Estudo mostra que mulheres têm três vezes mais chances de ter depressão e ansiedade durante a pandemia e aponta como causa a preocupação com o futuro e a sobrecarga de responsabilidades em casa e no trabalho

[Da imprensa da CUT]

Um estudo realizado pela ONG Care Internacional, publicado em setembro deste ano, mostrou que as mulheres apresentaram três vezes mais chances de adoecimento mental durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), em decorrência dos impactos na renda e na alimentação, que atingiu mais a população feminina, além de da sobrecarga emocional por serem elas, na grande maioria dos casos, as responsáveis por ter que cuidar da casa e da família.

Com escolas e creches fechadas, elas também viraram orientadoras e ajudam os filhos maiores nas aulas virtuais e tarefas escolares e os menores que querem brincar e não entendem que muitas têm trabalho remoto, com tarefas, metas e cobranças.

Este cenário levou a CUT a planejar, organizar e realizar, nesta quarta-feira (21), o Seminário “Os Impactos da Pandemia na Saúde Mental das Trabalhadoras”. O evento, inciativa das secretarias da Mulher Trabalhadora e de Saúde do Trabalhador da CUT, será transmitido pelas redes sociais da Central a partir das 14h e tem como objetivo conhecer mais a fundo a realidade das mulheres durante a pandemia e debater ações para protegê-las.

Participam do seminário a pesquisadora do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Fundação Osvaldo Cruz (Cesth/Fiocruz), Dra. Fátima Rangel e a Profª. Dra. Thais Augusta Cunha de Oliveira Máximo, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

No centro do debate, temas como os problemas relacionados à saúde física e mental das trabalhadoras em ocupações feminizadas, como trabalho doméstico e na área da saúde, e quais políticas públicas poderiam minimizar os impactos para a saúde da população feminina.

Outros temas que serão tratados pelas especialistas são o desemprego, o trabalho em home office, assédio e os efeitos desses fatores na saúde mulher.

Saúde em questão

Para a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista, a desigualdade de gêneros e o predomínio do machismo na estrutura da sociedade trouxeram como consequência uma sobrecarga emocional às mulheres que contribuiu para o crescimento de casos de saúde mental.  

A realidade delas envolve diferentes situações e todas com prejuízo para a saúde das mulheres, diz a dirigente, que explica: todas as mulheres trabalham, de uma forma ou de outra. Aquelas que trabalham fora fazem parte de um grupo chamado produtivo. As outras mulheres estão no chamado trabalho reprodutivo porque cuidam da casa, da família e até de idosos. 

Em casa

“Em geral, as mulheres que não trabalham fora, apesar de já estarem mais acostumadas, também tiveram de enfrentar a nova realidade de ficarem confinadas, respeitando o isolamento social, cuidando da casa, dos filhos, organizando os equipamentos que têm em casa (celular e computador) para as aulas virtuais, cuidando  de idosos, porque a nossa sociedade patriarcal ainda impõe essas condutas”, afirma Juneia.

A secretária também aponta que a falta de perspectiva de uma sustentação financeira é motivo para agravar quadros de adoecimento mental nesses casos. “Ainda que necessário, é um cerceamento da liberdade, mas que no caso das mulheres, causa um impacto emocional maior. Elas estão presas dentro de casa, com filhos, com o companheiro e com a preocupação de ter o que comer amanhã”, diz. 

Home office

Outro grupo, prossegue Juneia, é o das mulheres que têm um emprego e acabaram sendo colocadas em home office. Para elas, estar em casa o tempo todo, junto dos filhos, que poderiam estar na escola ou nas creches, significa necessariamente ter um aumento das responsabilidades e da carga de trabalho. 

Trabalho presencial

Mulheres que continuaram trabalhando presencialmente em seus empregos, ainda enfrentam os riscos da contaminação em transportes públicos e até nos locais de trabalho.

“E se você olhar para esse grupo, há um grande número de trabalhadoras domésticas, por exemplo, que já não tem com quem deixar os filhos e vão para o trabalho com medo de serem contaminas transmitirem A Covid-19 para seus familiares”, diz Juneia.

Há ainda as mulheres que perderam o emprego. Além de sofrerem o impacto não ter mais uma renda, também tiveram que ficar em casa e com as responsabilidades domésticas.

“De qualquer jeito, a vida das mulheres durante a pandemia, com a situação social, política e econômica que vivemos, piorou muito”, afirma a dirigente. 

Panorama

Neste cenário de adoecimento das mulheres, de acordo com Juneia Batista, surgiu a necessidade de um debate sobre o tema para detectar mais causas e pensar em ações para proteger as mulheres.

De acordo com a dirigente, a questão da saúde mental, na verdade, afetou pessoas ao redor do mundo, sem olhar gênero, cor, raça ou idade, mas as mulheres foram as mais afetadas.

“Várias questões afetaram. Primeiro o isolamento social, depois a falta de renda, com mães olhando para os filhos sem condições de dar comida. Ela não tem emprego, tem criança pequena que não está na escola por causa do isolamento, enfim, tudo isso acaba sobrecarregando a mulher”, afirma a dirigente. 

