Violência marcou mobilização dos bancários no Distrito Federal, nesta quarta-feira (10), durante paralisação nacional contra desmonte do Banco do Brasil

[Da redação do Brasil de Fato]

Um grupo de cerca de 200 trabalhadores do Banco do Brasil que protestavam pacificamente durante a paralisação nacional desta quarta-feira (10) foi agredido com gás de pimenta e golpes de cassetete pela Polícia Militar (PM) em Brasília (DF). Não há informações sobre feridos até o momento.

As agressões ocorreram por volta das 10 horas da manhã no edifício Sede 1, na garagem do setor bancário sul, onde se concentram as operações de monitoramento remoto do banco. Esse é um dos pontos onde se concentram as mobilizações desta quarta contra a reestruturação e o desmonte do banco na capital federal – outro grupo realiza atividades na tesouraria do Banco do Brasil.

"Fomos violentamente reprimidos pela Polícia Militar, em um descompromisso com qualquer código de honra e ética", relata Kleytton Morais, presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília. "A gente está em um processo de negociação e mediação com o banco, mas a tenente-coronel, ignorando tudo isso, passou por cima do movimento de forma irresponsável, atacando com gás de pimenta e cassetetes".

Morais ressalta que, no momento das agressões, os grevistas estavam em fase final de negociação com o banco para definir a equipe que trabalharia na contingência ao longo do dia.

"Nós já havíamos feito uma composição, e nove trabalhadores entrariam para a contingência. O banco havia até destacado quais eram esses trabalhadores, mas a PM de forma irracional falou: 'Quem são vocês para fazer negociação?'. Foi um ato de truculência e sem mandado judicial, porque não tinha nenhuma autoridade para fazer isso", afirma o presidente do sindicato. "O movimento é pacífico, não tinha bate-boca, absolutamente nada."

O Banco do Brasil, assim como os Correios e o sistema Eletrobrás, é uma das instituições que está na lista de privatizações do governo Jair Bolsonaro (ex-PSL).

Brasil de Fato entrou em contato com a Polícia Militar do Distrito Federal para questionar os motivos da repressão aos trabalhadores. A matéria será atualizada assim que houver retorno por parte da assessoria de comunicação.

A partir do dia 22, devem ser encerradas 361 unidades, sendo 112 agências. Outras 243 agências devem ser rebaixadas à categoria de postos de atendimento. Cerca de 5,4 mil funcionários já aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV), e o Sindicato dos Bancários de Brasília estima que ao menos 10 mil pessoas já perderam 40% da renda com o processo de reestruturação.

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Trabalhadores cruzaram os braços nas agências de Norte a Sul do país. Adesão entre os caixas do banco atingiu cerca de 80% da categoria, que será a mais afetada com as demissões anunciadas pelo comando do BB

[Da imprensa da Contraf/CUT]

Nesta sexta-feira (29), agências, postos de atendimento, escritórios e outras unidades do Banco do Brasil pararam suas atividades contra o plano de reestruturação da direção da instituição. O movimento alcançou todo o país, em um sinal da rejeição por parte dos funcionários do plano de restruturação da direção do banco, que prevê 5 mil demissões e fechamento de centenas de agências, postos e escritórios do BB.

A paralisação ocorreu tanto nas capitais e grandes cidades, como em municípios do interior. Logo pela manhã foram registradas paralisações em cidades como Lagoa Santa (MG), Catanduva (SP), Divinópolis (MG), Passo Fundo (RS), Rolante (RS), Parobé (RS), Igrejinha (RS), Campina Grande (PB), Blumenau (SC), Rio Grande (RS), Macaé (RJ), Dourados (MS), Umuarama (PR), Assis Chateaubriand (PR), Cruzeiro do Oeste (PR), Campos de Goytacazes (RJ), Paranavaí (PR), Taubaté (SP), Olinda (PE), Paulista (PE), Igarassu (PE), Arcoverde (PE), Gravatá PE), Vitória de Santo Antão (PE), Apucarana (PR), Borborema (SP). Uberaba (MG), Mogi das Cruzes (SP) e Juiz de Fora (MG), Assis (SP), Cândido Mota (SP), Paraguaçu Paulista (SP) e Palmital (SP), Alta Floresta (MT), Sinop (MT), Sorriso (MT), Lucas do Rio Verde (MT), Pontes e Lacerda MT).

