Domingo, 08 Março 2020 14:09

Uma petroleira no CA da Petrobrás

por Alexandre Gaspari

Rosangela Buzanelli não é a primeira mulher a representar trabalhadoras e trabalhadores da Petrobrás no Conselho de Administração da empresa. Entretanto, sua eleição este ano é emblemática. Em um governo que desvaloriza e desrespeita as mulheres e vem promovendo o desmonte da companhia, vendendo ativos em diversas áreas e promovendo uma privatização da Petrobrás em partes, a escolha de Rosangela é símbolo não apenas de empoderamento feminino: representa também o desejo de petroleiras e petroleiros de ter uma Petrobrás pública e cada vez mais forte, retomando seu papel de vetor do desenvolvimento social e econômico brasileiro.
Com o lema “Reunir para Resistir”, Rosangela venceu o pleito em primeiro turno, recebendo 5.300 votos – 53,62% do total. Foi a primeira vez em que um representante dos trabalhadores da Petrobrás foi eleito em primeiro turno para o CA. O que se torna ainda mais representativo considerando que ela foi uma das duas únicas mulheres a concorrerem, numa lista de 21 candidatos.
Por ser diretora do Sindipetro-Norte Fluminense, Rosangela teve dificuldades em conversar com as pessoas em algumas bases da Petrobrás durante a campanha. Devido à histórica greve dos petroleiros em fevereiro – a maior desde 1995 –, seu crachá foi bloqueado e seu acesso impedido a algumas instalações da empresa.
Os percalços não desanimaram a engenheira geóloga de 60 anos, 33 deles dedicados à Petrobrás, como geofísica. O desafio de chegar ao CA foi maior, inclusive, que seus planos pessoais, que incluíam sua aposentadoria, pouco antes de ser convidada a integrar a chapa que venceu as eleições no Sindipetro-NF.
“Tenho compromisso com o coletivo desde jovem. Isso me fez adiar meus planos pessoais para contribuir com essa causa. Minhas principais motivações são o coletivo que está comigo e defender a Petrobrás, não poderia dizer ‘não’”, conta ela, explicando a importância do apoio da Federação Única dos Petroleiros (FUP) para sua decisão de concorrer ao CA da Petrobrás. “Pobre daquele que nunca experimentou a magia e a força do coletivo”, completa.
Rosangela Buzanelli é formada pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e tem mestrado em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Paulistana, ingressou na Petrobrás em 1987, quando se mudou para o Rio de Janeiro.
O trabalho como geofísica a levou a outras cidades do país, como Curitiba, no Paraná, e Macaé, no Norte Fluminense, onde mora desde 1997. Nos 33 anos de Petrobrás, Rosangela viveu experiências profissionais tanto na área operacional quanto na administrativa. Conheceu e conversou com trabalhadoras e trabalhadores de todos os níveis funcionais da empresa, o que lhe deu uma visão ampla das demandas de petroleiras e petroleiros da companhia.
Por isso, Rosangela faz questão de reforçar o caráter técnico e coletivo de seu mandato no Conselho de Administração da Petrobrás.
“Queremos marcar uma atuação bastante firme, com argumentos sólidos, baseados em estudos, fatos e dados, pelos direitos de petroleiras e petroleiros e por uma Petrobrás pública, forte, integrada e indutora do desenvolvimento social, econômico e tecnológico do Brasil. A missão é árdua, mas temos de ocupar esse assento para fazer o contraponto, trazer para esse fórum um olhar diferente da visão hegemônica que, baseado em estudos técnicos, provoque a reflexão de cada integrante do Conselho antes de votar”, detalha.
Outro ponto fundamental é garantir um trabalho com muita transparência, que dialogue com os trabalhadores e trabalhadoras. “Essa vitória é nossa, dos trabalhadores e trabalhadoras. Tenho o compromisso de defender a transparência, de defender a nossa Petrobrás e o corpo técnico da empresa. Vamos reunir para resistir”, lembra ela.

