Plenária foi realizada de forma virtual, entre os dias 12 e 15, com participação de cerca de 150 petroleiros e petroleiras em cinco mesas temática e trabalhos em grupo

[Imprensa da FUP]

Com participação de cerca de 150 petroleiros e petroleiras de norte ao sul do país, foi encerrada neste domingo, 15, a IX Plenária Nacional da FUP, que, ao longo dos últimos quatro dias, realizou debates estratégicos para a luta em defesa da soberania nacional e da democracia. Com o tema “Energia para reconstruir o Brasil”, o evento ocorreu de forma virtual, devido à pandemia da Covid-19, com a maior parte das atividades realizadas em salas fechadas de videoconferência.

A plenária aprovou um conjunto de propostas para um novo modelo energético, que garanta o abastecimento nacional, com preços justos para a população, transição para fontes limpas de energia e que tenha como eixo a reconstrução da Petrobrás como empresa pública, integrada e motora do desenvolvimento nacional. Entre as principais deliberações, estão a interrupção imediata dos leilões de petróleo e das privatizações e a retomada do controle acionário da empresa pelo Estado rasileiro.

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Ampliação da representação sindical

A plenária também discutiu temas estruturantes para a organização sindical da categoria petroleira, no enfrentamento à precarização das condições de trabalho decorrentes do processo de desmonte do Sistema Petrobras. As deliberações apontam para a ampliação da representação dos trabalhadores terceirizados e de operadoras privadas de petróleo, na busca pela construção de uma convenção coletiva para todo o setor petróleo, envolvendo tanto os trabalhadores da Petrobrás, quanto do setor privado. O fortalecimento das pautas LGBTQIA+ e da luta sindical contra todas as formas de opressão também tiveram papel de destaca nos debates da IX Plenafup.


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Resistência nas ruas e nas urnas

“A reconstrução da Petrobras só será possível com a derrota do projeto genocida e fascista do governo Bolsonaro e seus aliados. Nossa resistência tem que ser nas ruas e nas urnas, em 2022. Para isso, temos que continuar o nosso enfrentamento diário ao desmonte do Sistema Petrobrás, resistindo aos ataques e fazendo a disputa nas ruas, com uma agenda unitária de luta, com as categorias que estão sofrendo com o desmonte do patrimônio público, de forma a envolver todos os setores organizados da classe trabalhadora na defesa da democracia e na luta pela reconstrução do país”, afirmou o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar.


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Acordo Coletivo

A Plenafup não discutiu temas relacionados à campanha reivindicatória, pois o Acordo Coletivo de Trabalho negociado ano passado com a Petrobrás tem validade até agosto de 2022. No entanto, em função dos graves ataques que os trabalhadores vêm enfrentando em plena pandemia da Covid-19, questões como saúde e segurança, regimes e jornadas de trabalho, AMS e Petros tiveram grupos de trabalho específicos, que deliberaram sobre propostas e encaminhamentos feitos pela categoria nos congressos regionais.


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As deliberações da IX Plenária Nacional da FUP serão sistematizadas e divulgadas ao longo dos próximos dias.

 

 

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A disputa da energia é uma disputa social, alertaram a diretora da FUP, Cibele Vieira, e o ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, na última mesa temática da IX Plenafup

[Da imprensa da FUP]

A última mesa de debate da IX Plenafup, realizada no sábado (14) à tarde, teve como tema “Energia para reconstruir o Brasil e a proposta dos petroleiros e petroleiras” e contou com a participação do ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que integra o grupo de pesquisadores do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP). Ele dividiu a mesa com a diretora da FUP, Cibele Vieira, que traçou um panorama dos principais desafios enfrentados pela organização sindical petroleira, diante do desmonte do Sistema Petrobrás e de uma gestão que espelha o projeto antidemocrático do governo Bolsonaro.

“No começo de 2020, a conjuntura nos levou a uma grande greve, a maior greve depois de 1995, mesmo tendo passado pela greve de 2015, em 2020 foi um nível de acirramento ainda maior e com uma pauta absurda, uma pauta que era cobrar um espaço negocial. Nós ocupamos uma sala no EDISE, na simbologia de que era uma sala no andar do RH onde era para serem feitas negociações, só que era um espaço vazio, não existia negociação, pois a empresa com essa nova gestão não reconhece o movimento sindical. Por isso essa exacerbação das negociações individuais”, lembrou.

Cibele chamou atenção para os desafios que a categoria petroleira e o movimento sindical têm enfrentado, com o avanço das privatizações e a precarização das condições de trabalho decorrentes deste processo. Ela observou que, apesar da Petrobrás ainda ser a principal petrolífera do país, está cada vez perdendo mais espaço dentro da indústria nacional do setor.  

Desde a quebra do monopólio da estatal, em 1997, os governos brasileiros realizaram 16 leilões de campos de petróleo no modelo de concessão e sete, no modelo de partilha do pré-sal, o que significou a entrada de 69 operadoras no setor de óleo e gás. Atualmente, são cerca de 101 empresas de petróleo atuando no Brasil, sendo 51 nacionais e 50 estrangeiras.

