O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou essa semana que a empresa pretende arrecadar US$ 10 bilhões com vendas de ativos até abril e espera atingir ao menos US$ 30 bilhões em ativos em 2019. A proposta já é quase US$ 3 bilhões a mais do previsto para os próximos cinco anos pela companhia.

Embora o presidente não tenha detalhado quais ativos serão colocados à venda, o presidente avisou que a projeção inclui recursos que poderão ser obtidos com a venda da rede de gasodutos TAG, cujo processo de alienação está nas etapas finais e já recebeu uma oferta avaliada em cerca de US$ 8 bilhões de um grupo liderado pela francesa Engie. Só neste ano a companhia já anunciou a venda da refinaria de Pasadena para a Chevron, do campo de Maromba para a BW Offshore, e a conclusão da negociação de ativos de distribuição no Paraguai – além, é claro, do anúncio de intenção de desinvestimento em 70% das 254 concessões em campos maduros em terra e águas rasas.

Os números divulgados por Castello Branco essa semana superam, portanto, consideravelmente as projeções do último plano de negócios da Petrobras (PNG 2019-2023), realizado ainda sob a gestão Ivan Monteiro, cuja expectativa no plano de desinvestimentos era arrecadar US$ 26,9 bilhões até 2025.

Anunciado pelo próprio presidente como um plano "mais agressivo", Castello Branco justificou a medida como forma de ajudar a empresa a melhorar as suas finanças reduzindo o endividamento da Petrobras, além de diminuir custos operacionais e melhorar o retorno para os acionistas.

A agressividade da nova gestão, contudo, é contestada pelos números da própria Petrobras. De acordo com os dados do quarto trimestre, a empresa registou lucro líquido de R$ 25,8 bilhões em 2018, o melhor resultado da companhia desde 2011.

O principal motor desse resultado foi a elevação do preço do barril do petróleo em reais, que passou de R$ 173,3 em 2017 para R$ 260,2 em 2018, uma expansão de 50% em dois anos, e que teria ocasionado o lucro de R$ 44 bilhões somente no segmento de exploração e produção (E&P), número 97% superior comparado ao ano anterior.

Paradoxalmente, no entanto, a produção da empresa caiu 5,5% em 2018 na comparação com o ano anterior, a maior queda anual desde 2003. Nesse sentido, a redução na produção está relacionada a política de desinvestimentos realizada nos campos de Lapa, Sururu, Berbigão, Oeste de Atapu e Roncador e a redução acelerada da produção nos campos maduros do pós-sal, principalmente na Bacia de Campos. De acordo com os economistas e pesquisadores do INEEP, Rodrigo Leão e Eduardo Costa Pinto, “os ganhos com o aumento do preço do petróleo poderiam ter sido ainda maiores se a Petrobras, ao invés dos desinvestimentos, tivesse expandido os investimentos nos campos maduros com o objetivo de aumentar o fator de recuperação de óleo dos poços”.

Outro dado importante é que houve saldo positivo até mesmo nos setores tidos como pouco lucrativos para a Petrobras, como o abastecimento (refino, transporte e comercialização), cuja receita de vendas cresceu 26% em 2018 e registrou lucro de R$ 8,4 bilhões.

Quando relacionado esses números ao endividamento, é possível notar que desalavancagem (relação entre o endividamento líquido e o lucro operacional) decresceu em 33% (de 3,67 em 2017 para 2,34 em 2018), em virtude do crescimento do lucro operacional (antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) decorrente sobretudo dos resultados positivos operacionais com o aumento dos preços do petróleo.

Do lado dos desinvestimentos, contudo, os resultados são bem mais tímidos. A venda de ativos e participações registrou uma entrada em caixa de apenas US$ 6,1 bilhões (R$ 23,2 bilhões) em 2018, um valor demasiadamente inferior quando comparado aos setores produtivos da petrolífera.

Os números ajudam a ilustrar, portanto, que embora a atual gestão da Petrobras esteja sugerindo de que a melhora no seu desempenho financeiro está relacionada à venda de ativos, os próprios dados da empresa a contradizem, demonstrando que a falta de investimento nos setores produtivos da companhia restringiu o potencial ainda maior de lucro da empresa – uma tendência que pode se agravar ainda mais caso a empresa leve a diante esse programa “agressivo” de desinvestimentos.

[Blog do INEEP]

Publicado em Sistema Petrobrás

A Petrobras divulgará nesta quarta (27/11) o seu balanço anual de 2018. A expectativa é de que a empresa obtenha uma expressiva expansão dos lucros que deverão alcançar o patamar em torno de R$ 30 bilhões, segundo estimativa do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), desde que despesas excepcionais, como gastos envolvendo a Fundação de Previdência (Petros), não afetem o resultado da companhia. 


Segundo estimativas do Ineep, a geração de caixa operacional, medida pelo Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), também deve subir em 2018 alcançando o valor de R$ 113 bilhões, alta de 42% na comparação com o ano anterior.


Esse provável resultado favorável ocorrerá mesmo com a redução da produção de petróleo e gás de 5,5% (de 2.154 milhões de barris por dia em 2017 para 2.035 milhões de barris por dia em 2018) que não conseguiu se elevar apesar da entrada em operação de quatro novos sistemas de produção. Cabe observar que essa é a maior queda anual na produção de petróleo desde 2003 e abaixo da meta estipulada pela Petrobras de 2.100 milhões de barris por dia em 2018. Essa diminuição ocorreu em virtude da venda de campos em operação (política de desinvestimento) – como, por exemplo, a venda de 25% de Roncador para a petroleira norueguesa Equinor (ex-Statoil) – e da produção inferior dos campos maduros do pós-sal com a redução dos investimentos.


No entanto, essa queda foi muito mais que compensada pelo aumento de 51% no preço do petróleo em reais, entre 2017 e 2018, explicado pelo crescimento de 32% no preço do barril Brent e da desvalorização cambial de 14%. Com isso, o aumento das receitas de vendas foi de R$ 63 bilhões, saindo de R$ 283 bilhões em 2017 para R$346 bilhões em 2018, segundo estimativas do Ineep, sobretudo na área de exploração e produção (E&P) de petróleo e gás.


Cabe fazer um destaque sobre a situação do de abastecimento, cuja receita de vendas estimada deverá elevar-se em 25,6% em 2018, no cotejo com o ano anterior, segundo estimativas do Ineep. No mercado nacional, a receita de vendas de derivados da Petrobras deverá crescer 26,5%, fruto exclusivamente do aumento dos preços internos dos derivados (que acompanharam a subida do preço do Brent), pois as suas vendas deverão apresentar queda de 4%.


Deve-se observar que a mudança na estratégia do refino da Petrobras, em curso desde o 2º trimestre de 2018, após a greve dos caminhoneiros, quando a empresa passou a desempenhar um papel ativo, deslocando a importações de terceiros e ampliando a carga processada das refinarias, permitiu a empresa auferir maiores margens e lucros como observadas nos balanços do 2º e 3º trimestres de 2018. 


