A mais recente vítima da negligência da gestão da Repar na pandemia é o trabalhador terceirizado, Célio Alves da Cruz, que atuava nas obras de parada de manutenção da refinaria. Desde o início dos serviços de pré-parada, em março, sete trabalhadores morreram, após se contaminarem pelo coronavírus

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

O instrumentador Célio Alves da Cruz faleceu nesta quinta-feira (03), em Curitiba, vítima de complicações da Covid-19. Ele tinha parcos 55 anos e trabalhava nas obras de parada de manutenção da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, contratado pela empresa Método Potencial. 

Célio é o quarto trabalhador que atuava na Repar a falecer nos últimos vinte dias, período no qual as obras na Repar foram intensificadas. O procedimento de manutenção na refinaria incluiu mais dois mil trabalhadores na rotina da unidade e causa, invariavelmente, aglomerações no parque industrial. 

Desde o início dos serviços de pré-parada, em meados de março, até agora já são sete vítimas fatais do coronavírus na Repar. Rodrigo Germano, de 36 anos, faleceu em 22 de março; Marcos da Silva, de 39 anos, em 25 de março; Carlos Eduardo, de 45 anos, no dia 01 de abril; Valdir Duma, de 49 anos, em 14 de maio; Daniel Cristiano Müller, de 43 anos, em 15 de maio; Ernani Nunes, de 54 anos, em 01/06; e agora o companheiro Célio. 

Enquanto a categoria lamenta a série de mortes, a gestão da Refinaria mantém postura de descaso ao sequer informar a força de trabalho sobre as vítimas. Para piorar, não cumpre o acordo mediado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-PR) que encerrou a greve sanitária na unidade, realizada entre os dias 12 e 16 de abril. O principal compromisso assumido pela empresa era o de divulgar boletins epidemiológicos periodicamente com informações sobre o quadro vigente de casos confirmados de Covid-19, suspeitos, recuperados e internações hospitalares. No entanto, a gestão apresenta informações incompletas, isso quando o faz. 

Para o presidente do Sindipetro PR e SC, Alexandro Guilherme Jorge, os gestores fingem crer que as medidas sanitárias adotadas na Repar são infalíveis. “Agem como se máscaras, que até ontem eram de tecido, e álcool em gel fossem infalíveis. Querem fazer acreditar que a refinaria é zona livre de coronavírus, mesmo com as aglomerações da parada de manutenção”, retruca. 

Levantamento extraoficial, feito a partir de informações que foram enviadas ao Sindicato desde o dia 13 de maio, dá conta de que ocorreram mais de 22 casos de contaminados, com cinco intubados e quatro mortes. Números que já confirmam o surto de Covid-19 na Repar. Também há relatos de familiares de trabalhadores em situação de contaminação, internamento hospitalar e falecimentos. 

O Sindicato mantém seu papel de vigilância em relação às condições dos locais de trabalho e segue com denúncias constantes aos órgãos competentes, tais como às secretarias de saúde de Araucária e do Paraná, o Ministério Público do Trabalho (MPT-PR) e a Secretaria Federal do Trabalho, órgão vinculado ao Ministério da Economia. Porém ainda não obteve ações efetivas das instituições públicas para preservar a saúde dos trabalhadores na Repar. 

Denuncie!

Qualquer situação de risco de contaminação na Refinaria deve ser comunicada imediatamente ao Sindicato, tais como aglomerações em oficinas, containers, refeitórios, transporte e alojamento, de preferência com registros. As denúncias devem ser feitas através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou do telefone (41) 3332-4554. Se preferir, trate o assunto diretamente com os dirigentes sindicais nos locais de trabalho.

 

 

Sem negociação com as entidades sindicais, a gestão da Petrobrás voltou a se pronunciar, nesta segunda-feira, 31, sobre o retorno ao trabalho presencial nas unidades da empresa. De forma unilateral, o RH divulgou um comunicado interno, informando diretamente aos trabalhadores sobre o calendário de retorno, previsto para ser iniciado em 01/07 para as funções gerenciais e a partir de primeiro de outubro para todos os trabalhadores. Novamente, não houve qualquer discussão prévia com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), que, desde o dia 15 de abril, cobra reunião com a empresa para tratar desta questão e também do regramento do teletrabalho permanente no pós-pandemia.

