Sexta, 24 Janeiro 2020 16:25

Capital sem Pessoas

Por Normando Rodrigues, assessor jurídico da FUP

Apesar de todo o desenvolvimento da automação, acentuado pelas inovações quanto à Inteligência Artificial, a revista The Economist destacou semana passada a constante queda de produtividade dos trabalhadores, em todo o mundo porém mais acentuada na periferia.

Análises listam como motivos principais, no capitalismo periférico, a pouca transferência de tecnologia e o baixo investimento, convenientemente omitindo que uma e outro são condicionados pela relação Centro/Periferia.

Segundo a ideologia neoliberal, os mais pobres não poupam, e não investem, porque não se organizam para tal. Pouco importa que metade dos brasileiros viva com menos de um salário mínimo. Não sobra dinheiro para investir porque são desorganizados.

IMPERIALISMO

No exato mesmo raciocínio, a baixa produtividade do brasileiro é analisada como se transferência de tecnologia e investimentos não tivessem nenhuma relação com o fluxo de capitais do Brasil para os países centrais, na forma de remessa de lucros de filiais e subsidiárias, e de exportação de commodities combinada com importação de manufaturas de maior valor agregado.

O mundo multilateral, onde as nações periféricas tinham alguma voz, entrou em extinção a partir da ruptura unilateral com o Padrão Ouro por Nixon, em 1971. Extinção que se acentuou dramaticamente com o governo Trump. A tendência dominante é a de uma mal disfarçada recolonização, onde governos locais favoráveis são destituídos, ou entronizados, via guerras híbridas.

ARAUCÁRIA NITROGENADOS

No passado, ao mesmo tempo em que pregava o “Livre Comércio”, o Império Britânico desindustrializou a Índia e o Egito, via intervenção militar. Pelo único motivo de essas duas nações colocarem produtos têxteis, no mercado internacional, mais baratos do que os feitos em Machester.

Pelo exato mesmo motivo o Brasil está em acentuado processo de desindustrialização. Aliás a maior desindustrialização já registrada na história. O país não pode privar os exportadores de derivados de petróleo de seu mercado interno! Por isso as refinarias serão vendidas e se transformarão em pátios de tancagem, para armazenar derivados importados, enquanto exportamos óleo cru.

E como também não podemos privar os produtores internacionais de fertilizantes, do acesso ao rico mercado brasileiro do agronegócio, a Araucária Nitrogenados deve ser fechada. Simples assim.

Tudo isso feito por um governo “patriota”, que identifica desenvolvimento com submissão aos EUA.

[Artigo publicado pelo jornal Nascente/Sindipetro-NF - Ilustração: Tiago Hoisel]

Publicado em Economia

Por Leandro Grassmann, engenheiro eletricista e vice-presidente do Senge-PR

Não é à toa que o Paraná é conhecido como “celeiro do mundo”. O apelido é resultado do trabalho de um estado que atualmente é o segundo maior produtor de leite do país, com volume superior a 4,4 bilhões de litros produzidos em 2018. O estado também é o segundo maior produtor de grãos do Brasil. Em 2019, o Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá fechou com 20,23 milhões de toneladas de soja e milho, em grão e farelo exportados. Números que impressionam, mas não colocam limites no estado. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, “a safra paranaense de grãos de verão em 2020 terá um crescimento de 18% com relação ao ano passado e pode chegar a 23,3 milhões de toneladas”. 

Produção intensa e de qualidade como a paranaense necessita de grandes parceiros em diversas áreas. E uma delas é o mercado de fertilizantes, fundamental para proteger e fortalecer nosso campo. Segundo o estudo “Biocombustíveis líquidos e a pressão de demanda por fertilizantes nitrogenados: um papel não energético do gás natural no Brasil?”, apresentado por PC Santos na UFRJ em 2016, o Brasil é o 4o maior consumidor mundial de fertilizantes. Além disso, o país está em décimo lugar na produção. Contudo, o “celeiro do mundo” viu a produção nacional cair de 2012 para cá e viu sua dependência de mercados externos atingir 83%. Um cenário que nos torna vulneráveis estrategicamente.

