Abertura da IX Plenafup dá o tom: derrotar Bolsonaro e reconstruir o Brasil e a Petrobras

Quinta, 12 Agosto 2021 19:08

“Não temos tempo para ter medo”, afirma coordenador da FUP, citando Mariguella

[Da imprensa da FUP]

Com falas enfáticas em defesa da democracia e de um projeto político popular que seja capaz de enfrentar e de superar o legado de destruição deixado pelos governos Temer e Bolsonaro, começou nesta quinta-feira, 12, a IX Plenária Nacional da FUP. O evento, que tem como tema “Energia para reconstruir o Brasil”, prossegue até domingo, 15, de forma virtual, devido à pandemia da Covid-19. A plenária conta com a participação de cerca de 150 petroleiros e petroleiras eleitos nos congressos regionais e discutirá questões estratégicas para a categoria e para o Brasil, como a resistência ao fascismo e ao projetos ultraliberais que ameaçam a soberania nacional, a defesa da Petrobrás e das demais empresas estatais que estão sob ataque e a organização e representação dos trabalhadores precarizados.

A solenidade de abertura foi marcada por falas que ressaltaram a urgência da defesa da democracia e da resistência dos trabalhadores ao desmonte do Estado brasileiro, reforçando a importância das eleições de 2022 para a reconstrução do país. “Não temos tempo para ter medo”, afirmou o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, citando Carlos Mariguella. “Nossa luta é contra o fascismo”, destacou, ressaltando que os petroleiros têm “um papel central nessa plenária que é construir resistências nas ruas e nas urnas”.

A diretora da FUP e do Sindipetro Rio Grande do Sul, Miriam Cabreira, lembrou que 2022 é um ano emblemático, do bicentenário da independência do Brasil, e afirmou que até hoje a nação não conseguiu romper com o colonialismo que marca a história do país. Ela ressaltou que a Petrobrás reforça a manutenção desse legado trágico, ao se transformar em uma empresa exportadora de óleo cru, geradora de empregos e renda no exterior, enquanto o povo brasileiro paga os preços abusivos dos combustíveis. “Precisamos levantar a bandeira do Brasil soberano e independente e a Petrobrás tem que ter o papel indutor nesse processo”, afirmou.

Também presente à mesa de abertura da IX Plenafup, o diretor do Sindipetro Bahia, Jailton Andrade, mandou o recado em forma de música, mostrando que cultura também é resistência. Ele recebeu aplausos virtuais e muito comentários no chat com a composição de sua autoria, “Esse governo basta”, cujo primeiro refrão diz assim: “Pra bom investidor é o que o governo faz; Vender refinaria, entregar tudo e mais; Vender pela metade enquanto o povo jaz; enquanto o povo jaz... “. A íntegra da letra e a apresentação de Jailton podem ser conferidas aqui.

A petroleira da Bacia de Campos, Rosângela Buzanelli, que representa os trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, chamou atenção para os riscos da Petrobrás ser integralmente privatizada, destacando que o controle acionário de 50,5% que o Estado tem sobre a empresa “está por um triz” e que cerca de 42% das ações da estatal estão nas mãos de investidores estrangeiros. “A Petrobrás está sendo disputada, milímetro a milímetro pelos acionistas estrangeiros e minoritários. Quando dizemos que defender a Petrobras é defender o Brasil, não trata-se de um jargão, é fundamental. Precisamos continuar na luta que nos trouxe até aqui. Construímos uma gigante nacional e isso foi por conta de muita luta”, afirmou Rosângela.

A diretora da Confederação Nacional do Ramo Químico (CNRQ), Ana Mattos, que também representa a oposição petroleira do Sindipetro RJ, ressaltou que “autonomia energética e soberania andam de mãos dadas” e por isso são inimigas do capitalismo, “que precisa minar os recursos e os direitos do povo, aprovar todas as reformas para se apropriar das empresas e com elas da soberania do país”. Ela frisou que o principal objetivo dos trabalhadores deve ser “a queda da agenda neoliberal e fascista”. “Para isso precisamos unidade e povo na rua, uma gigante greve geral, que consiga dar conta da principal tarefa da classe trabalhadora hoje: derrubar o Bolsonaro”, afirmou. 

Movimentos sociais e sindicais, presentes

Os petroleiros e petroleiras que acompanharam a solenidade de abertura da IX Plenafup receberam saudações e palavras de luta e resistência de várias lideranças de movimentos sindicais e sociais que enviaram vídeos, exibidos durante a cerimônia.

O presidente da CUT, Sérgio Nobre, falou sobre a importância das ações solidárias que a FUP e seus sindicatos vêm realizando por preços justos para os combustíveis e chamou atenção para a necessidade de uma luta conjunta contra as privatizações e o desmonte dos direitos dos servidores públicos, convocando a categoria a participar da mobilização nacional do dia 18 em defesa do serviço público.

O petroleiro Divanilton Pereira, vice-presidente da CTB, lamentou perda de Wagner Gomes, secretário-geral da Central, que faleceu na terça-feira, 10, vítima de um ataque cardíaco fulminante.  Ele ressaltou que o momento de luto não é só da CTB e dos familiares do sindicalista, mas de toda uma nação, que sofre com as mortes pela Covid-19, vítimas do genocídio que o atual governo impõe ao Brasil. Ele destacou a importância e centralidade da categoria petroleira na defesa da soberania e da reconstrução do Brasil.

Geralcino Teixeira, presidente da CNRQ, e  Marino Vani, secretário geral da IndustriALL Global Union América Latina y el Caribe, também destacaram a importância da Plenafup na atual conjuntura, ressaltando que os petroleiros sempre foram ponta de lança da resistência. Rud Rafael, da Frente Povo Sem Medo, e Camila Moreno, da Frente Brasil Popular, enfatizaram a urgência do enraizamento da luta Fora Bolsonaro para a superação do projeto genocida, fascista e ultraliberal que sangra o povo brasileiro.

Veja a íntegra da solenidade de abertura:

 

 



Esse supremo basta
Esse congresso basta

Última modificação em Quinta, 12 Agosto 2021 20:21
Publicado em IX PlenaFUP

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.