A gestão da Petrobrás, no entanto, vem, reiteradamente, adiando uma reunião específica para discutir essas questões com as representações sindicais e também não tem negociado essa pauta nas reuniões do EOR e da Comissão de SMS. A FUP continua cobrando uma resposta da empresa à proposta de regramento do trabalho remoto, que foi amplamente discutida no ano passado no GT do Teletrabalho.

Os petroleiros precisam de uma previsibilidade em relação às escalas que serão adotadas no retorno ao trabalho presencial. Entre as demandas apresentadas pela categoria, estão a opção pelo teletrabalho em período integral ou uma escala mensal, ao invés da semanal, como quer a Petrobrás. Além disso, a FUP entende que é fundamental que haja a garantia de que o retorno ao trabalho presencial só ocorra em condições de fato seguras, cenário que ainda é muito improvável, diante das constantes mutações do coronavírus, da falta de uma política de vacinação em massa da população e do consequente aumento dos casos de contaminação e mortes não só nas diversas regiões do país, como nas unidades do Sistema Petrobras.

Essas e outras reivindicações da FUP serão apresentadas novamente à empresa nas próximas reuniões das comissões permanentes de negociação, como a de SMS e a de acompanhamento do Acordo Coletivo de Trabalho.

[Imprensa da FUP | Foto: Tânia Rego/Agência Brasil]

Publicado em Sistema Petrobrás

A diretoria do Sindipetro-NF recebeu denúncia que 30 trabalhadores com suspeita de contaminação por Covid-19 estariam desembarcando hoje, 28, do FPSO Cidade de Saquarema de propriedade da SBM,

Pela informação recebida, por conta da contaminação a empresa está desembarcando todos os trabalhadores terceirizados e não essenciais. O sindicato também recebeu relatos que foram realizados testes rápidos em todos e já fizeram PCR para avaliação no laboratório.

O NF lembra que para qualquer caso confirmado a empresa deveria testar todos no meio do embarque, mas as algumas empresas não seguem o procedimento do sindicato, conforme recomendação do MPT (Ministério Público do Trabalho)  e aprovação da Fiocruz.

Passado mais de um ano do início da pandemia as gestões das empresas de petróleo ainda não conseguiram preservar a saúde de seus trabalhadores, apesar das diversas orientações dos órgãos competentes e denúncias da entidade. O risco de contaminação a bordo é enorme, principalmente quando não é feita testagem períódica e não são utilizados os EPIs adequados.

Apesar disso existem bons exemplos, como duas empresas privadas do setor que já fazem a testagem no meio do embarque, a Ventura e a Ocyan. Trabalhadores dessas empresas já informaram ao sindicato que por conta dessa ação de prevenção hão há surtos nas plataformas há muito tempo.

Surto em P-47

O Sindipetro-NF também recebeu denúncia que entre ontem e anteontem desceram 23 trabalhadores com suspeita de Covid-19 em P-47. O sindicato já entrou em contato com a diretoria da empresa para mais informações e para acompanhar o caso.

É muito importante que a categoria petroleira continue denunciando ao sindicato os casos de COVID-19 a bordo das plataformas para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.  e o não cumprimento das escalas de trabalho.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

Dois trabalhadores perderam a vida para a Covid-19 no final de semana em unidades da Petrobrás, na Região Sul. Só na Repar (PR), já são cinco mortes relacionadas à parada de manutenção

As refinarias Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária-PR, e Alberto Pasqualini (Refap), na cidade de Canoas-RS, tiveram protestos na manhã desta segunda-feira (17) em razão do falecimento de dois trabalhadores relacionados às unidades por complicações da Covid-19. 

