Fora Bolsonaro: Categoria petroleira ainda mais presente nos atos do NF

Quinta, 22 Julho 2021 16:00

O Sindipetro-NF intensificou nesta semana a convocação à categoria petroleira para que participe dos protestos pelo Fora Bolsonaro neste sábado, 24, em suas cidades. A entidade avalia que os petroleiros e petroleiras precisam estar mais presentes neste momento da vida nacional, onde, além da Petrobrás, diversas empresas e serviços públicos estão sendo desmontados. Além disso, a categoria, uma das mais organizadas e estruturadas sindicalmente, tem grande capilaridade e potencial de mobilização de toda a sociedade.

O sindicato orienta que os petroleiros e petroleiras onshore, ou offshore que estiverem em folga, participem dos atos e estimulem familiares e círculos de influência a também participar. Na região, haverá atos em Campos dos Goytacazes (Praça São Salvador, 9h, seguido de passeata pela avenida Alberto Torres até a Câmara de Vereadores), em Macaé (Concentração às 9h30 na Praça Veríssimo de Mello, seguida de passeata pelo Calçadão), Rio das Ostras (Carreata e bicicletaço saindo 9h da Escola Municipal Cidade Praiana, com ato às 10h na Praça Rua Bangu) e em Barra de São João (Praça As Primaveras, 10h).

A FUP e sindicatos petroleiros também se programam para ter grande presença no ato da cidade do Rio de Janeiro, que terá concentração às 10h no Monumento Zumbi dos Palmares, no centro, seguida de caminhada pela Avenida Presidente Vargas, até a Candelária.

Nas últimas semanas, diretores e diretoras do NF estiveram reunidos com sindicalistas de outras categorias e representantes de movimentos sociais para contribuir na organização dos atos na região. Para o sindicato, a sociedade precisa se levantar de modo mais contundente para exigir o impeachment de um presidente desqualificado, que não está à altura do cargo, e já acumula contra si, no Congresso, mais de 120 pedidos de impedimento, baseados em dezenas de crimes.

“É importante ressaltar que todos os trabalhadores e trabalhadoras não só podem como devem somar aos movimentos do 24J em suas cidades, tomando os devidos cuidados. Somente unidos teremos forças para combater esse governo genocida”, afirma o coordenador do NF, Tezeu Bezerra.
Organizados pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, os protestos “Fora, Bolsonaro” têm como foco as lutas contra o desemprego e a fome; pelo auxílio de R$ 600; vacina já e contra a reforma Administrativa e as privatizações. A expectativa é a de que as manifestações deste sábado sejam maiores do que as de 29 de maio, 19 de junho e 3 de julho.

Editorial do Boletim Nascente: Não é somente com o outro. É com você

Mancur Olson, um autor da Ciência Política que costuma ser estudado junto a outros do campo conservador das teorias das elites, defende basicamente que, racionalmente, um indivíduo não tem porque atuar em coletividade, em benefício do bem comum, se outros já estiverem atuando por ele. Não é exatamente que o teórico defenda isso, é que ele acredita, baseado em suas pesquisas, que é assim que funciona. É a chamada teoria do carona. A lógica seria a de que “se eu não for (a um protesto, por exemplo), não vai fazer diferença”.

Este é um dos maiores desafios das organizações, como um sindicato, que lidam com movimentos coletivos. Superar o raciocínio individualista que parece tão claro, racional e confortável. No 24J, o petroleiro, a petroleira, precisa entender que sua participação é um imperativo ético, e que ele, ela, faz sim muita diferença.

Integrantes de uma categoria que sabe muito bem o quanto cada conquista é suada, reivindicada, pressionada, fruto de muita organização e ação sindical, os petroleiros e petroleiras não podem perder essa dimensão quando os assuntos extrapolam os limites do setor petróleo. Há outros laços de solidariedade que cobram a sua atuação, seja o da consciência de classe — entender-se pertencente e ator político da classe trabalhadora —, seja o do nacionalismo — esse sentimento tão desvirtuado mas que ainda pode ser utilizado para bons propósitos —, seja ao menos o familiar — outro conceito tão explorado de forma torpe, mas aqui entendendo-se pela intenção de legar um mundo melhor aos seus.

Seja pelo motivo que for, desminta Olson e vá ao 24J. Omitir-se não é uma opção.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

 

Publicado em Movimentos Sociais

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.