Uma carta de compromisso, reconhecimento e reivindicação, foi entregue pelos petroleiros da Bahia ao ex-presidente Lula, na tarde da quarta-feira (25), durante o evento “Combater a Fome e Reconstruir o Brasil”, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), que reuniu representantes de movimentos sociais e sindicais, em Salvador. A Bahia é um dos estados do Nordeste que está sendo visitado por Lula em caravana que começou no dia 15/08. O ex-presidente já percorreu os estados de Pernambuco, Piauí, Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte.

Entregue pelo Coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar e pelo Diretor de Comunicação do Sindipetro Bahia, Radiovaldo Costa, a carta traz como principal teor a esperança de dias melhores no Brasil, com a retomada dos direitos da classe trabalhadora, da justiça social e da dignidade do povo brasileiro, através da volta ao poder de um projeto democrático e popular, personificado na figura de Lula presidente.

Na carta, assinada pelo Coordenador Geral do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, a entidade sindical – em nome dos petroleiros – reconhece a contribuição histórica dada pelo ex-presidente Lula em defesa da democracia, da justiça e inclusão social, da liberdade e autonomia sindical, da representatividade da classe trabalhadora e do fortalecimento das empresas públicas, em especial a Petrobras.

“Entendemos que o senhor é o único nome capaz de reconstruir o Brasil, de dar novas e boas perspectivas para os milhões de desempregados, para os trabalhadores do campo e da cidade, aposentados, jovens, homens e mulheres de todas as raças, credos e orientação sexual” diz um trecho do documento, ressaltando que “a esperança já venceu o medo neste país e, agora, temos certeza, vencerá também o fascismo, o golpismo, as mentiras, a incompetência e a crueldade, que são marcas do governo Bolsonaro”.

Os petroleiros apoiam a pré-candidatura de Lula para presidente nas eleições de 2022 e se comprometem a auxiliar na construção de um Brasil democrático e soberano para todos. No documento, também é abordado o sofrimento dos baianos no governo Bolsonaro e a destruição da Petrobrás no estado.

Na carta, os petroleiros listam as unidades da estatal que já foram vendidas, desmobilizadas, arrendadas e estão à venda na Bahia, chamando a atenção para o desastre econômico e industrial que vai acontecer com a saída total da Petrobrás do estado.

“Queremos fazer um pacto pela democracia, pela soberania nacional, pelo povo brasileiro e também pela Petrobras e seus trabalhadores próprios e terceirizados, pela Bahia e pelo Nordeste” afirmam os petroleiros, que pedem a retomada das unidades da Petrobras que foram privatizadas e reivindicam uma “Petrobras pública, nacional e integrada, que atue do poço ao poste, passando pelo pasto, através dos fertilizantes”.

No documento, eles também pedem “a volta dos concursos públicos e a recuperação dos direitos da categoria petroleira, que vêm sendo usurpados desde o governo golpista de Temer”.

Os petroleiros também falam da importância de recuperar o espaço de negociação na Petrobrás para dar fim aos descontos abusivos da AMS, encontrar formas de fortalecimento da Petros, buscando  eliminar o pagamento dos valores relativos ao equacionamento, de recuperar os direitos dos trabalhadores próprios e terceirizados, de retomar a exigência do plano de saúde para os dependentes dos trabalhadores das empresas terceirizadas e melhorar o modelo de contratação da Petrobras de forma a garantir os direitos destes trabalhadores.

Os petroleiros deixam claro ainda que “o resgate da Petrobrás enquanto empresa pública e integrada faz parte da recuperação da dignidade do povo brasileiro, tão aviltada nos últimos anos”.

Enfim, a categoria finaliza a carta afirmando o que espera com a volta de Lula à presidência da República: “queremos um Brasil onde as pessoas sejam valorizadas, que tenham comida no prato, acesso à moradia, à saúde, cultura e educação e que possam viver de forma digna. Para isto, ansiamos pela recuperação do valor de compra do salário mínimo, pelo fortalecimento de programas como FIES, Minha Casa, Minha Vida, o Bolsa Família e Ciência Sem Fronteiras. E ainda pela geração de empregos e combate à fome e à pobreza.