O bombeiro civil Valdir Duma, terceirizado lotado na SIX, em São Mateus do Sul-PR, foi dar apoio nas atividades de parada de manutenção da Repar. Quando retornou, adoeceu em poucos dias de Covid-19 e foi internado em Hospital de São José dos Pinhais. Morreu na última sexta-feira (14), aos 49 anos. 

No sábado (15) à noite, o técnico de manutenção e diretor do Sindipetro-RS Daniel Cristiano Müller, de 43 anos, faleceu também por complicações causadas pelo coronavírus. Ele estava internado em UTI do Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba. Havia se deslocado da Refap para trabalhar nos serviços de parada de manutenção da Repar. 

Em protesto em defesa da vida e em memória de Daniel e Duma, o Sindipetro PR e SC e o Sindipetro-RS realizaram manifestações em frente às unidades. As vidas ceifadas pela pandemia foram homenageadas e, ao invés de um minuto de silêncio, os petroleiros da Repar fizeram um momento de muito barulho, com palmas, gritos e assovios.    

Com as duas mortes, a Repar chega ao número de cinco empregados vítimas da pandemia. Os outros três foram terceirizados. Rodrigo Germano, de 36 anos, faleceu em 22 de março; Marcos da Silva, de 39 anos, em 25 de março; e Carlos Eduardo, de 45 anos, no dia 01 de abril. Em nenhum dos casos a categoria foi informada pela gestão. O Sindicato tomou conhecimento através de amigos e familiares dos mortos. 

Enquanto o número de vítimas não para de aumentar, os gestores da Petrobrás de todas as estirpes, de gerente setorial à direção da companhia, seguem com postura irresponsável e negacionista ao manter a parada de manutenção da Repar. Tal procedimento adiciona cerca de dois mil trabalhadores de várias regiões do país na rotina da unidade e, invariavelmente, expõe todos ao risco de contaminação pelo coronavírus. 

O Sindipetro PR e SC é contra a realização da parada de manutenção neste momento crítico da pandemia. Os serviços poderiam ser suspensos ou pelo menos mitigados até que houvesse segurança sanitária suficiente. A preocupação, no entanto, não parece ser com as vidas, mas com o cumprimento de contratos. 

O Sindicato mantém seu papel de vigilância às condições dos locais de trabalho e segue com denúncias constantes aos órgãos competentes, tais como as secretarias de saúde de Araucária e do Paraná, o Ministério Público do Trabalho (MPT-PR) e a Secretaria Federal do Trabalho, órgão vinculado ao Ministério da Economia. Porém ainda não obteve ações efetivas das instituições públicas para preservar a saúde dos trabalhadores na Repar. 

Atualização!

No fechamento desta matéria chegou a informação de mais uma morte na Refap. A enfermeira Barbara da Silva Andrade, de 38 anos, vinculada à empresa terceirizada NM, não resistiu ao agravamento da Covid-19 e faleceu nesta segunda-feira.   

Denuncie!

Qualquer situação de risco de contaminação na Refinaria deve ser comunicada imediatamente ao Sindicato, tais como aglomerações em oficinas, containers, refeitórios, transporte e alojamento, de preferência com registros. As denúncias devem ser feitas através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou do telefone (41) 3332-4554. Se preferir, trate o assunto diretamente com os dirigentes sindicais nos locais de trabalho.

[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

Em audiência de mediação com o Sindipetro-NF, Petrobrás reafirma que não emitirá a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para petroleiros e petroleiras que adquirem a doença no ambiente profissional, mesmo com notificação da SRTE, vinculada ao Ministério da Economia, sobre surtos da doença em plataformas

Em audiência entre representantes do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), e da Petrobrás, a empresa reafirmou que não vai emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) em casos de contaminação por Covid-19 em suas plataformas. A decisão da Petrobrás vai na contramão de recentes decisões que apontam nexo causal entre a infecção e a atividade profissional (ver abaixo), o que pode caracterizar a contaminação pelo coronavírus como doença laboral.

