Live às 19h, com participação de especialistas, debaterá, entre outros temas, a quebra de monopólio de vacina e o lockdown de 21 dias, defendido por cientistas e pela CUT para frear o avanço da pandemia, que bateu mais um recorde de mortes nesta terça, quando 4.195 brasileiros perderam a vida para a Covid. Ás 11h, será realizado um tuitaço com a hastag #VacinaSalvaBolsonaroNão

[Da redação da CUT*]

No dia Mundial da Saúde, celebrado nesta quarta-feira (7), a CUT e a Frente Brasil Popular vão realizar mobilizações em vários locais do país (veja relação abaixo) reivindicando vacina contra Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, para todos e todas, geração de emprego, quebra de patentes das vacinas contra a doença e pelo “fora, Bolsonaro”.

A CUT realizará também uma live, às 19h, para debater o atual cenário brasileiro. Entre os convidados, o senador, médico e ex-ministro da Saúde, Humberto Costa (PT), o médico sanitarista e pesquisador da Fiocruz Claudio Maierovitch, e Fernando Pigatto, presidente do Conselho Nacional de Saúde. Pela CUT participam a secretária de Saúde do Trabalhador da Central, Madalena Margarida Silva, e Antonio Lisboa, secretário de Relações Internacionais.

Dia Mundial da Saúde em plena pandemia

Criado em 7 de abril de 1948 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar a sociedade sobre qualidade de vida e sobre fatores que afetam a saúde da população, o Dia Mundial da Saúde será simbólico este ano, especialmente no Brasil.

Os brasileiros enfrentam a maior crise sanitária de sua história com o agravamento da pandemia do novo coronavírus e têm no comando do país um presidente negacionista, que sabota as medidas preventivas indicadas por autoridades da área de saúde, espalha fake news e orienta a população a usar o kit covid, que ele chama de tratamento precoce. Jair Bolsonaro (ex-PSL) já é considerado um perigo para o Brasil e para o mundo, como afirmou o editorial do jornal britânico The Guardin desta terça-feira (6).

Com aproximadamente 3% da população mundial, o Brasil concentra 30% de novas infecções registradas diariamente em todo o planeta. Especialistas na área de saúde apontam que abril pode ser o pior mês da pandemia até agora e que, se nada for feito, o Brasil terá um total de 600 mil mortes até julho.

Por isso, no Dia Mundial da Saúde, a CUT, centrais sindicais e movimentos sociais o foco central da luta será pelo ‘Fora, Bolsonaro’.

“A CUT definiu em suas resoluções elencar o ‘Fora, Bolsonaro’ como luta central. É imprescindível associar isso a todas as lutas, como as pela vacina e pelo emprego, porque com ele no governo não vamos conseguir reverter essa situação”, diz a secretária de Saúde do Trabalhador da CUT.

Este é o momento em que a CUT e seus sindicatos filiados reforçam a defesa da vida e a proteção aos empregos, afirma a dirigente.

Temos um mote esse ano que é ‘salvar vidas, proteger o trabalho, vacina para todos e todas e em defesa da quebra de patentes’.  
- Madalena Margarida Silva

Quando fala em ‘quebra de patentes’, a secretária se refere a licença compulsória ou obrigatória de patentes que, na prática, significa uma suspensão temporária do direito de exclusividade do dono do produto, a chamada patente, que permite a produção, uso, venda ou importação do produto ou processo patenteado, por um terceiro, desde que tenha sido colocado no mercado.

“Há uma necessidade, um chamado global sobre a importância da quebra de patentes. Entendemos que é fundamental para diminuirmos os custos de vacinas e insumos para que possam ser fabricadas em larga escala, por mais laboratórios e e assim, garantir que todos ao redor do mundo possam ser vacinados”, explica a dirigente.

Na live da CUT com autoridades da área da saúde, um dos pontos a serem abordados será a vacinação no Brasil, outro ponto fraco do governo federal. Por negligência do governo Bolsonaro, a imunização dos brasileiros começou tardiamente. Também houve um desprezo na aquisição doses. Bolsonaro chegou a negar a compra de imunizantes da Pfizer em setembro do ano passado, chamou a vacina produzida pelo Instituto Butantan de vacina chinesa, disse que não tomaria e duvidou da sua eficácia. Paralelamente, o presidente insiste em defender o chamado tratamento precoce com medicamentos sem eficácia comprovada.

Para Madalena Silva, o tema das vacinas é de extrema importância já que, de acordo com cientistas, a maneira mais segura de frear a pandemia é a combinação de isolamento social com imunização em massa.

Não menos importante é a defesa pelo isolamento social, tão combatido por Bolsonaro. “Países que adotaram o lockdown conseguiram diminuir o número de casos”, lembra Madalena Silva. No Brasil, exemplos de cidades como Araraquara, no interior de SP, comprovam que a medida é eficaz no controle das infecções.

A secretária de Saúde da CUT aponta o lockdown como essencial para a defesa da vida dos trabalhadores e alerta que a defesa do emprego, com proteção social também é fundamental.

“É a classe trabalhadora que está se contaminando no transporte quando vai para o trabalho, porque não houve ação coordenada em nível nacional para que o vírus não circulasse. Para a situação não piorar ainda mais é urgente um lockdown nacional de 21 dias, que a CUT defende, com proteção aos empregos e com recursos [do governo para garantir a sobrevivência econômica das pessoas e para os hospitais”, diz Madalena Silva.

Nossa luta é defender a vida acima de tudo de tudo, principalmente no contexto da pandemia. Perdemos o controle e não temos ações que garantam a sobrevivência das pessoas. Hoje, nossa luta é para que as pessoas não cheguem aos hospitais, que estão superlotados.
- Madalena Margarida Silva


A live da CUT, Salvar vidas, proteger o trabalho, vacina para todos e todas e em defesa da quebra de patentes, será transmitida pelas redes sociais da central – Facebook e Youtube – a partir das 19h

Mobilização social

A CUT e movimentos sociais que fazem parte da Frente Brasil Popular farão mobilizações nas redes sociais e em várias cidades do país com foco na defesa do SUS e pelo ‘fora, Bolsonaro’. A hashtag principal deste dia será #VacinaSalvaBolsonaroNão. Um tuitaço está programado para as 11h.

A mobilização também é em defesa da vacinação para todos e todas e na denúncia da responsabilidade de Bolsonaro nos números terríveis de doentes e mortos no Brasil.