“A paralisação no dia de hoje foi muito boa. Muitos bancários entenderam a importância de cruzar os braços. Não foi uma paralisação contra o nosso trabalho, mas para cobrar respeito e dignidade por parte da direção do Banco do Brasil”, explicou o coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga. Além da paralisação, houve também um tuitaço com a hashtag #MeuBBvalemais.

Negociação

Na semana que vem, será avaliada a mobilização e sua continuidade, caso a direção do Banco do Brasil se recuse a dialogar com seus funcionários sobre eventuais mudanças no banco. “A Comissão de Empresa vai se reunir na próxima semana, junto com o Comando Nacional, para avaliarmos como foram os atos no Brasil inteiro. Vamos montar um novo calendário de lutas caso o banco não nos chamar para a negociação. Não descartamos a possibilidade de greve dos funcionários do Banco do Brasil”, afirmou o coordenador da CEBB.

Para ver as fotos da paralisação desta sexta-feira, clique aqui.

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A mobilização será virtual e nas unidades do BB. Objetivo é falar sobre os impactos negativos do plano do governo de Bolsonaro e dialogar com clientes e a população. Greves e paralisações não estão descartadas

[Da CUT]

Um ato nacional de “esquenta” para a luta dos trabalhadores e trabalhadoras do Banco do Brasil (BB) contra a reestruturação anunciada pela estatal nesta semana, que fechará 361 unidades, entre agências e postos de atendimento, e demitirá cerca de 5 mil pessoas no país, em plena pandemia, está marcado para esta sexta-feira (15). Paralisações e greves não estão descartadas.

Vestida de preto, a categoria vai protestar para demonstrar o descontentamento com esta medida do presidente Jair Bolsonaro ( ex-PSL) e o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes. A ideia é que este seja o primeiro passo da luta contra a reestruturação, informam  sindicatos da Contraf-CUT. Outro ato já está sendo articulado no dia 21 ( quinta) para pressionar o banco a rever sua posição.

“É um esquenta para as mobilizações, porque ao fechar as agências e diminuir trabalhadores,  a população ficará mal assistida e o país tem menos chance de ter um desenvolvimento real. Fora o fim do papel social do banco. E ainda vai começar a favorecer os mais privilegiados e parar de atender as micro e pequenas empresas, o agricultor e o trabalhador e passo a virar um espaço elitizado”, diz o diretor do Sindicato dos Bancários do ABC, Otoni Pedro de Lima, e  trabalhador do Banco do Brasil.

Atos pelo Brasil

Como a categoria é nacional e em cada canto deste país tem uma realidade diferente, cada sindicato está organizando sua atividade. No ABC, vai ter intervenção em algumas agências, com paralisações parciais e reuniões nos locais de trabalho. Os trabalhadores e as trabalhadores que estão em home office, poderão contribuir com o tuitaço, que também acontece nesta sexta, a partir das 11h com a hashtag #MeuBBvalemais.

“A mobilização contra a reestruturação não tem dia para acabar, serão plenárias digitais e reuniões permanentes por agência, por cargo. Os bancários estão se mobilizando no mundo digital. A organização no local de trabalho agora também tem nos grupos de Whatsapp e Telegram e em rede nacional. É importante que estejamos unidos neste momento para manifestar nossa indignação”, afirma Otoni.

A manifestação está sendo organizada pela Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), federações e sindicatos.

BB trai seu trabalhador  

Mesmo com crescimento no lucro líquido e na receita de tarifas, 2016 a 2019, o banco fez uma reestruturação de quadros, de 2016 até o terceiro trimestre de 2020. O número de funcionários caiu de 109.864 para 92.106, uma redução relativa de 16%. No mesmo período, o número de agências foi reduzido de 5.428 para 4.370, uma redução de 19%.

Além disso, excluiu funções e criou uma relação com alguns trabalhadores com formato de um contrato intermitente. O caixa, por exemplo, deixou de existir no BB e se alguém precise ocupar esta função em algum momento o banco paga por tempo de trabalho. “E a tendência é que isso se repita em outras funções”, diz Otoni.