Pois é exatamente neste ano de 2017, quando o Brasil deveria estar planejando um salto em busca da soberania nacional a longo prazo, que uma decisão equivocada do governo de Michel Temer (MDB) e sob o comando do então presidente da Petrobras, Pedro Parente, nos torna mais frágeis. Em 11 de setembro de 2017, a Petrobras informou ao mercado “que iniciou a etapa de divulgação da oportunidade (Teaser), referente ao processo de desinvestimento de 100% de participação na Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) e na Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III)”. Processo estranho que “se conclui” agora com o fechamento da empresa conhecida como Fafen e demissão de mais de mil trabalhadores.

E não é pouca coisa que estamos abrindo mão do controle. Quando foi anunciada a privatização, segundo o próprio edital de “Oportunidade de Investimento no Setor de Fertilizantes”, a Fafen é uma empresa com “Capacidade de produção de ureia nas duas unidades (ANSA e a Fertilizantes Nitrogenados, conhecida como Fafen), representando aproximadamente 40% do consumo aparente de ureia em 2016 e posicionada para atuação de forma relevante nos mercados de ureia industrial e ARLA 32”, dentro de um mercado de agribusiness que tem sido principal pilar da economia no Brasil nos últimos 2 anos ”.

Com essa “joia”, é simplesmente assustador se estar debatendo seu fechamento e a manutenção dos empregos quando se deveria estar tratando a responsabilização de pessoas por abrir mão de setores estratégicos e fundamentais para economia brasileira e paranaense.

Mercado externo

Apenas como comparação, enquanto por aqui a “estratégia de soberania nacional” é aumentar a nossa dependência, na China, outro mercado gigante de consumo e produção de grãos, a opção tem sido investir em fertilizantes. Das 60 novas plantas no mundo, 25 estão situadas neste país. Os asiáticos estão de olho no crescimento do consumo e da superdemanda, como foi apresentado no início deste texto. Em 2020, a expectativa é de que o consumo mundial de fertilizantes bata novos recordes. Não à toa, em 2018 a Sinochem vendeu mais de 14 milhões de toneladas de fertilizantes. O aumento da produção de fertilizantes ocorre simultaneamente à maior produção de gás natural da empresa e da China. 

Voltando ao Paraná e a Fafen, de acordo com o estudo o Mercado de Fertilizantes: O papel da Petrobras, a situação brasileira e do Paraná, “o uso dos fertilizantes também promove grande impacto nas propriedades físicas do solo Plantas que receberam nutrientes na quantidade adequada apresentam maior crescimento e um sistema radicular mais vigoroso, promovendo uma maior agregação das partículas do solo”. Resta saber se é interessante aos nossos agricultores e ao governo do estado entregar essa tecnologia em troca de alguns dólares.

É importante destacar, no mesmo estudo, que a “Fafen PR representa 38% da produção de ureia no Brasil. O  Paraná é o quarto maior demandante de fertilizantes no Brasil, respondendo por 11,9% do consumo de fertilizantes atrás de MT, SP e RS. Em 2017, a capacidade de produção da Fafen PR foi superior a 700 mil toneladas em um cenário em que aa produção nacional de ureia foi de 836 mil toneladas. Nela ainda foram produzidos  475 mil toneladas/ano de amônia, além de produzir o Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla 32), sendo a maior planta do mundo. A Fafen ainda tem como subprodutos enxofre, pellets de carbono e excedente de CO2.

Arrecadação

Não bastasse tudo isso, é preciso olhar para a questão fiscal. Segundo informações do governo do Paraná, os ativos da Petrobras representam 11,26% do ICMS do estado. O valor pago em impostos subiu de R$ 2,4 bilhões em 2017, quando representam 4,36% de todas as receitas tributárias do estado, para R$ 3,36 bilhões, de acordo com o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Como as importações de nitrogenados são isentos de ICMS, a hibernação da Fafen/PR terá como resultado uma redução de participação da Petrobras no estado.

