[Da imprensa da FUP]

Na reunião desta quarta-feira, 22, com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta (EOR), a FUP tornou a criticar a gestão da Petrobrás por insistir em manter nas áreas trabalhadores que testam positivo para o coronavírus, entre outras medidas da empresa que estão na contramão da contenção da proliferação da covid-19.

Na Termelétrica de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, por exemplo, devido a um problema no fornecimento de água, os trabalhadores estão tendo que usar baldes para fazer a higienização. Mesmo assim, a gestão insiste em realizar uma parada de manutenção, que aumentará exponencialmente os efetivos de trabalhadores na área. Só isso já colocaria em risco os trabalhadores, por conta da aglomeração. Imagine sem água para lavar as mãos e outros procedimentos de higienização que são determinantes para evitar a contaminação?

A FUP tornou a cobrar a suspensão de obras e paradas de manutenção em todo o Sistema Petrobrás até que haja real melhoria nas condições das unidades, controle da pandemia e o retorno seguro de trabalhos que envolvam grandes contingentes de empregados.

A FUP também criticou a falta de transparência da gestão da Petrobrás em relação ao plano de retomada das atividades, que está sendo implementado unilateralmente pela empresa em meio à pandemia, quando vários estados do país apresentam curvas crescentes de casos de contaminação e óbitos por covid-19. O RH disse que a FUP será comunicada previamente sobre as retomadas, o que não condiz com a realidade dos fatos, já que os trabalhadores já estão recebendo mensagens da empresa com orientações para a chamada “fase 1” de retorno. 

Números divergentes

A Petrobrás continua omitindo informações sobre o avanço da covid-19 entre os trabalhadores terceirizados, que não têm sido poupados da exposição e são os mais vulneráveis à contaminação. Segundo o EOR, no dia 21 de julho foram contabilizados 192 casos ativos de covid-19 entre os trabalhadores próprios, uma informação que não revela a quantidade efetiva de trabalhadores contaminados no Sistema Petrobrás.

A diferença dos dados informados à FUP e aos sindicatos em relação aos números divulgados pelo Ministério das Minas e Energia (MME) tem sido uma constante. O mais absurdo é o fato do MME informar a ocorrência de 3 óbitos na Petrobrás, quando temos informações das bases de que esse número é muito maior e já ultrapassa 14 casos, infelizmente.

 

[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

Sem ministro efetivo na saúde há mais de dois meses, muito menos um plano de combate ao novo coronavírus, o país é forte candidato a se tornar o pior caso global de enfrentamento à Covid-19. Desde o final de maio, apresenta ocorrência média diária acima de mil mortes e o total de óbitos registrados ultrapassou a casa dos 80 mil, com mais de dois milhões de casos de infectados. 

Os dados sobre a pandemia no Brasil apontam que a Região Sul está com aumento acelerado no número de casos e óbitos por Covid-19. 

O Paraná registrou 58 mortes nesta terça-feira (21), no início do mês a média era de 20 falecimentos por dia, com 56.905 casos da doença. Santa Catarina, por sua vez, teve 44 óbitos na terça, ante uma média de 10 mortes diárias no começo de julho, e chegou a marca de 56.475 casos de Covid-19. O Rio Grande do Sul apresenta dados muito similares. 

A consequência do aumento da contaminação é o provável colapso dos sistemas de saúde. Em Curitiba, a taxa de ocupação de leitos do SUS para tratamento da Covid-19 está acima de 90%. Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, apresentava 97% das vagas de leitos de UTI da rede pública para pacientes com coronavírus sendo utilizadas.  

A situação da Região é a mais grave até agora e requer cuidados redobrados. Siga as recomendações de segurança da OMS. Lave sempre as mãos, use constantemente álcool em gel, mantenha distanciamento mínimo de dois metros de outras pessoas, use máscara sempre que estiver fora de casa, ao tossir ou espirrar cubra a boca com o braço e, se puder, fique em casa. 

