Debate virtual promovido pela Federação Única dos Petroleiros mostrou dificuldades enfrentadas pelas trabalhadoras da Petrobras ante a pandemia e o desmonte da maior estatal brasileira

[Da Rede Brasil Atual]

Num cenário majoritariamente masculino e machista, em que petroleiras representam apenas 17% do total de trabalhadores da Petrobras, a luta das torna-se ainda mais “complicada”. É o que avalia a geofísica Rosângela Buzanelli Torres, única mulher no Conselho de Administração da maior estatal brasileira, de um total de 11 integrantes.

Trabalhadora da companhia há 34 anos, ela foi alçada ao conselho administrativo no último ano, com o apoio da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos. “Foram os trabalhadores, o coletivo de mulheres que me alçaram nessa missão de representar a categoria dos petroleiros no Conselho”, disse durante a live “Mulheres que vão à luta”, transmitida nas redes sociais da FUP, na noite desta quarta-feira (10).

Rosângela relembrou que foi “mal avaliada” pelos seus gestores quando, no início da carreira na Petrobras, lutava por melhores condições de trabalho. “Eu era fiscal de equipe sísmica. Dormíamos no trailer ou barraca. Lutava por um banheiro feminino, por um quarto separado. Para dar mais privacidade para as mulheres e também para os homens”.

Mediado por Cristiane Barroso, da diretoria do Sindipetro da Bahia e com a presença também de Cibele Vieira, do Sindipetro de São Paulo, o debate virtual tratou sobre as dificuldades do teletrabalho, imposto pelos impactos da pandemia. Além de destacar os efeitos do desmonte da maior empresa do país no dia a dia das mulheres petroleiras.

Trabalho em casa

Questionada pela reportagem da RBA, Cibele relatou que um levantamento realizado com as petroleiras identificou que aquelas que têm filhos pequenos são as que mais estão sofrendo no atual cenário. “Conheço quem tem trabalhado durante a madrugada”.

Segundo ela, outra dificuldade com o home office repentino é a interação entre os representantes sindicais e os trabalhadores. “Se a gente pode ter acesso ao pessoal no local de trabalho físico, a gente deve ter também acesso a eles no trabalho virtual”, pontuou.

Rosângela lembrou que o home office precisa de regramento e elogiou o trabalho da FUP e dos sindicatos buscando equilibrar esses novos formatos de trabalho, de forma a manter os direitos já conquistados pelas lutas dos petroleiros. “É preciso se organizar e fortalecer os sindicatos. O que o trabalhador precisa entender é que os sindicatos são a nossa última trincheira”.

Desmonte

Outra questão abordada no debate foi sobre a destruição dos empregos causada pelos desmandos da Operação Lava Jato e o golpe que retirou a presidenta Dilma Rousseff (PT) do governo. “Em 2013 eram 360 mil trabalhadores terceirizados e 87 mil funcionários próprios. Em 2019, esse número caiu para 100 mil terceirizados e 57 mil trabalhadores próprios”, apontou Cibele.

Rosângela falou ainda da gestão de Graça Foster, que presidiu a Petrobras entre 2012 e 2015, sob o governo Dilma. “Uma das coisas que ela fez na empresa foi estimular as políticas de igualdade de gênero. Estimulou programas importantes de combate ao assédio moral e sexual, de combate à homofobia. Nesse aspecto, a gente avançou bastante na gestão dela. Implementou muitos programas importantes nessa questão de justiça e igualdade. Até o golpe chegar e o governo de homens brancos surgir”.

 Assista a íntegra do debate:

Publicado em Movimentos Sociais

Os impactos da pandemia e do desmonte no dia a dia das mulheres petroleiras

[Da edição especial da FUP]

A pandemia da Covid-19 está impactando de forma desigual os trabalhadores brasileiros. Além de escancarar as desigualdades social, racial e de gênero, ela também ampliou problemas estruturais da sociedade, como a violência e o desemprego. As mulheres têm sido as mais impactadas. Seja em casa, com o acúmulo de tarefas da tripla jornada e o aumento dos índices de violência doméstica, seja nas questões trabalhistas.

No caso do Sistema Petrobrás, a imposição do trabalho remoto e o fechamento das escolas deixaram as petroleiras muito mais sobrecarregadas. Nas unidades operacionais, a situação é ainda mais complexa, principalmente, em função das pressões psicológicas e da pouca efetividade dos protocolos de segurança, que não têm se mostrado suficientes para evitar o contágio, o que aumenta o medo constante de levar o vírus para casa. 

Como a indústria petrolífera é um setor prioritário, as mulheres petroleiras também estão atuando na linha de frente, seja em alto mar ou em terra, produzindo os combustíveis que abastecem as ambulâncias, as casas dos brasileiros e toda a cadeia de transportes e de petroquímica, que movimenta o país. Mas, não tem sido nada fácil para a categoria manter a saúde física e emocional com tanta pressão e insegurança. Além da complexidade das relações de trabalho e pessoais, que foram fortemente impactadas pela pandemia, as trabalhadoras e trabalhadores petroleiros ainda enfrentam o desgaste psicológico causado pelas privatizações e fechamento de unidades.

É o caso da técnica de Administração e Controle da Transpetro, Cristiane Fogaça, 34 anos, que foi deslocada para o home office em março do ano passado e, menos de dois meses depois, foi informada de que a unidade onde trabalhava, o Edifício Administrativo em Joinville (Ediville), havia sido fechada. Até agora, os trabalhadores ainda não sabem se serão transferidos após a pandemia ou se permanecerão definitivamente em teletrabalho. “Essa incerteza é mais um fator de estresse, pois, se formos deslocados para São Francisco do Sul (onde ainda há outra unidade da Transpetro em Santa Catarina), vai afetar totalmente a nossa rotina e, no meu caso, vai impactar também financeiramente, pois eu teria que pagar alguém para ficar com o meu filho”, revela Cristiane, que é mãe solo de um menino de 7 anos.

Para ela, o teletrabalho tem sido algo positivo, pois teve mais tempo para reorganizar a rotina pessoal, com a casa e com o filho. “Eu sempre fui muito impactada com a rotina de trabalho por ser mãe solo. Antes (do home office), eu já precisava, por exemplo, cozinhar à noite para ter almoço pronto para o dia seguinte. Hoje, eu tenho mais tempo para essa tarefa, estando em casa, pois não perco tempo em deslocamentos e esse tempo pode ser dedicado a dar atenção a meu filho ou realizar uma atividade física”, explica.

Já a petroleira Carla Cristina de Almeida, 45 anos, viu sua rotina de trabalho piorar consideravelmente com o teletrabalho, principalmente, por conta da pesada agenda de reuniões e o “aumento da jornada refletida em metas que precisam ser cumpridas mesmo após o horário”.  Divorciada e mãe de duas filhas pré-adolescentes, ela trabalha no Centro Empresarial da Petrobrás no Rio de Janeiro, o Edisen, mas está em home office desde 16 de março de 2020. Apesar da facilidade de estar mais próxima da família, a mudança para o teletrabalho impactou “no planejamento das atividades e na continuidade das tarefas diárias”, muito em função da “necessidade de se resolver tudo por reunião”, o que, segundo ela, “cria uma burocracia e aumenta a tensão dos prazos sempre bem apertados”.

