A relação do Sistema de Consequências da Petrobrás e a explosão em Beirute

Terça, 11 Agosto 2020 11:39

[Via imprensa do Sindipetro-PR/SC, com edição da FUP]

A recente explosão em Beirute, capital do Líbano, chocou o mundo. A proporção do acidente fez com que as imagens viralizassem. Mais de 150 pessoas morreram após cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, um material altamente explosivo, pegar fogo. O primeiro-ministro do país, Hassan Diab, disse que o produto era armazenado em um depósito perto do porto há seis anos “sem medidas preventivas”. O resultado desse descaso, além dos óbitos, são os inúmeros protestos pelo país. 

E prevenção é a palavra-chave quando se trabalha com produtos que podem colocar a sociedade em risco. É o que deveria acontecer, por exemplo, nas unidades do Sistema Petrobras, cujos trabalhadores estão constantemente expostos aos riscos de acidentes e de adoecimento por exposição a agentes químicos extremamente perigosos, como é o caso do benzeno. Porém, mesmo sabendo da sua responsabilidade com a segurança da unidade, a atual gestão da empresa substitui o ato de prevenir pelo de punir. 

É o que acontece na Repar, em Araucária (PR), e em várias outras refinarias da Petrobrás. Hoje, a gerência da unidade executa ordens punitivas contra a categoria sem que uma equipe multidisciplinar composta por representante da CIPA, sindicato e SMS faça uma fiscalização adequada. As gerências que mais punem trabalhadores são a TE, UT e SMS. 

Somado a isso, há um clima de terror entre os trabalhadores, pois eles são levados a não cooperar plenamente com as investigações por medo de retaliação. 

Para o sindicato o Sistema de Consequência faz com que muitos petroleiros não denunciem problemas. “A empresa perde uma excelente oportunidade de aprender com os erros ao levar os trabalhadores a não relatar os pequenos incidentes e acidentes. Desse jeito começarão a aparecer acidentes que não poderão ser escondidos por serem mais graves”, explica Luciano Zanetti, dirigente do Sindipetro PR e SC. 

O sindicato reitera que há risco de acidente ampliado na Repar, pois cresce gradativamente a demanda de trabalho à medida que o número de funcionários é reduzido. A consequência disso é um aumento do desgaste físico e mental. 

Além disso, o Sindipetro PR e SC orienta todas e todos que de alguma forma se sentem prejudicados pelo Sistema de Consequência, a procurar um dirigente sindical mais próximo ou entrar em contato com a entidade através dos canais de denúncia: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou pelo telefone (41) 3332-4554, o anonimato é garantido e o caso encaminhado para análise jurídica, se necessário. 

Histórico 

A partir de 2016, através de um programa chamado Compromisso com a Vida, a Petrobrás estruturou algumas ferramentas de gestão para auxiliar a tomada de decisões em relação a ocorrências, possibilitando aplicar o programa de Reconhecimento dos Empregados e o Regime Disciplinar. 

Documentos que estruturam estes Programas mostram que as punições seriam aplicadas nos casos em que se comprovasse a culpa, por parte do empregado. Porém, a realidade não reflete essa premissa. Trabalhadores foram punidos com advertências, ou até mesmo suspensão, mesmo antes das Comissões de Investigação de Acidentes concluírem seus trabalhos.

[Foto: Agência Reuters] 

Última modificação em Terça, 11 Agosto 2020 13:54
Publicado em Sistema Petrobrás

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