Os atos serão simbólicos com no máximo 10 pessoas em locais estratégicos com panfletagens e cartazes para conscientizar a população e estão programados para acontecer a partir das 9h.

Veja os locais 

DF – Brasília

9h: ato da CUT no gramado do Ministério da Saúde

16h: ato do Conselho Nacional de Saúde na Praça dos três poderes 

Minas Gerais

Belo Horizonte, atos a partir das 13h, nas UPAS:

-Pampulha

-Oeste

-Venda Nova

-Centro-Sul

-Leste

-Noroeste II

-Nordeste

-Barreiro

-Norte

Pernambuco

Recife

7h: ato simbólico de protesto em frente à Praça Oswaldo Cruz (Boa Vista), com a fixação de cartazes, faixas e cruzes em memória dos mortos pela COVID-19. Todos devem ir de branco.

Piauí

Teresina

11h: Hospital Monte Castelo 

RJ

Rio de Janeiro

10h: ato do Sindprev no Hospital da Lagoa

13h: ato do Sindprev no Hospital do Andaraí 

Rio Grande do Sul

Porto Alegre

9h30: ato das centrais sindicais em frente à Prefeitura

11h: ato às 11h no Palácio Piratini 

Santa Catarina

Florianópolis

9h: ato do Sindsaúde na Casa da Agronômica

12h: ato no Largo da Catedral 

SP

Carapicuiba

Ato às 11h,na UBS da COHAB II (na Rua Dumont, 410) 

Osasco 

Ato às 11h em frente à Prefeitura 

São Paulo (às 11h)

Ato da Central de Movimentos Populares (CMP) no vão livre do MASP

Ato do Sindsep-SP na UPA do Hospital de Campo Limpo

Ato da CMP na Catedral da Sé

Ato do Sindsaúde no Hospital das Clínicas

Ato no Hospital Vila Alpina

Ato no Hospital Itaim

Ato do Movimento Atingidos por Barragens e da CMP no Hospital Grajaú

Ato do PT em frente à Prefeitura

Ato do Fórum de Saúde Campo Limpo no Hospital M. Boi Mirim

Ato do Sindsep no Hospital/UPA Pirituba

Ato no Hospital João XXIII

Ato no terminal e no Hospital de Sapopemba

Ato no Hospital de Vl. Prudente

Ato do Sindesep no Hospital Municipal Dr. Arthur Ribeiro Saboya

Ato do MTST no Hospital Menino Jesus em - Ermelino Matarazzo

Ato dos Metroviários na estação Jabaquara (METROVIÁRIOS) 

Hortolândia (6h às 11h)

Ato na rodovia SP 101 (sentido Campinas)

Ato no Hospital Municipal

Ato no Centro Comercial 

SERGIPE 

Aracaju

7h: Ato na Praça General Valadão 

LIVES

10h - CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE: “Em defesa do SUS e da Vida de todas as pessoas”
onde: instagram.com/conselhonacionaldesaude.cns/

16h - PROGRAMA BRASIL POPULAR: “Pandemia e os desafios do SUS”, com Inez Padula, Diretora Científica da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade e Francisco Funcia, Consultor técnico da Comissão de Orçamento e Financiamento do Conselho Nacional de Saúde
onde: TV 247 (youtube.com/brasil247)

16h - ÁGORA ABRASCO: “A saúde no Brasil”, com Guilherme Werneck, Edna de Araújo, Reinaldo Guimarães, Eloi Lola Gurgel, Naomar de Almeida Filho e Gulnar Azevedo e Silva.
onde: youtube.com/tvabrasco

17h30 - ESPIRITO SANTO: “O dia mundial da saúde, a defesa do SUS e a pandemia”. Com Geiza Pinheiro, Milene Terra, Madalena Margarida e Maria Faria (Sindsaude/ES).
onde: facebook.com/sindsaudees/live

18h - SÃO PAULO: “Semana Mundial da Saúde em defesa da Vida”, com Raimundo Bonfim, Alexandre Padilha, Lourdes Estevão, Pedro Tourinho, Celia Costa
onde: facebook.com/cmpbrasil/live_videos/

19h - GOIÁS: Plenária Estadual Fora Bolsonaro: “A necropolítica genocida do governo e a devastação da pandemia de COVID-19 no Brasil”
onde: facebook.com/forabolsonarogoias/live

19h - CUT BRASIL: “Salvar vidas e proteger empregos”, com Madalena Margarida (Saúde do Trabalhador CUT), Antonio Lisboa (Relações Internacionais CUT), Claudio Maierovitch (FIOCRUZ), Senador Humberto Costa (PT), Fernando Pigatto (Presidente CNS)
onde: http://facebook.com/cutbrasil/live / www.youtube.com/Cutbrasil

19h - METALÚRGICOS ABC: “Reflexões sobre a pandemia, homenagem aos profissionais da saúde, oração e solidariedade às famílias”, com Arthur Chioro (Ex-Ministro da Saúde), Eduardo Brasileiro (Economia de Clara e Franscisco), Gilberto Carvalho (PT), Romi Bencke (CONIC) e lideranças interreligiosas. 
onde: http://facebook.com/smabc

20h - Hortolândia/SP: “Dia Mundial da Saúde”. Com Carlos Neder (PT)
onde: https://fb.me/e/3EFKj3MPZ 

Outros dias 

8 de abril

Brasília/DF: Entrega da Carta Aberta ao Povo Brasileiro da Frente Pela Vida e do Conselho Nacional de Saúde ao STF ( frentepelavida.org.br ) 

9 de abril

Florianópolis/SC: Ato com velas às 18h30 no Largo da Catedral

São Paulo: Ato em defesa do SUS e da vida e em solidariedade aos

profissionais de saúde em frente ao Instituto Butantan

Rio de Janeiro: Ato em defesa do SUS e da vida e em solidariedade aos

profissionais de saúde em frente a Fundação Osvaldo Cruz 

11 de abril

Vitória/ES: Circulação de carros de som pela cidade em defesa do SUS, da vacina, do auxílio emergencial e do Fora Bolsonaro

 

*Edição: Marize Muniz

 
Publicado em Movimentos Sociais

Esta quarta-feira, 24, é dia de lockdown da classe trabalhadora. De que lado você, petroleiro e petroleira, estará? Na luta pela vida ou ao lado da necrogestão?, questiona a FUP, em editorial 

Leia a íntegra:

Enquanto os trabalhadores do Sistema Petrobrás estão sendo contaminados e mortos pela Covid-19 por conta da negligência e ingerência da empresa, a atual diretoria, que deveria estar preocupada em salvar vidas, corre contra o tempo para aumentar os lucros dos acionistas privados. A FUP tomou conhecimento pela imprensa de que Roberto Castello Branco, às vésperas de se desligar da presidência, está pressionando o Conselho de Administração da empresa a aprovar a qualquer custo a venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), negociada pela metade do preço. A notícia foi divulgada no final da tarde desta terça-feira, 23, pela Agência Estado.