Não tem sido fácil para Carla essa sobrecarga de trabalho, acrescida das atividades diárias de cuidado com as filhas na pandemia. “Levanto as 04h30 da manhã, de segunda a sexta, e o dia passa rápido entre trabalho, consultas, ajuda nos estudos, organizar compras e a casa”, explica. “O segundo trimestre de 2020, bem no auge da pandemia, foi um dos mais complicados, quando explodiu uma série de sentimentos e cheguei a apresentar quadros depressivos e de síndrome do pânico”, revela. Hoje, ela já está melhor, com uma rotina de exercícios físicos que a ajudaram a superar as crises de ansiedade.

A técnica de segurança, Jessica Mayra Oliveira, 34 anos, está trabalhando presencialmente desde o início da pandemia. “Eu embarquei no dia 10 de março e a vida estava normal. Desembarquei no dia 31, sem ter como voltar pra casa, pois ônibus e aviões não estavam circulando. Meu marido dirigiu de Curitiba até Macaé pra me buscar”, lembra. Ela trabalha embarcada na P-07, na Bacia de Campos, uma das plataformas da Petrobrás que está em processo de descomissionamento, após ter sido vendida pela atual gestão da empresa.

Jéssica explica que o clima da plataforma é de muita apreensão, tanto por conta da pandemia, quanto devido à privatização. “Todos estão muito tensos, é uma incerteza tão assustadora que as pessoas mal falam disso. Tudo isso é muito deprimente”, afirma. Com dois filhos pequenos e a vida completamente desestruturada pela pandemia, ela sofre ainda hoje as consequências psicológicas das mudanças que ocorreram em sua rotina. “O meu período a bordo foi aumentado de 14 para 21 dias. Foi um choque, um desespero, pois sempre planejei muito bem meus embarques e folgas por causa das crianças. Desde então, eu não consigo descrever a loucura que a minha vida virou. Toda a tensão envolvida nas viagens do trabalho para casa, a deficiência de transporte, pois a quantidade de voos diminuiu drasticamente, as crianças sem escola... não tem sido fácil”, declara.

O desgaste físico e emocional é uma realidade que a petroleira e diretora do Sindipetro Minas Gerais, Márcia Nazaré de Lima, 46 anos, também enfrenta diariamente. Ela é técnica em enfermagem do trabalho na Refinaria Gabriel Passos (Regap), uma das oito refinarias da Petrobrás que foram colocadas à venda no governo Bolsonaro.  “A pandemia alterou completamente a rotina na refinaria. Todos os dias era tudo muito novo. Muitas incertezas. Fui me adaptando, pois preciso prestar cuidados aos empregados, tanto no aspecto físico quanto emocional”, declara.

“Os empregados sintomáticos precisam se ausentar por apresentarem sintomas ou terem tido contato com familiares. Mas, ao mesmo tempo, ficam receosos de se afastarem por causa da escala escassa. Vejo muita angústia por parte deles”, explica Márcia, que está há 11 anos na Regap e precisa também lidar com suas questões pessoais e o impacto emocional de viver sob a insegurança de privatização da refinaria. “No meu caso, tenho dois filhos e sou responsável também pelos cuidados com a minha mãe, que está com 80 anos. Além disso, por ser diretora sindical, muitos empregados me procuram. Tento ajudar de alguma forma, porque percebo como eles se sentem sendo chefes de família. O acolhimento é fundamental e a única maneira de enfrentarmos tudo isso é de forma coletiva”, afirma.


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Manifesto das mulheres em defesa da vida

O protagonismo das mulheres no movimento sindical petroleiro e no cenário político


 

Publicado em Sistema Petrobrás
Sábado, 06 Março 2021 20:09

MULHERES NA LUTA PELA VIDA

Neste domingo, 07, as mulheres petroleiras estarão na abertura da Jornada Nacional Feminista construída pelo Coletivo de Mulheres Petroleiras e mais de 80 organizações sociais e feministas, em formato de ato político para exigir “fora, Bolsonaro!”, vacina para toda a população, auxílio emergencial já e pelo fim das violências contra as mulheres.

A jornada começa às 13h deste domingo e será transmitida nas redes sociais das entidades que estão na construção da mobilização. Bernadete Monteiro , da Coordenação Nacional da Marcha Mundial das Mulheres, disse que no dia 7 o ato virtual terá a presença das representações de mais de 80 entidades e que durará em torno de 5 horas.

“Além das intervenções culturais que vão acontecer durante o ato, terão intervenções das mulheres das organizações que ajudaram a construir o ato”, afirmou.

Manifesto

O documento assinado por dezenas de entidades, as mulheres enfatizam “a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) para a garantia da vida do povo brasileiro”. Durante a pandemia o número de casos de feminicídio aumentou em todo o país. “A violência doméstica, política, institucional e obstétrica seguem nos matando. Assistimos diariamente a morte de mulheres, dentro de suas casas e carregamos o vergonhoso lugar de 5º país no mundo em feminicídio”, destaca o texto.

Para ler na íntegra e assinar o manifesto acesse: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSc-NiNvj0QbssdObGkG0RD8Vah8m-jiHaB5PR4pDnpExsOTfA/viewform

 

Publicado em Cidadania

Reportagem da Revista Marie Claire, publicada nesta terça-feira, 27, dá visibilidade às lutas das trabalhadoras petroleiras em um "ambiente absolutamente machista", como relata Andressa Delbons, operadora da Reduc e diretora da FUP. Coordenadora do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras, ela é uma das cinco trabalhadoras da Petrobrás que foram ouvidas pela revista.

Leia a íntegra da reportagem:

Em alto mar ou terra firme, petroleiras enfrentam solidão, assédio e precarização
[Reportagem e ilustração: Revista Marie Claire]

Ao chegar para o primeiro dia de trabalho como técnica de operação da Petrobras em uma refinaria em Manaus, Elita Balbino Azevedo, 34 anos, realizava um sonho. Depois de seis meses de curso de formação, a engenheira de produção não via a hora de ir a campo. "Na primeira vez que entrei em um laboratório químico da Petrobras, meus colegas falaram que eu parecia uma criança na Disney", diz. "Sou apaixonada por química industrial e é um privilégio poder contribuir diretamente para o PIB do país."

Apesar do deslumbramento, logo de cara percebeu que enfrentaria dificuldades. Elita ouviu do supervisor que ele era obrigado a recebê-la ali, mas que não concordava com a presença de mulheres no ambiente."Respondi que eu tinha sido aprovada em um concurso público, então não era ele que ia me impedir de fazer nada", conta.

Apenas em 2000 foram abertos concursos públicos para o posto de técnico de operação, o que aumentou o espaço para mulheres nessa função. "Até então só homens eram contratados, por ser uma função que exige esforço físico: subir e descer escada de marinheiro, abrir e fechar válvulas pesadas. Para você ter uma ideia, quando as primeiras mulheres chegaram na refinaria, cinco anos antes de mim, nem banheiro feminino tinha", recorda Elita. Ainda hoje, mulheres são apenas 16% do quadro de funcionários da Petrobras.