Violência doméstica

Christiane Ribeiro, médica psiquiatra, membro da Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) aponta como causa de adoecimentos a violência doméstica.

De acordo com a psiquiatra, as mulheres estão mais expostas a situações de violência doméstica, traumas e, também, a casos de abuso sexual, em tempos de pandemia. A afirmação é comprovada pelo estudo Violência Doméstica durante a Pandemia de Covid-19, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O estudo indica que os casos de feminicídio cresceram 22,2%, entre março e abril deste ano, em 12 estados do país, comparativamente ao ano passado. 

Doenças

O estudo realizado pela ONG Care Internacional ouviu mais de 4 mil homens e 6 mil mulheres de 38 países diferentes da América, da Ásia e do Oriente Médio. O objetivo era entender como a Covid-19 impactou suas vidas e como eles estavam enfrentando os desafios que surgiram com o isolamento social. Os principais transtornos psiquiátricos relatados foram o stress, a depressão e a ansiedade.

Emily Janoch, uma das autoras do relatório afirma que desde o início da pandemia a desigualdade entre gêneros aumentaria e traria problemas. “Seis meses atrás, alertamos que a crise global de saúde apenas aumentaria a lacuna de gênero e regrediria décadas de progresso na saúde, nutrição e estabilidade econômica das mulheres. E, agora, nosso alarme está tocando mais alto do que nunca”, ela diz.

De acordo com o estudo, o motivo para tanta diferença entre os resultados das populações masculina e feminina (mulheres adoecem três vezes mais) acontece porque as mulheres são submetidas a estressores específicos que a maioria dos homens não precisa enfrentar. Um deles está relacionado à educação das crianças e a trabalhos não remunerados, por exemplo, o doméstico. 

Outro estudo, realizado pela ONG Kaiser Family Foundation, dos Estados Unidos, aponta que as mulheres se sentem emocionalmente mais abaladas em meio à pandemia do que os homens. O levantamento mostra que 53% das mulheres, que responderam à pesquisa, declararam que o estresse e a preocupação, neste período, têm relação com o novo coronavírus. Entre os homens, esse índice chega a 37%. 

Publicado em Trabalho

Após cobrança da FUP nas reuniões do grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR), que trata das ações em relação à pandemia da Covid-19, a empresa agendou para o próximo dia 21 a primeira vistoria sanitária em unidades operacionais. A visita será feita na Reduc, com a presença de um representante da FUP, um do Sindipetro Duque de Caxias e do médico do trabalho que assessora a Federação, Ricardo Garcia Duarte.

A vistoria sanitária é uma ação sindical que a FUP orienta todos os sindicatos a implementarem, com o objetivo de fiscalizar e acompanhar as medidas implementadas pela Petrobrás e suas subsidiárias no combate à contaminação do coronavírus, visando a proteção dos trabalhadores próprios e terceirizados durante a pandemia da Covid-19.

É importante ressaltar que essas vistorias estão previstas no capítulo de SMS do Acordo Coletivo de Trabalho, cuja Cláusula 68 garante o acesso dos sindicatos aos locais de trabalho, acompanhado por médico do trabalho e/ou engenheiro de segurança do trabalho para acompanhamento das condições de salubridade e segurança.

[Imprensa da FUP]

Estudo aponta que “o diagnóstico da Covid-19 em petroleiros é presumidamente relacionado ao trabalho” e que a frequência de trabalhadores contaminados na Petrobrás é maior do que a frequência na população

[Da imprensa da FUP]

Na reunião desta quarta-feira, 14, com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR), a FUP tornou a cobrar o cumprimento da Cláusula 79 do Acordo Coletivo de Trabalho, onde a empresa se compromete a estruturar um Programa de Saúde Mental, a partir de discussões nas comissões locais e nacional de SMS. As representações sindicais abriram a reunião com um minuto de silêncio em memória de Paulo Eugênio Lemos, supervisor de mergulho da empresa SISTAC, prestadora de serviço da Petrobrás, encontrado morto esta semana no hotel onde fazia quarentena antes de embarcar na Bacia de Campos. Mais um petroleiro que perdeu a vida em situação de extrema pressão e sobrecarga de trabalho.

Os impactos psicossociais do trabalho offshore ganham uma dimensão ainda maior durante a pandemia da Covid-19, como ressalta o parecer científico da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz: “o trabalho desenvolvido pelos petroleiros em plataformas, que normalmente já caracteriza-se por envolver fortes riscos psicossociais, com a pandemia do Covid-19 ficam ainda mais exacerbados”. O documento também destaca que “é esperado que entre um terço e metade da população exposta pode vir a sofrer alguma manifestação psicopatológica que pode persistir por longos períodos, incluindo dificuldades para retomar as rotinas e atividades de trabalho, e para reenquadrar os projetos de vida”.

O estudo da Fiocruz analisa as contaminações por Covid-19 nas plataformas e traz em 49 páginas contribuições fundamentais para “investigação da caracterização do nexo causal entre a doença e o trabalho no setor de óleo e gás”. O parecer foi o principal tema da reunião com o EOR, pois desnuda a política da Petrobras de prevenção e combate à proliferação do coronavírus e reforça as diversas denúncias feitas pela FUP sobre a negligência dos gestores da empresa na proteção dos trabalhadores, próprios e terceirizados durante a pandemia.