De acordo com ele, a categoria está se sentindo traída por ter sido considerada essencial na pandemia, trabalhou correndo risco de vida e está vendo a reestruturação como um pagamento injusto pelo esforço. Os bancários e bancárias estão mobilizados porque estão apreensivos com o que pode acontecer com eles. Mesmo quem não foi impactado ainda, está junto na luta.    

 “A gente sabe que o desmonte que estão fazendo no BB é um projeto para a privatização. Bolsonaro e Guedes trabalham para os banqueiros e não querem que tenha um BB no país para atrapalhar os lucros dos amigos. Precisamos conversar com a população para que entendam os prejuízos e venham lutar com a gente”, critica o dirigente.

Serviço:

Tuitaço: hashtag: #MeuBBvalemais

A partir das 11h

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Plano prevê fechamento de agências, perdas de gratificação e redução do papel do banco público

[Com informações da Contraf/CUT]

A direção do Banco do Brasil pregou uma triste surpresa para seus funcionários e as entidades sindicais ao anunciar na segunda-feira (11) um plano de restruturação que prevê o fechamento de fechar agencias e outras unidades, além de um Plano de Demissões Voluntários (PDV) que tem por meta dispensar 5 mil trabalhadores do banco, entre outras medidas consideradas muito ruins.

O plano prevê mudanças em 870 pontos de atendimento por meio do fechamento de agências, postos de atendimento e escritórios e a conversão de 243 agências em postos. Também estão previstas a transformação de oito postos de atendimento em agências, de 145 unidades de negócios em Lojas BB, além da relocalização e 85 unidades de negócios e a criação de 28 unidades de negócios. O PDV prevê duas modalidades de desligamento: o Programa de Adequação de Quadros (PAQ), para o que a direção do banco considera excessos nas unidades; e o Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), para todos os funcionários do BB que atenderem aos pré-requisitos.

O banco também quer fazer mudanças no atual modelo e remuneração dos caixas executivos, que deixariam de ter a gratificação permanente a passariam a ter uma gratificação proporcional apenas aos dias de atuação, se houver.

“Fomos informados pelos funcionários, que receberam o comunicado do banco às 9h. Foi um desrespeito com os funcionários e com as entidades sindicais. Somos contrários a esse plano, que retira do BB o papel de banco público. Também prejudica os caixas executivos, que terão perdas. Na reunião de hoje, as informações foram poucas”, afirmou João Fukunaga, coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB).

Na reunião com a CEBB, os representantes do BB admitiram que não tinham todas as informações por ser o dia do anúncio do plano de restruturação. “Estudamos medidas judiciais e orientamos os bancários que procurem seus sindicatos para mais informações. O anúncio do plano provocou muita preocupação entre os funcionários. Agora, quem está em home office vai querer voltar a trabalhar presencialmente porque está preocupado para não deixar de ser notado em um momento de redução de pessoal. Tudo isso acontece em meio à pandemia”, criticou Fukunaga.

Participaram da reunião desta segunda-feira vários representantes de federações de bancários de todo o Brasil. O plano de restruturação foi considerado um ataque à categoria e pode causar, na prática, a redução do papel do Banco do Brasil como banco público, com o fechamento de agências em diversas cidades do país. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do (Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a CEBB orientam os sindicatos a fazerem reunião para saber o impacto do plano nas suas bases e repasses essas informações para as federações. A CEBB vai realizar nova reunião na quarta-feira (13) para discutir um calendário de lutas e de mobilização dos funcionários.

"Tem que vender essa porra logo"

O ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia sinalizado sua intenção de privatizar o Basnco do Brasil.  Em reunião ministerial no dia 22 de abril do ano passado, ele foi taxativo: “O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”.

Na ocasião, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendia que o governo aproveitasse a preocupação geral com a pandemia para passar a “boiada” do desmonte do Estado. Paulo Guedes tomou carona na fala do ministro e abriu o verbo: “É um caso pronto e a gente não tá dando esse passo (…) Então tem que vender essa porra logo”, se referindo ao BB.

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Na Petrobrás, onde 20 mil trabalhadores já haviam aderido a planos de desligamento voluntários, entre 2014 a 2016, a estimativa é que mais 12 mil petroleiros deixem a empresa no novo PIDV. Ao todo, a Petrobrás terá reduzido em quase 50% o quadro de 80 mil funcionários que tinha em 2012.