O fechamento da Fafen traz um grande impacto social. O município de Araucária deixará de receber R$ 75 milhões em impostos apenas relacionados a demissão de mil funcionários. É importante destacar que cada emprego direto, criado pela Petrobras ou suas empresas, particularmente no refino, acabam por gerar até vinte vagas em outros setores. Isso nas condições atuais de mercado, sendo a companhia a promotora de desenvolvimento regional e nacional. 

Por tudo isso, é um equívoco por completo a venda da Fafen. Em uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná, engenheiros e especialistas apontaram para esse erro que pode deixar o estado vulnerável. Para Patrícia Laier, Conselheira da AEPET e Diretora do Sindipetro-RJ, “a venda destes ativos estratégicos conforme exposto nos próprios teasers da Petrobras poderá acarretar prejuízo para o Estado e a União, recomendando-se a cessação de tais desinvestimentos que se realizados significam a transferência das receitas para multinacionais estrangeiras privadas ou estatais”.

Neste sentido, de um estado inovador, como o Paraná se apresenta ao país e ao mundo, se espera que as autoridades tenham capacidade de promover avanços tecnológicos, inovação, concorrência com o mercado externo e não serem tão pacatos diante de qualquer ameaça que possa retirar empregos e recursos das famílias paranaenses.

[Via Senge-PR]

Publicado em Petróleo

Petroleiros e petroleiras do Paraná estão ocupando a Araucária Nitrogenados (ANSA), também conhecida como Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-PR), do sistema Petrobras, deste a manhã desta terça-feira (21) em protesto contra o fechamento da unidade, anunciado pela gestão da companhia.

Os petroleiros ocupam o local de trabalho e se revezam em protesto silencioso e estratégico, acorrentados no portão de entrada e fazendo toda manutenção dos equipamentos, para impedir o esvaziamento da unidade e seu completo fechamento, afirma o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindiquimica-PR, Gerson Castellano.

“Todos os dias, cerca de 800 trabalhadores são orientados por nós a entrar na unidade durante o dia e outros 200 à noite para manter a fábrica pronta para voltar a operar a qualquer momento, quando conseguirmos reverter o processo de fechamento”, diz Castellano.

Segundo o dirigente, isso é importante porque a empresa quer drenar tudo – a amônia e o etanol -, para paralisar as atividades da fábrica o mais rápido possível. “Se drenar tudo, pode parar. Por isso, nossa estratégia e manter tudo funcionando. Por isso, a luta é dia e noite".

FUP/Sindquimica-PR

Angústia e medo do desemprego

O encerramento das atividades da Fafen-PR, localizada no município de Araucária (PR), provocaria o desemprego direto de mil trabalhadores. Outros 2 mil trabalhadores da cadeira produtiva seriam afetados indiretamente, perdendo também seus postos de trabalho.

“O pessoal está apreensivo, angustiado”, diz Castellano se referindo aos trabalhadores, os filhos e esposas que vão todos os dias para a porta da fábrica apoiar a luta contra o fechamento da Fafen-PR.

“Se perderem o emprego agora, acabou. Com o mercado do jeito que está, não tem onde conseguir colocação”, conclui.  

FUP e Sindiquimica-PR

Mas, ter a família por perto dá muita força para a luta, reconhece o dirigente que tem dezenas e dezenas de fotos com os petroleiros e sua família gravadas em seu celular.

FUP e Sindiquimica-PR

Algumas crianças, inclusive, pediram para ficar com as correntes em volta do corpo para mostrar que estão realmente preocupadas e unidas aos pais e seus companheiros na luta, outros gravaram videos emocionantes falando da preocupação com os empregos dos pais.

Este é o caso de Vitor, que gravou um vídeo dizendo que está triste porque não sabe como o pai vai pagar as contas. "A gente vai ter de sair de casa", diz o garoto afirmando que a família mora de aluguel. Para ele, a decisão da Petrobras é uma sacanagem. 

FUP marca greve contra fechamento

A FUP já aprovou, por unanimidade, indicativo de greve por tempo indeterminado, a partir do dia primeiro de fevereiro, em todo o Sistema Petrobrás, contra as demissões na Fafen-PR.

