábrica fizeram o trabalho sujo, agora também terão que sair com uma mão na frente e a outra atrás”, completou Castellano.

A mensagem para a classe trabalhadora é que mais uma vez quem vai lutar pelo coletivo serão os sindicatos. O dirigente não se esqueceu de mencionar os trabalhadores da operação e da manutenção, assim como os terceirizados, que sempre estiveram e estão na luta ao lado do Sindiquímica-PR.

O momento chave do protesto foi a junção do compasso dos petroleiros, que saíram da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), fechada esta manhã pelos trabalhadores, rumo à Fafen-PR.

Enquanto acontecia a caminhada, o coordenador-geral do Sindiquímica-PR, Santiago da Silva Santos, lá no ônibus da FUP, desferia palavras sinceras em relação ao momento histórico dos petroquímicos.

Parecia que o movimento era orquestrado, pois, enquanto uma massa chegava ao protesto, Santiago intensificava sua fala.

O recado foi esse: “a mensagem hoje aqui não é de depressão, mas sim de transformar esse sentimento em raiva! Em fúria! Temos que jogar na cara desses gestores que hoje são eles que dependem de nós, trabalhadores”.

FUP

Os dirigentes da FUP e dos sindicatos filiados, de diversas partes do Brasil, estiveram em Araucária para mobilizar e fazer parte do grande coletivo de indignados com a atual gestão entreguista da Petrobrás. Para o diretor da Federação, Deyvid Bacelar, haverá muito enfrentamento nos próximos dias.

Ele deixou a seguinte mensagem: “levante a sua cabeça e siga em frente contra tudo isso que está acontecendo em nosso país. Entraremos em assembleia a partir de semana que vem e vamos aprovar uma greve nacional por tempo indeterminado contra as demissões em massa que aqui aconteceram”, disse Deyvid.

Além disso, foram realizados atos em diversos estados bases dos sindicatos filiados como PR/SC e
RS: REFAP; SP: REPLAN e RECAP; MG: REGAP; NF: Aeroporto do Farol (Campos); ES: TAVIT – Terminal da Transpetro em Vitória; BA: EDIBA (Edifício Torre Pituba); PE/PB: Refinaria Abreu e Lima e Terminal da Transpetro Suape; RN: Pólo Guamaré; CE/PI: LUBNOR e AM: REMAN

 

Mídia

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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