No entanto, com o incêndio ocorrido na Replan, maior refinaria do país, fez-se necessário reduzir, em quase pela metade, o seu nível de utilização. Isso implicou numa menor produção de diesel e gasolina (nos 3º e 4º trimestre de 2018), provocando um aumento da importação de derivados pela Petrobras que deverá se refletir na redução das margens da área de abastecimento. Além disso, a expansão do preço do petróleo também reduz as margens do refino, uma vez que o petróleo é um insumo básico para a produção de derivados.


Pelo lado do endividamento, os resultados do balanço deverão sinalizar a política em curso de acelerada desalavancagem. Com o provável aumento do Ebitda ajustado e o processo de desinvestimentos (para adiantar pagamentos de dívidas) a relação dívida líquida Ebitda deverá cair em 2018, mesmo com a desvalorização cambial que eleva a dívida em reais.


Os possíveis resultados operacionais e financeiros do balanço de 2018 da Petrobrás devem evidenciar uma melhora do cenário externo (aumento do preço do Brent), e do perfil da dívida. Todavia, com a política de desinvestimentos em curso, deve evidenciar também que a empresa perdeu a oportunidade de auferir resultados operacionais ainda mais expressivos. Nesse novo contexto, caberá questionar o sentido de continuar com uma estratégia de desinvestimento tão acelerada, inclusive de campos do pré-sal, que são fundamentais para geração de caixa presente e futura da Petrobras.


Em todo caso, as promissoras perspectivas na produção de petróleo, principalmente por conta do pré-sal, devem garantir um futuro promissor à empresa, desde que não ocorreram novas turbulências no mercado internacional que reduzam o preço do barril do petróleo. E, atual situação da empresa, já permite uma nova ascensão dos seus investimentos, mas isso dependerá de uma visão estratégica da nova gestão da companhia.

[Via Blog do INEEP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Por Eduardo Costa Pinto, professor de economia da UFRJ e pesquisador do INEEP (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra)

A estratégia da Petrobras de concentrar suas atividades de E&P em águas profundas aumenta a sua exposição a variáveis não que ela não controla, aumentando riscos, e reduz a agregação de valor da cadeia brasileira.

 O novo Presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, em seu discurso de posse e em entrevista ao setor de comunicação da Petrobras, deixou explicito a manutenção dos principais eixos estratégicos das gestões anteriores (Pedro Parente e Ivan Monteiro) assentadas: (i) na desalavancagem financeira (redução da relação dívida líquida/LTM EBITDA); (ii) no foco em atividades de exploração e produção (E&P) em águas profundas do pré-sal em detrimento das outras atividades (refino, logística, distribuição, E&P em campos maduros em terra e em águas rasas); e (iii) no desinvestimento (venda de ativos operacionais) em atividades não vinculadas ao pré-sal destinado a geração de recursos para  redução do endividamento.

Apesar da manutenção dos eixos estratégicos, Roberto Castello Branco falou sobre a possibilidade de realizar ajustes marginais no Plano Estratégico (2040) e no Plano de Negócios e Gestão (2019-2023) da Petrobras, tais como: 1) reduzir ainda mais a alavancagem financeira, pois segundo ele “os níveis de endividamento reduziram bastante, mas ainda são altos em relação ao que se requer de uma empresa que produz commodities minerais (petróleo)”; e 2) acelerar a exploração e produção no pré-sal, pois para o novo presidente “em função do desenvolvimento de energias renováveis e da eletrificação, o petróleo tende a perder importância ao longo do tempo”.

Esse é um argumento utilizados por muitos analistas do setor de petróleo que acreditam que ocorrerá a partir de 2030 uma redução contínua da demanda de petróleo (peak oil demand) em virtude do crescimento de energias alternativas para o transporte automotivo (expansão do carro elétrico). É evidente que a utilização de fontes alternativas no transporte automotivo pode alterar o consumo do petróleo num determinado momento do tempo. No entanto, o petróleo continuará por um bom tempo como importante recurso estratégico.

Esses possíveis ajustes aventados pelo atual presidente da Petrobras intensifica a estratégia em curso, mantém a gestão curto prazista (geração de caixa no curto prazo com a venda de ativos para reduzir o endividamento) e amplia o processo de desintegração vertical da empresa (menor atuação na cadeia de energia).

É evidente que a atual gestão da dívida e do portfólio de ativos da Petrobras conseguiu melhorar os indicadores de endividamento em 2018 em virtude da venda de ativos operacionais (como, por exemplo, fatias dos campos de Lapa, Sururu, Berbigão, Oeste de Atapu e Roncador localizados no pré-sal, entre outros ativos) e da elevação da geração de caixa operacional decorrente da elevação dos preços internacionais do petróleo e das mudanças na estratégia do refino.

Se, por um lado, esse tipo de gestão melhorou os indicadores financeiros, por outro, teve como efeito colateral a redução significativa de 5,5% da produção de petróleo da Petrobras no Brasil em 2018 (de 2.154 milhões de barris por dia em 2017 para 2.035 milhões de barris por dia em 2018), mesmo com a entrada em operação de quatro novos sistemas de produção. Maior queda anual na produção de petróleo desde 2003 e abaixo da meta estipulada pela Petrobras de 2.100 milhões de barris por dia em 2018.  

Essa queda na produção reflete a venda de ativos de campos em operação no pré-sal e a redução dos investimentos dos campos maduros, sobretudo na bacia de Campos. Isso evidencia que a atual gestão da dívida e do portfólio de ativos ao invés de enfrentar o desafio financeiro de curto prazo da empresa pensando no longo prazo, optou-se por uma atuação curto prazista míope cuja aceleração da venda de ativos criou resultados operacionais negativos, como a expressiva redução na produção de petróleo e gás natural em 2018.  Cabe observar que essa redução não gerará maiores problema na geração de caixa operacional da empresa em 2018 em virtude da elevação do preço do petróleo.

Além dos resultados operacionais, a estratégia da Petrobras de concentrar suas atividades na produção e exploração de petróleo e gás natural em águas profundas (pré-sal), em detrimento de outras áreas da cadeia de energia (midstream e downstream), provoca o direcionamento da empresa no sentido da ampliação das exportações de petróleo cru para o mercado internacional. Isso necessariamente aumenta a exposição da empresa a variáveis não que ela não controladas (taxa de câmbio, preço do petróleo e demanda externa de óleo), aumentando riscos, e reduz a agregação de valor da cadeia de petróleo e gás brasileira.

Daniel Yergin, em seu livro O Petróleo: uma história de ganância, dinheiro e poder, explicitou a trajetória da formação dos grandes conglomerados petrolíferos e o papel decisivo desempenhado pela estratégia de integração vertical ao minorar riscos associados a especialização em decorrência das características especificas do setor (formação de preço do petróleo, estrutura de mercado, regulação, elevados investimentos, etc.).