A empresa, por meio de sua assessoria de imprensa, diz que o registro mais antigo de admissão de mulheres no cargo de técnico de operação data de 1975 e que não há qualquer restrição à contratação das profissionais: "A representatividade feminina na Petrobras de 16% ocorre principalmente em função do desequilíbrio, presente na sociedade como um todo, entre homens e mulheres nas carreiras STEM (da sigla em inglês: Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Há avanços recentes, principalmente nos cargos da alta administração. Na diretoria executiva, mulheres ocupam duas das oito cadeiras. E, nos últimos dois anos, o número de gerentes executivas aumentou de cinco para onze".
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A função de técnica de operação é considerada perigosa e envolve diversos riscos: a exposição ao benzeno, um composto tóxico e cancerígeno, e ao alto ruído das máquinas. Além disso, trabalhar na exploração de gás e petróleo significa lidar com produtos inflamáveis. "Estamos literalmente trabalhando em cima de uma bomba", diz Elita, que está há 10 anos no polo de Urucu, no meio da floresta amazônica. "A minha atribuição é extremamente técnica. Trabalho em uma planta de processamento, onde o gás natural é separado em porções que podem virar o gás de automóvel ou de cozinha, por exemplo. Tomo conta do processo da unidade, monitoro equipamentos como bombas, compressores, verifico as temperaturas de cada processo", explica.

Elita já passou por inúmeras situações de assédio ao longo dos quase 15 anos de carreira. Desde episódios como o de um chefe que pediu a ela que passasse um cafézinho para a equipe ou então o de um colega que foi entregar um documento e aproveitou para alisar sua coxa em direção à sua vulva. Teve também a vez em que Elita criticou o enxugamento do quadro de funcionários durante uma reunião e o chefe reagiu de forma violenta: "Ele ficou muito nervoso e veio para cima, quase encostando a cabeça dele na minha. Aí foi uma confusão grande". Depois disso, Elita foi afastada e ficou três anos em uma função administrativa – como uma forma de punição, diz ela. Desenvolveu crises de ansiedade e precisou de acompanhamento psicológico por seis meses.

Quem trabalha em plataformas passa temporadas longe de casa. A escala geralmente é em turnos de 8h, de 14 dias de trabalho em alto mar para 21 de folga. Com a pandemia, foi aumentado para 21 dias de trabalho e o mesmo período para descanso, em turnos de 12h. Esse regime de trabalho é especialmente difícil para as mulheres com filhos.

É o caso de Monique*, 34, que atua como técnica de segurança em uma unidade na Bacia de Campos, litoral de São Paulo. Mãe de um menino de 3 anos e de uma menina de 2, afirma que o maior desafio é ficar longe deles. Com a pandemia, passou a ficar mais dias embarcada e as crianças, em casa sem escola. Os familiares que ajudavam a cuidar deles moram longe e, por causa da Covid-19, não podem mais se deslocar. O marido trabalha à noite. Da embarcação, e pelo celular, Monique entrevista possíveis babás e administra as demais necessidades da casa. "É uma sobrecarga imensa", diz ela. "Hoje sei que preciso de ajuda psicológica. Sinto vontade de quebrar uma perna para não ter que embarcar de novo e deixar meus filhos. Sou dona de casa à distância. Minha filha fica bem, mas tem medo de qualquer pessoa sair de perto dela. Meu filho não fala comigo, fica com raiva de mim enquanto estou aqui. Tento fazer chamada de vídeo e ele fala que não quer conversar comigo, nem me ver."

Monique conta que quando entrou na profissão, com 22 anos, era tratada pelos colegas como "boneca" até conseguir se impor pela primeira vez – e aí passar a ser vista como "louca", "mal amada" e "chiliquenta". "É um caminho muito longo até propor uma ideia e ser escutada, não arregar só porque estão todos contra você. Ficam todos comendo pipoca e esperando que eu cometa algum erro", diz ela.

"Teve uma vez que embarcou um colaborador para fazer manutenção nos equipamentos da minha área. Eu precisava acompanhar esse serviço e ele já chegou com má vontade de trabalhar, ficava perguntando se era eu que precisava acompanhar, visivelmente incomodado. No fim faltavam alguns equipamentos no relatório dele. Questionei e ele disse que simplesmente não deu tempo e que não ia fazer. Falei que então não ia assinar o relatório e aí ele subiu o tom, ficou agressivo. Falei que não adiantava gritar, não ia chancelar o serviço feito pela metade. Aí ele saiu da sala me xingando, fazendo escândalo", conta.

Monique diz também que "cantadas" por parte dos colegas são frequentes. "Um rapaz me achou no Facebook e ficou me mandando mensagem. Essa vez foi ruim, me deu medo. Ele ficava falando que não conseguia trabalhar porque pensava em mim o dia inteiro, que sonhava comigo. Falei para ele parar e ficar longe de mim. Aí ele continuou, eu bloqueei ele, e ele desembarcou logo depois. Muito desconfortável."

Segundo Andressa Delbons, 33, técnica de operação na refinaria de Duque de Caxias (Reduc), RJ, dirigente do Sindipetro Caxias e coordenadora do Coletivo de Mulheres da FUP (Federação Única dos Petroleiros), a entidade não recebeu nenhuma denúncia formal de assédio e por isso não há um levantamento dos casos. "Quem te disser que nunca foi assediada está mentindo. É um ambiente absolutamente machista. Quando comecei, recebia diversos convites desnecessários. Ouvi de colegas que eu não precisava trabalhar, que podia ficar enfeitando o ambiente."

Andressa conta que a principal conquista do coletivo, criado em 2012, foi a extensão da licença paternidade de 5 para 20 dias. Agora lutam para que seja equivalente à licença maternidade, de 6 meses. Também conseguiram assegurar espaços de amamentação em boa parte das unidades da Petrobras e a redução de jornada para lactantes. "Criar o coletivo foi importante porque o ambiente sindical é ainda mais masculino do que o petrolífero. Até pouco tempo atrás, não tinha mulher dentro do sindicato. Hoje, já temos um número proporcional de mulheres na direção. As políticas de gênero passaram a ganhar mais importância".


> Leia também: Petroleiras mandam o recado: "Fresca é água, mulher aqui é trabalhadora e merece respeito"



Paula*, técnica de segurança de uma empresa terceirizada em uma plataforma na Bacia de Campos, fez parte de uma equipe com outras três mulheres por 4 anos. Em uma reunião com o gerente, reivindicou melhorias nas condições de segurança e ouviu como resposta que ele deveria então simplesmente trocar aquela equipe por uma formada somente por homens. "Nesse século acontecer algo assim foi a coisa mais ridícula que já ouvi de um líder", diz.

As petroleiras entrevistadas pela reportagem denunciam uma piora drástica nas condições de trabalho ao longo dos últimos anos e um quadro de adoecimento mental generalizado dentre os trabalhadores, agravado na pandemia da Covid-19. A maior parte preferiu falar sob anonimato por temer retaliações da Petrobras. Elas descrevem uma "caça às bruxas" dentro da empresa. Um dirigente sindical do Sindipetro Caxias foi punido com uma suspensão após conceder entrevista ao jornal O Globo em junho deste ano, na qual afirmou que a explosão ocorrida na Reduc naquele mês foi causada por falhas de manutenção e inspeção na tubulação da unidade de destilação.

A Petrobras alega que o funcionário foi punido por descumprir a norma de confidencialidade de informações relativas a investigações do acidente.