E daí que quatro trabalhadores da Regap morreram nas últimos 48 horas por culpa de gestores que insistiram em manter as paradas de manutenção, abarrotando a refinaria com 2.200 trabalhadores a mais? E daí que cerca de 300 petroleiros se contaminaram na Regap e na Rlam nas últimas semanas? E daí que centenas de trabalhadores offshore estão entregues à própria sorte em meio aos surtos de Covid que se alastram pelas plataformas?

O que vale para a diretoria da Petrobrás é vender a empresa a preço de banana e garantir os compromissos assumidos com os acionistas privados e o mercado. A reportagem da Agência Estado mostra a pressão que está sendo feita sobre os integrantes do CA para que aprovem nesta quarta-feira, 24, a privatização da Rlam. Ao apagar das luzes da gestão Castello Branco, a única coisa que interessa à empresa é tentar consolidar o Preço de Paridade de Importação (PPI) como política de reajuste dos derivados. Em documento obtido pela reportagem, está claro que a diretoria usa o PPI para tentar justificar perante os acionistas o preço da Rlam abaixo do mercado: "sem vender refinaria, vai ser difícil manter os preços dos combustíveis alinhados aos do mercado internacional".

É essa mesma diretoria, em qualquer compromisso com os interesses nacionais, que atua na contramão das medidas de contenção da pandemia da Covid-19, fazendo multiplicar a contaminação nas unidades operacionais. É a mesma diretoria que se recusa a tomar as medidas de prevenção cobradas pela FUP e pelos sindicatos, como suspensão da paradas de manutenção que lotam as refinarias com mais de 2 mil trabalhadores, a testagem em massa de todos os petroleiros, próprios e terceirizados, o cumprimento dos protocolos recomendados pelos órgãos de saúde e de fiscalização, a emissão de CATs para os casos de Covid, entre outras.

Segundo o último boletim de monitoramento da Covid-19 divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (22/03), a semana começou com 5.684 petroleiros contaminados, o que representa 12,2% do total de trabalhadores próprios da empresa. O número de infectados vem aumentando há seis semanas consecutivas. Esses dados, no entanto, por mais assustadores que sejam, não refletem a realidade, pois a Petrobrás omite, desde o início da pandemia, a divulgação dos casos de Covid entre os trabalhadores terceirizados, que são os mais expostos à contaminação.

A gestão Castello Branco tem as mãos manchadas de sangue, mas, e daí? O que interessa é garantir a produção a qualquer custo, não importa que o preço seja a vida do trabalhador. O que interessa é vender refinaria pela metade do preço e cumprir as metas de privatização. O que interessa é sacrificar a população com preços abusivos do gás de cozinha e dos combustíveis e agradar o mercado.

Esta quarta-feira, 24, é dia de lockdown da classe trabalhadora. De que lado você, petroleiro e petroleira, estará? Na luta pela vida ou ao lado da necrogestão? 

Federação Única dos Petroleiros

Em reunião com o Sindipetro Bahia, gerência da refinaria insiste em manter parada de manutenção, que irá concentrar mais 2.500 trabalhadores na unidade

[Com informações do Sindipetro BA]

Já são 75 trabalhadores próprios infectados pelo vírus da Covid-19 na Refinaria Landulpho Alves e afastados do trabalho. Oito estão hospitalizados e três em uma Unidade de Terapia Intensiva, intubados.

O clima na refinaria é de medo e insegurança. Os trabalhadores relatam que os casos de contaminação pelo vírus começaram a se multiplicar cerca de seis dias após a véspera da greve da categoria (17/02), quando o Gerente Geral da RLAM autorizou a entrada, sem nenhum tipo de controle sanitário, de trabalhadores próprios e terceirizados na unidade, colocando até três turmas de operadores nas CCLs, que dormiram em colchões no chão e em um ambiente fechado. Havia também muita gente no Carlam e no portão 3, principalmente terceirizados.

A refinaria tem aproximadamente 900 trabalhadores próprios, em cada unidade costumam trabalhar 90 trabalhadores em regime de revezamento de turno. De acordo com os operadores, o grande número de afastamentos (75) criou outro grande problema. Em 2017, a refinaria com a finalidade de diminuir custos para possível venda, reduziu o efetivo de trabalhadores. Agora, com o afastamento dos operadores contaminados pelo vírus, muitas unidades estão gerando dobras de 24 horas e de até 36 horas, o que pode provocar acidentes a qualquer momento.

Entre os trabalhadores terceirizados, a estimativa, de acordo com denúncias que chegaram ao Sindipetro, é a de que 15 pessoas de uma das contratadas da refinaria foram diagnosticadas com o vírus da Covid-19.

Os trabalhadores denunciam também que a refinaria se recusa a fazer nova testagem naqueles que já contraíram a doença no ano passado. A preocupação deles é com a nova cepa do coronavírus que já chegou à Bahia. “Pode haver casos assintomáticos de reinfecção e propagação dessa nova cepa”, relatam os trabalhadores, preocupados com o que pode acontecer. A estatal também não fiscaliza as empresas terceirizadas, que transportam seus trabalhadores em ônibus lotados.

O coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, publicou em seu perfil no Twitter um vídeo denunciando as condições dos trabalhadores na Rlam: 

Reunião sobre a parada de manutenção não teve avanço

Mesmo com o alto índice de contaminação pela Covid-19, a gerência da RLAM informou, em reunião que aconteceu na tarde dessa sexta-feira (26), com o Sindipetro Bahia, que vai manter a data da parada de manutenção na refinaria. Apesar de admitir que pela Norma Reguladora, a parada poderia ser adiada, os gerentes informaram que tomaram a decisão de mantê-la na data programada anteriormente, o dia 15/03, pois teriam informações de equipamentos que já estariam precisando de ações mais rápida, sem dizer quais são esses equipamentos. Eles também disseram que vão efetuar mudanças dos horários de entrada para os terceirizados, com aumento dos equipamentos de proteção e uso de álcool em gel e máscaras” e que estão aumentando a testagem.