A integração vertical permite a ampliação da acumulação de capital na indústria do petróleo. Nas palavras de Carmem Alveal (em seu livro denominado Os desbravadores: a Petrobras e a construção do Brasil): “Razões de ordem econômica mais do que técnica exigem a integração vertical para realizar o elevado potencial de acumulação da indústria petrolífera, dado os riscos e custos financeiros associados a cada segmento da cadeia produtiva são diferentes”.

A despeito disso, a atual gestão da Petrobras acelera na linha da especialização na exploração e produção no pré-sal, que tem como contra face a venda de ativos operacionais de outras atividades, implicando necessariamente na desintegração vertical. Não por acaso a Petrobras retomou sua política de desinvestimentos ao anunciar, em dezessete de janeiro de 2019, as vendas dos seguintes ativos operacionais: i) 90% da participação na Transportadora Associada de Gás (TAG); ii) 100% da Araucária Nitrogenados; e iii)  de parte do Refino da empresa por meio da formação de parcerias. Nesse projeto estão incluídas as refinarias RNEST em Pernambuco, a RLAM na Bahia, a Refap no Rio Grande do Sul e a Repar) no Paraná, bem como os dutos e terminais (ativos logísticos) vinculados a essas refinarias.

O PNG (2019-2023) da Petrobras sinalizou uma retomada dos investimentos, sobretudo na E&P do pré-sal e do pós-sal, para os próximos cinco anos (US$ 84,1 bilhões sendo que desse total US$ 68,8 para o E&P e US$ 8,2 para o Refino). O balanço do 3º trimestre da Petrobras já tinha apontado para uma reversão na tendência de queda dos investimentos dos últimos anos. Com a maior geração de caixa operacional (decorrente do aumento do preço do petróleo, da redução dos custos operacionais e das mudanças na estratégia do nível de utilização das refinarias), a empresa pretende retomar os investimentos, uma medida fundamental ainda mais com a redução da produção de petróleo da Petrobras no Brasil em 2018.

A atual gestão Roberto Castello Branco deverá manter as linhas gerais do PGN (2019-2023) da Petrobras, no entanto, caso seja realizado ajuste no que diz respeito à ampliação da redução da alavancagem financeira (relação dívida líquida/LTM EBITDA) poderá ocorrer redução nos investimentos projetados para os próximos anos.

Em linhas gerais, a nova gestão da Petrobras, sob o comando do Roberto Castello Branco indicado pelo Ministro da Economia Paulo Guedes ( que comanda o núcleo de poder econômico liberalizante do governo Bolsonaro), deverá adotar mais do mesmo observado nas gestões anteriores, sob o governo Temer, com algum destravamento do investimento.

Mesmo com a maior atuação do núcleo militar do governo Bolsonaro na Petrobras (escolha do Almirante Leal Ferreira para presidir o Conselho de Administração da Petrobras) e no Ministério de Minas e Energia com o comando do almirante Bento Albuquerque, não há sinais de reversão na atual estratégia da Petrobras. As “disputas veladas” entre os núcleos econômico liberal e militar do governo Bolsonaro para comandar a política energética, em especial a Petrobras, não parece estar vinculada a divergências do papel estratégico que a Petrobras deve desempenhar. Tanto para os militares como para o núcleo liberal, a Petrobras deve se orientar pelos objetivos estritamente microeconômicos vinculados a acumulação interna de capital, endividamento, fluxo de caixa, etc.

Os militares parecem ter abandonado a ideia de que a Petrobras possui uma face estatal que deve ser orientada pelos objetivos políticos, atrelados a um projeto nacional,  e de ordem macroeconômico (inflação, balança comercial, etc.). A ala desenvolvimentista das Forças perderam representatividade com a crise do desenvolvimentismo na década de 1980 e com o avanço do liberalismo difuso entre os servidores militares que defendem a pátria, a nação e a tradição brasileira, mestiça e cristã, mas não enxergam nenhum perigo com controle estrangeiro da Embraer, a exploração do petróleo do pré-sal por empresas estrangeiras ou a venda de parte do refino para empresas estrangeiro.

[Via Blog do Ineep]

Publicado em Sistema Petrobrás

Do Blog da INEEP

Na última segunda-feira (14/01), a União indicou três novos membros para o Conselho de Administração da Petrobras. Em fato relevante, a companhia anunciou que os indicados são Eduardo Leal Ferreira, John Milne Albuquerque Forman e João Cox. Ontem, no entanto, John Forman, desistiu da nomeação, diante da repercussão da sua condenação pela CVM por uso de informação privilegiada. Os demais nomes serão submetidos aos procedimentos de governança da petroleira.

Os indicados substituirão Luiz Nelson Carvalho, Francisco Petros e Durval José Soledade Santos no Conselho. Carvalho e Petros renunciaram aos postos em 1º de janeiro. Já o pedido de saída de Soledade Santos foi apresentado nesta semana, mas só ocorrerá a partir de 4 de fevereiro. Com a renúncia de Forman, no entanto, a Petrobras ainda não sabe quem será o terceiro indicado a substituir as cadeiras do governo no Conselho.

 Leal Ferreira é Almirante de Esquadra e foi Comandante da Marinha do Brasil até janeiro de 2018, o maior posto da hierarquia naval. Além disso, Leal Ferreira recebeu treinamento de nível superior na Escola de Guerra Naval do Brasil, na Academia de Guerra Naval do Chile e na Academia Naval de Annapolis dos EUA. Antes de ser Comandante da Marinha do Brasil exerceu vários cargos importantes na força, tendo sido Chefe do Estado Maior da Marinha e Comandante-em-Chefe da Esquadra.

A indicação do militar foi feita pelo governo Bolsonaro para exercer a Presidência do Conselho de Administração.

Cox é economista com especialização em economia petroquímica pela Universidade de Oxford. Possui carreira como executivo nas telecomunicações, tendo sido Presidente da Telemig Celular e da Claro. Atualmente, é Presidente do Conselho de Administração da Tim Brasil, além de ser membro dos conselhos da Embraer, Linx e Braskem.

A grande surpresa, contudo, foi a desistência de John Albuquerque Forman ao Conselho. Sondado para o cargo ainda no fim do ano passado pelo atual ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, o nome de Forman apareceu no anúncio oficial da Petrobras dessa semana. No entanto, Forman desistiu da indicação diante da repercussão que teve a notícia de sua condenação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por uso de informação privilegiada na venda de ações da petroleira HRT, hoje chamada de PetroRio.

Mestre em Geologia pela Universidade de Stanford, Forman já presidiu a Nuclebrás e foi diretor da ANP. Em 2016, foi multado em R$ 338,5 mil pela CVM por insider trading na venda de ações da petroleira, em 2013, quando foi conselheiro da empresa.