Novos casos nas unidades da Petrobrás

O Sindipetro Paraná e Santa Catarina tomou conhecimento de novos casos de trabalhadores do Sistema Petrobrás infectados pelo coronavírus nas últimas semanas. 

Na Repar, em Araucária, foram dois novos casos, sendo um trabalhador próprio e outro terceirizado. Os contaminados, assim como quatro pessoas que mantiveram contato direto com eles (1 da TE e 3 do DCCF), foram colocados em isolamento domiciliar por 14 dias e realizaram exames.  

Outros dois empregados próprios da Transpetro em Santa Catarina testaram positivo para Covid-19, um no Terminal de Biguaçu (Teguaçu) e outro no Terminal de Itajaí (Tejaí). Ambos foram afastados, bem como aqueles que estiveram em contato, que também submeteram-se à testagem e aguardam os resultados. 

Um outro empregado terceirizado que atua no Terminal Transpetro de Paranguá-PR (Tepar), no setor de manutenção, foi contaminado e o procedimento adotado foi o mesmo: afastamento para o isolamento domiciliar dele e daqueles que mantiveram contato, com realização de exames. 

Diante do estágio gravíssimo da pandemia, o Sindicato cobra a retomada da testagem dos empregados nas unidades que cessaram o procedimento como forma de prevenção à contaminação em massa. A suspensão temporária de todas as obras e serviços que não sejam estritamente necessários para a continuidade operacional das unidades é outra medida importante que o Sindipetro reivindica da empresa. Também orienta os trabalhadores que caso encontrem situação de risco, utilizem o direito de recusa, conforme estabelecido pela cláusula 78 do ACT 2019/2020, e denuncie a algum dirigente sindical ou ligue para (41) 3332-4554 (Telefone da Sede do Sindicato).

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

Após o início dos testes por amostragem para detectar a contaminação, ou não, do novo coronavírus (Covid-19), na FAFEN-BA, vários casos foram confirmados logo nos primeiros dias.

As informações relacionadas ainda estão sendo checadas pelo Sindipetro Bahia, mas já dão conta de que, apesar dos pedidos dos trabalhadores, ainda existem dificuldades no atendimento das necessidades de proteção.

Estamos monitorando também o aumento do contingente de trabalho no Terminal Marítimo de Amonia, no Porto de Aratu, onde os casos de contaminação estão aumentando e vamos notificar a Petrobrás e a Unigel sobre as necessidades inadiáveis para a preservação da vida do contingente de trabalho remanescente e para a continuidade operacional da Unidade de Negócios tão importante na cadeia de negócios do Complexo Petroquímico de Camaçari.

 

 

[Com informações do Dieese e da Rede Brasil Atual]

Cerca de 36% dos trabalhadores ocupados em maio tiveram alguma perda no rendimento na comparação com a situação anterior à pandemia. A redução média do rendimento foi de 61%, de acordo com estudo divulgado pelo Dieese.

Além disso, 26,3 milhões de brasileiros declararam não ter trabalhado, nem tido condições de procurar emprego. Entre eles, 18,5 milhões afirmaram estar nessa situação por causa da pandemia.

O supervisor do escritório do Dieese em São Paulo, Victor Pagani, observa que as perdas foram maiores entre os trabalhadores de serviços e do comércio. Por outro lado, militares e pessoas com cargos de direção tiveram perdas menores nos rendimentos. “A pandemia acentua também as desigualdades de remuneração entre trabalhadores que permaneceram ocupados”, afirmou, em entrevista ao Jornal Brasil Atual.

 O levantamento mostra que os impactos da pandemia foram mais sentidos entre os trabalhadores informais. Mais da metade (56%) teve perda de rendimento. Em média, a renda dos informais teve redução de 36%, percentual que chega a 12% entre os trabalhadores com carteira assinada.