A decisão da Petrobrás foi comunicada na véspera do Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho, celebrado nesta quarta (28/4). A data foi estabelecida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em memória às vítimas de acidentes e doenças relacionadas à atividade laboral. E em 2005, o governo brasileiro, por meio da Lei no 11.121/2005, instituiu a mesma data como o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho. Neste ano, a data chama atenção justamente para a necessidade de enfrentamento da Covid-19 no ambiente profissional.

A audiência, realizada de forma virtual nessa terça (27/4), foi mediada pelas procuradoras Júnia Bonfante Raymundo e Cirlene Luiza Zimmermann, do Ministério Público do Trabalho (MPT) do Rio de Janeiro, e Gilson Cesar Braga di Luccas, auditor fiscal da Superintendência Regional do Trabalho e do Emprego (SRTE), vinculada ao Ministério da Economia.

Júnia Raymundo e Cirlene Zimmermann são, respectivamente, gerente e vice-gerente da Operação Ouro Negro, trabalho coordenado de fiscalização das atividades petrolíferas e que vem se dedicando desde o ano passado à contaminação por Covid-19 no setor de óleo e gás. Além do MPT, integram a operação a Marinha do Brasil, o Ministério da Economia — por meio da Coordenação Regional da Inspeção do Trabalho Portuário e Aquaviário (SEGUR- SRT RJ), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O encontro tratou de diversas questões relacionadas à Covid-19, entre elas a emissão da CAT no caso de o trabalhador ou trabalhadora ser contaminado pelo coronavírus por causa do trabalho. Há meses, a FUP e seus sindicatos vêm alertando à Petrobrás sobre vários surtos de Covid-19 em plataformas e refinarias.

SRTE: Surtos em plataformas evidenciam doença ocupacional 

Na reunião, os representantes da Petrobrás confirmaram a criação de novas escalas de trabalho em suas plataformas em desacordo com o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), fechado com a FUP em setembro de 2020 e sem qualquer negociação prévia com o Sindipetro-NF. Além disso, insistiram na posição de não emitir a CAT, mesmo quando é evidente que os empregados foram contaminados dentro do seu ambiente laboral.

A alegação da empresa é que a lei previdenciária (8.213/1991) não reconhece doenças epidemiológicas como doença ocupacional. Entretanto, o representante da SRTE na audiência, di Luccas, fez questão de frisar que a Petrobrás vem sendo notificada quando não emite CAT para trabalhadores e trabalhadoras de plataformas que vêm sofrendo surtos da Covid-19.

Todas as semanas recebemos apelos desesperados de trabalhadores e trabalhadoras denunciando casos de Covid-19 em plataformas da Bacia de Campos. São pessoas que ficam 14 dias ou mais nesses ambientes, tempo suficiente para que uma pessoa que chegue contaminada a uma plataforma infecte várias outras. Estamos registrando surtos em diversas unidades nos últimos meses, com desembarque urgente de dez, 20 ou mais trabalhadores. Como a Petrobrás pode negar que a contaminação se deu na plataforma e não considerar como acidente de trabalho? É negar o óbvio”, diz o coordenador geral do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra.

O 54º Boletim de Monitoramento da Covid-19, divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) na última segunda (26/4), mostra que a Petrobrás já registrou 6.418 casos de contaminação pela doença – 13,8% dos 46.416 trabalhadores próprios do Sistema Petrobrás. No momento, segundo o boletim, há 192 casos confirmados e em quarentena, 47 hospitalizados, 6.153 recuperados e 26 mortes.

Esses números, porém, não refletem a realidade. Primeiro, porque não abrangem terceirizados. Maio de 2020 foi o último mês em que o MME mencionou os terceirizados em seus boletins semanais de monitoramento da Covid-19.

À época, o ministério contabilizou 151,5 mil pessoas trabalhando para a Petrobrás, entre próprios e terceirizados. Donde se conclui que para cada trabalhador próprio há dois terceirizados, e que, portanto, para cada contaminado Petrobrás podemos considerar dois terceirizados infectados. De acordo com cálculos da FUP, baseados em denúncias, somando próprios e terceirizados, já são mais de 80 mortos.