 

Publicado em Movimentos Sociais
Domingo, 08 Março 2020 13:47

Uma mulher no comando nacional de greve

Cibele Vieira não só participou da greve nacional petroleira que terminou recentemente como foi uma das pessoas que integrou o comando de greve ao ocupar, junto a outros quatro petroleiros, o edifício sede da Petrobras no Rio de Janeiro por 21 dias. Ao fazer parte da Comissão Permanente de Negociação, Cibele representou as mulheres petroleiras, as operárias e as sindicalistas.

Ela liderou uma greve vitoriosa que reverteu o esvaziamento do espaço negocial coletivo imposto aos trabalhadores pela nova gestão da Petrobrás, com o fato de que os representantes dos trabalhadores sentaram à mesa e esperaram a negociação, e desta maneira, a empresa se viu obrigada a conversar com os empregados. Mesmo que a negociação tenha acontecido por intermédio do Tribunal Superior do Trabalho. Ao final desta greve intensa, que muitos da geração de Cibele nunca tinham passado, o saldo foi positivo, principalmente com relação às questões corporativas “ficou claro que através da luta vão se conseguindo as pequenas conquistas e dessas conquistas é possível acreditar na vitória”, com isso o enfrentamento acontece e o trabalhador passa a ser respeitado.
Sua história no movimento sindical tem base numa preocupação que carrega consigo desde a adolescência, que é pensar no outro e enfatizar sempre o interesse coletivo. Desde que entrou na Petrobras, Cibele sempre participou ativamente das reuniões do sindicato, mas só passou a fazer parte da diretoria depois de sete anos de empresa. Sua participação foi construída ao longo do tempo. Segundo ela, a maioria da categoria petroleira é de homens, hoje somos 16 %, e infelizmente nas direções sindicais, essa estatística é ainda menor.
Na Federação Única dos Petroleiros, houve avanço significativo na representação das mulheres, pela primeira vez nesta gestão são oito (entre titulares e suplentes) mulheres. Para Cibele, “infelizmente a gente ainda cresce dentro de uma cultura machista, de que a tomada de decisão não é das mulheres, mas felizmente isso tem sido cada vez mais questionado e a mudança comportamental é percebida como uma sociedade mais igualitária apesar dos ataques da onda conservadorismo que vivemos”.
O desafio de lutar contra o machismo que existe no meio sindical é importante. Há sem dúvida uma diferença de tratamento entre homens e mulheres, mas é preciso mostrar que isso não é mimimi, não é frescura e que manifestações de machismo acontecem até num ambiente onde as pessoas se respeitam.

 

 

 

Publicado em Movimentos Sociais

As mulheres voltam às ruas nesta sexta-feira (8) em ao menos 22 cidades brasileiras para celebrar o Dia Internacional da Mulher. Depois das manifestações do #Elenão que reverberaram por todo mundo contra o discurso do ódio e o sexismo representados pela candidatura de Jair Bolsonaro(PSL), a edição deste ano alerta para as ameaças de retrocessos com o atual governo.

A proposta de "reforma" da Previdência, o aumento da militarização, a criminalização dos movimentos sociais, a política de "entreguismo" dos recursos naturais que afeta a soberania nacional são alguns dos pontos pautados por movimentos e pela Marcha Mundial das Mulheres. As manifestações também vão protestar contra o machismo, a violência de gênero, a desigualdade, o racismo e o preconceito contra pessoas LGBTs.

assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ), caso ainda sem solução quase um ano após o crime, será destaque na marcha que acontece em Fortaleza (CE) sob a bandeira "Somos todas Marielles".

Na cidade de São Paulo, a partir das 16h, no Masp, e em Campinas, às 16h, no Largo do Rosário, os atos têm como lema "Mulheres contra Bolsonaro! Vivas por Marielle, em Defesa da Previdência, por Democracia e Direitos". A mesma bandeira de luta ganha espaço também nas cidades de Natal, Mossoró e Parelhas, no Rio Grande do Norte.