O Sindipetro alertou que na atual situação nenhuma desas ações de proteção estancaria o problema, pois o nível de contaminação está muito alto. A entidade sindical informou também que enviou notificação formal à Petrobras para definir responsabilidades, pedindo a imediata suspensão.

Mas que diante da manifestação da empresa e da falta do avanço nas negociações, o sindicato já avisou em mesa que vai encaminhar denúncia contra a RLAM ao Ministério Público do Trabalho, ao Centro de Saúde do Trabalhador da Bahia Cesat) e à Superintendência Regional de Trabalho e Emprego, para que os órgãos públicos competentes tomem conhecimento dessa grave situação, e no uso de suas atribuições possam garantir o adiamento da parada de manutenção. Por fim, o Sindipetro lamentou a falta de avanço neste importante ponto da pauta de negociação, principalmente por tratar de saúde e segurança no meio ambiente de trabalho.

Diferente de vários países que começaram cedo a imunização contra a Covid-19, Brasil está há 35 dias seguido com média móvel de mortes acima de mil pessoas a cada dia

[Da redação da CUT]

Na contramão de vários países do mundo, o Brasil, que completa um ano da confirmação do primeiro caso do novo coronavírus, chegou, nesta quarta-feira (24), a 250 mil vidas perdidas para a Covid-19 e, nesta quinta, vai ultrapassar essa terrível marca.  É a pior fase da pandemia no país, que enfrenta picos de internações, falta de leitos e de vacinas e uma variante mais transmissível que surgiu em Manaus e já circula em vários estados.

No dia 7 de janeiro deste ano, o Brasil chegou a 200 mil mortes e, em apenas 48 dias, atingiu a marca de 250 mil. O ritmo das mortes deve continuar acelerando, segundo especialistas, já que o país não fez o dever de casa: restrição rígida de circulação de pessoas. Eles apontam ainda que, neste ritmo, o Brasil pode atingir 300 mil mortes ainda no mês de março.

O país está há 35 dias seguido com média móvel de mortes acima de mil. Foi a maior média móvel de óbitos em toda a pandemia, 1.127 vítimas por dia, sendo 1433 nas últimas 24 horas, mais um recorde.

O número total de vítimas da pandemia no Brasil pode ser ainda maior, considerando a subnotificação e outros óbitos que ainda aguardam confirmação dos testes para a Covid-19. As mortes nas duas últimas semanas tiveram um crescimento acima de 2%, o que representa uma situação de estabilidade, porém, em patamar elevado.

Ao contrário de vários países, que começaram cedo a imunização contra a Covid-19, decretaram lockdown e várias medidas para restringir a circulação de pessoas, o Brasil, que vem desde novembro do ano passado com tendências de crescimento da doença e ainda não tem sinal de controle, mantém a desorganização e a falta de um comando nacional de combate a pandemia, além da péssima gestão do Ministério da Saúde, comandado pelo general Eduardo Pazuello.

O atraso nas compras de vacina, insumos e até recursos para novos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e enfermarias, são algumas das trapalhadas do governo federal. Enquanto outros países têm ação efetiva para o controle da pandemia com campanhas de vacinação e outras medidas, o Brasil vive o drama e angústia da falta dos imunizantes e de governo.

Prefeitos e governadores adotam medidas rígidas

Sem ação do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), prefeitos e governadores adotaram medidas duras para frear o avanço da doença.

Estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Piauí, Santa Catarina, Bahia, Fortaleza endureceram as regras de isolamento social. Grandes cidades do estado de São Paulo, como Araraquara, adotaram lockdown e toque de recolher à noite.


Saiba mais: SP decreta toque de recolher das 23h às 5h a partir de sexta (26) para frear Covid


Para frear a propagação da Covid-19, nesta quarta-feira (24), o estado de São Paulo decretou toque de recolher das 23h às 5h a partir de sexta (26). A pressão dos empresários do comércio levou o governador João Doria (PSDB) a tomar uma medida mais leve do que as que estão sendo decretadas por vários prefeitos. Para especialistas, a restrição deveria ser maior, já que São Paulo registra aumento no número de casos de Covid-19 e recorde de pessoas internadas em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Rio Grande do Sul também vive o pior momento da pandemia. Nesta semana, houve uma disparada nas internações na rede pública de saúde do estado, aumento de 72% em leitos clínicos e de 27% nos de UTI.

A capital, Porto Alegre, tem 96% de sua rede tomada por pacientes com Covid-19, enquanto o estado está com 87% dos leitos ocupados. A expectativa é que o número de mortes e casos continue aumentando após as festas e aglomerações do feriado de carnaval.

Nordeste decreta toque de recolher

Os estados de Pernambuco e de Piauí também decretaram toque de recolher e a capital da BahiaSalvador, determinou o fechamento de praias na tentativa de conter o avanço da Covid-19. O mesmo foi decido pelas autoridades de João Pessoa.

O governo do estado de Pernambuco decretou toque de recolher em 63 municípios das gerências regionais de Saúde de Limoeiro, de Caruaru e de Ouricuri, localizadas no agreste e sertão pernambucano, até o dia 10 de março. Todas as atividades econômicas e sociais estão proibidas das 20h até as 5h durante a semana, e das 17h às 5h nos finais de semana. 

No Piauí, um novo decreto instituiu toque de recolher foi anunciado nesta quarta-feira (24) em todo o estado das 23 h às 5 h até o dia 4 de março, ficando proibida a circulação de pessoas em espaços e vias públicas. Nos finais de semana devem funcionar somente atividades essenciais.

Já em Salvador, praias e os clubes da capital baiana estarão fechados a partir desta quarta-feira (25). A proibição vai até o dia 2 de março e tapumes devem impedir a circulação de pessoas nas praias do Rio Vermelho, Amaralina e também na Barra.

O estado da Bahia vive o momento mais crítico da pandemia causada pelo coronavírus. O Hospital Santa Isabel, Hospital de Campanha da Itaigara, Hospital do Subúrbio e o Hospital Municipal de Salvador, já apresentam 100% de ocupação dos leitos de UTI.  O estado conta com 2.220 leitos ativos e 1.572 para internação. Outro dado que chama a atenção é que o estado chegou a marca de 82% na taxa de ocupação dos leitos da UTI para adultos e 71% para ocupação geral. Ao todo, 11.321 pessoas já faleceram acometidas pela doença. 