Em sua estratégia de enfraquecer a atuação das estatais e piorar a qualidade do atendimento ao consumidor para atrair a simpatia da população para a privatização, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) anunciou mais um Plano de Demissão Voluntária (PDV), em sete empresas públicas. O governo espera a adesão de 21 mil funcionários e uma “economia” de R$ 2,3 bilhões.

Na Infraero, o objetivo é desligar cerca de 600 funcionários, na Petrobras, 4.300, nos Correios é de 7.300 empregados. Na Embrapa, a meta é o desligamento de 3.000. Os nomes das outras três estatais onde haverá cortes não foram informados pelo governo.

Na avaliação dos representantes dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios, Eletrobras, Petrobras e bancos, o PDV vai aumentar as falhas no atendimento e na quantidade de acidentes ao mesmo tempo em que vai reduzir custos e sucatear as estatais para privatizar. E para completar vai encarecer o valor das tarifas bancárias e os preços da energia elétrica, do gás, da gasolina e do diesel e do serviço postal, além de contribuir para aumentar o número de desempregados, que vem batendo recordes no país, além de entregar as empresas estratégicas ao mercado financeiro, colocando em risco a soberania nacional.

O diretor do Sindicato dos Engenheiros do Rio de Janeiro e funcionário de Furnas, Felipe Araújo, critica a lógica do governo Bolsonaro em priorizar o acionista e não o papel social que o sistema Eletrobras tem no país: o de levar energia elétrica a um preço justo que a população possa pagar.

“A lógica da supremacia do acionista sobre bem estar social interessa apenas ao mercado financeiro. O acionista quer o dinheiro no final do ano. A Eletrobras nasceu com uma posição estratégica, de soberania nacional para gerar um resultado positivo para a sociedade brasileira a longo prazo e não para dar lucros a curto prazo”, ressalta o dirigente.

A mesma estratégia de desacreditar junto à população a capacidade da empresa e de seus trabalhadores vem sendo feita na Petrobras. De 2014 a 2016 aderiram a planos de demissão 20 mil funcionários e a estimativa para o próximo é de 12 mil, o que reduziria a capacidade operacional da empresa em mais de 30 mil pessoas. Isto representa quase 50% do quadro de 80 mil funcionários que a Petrobras tinha em 2012.

O coordenador-geral da Frente Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel tem a mesma visão dos eletricitários de que o PDV embute um processo de privatização. “O PDV é o primeiro passo e quem não adere sofre ameaça de demissão, porque a reforma Trabalhista abriu esta oportunidade para a empresa”, conta.

O secretário de comunicação da CUT Roni Barbosa, que também é petroleiro, concorda que os programas de demissões visam apenas reduzir os custos da Petrobras , a preparando para a privatização.

“Querem oferecer a Petrobras com um quadro muito enxuto além do necessário para atrair compradores. A população precisa ser alertada que os custos serão muito altos. Uma empresa que compra uma refinaria paga bilhões de dólares e vai querer tirar esta diferença rapidamente”, diz.

O atual presidente Roberto Castello Branco, chegou dizer que por ele venderia tudo. E enquanto coloca seu plano de privatização em ação, anunciou a venda de oito refinarias.

 “Se as oito refinarias forem privatizadas, vai continuar a política de preços da Petrobras que beneficia os acionistas e prejudica a sociedade. É essa política que faz a população pagar R$ 5,00 pelo litro da gasolina, quase R$ 4,00 pelo litro do diesel e R$ 100,00 pelo botijão de gás de cozinha”, critica o coordenador-geral da FUP.

O secretário de comunicação da CUT lembra que um barril de petróleo é produzido a dois dólares. Os investidores vão triplicar o preço para retirar o capital investido.

O dirigente da CUT lembra ainda dos riscos que os cortes nos quadros de funcionários nas estatais e as privatizações trazem aos trabalhadores e a população em geral.

“Como resultado do enxugamento de funcionários tivemos em 1984, o  acidente na plataforma P 33 , na Baía de Guanabara, que matou 36 trabalhadores e deixou outros 23 feridos.  A privatização da Vale mostrou também que o lucro está acima da vida humana e estão aí os exemplos dos acidentes nas barragens da Vale de Mariana e Brumadinho, que até hoje não enterrou todos as vítimas daquela  tragédia anunciada”, diz Roni.