O parecer científico, assinado por médicos, epidemiologistas e pesquisadores da Fiocruz, evidencia que “a relação da Covid-19 com o trabalho (ou seja, o nexo causal) possui natureza epidemiológica” e que “o diagnóstico da Covid-19 em petroleiros é presumidamente relacionado ao trabalho”. O estudo revela ainda que a negativa da Petrobrás em admitir a relação da doença com o trabalho, se recusando a emitir Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para os petroleiros infectados, inclusive os que morreram em consequência da doença, tem motivações econômicas.

Como os pesquisadores da Fiocruz ressaltam no documento, os indicadores de ocorrências e de acidentes de trabalho constam nas estatísticas enviadas à Associação Internacional dos Produtores de Óleo e Gás (IOGP) e impactam na avaliação e classificação da Petrobrás e, consequentemente, na concorrência internacional. “O reconhecimento da Covid-19 como doença do trabalho e a emissão da CAT implica elevar a TAR (Taxa de Acidentes Registráveis), um dos indicadores de desempenho das empresas do setor vinculado a dinâmica da concorrência internacional”, ressalta o parecer.

Outro fato que chama a atenção no estudo é a gravidade dos números de trabalhadores contaminados no Sistema Petrobrás e as divergências entre os dados divulgados pela empresa e pelo Ministério de Minas e Energia. Comparando o número de infectados com o total de trabalhadores da estatal, os pesquisadores revelam que a frequência dos casos de Covid19 (expressa na incidência/100 mil) entre os petroleiros é comparativamente maior do que a frequência na população brasileira. Tomando como base os dados do Boletim de Monitoramento da Covid-19 do MME de 14 de setembro, o parecer destaca que o “total de casos de Covid-19 na Petrobras equivale a uma incidência de 4.448,9 casos /100 mil, o que corresponde a uma incidência maior do que o dobro (2,15) da incidência registrada em todo o Brasil (2.067,9), até esta mesma data (14/09)”.

Diante deste quadro, é, no mínimo, irresponsável a Petrobrás ainda manter ativa a NT 28, que foi condenada por diversos fóruns de saúde e de epidemiologistas, além de rechaçada pelo Ministério Público do Trabalho. “IgG positivo não garante imunidade que dê respaldo científico à NOTA TÉCNICA 28/2020 da Petrobras, assim como não há garantias de impedimento de processos de reinfecção por coronavírus”, reitera o parecer da Fiocruz.  Os gestores da Petrobrás, no entanto, insistem em usar a NT 28 para validar o embarque e a permanência nas plataformas de trabalhadores que tiveram resultados positivos nos testes sorológicos rápidos. O mesmo procedimento continua sendo adotado nas unidade operacionais de terra.

Por fim, o parecer científico da Escola de Saúde da Fiocruz reforça a recomendação para que as empresas de petróleo emitam a CAT: “Para todos os trabalhadores petroleiros com diagnóstico de Covid-19, os empregadores devem emitir CAT e registrar o evento na Ficha do Sistema de Informações dos Agravos de Notificação (Sinan) para fins de Vigilância Epidemiológica e Vigilância em Saúde do Trabalhador.”


> Acesse aqui a íntegra do parecer científico da Fiocruz


 

Os trabalhadores operacionais das bases de terra da Petrobrás estão desde o final de setembro trabalhando sem fazer testagem de COVID-19. Os exames eram fitos no Posto Médico da Praia Campista. Essa situação tem preocupado muito a categoria e o Sindipetro-NF, por entender a importância da testagem para que não haja transmissão e contágio das pessoas que trabalham nas bases.

Esse problema foi denunciado pela FUP e pelo sindicato nas últimas reuniões do grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR), que trata das ações em relação à pandemia da Covid-19. Os gestores informaram que a testagem foi suspensa por conta do fim do contrato com previsão de retorno à normalidade nos próximos dias.

A diretoria do Sindipetro-NF chegou a sugerir que a empresas fornecesse guias da AMS para que os trabalhadores pudessem fazer a testagem nos laboratórios credenciados, mas a empresa se negou a atender o pedido. “No nosso ponto de vista isso é mais um problema de logística da empresa, que demonstra a falta de preocupação com saúde das pessoas que trabalham para ela” – afirma o diretor do departamento de saúde, Alexandre Vieira.

Atualmente a Petrobrás tem 4,8% dos seus empregados próprios contaminados, segundo Vieira.

[Da Imprensa do Sindipeptro-NF | Edição da FUP]

O Brasil ultrapassou a marca de 5 milhões de casos confirmados de Covid-19 e caminha para a triste marca de 150 mil mortes causadas pelo novo coronavírus. Segundo o Ministério da Saúde, o país registrou nesta quinta-feira, 08/10, mais 729 novos óbitos em decorrência da Covid-19, o que eleva para 148.957 o total de mortes causads pela doença, entre os 5.028.444 infectados desde 26 de fevereiro, quando foi reportado oficialmente o primeiro caso no Brasil.