Em meio ao avanço da pandemia da Covid-19, principalmente após a identificação de novas cepas do coronavírus com potenciais ainda maiores de contaminação, a gestão da Petrobrás continua negligenciando a realização de testagem em massa dos trabalhadores dentro dos padrões exigidos pelas organizações de saúde. Na última reunião com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR), realizada no dia 03 de fevereiro, a FUP tornou a questionar a substituição do teste RT-PCR pelos testes sorológico e de antígeno.

“A Petrobrás dividiu o território nacional em sete áreas para contratação de testagens e, por razões que não conhecemos, uma única empresa assumiu os sete contratos, mas não teve condições de atender às demandas e os contratos foram suspensos. Por conta disso, a Petrobrás rebaixou o padrão de testagem dos trabalhadores, passando a aplicar testes sorológicos e de antígeno, no lugar do RT-PCR, que é o teste padrão ouro”, explica o diretor da FUP, Raimundo Teles, que coordena a representação dos trabalhadores nas reuniões do EOR. Essa falha da Petrobrás, segundo ele, revela a negligência e a incompetência da gestão no controle da pandemia. “Se fosse um contrato de prestação de serviços operacionais, a empresa agiria com o mesmo descaso que vem agindo com a questão da saúde dos trabalhadores?”, questiona. 

Desde o ano passado, os sindicatos cobram que os trabalhadores que estão embarcando e atuando em áreas operacionais terrestres sejam testados e retestados com a maior frequência possível, independentemente de terem ou não sido contaminados anteriormente. A Petrobrás, no entanto, insiste em manter um intervalo de 90 dias para restestar os trabalhadores que já apresentaram resultados positivados para o coronavírus. A FUP insiste na testagem e retestagem frequente de todos os trabalhadores, ressaltando que essa é a única forma possível de garantir o controle da pandemia no Sistema Petrobras, enquanto o Brasil não tiver um plano nacional de vacinação em massa para toda a população.

RJ é o estado com mais petroleiros contaminados

Os últimos números apresentados pelo EOR revelam que, desde o ano passado, 4.379 trabalhadores próprios foram contaminados pelo coronavírus e se recuperaram. Na última semana de janeiro, mais 408 casos foram registrados pela empresa, dos quais 209 foram confirmados e 199 estavam sob suspeita. Segundo o EOR, 23 trabalhadores estavam hospitalizados, sendo nove em unidades de tratamento intensivo. A gestão da Petrobrás, no entanto, continua omitindo informações sobre o avanço da pandemia entre os trabalhadores terceirizados. Pela primeira vez, a empresa concordou em informar os casos registrados por estados, mas não especificou as unidades, nem os regimes de trabalho dos petroleiros que apresentaram suspeita ou confirmação de contaminação pelo coronavírus.

O estado do país onde há mais trabalhadores afetados pela Covid-19 é o Rio de Janeiro, com 128 casos confirmados e 109 suspeitos (dados referentes ao dia 02/02), o que reflete os surtos semanais nas plataformas, conforme vem sendo denunciado pela FUP e pelo Sindipetro-NF. O Espírito Santo aparece em segundo lugar, com 25 petroleiros contaminados e 19, suspeitos, seguido do estado de São Paulo, com 17 casos confirmados e 29 suspeitos. O Amazonas, que é a região do país em situação mais grave nesta nova onda da pandemia, é o quarto na lista da Petrobrás, com 12 trabalhadores contaminados e cinco sob suspeita.

Paradas de manutenção mobilizarão 16 mil trabalhadores a mais nas refinarias

Outro ponto sensível da última reunião com o EOR foi a apresentação do cronograma de paradas de manutenção feita pela Petrobrás em atendimento à cobrança da FUP. Entre fevereiro e agosto, sete refinarias mobilizarão 16.347 trabalhadores em plena pandemia, sendo que quatro delas entrarão em manutenção simultaneamente, no final de fevereiro e início de março, recebendo mais de 10 mil pessoas, além dos atuais efetivos. A FUP manifestou preocupação com a segurança dos trabalhadores e as medidas de proteção que as refinarias irão adotar e propôs um calendário de vistorias sanitárias nas unidades de sua base sindical, começando pela Regap (MG), onde a parada de manutenção está prevista para começar no dia primeiro de março, seguida da Rlam (BA), da Reduc (RJ) e da Repar (PR).  

“Essa vistoria sanitária é importantíssima para que possamos acompanhar e discutir com a gestão local as barreiras de proteção para evitar a contaminação pelo coronavírus durante as paradas, principalmente, as medidas de distanciamento, já que teremos uma média de 2.500 trabalhadores a mais nas unidades”, reforça Raimundo. Em outubro do ano passado, a FUP e os Sindipetros Duque de Caxias e Sindipetro-NF fizeram uma vistoria sanitária na Reduc, junto com representantes do EOR e da unidade.

[Imprensa da FUP | Foto: Agência Brasil]

Todas as semanas, desde o início da pandemia, a categoria petroleira é assombrada com um novo surto de Covid nas plataformas. O caso mais recente é com os trabalhadores de P-63, na Bacia de Campos. A FUP e o Sindipetro-NF seguem na luta em defesa da saúde da categoria, cobrando da Petrobrás uma gestão que defenda a vida das pessoas e que priorize a prevenção da doença, mas infelizmente o que é visto é um repeteco da necropolítica de Bolsonaro.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

A rotina dos surtos de Covid nas plataformas da Bacia de Campos continuam. O Sindipetro-NF recebeu no sábado, 23, a informação que quatro trabalhadores que embarcaram na P-63 apresentaram sintomas da doença e testaram positivo. No dia seguinte, o enfermeiro que fez o atendimento foi isolado, depois desembarcou e também testou positivo, assim como um trabalhador do lastro. No total a plataforma teve seis casos confirmados e três suspeitos, ainda sem confirmação do resultado dos testes desses últimos.


Leia também: Bolsonaro acentua alta dos combustíveis iniciada por Temer. Reajustes ficaram até oito vezes acima da inflação


Como a partir de três pessoas no ambiente ser considerado surto, o Sindipetro-NF orientou aos trabalhadores a bordo que solicitassem uma reunião extraordinária de Cipa, com participação do sindicato, para que fosse feita uma ata relatando a situação da unidade.