As assembleias para que os petroleiros e petroleiras se posicionem sobre o indicativo de greve serão realizadas e no dia 29, a FUP e seus sindicatos voltam a se reunir no Conselho Deliberativo para definir os próximos encaminhamentos. Até lá, a FUP e o Sindiquímica-PR darão sequência às ações políticas e legais, para garantir os direitos dos trabalhadores da Fafen-PR e impedir a demissão em massa.

Fafen não dá prejuízo, como disse Petrobras

Em comunicado, a Petrobras argumentou que a decisão de fechar a fábrica é uma estratégia para retirar segmentos “exteriores” ao núcleo de atuação da estatal, sobretudo a exploração de petróleo e gás natural no pré-sal. Além disso, alega que a Fafen-PR tem dado prejuízo.

Os petroleiros, no entanto, contestam essa versão. De acordo com eles, a direção mente ao afirmar que o resíduo asfáltico (RASF), principal matéria-prima da Fafen-PR, tem um custo alto. “O preço do produto acompanha o valor do mercado”, diz comunicado da categoria.

“A Petrobras está cobrando o preço do RASF baseado no preço do barril no golfo do México, mas temos que encarar que o preço nacional é bem inferior, extraído pela própria Petrobras. É uma estratégia contábil da estatal para inviabilizar o funcionamento da fábrica”, afirmou Castellano em entrevista à Fórum.

Entenda a luta dos petroleiros

No dia 14 de janeiro deste ano, a direção da ANSA/Fafen-PR se reuniu com representantes da FUP, da CUT e do Sindiquímica-PR e afirmou que o processo de demissão dos mil trabalhadores – 396 empregados diretamente pela companhia e 600 terceirizados - começaria em 30 dias e levaria até 90 dias para ser concluído.

Ainda de acordo com a FUP, a gestão da Petrobrás está negociando a venda da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) e da Usina do Xisto (SIX), ambas no polo de Araucária, no Paraná, onde fica a Fafen.

As duas unidades integram o pacote de oito refinarias, com suas redes de dutos e terminais, que a direção da estatal pretende privatizar.  

Impactos das demissões

Os impactos gerados pelas demissões, não se limitam as famílias dos  trabalhadores e trabalhadoras que ficarão desempregados. A população de Araucária também sentirá as consequências deste desrespeito aos trabalhadores, pois afeta a qualidade dos serviços públicos prestados a população, como saúde, educação, obras e segurança.

De acordo com o Sindiquímica, a folha dos trabalhadores diretos, é de aproximadamente R$ 10 milhões, deste total 50% ficam no município. A  Ansa/Fafen-PR garante arrecadação de R$ 200 mil mensais para Araucária.

[Via CUT | Texto: Marize Muniz]

Publicado em Greve 2020

Em mais um ataque aos trabalhadores da Araucária Nitrogenados, a gestão da Petrobrás volta a indignar a categoria petroleira ao divulgar na intranet uma série de mentiras para tentar justificar a decisão política de desativar a Fafen-PR e demitir arbitrariamente todos os trabalhadores, sem qualquer negociação prévia com o sindicato.

O ENGODO DO PREJUÍZO

A gestão da empresa fez uma escolha por encarecer a própria matéria prima para produzir os fertilizantes. Foi uma decisão política e não técnica. Vamos aos fatos:

1 - Para tentar justificar o fechamento da fábrica, a direção da Petrobrás mente quando afirma que o Resíduo Asfáltico (RASF), principal matéria-prima da Fafen-PR, tem um custo alto, pois o preço do produto acompanha o valor do mercado.

2 - O RASF que abastece a Fafen-PR é um refugo gerado pela Repar e, com a desativação da fábrica, passaria a ser utilizado na produção de Cimento Asfáltico de Petróleo (CAP), segundo informou a própria empresa. No entanto, o preço do CAP é inferior ao da ureia, o que contraria o argumento dos gestores de que o custo do RASF está em “tendência crescente” e o da ureia em “tendência decrescente”.

3 – A precificação que a Petrobrás faz do RASF é baseada no valor do petróleo bruto (WTI), produzido no Golfo do México, cujo preço é inferior ao do Brent.

4 – A Repar não terá o que fazer com todo o RASF que gera na produção de derivados.