Segundo, porque mesmo entre trabalhadores e trabalhadoras próprios, há subnotificação. Há uma pressão cada vez maior sobre trabalhadores e trabalhadoras, com condições de trabalho cada vez mais inseguras e insalubres, bem como ameaças de transferências e suspensões. Há trabalhadores que esconderam a doença para não sofrer punições, segundo denúncias recebidas pelos sindicatos filiados à FUP.

Entenda o caso

A lei previdenciária em vigor (8.213/1991) exige a comprovação de nexo causal em doenças endêmicas para que sejam consideradas laborais. O artigo 20, § 1º, considera doença profissional “aquela produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar à determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social”. A mesma lei considera tambémdoença do trabalho aquela adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente”.

A comprovação desse nexo causal ficava a cargo do trabalhador e dependia da avaliação de cada tribunal. Isso se deu também quanto à Covid-19.

No entanto, recentemente, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (Grande São Paulo e Baixada Santista) considerou a Covid-19 doença ocupacional, obrigando os Correios a emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para os empregados que contraírem o vírus, por entender que a empresa não tomou todas as medidas para prevenir a contaminação no ambiente de trabalho.

No caso dos petroleiros, a Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), emitiu parecer científico em outubro de 2020 sobre as "contaminações por Covid-19 a bordo de plataformas e contribuições para investigação da caracterização do nexo causal entre a doença e o trabalho no setor de petróleo e gás". O documento aponta que "o diagnóstico da Covid-19 em petroleiros é presumidamente relacionado ao trabalho”.

A Petrobrás se recusa a emitir a comunicação, mas o parecer elucida o motivo. O reconhecimento da Covid-19 como doença do trabalho e a emissão da CAT implicam elevar a Taxa de Acidentes Registráveis (TAR), um dos indicadores de desempenho das empresas do setor, vinculado à dinâmica da concorrência internacional. Isso se reflete, portanto, nas ações da Petrobrás na Bolsa de Valores, sobretudo em Nova York.

A Fiocruz reforça a recomendação de emissão da CAT:

Para todos os trabalhadores petroleiros com diagnóstico de Covid-19, os empregadores devem emitir CAT e registrar o evento na Ficha do Sistema de Informações dos Agravos de Notificação (Sinan) para fins de Vigilância Epidemiológica e Vigilância em Saúde do Trabalhador.”

A Petrobrás enfrenta graves surtos de Covid-19, tanto em plataformas como em refinarias. A empresa mantém paradas de manutenção, dobrando ou até triplicando o número de profissionais trabalhando presencialmente em refinarias, e continua falhando no controle da contaminação antes do embarque para as plataformas.

A postura da empresa coloca em risco a vida de trabalhadores próprios e terceirizados, de seus familiares, da população das cidades onde as refinarias e heliportos estão localizados. A todo tempo, esses profissionais estão potencialmente em contato com o coronavírus, no local de trabalho ou no percurso. O nexo causal é evidente.



O Sindipetro-NF teve acesso a documento utilizado pela Petrobrás para fazer check list nos hotéis conveniados à empresa para abrigar petroleiros e petroleiras que aguardam embarque, em confinamento de dois dias. A própria companhia considera os hotéis locais de alto risco para contaminação pelo novo coronavírus.

Essa constatação confirma a pertinência dos procedimentos defendidos pelo sindicato, que não prevêem confinamento prévio em hotel, e sim o aumento no número de aplicações de testes nos trabalhadores, inclusive no desembarque.

“Está demonstrada a farsa dos hotéis. No nosso procedimento não precisa do hotel, ele troca o hotel pela testagem, como está também na recomendação do Ministério Público do Trabalho. A própria empresa reconhece o alto risco dos hotéis”, afirma o coordenador do Departamento de Saúde do Sindipetro-NF, Alexandre Vieira.

Na “Lista de verificação sanitária para os hotéis”, com previsão de aplicação semanal, a Petrobrás enumera 44 itens que precisam ser checados nos estabelecimentos. Destes, 24 são considerados de alto risco, 13 de médio risco e 7 de baixo risco de contaminação.