Em contato com a gestão, o sindicato cobrou a testagem imediata dos trabalhadores e a higienização da plataforma, mas até o fechamento do boletim não tivemos informação que esses pedidos do sindicato tivessem sido cumpridos. Na reunião de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR) que aconteceu na quarta, 27, a diretoria do NF cobrou novamente uma ação imediata em P-63. Enquanto a gestão não toma as devidas providências mais pessoas se arriscam a se contaminar a bordo. Uma triste realidade que atinge a categoria petroleira.

Situação no NF

Desde o início de abril de 2020 o Departamento de Saúde do Sindipetro-NF acompanhou e registrou os casos de trabalhadores acometidos ou suspeitos de terem contraído o COVID19, em decorrência do ambiente de trabalho. Até o dia de hoje, foram registrados no departamento 181 casos de trabalhadores suspeitos de infecção pelo coronavírus e 150 obtiveram resultado positivo para a doença.

 

Enquanto a gestão da Petrobrás omite informações sobre óbitos por Covid na empresa e invisibiliza os trabalhadores terceirizados que se contaminam nas unidades operacionais, a categoria chora a morte de companheiros de trabalho que estão perdendo a batalha para o coronavírus. Levantamento semanal do Ministério da Saúde apontou aumento de 125% no número de petroleiros mortos em consequência da doença. Segundo o boletim do dia 18 de janeiro, foram 5 óbitos na semana anterior, em um total de 9 desde o início da pandemia.

Números que não representam a realidade cada vez mais cruel que os trabalhadores do Sistema Petrobrás enfrentam, em função da negligência de gestores que repetem na empresa a mesma postura negacionista do governo Bolsonaro. Informações obtidas pela FUP revelam que já chega a 60 o contingente de petroleiros que perderam a vida para a Covid 19. Destes, 48 eram terceirizados e 12 eram empregados diretos da estatal.

Esses dados foram apresentados pela Federação na reunião com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR), que ocorreu, excepcionalmente, na sexta-feira, 22. Os dirigentes sindicais também lamentaram mais outros quatro óbitos por Covid nos últimos dias: um petroleiro do Espírito Santo e três do Amazonas, sendo que um deles faleceu após perder em poucos dias a mãe, o pai e um irmão, todos contaminados pelo coronavírus. Somam-se a estas perdas, mais duas mortes de trabalhadores nesta semana, que, por omissão de informações da Petrobrás, não foi possível esclarecer se foram em consequência da Covid.

Casos como estes não só chocam, como deixam a categoria ainda mais insegura, diante da negativa dos gestores em atender às principais reivindicações das entidades sindicais, como testagem e retestagem em massa dos trabalhadores que estão em áreas operacionais e intensificação das medidas de segurança, principalmente uso de máscaras de qualidade, higienização e distanciamento.

“A situação no Amazonas é gravíssima. Na semana passada, já havíamos perdido outro petroleiro em Urucu. São casos e mais casos de trabalhadores com suspeita, afastados... todos os dias temos aposentados contaminados e internados. Mas, nada disso parece sensibilizar a gestão. A caixinha de maldade da empresa não parou e continua avançando cada vez mais, mesmo em meio a essa situação. O sindicato está fazendo a sua parte com campanhas de orientação e alertas constantes aos trabalhadores”, revelou o presidente do Sindipetro-AM, Marcos Ribeiro.

Um em cada 10 petroleiros já se contaminou

Até o último dia 21, mais 490 trabalhadores da Petrobrás apresentaram sintomas da Covid-19, dos quais 264 testaram positivo, segundo informações do EOR. Esta semana, 23 trabalhadores seguem hospitalizados, 12 em UTIs. Desde o início da pandemia, segundo a empresa, 4.415 petroleiros foram infectados, dos quais 4.151 se recuperaram e 264 estão ativos. Há ainda 226 casos suspeitos registrados até a última quinta-feira (21). Ou seja, um em cada dez trabalhadores próprios já foi infectado pela Covid. No caso das prestadoras de serviço, a Petrobrás continua omitindo informações sobre o avanço da doença entre os trabalhadores terceirizados, que são os mais vulneráveis à contaminação.

Falta de Transparência 

A FUP criticou duramente a falta de transparência da Petrobras, que insiste em omitir os casos de trabalhadores terceirizados infectados e continua negando qualquer tipo de informação sobre óbitos causados pela Covid. A divergência entre os números divulgados pelo Ministério da Saúde e os que são informados à FUP também tem sido constantemente questionada nas reuniões com o EOR. Soma-se a isso o fato da empresa não divulgar informações sobre os casos de Covid por unidades, nem compartilhar com as entidades sindicais e muito menos com a categoria informações sobre os protocolos e as normas técnicas que a gestão vem adotando na pandemia.

FUP insiste em testagem em massa

Em todas as reuniões com o EOR, os sindicatos cobram insistentemente que a Petrobrás teste e reteste todos os trabalhadores que estão embarcando e trabalhando em áreas operacionais de terra. A FUP ressaltou que essa é a única forma possível de garantir o controle da pandemia na empresa, enquanto o Brasil não tiver um plano nacional de vacinação em massa para toda a população. A cobrança é para que a Petrobrás teste cada vez mais os trabalhadores, na maior frequência possível, independentemente de terem ou não positivado em testes anteriores.

A empresa, no entanto, insiste em manter o protocolo de restestar os trabalhadores que já testaram positivo em exames anteriores somente após 90 dias. No caso de unidades terrestres, nem isso estava acontecendo. Os trabalhadores positivados eram definitivamente dispensados de novos testes, mesmo com a comprovação de casos de reinfecção. Só após muita cobrança da FUP nas reuniões do EOR, os gestores resolveram aplicar o mesmo protocolo de 90 dias para os trabalhadores de terra. A Federação tornou a cobrar a retestagem em intervalos mais curtos de tempo para toda a categoria.

Outras cobranças feitas na reunião desta semana:

Testagem – o Sindipetro Amazonas cobrou que os testes sejam feitos no aeroporto antes do embarque dos trabalhadores para Coari e que a Transpetro aumente o número de profissionais de saúde em Manaus, cujo efetivo não é suficiente para dar conta da demanda cada vez maior, em consequência do novo pico da pandemia. Também foi cobrado que a testagem dos trabalhadores da Repar, no PR, seja realizada na entrada do expediente e no primeiro dia da sequência de trabalho, como é praticado em outras unidades.