Clique aqui para ler a carta na integra

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

Publicado em SINDIPETRO-BA

Os petroleiros da Bahia participam nesta quarta-feira (25), na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), às 16h, de um encontro com o ex-presidente Lula, que desembarca em Salvador para cumprir uma agenda de dois dias com o objetivo de debater os caminhos para que a região Nordeste retome o ciclo de crescimento e desenvolvimento social. O combate à fome também faz parte das discussões propostas por Lula que já passou pelos estados de Pernambuco, Ceará, Maranhão e Piauí em sua Caravana pelo Nordeste.

O encontro na ALBA intitulado “Combater a Fome e Reconstruir o Brasil” contará com a presença de representantes de movimentos sociais e sindicais. O Coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar e o Diretor de Comunicação do Sindipetro Bahia, Radiovaldo Costa, vão participar do evento representando a categoria petroleira.

Os lideres sindicais vão entregar uma “Carta dos Petroleiros” ao presidente, reconhecendo a sua contribuição histórica em defesa da democracia, da justiça e inclusão social, da liberdade e autonomia sindical, da representatividade da classe trabalhadora e do fortalecimento das empresas públicas, em especial a Petrobrás. Na carta, os petroleiros também propõem um pacto pela Petrobrás e seus trabalhadores próprios e terceirizados, pela Bahia e pelo Nordeste.

Devido à pandemia da Covid -19, como vem sendo divulgado, os encontros estão sendo restritos a grupos determinados, cumprindo todas as regras de prevenção ao vírus, como o uso de máscara, álcool em gel e distanciamento entre as pessoas.

Agenda de Lula na quinta-feira (26)

No começo da manhã, o ex-presidente Lula fará uma visita à Policlínica de Salvador, no bairro de Narandiba. Às 11h, dará uma coletiva para veículos de imprensa. Às 12h participa de reunião, no Hotel da Bahia, com presidentes da base aliada do governador Rui Costa, que terá as presenças de representantes do PSD, PP, PSB, PCdoB, POM e Avante.

Por volta das 16h, Lula se dirige à Senzala do Barro Preto, na Liberdade, onde participa de encontro com representantes do movimento negro da Bahia.

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

Publicado em Movimentos Sociais

A defesa da Petrobrás tem que ser uma “briga nacional”, de toda a sociedade, disse o ex-presidente, em vídeo enviado à Plenafup. “A Petrobrás não é de um presidente, não é de um sindicato, não é de uma categoria, a Petrobrás é um patrimônio de 213 milhões de brasileiros”, afirmou Lula.

[Da imprensa da FUP] 

Em vídeo enviado à IX Plenária Nacional da FUP, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil vai voltar a ser um país soberano e que a Petrobrás voltará a ser um dos instrumentos que vai garantir a soberania nacional. O evento, que teve início na quinta-feira, 12, e prossegue até domingo, 15, está acontecendo virtualmente, com participação de cerca de 150 petroleiros e petroleiras de vários estados.

Lula ressaltou a importância do tema da plenária, “Energia para reconstruir o Brasil”, afirmando que a energia tem que ser prioridade na discussão do desenvolvimento do país. “Sem energia, nenhum país do mundo será desenvolvido. E no Brasil, nós temos o privilégio de discutir que tipo de energia nós queremos”, observou, lembrando que o país tem autossuficiência em petróleo e um potencial extraordinário em fontes de energia limpa, citando a hídrica, a biomassa e a eólica.

“O problema do Brasil não é a dificuldade de escolher qual será a sua matriz energética e sim utilizar todas para explorar da melhor forma possível o que for mais importante para o país”, afirmou, ressaltando a importância dos Sistemas Petrobrás e Eletrobrás.

“É com muita tristeza que eu vejo a destruição de um patrimônio, de um símbolo da nossa soberania, que é muito importante para o crescimento do país, que é a Petrobrás, empresa que foi criada com muita luta, com muito desafio, com muita oposição desde 1953”, comentando a resistência da elite brasileira, que foi contra a criação da estatal e não queria que o Brasil tivesse autonomia na exploração do petróleo.