Somos o terceiro país do mundo a ultrapassar o patamar de 5 milhões de casos de Covid-19, após Estados Unidos e Índia. Já na contagem de óbitos, os números brasileiros ficam abaixo somente dos Estados Unidos. 

Cenário global

A covid-19 já deixa mais de 1,04 milhão de mortos no mundo, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos. Trata-se da maior crise sanitária em mais de 100 anos, após a Gripe Espanhola de 1918. Embora o cenário no Brasil seja especialmente trágico, muito por conta da má administração do governo federal, outros países também apresentam subnotificação expressiva.

 

A realização insuficiente de testes no mundo levou a OMS a declarar hoje, em entrevista coletiva, que 10% da humanidade já teve contato com o vírus. Caso o número esteja correto, o percentual representa 780 milhões de pessoas que podem ter sido contaminadas. Muitos nem sequer apresentam sintomas, mas contribuem para espalhar o vírus e aumentar o número de vítimas. Segundo a Johns Hopkins, o total oficial de infectados pelo novo coronavírus, hoje, é de 35,6 milhões.

“Nossas melhores estimativas atuais nos dizem que cerca de 10% da população global podem ter sido infectadas por esse vírus. Varia dependendo do país, varia de urbano a rural, varia dependendo de grupos. Mas o que isso significa é que a vasta maioria do mundo continua em risco”, disse o diretor-executivo da OMS, Michael Ryan.

Embora o número possa sugerir que a imunidade humana pode ser superior ao que se imaginava, a ampla disseminação pode ainda provocar novas ondas de contágio e mortes. “Estamos entrando em um período difícil. A doença continua a se espalhar “, completou Ryan. Nos últimos dias, alguns países da Europa vêm relatando aumento expressivo de novos casos, uma “segunda onda”, como chamam os cientistas.

[Com informações das agências de notícias | Foto: Agência Reuters]

Após cobranças da categoria, Refinaria de Paulínia apresentará uma alternativa ao atual modelo de testagem, que é realizado nos dias de descanso dos trabalhadores

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP | Foto: Breno Esaki/Agência Saúde]

Nesta terça-feira (6), o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado – SP) receberá uma proposta da Refinaria de Paulínia (Replan) – a maior em capacidade de processamento do Sistema Petrobrás – com alterações nos testes de covid-19, que, atualmente, são realizados nos dias de descanso dos trabalhadores.

O modelo foi implementado em junho, após cobranças formais e informações da direção do Sindipetro, mas sua elaboração ocorreu de forma unilateral pela empresa. Dessa forma, os petroleiros são obrigados a se deslocarem à refinaria durante o período de descanso, com seus veículos particulares, para serem testados por meio de um sistema drive thru, duas vezes por mês, até dois dias antes de recomeçarem um novo ciclo de trabalho.

Além do incômodo de abdicarem de algumas horas de suas folgas, que são garantidas na legislação, os trabalhadores também têm que arcar com os custos do combustível e pedágios. A Replan está localizada no quilômetro 130 da Rodovia Zeferino Vaz (SP-332), em Paulínia (SP), e uma grande porcentagem dos seus funcionários moram em municípios vizinhos, como Hortolândia (SP), Valinhos (SP) e Campinas (SP).

Atualmente, cerca de 450 petroleiros, de um total de 976, continuam realizando suas atividades presencialmente. Grande parte é formada por profissionais que trabalham nas áreas operacionais da refinaria, conhecidos como trabalhadores do “turno”. Durante a pandemia, eles estão realizando jornadas de 12 horas, para evitar a troca constante de equipes. Com isso, trabalham três dias seguidos, folgam quatro, trabalham novamente três dias e folgam outros cinco. Os testes são feitos dois dias antes do recomeço de cada novo ciclo.

O mecânico da Replan e coordenador regional do Sindipetro Unificado, Gustavo Marsaioli, exalta a necessidade de realização dos testes, mas pondera a inconsistência da maneira como estão sendo implementados. “É preciso deixar muito claro que em nenhum momento o Sindipetro está questionando a rotina de testes, muito pelo contrário. A gente acredita que essa é uma iniciativa essencial que seja mantida. No entanto, atualmente o trabalhador precisa se deslocar no meio da sua folga, o que fere a própria legislação trabalhista”, afirma.

Testes rápidos

A testagem realizada pela Replan é do tipo IgM e IgG, mais conhecida como “teste rápido”. Diferentemente do tipo RT-PCR, que identifica a presença do próprio vírus Sars-Cov-2 no organismo, os testes do tipo IgM e IgG conseguem reconhecer a contaminação por covid-19 a partir de anticorpos.

As imunoglobulinas (Ig) são os anticorpos de defesa do organismo humano. O IgM é um tipo de anticorpo e a sua presença indica infecção de covid-19 na fase ativa, ou seja, quando o organismo já foi contaminado recentemente pela doença. Nessa etapa, o infectado é um possível transmissor do vírus. Já o IgG é um anticorpo que aparece em uma fase já avançada da infecção. Nessa etapa, a pessoa já não transmite mais o vírus.

Por isso, de acordo com a Anvisa, os testes rápidos conseguem detectar a presença do vírus no organismo apenas a partir do sétimo dia de infecção, com resultados mais confiáveis do décimo dia em diante, devido à janela imunológica.