Marcação de testes pelo 0800 – os sindicatos relataram diversas falhas neste sistema de marcação, o que está colocando em risco os trabalhadores, já que não conseguem agendar a tempo os testes de RT-PCR, mesmo apresentando sintomas da doença. Em Curitiba, por exemplo, somente um laboratório realiza o teste e não tem serviço delivery. Além disso, o empregado não tem acesso ao resultado, que só é disponibilizado para a Petrobras. No Espírito Santo, o serviço realizado pela empresa Cremasco também não está funcionando.

Paradas de manutenção - a FUP tornou a cobrar da Petrobras um planejamento das paradas de manutenção previstas para este ano. Com a explosão de uma nova onda de contágios, é fundamental que os sindicatos acompanhem as ações e barreiras sanitárias adotas para conter o avanço da pandemia nas unidades operacionais, que recebem um grande contingente de trabalhadores durante as paradas. A Regap, por exemplo, que tem manutenção prevista para a segunda quinzena de fevereiro, mas já se encontra na fase de pré-parada, teve um aumento de mais de mil trabalhadores em relação a períodos normais de produção. Durante a parada, a previsão é de que esse efetivo aumente na mesma proporção.

[Imprensa da FUP]

Dirigentes brasileiros se reuniram na quinta-feira (21) com a principal federação sindical chinesa, que se comprometeu a interceder junto ao governo de Xi Jinping para liberação de insumos para a produção da vacina e ajuda humanitária ao Brasil

[Da redação da CUT]

Dois dias após fechar acordo histórico com o governo venezuelano para o fornecimento de oxigênio hospitalar a Manaus, capital do Amazonas,  CUT, Força, UGT, CTB, CSB e NCST, que compõem o Fórum das Centrais Sindicais se reuniram com a direção da Federação Nacional dos Sindicatos da China (ACFTU - All-China Federation of Trade Unions), a maior entidade sindical do mundo com 302 milhões de trabalhadores e 1,7 milhão de sindicatos filiados.

Em mais uma ação humanitária e de diplomacia de classe ante a criminosa incompetência do governo federal, as centrais apelaram à entidade sindical chinesa para interceder junto ao governo central da China e abrir caminhos para que o movimento sindical brasileiro consiga insumos à produção de vacina anti-Covid-19 e ajuda humanitária à população da Região Norte do Brasil, que, além da pandemia, enfrenta a falta de oxigênio hospitalar. A China tem o insumo essencial à produção da vacina, mas as relações diplomáticas com o Brasil ruíram em consequência dos ataques e chacotas de Jair Bolsonaro e do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Os sindicalistas chineses comprometeram-se a intermediar o diálogo entre as centrais brasileiras e o governo chinês. “Vamos usar todos os nossos canais e esforços para levar a mensagem de vocês [centrais] ao governo central e ao Partido [Comunista Chinês] sobre as necessidades imediatas do povo brasileiro ante a pandemia”, afirmou An Jianhua, membro da Direção Executiva e secretário Internacional da Federação dos Sindicatos da China. A entidade ocupa a vice-presidência na Assembleia Popular chinesa (espécie de Congresso Nacional), com trânsito e forte influência junto ao governo do presidente Xi Jinping.

O líder sindical chinês afirmou que a Federação está solidária à população de Manaus (à qual se referiu como povo da floresta amazônica) e garantiu que a entidade oferecerá todo apoio e ajuda para que a população da capital amazonense saia dessa crise sanitária imposta, não só pelo vírus, mas também pela falta de oxigênio hospitalar.

“Nós também já conversamos muitas vezes com o governo para falar que a maioria do povo brasileiro e as centrais sindicais do Brasil, que representam a classe trabalhadora, sempre mantiveram uma atitude amistosa em relação à China”, lembrou.

Sem citar nome, o dirigente chinês, fez uma alusão clara ao presidente Bolsonaro: "Algumas palavras de ignorantes não vão comprometer as tendências amistosas das relações entre a China e o Brasil".

O vice-presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, e o secretário de Relações Internacionais, Antonio Lisboa, participaram da reunião e agradeceram a disponibilidade e o compromisso firmado pelos sindicalistas chineses em ajudar as centrais na interlocução com o governo chinês.

“Temos um enorme respeito pela China, seu povo, sua cultura e seu movimento sindical. Que nesse momento nós tenhamos cada vez mais solidariedade de classe para combater esse vírus tão grave que já tirou a vida de milhões de trabalhadores no mundo. Quero também, em nome do povo brasileiro, pedir desculpas pelas agressões do governo Bolsonaro ao povo chinês. Entre nós prevalecerá sempre a solidariedade e o respeito”, disse Vagner Freitas.

An Jianhua retribuiu agradecendo às centrais brasileiras por terem enviado carta ao Congresso Nacional, em 2020, repudiando ataques de Bolsonaro, “que prejudicaram as relações amistosas entre China e Brasil. “Quando fomos convidados para essa reunião aceitamos imediatamente, porque valorizamos e consideramos de suma importância esse encontro e intercâmbio”, disse o sindicalista chinês.

 “Mais uma vez a CUT, as centrais, o movimento sindical brasileiro mostram que têm organização, estatura e disposição para enfrentar todas as adversidades e problemas criados por esse governo brasileiro criminoso. Iremos aonde for necessário, falaremos com todos os interlocutores que puderem nos ajudar a enfrentar essa crise sanitária, agravada pela incompetência e sordidez do presidente Bolsonaro”, afirmou o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, sobre a reunião com os chineses.

Além de presidentes e secretários das seis centrais sindicais brasileira, o presidente da IndustriAll-Brasil, Aroaldo Oliveira, também participou da reunião com os chineses.

Mais sobre a Federação

A Federação Nacional dos Sindicatos da China é a maior entidade sindical do mundo, com 302 milhões de filiados em 1.713.000 organizações. Está dividida em 31 federações regionais e 10 sindicatos industriais nacionais.

É o único sindicato com mandato legal do país e também dirige uma faculdade pública, a China University of Labor Relations.

Foi oficialmente fundada em 1º de maio de 1925, quando o "Segundo Congresso Nacional do Trabalho" se reuniu em Cantão com 277 delegados representando 540 mil trabalhadores e criou a constituição da Federação.

Em 1927, a entidade foi restringida pelo então governo recém-estabelecido do regime nacionalista de Chiang Kai-shek, que ordenou a execução de milhares de quadros do PCC e seus simpatizantes como parte de uma repressão ao comunismo. Todos os sindicatos liderados pelo Partido Comunista, caso da Federação, foram banidos e substituídos por “sindicatos amarelos” leais a Kai-shek.