Entre os itens de alto risco estão aqueles que se relacionam a condições de higiene de ambientes, equipamentos e roupas, compromisso com procedimentos de prevenção à covid-19, uso de EPIs e fornecimento de alimentação. A entidade tem recebido da categoria e denunciado aos órgãos competentes diversos relatos de condições inadequadas justamente em itens como estes.

O Sindipetro-NF publicou recentemente relatos de que há problemas na limpeza de hotéis da região e aglomeração no check in. Novas informações sobre as condições de prevenção à covid-19 nos hotéis e nos locais de trabalho podem ser enviadas para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

O sindicato mantém a sua cobrança para que a Petrobrás siga os procedimentos de prevenção defendidos pelas entidades sindicais e aprovados pela Fiocruz, assim como as recomendações do Ministério Público do Trabalho.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

Já são três mortes por Covid-19 na refinaria e a empresa sequer se manifesta. Pior ainda, causa mais aglomerações com os serviços de parada de manutenção. Há evidências de que a contaminação da última vítima ocorreu dentro das instalações da Repar

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC] 

A preocupação com as condições de segurança na refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, aumenta a cada dia. A unidade soma três mortes de trabalhadores por Covid-19 nos últimos dez dias, todos eram jovens. 

Há mais de um ano o Sindipetro PR e SC cobra da Petrobrás acesso às informações sobre a pandemia nas suas instalações e a aplicação de medidas de proteção para evitar a disseminação do coronavírus entre os trabalhadores. 

As respostas sempre foram superficiais e a postura negligente da empresa ganhou traços de desprezo à vida com a insistência da gestão da Repar em realizar a parada de manutenção, mesmo com o agravamento da crise sanitária e o colapso dos sistemas público e privado de saúde. 

O gigantesco procedimento industrial foi iniciado no último dia 29 e deve aumentar a partir de 12 de abril. Significa adicionar cerca de dois mil trabalhadores na rotina da unidade. Cabe ressaltar que os serviços de pré-parada, com cerca de 800 profissionais em oficinas de manutenção e outros ambientes compartilhados, estão em andamento. As aglomerações, principais vetores de transmissão do vírus, são inevitáveis, sobretudo nas áreas industriais, andaimes, equipamentos e oficinas, nas quais já foram percebidas concentrações de pessoas. 

As informações do mais recente boletim de monitoramento sobre a pandemia no Sistema Petrobrás, do Ministério de Minas e Energia, apontam que foram registrados 331 casos de contaminação nas unidades da Petrobrás no Paraná e Santa Catarina, com três mortes. Os dados, infelizmente, estão desatualizados, pois não contabilizam o falecimento de mais um trabalhador terceirizado da Repar, no início da tarde de quinta-feira (01), vítima da Covid-19.  

Diante desse cenário, a luta coletiva dos petroleiros transcende de patamar e se torna questão de sobrevivência. “Deve acontecer uma greve sanitária se não houver uma grande mudança de postura da empresa sobre as condições das instalações e cuidado com as pessoas que circulam na Repar”, avalia Alexandro Guilherme Jorge, presidente do Sindipetro PR e SC. Ele acrescenta que é de extrema importância que as denúncias da base, feitas desde o início da pandemia, continuem. “Através desses relatos conseguimos munir o Ministério Público do Trabalho e a Delegacia Regional do Trabalho, assim como as secretarias de saúde de Araucária e do Paraná, com informações sobre a situação na refinaria”. 

Fica a pergunta aos gestores da Repar: quantas vidas precisam ser ceifadas para a suspensão da parada de manutenção? 

O Sindicato pede mesa de negociação com a gestão desde a primeira morte por Covid-19 na refinaria, o que não foi atendido até agora. Na Regap ocorreram quatro mortes e a parada foi suspensa sem prazo de retorno. O Sindipetro PR e SC exige, no mínimo, o mesmo tratamento que foi dado na unidade de Minas Gerais.