Nos bancos públicos, como Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF), ao contrário dos governos Lula e Dilma Rousseff em que as tarifas eram mais baixas do que as dos bancos privados, a população já sente a queda na qualidade do atendimento, pela falta de funcionários.

Segundo a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, o PDV faz parte de um plano do governo para sobrecarregar o funcionário e, assim demorar o atendimento do cliente que fica insatisfeito e defenderá a privatização.

Juvandia conta que desde o governo do golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB), aderiram a planos de demissões 20 mil trabalhadores e trabalhadoras. Agora Jair Bolsonaro quer continuar com os PDV para preparar a venda desses bancos.

“Todo mundo perde, a sociedade e os trabalhadores que se sentem inseguros em permanecer na empresa com medo de perdas, e querem sair com algum ganho financeiro. Eles olham para o futuro e não vêm perspectivas”, diz a dirigente, que alerta ainda para os cortes que o financiamento imobiliário, que a Caixa oferece, e os programas sociais podem vir a sofrer.

“Mais de 37% da arrecadação das loterias vão para programas sociais. Se privatizar, como quer o governo, o dinheiro vai para o acionista, para os ricos, que ganham ainda mais dinheiro”, diz.

Os Correios cuja meta do governo é desligar 7.300 trabalhadores com o novo PDV,  já vem sendo sucateado há alguns anos. Com isso, a qualidade dos seus serviços vem sendo questionados por parte da população, avalia Emerson Marcelo Gomes Marinho, diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect).

Segundo ele, desde 2011 os Correios estão sem concurso público para novos funcionários.  Ao final de 2012 eram 125 mil funcionários e, após vários planos de demissões, hoje são 105 mil, com perda de 15 mil funcionários na área operacional e o restante na parte administrativa.

Para piorar a situação do atendimento à população, o presidente da empresa,  General Juarez Aparecido de Paula Cunha já anunciou que pretende deixar o quadro de pessoal entre 70 e 80 mil, reduzindo a capacidade de serviços em quase 50% da mão de obra atual.

Segundo Emerson, os Correios vêm fazendo um trabalho forte de comunicação para que os funcionários pensem que a empresa vai acabar, e as pessoas se precipitam, aceitando sair com um pouco mais de dinheiro. O mesmo acontece em relação aos aposentados que temem perder os 40% do FGTS, com a reforma da Previdência, se o Congresso Nacional aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC nº 006), de Bolsonaro.

Além da falta de funcionários, de acordo com Emerson, a empresa vem priorizando os serviços de entrega de “objetos qualificados”, que são pacotes ou compras que podem ser rastreados via internet, em detrimento à carga postal, que são as cartas, boletos e correspondências em geral.

“O filé mignon de arrecadação são as entregas dos ‘objetos qualificados’. O papel de integração social, de levar a comunicação, as cartas aos quatro cantos do país, aos ribeirinhos nos confins da Amazônia, de integrar o Brasil  está sendo relegado a um segundo plano, e vai piorar porque uma empresa privatizada não vai se importar com a população”, alerta o diretor da Fentect.

Conhecimento é relegado 

O engenheiro de Furnas, Felipe Araújo alerta que os últimos planos de demissões voluntárias na Eletrobras, diminuíram a força de trabalho do sistema de uma forma completamente ‘ingerenciável’, pela falta de concursos públicos para repor a mão de obra.

Felipe alerta ainda que a fuga de capital intelectual da empresa, da capacidade de engenharia e da desapropriação tecnológica vai fazer a sociedade pagar por isso, se houver uma retomada de crescimento. Segundo ele, os funcionários do sistema Eletrobras têm um alto grau de qualificação reconhecido no Brasil e no mundo e , essa perda é irreparável e vai custar mais caro adiante para a empresa e os consumidores.

“Essa demanda vai ter de ser suprida por empresa terceirizada e, se essa empresa não tiver o capital intelectual vai ter de buscar, ou fingir que não precisa. Com isso, os serviços encarecem, e ainda o atendimento pode piorar”, diz o diretor do Sindicato dos Engenheiros do Rio de Janeiro.