Victor acrescenta que parte dos trabalhadores continuaram em atividade, mas perderam renda e tiveram que recorrer ao auxílio emergencial. “É fundamental que o auxílio continue sendo pago até o fim do estado de calamidade pública, mantendo o valor de R$ 600. Esses ocupados tinham rendimento médio de R$ 1.427 antes da pandemia e, com a crise, perderam R$ 901. Ou seja, o auxílio ainda é insuficiente para complementar essa perda”, alertou.

Primeiros impactos da pandemia no mercado de trabalho:

> 18,5 milhões de brasileiros não trabalharam e não procuraram ocupação
> 19 milhões de pessoas foram afastadas do trabalho
> 30 milhões tiveram alguma redução de renda


A análise completa do Dieese está publicada na 15ª edição do boletim Emprego em Pauta. Baixe o estudo aqui


 

Publicado em Trabalho

Na quarta-feira, 22 de julho, às 21h, o Observatório da Coronacrise da Fundação Perseu Abramo irá debater os impactos da crise da covid-19 no setor de óleo e gás no Brasil e no mundo. O debate será transmitido ao vivo no Youtube e redes sociais da entidade e também da Revista Fórum, do DCM e do Brasil 247.

Para falar sobre “Coronacrise no setor de petróleo e gás: alternativas de transformação”, a Fundação convidou a petroleira Rosângela Buzanelli, que representa os trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, o ex-presidente da empresa, Sérgio Gabrielli, o coordenador técnico do INEEP, Rodrigo Leão, e o diretor da Perseu Abramo, o ex-senador Lindbergh Farias.

O Observatório da Coronacrise é o programa do Observatório da Crise do Coronavírus (clique aqui para acessar), iniciativa da Fundação Perseu Abramo para monitorar a crise sanitária e econômica gerada pela pandemia e promover esforços no sentido de atenuá-la e até de superá-la.

O programa é transmitido ao vivo nas noites de quarta e sexta-feira, às 21h, no canal da Fundação Perseu Abramo no YouTube, em sua página no Facebook e Twitter e nos portais parceiros: Revista Fórum, DCM e Brasil 247.

[Com informações da Fundação Perseu Abramao]

Publicado em Petróleo

[Do portal da CUT]

O Brasil ultrapassou a marca dos 2 milhões de pessoas infectadas pelo novo coronavírus e o ritmo de contágio permanece acelerado em 60% das grandes cidades do país. Em 24 horas, entre quarta e quinta-feira (16), foram contabilizados mais 45.403 novos registros de Covid-19, doença provocada pelo vírus, elevando o total para 2.014.738.

No mesmo período, o Ministério da Saúde informou que 1.322 pessoas morreram vítima de Covid-19. Com isso, o total de vítimas fatais da doença  chegou a 76.688.

Mesmo com algumas grandes capitais brasileiras reabrindo as atividades econômicas, em um mês o ritmo de contágio do novo coronavírus diminuiu consideravelmente em 103 das 324 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes - ou 32% delas. Porém, em outras 193 (60%) os novos casos continuam crescendo em ritmo acelerado. O país levou quatro meses para atingir 1 milhão de casos confirmados, e apenas um mês para chegar a marca de 2 milhões.

Entre as capitais brasileiras que estão com a situação sob controle, com números reduzidos de novas pessoas contaminadas a cada dia, estão Manaus, Recife e São Luís.

São Luís, no Maranhão, e Recife, em Pernambuco, foram as duas cidades nordestinas que adotaram o lockdown, confinamento obrigatório, após o sistema de saúde chegar à beira do colapso, e, mesmo com a retomada parcial das atividades econômicas, têm registrado diminuição significativa da disseminação do vírus desde meados de junho.

Três cidades da região metropolitana de Recife - Olinda, Camaragibe e Igarassu, além da capital - também registram poucos casos da doença.

Já em Manaus, no Amazonas, que sofreu com a lotação nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e com o colapso no sistema de saúde em meados de abril, desde o fim de maio o número de casos de novas infecções e mortes vêm caindo sistematicamente.

Belém, capital do Pará, também faz parte dessas grandes cidades que estão com a situação controlada da doença.