5 - A hibernação da Fafen-PR é uma  decisão política. O objetivo dos gestores é encerrar as atividades da fábrica para zerar o passivo trabalhista e vender a unidade no futuro, contratando os trabalhadores em condições precárias e por salários muito abaixo do que é hoje praticado na empresa. Uma espécie de “dumping social”.

DEMISSÃO X TRANSFERÊNCIA

A gestão da Petrobrás mente ao tentar justificar a demissão sumária dos trabalhadores da Araucária Nitrogenados, alegando que não são concursados e que, portanto, não poderiam ser transferidos, nem aderir ao Mobiliza.

1 - Vários trabalhadores da Fafen-PR foram cedidos para outras unidades da Petrobrás ao longo dos últimos anos, assim como empregados da holding foram cedidos para a fábrica.

2 - A Araucária Nitrogenados é 100% da Petrobrás e seus trabalhadores não podem ser tratados como se fossem de uma empresa privada, sem qualquer vínculo com a estatal.

3 - Para quem não sabe (ou não lembra), até o início dos anos 90, a planta da Fafen-PR  integrava o Sistema Petrobrás como a subsidiária Ultrafértil, mas foi privatizada no governo Itamar Franco, passou pelo comando da Vale e, finalmente, retornou à estatal em 2013.

4 - A negociação feita pela Petrobrás previa a incorporação da fábrica, como comprovam os documentos da época.  A alegação da atual gestão de que os petroleiros da Fafen-PR  não são concursados é uma desculpa esfarrapada para justificar a decisão política de demitir sumariamente os trabalhadores.

DESCUMPRIMENTO DO ACT

A gestão da Petrobrás mente escancaradamente ao afirmar que a Araucária Nitrogenados comunicou o Sindiquímica-PR sobre a hibernação da fábrica, cumprindo “rigorosamente” o Acordo Coletivo. 

1 - O sindicato, assim como os trabalhadores da Fafen e de todo o Sistema Petrobrás, souberam da decisão da empresa pela imprensa. Foi também através de notícias publicadas pela mídia que a categoria foi informada sobre as demissões.  

2 - Somente após o fato já ser de conhecimento público, é que a gerência e o jurídico da fábrica enviaram documento ao Sindiquímica-PR, convidando para uma reunião com o objetivo de comunicar a hibernação da fábrica e a demissão dos trabalhadores no prazo de 30, 60 e 90 dias.  

3 - O sindicato ainda alertou a empresa sobre os riscos de hibernação da fábrica com os tanques repletos de produtos químicos, o que surpreendeu a gestão da Araucária, que sequer tinha conhecimento sobre a real situação da unidade.  Só então, a empresa se dispôs a discutir a segurança da unidade, chamando o sindicato para uma reunião no dia 16, cuja resposta da entidade foi que discutiria essa questão na audiência que já estava agendada com o MPT-PR no dia 20.

4 - Em momento algum, os gestores tentaram negociar a situação dos trabalhadores. Apenas comunicaram o fato já decidido e irrevogável, segundo eles mesmos afirmaram, da demissão de todos os empregados no prazo máximo de 90 dias.

[FUP]

Publicado em Greve 2020

Contra demissões de trabalhadores próprios e terceirizados, fechamento e venda de unidades, petroleiros norte-rio-grandeses seguem aprovando movimento grevista a partir de 1º de fevereiro.

Nesta quarta-feira,22, a diretoria do SINDIPETRO-RN realizou assembleia deliberativa na base operacional Alto do Rodrigues e S7. A sessão contou com participação dos petroleiros Petrobrás e  apoio dos trabalhadores terceirizados.

De acordo com o diretor de comunicação do SINDIPETRO-RN, Márcio Dias, durante a sessão deliberativa foi feito um debate sobre a conjuntura política com ênfase nas questões relativas à situação da Petrobras e empresas terceirizadas.

“Relatamos sobre venda e fechamento de unidades, demissões de trabalhadores próprios e terceirizados nas bases da Petrobrás como é o caso da Fafen Araucária no Paraná, BR Distribuidora e Riacho da Forquilha no RN”, explicou o dirigente.