A empresa também nega a precarização das condições de segurança das unidades: "Pelo contrário, podemos citar o aprimoramento do programa de auditorias internas de segurança operacional com o objetivo de combater desvios de segurança. Também tornamos mais rígidos os padrões de segurança para atividades de mergulho e de aviação, entre outras. As manutenções preventivas, realizadas justamente para evitar acidentes, são realizadas em intervalos de tempo definidos conforme regulamentação e as características de cada unidade".

Foram registrados ao menos dois suicídios de trabalhadores do setor neste ano: um petroleiro de uma refinaria da Bahia em setembro e outro no Rio de Janeiro em outubro, que estava em isolamento no quarto de hotel um dia antes de embarcar, conta Marcelo Juvenal Vasco, da secretaria de saúde da FNP (Federação Nacional de Petroleiros). "Temos muitos casos de trabalhadores depressivos e dependentes químicos. Não só pela condição do trabalho em si, mas também pela exposição a substâncias químicas que absorvem pelas vias aéreas e cutâneas. Existem estudos que evidenciam que essa exposição pode levar a transtornos mentais", diz.

A Petrobras afirma possuir um programa de treinamento e palestras com enfoque em saúde mental, e uma equipe multidisciplinar para atendimento. No período de pandemia, a empresa disponibilizou um canal interno para atendimento psicológico de forma remota e individual. Elita, no entanto, diz que as equipes de atendimento foram reduzidas e praticamente não embarcam mais, e o canal é pouco divulgado. O mesmo é dito por outra entrevistada, sob anonimato: "O serviço é absolutamente insuficiente, principalmente nas áreas operacionais. Esse programa de treinamento e as palestras com esse enfoque eu desconheço".

Monique conta que já viu uma colega desembarcar de uma plataforma com camisa de força, em surto. Foi afastada e nunca mais voltou ao trabalho. Também já passou por uma unidade, no ano passado, em que quatro funcionários estavam com síndrome do pânico.

Segundo ela, o começo da pandemia foi particularmente difícil: "Não tenho nem palavras para descrever. Todo mundo em casa e a gente tendo que embarcar, sem máscara, sem vacina, sem saber quem está contaminado. Não tinha transporte para irmos e voltarmos das plataformas. Hoje estamos bem, me sinto segura. Mas no começo ninguém sabia que tipo de medida de proteção tínhamos que tomar".

Elita foi contaminada com a Covid-19 no primeiro embarque. Ao contrário de alguns colegas infectados, ela não precisou ir para a UTI, mas ainda hoje sofre com as sequelas da doença. "Sentia muita dor no peito, na cabeça, no corpo todo. Precisei de repouso constante. Depois tive uma crise renal, fiz tomografia, expeli as pedras, mas os médicos suspeitam que tenha sido efeito colateral da doença."

Paula conta que os espaços de lazer nas plataformas foram fechados por questões sanitárias, prejudicando ainda mais a saúde mental dos trabalhadores. "A gente passa 12 horas trabalhando e 12 horas dormindo. Trabalhamos com metas, com prazos, sob muita pressão o tempo inteiro. Com esse desgaste, o trabalhador começa a sentir incapacidade, nessa carga excessiva de trabalho de 12 horas. Um bom profissional não quer atingir meta, quer o serviço feito com qualidade. O trabalho em confinamento não é para qualquer um. Vai acumulando até chegar no nível de estresse limite. O cliente não quer saber disso, só das metas. Você é só mais uma peça. Se não trabalha feito robô, não serve. Essa desvalorização que nos adoece."

Os cortes de gastos na estatal provocaram a diminuição no quadro de funcionários mas não no volume de trabalho, o que leva a situações de acúmulo de funções, denunciam os sindicatos. Com a pandemia, trabalhadores do grupo de risco foram afastados, diminuindo ainda mais o pessoal. Em meio à privatização de unidades da empresa, vivem sob a incerteza de serem transferidos para outras localizações e áreas de atuação.

Entre janeiro de 2019 e julho de 2020, a Petrobras abriu 48 processos de vendas de ativos, uma média de 2,5 por mês, de acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos). A média era de 1,4 por mês durante o governo Michel Temer e 0,4 por mês no último mandato de Dilma Rousseff, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.

Sandra*, que trabalha como técnica de operação na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, conta que, com a implementação do chamado estudo de O&M (Organização e Método), em 2017, a equipe foi reduzida em 40%. A metodologia do modelo, segundo ela, é questionada por especialistas da área de segurança do trabalho, e foi utilizada pela direção da Repar para justificar a redução do pessoal. Por causa disso, ela passou a monitorar mais operações ao mesmo tempo.

Em uma ocasião, percebeu e conseguiu conter por uma questão de minutos o aumento repentino na pressão de gás sulfídrico em um equipamento. "O risco de acidentes geralmente é controlado, no entanto com a sobrecarga esse tipo de evento torna-se mais frequente. Acidentes na indústria química têm um alto potencial de risco e uma possível contaminação poderia ter matado não só os funcionários, mas também quem vive nos arredores da refinaria", diz Sandra.

Para Elita, é uma questão de tempo até um acidente grave acontecer: "Faltam materiais, manutenções são declaradas mesmo sem a troca de todos os componentes, as unidades estão sucateadas. Equipamentos estão envelhecendo. Uma tubulação corroída, com vazamento, pode levar a uma explosão. A gente pode perder uma vida e todas ao mesmo tempo".

*Nomes foram trocados a pedido das entrevistadas

Publicado em Sistema Petrobrás

Você sabia que tem supervisor e até gerente na Reduc que, apesar do código de ética e de toda informação corporativa contra a discriminação, ainda acha que a operação não é lugar de mulher? 

[Da imprensa do Sindipetro Duque de Caxias]

Na Petrobrás, do efetivo total de trabalhadores, cerca de 16% são mulheres. Na área operacional, a quantidade de mulheres é ainda menor – chegando a 10% ou menos dependendo da unidade. Uma das possíveis razões talvez seja esse mesmo preconceito que atinge as mulheres, antes mesmo de realizar o concurso para preenchimento de vagas em cargos técnicos.

“Quando entrei ouvi alguns homens falarem que ali não era lugar de mulher, que deveria estar em casa cuidando do marido ou estudar para estar num lugar melhor. Estou há 12 anos provando o contrário. São sempre comentários revestidos de um caráter de cuidado por parte dos homens”, critica Andressa Delbons, técnica de operação da Reduc, diretora do Sindipetro Caxias e da Federação Única dos Petroleiros, além de coordenadora do Coletivo de Mulheres Petroleiras da FUP.

A diferença de tratamento é reforçada em períodos de retrocesso democrático, como esse que o Brasil e outros países do mundo enfrentam. E se afirma como uma reação do conservadorismo à conquista de direitos.

Quando a mentalidade predominante é de submissão, ela irá transparecer em todos os setores da nossa vida, negando não só a autonomia das mulheres mas também do país. Por isso vemos o Estado voltando a abrir mão da soberania nacional com ideais de privatização e sucateamento da educação, saúde… e isso também nos afeta.

Foi sob a gestão Temer que o subcomitê de diversidade – que é um requisito para que Petrobrás mantenha o selo pró-equidade de gênero, e que tinha uma representante das trabalhadoras, foi totalmente esvaziado. Um retorno desse fórum no governo Bolsonaro seria uma utopia, dada a ideologia do novo governo. Esse pensamento tacanho e retrógrado impacta no dia a dia das trabalhadoras e dificulta o avanço em questões fundamentais para a classe trabalhadora, como por exemplo o direito à amamentação. A partir desse fórum foi, por exemplo, expandida e facilitada a utilização das salas de amamentação em diversas unidades do Sistema Petrobrás.