Salvador, na Bahia, e a capital paulista estão no nível de estabilidade, porém a situação está acelerada no interior das duas capitais. São Paulo é o epicentro da pandemia no país com números absolutos de mortes e casos confirmados mais altos do país.

Capitais em ritmo acelerado de contágio

Em 16 capitais brasileiras, o ritmo de contaminação está acelerado, entre elas Goiânia (GO), Porto Alegre (RS), Natal (RN), Boa Vista (RO) e Belo Horizonte (MG).

No Rio Grande do Sul, novo epicentro da pandemia, o Ministério Público  ajuizou, nesta quinta-feira (16), uma ação para que o município de Porto Alegre apresente imediatamente o detalhamento do plano de contingência da capital para o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

O órgão entendeu que houve falha do prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB), em demonstrar à população quais medidas irá adotar para evitar o colapso no sistema de saúde da cidade.

O estado registrou nas últimas 24 horas 3.209 casos e 40 óbitos. Com isso, tem no total 1.141 mortes por Covid-19 e 45.344 casos de pessoas infectadas pelo vírus.

Sul, Sudeste, Norte, Nordeste e Centro Oeste

BOLETIM CORONAVÍRUS - 1607

Boletim Coronavírus - 1607

Nesta quinta-feira, de acordo com o Ministério da Saúde, a região Sudeste registrou 612 mortes em 24 horas - uma alta em relação ao dia anterior, quando foram registradas 527 mortes.

No Nordeste, foram 329 casos a mais no mesmo período, no Norte foram 112, Centro-Oeste (141) e Sul (105).

[Com informações de agências]

[Da imprensa do Sindipetro Unificado-SP]

A gerência da Refinaria de Paulínia (Replan), localizada no interior de São Paulo, está protagonizando uma inversão de responsabilidades em relação ao aumento de petroleiros contaminados pela covid-19 na divisão de Craqueamento Catalítico Fluido (CCF).

Em decorrência da diminuição da demanda por derivados causada pela pandemia do novo coronavírus, a direção da Petrobrás mandou suspender, a partir de fevereiro, as atividades em uma unidade de destilação e outra de craqueamento da Replan, a maior em capacidade de refino da estatal.

Entretanto, apesar do mercado ainda se manter desaquecido, a Replan convocou os trabalhadores para reativar o funcionamento dessas unidades no dia 19 de junho. A “partida”, como é denominada internamente, acabou gerando aglomeração pela necessidade de mão de obra extra, inclusive de terceirizados.

Após a reativação, entretanto, um vazamento ocasionou um incêndio que paralisou novamente o craqueamento e, consequentemente, provocou nova concentração de pessoas. Depois da interrupção forçada, a nova partida ocorreu no dia 26 de junho.

Para completar o número mínimo de pessoal previsto para o funcionamento do CCF, que é entre 12 e 14 pessoas, a gerência requisitou petroleiros de folga. Isso gerou ainda mais interações e desrespeitou a própria medida de segurança interna de mitigação da covid-19, que é isolar os grupos de trabalho.

“O discurso que a saúde e vida está em primeiro lugar, nessa partida do craqueamento ficou em segundo lugar. Em primeiro lugar ficou a produção. O pior é que agora está sobrando combustível, não tem onde armazenar. Então, existe um questionamento, antes de tudo, se era necessário ter a partida”, questiona um dos petroleiros, que preferiu não se identificar.

Além disso, em plena pandemia, o corpo diretivo decidiu mesclar os grupos de trabalho a partir da experiência de cada integrante. “Além de ter a partida e de solicitar os apoios, os iluminados gestores do nosso setor tinham feito um planejamento para remanejar pessoas para balancear os grupos. Deixar um [trabalhador] mais experiente, com outro menos experiente e outro que precisa de mais treinamento, por exemplo, em cada um dos grupos. Essa decisão gerencial acabou, mais uma vez, diminuindo o isolamento”, explica outro petroleiro, que também preferiu não se identificar.