Lula lembrou da importância do fortalecimento da Petrobrás em seu governo, o que possibilitou não só a autossuficiência do país na produção de petróleo, como a descoberta do pré-sal, “a mais importante descoberta, da mais importante jazida de petróleo do século XXI”. O ex-presidente enfatizou o orgulho de ter contribuído para que a Petrobrás se transformasse numa gigante do setor energético, que passou a influir na geopolítica mundial do petróleo.

“Quando descobrimos o pré-sal e falamos que o pré-sal seria o nosso passaporte para o futuro é porque imaginávamos que os royalties do petróleo seriam destinados 75% para investimentos em educação, em saúde, em ciência e tecnologia, é porque nós criamos um fundo para que o povo brasileiro pudesse ter certeza de que todos iriam ganhar com a descoberta do petróleo”, afirmou Lula, destacando que o projeto era transformar o Brasil em exportador de derivados e não em exportador de óleo cru. “Hoje, estamos importando gasolina, estamos importando óleo diesel dos Estados Unidos, quando o Brasil poderia estar exportando derivados de petróleo para o mundo inteiro”.

O ex-presidente demonstrou indignação e profunda tristeza ao falar sobre Petrobrás atual, que está “sendo desmanchada e vendida aos pedaços”, enquanto o país importa “produtos que antes exportávamos”. “Estão destruindo, estão desvalorizando a Petrobrás, não só do ponto de vista financeiro e da sua importância científica e tecnológica, mas do ponto de vista até moral. A Petrobrás passou a ser uma empresa comum, uma empresa que não faz os investimentos necessários”, afirmou, destacando a importância dos investimentos feitos em seu governo para que a empresa pudesse descobrir o pré-sal.

Emocionado, Lula lembrou que, quando foi informado sobre a descoberta do pré-sal, ele não dormiu de tanta alegria. “Agora, tem várias noites que eu não durmo de tristeza”, afirmou o ex-presidente, ao comentar o desmanche da legislação do pré-sal e o desmonte do Sistema Petrobras, duas grandes e estratégicas riquezas nacionais, que estão sendo entregues às empresas estrangeiras. “Precisamos discutir com a sociedade brasileira o que a gente vai fazer com a Petrobrás, vamos ter que discutir muito seriamente como vamos reconstruir esse patrimônio brasileiro”, afirmou.

O ex-presidente encerrou sua explanação, ressaltando que a luta em defesa da Petrobrás tem que envolver toda a sociedade, tem que ser “uma briga nacional” para que todas as pessoas, de todas as classes sociais, em todos os cantos do país, da periferia aos bairros nobres, “saibam que a Petrobrás não é de um presidente, não é de um sindicato, não é de uma categoria, a Petrobrás é um patrimônio de 213 milhões de brasileiros”.

 Veja a íntegra do vídeo:

Publicado em IX PlenaFUP

“Se não tiver impeachment ou o Bolsonaro não for interditado, ele será derrotado pelo povo nas eleições”, disse o ex-presidente, em entrevista nesta sexta, 13, à Radio CBN

[Da Rede Brasil Atual | Foto: Reprodução/CBN]

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as pessoas não devem ter medo da polarização nas eleições de 2022, já que a disputa entre forças antagônicas é algo comum em todos os países democráticos. Ele afirmou que, se for candidato, será o representante da democracia, enquanto o atual presidente, Jair Bolsonaro, será o representante da “antidemocracia”, do “negacionismo” e do “fascismo”.

“O povo vai ter que escolher entre a democracia e fascismo”, disse Lula, em entrevista à rádio CBN de Santa Catarina, nesta sexta-feira (13). Ele afirmou que o eleitores deverão escolher entre um candidato que “quer distribuir livros nas escolas”, e outro que “quer vender arma barata para a população”.

Lula destacou que o Brasil precisa de um presidente “humanista”, “que fale em amor, e não em guerra. Que utilize a palavra paz. Que fale em democracia, e não em ditadura. Para “reconstruir o Brasil”, o ex-presidente defendeu que é preciso voltar a incluir o pobre no orçamento, e o rico, no Imposto de Renda. Segundo ele, essas são ferramentas para fazer a distribuição de riquezas e transformar o país “num Estado de bem-estar social”.