Se você é homem e está parado no tempo, se atualize! Mas se você é mulher e se identificou ou já sofreu qualquer tipo de assédio dentro do local de trabalho, participe do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras e vamos juntas combater este pensamento!


> Leia também: Revista destaca luta das trabalhadoras petroleiras contra assédio e precarização na Petrobrás


 

Publicado em Sistema Petrobrás

[Da Imprensa do Sindipetro-NF] 

Os homens precisam conversar mais entre si sobre o que significa ser homem. E não no sentido proposto por movimentos conservadores de reafirmação de uma postura patriarcal, como tem sido estimulado entre alguns grupos reacionários e ou religiosos. O desafio é justamente o oposto: entender as possibilidades de novas masculinidades.

A necessidade foi debatida em mesa que durou duas horas neste final de tarde no 18º Confup (Congresso da Federação Única dos Petroleiros), o evento nacional de uma categoria eminentemente masculina e que também se sente desafiada a enfrentar a pauta sobre o que é ser homem na atualidade. Somente na Petrobrás, dos cerca de 57 mil empregados, 48 mil são homens, de acordo com dados de 2019.

Moderada pelo diretor da FUP e do Sindipetro-NF, Tadeu Porto, a mesa contou com as exposições de Ruth Venceremos, artista drag queen do Distrito Drag e do coletivo LGBT Sem Terra, do petroleiro aposentado Hermes Rangel, facilitador do programa “E agora José?", e do advogado e gestor de projetos culturais, Gustavo Seraphim, idealizador do "Fio da Conversa", uma iniciativa que investiga os fazeres manuais têxteis e as masculinidades.

O painel foi pensado e organizado pelo Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP.

Combate ao patriarcado

"Na atualidade, discutir masculinidade é um exercício necessário para avançarmos na discussão de novas relações sociais e de gênero. Para isso é imprescindível que os homens possam conversar entre si sobre diversas questões que envolvem as relações patriarcais de gênero e de como estas implicam na manutenção de um sistema de opressão masculina", defende Ruth.

Ela avalia que os homens também devem pensar os papéis de gênero, provocando-se a enfrentar questões como "o que é ser homem nessa sociedade", "qual o papel dos homens nas relações patriarcais de gênero" e "o que são as novas masculinidades".

Ruth, que atua como artista em Brasília e teve grande protagonismo nas eleições de 2018 — quando comparecia como drag queen nas manifestações para colocar a pauta identitária em questão — associa a sua luta ao combate ao próprio capitalismo, e elogiou a iniciativa dos petroleiros em colocar o tema em debate. "No fundo estamos discutindo que sociedade queremos. Temos que combater o patriarcado, mas também temos que combater o capitalismo que utiliza o patriarcado como forma de se manter. E essa discussão é coletiva, por isso é importantíssimo quando um coletivo tão importante para o país, como o dos petroleiros, faz essa discussão", disse.

A artista e militante levantou temas como a divisão de tarefas domésticas  - "a gente sabe que não cai o pinto se lavar o prato", provocou -, o modo como a maioria dos homens ainda vêem as mulheres -"é tida como objeto, ora santa, ora puta" - e desafiou os homens a fazerem uma autocrítica, defendendo que é papel masculino refletir sobre os privilégios que ainda mantêm na sociedade.

Para ser humano

Esta necessidade de conversar sobre masculinidades também foi defendida por Gustavo Seraphim, que se apresentou com tendo lugar de fala na condição de "homem cis [cisgênero, que se apresenta e se identifica com o seu gênero biológico], heterossexual, branco e de classe média". Para ele, este diálogo é vital até mesmo para os próprios homens.

"Essa masculinidade tida como hegemônica, esse estereótipo de masculinidade, é prejudicial não apenas para as mulheres, para os homens homossexuais, para toda a comunidade LGBTQ+, mas também para os próprios homens, que acabam tendo que se encaixar dentro desse estereótipo, uma armadilha que aprisiona esses homens dentro de uma caixa de padrões pré-definidos e impossibilitam uma diversidade maior de possibilidades de ser homem. Principalmente dificulta uma possibilidade de ser humano mesmo", defende Seraphim.

O projeto "Fio da Conversa", que funciona desde o início de 2019 em Curitiba, reúne homens em ciclos para aprenderem a fazer tricô, enquanto conversam sobre a condição masculina na sociedade. A proposta é quebrar os estereótipos sobre ser homem. "Não há uma masculinidade, há masculinidades. O que há é um padrão hegemônico que tem sido construído há muito tempo, que chega a nós como única possibilidade de existir como homem", complementa Seraphim.


Saiba mais sobre o Fio da Conversa: baixe a edição eletrônica da revista do projeto


Programa "E agora, José?"

Hermes Rangel, que é diretor do Sindipetro Unificado de São Paulo, expôs a experiência do programa "E agora, José?", em Santo André (SP), que atende a homens encaminhados pela Justiça por terem praticado violência de gênero. O projeto nasceu como resposta ao previsto no artigo 35 da Lei Maria da Penha, que determina a criação de centros de educação para homens que sejam condenados por violência de gênero.

"O programa existe desde 2014, começou com o atendimento a 27 homens. Hoje já são mais de 300 homens atendidos. E nenhum deles retornou para o grupo. Então, em tese, a gente acredita que eles estão repensando as suas masculinidades, as suas violências. Pelo menos saíram do programa com alguma motivação, com algum questionamento para tomarem cuidado com as suas atitudes", explica.

O programa prevê 26 encontros: dois para entrevistas individuais, 20 em grupo, e quatro quadrimestrais após o encerramento para avaliação sobre como os homens estão se sentindo e se comportando. Atualmente, em razão da pandemia, os encontros estão sendo realizados em três salas virtuais, com dois facilitadores em cada uma delas.

Assista a íntegra do debate: 

Aprenda mais sobre masculinidades

Durante a live, os convidados deram dicas de filmes e documentários que debatem masculinidades.

O silêncio dos homens

Esse filme é parte de um projeto que ouviu mais de 40 mil pessoas em questões a respeito das masculinidades e desembocou num documentário e num livro-ferramenta baseado nesse estudo com dados públicos por meio de um convênio com o Consórcio de Informações Sociais (CIS) da USP.

Precisamos falar com os homens? 

 No âmbito do movimento #ElesPorElas (HeForShe), o documentário "Precisamos falar com os homens? Uma jornada pela igualdade de gênero" procurará aproximar os homens desse tema tão importante. O objetivo é mostrar que a igualdade de gênero é uma questão que afeta a todos e todas e que, portanto, é benéfica a homens e mulheres. Nele investigamos como se formam, se sustentam e de que modo podemos desconstruir os estereótipos de gênero nocivos, que perpetuam o nosso cenário atual. O documentário é resultado de uma pesquisa qualitativa que rodou o Brasil e será complementado pela pesquisa quantitativa online ainda em curso.