Com isso, os casos de coronavírus no setor de craqueamento disparou, em comparação com o restante da refinaria, justamente a partir do décimo dia após a partida. A solução da direção, todavia, foi a abertura de auditorias para averiguar possíveis descumprimentos das regras para evitar o contágio, como uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento.

“A gente achou uma cafajestice dizer que o aumento dos casos é devido a uma possível irresponsabilidade dos trabalhadores. Todos têm seguido o mesmo protocolo, mas houve um fato novo no craqueamento, que foi essa partida. A empresa está tentando repassar para os próprios trabalhadores uma responsabilidade que é dela”, aponta outro trabalhador, que também preferiu não divulgar sua identidade.

Para o diretor do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado-SP), Gustavo Marsaioli, existe uma contradição da empresa em diversas medidas que estão sendo tomadas durante essa pandemia. O diretor chama atenção, primeiramente, para a maneira como foram implementados os testes rápidos, nos dias de folga dos trabalhadores. “Na nossa opinião, a forma como a empresa está realizando o teste rápido é uma tentativa de descaracterizar qualquer contaminação laboral, já que não existe um argumento técnico para que ele seja feito na folga, devido ao tamanho da janela”, avalia Marsaioli.

Apesar dessa tentativa de se desfazer da responsabilidade, o fato da gerência tentar culpabilizar os próprios petroleiros pelo aumento do número de casos no craqueamento já é uma forma de assumir que a contaminação se deu em ambiente de trabalho. “De um lado, a empresa tenta não gerar nenhum tipo de nexo com contaminação laboral, mas ao tentar jogar a responsabilidade dos trabalhadores pelo aumento de casos nesse setor, ela está afirmando que pode haver, sim, contaminação no ambiente de trabalho”, aponta.

Marsaioli afirmou que o necessário, neste momento, é tomar todos os cuidados necessários em relação à saúde dos trabalhadores. “Pra nós, mais importante do que a questão de descobrir onde a pessoa se contaminou é tentar preservar a vida das pessoas em primeiro lugar. Caça às bruxas não ajuda em nada e apenas acirra os ânimos em um momento muito difícil pra gente”, conclui o sindicalista.

[Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil]

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

O Sindipetro-NF tem recebido de petroleiros e petroleiras de algumas empresas do setor privado, não representados pela entidade, reclamações acerca de acordos celebrados com outras entidades sindicais que provocaram redução de salários e benefícios durante a pandemia da covid-19.

Entre os relatos, estão os de redução no percentual de sobreaviso dos funcionários offshore, de 20% para 10%, e redução no valor do vale alimentação (de R$ 407,00 para R$ 250,00 no caso de uma das empresas).

O NF, embora não represente formalmente estes trabalhadores, é solidário a estes petroleiros e, nas suas cobranças junto à Petrobrás, pauta com frequencia a pressão para que os contratos da companhia com as terceirizadas garantam condições salariais e de trabalho justas.

O sindicato tem denunciado que muitas empresas estão aproveitando do período de pandemia para rebaixar salários e benefícios, além de promover demissões, justamente em um momento crítico da humanidade, quando deveriam praticar de modo ainda mais acentuado a responsabilidade social que costumam divulgar nas suas peças de marketing.

Um grupo de trabalho do Departamento de Medicina Preventiva e Social e do Programa de Pós-graduação em Saúde, Ambiente e Trabalho da UFBA elaborou uma Nota Técnica como subsídio para a organização e estruturação das ações de prevenção da COVID-19 em locais de trabalho.

A Nota traz o conteúdo voltado para a organização do Programa de Prevenção da COVID-19 nos Locais de Trabalho (PPCL).

O objetivo é que o maior número possível de trabalhadores e trabalhadoras, assim como as suas representações, e ainda profissionais da Saúde do Trabalhador e Segurança do Trabalho, tenham acesso à Nota para que possam intervir em situações e locais de trabalho, contribuindo com as ações que devem ser adotadas para evitar o contágio e proliferação do novo coronavírus (covid-19).