Ainda segundo Márcio, o sentimento nas bases é de “revolta, indignação e total descaso com os trabalhadores do setor petrolífero e contra o desenvolvimento nacional promovido pela Petrobrás nos últimos anos”.

A assembleia contou coma participação do Coordenador Geral do SINDIPETRO-RN, Ivis Corsino e dos diretores José Araújo, Jorge Luiz, Fátima Viana e Rafael Matos. Na oportunidade foram ouvidas denúncias sobre ingerência administrativas de representantes da Petrobrás nos contratos de terceirização entre outras questões específicas de interesse da categoria.

Ao final da sessão, foi colocado em votação o indicativo da FUP e Sindipetro's filiados sobre a greve por tempo indeterminado a partir a partir de 1º de fevereiro. O indicativo foi aprovado por unanimidade.

As assembleias prosseguem até o dia 28 de janeiro.

[Via Sindipetro-RN]

Publicado em SINDIPETRO-RN

Valter Sanches, secretário geral do IndustriALL Global Union, declarou em nota, sua solidariedade aos trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) em Araucária, além do repúdio à medida unilateral da Petrobrás de encerrar as atividades e demissionar sumáriamente cerca de 1.000 trabalhadores da unidade.

“Prezadas companheiras e companheiros, Em nome de IndustriALL Global Union, que representa 50 milhões de trabalhadoras e trabalhadores nos setores de mineração, energia e manufatura em 140 países, expresso o nosso integral apoio às trabalhadoras e trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) em Araucária, no Paraná”. 

A IndustriALL desafia o poder das empresas multinacionais e negocia com elas em nível global lutando por outro modelo de globalização e um novo modelo econômico e social que coloca as pessoas em primeiro lugar, com base na democracia e na justiça social.


Publicado em Sistema Petrobrás

Os petroleiros estão na luta e se a categoria não se unir, o que aconteceu na Fafen-PR irá acontecer com todas as unidades da Petrobrás. Diante desse cenário, na manhã desta terça-feira (21), começaram as assembleias em todas as bases do Sindipetro PR e SC. 

Os encontros tratam do indicativo de greve e servem para que os petroleiros e petroleiras se posicionem sobre a pauta. As assembleias acontecem entre 20 e 28 de janeiro. Após isso (29), a FUP e seus sindicatos, em seu Conselho Deliberativo, se reunirão para definir os próximos encaminhamentos. 

Para a direção do Sindipetro PR e SC, o momento é de mobilização. Principalmente porque a Petrobrás desrespeita deliberadamente o Acordo Coletivo de Trabalho, impõe tabelas de turno, mudança no cartão ponto e jornada reduzida sem qualquer discussão com o sindicato ou com os trabalhadores.

Outra questão, principalmente após o anúncio da demissão em massa dos trabalhadores da Araucária Nitrogenados (Ansa/Fafen-PR), é que ninguém está garantido no seu posto de trabalho e agora é a hora da mobilização. “Após o caso na Fafen-PR, temos um motivo concreto para dar um basta. O recado tem que ser claro e forte”, explicou Mario Dal Zot, presidente do sindicato. 

O dirigente do Sindipetro PR e SC, Alexandro Guilherme Jorge, também enfatizou que “esse processo na Fafen-PR pode acontecer com todos os trabalhadores, seja na Repar, na Usina do Xisto – SIX ou na Transpetro, por isso precisamos retomar o patamar na mesa de negociação. Hoje, não há avanços, pois não se discute tecnicamente mais nada”. 

O Sindipetro PR e SC, assim como a FUP e outras entidades filiados, a partir do dia 29 de janeiro, definirão os próximos passos da luta, quando os resultados de todas as assembleias estiveram computados e divulgados. 

Caso a empresa não volte para a mesa de negociação, o indicativo é pela greve geral em todas as unidades da Petrobrás. “Eles estão apostando que não existe mobilização. Mas nós temos sentimento de classe, não só solidariedade, e cada um de nós está sendo demitido junto com os trabalhadores da Fafen-PR”, conclui Dal Zot. 