O que esperar dos novos conselheiros da Petrobras?

Conforme o blog do Ineep já vem apontando desde o ano passado, as nomeações na equipe do governo Bolsonaro tem revelado uma “disputa velada” entre as alas liberal e militar, sobretudo quando o assunto é a política energética.

De um lado, a indicação de Castello Branco à presidência da Petrobras representa uma vitória da equipe de Paulo Guedes na condução da companhia, com enfoque na privatização dos setores de refino e distribuição. Em seu discurso de posse, no último dia 03/01, o economista endossou o foco nos investimentos voltados para as atividades de exploração e produção (E&P) em águas profundas e a política de preços de paridade com o mercado internacional.

Por outro lado, a nomeação de Leal Ferreira à presidência do Conselho de Administração da Petrobras tende a um alinhamento com o ideário militar de fortalecimento nos investimentos de infraestrutura, o que pode significar políticas de incentivo à indústria naval brasileira, com investimentos aos estaleiros no programa do submarino nuclear, conforme indicou o Almirante em entrevista no ano passado.

Neste sentido, a desistência de Forman ao Conselho após a recente divulgação pela imprensa de sua condenação na CVM por um processo de 2016 pode ser um indicativo dessa tensão entre os setores do governo, uma vez que pelo histórico do geólogo é possível observar uma maior afinidade com a ala militar, tendo em vista a sua passagem pela presidência da Nuclebrás e a sua proximidade com o ministro do MME, Bento Albuquerque.

De acordo com o cientista político e diretor técnico do Ineep, William Nozaki, a disputa entre liberais e militares, no entanto, pode encontrar convergências: “Acho que precisamos esperar e olhar com mais atenção para essa composição. Se olharmos a nova direção e conselho, me parece que há uma espécie de ‘divisão social do trabalho’: os civis-liberais vão cuidar de privatizar o downstream e os militares vão cuidar de manter o upstream alinhado aos interesses político-econômicos dos EUA”.

[Via INEEP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Por José Luiz Fiori, pesquisador do Instituto e Estudos Estratégicos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (INEEP), professor titular de Economia Política Internacional, Instituto de Economia, Universidade Federal do Rio de Janeiro; coordenador do GP do CNPq “Poder Global e Geopolítica do capitalismo” e do Laboratório “Ética e poder global”, do Nubea/UFRJ. Publicou recentemente o livro “Sobre a Guerra” (Editora Vozes, Petrópolis, 2018)

Geopolítica e fé

Três anos depois do início das sanções econômicas americanas contra a Venezuela, o presidente Donald Trump anunciou, numa entrevista coletiva no estado de New Jersey – concedida no dia 14 de agosto de 2017 – que os EUA poderiam fazer uma ação militar na Venezuela. E um ano depois, no dia 8 de agosto de 2018, o jornal NYT noticiou que, de fato, vários funcionários americanos já haviam se reunido com militares venezuelanos, para promover a derrubada do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Por outro lado, e dentro deste mesmo tabuleiro, no mesmo mês de agosto de 2018, o presidente venezuelano visitou Pequim e recebeu o apoio político e financeiro do presidente Xi Jinping, assinando 28 acordos de cooperação com a China, nas áreas de energia e mineração. 

Tais acordos alargam e aprofundam uma relação econômica de mais de uma década, que já superou a casa dos 50 bilhões de dólares emprestados ou investidos em 780 projetos econômicos financiados pelos chineses ou montados em parceria com os venezuelanos. Paralelamente, o presidente Maduro visitou e foi recebido na cidade de Moscou como um “aliado estratégico” da Rússia, com quem assinou acordos de investimento, no valor de R$ 6 bilhões de dólares, destinados aos setores de petróleo e mineração de ouro. 

Não há dúvida, no entanto, de que esse “conflito anunciado” mudou de qualidade, no dia 10 de dezembro do ano passado, quando aterrissaram no aeroporto internacional de Caracas dois bombardeiros estratégicos Tu-160, um avião de transporte militar An124 e uma aeronave Il-62, da Força Aeroespacial da Rússia, para participar de exercícios militares conjuntos com as forças venezuelanas. Nesse momento, com toda certeza, a Venezuela mudou de posição no cenário internacional e passou a ocupar outro lugar, muito mais importante, na competição entre as três grandes potências que lutam pelo poder global neste início do século XXI.

Uma disputa aberta e sem fim previsível que se acelerou na segunda década do século, depois da posse de Vladimir Putin e Xi Jinping, em 2012 e 2013, respectivamente, e ainda mais, depois da posse de Donald Trump, em janeiro de 2017. Como todos os analistas já entenderam, Donald Trump abandonou a velha política norte-americana de apoio e promoção ativa de regras e instituições de governança multilateral e adotou, como bússola de sua política externa, o modelo westfaliano de solução dos conflitos mundiais, através da competição e do uso agressivo do poder econômico como arma de guerra, e o uso permanente da ameaça militar para o caso em que as sanções econômicas não funcionem. Trata-se de uma luta sem quartel e sem religião, orientada pelo mesmo nacionalismo econômico da Rússia e da China, e de todos os demais países que têm ainda algum peso no sistema mundial. 

O petróleo não é a causa de todos os conflitos do sistema internacional. Não há dúvida, entretanto, de que a grande centralização de poder que está em curso no sistema interestatal também está transformando a permanente luta pela “segurança energética” dos Estados nacionais numa guerra entre as grandes potências pelo controle das novas reservas energéticas que estão sendo descobertas nos últimos anos. Uma guerra que se desenvolve palmo a palmo, e em qualquer canto do mundo, seja no território tropical da África Negra ou nas terras geladas do Círculo Polar Ártico; seja na turbulentas águas da Foz do Amazonas ou na inóspita Península de Kamchatka. 

Não há dúvida de que as descobertas mais importantes e promissoras deste início de século foram as areias betuminosas do Canadá, o pré-sal brasileiro e o cinturão do rio Orinoco, na Venezuela. Este transformou a Venezuela na maior reserva de petróleo do mundo, calculada hoje em 300 bilhões de barris, enquanto as areias monazíticas transformaram o Canadá na terceira maior reserva, estimada em 170 bilhões de barris, logo depois da Arábia Saudita, mas muito à frente do Brasil. Este assim mesmo saltou para o décimo-quinto lugar do ranking mundial, com reservas estimadas de 13 milhões de barris¹, 2 sem levar em conta, evidentemente, as estimativas de alguns centros de pesquisa que falam que haveria até 176 bilhões de barris de reserva em todo o “polígono do présal” brasileiro. 

Se somarmos a isto o salto da produção americana de petróleo e de gás, nos últimos três ou quatro anos, produzido pelo “fracking boom”, entenderemos por que o continente americano está se transformando no novo grande foco da geopolítica energética mundial. E entenderemos também duas outras coisas: a decisão norteamericana de voltar a ser o maior produtor de petróleo do mundo, e pivot ou controlador – em última instância – dos níveis de produção e preço do mercado mundial de petróleo. 