Morte por contaminações dentro da Repar

A mistura de sentimentos de tristeza e revolta paira sobre os trabalhadores da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, com a informação da morte de Carlos Eduardo Correa dos Santos (Cadu), aos 45 anos, na tarde da última quinta-feira (01). 

Casado e pai de gêmeos, um menino e uma menina, o supervisor de controle de qualidade da empresa Service Engenharia, contratada para a parada de manutenção da Repar, foi a terceira vítima da Covid-19 na unidade dentro do período de dez dias. 

A tristeza vem naturalmente da perda de um companheiro. Já a revolta é motivada pela postura da gestão, que sequer teve a sensibilidade de informar o falecimento à força de trabalho. 

Também fica escancarado o desprezo da empresa perante os que ficam, pois mantém os serviços da parada de manutenção da Repar, mesmo diante do pior momento da pandemia do coronavírus. O procedimento industrial adiciona à rotina da refinaria centenas de trabalhadores e causa, inevitavelmente, aglomerações por todos os cantos. 

Há evidências de que a contaminação de Cadu, como era conhecido na área, ocorreu dentro das instalações da refinaria, uma vez que outros funcionários da terceirizada testaram positivo para a Covid-19. 

O corpo foi sepultado na sexta-feira (02), no município de Canoas, região metropolitana de Porto Alegre-RS, terra do Cadu. 

O Sindipetro exige a suspensão da parada de manutenção da Repar para que as notícias de mortes na unidade deixem de se repetir. 

Aos familiares e amigos do companheiro Carlos Eduardo os nossos mais profundos sentimentos.  

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Qualquer situação de risco de contaminação deve ser comunicada imediatamente ao Sindicato, tais como aglomerações em oficinas, containers, refeitórios, transporte e alojamento, principalmente no período de serviços de pré-parada, de preferência com registros. As denúncias devem ser feitas através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou do telefone (41) 3332-4554. Se preferir, trate o assunto diretamente com os dirigentes sindicais nos locais de trabalho.

Enquanto 5% da população mineira foi infectada por Covid-19, totalizando 1,1 milhão de pessoas, a média de trabalhadores contaminados na Refinaria Gabriel Passos (Regap) é duas vezes maior que a do Estado. 

Segundo ofício enviado pela Petrobrás, 84 trabalhadores testaram positivo para o coronavírus, o que representa mais de 10% dos funcionários que atuam hoje na refinaria. 

Apesar de ter enviado ofício sobre o número de contaminados na Regap, a Petrobras não informou o período em que ocorreram essas contaminações, mais uma vez mascarando o impacto da parada de manutenção na refinaria.

A empresa segue se negando a fornecer informações completas sobre o número de casos, e não é só ao Sindicato. Na última semana, o deputado federal Rogério Correia enviou um ofício à gerência local pedindo informações mais completas sobre os números de trabalhadores infectados por Covid-19, porém até o momento não foi respondido. 

Mortes

O Sindipetro/MG lamenta o falecimento de três trabalhadores da Gramo e de um funcionário da Estrutural. O Sindicato se solidariza com as famílias e amigos dos trabalhadores e continuará lutando para que haja a interrupção de todas as atividades não essenciais que estão sendo realizadas na Regap para garantir a segurança dos trabalhadores.

[Da Imprensa do Sindipetro MG]

A greve, que mobiliza há 18 dias a categoria petroleira em quatro bases da FUP (Bahia, Amazonas, Espirito Santo e Unificado de São Paulo), ganhou nesta segunda-feira, 22, o reforço dos trabalhadores de Minas Gerais, que iniciaram por tempo indeterminado uma greve sanitária. Seguindo as orientações do Sindipetro MG, trabalhadores próprios e terceirizados, não compareceram à Regap, onde mais de 200 companheiros já foram infectados pela Covid-19. Atualmente, 12 trabalhadores da refinaria estão internados em decorrência da Covid e três deles estão em unidades de tratamento intensivo, intubados.