Impeachment de Bolsonaro

Lula também classificou como “grande bobagem” a versão de que ele e o PT não estariam suficientemente engajados nos esforços pelo impeachment de Bolsonaro. O argumento é que o petista preferiria enfrentar Bolsonaro nas urnas, já que as pesquisas indicam que derrotaria o atual presidente. “Não escolho adversário. As pesquisas mostram que eu ganharia as eleições contra qualquer que seja o candidato”, destacou.

Ele destacou que o PT tem pressionado pela abertura de processo de impeachment contra Bolsonaro na Câmara dos Deputados. Mas quem tem atribuições para tanto é o presidente Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL), que é aliado do chefe do Executivo. Além do afastamento, Lula afirmou que Bolsonaro pode ser “interditado” pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em função dos crimes cometidos contra os demais poderes.

“O Bolsonaro colocou o Lira lá porque ele tem sido um parceiro nas votações. E eu não acredito que ele vá pautar o impeachment. Mas o dado concreto é: se não tiver impeachment ou o Bolsonaro não for interditado, ele será derrotado pelo povo nas eleições”, declarou o líder petista.

Sem governo

Lula também afirmou que Bolsonaro “não governa o país, mas já está em campanha”. Ele citou que o atual presidente não cuidou da pandemia. Em vez de montar um “comitê de especialistas” para conter o número de mortos, disse que era “uma gripezinha”, apostou contra o uso de máscaras, e recomendando medicamentos ineficazes. Além disso, Bolsonaro também não cuida do avanço da fome e do desemprego.

“Tínhamos acabado com a fome no país, fato reconhecido pela ONU. A fome voltou, e voltou pesado. Temos, no Brasil, 19 milhões de pessoas passando fome. E 34 milhões em situação de insegurança alimentar, pessoas que não conseguem comer as calorias necessárias todos os dias.”

Lula lembrou que o Brasil tem cerca de 15 milhões de desempregados. O país tem ainda 6 milhões de desalentados, que desistiram de procurar uma vaga no mercado de trabalho, e mais de 30 milhões na informalidade. Ele citou, ainda, a precarização. “Temos a predominância do trabalho intermitente, do bico ou biscate. É assim que está vivendo o povo brasileiro hoje.”

O ex-presidente pontuou que Bolsonaro está “aliado até o pescoço” com a chamada velha política. Ele classificou como “farra do boi” o chamado “orçamento secreto“, que distribuiu R$ 20 bilhões em emendas para deputados do Centrão. Em função desses fatores, e pela sua “incompetência política”, Lula acredita que seu adversário deve chegar ainda mais desgastado até as eleições do ano que vem.

Publicado em Política

Acionistas da Petrobrás receberão antecipação de R$ 31,6 bilhões, o maior montante de dividendo já pago pela empresa, resultado das privatizações e do aumento abusivo dos combustíveis

[Da imprensa da FUP| Foto: Tânia Rego/Agência Brasil]

Com a venda do patrimônio público e os preços abusivos dos combustíveis, a Petrobrás registou no segundo trimestre de 2021 lucro líquido de R$ 42,855 bilhões e vai antecipar para os acionistas pagamento de R$ 31,6 bilhões em dividendos. Será a maior distribuição de dividendos já feita pela empresa. O valor mais alto já pago até então foi referente ao exercício de 2011, quando a Petrobrás distribuiu R$ 12 bilhões em dividendos.

Os bilhões que estão sendo apropriados pelos acionistas privados – sendo que 40,6% deles estão fora do Brasil – são resultado direto do desmonte do Sistema Petrobrás e dos custos que isso representa no bolso dos consumidores. Segundo levantamento feito pela subseção Dieese que assessora a FUP, só este ano, a empresa já registrou em caixa o equivalente a R$ 14,7 bilhões obtidos com vendas de ativos, concretizadas entre 01 de janeiro e 03 de agosto.