 

Publicado em 18 CONFUP

A capital do Espírito Santo recebe nesta sexta-feira (05) trabalhadoras de todo o país para o 7º Encontro Nacional das Mulheres Petroleiras da FUP.  A solenidade de abertura será realizada no Cine Metrópoles, no Campus da Universidade Federal do Espirito Santo. Os debates prosseguirão no sábado (06) e domingo (07), no Hotel Aruan, na Praia de Camburi. Cerca de cem pessoas são esperadas para o evento, que reunirá as principais lideranças sindicais, dos movimentos de mulheres e de organizações populares do país e do Espírito Santo.

Com o tema central “Somos todas irmãs”, o encontro ressaltará a necessidade de unidade das mulheres para resistir aos ataques contra os direitos e conquistas do povo brasileiro, que atingem principalmente a trabalhadora. Os debates irão girar em torno da importância das lutas feministas na defesa do patrimônio público, da soberania nacional e dos direitos dos trabalhadores.  

“É um espaço de formação, acolhimento, fortalecimento e estreitamento de laços entre nós mulheres. Vivemos um momento político muito difícil. O acirramento dos ataques à classe trabalhadora sempre impacta as mulheres de maneira mais feroz e precisaremos de coragem e muita união para enfrentar mais essa tormenta”, ressalta Andressa Delbons, diretora da FUP e coordenadora do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras.

Como nas edições anteriores, as petroleiras homenagearão uma mulher que fez história no país. A escolhida é a professora capixaba Zilma Coelho Pinto, que enfrentou o analfabetismo nos 40, e desafiou as autoridades e a alta burguesia do interior do Espírito Santo para que os pobres, negros e mulheres tivessem acesso à escrita e à leitura. Durante a abertura do encontro, será exibido um documentário sobre ela.

Andressa destaca a importância do evento, que apesar de organizado por mulheres, para mulheres, interessa a toda a classe trabalhadora.  “A decisão pela manutenção do evento, imediatamente após a Petrobrás anunciar o corte do repasse das mensalidades aos nossos sindicatos, que talvez não coincidentemente ocorreu durante o  mês da mulher, traduz o compromisso com o coletivo e reafirma a importância que a FUP dá à organização das mulheres”, ressalta.

Acompanhe os debates pelas redes sociais da FUP e de seus sindicatos.

Recreação para as crianças

Durante todo o Encontro, as mulheres que têm filhos até 10 anos terão à sua disposição um espaço de recreação com profissionais que irão desenvolver diversas atividades. O objetivo é envolver as crianças de forma lúdica na luta pelos direitos das mulheres petroleiras. Por isso, foi pensado um espaço especialmente desenvolvido para elas.

No sábado pela manhã, haverá uma oficina de experimentações e integração, com brincadeiras e práticas artísticas que dialogam sobre respeito, inclusão e liberdade . Uma das atividades será a construção de estampas em camisas que as famílias poderão trazer de casa. Na parte da tarde, as atividades incluem música, tatuagem, bolamania, oficinas de gesso, slime, miçangas, pinturas, desenhos e brincadeiras diversas, com distribuição de brindes.  O espaço infantil prossegue no domingo e contará também com um cantinho do bebê.

 Programação do Encontro

Sexta-feira (05/04)

Local: Cine Metrópoles (Campus de Goiabeiras, UFES)

17h30 – Recepção com Feira de produtos da agricultura familiar e exposição de artistas locais

18h – Abertura oficial do VII Encontro Nacional das Mulheres Petroleiras da FUP, que reunirá movimentos feministas e sociais do estado do Espírito Santo

18h30 – Homenagem à educadora Zilma Coelho Pinto com exibição de documentário

19h – Palestra: “Por que ser feminista?”

Convidadas: Deputada Federal Erika Kokay (PT-DF) e Professora Dra. Erineusa Silva, Núcleo Interinstitucional de Pesquisa em Gênero e Sexualidades – Ufes/Estácio, Praxis/Nepe (Ufes)

21h – Apresentação Cultural

Sábado (06/04)

Local: Hotel Aruan, Praia de Camburi

(Av. Dante Michelini, 1497 – Jardim da Penha, Vitória – ES)

7h30 – Atividade ao ar livre com Marli Zordan

8h às 9h – Credenciamento

9h – Painel: Análise do Setor Petróleo e Gás no Brasil e no Estado do Espírito Santo

Convidadas: Msc. Carla Borges Ferreira, Pesquisadora do INEEP e Msc. Ana Maria Leite de Barros, pesquisadora da UFES;

10h40 – Painel: A Luta contra a Privatização: o papel das trabalhadoras e trabalhadores

[email protected]: Rita Serrano, Coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas; Fabiana dos Anjos, Representante dos Trabalhadores no CA da Transpetro; Danilo Silva, Representante dos Trabalhadores no CA Petrobrás

12h30 – Intervalo de Almoço

14h – Ginástica Laboral, com Claudete Roseno

14h30 – Painel: Impactos da Reforma Trabalhista e Previdenciária na vida das trabalhadoras e os direitos ainda preservados na lei

Convidadas: Euci Santos Oss, Advogada Trabalhista assessora do Sindipetro-ES; Lujan Miranda, Especialista em Direito Constitucional /Núcleo Auditoria Cidadã da Dívida/ Sindiprev/ES; Jossandra Rupf, Advogada especialista em Gestão de Politicas Publicas de Gênero e Raça / CTB-ES; Sandra Bortolon, Coord. Dieese ES.

16h– Debate e Reflexões

17h – Bingo

Domingo (07/04)

7h30 – Aula de defesa pessoal com a Campeã Mundial de Jiu-jitsu, Ariane Guarnier

9h – Painel “A trajetória e as conquistas do Coletivo de Mulheres Petroleiras da FUP”

Convidadas: Mônica da Silva Paranhos, pesquisadora associada do Arquivo da Memória Operária do Rio de Janeiro IFCS-UFRJ; Andressa Delbons, coordenadora do Coletivo de Mulheres da FUP

 [FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

A capital do Espírito Santo recebe esta semana trabalhadoras de todo o país para o 7º Encontro Nacional das Mulheres Petroleiras da FUP.  A solenidade de abertura do evento será realizada na noite de sexta-feira, 05, no Cine Metrópoles, no Campus da Universidade Federal do Espirito Santo. Os debates prosseguirão no sábado (06) e domingo (07), no Hotel Aruan, na Praia de Camburi. Cerca de cem pessoas são esperadas para o Encontro, que reunirá as principais lideranças sindicais, dos movimentos de mulheres e de organizações populares do país e do Espírito Santo.

Com o tema central “Somos todas irmãs”, o encontro abordará a necessidade de unidade das mulheres para resistir aos ataques contra os direitos e conquistas do povo brasileiro, que atingem principalmente a trabalhadora.  Os debates irão girar em torno da importância das lutas feministas na defesa do patrimônio público, da soberania nacional e dos direitos dos trabalhadores.  

“É um espaço de formação, acolhimento, fortalecimento e estreitamento de laços entre nós mulheres. Vivemos um momento político muito difícil. O acirramento dos ataques à classe trabalhadora sempre impacta as mulheres de maneira mais feroz e precisaremos de coragem e muita união para enfrentar mais essa tormenta”, ressalta Andressa Delbons, diretora da FUP e coordenadora do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras.

Como nas edições anteriores, as petroleiras homenagearão uma mulher que fez história no país. A escolhida é a professora capixaba Zilma Coelho Pinto, que enfrentou o analfabetismo nos 40, e enfrentou as autoridades e a alta burguesia do interior do Espírito Santo para que os pobres, negros e mulheres tivessem acesso à escrita e à leitura. Durante a abertura do Encontro, será exibido um documentário sobre ela.