Apesar da gravidade da situação, a gestão da Petrobrás insiste em manter as paradas de manutenção, com mais de 2 mil trabalhadores na Regap. “Os trabalhadores estão em risco e a gestão da empresa não toma as providências necessárias. Nós precisamos com urgência que sejam interrompidas todas as atividades da refinaria que não sejam essenciais. Nossa greve não é para impactar a produção, nossa greve é para resguardar a saúde dos trabalhadores, é em defesa da vida”, explica o coordenador do Sindipetro MG, Alexandre Finamori. 

Este cenário caótico, no momento mais grave da pandemia, se repete em diversas outras unidades do Sistema Petrobrás. Na Rlam, na Bahia, o sindicato vem denunciando o avanço da contaminação, com mais de 90 trabalhadores infectados ao longo de março e dois operadores mortos no espaço de uma semana, após complicações geradas pela Covid-19. No último dia 17, o Sindipetro BA realizou um lockdown na unidade, convencendo os trabalhadores próprios e terceirizados a retornarem para casa.

Nas plataformas, a situação se agrava com o aumento de surtos da Covid. Em apenas um dia, segundo dados da ANP, foram confirmados 83 novos casos de trabalhadores contaminados na última semana em atividades offshore do país. O surto mais recente foi registrado na P-38, no campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos. A unidade está operando parcialmente, após diversos trabalhadores terem testado positivo na semana passada. “A plataforma suspendeu os trabalhos no convés desde quarta-feira (17/3) depois do almoço, quando os resultados saíram”, informou o coordenador do Departamento de Saúde e Meio Ambiente do Sindipetro-NF, Alexandre de Oliveira Vieira, com base em informações recebidas de trabalhadores da unidade.

Lockdown na quarta

A FUP e seus sindicatos orientam todos os trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Petrobrás a aderirem na quarta-feira, 24, ao “Lockdown em Defesa Da Vida e dos Direitos”, convocado pelas centrais sindicais. Além de fortalecer as greves regionais que a categoria petroleira vem realizando desde o dia 05 de março, a mobilização será mais uma forma de denunciar a “irresponsabilidade do governo federal, que levou o país ao pior colapso sanitário e hospitalar de sua história”, conforme destacam as centrais sindicais.

Já são quase 3 mil mortes diárias após um ano de pandemia, resultado da irresponsabilidade e inércia do governo Bolsonaro que transformou o Brasil em exemplo mundial de fracasso e de falta de políticas públicas para conter a disseminação da covid-19. O “Lockdown em Defesa Da Vida e dos Direitos” cobrará vacinação em massa e a retomada do auxílio emergencial com parcelas de, no mínimo, R$ 600,00.

Para a CUT, "é urgente um efetivo lockdown que amplie o isolamento social para pôr fim a esta tragédia e acabar com o sofrimento e as mortes promovidas por esse genocídio contra o povo brasileiro". A Central considera que o auxílio emergencial, dentre outras medidas, "é fundamental para assegurar condições básicas de sobrevivência de milhões de trabalhadores e trabalhadoras desempregados e informais para que eles possam ficar em casa".

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 [Imprensa da FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

O Sindipetro-NF recebeu denúncia que ontem, 18, houve problema na área de comunicação do tráfego aéreo na área de Albacora e por isso muitos vôos foram transferidos enquanto a TIC – Tecnologia de Informação e Comunicação resolvia problema.

Os passageiros acabaram ficando no aeroporto do Farol de São Tomé aguardando uma solução da empresa. A diretoria do sindicato chegou a entrar em contato com a equipe do Compartilhado para verificar o motivo pelo qual temos passageiros aguardaram por horas transporte e hotel.E foi informada que conseguiu vagas para todos em Farol de São Tomé e que haverá alimentação disponível no hotel.

O NF questiona o fato da empresa não estra preparada para problemas desse tipo em plena pandemia, quando as pessoas não podem ficar aglomeradas correndo risco de contaminação. O sindicato alerta para que nos próximos eventos as empresas sejam mais ágeis no cuidado com a vida de seus trabalhadores e trabalhadoras.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.