A Petrobrás, que em 2010 era responsável por 93% da produção nacional de óleo e gás, em 2020 representava 73%. Ou seja, uma redução de 20% na última década. Soma-se a isso, a desintegração do Sistema, com a privatização de 32 ativos entre 2014 e 2021, incluindo subsidiárias, empresas de logística, plantas de fertilizantes, termelétricas, usinas de biodiesel.

Os dados foram apresentados por Cibele, com base em levantamento feito pela subseção do Dieese da FUP e estudos do INEEP.


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 “Tudo isto que está acontecendo está dentro do contexto do que a gente vai retratar aqui, acho que a plenária e essa mesa, Energia para reconstruir o Brasil, nos faz questionar, de onde vem essa energia? Vem do petróleo, afinal o petróleo é uma energia, mas quem faz a disputa por essa energia para reconstruir o Brasil? Não é lá no fundo do poço que isso acontece, isso é uma disputa social”, afirmou Cibele. “Precisamos de um movimento sindical cada vez mais forte para fazer essa disputa”, destacou.

Em sua explanação, Gabrielli buscou discutir o que estará previsto para a indústria energética e a geopolítica mundial do setor petróleo de 2023 em diante, chamando atenção para o atual quadro de disputa entre os Estados Unidos e a China. “São dois modelos de sociedade que se diferenciam profundamente em relação ao papel do Estado”, afirmou, destacando que as duas nações também lidam de forma diversa com a transição energética.

“Os dois países estão vivendo um processo intenso de aceleração dos problemas de transição energética e dos esforços para atingir fontes renováveis de energia. Teremos a Cúpula do Clima em 2022. E chegaremos a 2023 com intensificação de políticas para fontes alternativas de energia”, ressaltou Gabrielli. 

O ex-presidente da Petrobrás lembrou que o setor de gás natural no Brasil sofreu mudanças profundas recentemente. “Há dois meses atrás, o gás natural passou por uma revolução regulatória e eu chamo atenção para essa reforma, que é uma brutal transformação na lei do gás, cujo objetivo fundamental é tirar a Petrobrás, o objetivo é explodir o setor do gás para dar espaço para o setor privado e reduzir ao máximo o papel da Petrobrás”, alertou.

Os debates levantados na mesa - que foi mediada pelos petroleiros Homero Pontes, eleito conselheiro da Transpetro, mas cuja posse até hoje não foi homologada pela empresa, e Marcus Ribeiro, coordenador do Sindipetro AM - serão aprofundados nos grupos de trabalho da IX Plenafup, que ocorrem neste domingo.

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Neste domingo, 15, último dia da IX Plenária Nacional da FUP, os debates estão sendo realizados em grupos de trabalho, onde os petroleiros e petroleiras se dividem por temas para discutir questões estruturais para a categoria e apontar planos de luta e estratégias de enfrentamento ao desmonte do Sistema Petrobrás. Este ano, não haverá discussão em torno da campanha reivindicatória, pois o Acordo Coletivo de Trabalho negociado ano passado com a Petrobrás tem validade até agosto de 2022. No entanto, em função dos graves ataques que os trabalhadores vêm enfrentando, serão discutidas nos GTs questões relativas à organização sindical, às condições de saúde e segurança, aos regimes e jornadas de trabalho e à AMS e Petros, com base nos debates feitos pela categoria nos congressos regionais.


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As temáticas estruturantes desta IX Plenafup irão girar em torno da organização dos trabalhadores para enfrentar o avanço das privatizações e a precarização das condições de trabalho decorrentes deste processo. “É imprescindível estruturamos formas de fortalecer a organização dos petroleiros e petroleiras, independentemente de serem próprios, terceirizados, estatal ou privado, com a inclusão das pautas contra todas as formas de opressão, sem fragmentar a luta da classe trabalhadora”, destaca a comissão organizadora da Plenária.

Os petroleiros e petroleiras também discutirão propostas de transição energética, assim como de enfrentamento ao processo de destruição da Petrobrás, buscando a construção de uma agenda unitária de luta com outras categorias que estão enfrentando o desmonte do patrimônio público, de forma a envolver todos os setores organizados da classe trabalhadora na defesa da democracia e na reconstrução do país, como destacou o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, na abertura da IX Plenafup.

Programação da IX Plenafup neste domingo, 15:

9h às 12h

Grupos de Trabalho:

GT-1 – Modo negocial e a representação sindical

GT-2 – Construção do modelo energético e a luta contra as privatizações

GT-3 – AMS e Petros

GT-4 A saúde, meio ambiente e segurança no trabalho, dentro e fora do espaço laboral

GT-5 – A reestruturação produtiva e os impactos no trabalho, regime e jornada

14h às 17h

Plenária final

[Imprensa da FUP]

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