A Nota, elaborada pelos médicos e pesquisadores da UFBA, detalha os procedimentos que devem ser adotados em diversas situações, a exemplo da organização de atividades essenciais durante a pandemia, ações de educação e comunicação em saúde para prevenção da COVID-19 nos locais de trabalho, medidas para assegurar o distanciamento físico, evitando quaisquer aglomerações, e higienização em locais de trabalho.

A Nota detalha também os procedimentos corretos para o transporte e deslocamento de trabalhadoras(es), além de tratar sobre exames médicos e condutas afins, ressaltando as medidas que devem ser tomadas para notificação e afastamento de casos de COVID-19, e até, em último caso, a interdição da empresa ou embargo de atividades.

Sediada na página eletrônica da Faculdade de Medicina da Bahia, a Nota está sendo replicada no site e redes sociais do Sindipetro Bahia, devido à sua grande importância, principalmente no atual momento em estamos vivendo com 60.813 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta quinta-feira (2), segundo levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados coletados das secretarias estaduais de Saúde.

Clique aqui para ler a nota na integra

[Via Sindipetro-BA]

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Unilateral e autoritária. Assim a política de prevenção da covid-19 da Petrobrás é definida pelo médico que assessora o Sindipetro-NF, Ricardo Garcia Duarte, em entrevista concedida ao jornalista do sindicato, Vitor Menezes. Leia a íntegra:

Em parecer ao Ministério Público do Trabalho, uma analista pericial confirmou a necessidade de testes moleculares para a covid-19 entre os trabalhadores e trabalhadoras. Orientado pelo médico do trabalho da entidade, Ricardo Garcia Duarte, o Sindipetro-NF tem feito esta mesma cobrança. Nesta entrevista ao Nascente, ele explica as diferenças entre os testes e afirma que “a estratégia para testagem utilizada pela Petrobrás foi iniciada de forma tardia, tímida e sem contemplar, até a presente data, a todos os trabalhadores”. Confira:

Nascente – Em parecer recente ao Ministério Público do Trabalho, uma médica concordou com necessidade do teste molecular para confirmação da covid-19, que é algo que o senhor e o Sindipetro-NF tem alertado. O que é esse teste e porque ele é necessário?

Ricardo Duarte – O teste molecular RT-PCR é um teste de Reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa em tempo real que verifica a presença de material genético do vírus, e confirma que a pessoa se encontra com covid-19. Ele é considerado padrão ouro para o diagnóstico e para sua realização são utilizadas grandes cotonetes (swabs) para coleta de secreções respiratórias em orofaringe (garganta) ou nasofaringe (nariz), que serão analisadas em laboratório. O parecer da médica, que é analista pericial em Medicina do Trabalho do Ministério Público do Trabalho, conclui indicando que o RT-PCR deve ser sempre utilizado enquanto houver IgM (+), mesmo com IgG (+); sendo importante ressaltar que o trabalhador só poderá voltar a embarcar com RT-PCR (-) negativo.

Nascente – Quais são os tipos de testes e como devem ser usados?

Ricardo Duarte – Existem dois tipos de testes, o primeiro é molecular e o segundo e o terceiro são sorológicos. O teste molecular (RT-PCR), por detectar a presença do RNA do vírus no organismo entre o 2º e o 14° dia do início de sintomas (mas podendo persistir por mais dias), é considerado o mais sensível e específico para o diagnóstico da covid-19, sendo classificado como padrão ouro, devendo ser utilizado quando alguém apresenta sintomas e em seus contactantes mas, também, de forma periódica (mensal) para todos que embarcam de todas as empresas. Já os testes sorológicos e os testes rápidos verificam a resposta imunológica e detectam a presença de anticorpos IgM e IgG no organismo, a partir respectivamente de reação inicial e mais tardia ao contato com o novo coronavírus entre o 07º e 14º dia. Sendo importante lembrar que não servem para diagnóstico da doença e os seus resultados não são confiáveis em quase 50% casos, mas podem ser utilizados para rastreamento de pessoas infectadas na população geral.