O diretor da Fentect, Emerson Marinho também concorda que as demissões provocam danos ao funcionamento das estatais e nos Correios não é diferente.

 “A população não sabe que a precarização dos serviços vem acontecendo pela política dos PDVs e, quando contratam terceirizados, os novos funcionários levam 90 dias para aprender o serviço, mas logo em seguida são demitidos. É uma política de pânico”, denuncia Emerson.

Sindicatos e CUT prometem reação e pedem apoio da população

“A CUT rechaça esse PDV nas estatais. Vamos lutar para reverter esse processo, recompor o quadro de funcionários nas estatais para que elas cumpram o papel de atender a população”, defende o secretário de comunicação da CUT, Roni Barbosa.

Segundo ele, os lucros obtidos não podem ser remetidos ao exterior como fazem as multinacionais, que muitas vezes, também não cumprem legislações ambientais e trabalhistas.

“A Vale é um exemplo de que fica o bagaço para a população e o melhor vai para os acionistas. Uma estatal reinvesti no país”, lembra o secretário.

A presidenta do sindicato dos bancários Juvandia Moreira Leite defende a luta dos sindicatos e da CUT contra a privatização das empresas públicas e pede o apoio da população

“A sociedade também tem de defender a soberania nacional. Este governo não tem projeto de Nação. Não existe Nação forte que não valorize sua natureza e suas estatais fortes. Todas as categorias juntas, sejam petroleiros, eletricitários, bancários, urbanitários, precisamos fazer a luta conjunta contra a entrega da soberania nacional”,.

Para o dirigente da FUP, José Maria Rangel, é preciso reagir, resistir à privatização e buscar apoio da população.

“Precisamos dialogar com a sociedade que tem uma visão distorcida de que funcionário público é marajá. Precisamos fazer com que a população entenda que esta não é uma luta corporativa e sim da toda a sociedade porque estamos defendendo a soberania nacional”, afirma Rangel.

Já o diretor da Fentect, Emerson Marinho, diz que a entidade é contra o PDV por piorar o quadro de desemprego no país e aumentar a possibilidade de um colapso social.

“Somos contra esse desmonte e o desligamento de pessoas que poderiam estar melhorando a qualidade de entrega e dos serviços dos Correios à população”, diz Emerson.

[Via CUT]

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O filho do vice-presidente da República, General Hamilton Mourão (PRTB), ganhou um 'presente' do pai logo no começo de sua gestão. Antônio Hamilton Rossel Mourão, funcionário de carreira do Banco do Brasil, foi promovido de assessor empresarial da Diretoria de Agronegócio para Assessor Especial do presidente, saltando assim três níveis hierárquicos de uma vez.

Com a promoção, Antônio Hamilton passará de um salário de cerca de R$14 mil para R$35 mil, além de passar a integrar o Programa de Alternativas para Executivos em Transição (PAET), que garante bônus na saída do cargo para quem ocupou função no banco por dois anos, um valor que pode chegar a R$ 2 milhões.

A indicação contraria a política de promoções do banco e o discurso do presidente Jair Bolsonaro (PSL), de que combateria o aparelhamento de estatais e de empresas públicas.

"O BB possui métodos para promoção que vinha implantando há alguns anos, um processo que previa uma bolsa-executivo, além de critérios para promoção. Mesmo em cargos de indicação politica, como é o caso do filho do vice-presidente, cabe ainda um critério objetivo e claro do que simplesmente ser filho", ponderou o dirigente executivo do Sindicato dos Bancários de São Paulo e funcionário do BB, João Fukunaga,

"Este grupo político sempre foi ágil em criticar o 'aparelhamento do Estado´, mas sobre nepotismo fazem um silêncio obsequioso. Os representantes da ética e da moral não conseguem explicar este tipo de medida, então se calam", finaliza o dirigente.

O governo Bolsonaro também nomeou Pedro Guimarães como presidente da Caixa Econômica Federal (CEF). O economista, que se especializou em privatizações nos Estados Unidos, é genro de Léo Pinheiro, ex-executivo da OAS, um dos delatores premiados pela Operação Lava Jato, que foi solto após acusar Lula sem provas. 

[Via Sindicato dos Bancários de São Paulo]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.