Um trabalhador da Petrobrás morreu e outros cinco terceirizados estão internados em consequência de um acidente ocorrido a bordo do navio holandês que está transportando a P-70, que foi construída na China e está a caminho do Brasil desde o início de dezembro. A direção da empresa não deu maiores detalhes sobre o ocorrido. Segundo informações preliminares, os trabalhadores teriam sido vítimas de uma intoxicação por etanol.

No comunicado divulgado à imprensa, os gestores da Petrobrás confirmaram o fato, lamentando a morte do trabalhador, mas priorizaram informar ao mercado que o acidente não causaria prejuízos à empresa e nem atrasaria o cronograma de instalação da P-70.

A FUP lamenta a morte do petroleiro e está buscando maiores informações. As outras cinco vítimas da suposta intoxicação foram internadas em um hospital da África da Sul, onde o navio atracou para que os trabalhadores pudessem ser socorridos.

Este foi o segundo acidente fatal envolvendo petroleiros brasileiros nesse início de ano. Na madrugada do dia 09, o mergulhador Graciano Elvyis Silva, de 41 anos, contratado pela Petrobrás, morreu a bordo de uma embarcação na Bacia de Campos, que prestava serviços para a plataforma P-33.

Segundo relatos obtidos pelo Sindipetro-NF, ele teria jantado por volta das 19h e fez um mergulho aproximadamente à meia-noite. Ao retornar, avisou que estava se sentindo mal e desmaiou. O mergulhador chegou a ser socorrido, inclusive com massagem cardíaca e desfibrilador, mas não resistiu. O sindicato participará da comissão de apuração do acidente.

P-70 deveria ter sido construída no Brasil

O acidente no transporte da P-70 é uma tragédia em diversos sentidos. Além de uma vida perdida e da saúde de vários trabalhadores comprometida, o fato traz à tona a dramática situação que vive o Brasil em função dos desmandos e irresponsabilidades da operação Lava Jato.  Empregos e renda que poderiam ser gerados no país foram exportados para a Ásia, onde passou a ser construída a maior parte das plataformas encomendadas pela Petrobrás e por outras operadoras do Pré-Sal.

A P-70 é o penúltimo dos seis FPSOs replicantes encomendados no Brasil, mas cujas obras foram transferidas para estaleiros do Japão, Tailândia e China. A construção da embarcação, já estava em andamento no Brasil, no Porto do Açu, no Norte Fluminense, quando foi desmobilizada em 2015, no rastro da destruição que a Lava Jato causou ao setor naval.  Junto com a P-67, que também estava sendo construída no local, a P-70 migrou para a cidade chinesa de Qingdao e as obras passaram a ser tocadas pelo estaleiro China Offshore Oil Engineering Corporation (COOEC).

A história da P-70, assim como a da P-67 e dos outros FPSOs encomendados para o Pré-Sal, é uma tragédia anunciada. A Lava Jato levou ao colapso vários setores da economia brasileira que integram a cadeia produtiva de óleo e gás. A indústria naval e a engenharia nacional foram as mais prejudicadas. Mais de 60 mil postos de trabalho diretos e milhares de indiretos foram destruídos, em função do fechamento de estaleiros e da redução drástica dos contratos da Petrobrás.

A Lava Jato impactou também os setores metalomecânico, a construção civil e a engenharia pesada, cujas perdas beiram R$ 140 bilhões e mais de 900 mil empregos perdidos, segundo o “Balanço Econômico da Lava Jato”, estudo publicado em agosto de 2019 pelo Jornal dos Economistas.

Os abusos da Lava Jato, já há muito tempo condenados por empresários e especialistas, foram também alvo de crítica recente por parte do presidente do STF, ministro Dias Toffoli. Já o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, e a quadrilha bolsonarista que está destruindo a estatal, insistem em usar a corrupção como desculpa para acabar com o que ainda resta de empregos no país, amaldiçoando a política de conteúdo local e entregando as nossas riquezas às multinacionais.

[FUP]

Publicado em Petróleo

Em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, trabalhadores metalúrgicos vão continuar acampados em frente à fábrica de ônibus e caminhões da Mercedes-Benz. A mobilização começou na última segunda-feira (8), na tentativa de reverter cerca de 500 demissões anunciadas pela montadora em maio. Desde então, os metalúrgicos têm organizado movimentos como paradas em setores da produção, manifestações e, agora, o acampamento. Parte deles estava no chamado lay-off (suspensão do contrato de trabalho), com previsão de retorno no próximo dia 15, mas foram informados sobre as demissões.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, ressaltou o porte e a importância da empresa, que, segundo ele, tinha condições de buscar alternativas às demissões. "Essa não é uma empresinha qualquer, é empresa multinacional, muito estruturada, uma marca importante no mundo, Podia buscar suporte externo para atender, aqui, os empregos, trazendo produção de exportação para cá."

A ação busca reverter as demissões anunciadas pela montadora em maio, quando foram desligados 500 dos 750 funcionários afastados em regime de lay-off, desde o ano passado. "São em mobilizações como essas que nascem coisas novas. É só lutando que se consegue os objetivos na vida. E aqui não será diferente. Infelizmente, as negociações cessaram já há duas semanas. A direção de Recursos Humanos da empresa está em um seminário na Alemanha e esperamos que volte com alguma posição. Neste momento, não tem negociações em andamento. Por isso, agora é resistência e buscar alternativas", afirmou Marques.

A montadora informa que a decisão é para ajustar a produção frente às dificuldades das vendas do setor neste ano. Desde o início de 2015, a empresa acumula queda de 42,7% no licenciamento de caminhões e 15,2% em ônibus nem relação a 2014 (de janeiro a maio). "Quando a Alemanha (país-sede da Mercedes-Benz) passou por dificuldades em 2011 e 2012, aqui no Brasil estava bombando a produção (de veículos) e certamente as remessas de lucros que saíram do nosso País ajudaram os alemães a não terem problemas de empregos por lá. Agora, o tratamento não pode ser diferente com o Brasil", comparou o sindicalista.

Ainda segundo Marques, cerca de 2,8 mil trabalhadores perderam o emprego até agora no setor em 2015, sendo "a grande parte nas montadoras, mas por PDV (plano de demissões voluntárias)". "A primeira e única demissão em massa que foi desse jeito aconteceu somente na Mercedes. Por isso, a nossa indignação", acrescentou o sindicalista. O coordenador do comitê sindical na Mercedes, Max Pinho, disse que o acampamento "não tem data para terminar" e espera que a empresa reverta as demissões e abra negociação. "Se reverter as demissões e chamar para uma conversa, a gente pode cessar o acampamento. Caso contrário, vai continuar por tempo indeterminado."

Fonte: RBA

Publicado em METALÚRGICOS

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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