Fafen-PR – Depoimento 

Também nesta terça (21), os petroquímicos fecharam a entrada da Fafen-PR. Alguns trabalhadores permaneceram acorrentados na porta da unidade. O dirigente do Sindiquímica-PR, Paulo Antunes, saiu da mobilização para dar um depoimento aos petroleiros durante assembleia na Repar.

De acordo com o dirigente, a ação foi para impedir a hibernação da fábrica, já que para isso a empresa precisa de efetivo. Todos os trabalhadores estão firmes e não vão sair da porta da unidade. 

“Nossa situação é grave, aqui todos queríamos nossa estabilidade, criar nossos filhos e fazer a coisa correta, como trabalhador. Agora, nós vamos intensificar nossa resistência. É tudo ou nada”, explicou Antunes.

A Petrobrás anunciou a demissão em massa de aproximadamente mil trabalhadores com o fechamento da Fafen-PR. Caso essa ação se concretize, representa que o Brasil passará a importar cada vez mais fertilizantes nitrogenados; o que para a agricultura representa ainda mais dependência do insumo estrangeiro. 

Além disso, Araucária terá grande perda de arrecadação, impactando nos postos de trabalho dos servidores e no comércio local. Sem contar que o Brasil passará a ser dependente da importação de ARLA 32, reagente químico usado para reduzir a poluição ambiental produzida por veículos automotores pesados. 

Mesmo o Brasil sendo o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, o desmonte da Petrobrás tornará a economia dependente das importações e a soberania alimentar estará comprometida. 

Confira AQUI as próximas assembleias e participe!

[Via Sindipetro-PR/SC]

Publicado em SINDIPETRO-PR/SC

Petroquímicos e petroleiros do Paraná ocupam desde a manhã de terça-feira, 21/01, a entrada da Araucária Nitrogenados (ANSA) para impedir que os gestores coloquem a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-PR) em hibernação, o que significará a desativação da unidade e a demissão arbitrária de cerca de 1.000 trabalhadores.

A Fafen-PR integra o Sistema Petrobras, cuja gestão anunciou o fechamento da planta e comunicou a demissão sumária dos trabalhadores, que souberam da notícia pela imprensa. Esse fato, além de demonstrar a crueldade dos gestores, contraria o Acordo Coletivo de Trabalho dos petroquímicos, cuja cláusula 26 assegura que "a companhia não promoverá despedida coletiva ou plúrima, motivada ou imotivada, nem rotatividade de pessoal (turnover), sem prévia discussão com o Sindicato". 

Desde o ano passado, quando Roberto Castello Branco assumiu o comando da Petrobrás, defendendo a privatização total da empresa, sua gestão vem promovendo o maior desmonte da história do setor petróleo no mundo. As outras duas fábricas de fertilizantes nitrogenados (Fafen-BA e Fafen-SE) foram hibernadas e seus trabalhadores estão sendo deligados, via PDVs, ou transferidos sumariamente para outras unidades.

Aos trabalhadores da Fafen-PR, que é também 100% controlada pela Petrobrás, não foi dada sequer essa chance. A gestão da fábrica informou que serão todos demitidos 30 dias após a hibernação da unidade, com prazo até 90 dias para serem desligados da empresa.

Na BR Distribuidora, que já foi privatizada, os trabalhadores também foram sumariamente demitidos e os que ficaram sofrem assédio e pressão para se desligarem da empresa, com redução de salários e de benefícios. 

O mesmo acontecerá com os petroleiros das oito refinarias, dutos e terminais que estão em processo acelerado de venda pela gestão Castello Branco.

Para barrar as demissões em massa e os ataques que a direção da Petrobrás vem fazendo contra o Acordo Coletivo de Trabalho, os petroleiros estão aprovando o indicativo da FUP de greve nacional por tempo indeterminado, a partir de primeiro de fevereiro. As assembleias prosseguem até o dia  28. 

Em vídeo na porta da Fafen-PR, o diretor da FUP, Gerson Castellano, um dos mil trabalhadores da fábrica que estão sendo demitidos, explica a importância da resistência da categoria: 

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[FUP]

Publicado em Greve 2020

O ritmo e a raiva; a raiva e o ritmo. Essa junção de sentimentos esteve presente nesta manhã (17), durante protesto em frente à Araucária Nitrogenados (Ansa/Fafen-PR). Ato aconteceu após comunicado da Petrobrás sobre o fechamento da unidade e a demissão sumária de mil trabalhadores.