Além disso, um estudo concluiu que este tipo de testagem, chamada de imunocromatografia, que analisa a presença de anticorpos a partir do sangue retirado do dedo da pessoa testada, apresenta uma taxa de 34% de falso negativo.

Por essas evidências, o Sindipetro questiona a eficácia de realizar os testes dois dias antes de um novo início de jornada de trabalho. “Esse teste possui uma margem de erro e uma janela imunológica entre a pessoa ser contaminada e os anticorpos serem detectáveis. Por isso, apesar de estarmos tratando com o maior cuidado possível a questão, eu não vejo uma justificativa plausível para que os testes sejam realizados dessa forma atual”, opina Marsaioli.

Uma das propostas do Unificado é que os testes sejam feitos na entrada da refinaria, antes do início de cada novo ciclo de trabalho. “Uma das possibilidades que a gente levantou é que as pessoas cheguem antecipadamente. Por uma questão logística, poderia haver escalonamentos dos ônibus para permitir que elas consigam fazer os testes e que, assim que sair o resultado, estejam liberadas para trabalhar”, explica.

A empresa, entretanto, pondera que os trabalhadores já estariam juntos no ônibus, o que poderia gerar maiores riscos de contaminação. Por isso, ela chegou a levantar a possibilidade dos petroleiros irem com seus veículos particulares no primeiro dia de jornada.

O Sindipetro aguarda uma nova proposta, que a direção da refinaria prometeu apresentar até a próxima terça-feira. “O que o sindicato está orientando é que todas as pessoas guardem os comprovantes de gastos, porque elas precisam ser reembolsadas. Com a proposta da Replan em mãos, vamos colocá-la para ser apreciada por todos os trabalhadores”, finaliza.

Após várias reuniões com a Estrutura Organizacional de Resposta (EOR) da Petrobrás, onde a FUP e os sindicatos petroleiros realizaram diversas cobranças sobre os cuidados com a saúde dos trabalhadores, os registros dessas orientações médicas e o apontamento desses eventos na escala.

Quanto aos apontamentos o EOR esclareceu o que cada código representa: Código 2037 – Tele trabalho; Código 1001 – Afastamento médico e Código 1082 – Quarentena.

Apesar de não ter sido definido qual seria o apontamento correto, a Petrobrás afirmou que haverá o registro da orientação médica para cada um dos casos. O trabalhador poderá verificar pelo sistema no Minha Saúde, presencialmente nas enfermarias das unidades ou entrando em contato por telefone com o setor médico.

“Não entendemos como coerente algo diferente de afastamento médico para um trabalhador contaminado pela COVID-19. Contudo a empresa afirmou que esse era o entendimento e que haveria registro por exemplo de que uma pessoa com a COVID poderia trabalhar em home office. E que haveria uma liberação médica registrada para isso” – afirma o Coordenador do Departamento de Saúde do Sindipetro-NF, Alexandre Vieira.

É importante que todos os trabalhadores realizem a conferência se as recomendações médicas estão devidamente registradas conforme informado pela companhia. E que, além disso, verifiquem se o CRM dos médicos que atenderam o trabalhador constam nos documentos. Caso o trabalhador não encontre estes registros, deve ser realizada uma reclamação na ouvidoria da companhia relatando a dificuldade e solicitando esclarecimento sobre o ocorrido.

No caso de não obter uma resposta da Ouvidoria, o trabalhador deve entrar em contato com os departamento de saúde dos sindicatos.

O que a FUP e os sindicatos entendem como correto

Todo o trabalhador detectado com a COVID-19 no sistema Petrobras tem o direito a ser atendido e orientado individualmente por um médico, não sendo possível uma orientação coletiva, pois isso significaria que não ocorreu a avaliação do trabalhador. Além disso o trabalhador deve ter acesso a todas as orientações e não deve aceitar que seja diferente disso.

Caso não sejam encontradas estas orientações, pode ter havido omissão por parte do setor Médico e seus gestores devem responder por isso. Ou o RH exerceu ilegalmente a medicina, quando assumiu  a responsabilidade de conduta de saúde do trabalhador sem um atestado médico para dar respaldo.

“A luta pela saúde de todos os trabalhadores e trabalhadoras, só terá sucesso com a participação ativa de todos. Somente estes tem a autorização de realizar esta checagem e verificar detalhes como o CRM do Médico que  é necessário para que se possa emitir a CAT. Esse é um passo fundamental para que a possível relação com o trabalho da COVID seja detectada” – conclui Vieira.

[Da imprensa do Sindipetro-NF, com edição da FUP]

Sindicalistas lançam movimento e abaixo-assinado pela prorrogação do auxílio emergencial sem redução de valor. Entidades explicam que os R$ 600 foram possíveis não pelo governo, mas apesar dele. E apontam as graves consequências econômicas e sociais da redução deste valor

[Da Rede Brasil Atual]

Enquanto o governo fala em reduzir pela metade o valor do auxílio emergencial, as centrais sindicais lançaram campanha pela prorrogação, pelo menos até dezembro, sem cortes. Alertam para consequências econômicas e sociais graves. Além disso, as entidades pretendem demonstrar que a criação do auxílio ocorreu não por causa de Jair Bolsonaro, mas apesar dele.