Em Salvador (BA), Curitiba (PR), Juiz de Fora (MG) e em Brasília (DF), o destaque é a luta por vida, liberdade, justiça e direitos. O movimento em defesa do aborto legal e seguro e por uma educação não sexista e libertadora ganha voz na marcha em Porto Alegre (RS).

O recente crime da Vale, em Brumadinho (MG) é alvo no protesto de Belo Horizonte (MG) que destaca "O lucro não Vale a vida" chamando a atenção para o passivo ambiental deixado no estado pela ganância das mineradoras. Na Paraíba e em Pernambuco, as mulheres reforçam a luta contra o avanço dos interesses conservadores e neoliberais com o mote "Democracia, Reforma da Previdência e perda de direitos".

Reconhecimento e homenagens

A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) realiza no dia 11 de março, a partir da 9h30, uma sessão solene para homenagear o trabalho e a resistência de mulheres com a Medalha Theodosina Ribeiro 2019, iniciativa realizada desde 2012 pela deputada Leci Brandão (PCdoB-SP), em referência à primeira vereadora negra da Câmara Municipal de São Paulo.

Na edição desse ano, em que 18 personalidades serão premiadas, 14 delas são mulheres negras. Todas reconhecidas pelo trabalho e ações que "empoderam, impactam e influenciam decisivamente a vida de pessoas pertencentes a grupos vulneráveis da sociedade".

A presidenta e regente do Bloco Afro Ilú Obá de Min, percussionista e arte educadora, Beth Beli; a filósofa e escritora Djamila Ribeiro; a rapper, cantora e ativista da Luta Antirracista Bia Ferreira e a liderança do Movimento de Moradia Maria Helena são algumas das homenageadas. 

Confira os locais da marcha:

 

São Paulo

São Paulo

Local: Masp, na Avenida Paulista

Horário: às 16h

Campinas

Local: Largo do Rosário

Horário: às 16h30

 

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Local: Candelária, no Centro

Horário: às 17h

 

Rio Grande do Norte

Mossoró

Local: INSS, no Bairro Aeroporto, com percurso até o centro da cidade

Horário: às 8h

 Natal

Local: INSS, na Rua Apodi, com caminhada até a Praça dos 3 Poderes

Horário: às 15h

 Parelhas

Local: Cooperativa

Horário: às 7h

 

Alagoas

 

Maceió

Local: Praça Deodoro

Horário: às 9h

 

Pernambuco

Recife

Local: Praça do Derby

Horário: às 14h

 Garanhuns

Data: 9 de março

Local: Largo do Colunata

Horário: às 9h

 Caruaru

Data: 14 de março

Local: em frente ao INSS

Horário: às 8h

 

Rio Grande do Sul

Porto Alegre

Local: Esquina democrática e Feira de Economia Solidária o dia inteiro no Largo Glicênio Peres

Horário: às 18h

 Livramento

Local: Marcha Binacional, na Praça General Osório

Horário: às 8h30
+ mateada, oficinas e atividades culturais das 10h às 17h30 no Parque Internacional

 Rio Grande

Local: Coreto da Praça Tamandaré

Horário: às 16h

 Santa Maria

Local: na Praça Saldanha Marinho

Horário: às 16h intervenções culturais e às 18h ato

 São Leopoldo

Local: Câmara de Vereadores, na Rua Independência, 66

Horário: às 16h

 Caxias do Sul

Local: INSS, às 9h30 e caminhada até a Praça Dante, às 10h30 com atos pela tarde

Minas Gerais

Belo Horizonte

Local: Praça Raul Soares

Horário: às 17h

 Juiz de Fora

Local: Parque Halfeld

Horário: às 18h

 Simonesia

Local: Praça Getúlio Vargas, no Centro

Horário: às 16h

 

Ceará

Fortaleza

Local: Praça da Justiça, Murilo Borges

Horário: às 16h

 

Paraíba

Patos

Local: Concha Acústica

Horário: às 7h30

 

Pará

Belém

Local: Mercado de São Brás

Horário: às 8h30 

 

[Via Rede Brasil Atual, com informações da Marcha Mundial das Mulheres ]

Publicado em Movimentos Sociais

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

Instagram