O problema é que agora, do outro lado desta disputa, já não está apenas a OPEP, liderada pela Arábia Saudita, que segue sendo um “Estado-cliente” dos Estados Unidos. Está a Rússia, que é o segundo maior produtor mundial de petróleo, e que está cada vez mais próxima e articulada com a OPEP, e com a própria Arábia Saudita. E está ainda a China, cada vez mais interessada em diversificar e garantir seu fornecimento de energia, impedindo ao mesmo tempo que os Estados Unidos imponham sua supremacia e seu controle sobre o mercado do petróleo, somando-o ao controle que já exercem sobre a moeda de referência internacional. 

Tudo indica que essa disputa deverá se acirrar ainda mais no ano de 2019, quando os EUA estarão tentando aumentar a produção mundial de óleo, enquanto a Rússia e a OPEP estarão forçando na direção contrária. Mesmo ano de 2019 no qual, aliás, a OPEP será presidida pela Venezuela, e a Rússia talvez entre na organização com o apoio da Arábia Saudita. Dessa perspectiva, talvez se possa compreender melhor a “ordem unida” que os norte-americanos decidiram impor em seu hemisfério, e o enfrentamento geopolítico e geoeconômico que se anuncia na Venezuela. 

Dentro desse quadro de enorme complexidade econômica e geopolítica, soa absolutamente delirante, quase infantil, imaginar que está sendo travada na Venezuela uma batalha em defesa da fé cristã, e dos valores e arquétipos da civilização ocidental. Esse tipo de visão milenarista costuma reaparecer de tempos em tempos, em certas idades, e em alguns momentos da história, mas não costumam chamar atenção nem causar maiores danos coletivos enquanto se mantenham como uma fantasia individual. 

No entanto, tudo muda de feição quando esses arroubos milenaristas se transformam numa Cruzada que pode dar lugar a uma guerra insana – neste caso, envolvendo pelo menos três países da América do Sul que não têm a menor experiência, nem a menor competência técnica, logística e psicológica para fazer uma guerra com suas próprias pernas. Em momentos como este, de grande exuberância teológica e entusiasmo salvacionista, é bom lembrar aos cruzados uma velha lição da história, a respeito dessas “guerras santas”, entre pequenos “peões militares” terceirizados pelas grandes potências: depois que começam, elas não costumam ter fim.


 Fonte:

¹ Dados publicados em 1º de janeiro de 2017, no The World Factbook, da Central Intelligence Aghency/ CIA, www.cia.gov/library

[Via INEEP]

Publicado em Petróleo

Em artigo publicado na Revista Forum, Rodrigo Leão (*) e Rafael Rodrigues da Costa (**) alertam que medidas e instrumentos pontuais, embora possam auxiliar na administração dos preços, não são capazes de lidar com problemas estruturais de um mercado extremamente complexo. Leia a íntegra:

Nesta semana, a Diretoria Executiva da Petrobras aprovou um mecanismo de proteção à politica de preços do diesel, cujo objetivo é possibilitar mais flexibilidade à gestão dos preços de forma que “em momentos de volatilidade no mercado, [a empresa] possa ter a opção de alterar a frequência dos reajustes diários (…) no mercado interno”. Essa é mais uma medida adotada pela Petrobras em função do fim do subsídio do diesel do Governo Federal. Tal medida visa, ao mesmo tempo, não gerar um descolamento aos preços internacionais e atenuar a incorporação da volatilidade dos mercados globais de commodities.

Desde a gestão Graça Foster/Dilma, a Petrobras tem enfrentado dificuldades na administração dos preços dos derivados de combustíveis. Durante esse primeiro momento, ela foi caracterizada por um longo e rígido controle dos preços internos que não internalizou eventuais mudanças na cotação internacional do petróleo. Após a chegada do presidente Aldemir Bendine e, principalmente, na gestão Pedro Parente, houve uma mudança “radical” nessa política, marcada pelos reajustes sequenciais dos preços internos, levando-se em conta somente as variações cambiais e as mudanças do valor internacional do barril do petróleo.

O INEEP já escreveu exaustivamente sobre os problemas dessas duas estratégias que, na prática, não conseguiram adotar uma política que tivesse como parâmetro os preços internacionais, evitar a volatilidade de preços e, simultaneamente, não gerar um cenário de incerteza para os consumidores. A medida adotada pela Petrobras pode auxiliar em momentos de grande euforia nos mercados, mas não é suficiente caso haja um novo cenário de expansão continuo dos preços internacionais.

Nesse sentido, é fundamental a formulação de uma estratégia que não apenas forneça ampla flexibilidade na gestão dos preços, como também mantenha algum grau de alinhamento com os preços internacionais. Por isso, a política não pode se resumir à determinação dos preços nas refinarias, mas também deve contemplar as outras variáveis de formulação dos preços, principalmente os tributos incidentes sobre os derivados.

Em recente documento, os técnicos da Secretaria de Acompanhamento Fiscal, Energia e Loterias (Sefel) ligada ao Ministério da Fazenda defenderam que a melhor alternativa para o sobe e desce nos preços dos combustíveis seria a implementação de um Mecanismo Automático de Amortecimento de Preços (MAAP). Nele, uma nova Cide (tributo que incide sobre combustíveis) subiria quando o petróleo estiver mais baixo e baixaria quando o preço ficar maior no exterior.

“O MAAP é amplamente utilizado na comunidade internacional para que aumentos nos preços internacionais de combustíveis (gasolina, diesel, querosene, óleo combustível e GLP) não sejam repassados na sua totalidade, evitando tanto aumentos quanto quedas abruptas nos preços internos de varejo”, diz o texto.

A Fazenda sugere o encaminhamento de um projeto de lei que permita que a Cide possa variar de acordo com os preços internacionais do petróleo. E destaca que o tributo não teria o objetivo de reforçar a arrecadação. A ideia seria manter a carga tributária neutra. Assim, o aumento do tributo poderia ser compensado pela redução do PIS/Cofins e da atual Cide.

“De modo apenas ilustrativo, a nova Cide poderia partir de uma alíquota correspondente à soma das duas contribuições, de R$ 0,8925/litro (para o atual patamar de preços do petróleo), com a redução a zero das alíquotas das atuais Cide e PIS/Cofins”, diz o documento da Fazenda.

Esse instrumento seria uma primeira alternativa para lidar de forma mais estrutural com a gestão dos preços, preservando algum alinhamento com o mercado internacional, mas tomando como aspecto mais relevante as oscilações do mercado interno, os potenciais impactos sobre a demanda e a redução do grau de incerteza.