Ao divulgarem a campanha, nesta quinta-feira (17), as centrais lançaram ainda um abaixo-assinado pela manutenção do auxílio de R$ 600 – e de R$ 1.200 para mães chefes de família. A mobilização deverá se concentrar no Congresso. No último dia 2, o governo editou a Medida Provisória (MP) 1.000, que prevê quatro parcelas “residuais” de apenas R$ 300.

Efeito no consumo

Um dos slogans da campanha é “Bota pra votar já, Maia!”, referência ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Os dirigentes sindicais também pediram audiência com o parlamentar. Mas isso terá de esperar: ontem (16), Maia testou positivo para covid-19. Segundo sua assessoria, “ele manifestou sintomas brandos da doença e está se tratando na residência oficial, onde seguirá em isolamento, respeitando as recomendações médicas”.

Em notas, as centrais afirmam que a redução do auxílio “compromete gravemente a capacidade das famílias adquirem a alimentação, moradia, transporte e outros bens de consumo básicos, além de todas as outras necessidades”. E lembram que o benefício “garantiu o consumo básico de mais de 50 milhões de pessoas”. Inicialmente, o governo falava em R$ 200, mas a pressão no Congresso elevou o valor para R$ 600.

Redução é “crime”

“No início da pandemia, em março, o auxílio emergencial foi uma conquista do movimento sindical. O governo dizia que não tinha orçamento”, lembrou o presidente da CUT, Sérgio Nobre, durante entrevista coletiva para veículos alternativos. Para ele, “é um crime” propor a redução. “E agora, com a inflação de alimentos, 300 reais não compra sequer a cesta básica.”

A consequência, acrescentou o dirigente, seria “uma crise social sem precedentes”. Ele criticou a equipe econômica: “Não podemos trabalhar com a lógica Paulo Guedes, cabeça de planilha”. O presidente da CUT observou que as centrais também pretendem discutir um programa de renda básica permanente.

Emendas à MP

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, lembrou também do aumento de preços de gêneros de primeira necessidade, o que prejudica, principalmente, os mais vulneráveis. Ele lembrou que vários parlamentares já apresentaram emendas à MP.

“A ideia do abaixo-assinado é envolver a maioria dos municípios do país. As pequenas prefeituras sabem o efeito desses 600 reais. Isso é bom pra os trabalhadores, para a economia, para o Brasil”, acrescentou Miguel.

Já o presidente da UGT, Ricardo Patah, lembrou que a central tem forte representação no comércio e nos serviços, setores em que o auxílio ajudou a manter certo equilíbrio de atividade e emprego. Mas ele lembrou que são necessárias “medidas econômicas de impacto”, com retomada de obras de infra-estrutura. Os sindicatos também precisam reagir, emendou, apontando para o risco de uma “situação insustentável.”

“Desmascarar o Bolsonaro”

Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, a campanha pela manutenção do auxílio será importante também para mostrar que o presidente da República – que se beneficiou do auxílio em termos de popularidade – é, na verdade, empecilho em temas sociais. “Precisamos desmascarar o Bolsonaro”, afirmou.

“Ele foi contra o auxílio emergencial, a ajuda aos estados e municípios, à micro e pequena empresa, contra o Fundeb, contra tudo. Índios, LGTB, movimentos sociais, é contra o sindicalismo”, disse Adilson. Além disso, segundo ele, Paulo Guedes quer acabar com o Estado no momento em que “tudo que nós deveríamos estar discutindo era a universalização dos serviços públicos”.

Destruição do Estado

O presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, afirmou que não apenas os trabalhadores, mas todo o país será prejudicado com a redução. Ele lembrou que o governo, no início, dificultou o acesso ao crédito e o pagamento efetivo do auxílio. O objetivo, diz, é a “destruição” do Estado. “A reforma administrativa tem o objetivo central de destruir o Estado brasileiro, o serviço público. Com esse governo, a gente não vê perspectiva”, afirmou Bira.

Integrante da executiva da CSP-Conlutas, Atnágoras Lopes chamou a atenção para dados divulgados pelo IBGE que mostram um quadro “catastrófico” de insegurança alimentar, atingindo principalmente mulhers e negros. O “novo normal” da pandemia, com 800 a mil mortos por dia, também tem “corte de raça e classe”, acrescentou.

Também participaram da entrevista o presidente da Nova Central, José Calixto, e o presidente interino da CSB, Álvaro Egea.

Confira nota das centrais

Campanha Nacional

Pela manutenção do auxílio emergencial de 600 reais até dezembro

É bom para o povo, para a economia e para o Brasil

As Centrais Sindicais CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB, NCST, CGTB, Intersindical, CSP-Conlutas, Intersindical e Pública, seus sindicatos e entidades, iniciam de forma unitária nesta quinta-feira (17) uma mobilização nacional para conclamar ao Congresso Nacional para votar a MP 1000 e restituir o valor de R$ 600 para o Auxílio Emergencial (R# 1.200 para mãe chefe de família). Essa iniciativa fundamental depende inicialmente da decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de encaminhar o processo legislativo e pautar a votação na Câmara dos Deputados.