A postura autoritária e cruel por parte da empresa fez com que se juntasse dois ingredientes fundamentais para uma grande mobilização: o ritmo (mesma sintonia contra a destruição do Sistema Petrobrás) e a raiva (diante das demissões em massa que atingirão os petroquímicos e suas famílias).

A direção da Petrobrás vai entender o recado, pois uma coisa é certa: haverá enfrentamento, aconteça o que acontecer. Toda arbitrariedade tem limite e essa gestão da empresa encerrou sua cota de desrespeito para com o trabalhador.

Diante disso, os petroquímicos e petroleiros, ao lado dos seus familiares, além de representantes de federações, centrais sindicais e sindicatos; junto com políticos, ex-políticos, movimento estudantil e secundarista; demonstraram sintonia: ninguém vai aceitar o fechamento da fábrica e as demissões em massa.

Em cima do ônibus da Federação Única dos Petroleiros (FUP), palavras e sentimentos eram lançados com emoção e sinceridade. O clima estava pesado, já que o momento é tenso, e os trabalhadores fizeram questão de deixar claro que isso não é um problema, mas sim um ingrediente.

O papo foi reto: “a única luta que se perde é aquela que se abandona. No nosso caso, não vamos desistir, vamos lutar até o fim. Não podemos temer, não temos nada mais a perder”, disse Gerson Castellano, dirigente da FUP e petroquímico.

E o ritmo continuou quente. “Lembremos aqui que muitos gerentes que estavam na fábrica fizeram o trabalho sujo, agora também terão que sair com uma mão na frente e a outra atrás”, completou Castellano.

A mensagem para a classe trabalhadora é que mais uma vez quem vai lutar pelo coletivo serão os sindicatos. O dirigente não se esqueceu de mencionar os trabalhadores da operação e da manutenção, assim como os terceirizados, que sempre estiveram e estão na luta ao lado do Sindiquímica-PR.

O momento chave do protesto foi a junção do compasso dos petroleiros, que saíram da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), fechada esta manhã pelos trabalhadores, rumo à Fafen-PR.

Enquanto acontecia a caminhada, o coordenador-geral do Sindiquímica-PR, Santiago da Silva Santos, lá no ônibus da FUP, desferia palavras sinceras em relação ao momento histórico dos petroquímicos.

Parecia que o movimento era orquestrado, pois, enquanto uma massa chegava ao protesto, Santiago intensificava sua fala.

O recado foi esse: “a mensagem hoje aqui não é de depressão, mas sim de transformar esse sentimento em raiva! Em fúria! Temos que jogar na cara desses gestores que hoje são eles que dependem de nós, trabalhadores”.

FUP

Os dirigentes da FUP e dos sindicatos filiados, de diversas partes do Brasil, estiveram em Araucária para mobilizar e fazer parte do grande coletivo de indignados com a atual gestão entreguista da Petrobrás. Para o diretor da Federação, Deyvid Bacelar, haverá muito enfrentamento nos próximos dias.

Ele deixou a seguinte mensagem: “levante a sua cabeça e siga em frente contra tudo isso que está acontecendo em nosso país. Entraremos em assembleia a partir de semana que vem e vamos aprovar uma greve nacional por tempo indeterminado contra as demissões em massa que aqui aconteceram”, disse Deyvid.

Além disso, foram realizados atos em diversos estados bases dos sindicatos filiados como PR/SC e
RS: REFAP; SP: REPLAN e RECAP; MG: REGAP; NF: Aeroporto do Farol (Campos); ES: TAVIT – Terminal da Transpetro em Vitória; BA: EDIBA (Edifício Torre Pituba); PE/PB: Refinaria Abreu e Lima e Terminal da Transpetro Suape; RN: Pólo Guamaré; CE/PI: LUBNOR e AM: REMAN

 

Publicado em Greve 2020
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.