O que isso deixa claro é que a política de preços dos derivados necessita de uma estratégia sólida e de longo prazo que leve em conta os preços das refinarias, dos importadores e os tributos. Para isso, o único parâmetro não pode ser os preços relativos (câmbio e cotação do barril internacional do petróleo), mas também as alíquotas dos tributos, as variações na demanda, a questão temporal entre outros.

Em suma, medidas e instrumentos pontuais, embora possam auxiliar na administração dos preços, não são capazes de lidar com problemas estruturais de um mercado extremamente complexo, cuja oscilação da oferta e demanda é quase imprevisível. Por isso, é inadiável a formulação de uma estratégia sólida que envolva não apenas a Petrobras, mas os demais atores do setor.

> Leia também: Queda recente e volatilidade no longo prazo: o Ineep aponta as tendências do preço do petróleo

*Rodrigo Leão é mestre em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp; diretor-técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP) e pesquisador do NEC da Universidade Federal da Bahia

**Rafael Rodrigues da Costa é sociólogo pela Fesp e assistente de pesquisa do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP)

 

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O Sindipetro CE/PI entrevistou os economistas Eduardo Costa Pinto e Rodrigo Leão sobre os rumos da política energética e da Petrobrás no governo de Jair Bolsonaro. A conversa foi feita durante participação dos pesquisadores do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP) na conferência "A geopolítica ambiental das nações e seus impactos no Brasil", realizada pela Universidade Federal do Ceará, no dia 31 de outubro. Confira a íntegra da entrevista:

Sindipetro CE/PI: Qual o projeto de Paulo Guedes e de Bolsonaro para a Petrobrás?

Rodrigo Leão: Muito difícil saber. As notícias que temos hoje é que há uma disputa entre a os militares e o Paulo Guedes. Ele [Bolsonaro] tem falas soltas, como ‘o miolo da Petrobrás será preservado’, mas o que seria ‘miolo’? Na minha concepção, o ‘miolo’ é do E&P até a distribuição. Poderia dizer que ele privatizaria fertilizante, petroquímica, agora já tenho ouvido que ele privatizará a BR Distribuidora, que para mim é ‘miolo’. Então existe essa dificuldade, pois até a terminologia é superficial. Com essa disputa interna pelo comando da Petrobrás, entre militares e liberais, não há clareza nenhuma.

Eduardo Costa: A verdade é que ele não tinha nenhum programa, nada setorial para a discussão da questão energética. Se for na linha mais liberal, provavelmente seguirá o que está agora [governo Temer], pois o governo Bolsonaro tende a ser um Temer 2, com quadros piores, pois parte dos liberais que estão agora no governo Temer não topam ir para o governo Bolsonaro. A Petrobrás é central para a ala militar, tanto é que o Mourão [vice-presidente de Bolsonaro] já deixou claro que Minas e Energia será um Ministério separado, mostrando que os militares tem interesse na questão energética. Se for uma linha Paulo Guedes vai ser o mesmo projeto em curso atual, de privatizações e dos preços de combustíveis acompanhando a tendência internacional, gerando inflação e tensão nos combustíveis.

Por outro lado se o comando ficar realmente com os militares a gente também não tem clareza pois a experiência que temos deles nesse comando é dos anos 80, e será a primeira vez que teremos como primeiro presidente um militar.

Não é a toa que Bolsonaro não foi aos debates, porque ele não tinha programa de governo.

Sindipetro CE/PI: Um dos argumentos usados pelos liberais para justificar privatizações é que quando as estatais tem prejuízo, o povo tem prejuízo, como se o governo salvasse os prejuízos dessa estatal. Como desconstruir de forma simples?

Rodrigo Leão: Primeiro que a Petrobrás não tem prejuízo.

Eduardo Costa: Ela teve prejuízo em 2015 e 2016, mas todas petroleiras mundiais tiveram.

Rodrigo Leão: É preciso ter clareza que a Petrobrás é uma empresa de capital aberto, ela não tem dinheiro do tesouro, ele não desembolsa dinheiro da Petrobrás. É diferente do BNDS, da Embrapa, que o Tesouro vai lá e aporta dinheiro, a Petrobrás não, é uma empresa de capital aberto que está na bols [de valores], então esse discurso é errado e tecnicamente equivocado.

Eduardo Costa: Na realidade é o contrário, quem recebe dinheiro da Petrobrás é o Tesouro. Outro ponto é que o prejuízo contábil também é impactado pelo preço do petróleo.

Rodrigo Leão: Teve prejuízo em 2015 por causa do preço do barril e no outro ano por questões contábeis. A avaliação que o INEEP faz disso é que o preço do petróleo deveria ser contabilizado como de longo prazo, pois não se pode chegar num momento em que o preço cai para fazer uma baixa contábil. Nos anos 70 o preço subiu, nos 80 caiu muito. O preço do Barril caiu para 40 dólares e agora já voltou para $ 80, e a Petrobrás pegou um momento para se subvalorizar e facilitar sua própria venda.

Eduardo Costa: Esse tipo de estratégia é muito usado por gestores que gostam de dizer que pegaram a empresa ruim, desvalorizada e entrega como uma gestão melhorada, ‘consertada’. Pensando no seu passe para a próxima empresa.

Rodrigo Leão: Temos que deixar claro o seguinte: os liberais sempre condenaram as gestões do PT de fazer uma gestão política da empresa. A gestão de uma empresa pública é política por natureza, o papel dela é um papel político do ponto de vista social.

Eduardo Costa: Para complementar a fala do Rodrigo: quem é dono da empresa pública é a população, portanto ela tem que gerar benefícios não só para o acionista minoritário.

Rodrigo Leão: Vamos pegar a exemplo da Chevron, para quem acha que ela faz o que ela quer e o Ministério de Minas e Energia norte-americano não influencia nela. Quando ela vem ao Brasil, ela vem com uma diretriz clara do governo para vir. Essas petrolíferas do mundo inteiro, seja privada ou estatal, também seguem lógica do ponto de vista dos preços internacionais, da estratégia governamental, segurança energética, etc. A natureza de empresas desse setor seguem essa linha.

Eduardo Costa: Esse debate de que a Petrobrás deveria ser menor para gerar concorrência está na origem da fundação da Petrobrás. Parte da elite acredita que não temos capacidade, nem financeira, nem tecnológica. E como não teríamos essa capacidade de gestão, teríamos que diminuir a Petrobrás, e isso é uma falácia. Pois a gente desenvolveu tecnologia que descobrimos o pré-sal e isso é central. As grandes petrolíferas mundiais querem a tecnologia que temos.

Sindipetro CE/PI: O que seria necessário afirmar para enterrar de vez o argumento usado por liberais que reivindicam o  ‘fim do monopólio da Petrobrás’?

Rodrigo: O problema dessa discussão, o que me incomoda neste debate é que, se você é liberal do ponto de vista ideológico, você acredita que é melhor um mercado aberto, isso é uma visão sua, tudo bem você escolher e seguir com isso. Mas [liberais] dizer que existe monopólio? Deixou de ser há 20 anos, é preciso ser honesto nesse debate.