Nosso o objetivo é impedir que o governo federal cometa mais uma injustiça contra a classe trabalhadora e, principalmente, contra a população vulnerável, as mais atingidas pela pandemia de Covid-19 e a recessão.

A Medida Provisória 1000 corta o Auxílio Emergencial pela metade, reduzindo-o a R$ 300,00, restringindo ainda mais a capacidade de milhões de famílias brasileiras enfrentarem as consequências da crise sanitária causada pela pandemia do coronovírus, em especial o desemprego e a perda de renda do trabalho. A redução do Auxílio compromete gravemente a capacidade das famílias adquirem a alimentação, moradia, transporte e outros bens de consumo básicos, além de todas as outras necessidades.

O Auxílio Emergencial de R$ 600,00 garantiu o consumo básico de mais de 50 milhões de pessoas, fomentou a atividade nas empresas e protegeu milhões de empregos, fazendo a roda da economia girar, impedindo, assim, que uma crise econômica ainda maior se instalasse no país. Estudos estimam que os mais de R$ 320 bilhões mobilizados para financiar esse Auxílio teve um impacto positivo na massa de rendimentos das famílias que, transformada em consumo, foi capaz de sustentar mais de 2% do PIB brasileiro em 2020.

Sairemos dessa grave crise sanitária e econômica se formos ousados e tivermos capacidade efetiva de cooperação. Cabe ao governo federal articular e coordenar os esforços de enfrentamento da crise sanitária, contudo o governo atua no sentido contrário, o que significa milhares de vidas perdidas que seriam evitáveis.

Cabe ao governo mobilizar os recursos públicos, com impostos progressivos e taxando os ricos, para garantir renda básica para todos que necessitem, bem como mobilizar investimentos para a retomada das milhares de obras paradas, para a expansão da nossa infraestrutura econômica e social, orientando para um desenvolvimento produtivo ambientalmente sustentável, justo e cooperado.

Convidamos as organizações, entidades e movimentos para que façamos um grande esforço de articulação das nossas iniciativas. Conclamamos parlamentares e partidos para um amplo diálogo social compromissado com a nação brasileira, com o desenvolvimento econômico sustentável, com a justiça social, diálogo esse que deve agora materializar-se na manutenção do Auxílio Emergencial de R$ 600 até dezembro.

Sérgio Nobre

Presidente da CUT – Central Única dos Trabalhadores

Publicado em Movimentos Sociais

Em reunião realizada no dia 9 de setembro, a Fup pressionou mais uma vez os representantes do grupo de Estrutura Organizacional de Resposta (EOR) da Petrobrás sobre a situação dos trabalhadores e trabalhadores contaminados pela COVID-19, mas sem atestado,  que estão com problemas em suas escalas.

O grupo de EOR não soube responder e chamou um representante do Recursos Humanos, que também não apresentou solução.

Por conta disso, o Departamento de Saúde pretende elaborar um relatório com a situação da categoria e apresentar na próxima reunião que acontece semanalmente. O objetivo do departamento é passar um pente fino nos apontamentos e nas possíveis irregularidades que devem ser corrigidas.

Para montar esse relatório é importante que os trabalhadores encaminhem evidências para o e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. São exemplos de evidências,  o trabalhador ser afastado com código referente a doença, sem ter o devido atestado médico ou o trabalhador afastado do trabalho receber um código como se estivesse trabalhando.

O trabalhador também pode mandar como evidência:

  • Um relato do acontecido com o STIF (apontamento dos dias), indicando se há alguma divergência entre o que aconteceu com a pessoa e o apontado na escala;
  • Atestados ou se foi afastado sem ter recebido atestado;
  • Um resumo desde que foi identificado como suspeito até a confirmação, informando se a pessoa ficou em isolamento ou foi para a casa, que tipo de  transporte fez uso e se foi por conta própria ou fornecido pela empresa.

“Por essa situação e outras, que se faz essencial que os trabalhadores enviem as evidencias para que possamos pedir a correção” – explica o Coordenador do Departamento de Saúde, Alexandre Vieira.

O prazo para envio desse material é até o dia 14 de setembro, para que a direção tenha tempo de montar esse relatório. Vale lembrar que a identificação dos envolvidos será resguardada.

[Via Sindipetro-NF]

 

Governo diminui de R$ 1.079 para R$ 1.067 o valor do salário mínimo de 2021. Já são dois anos sem aumento real. Ao contrário de Lula que em seus mandatos reajustou em 77%, Bolsonaro aprofunda a desigualdade

[Do portal da CUT]

Desde que a Política de Valorização do Salário Mínimo criada no governo Lula (PT) com apoio da CUT e demais centrais terminou no ano passado, Jair Bolsonaro (ex-PSL) e seu ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, não mexeram uma palha para retomar os ganhos reais dos trabalhadores e trabalhadoras, aposentados e pensionistas que têm seus benefícios reajustados de acordo com o valor do piso nacional.

A dupla Bolsonaro/Guedes está destruindo todos os ganhos da política, que garantiu aumento 77% no valor do salário mínimo e beneficiou negociações salariais, com 84,5% de mais de 300 categorias profissionais conquistando reajuste acima da inflação, ganho real de 42,9% no salário médio de admissão, que passou de R$ 772,58, em 2003, para R$ 1.104,12 em 2013, de acordo com dados do Ministério do Trabalho.