Com a ascensão de Mao Tsé-Tung, em 1949, a  Federação foi estabelecida como o único centro sindical nacional da China, mas foi novamente dissolvida em 1966 na esteira da Revolução Cultural.

Em 1978, dois anos após a morte de Mao, a Federação realizou seu primeiro congresso desde 1957. No início dos anos 1990, foi regulamentada pela Lei Sindical da República Popular da China.

Em nova manifestação ao Supremo Tribunal Federal, partido pede a reabertura da Fafen-PR, que poderia produzir oxigênio e está desativada desde janeiro de 2020. No pedido, o partido também questiona documentos da Advocacia-Geral da União entregues ao STF que contém informações contraditórias, não apresenta plano para controle da crise sanitária e não adota medidas para o abastecimento de oxigênio na capital amazonense

[Da Agência PT de Notícia]

PT protocolou uma nova manifestação no STF nesta quarta-feira (20), onde pede a reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná – Fafen-PR, que pertence à Petrobras e que poderia estar produzindo oxigênio para atender às necessidades do país, mas segue fechada desde janeiro de 2020. Nesta semana, mais pessoas morreram no interior do Amazonas do Pará por falta de oxigênio.

Na nova manifestação à ADPF 756,  o PT pede que o Supremo volte a intimar a Presidência da República para que informe as causas da falha no abastecimento de oxigênio em Manaus e que tome, de fato, todas as providências possíveis para garantir o abastecimento de oxigênio aos hospitais de todo o país, entre elas, a reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná – Fafen-PR.


> Leia também: Fechada há um ano pelo governo Bolsonaro, Fafen-PR poderia produzir 30 mil metros cúbicos de oxigênio por hora


O ministro do STF, Ricardo Lewandowski ordenou que a União apresentasse plano detalhado sobre as medidas a serem adotadas com relação à situação de Manaus. O ministro considerou as informações prestadas pela AGU e as notícias de colapso no sistema de saúde de diversos outros estados e municípios para cobrar medidas do governo federal.

Segundo os advogados do PT, conforme  apurado pelos documentos apresentados no processo pela Advocacia-Geral da União, houve claro descumprimento da decisão liminar por parte do Governo Federal. Além de apresentar informações contraditórias, o material enviado não apresenta plano estratégico e não adota as medidas necessárias e possíveis para o abastecimento de oxigênio na capital amazonense.

Para o PT, o governo Bolsonaro deveria estar oferecendo, pelo menos, 51,8 mil m³ de oxigênio à capital, diariamente, entretanto, entre os dias 12 e 19 de janeiro ofereceu, em média, apenas 11,5 mil m³. Na terça-feira à noite, chegaram quatro caminhões vindos da Venezuela com oxigênio doado pelo governo de Nicolás Maduro. Também chegaram em Manaus cilindros com oxigênio oferecidos pela Embaixada da China.

Veja a integra da ação

Nas últimas três semanas, número total de trabalhadores da Replan positivados nos testes rápidos saltou de 6,7% para 20,2%

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP | Foto: Agência Brasil]

Na tarde da última terça-feira (19), diretores do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) se reuniram com representantes do setor de Recursos Humanos da Refinaria de Paulínia (Replan), a maior em capacidade do processamento de derivados da Petrobrás, com o objetivo de aprimorar os protocolos de prevenção à contaminação da covid-19.

Na primeira parte da conversa, houve uma apresentação do responsável pela Estrutura Organizacional de Resposta (EOR) sobre os dados específicos da unidade, que era uma demanda da categoria desde o início da pandemia. A partir do dia 25 de maio, foram realizados aproximadamente 20 mil testes rápidos, do tipo que detecta por meio do sangue a presença de anticorpos IgM e IgG.

Leia também: Petrobrás registra 1605 novos casos de covid-19 nos últimos dois meses

O IgM é um anticorpo e a sua presença indica infecção de covid-19 na fase ativa, ou seja, quando a pessoa foi contaminada recentemente pela doença e pode transmitir a doença. Já o IgG é um anticorpo que aparece em uma fase já avançada da infecção, quando o contaminado já não transmite mais o vírus.

Por meio de testagem massiva, que ocorre a cada 15 dias, cerca de 3% dos 20 mil testes realizados até o momento nos 2966 trabalhadores da refinaria, entre próprios e terceirizados, deram positivo. O número saltou de aproximadamente 1% para os 3% atuais nas últimas três semanas, o que representa um aumento de 6,7% para 20,2% da força de trabalho da refinaria positivada. 

Entretanto, cerca de 90% dos testes que detectaram IgM não foram confirmados, posteriormente, por testes do tipo RT-PCR ou por sorologia, que apresentam maior precisão no diagnóstico.

Para os petroleiros que apresentam IgG positivo, ou seja, que já não transmitem o vírus Sars-Cov-2, a Replan continua realizando os testes rápidos regularmente. Essa medida, aprovada pelo Sindipetro-SP, contraria o protocolo da Petrobrás, que indica a paralisação dos testes em trabalhadores positivados, pois teoricamente eles já teriam imunidade à doença.

Até o dia 18 de janeiro, de acordo com o 40º Boletim de Monitoramento da covid-19, divulgado pelo Ministério de Minas e Energia, 9,2% dos 46.416 trabalhadores próprios da Petrobrás já foram contaminados pelo coronavírus. O número de mortes pulou de 3 mortes, no dia 4 de janeiro, para 9 mortes no dia 18 de janeiro.  

Melhorias

A partir de reclamações da base, os diretores do Sindipetro-SP cobraram uma comunicação aos trabalhadores de grupos que apresentarem algum caso positivo. Com isso, eles poderão aumentar os cuidados, principalmente, dentro de suas próprias casas, podendo decidir por um isolamento dos familiares, por exemplo.

Os representantes da Replan disseram que o protocolo médico não permite a divulgação dos nomes dos contaminados e, por isso, não estão realizando nenhum tipo de aviso. Nesse sentido, o sindicato afirmou que preza pelo anonimato dos pacientes, mas reforçou a necessidade de comunicação genérica aos grupos de trabalhadores que tiverem contato com algum positivado.

Na próxima reunião, agendada para o dia 2 de fevereiro, serão abordados os protocolos de prevenção para as paradas de manutenção e a redução dos médicos terceirizados que foram contratados no início da pandemia. 

Página 1 de 24

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.