Liberais acham que a Petrobrás funciona como uma padaria, onde a concorrência vai baixando o preço do pão. Mas a lógica de mercado petroleiro é completamente diferente, quem define o preço do petróleo é um grupo da Arábia.

Deixando bem claro que o mercado de petróleo no Brasil nunca foi monopolizado, você tinha no refino e no E&P, a distribuição era livre. Em 1997 abriu tudo, todos os setores foram abertos. O que acontece é que as empresas não tem interesse em investir nesses setores. As estrangerias querem as reservas de petróleo, só isso.

[Via Sindipetro-CE/PI]

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Por Caroline Scotti Vilain, pesquisadora do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP) e consultora do Pacific Institute for Research and Evaluation (PIRE)

A Transportadora Associada de Gás (TAG), empresa controlada pela Petrobras, é mais um dos ativos que compõe o plano de desinvestimento da estatal, pretendendo vender 90% de suas ações. Duas empresas estão interessadas neste ativo, a francesa Engie e o fundo canadense Caisse de Depot et Placement du Quebec, segundo notícia recente do jornal Valor Econômico. Ambas planejam oferecer até US$ 9 bilhões (R$ 34 bilhões) para fechar negócio. Após ter sua oferta barrada no Supremo Tribunal Federal (STF), a Petrobras mantém sua posição de se desfazer da TAG ainda este ano por meio de dispositivo da Lei do Petróleo para retomar a negociação.

Com 4,5 mil quilômetros de gasodutos no Nordeste do país, a TAG é o ativo mais valorizado do programa de desinvestimentos da estatal. Além do aspecto econômico, a TAG foi resultado de uma visão estratégica do governo federal para garantir a oferta de gás natural às termelétricas do Nordeste e Sudeste por meio da expansão das malhas de gás. Esse aspecto é um dos pilares para que, em épocas de escassez de chuvas, as termelétricas pudessem atender com segurança a demanda de energia nacional. Com efeito, a Petrobras tinha o papel de coordenar toda a malha de gás nacional garantindo o abastecimento das termelétricas.

Porém, como afirmam os pesquisadores do Ineep, Rodrigo Leão e William Nozaki, “a política de desinvestimentos da estatal tem desmontado essa estrutura patrimonial principalmente com a venda de parte da Transportadora Associada de Gás S.A. (TAG) por meio da alienação de suas redes dutoviárias (TNS, NTS, NTN)”. A Petrobras já realizou o processo de venda de 90% de sua participação na NTS. O objetivo agora, como mencionado, é alienar mais 90% das ações da TAG, cuja capacidade de transporte é de 74.670 MMc/dia.

A TAG está presente nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. Ela é responsável pelo transporte de gás natural entre o Rio de Janeiro e todos os estados do Nordeste até o Ceará. Para além de sua presença expressiva no Brasil, esta subsidiária também trabalha com um insumo importante. O gás natural é uma fonte importante nos processos de transição energética, por ser menos poluente.

Eles apontam também que o mercado de gás tem se tornado cada vez mais integrado e flexível em nível global por conta do crescimento do uso do gás natural liquefeito (GNL). O processo de liquefação e regaseificação do gás abre novas formas de transporte, como por navios, tornando o mercado deste produto muito mais flexível.

Um recente estudo do BNDES destaca “o transporte de gás natural não é trivial. Ademais, deve-se ter em mente que é muito mais difícil estocar gás natural do que petróleo e seus derivados, cujos estoques são facilmente reguláveis. Então, os custos de logística são determinantes para viabilizar a colocação do gás natural no mercado. São necessários pesados investimentos de longa maturação”.

O mesmo estudo ressalta a importância do banco de desenvolvimento para financiar as obras de infraestrutura do setor. Entre essas, cabe destacar as malhas do Nordeste e Sudeste, o gasoduto Urucu-Manaus, além de investimentos em distribuidoras. Somente com créditos para infraestrutura de gás, o BNDES desembolsou quase R$ 20 bilhões entre 1998 e 2014. Essa atuação do BNDES associado ao papel da Petrobras de grande produtor e operador do setor permitiu uma expansão da malha de gasodutos em consonância com o crescimento da produção de gás natural.

O horizonte de expansão do pré-sal e de redução do preço podem gerar capacidade de maior utilização do gás natural para fornecer energia elétrica no Brasil. Com a paulatina retirada da Petrobras no setor de gás, contudo, coloca-se em risco a expansão de investimentos num setor crucial para o abastecimento energético do Brasil.

Isso não significa dizer que atores privados não são bem vindos, mas sim que sua entrada deve complementar os investimentos em infraestrutura e até como produtores sem, todavia, eliminar o papel de coordenação da Petrobras. Isto é, a entrada de recursos privados para construção de novos gasodutos e produção do gás natural pode auxiliar o desenvolvimento do setor, mas é preciso manter um ator que coordene a oferta e a demanda do gás, bem como garanta sua fornecimento a despeito dos ciclos econômicos.

Em conclusão, a Petrobras tem se pautado no desinvestimento em setores importantes, como o de gás natural, para apresentar resultados financeiros positivos. Isto pode impactar severamente em sua integração enquanto empresa, nos seus custos logísticos e na eficiência de seu funcionamento. Além disso, trata-se de um risco de fragilizar a coordenação de um setor que é fundamental para atender ao consumo das indústrias e das famílias brasileiras.

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Na sexta-feira, 28, a FUP e outras entidades de trabalhadores de empresas estatais participam de audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), para debater a decisão do ministro Ricardo Lewandowski, que proibiu as vendas de ativos e privatizações de empresas estatais, sem autorização do Poder Legislativo. O debate contará com 19 grupos de expositores, entre eles, o coordenador em exercício da FUP, Simão Zanardi Filho, a conselheira eleita da Transpetro, Fabiana dos Anjos, o pesquisador do INEEP, William Nozaki, e o economista do Dieese, Adhemar Mineiro.  

A audiência foi convocada pelo ministro Lewandowski, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) apresentada pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenaee) e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/Cut), que questionam a Lei das Estatais (13.303/2016), que impôs uma série de alterações aos estatutos das empresas empresas federais, estaduais e municipais de capital aberto, para que atuem como sociedades privadas.

A Lei, feita sob medida para facilitar a privataria do governo Temer, permite, por exemplo, a dispensa de licitações públicas e a transferência de controle acionário para terceiros, que foi vetada por Lewandowski, através de liminar, expedida no dia 27 de junho.

A Ação que questiona a constitucionalidade da Lei 13.303/17 é um dos instrumentos de resistência do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, que reúne petroleiros da FUP, bancários da CUT, eletricitários, engenheiros e outras categorias na luta contra a privatização e sucateamento das estatais. 