Nascente – Como o senhor avalia a política de testes da Petrobrás junto aos trabalhadores próprios e terceirizados?

Ricardo Duarte – A estratégia para testagem utilizada pela Petrobrás foi iniciada de forma tardia, tímida e sem contemplar, até a presente data, a todos os trabalhadores que exercem atividades para a indústria do petróleo (seja na produção, no transporte, no apoio, na hotelaria, etc.). Por isso, ela é temerária porque ao invés de tentar rastrear e bloquear a disseminação do novo coronavírus, deixa lacunas e omissões que tem trazido como consequência um número grande de pessoas infectadas e, com um agravante que é a insistência da empresa em esconder o número total de casos, a gravidade dos mesmos, os locais onde tem ocorrido com maior incidência ou prevalência, assim como as sequelas e os óbitos.

Nascente – A Petrobrás tem falado em retorno ao trabalho presencial para aqueles que haviam conseguido ficar em home office. Na sua avaliação, já é hora de tomar essa medida?

Ricardo Duarte – Ainda não, continuamos em um momento onde o número de casos e de óbitos pela covid-19 (assim como aqueles referentes às Síndromes Respiratórias Agudas Graves-SRAG e Síndromes Gripais-SG sem diagnóstico etiológico) continua em um crescente, principalmente nas cidades próximas às capitais e no interior do País. Algumas regiões (RS, MG, MS, TO e interior São Paulo) que haviam flexibilizado porque vinham mantendo um número de casos e óbitos menores e em curva descendente, tiveram aumentos expressivos, fazendo-os voltar a adotar o isolamento social como forma de bloqueio da disseminação do vírus. Uma volta precoce e precipitada traz grandes riscos de piora da epidemia pelo novo coronavírus (e muitas das que ocorreram foram propulsionadas tanto pelo Governo Federal como por empresários ávidos para retomada a qualquer custo, em detrimento do risco que isso significa de agravos maiores à saúde e de mortes de muitos trabalhadores – isso tudo contando, também, com a participação de alguns prefeitos e governadores).

Nascente – Para os trabalhadores que embarcam, como o senhor avalia os procedimentos da Petrobrás em relação à prevenção à covid?

Ricardo Duarte – Considero que os procedimentos adotados pela Petrobrás foram e estão sendo feitos de forma unilateral, sem a participação das Cipas e Sindipetro-NF e demonstram, por um lado, a maneira autoritária e, por outro, leviana e com muitas omissões no que diz respeito ao enfrentamento da pandemia pelo novo coronavírus. Tudo isso agravado pela recusa da empresa em prestar informações a respeito do número total de pessoas que foram contaminadas, hospitalizadas, que vieram a óbito ou que precisarão de apoio especializado pelas sequelas físicas e psíquicas decorrentes da covid-19. Não temos visto ações reais e com frequência diária (várias vezes ao dia) relacionadas a higienização de banheiros, de locais e postos de trabalho, de locais e veículos de transporte (terrestre e aéreo), de dutos de ar condicionado central; assim como não temos visto a distribuição de máscaras em número suficiente para cada turno de 12h e de qualidade para evitar contágio por via aérea. Sendo importante lembrar que para os trabalhadores prestadores de serviços as coisas estão piores: ônibus ou vans das empresas cheios ou não respeitando o distanciamento de 1,5-2 metros entre cada ocupante de assento (isso servindo para a Petrobrás também), sem distribuição de máscaras para transporte ou trabalho, sem testagem para um grande número de trabalhadores que convivem nos mesmos espaços de trabalho dos funcionários da Petrobrás. Enfim, a prevenção da covid-19, assim como de acidentes e outras doenças profissionais ou do trabalho.

Publicado em Sistema Petrobrás
Página 8 de 24

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.