Andressa destaca a importância do evento, que apesar de organizado por mulheres, para mulheres, interessa a toda a classe trabalhadora.  “A decisão pela manutenção do evento, imediatamente após a Petrobrás anunciar o corte do repasse das mensalidades aos nossos sindicatos, que talvez não coincidentemente ocorreu durante o  mês da mulher, traduz o compromisso com o coletivo e reafirma a importância que a FUP dá à organização das mulheres”, ressalta.

Recreação para as crianças

Durante todo o Encontro, as mulheres que têm filhos até 10 anos terão à sua disposição um espaço de recreação com profissionais que irão desenvolver diversas atividades. O objetivo é envolver as crianças de forma lúdica na luta pelos direitos das mulheres petroleiras. Por isso, foi pensado um espaço especialmente desenvolvido para elas.

No sábado pela manhã, haverá uma oficina de experimentações e integração, com brincadeiras e práticas artísticas que dialogam sobre respeito, inclusão e liberdade . Uma das atividades será a construção de estampas em camisas que as famílias poderão trazer de casa. Na parte da tarde, as atividades incluem música, tatuagem, bolamania, oficinas de gesso, slime, miçangas, pinturas, desenhos e brincadeiras diversas, com distribuição de brindes.  O espaço infantil prossegue no domingo e contará também com um cantinho do bebê.

 Programação do Encontro

 5 de abril, sexta-feira

Local: Cine Metrópoles (Campus de Goiabeiras, UFES)

17h30 – Recepção com Feira de produtos da agricultura familiar e exposição de artistas locais

18h – Abertura oficial do VII Encontro Nacional das Mulheres Petroleiras da FUP, que reunirá movimentos feministas e sociais do estado do Espírito Santo

18h30 – Homenagem à educadora Zilma Coelho Pinto com exibição de documentário

19h – Palestra: “Por que ser feminista?”

Convidadas: Deputada Federal Erika Kokay (PT-DF) e Professora Dra. Erineusa Silva, Núcleo Interinstitucional de Pesquisa em Gênero e Sexualidades – Ufes/Estácio, Praxis/Nepe (Ufes)

21h – Apresentação Cultural

6 de abril, sábado

Local: Hotel Aruan, Praia de Camburi

(Av. Dante Michelini, 1497 – Jardim da Penha, Vitória – ES)

7h30 – Atividade ao ar livre com Marli Zordan

8h às 9h – Credenciamento

9h – Painel: Análise do Setor Petróleo e Gás no Brasil e no Estado do Espírito Santo

Convidadas: Msc. Carla Borges Ferreira, Pesquisadora do INEEP e Msc. Ana Maria Leite de Barros, pesquisadora da UFES;

10h40 – Painel: A Luta contra a Privatização: o papel das trabalhadoras e trabalhadores

[email protected]: Rita Serrano, Coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas; Fabiana dos Anjos, Representante dos Trabalhadores no CA da Transpetro; Danilo Silva, Representante dos Trabalhadores no CA Petrobrás

12h30 – Intervalo de Almoço

14h – Ginástica Laboral, com Claudete Roseno

14h30 – Painel: Impactos da Reforma Trabalhista e Previdenciária na vida das trabalhadoras e os direitos ainda preservados na lei

Convidadas: Euci Santos Oss, Advogada Trabalhista assessora do Sindipetro-ES; Lujan Miranda, Especialista em Direito Constitucional /Núcleo Auditoria Cidadã da Dívida/ Sindiprev/ES; Jossandra Rupf, Advogada especialista em Gestão de Politicas Publicas de Gênero e Raça / CTB-ES; Sandra Bortolon, Coord. Dieese ES.

16h– Debate e Reflexões

17h – Bingo

7 de abril, domingo 

7h30 – Aula de defesa pessoal com a Campeã Mundial de Jiu-jitsu, Ariane Guarnier

9h – Painel “A trajetória e as conquistas do Coletivo de Mulheres Petroleiras da FUP”

Convidadas: Mônica da Silva Paranhos, pesquisadora associada do Arquivo da Memória Operária do Rio de Janeiro IFCS-UFRJ; Andressa Delbons, coordenadora do Coletivo de Mulheres da FUP

 [FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

O VII Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP será realizado em Vitória, no Espírito Santo, de 05 a 07 de abril, no Hotel Aruan. A abertura do evento ocorrerá no Cine Metrópoles, na Universidade Federal do Espirito Santo (UFES).

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas até o dia 30 de março, acessando aqui.

A diretora da FUP e do Sindipetro-ES, Priscila Patrício, ressalta a importância do encontro para fortalecer as lutas das mulheres.“É um momento de integração, aprendizado, fortalecimento das mulheres. Estamos sofrendo muitos ataques, como o assédio no ambiente de trabalho. Somos as mais afetadas pela política de retirada de direitos que está em curso. A resistência passa pela nossa união. Por isso que o lema do evento é ‘Somos Todas irmãs’. Também vamos reforçar a defesa do pré-sal para o Brasil e a defesa da Petrobrás”, diz.

Ela destaca ainda a importância das mulheres do Espírito Santo participarem dos debates. Foram abertas inscrições locais para as capixabas que quiserem participar do evento. Para quem mora no interior do estado, haverá transporte e hospedagem disponibilizados.

“É um reconhecimento da importância das mulheres petroleiras capixabas. O Encontro vem para o Espírito Santo como um abraço do Coletivo de Mulheres da FUP para as petroleiras, mostrando que a FUP está junto conosco”, declara Priscila.

Durante o evento, as mulheres que têm filhos até 10 anos terão à sua disposição um espaço de recreação com profissionais que irão desenvolver diversas atividades com as crianças, como oficinas, contação de história, entre outras. Assim, elas poderão participar tranquilamente do Encontro.

Também haverá exposição fotográfica, venda de produtos artesanais dos movimentos sociais e uma aula de defesa pessoal com a campeã mundial de Jiu-jitsu, a capixaba Ariane Guarnier


Programação

5 de abril, sexta-feira

Local: CINE METRÓPOLIS (Campus de Goiabeiras, UFES)

17h30 – Recepção com Feira de produtos da agricultura familiar e exposição de artistas locais

18h – Abertura oficial do VII ENMP e Encontro dos movimentos feministas e sociais do estado do Espírito Santo

18h30 – Homenagem à Zilma Coelho Pinto com exibição de documentário

19h – Palestra: “Por que ser feminista?”