Privatizar faz mal ao Brasil

A audiência do dia 28 de setembro será uma oportunidade dos petroleiros e dos demais trabalhadores de empresas estatais demonstrarem os prejuízos que as privatizações têm causado à sociedade brasileira. A desindustrialização e a desnacionalização de segmentos estratégicos para o desenvolvimento do país, como os de óleo e gás e de energia elétrica, são reflexos diretos das vendas de ativos e das transferências de controles acionários das empresas do setor.

Após a liminar expedida por Lewandowski, a gestão da Petrobrás foi obrigada a interromper a venda das refinarias e dos terminais, bem como de todos os ativos que estavam sendo entregues a valores irrisórios. Daí importância do STF se posicionar a favor do patrimônio público.

Programação da audiência

A audiência pública será realizada em dois blocos de debates, das 9h às 12h10 e das 14h às 18h10, com 20 minutos cada apresentação. O debate ocorrerá no Anexo II-B do tribunal (sala da Primeira Turma), das 9h às 19h, com transmissão pela TV Justiça. Veja a disposição da audiência divulgada pelo STF:

PRIMEIRO BLOCO

9 horas – Abertura dos trabalhos

9h10 – Grupo 1

CUT, FUP, CTB

Expositores: Celso Luiz Nunes Amorim, Paulo César Ribeiro Lima, Juvandia Moreira e Roni Anderson Barbosa

9h30 – Grupo 2

Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

Expositores: Herbert Claros da Silva e Aristeu César Pinto Neto

Engenheiro Aeronáutico

Expositor: Wagner Farias da Rocha

9h50 – Grupo 3

Instituto Brasileiro de Direito Administrativo – IBDA

Expositor: Luciano de Araújo Ferraz

Instituto Brasileiro de Economia - FGV IBRE

Expositor: Samuel Pessoa

10h10 – Grupo 4

Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa – FENAE

Expositores: Gilberto Bercovici, Martônio Barreto, Pedro Serrado, Jair Pedro Ferreira e Claúdio Pereira de Souza Neto

Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – CONTRAF

Expositor: Luiz Alberto dos Santos

10h30 – Grupo 5

Economista e Professor da Universidade Estadual de Campinas

Expositor: Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo

Federação Nacional dos Engenheiros

Expositor: Murilo Pinheiro

10h50 – Grupo 6

ID Global

Expositor: Caio Henrique Yoshikawa

Eletrobrás

Expositores: Luiz Augusto P.A. Figueira, Renan Antunes, Felipe Baptista, Pedro Paulo Cunha, Maurício Carvalho Mazzini e André Avellar Torres

11h10 – Grupo 7

Associação de Empregados de Furnas

Expositor: Felipe Sousa Chaves

Associação dos Profissionais dos Correios – ADCAP

Expositor: Maurício Fortes Garcia Lorenzo

11h30 – Grupo 8

Auditoria Cidadã da Dívida

Expositora: Maria Lúcia Fattorelli

Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas

Expositora: Maria Rita Serrano

11h50 – Respostas aos questionamentos adicionais ou manifestação sobre a exposição realizada; questões em face de outros expositores, as quais serão mediadas pelo Ministro Relator.

SEGUNDO BLOCO:

14h – Grupo 9

 Anamatra

Expositor: Guilherme Guimarães Feliciano

Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE

Expositor: Adhemar Mineiro

14h20 horas – Grupo 10

Petrobrás

Expositor: Carlos Ari Sundfeld

BR Distribuidora

Expositores: Daniel Hadid, Enrico Severini Adriolo e Hilton Cavalcanti Gama

14h40 – Grupo 11

Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis – INEEP

Expositores: William Nozaki e Simão Zanardi Filho (coordenador da FUP)

Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão – FITERT

Expositor: Raimundo Cezar Britto Aragão

15 horas – Grupo 12

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES

Expositor: Rodolfo Torres dos Santos

Secretaria do Tesouro Nacional

Expositores: Charles Carvalho Gudes e Bruno Cirilo Mendonça de Campos

15h20 – Grupo 13

Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo – MPCESP

Expositora: Élida Graziane Pinto

Federação Nacional dos Petroleiros – FNP

Expositora: Raquel de Oliveira Sousa

15h40 – Grupo 14

Banco do Brasil

Expositores: Alexandre Bocchetti Nunes e Pablo Sanches Braga

Caixa Participações S/A.

Expositores: Osvaldo Garcia e Gryecos Attom Valente Loureiro

16h – INTERVALO

16h10 – Grupo 15

Conselho de Administração, Representante dos Empregados da Eletrobrás

Expositor: Carlos Eduardo Rodrigues Pereira

Conselho de Administração, Representante dos Trabalhadores - Transpetro

Expositora: Fabiana dos Anjos

16h30 – Grupo 16

Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão

Expositores: Fernando Antônio Ribeiro Soares e Mauro Ribeiro Neto

16h50 - Grupo 17

Governo do Estado da Bahia

Expositor: Paulo Roberto Britto Guimarães

Associação dos Profissionais em Saneamento – APS

Expositor: Rodrigo Santos Hosken

17h10 horas – Grupo 18

Laboratório de Regulação Econômica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ

Expositor: José Vicente Santos de Mendonça

Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural – ATGÁS

Expositora: Luciana Bastos de Freitas Rachid

17h30 – Grupo 19

Ministério de Minas e Energia – MME

Expositoras: Marisete Fátima Dadald Pereira e Renata Becker Isfer

Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP

Expositores: Décio Fabricio Oddone da Costa e Evandro Pereira Caldas

17h50 – Respostas aos questionamentos adicionais ou manifestação sobre a exposição realizada; questões em face de outros expositores, as quais serão mediadas pelo Ministro Relator.

18h10 - Encerramento

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No encerramento da VII Plenária Nacional da Federação Única dos Petroleiros, no último dia 05, o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível Zé Eduardo Dutra (INEEP) lançou seu primeiro livro: "Energia e Petrolíferas Globais: Transformações e Crise".

A obra, organizada pelos diretores técnicos do INEEP, Rodrigo Leão e William Nozaki, tem prefácio do ex-ministro Celso Amorim e reúne artigos produzidos pelos pesquisadores do Instituto. O objetivo é disseminar conteúdo qualificado para áreas de interesse em torno da geopolítica do petróleo.

Editado pela Flacso - Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, o livro foi financiado pela FUP e conta com textos dos pesquisadores Caroline Vilain, Cloviomar Pereira, Eduardo Costa Pinto, José Luís Fiori, José Sérgio Gabrielli, Paola Azevedo, Rafael Rodrigues, Rodrigo Leão e William Nozaki.

Durante o lançamento na Plenafup, foram distribuídas 280 cópias para os trabalhadores, assessores e convidados que participaram da plenária.

O livro pode ser adquirido gratuitamente, através de download na página do Ineep: https://www.ineep.org.br/livro1

[FUP]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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