Na lei orçamentária encaminhada ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31), o governo propôs salário mínimo de R$ 1.067 a partir de janeiro de 2021, com pagamento a partir de fevereiro. A projeção inicial para 2021 era aumentar o mínimo dos atuais R$ 1.045 para R$ 1.079, mas o governo baixou o valor tirando R$ 12 por mês do bolso do trabalhador. O novo valor apenas repõe a inflação projetada para 2020, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 2,09%, ou seja, sem aumento real.

Em apenas dois anos de governo, Bolsonaro retirou R$ 18 mensais do bolso de cada trabalhador e de cada aposentado que ganha o salário mínimo, sendo R$ 6 no primeiro ano, quando também derrubou o valor, e agora mais R$ 12.

O que pode parecer pouco para alguns significa o aumento do abismo social, com a base da pirâmide ganhando muito pouco, critica a técnica da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) da CUT Nacional, Adriana Marcolino.

No total, 48,9 milhões de pessoas têm rendimento referenciado no salário mínimo: 23,6 milhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 10,9 milhões de trabalhadores formais, outros 10,2 milhões de trabalhadores por conta própria e 3,8 milhões de empregados domésticos e outros 255 mil empregadores.

“A valorização do salário mínimo é importante porque reduz a distância salarial que no Brasil é muito grande e, consequentemente, diminuiu a desigualdade social”, afirma Adriana.

Para ela, há falta de interesse do governo em renegociar a política de valorização, o que teria um importante papel para o país sair da crise e estancar o aumento da pobreza que deve aumentar muito neste ano por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

A técnica do Dieese defende que mesmo com o Produto Interno Bruto (PIB) com índice negativo de -9,7% neste segundo semestre, o que impediria um reajuste acima da inflação, já que o cálculo da política de valorização do salário mínimo levava em conta a inflação do ano anterior, medida pelo INPC, mais o resultado do PIB de dois anos antes, bastava Bolsonaro entender que sem dinheiro girando na economia a crise vai demorar a terminar.

Segundo ela, o governo poderia oferecer um reajuste do mínimo acima da inflação para a retomada do crescimento, já que as famílias com menor poder aquisitivo gastam tudo o que ganham e colocam no consumo, permitindo que o dinheiro volte a circular, aquecendo a economia.

 “Pelas contas do Dieese, o ideal seria que o mínimo para o sustento de uma família de quatro pessoas, em julho deste ano, fosse de R$ 4.420,11. Valor 75% acima do que Bolsonaro quer pagar. Por isso que é tão importante o ganho real, mas, infelizmente, o governo federal vê o ganho do trabalhador como despesa para os grandes empresários e não como indutor da economia”, critica a técnica do Dieese/CUT.

Lideranças progressistas criticam fim da política de valorização do SM

No Twitter parlamentares do Partido dos Trabalhadores criticaram a decisão de Bolsonaro em não manter a Política de Valorização do Salário Mínimo. O senador Rogério Carvalho (PT/SE) questionou a decisão presidencial com perguntas que ironizam a falta de política social de Bolsonaro.

“Reduzir o preço do Gás de cozinha? Reduzir o preço da energia elétrica? Reduzir o preço dos combustíveis? Reduzir os juros do cartão? Não! Bolsonaro vai reduzir o salário mínimo, que serve pra pagar essas contas.

REPRODUÇÃOReproduçãoCarlos Veras (PT/PE) classificou como absurda a decisão de Bolsonaro em retirar R$ 12,00 mensais do trabalhador.

“É um absurdo! Governo reduz o valor do salário mínimo previsto para 2021: de R$ 1.075 para R$ 1.067”, escreveu.

REPRODUÇÃOReprodução

A Política de Valorização do SM implantada por Lula com apoio da CUT

Durante 12 anos, a Política de Valorização do Salário Mínimo criada por Lula  em 2007 e continuada no governo Dilma Rousseff previa o aumento real, acima da inflação, sempre que houvesse crescimento econômico.

Mas a luta para dar ganhos aos trabalhadores teve início três anos antes, em 2003, quando a CUT e demais centrais sindicais, em um movimento unitário, lançaram a campanha pela valorização do salário mínimo. Nesta campanha, foram realizadas três marchas conjuntas em Brasília com o objetivo de pressionar e, ao mesmo tempo, fortalecer a opinião dos poderes Executivo e Legislativo sobre a importância social e econômica da proposta de valorização do salário mínimo.

O resultado só trouxe benefícios para a economia

Nos governos petistas, a política de valorização do salário permitiu que 48,7 milhões de pessoas ascendessem às classes A, B e C.

“Se não houvesse a luta das centrais e os governos petistas provavelmente o salário mínimo, que em 2003 representava cerca de 29% do valor de julho de 1940, quando foi instituído ficaria no mesmo patamar. Hoje, o salário mínimo representa 50,85% do que valia há 80 anos”, conta Adriana Marcolino.

[Redação: Rosely RochaEdição: Marize Muniz]

Publicado em Trabalho
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