Convidadas: Deputada Federal Erika Kokay (PT-DF) e Professora Dra. Erineusa Silva, Núcleo Interinstitucional de Pesquisa em Gênero e Sexualidades – Ufes/Estácio, Praxis/Nepe (Ufes)

21h – Apresentação Cultural

6 de abril, sábado

Local: Hotel Aruan, Praia de Camburi

(Av. Dante Michelini, 1497 – Jardim da Penha, Vitória – ES)

7h30 – Atividade ao ar livre com Marli Zordan

8h às 9h – Credenciamento

9h – Painel: Análise do Setor Petróleo e Gás no Brasil e no Estado do Espírito Santo

Convidadas: Msc. Carla Borges Ferreira, Pesquisadora do INEEP e Msc. Ana Maria Leite de Barros, pesquisadora da UFES;

10h40 – Painel: A Luta contra a Privatização: o papel das trabalhadoras e trabalhadores

[email protected]: Rita Serrano, Coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas; Fabiana dos Anjos, Representante dos Trabalhadores no CA da Transpetro; Danilo Silva, Representante dos Trabalhadores no CA Petrobras

12h30 – Intervalo de Almoço

14h – Ginástica Laboral, com Claudete Roseno

14h30 – Painel: Impactos da Reforma Trabalhista e Previdenciária na vida das trabalhadoras e os direitos ainda preservados na lei

Convidadas: Euci Santos Oss, Advogada Trabalhista assessora do Sindipetro-ES; Lujan Miranda, Especialista em Direito Constitucional /Núcleo Auditoria Cidadã da Dívida/ Sindiprev/ES; Jossandra Rupf, Advogada especialista em Gestão de Politicas Publicas de Gênero e Raça / CTB-ES; Sandra Bortolon, Coord. Dieese ES.

16h– Debate e Reflexões

17h – Bingo

7 de abril, domingo 

7h30 – Aula de defesa pessoal com a Campeã Mundial de Jiu-jitsu, Ariane Guarnier

9h – Painel “A trajetória e as conquistas do Coletivo de Mulheres Petroleiras da FUP”

Convidadas: Mônica da Silva Paranhos, pesquisadora associada do Arquivo da Memória Operária do Rio de Janeiro IFCS-UFRJ; Andressa Delbons, coordenadora do Coletivo de Mulheres da FUP

[FUP, com informações do Sindipetro-ES]

Publicado em Cidadania
Segunda, 11 Março 2019 16:02

Somos Rosas ou Cactos?

Por Priscila Costa Patricio, diretora da FUP e do Sindipetro Espírito Santo, integrante do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP

Às vezes, a vida nos coloca no meio de um dilema. A consciência questiona e você terá que decidir.

Ser mulher no Brasil - mais especificamente no estado do Espirito Santo, mais ainda, trabalhadora de uma empresa majoritariamente masculina, ou mais: militante e sindicalista - é um grande desafio. Muitas vezes, você vai ser sentir lisonjeada e capaz, mas em pouco tempo alguém vai tentar te fazer acreditar que não: “você é uma fraca! E aqui não é o seu lugar.”

Qual é o meu lugar? Será que ele existe? Penso que todas e todos queremos um lugar que nos seja aconchegante, com respeito e reconhecimento - e se tiver um pouco de afeto, até melhor. Este seria o local ideal. Mas ele nunca existiu.

Quando na idade média as camponesas tinham suas vidas definidas pela decisão de seus pais e seus maridos, e viviam uma vida tipo “bela, recatada e do lar”, elas não “precisavam” saber ler, escrever ou administrar negócios, mesmo tendo interesse e capacidade para isso. Muitas viveram a vida contrariadas, com sonhos frustrados. Por isso, e outras tantas coisas, se sentiam escravizadas pelo patriarcado.

Foram milhares as mulheres escravizadas por homens que abusavam sexualmente delas... Imagina se isso era felicidade?! Esses mesmos homens, em sua maioria tinham esposas. Será que elas eram livres de verdade? Você consegue pensar como foi a vida das primeiras mulheres homossexuais que se assumiram? Se hoje, em pleno 2019, alguns casais LGBTI não podem sequer se abraçar na área de lazer de um condomínio (testemunhei isso esta semana), imagina em 1900? Eram muitas denominadas “loucas”, loucas por uma vida autônoma!

O tempo passou, algumas dessas mulheres enfrentaram e não aceitaram opressão, muitas, por isso, acabaram queimadas vivas, como Joana D’arc. Outras foram tachadas de “bruxas” e tiveram o mesmo destino. Na China, durante a Guerra Sino-Japonesa, muitas mulheres foram estupradas até a morte. Quantas de nós somos descendentes de “Índias pegas no laço”? Nesse mesmo período, outras milhares de mulheres estavam relativamente seguras, cuidando de seus filhos, tendo maridos que as amavam, bordando e tricotando, enfrentando outros desafios menos arriscados para suas vidas. Contudo, nem a vida dessas mulheres, que de certa forma aceitavam o destino, era fácil. As condições de partos e saúde sempre foram arriscadas também. Milhares morreram dando à luz.

E hoje nos entregam ROSAS pelo Dia Internacional da Mulher...

Eu, como bióloga, gosto muito de plantas. Sei que as rosas são delicadas e é preciso ter muito cuidado e técnica para cuidar delas. São arbustos sensíveis, nem muita água, nem muito sol, nem muito adubo... Tem que ser bom jardineiro para conseguir fazer uma roseira florescer com rosas perfeitas e perfumadas. Isso não me parece nem um pouco com as mulheres!

Estava pensando que na verdade somos todas CACTOS. Você pode achar um cacto feio, mas o que vemos no cacto é exatamente o que as mulheres têm desenvolvido ao longo dos séculos: mecanismos de defesa e resistência à adversidade.

O que é aquele corpo suculento, senão uma forma de reservar água para os longos períodos sem chuvas? O que são os espinhos, senão um mecanismo de defender-se de inimigos e ao mesmo tempo se adaptar a aridez, pois as suas folhas não durariam nada, se fossem como a de todos os homens (ops, todas as plantas) que recebem um vento mais suave. Por dentro, um mecanismo de captação de água e fotossíntese totalmente diferenciado, para ter a eficiência, tendo em vista que a vida não é fácil.

Mas os cactos não ficam ali parados achando que o mundo vai acabar: eles brotam! Se reproduzem facilmente, se você corta um cacto e o faz ferir, ele se transforma em dois! Se você tenta mata-lo fatiando seus braços, ele se recupera e se multiplica. Formam moitas cheias para se defender. Não somos nós isso?

Quando uma de nós é atacada, não nos multiplicamos e resistimos?

E crescemos.  Nossas carreiras são consolidadas, mas o reconhecimento vem devagar. Assim como os cactos, crescemos poucos centímetros por ano. É fato que os salários das mulheres ainda são menores do que os dos homens na média nacional. É fato que somos “desescolhidas” para cargos de chefia muitas vezes. É fato que uma mulher precisa se esforçar o triplo para ser reconhecida num ambiente de trabalho, e ainda o faz driblando os assédios, morais e sexuais, que são uma constante.

Esta história tá parecida demais, não é mesmo?

E ela continua. Pois os cactos demoram, mas florescem.  E quando florescem, não tem para ninguém. Nem rosas, cravos, margaridas, orquídeas, lírios ou antúrios... Nenhuma dessas plantas consegue competir com a beleza das flores de cactos. São majestosas, coloridas, perfumadas, muitas vezes pomposas e irresistíveis... E o são para atrair o que ao cacto faz bem. Elas crescem acima dos espinhos para dizer: ”eu me desarmo porque confio em você”. E ali, os animais as rodeiam e polinizam, e a natureza continua, agora alimentada pelo doce néctar de uma flor da resistência.

Mais tarde ele dará frutos coloridos e ricos em sementes. Do meio da aridez virá a alegria e novas formas de vida. A esperança do caminho. A revolução. Acho que sou cacto. Nenhuma adversidade me fará desistir de meu caminho e minha missão.

Publicado em Cidadania
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.