Deste montante, R$ 11,6 bilhões foram obtidos com a privatização da BR Distribuidora. Ou seja, só a venda da subsidiária vai bancar mais da metade da primeira parcela da antecipação de dividendo que a Petrobrás pretende pagar aos acionistas ainda em agosto. Segundo a empresa anunciou, R$ 21 bilhões serão antecipados este mês e a segunda parcela dos dividendos, R$ 10,6 bilhões, será paga em dezembro.

“A maior empresa nacional, que gerava emprego e renda para o povo brasileiro, se transformou em geradora de dividendos para acionistas. É o resultado do golpe de 2016. Nós sempre alertamos que esse seria o projeto para a Petrobras pós-golpe, projeto que está sendo consolidado agora por um governo fascista. Estão seguindo o acordo de Guedes e Castelo Branco com os acionistas de Nova Iorque“, afirma o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar.

Só no governo Bolsonaro, a gestão da Petrobrás fez cerca de 60 comunicados de privatização ao mercado, os chamados “teasers”, e concluiu a venda de mais de 40 ativos, incluindo diversos campos de petróleo em terra e mar, termelétricas, usinas eólicas e de biodiesel, além das subsidiárias BR Distribuidora, TAG e Liquigás. A gestão da empresa também arrendou as Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia e de Sergipe e fechou no ano passado Fafen-PR, após demissão de mil trabalhadores. Além disso, privatizou recentemente a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, a primeira das nove refinarias que estão em processo de venda.

Lucro para os acionistas, prejuízos para o povo

Além dos ganhos obtidos com as privatizações, o lucro dos acionistas da Petrobrás em 2021 é resultado dos reajustes dos derivados de petróleo baseados no Preço de Paridade de Importação (PPI). Desde o início do ano, a empresa já aumentou em 46% o preço da gasolina nas refinarias, em 40% o do diesel e em 38% o preço do GLP (gás de cozinha).

O lucro obtido pela Petrobrás com o aumento das vendas de combustíveis no mercado nacional foi impulsionado, principalmente, pelos preços abusivos pagos pelos brasileiros, o que fez a receita da empresa mais do que dobrar neste segundo trimestre, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Rafael Rodrigues da Costa, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustiveis (Ineep), chama atenção para três dados do balanço da Petrobrás: o aumento de 117,5% na receita total de vendas, em comparação ao segundo trimestre de 2020, o aumento de 123,3% da receita de vendas no mercado interno e o aumento de 106,2% na receita com exportações de petróleo.

“Além do aumento nas vendas, a receita de vendas da Petrobras também foi impulsionada pelo aumento do preço dos seus derivados no mercado interno em 102,9%. Reflexo da política de preços de paridade de importação (PPI) adotada pela estatal, que reajusta o preço dos derivados a partir de mudanças nas cotações internacionais do petróleo, na taxa de câmbio e custos logísticos, o crescimento das vendas da Petrobras no mercado brasileiro, somado as altas nos preços dos derivados, fizeram com que a receita de vendas da companhia para o mercado interno saltasse 123,3% no 2T21, ficando em R$ 75,3 bilhões”, explica Rafael.


Leia também: INEEP: Vendas internas e exportações garantem lucro da Petrobrás no segundo trimestre


Segundo o pesquisador do Ineep, o aumento de 106,2% nas receitas da Petrobrás com exportações de óleo cru se deu “sobretudo pela forte valorização do preço do Brent, que obteve um salto anual de 135,7%, ao mesmo tempo em que houve aumento nas exportações de petróleo cru, de 8,0%”.

O coordenador da FUP lembra que a eleição presidencial de 2022 definirá os rumos do país e da Petrobrás e chama atenção para o que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já alertou. “O mercado financeiro deveria investir no setor produtivo e não em ganhos especulativos obtidos às custas de um projeto que se alimenta da fome e do desemprego do povo. Portanto, como bem disse o presidente Lula, quem estiver comprando ativos da Petrobrás a preço de banana deve se preocupar, pois iremos reverter tudo isso”, afirma Deyvid Bacelar.

Publicado em Sistema Petrobrás

Em entrevista à TVT (TV dos Trabalhadores da Rede Brasil Atual), o ex-presidente afirmou que trabalhadores foram obrigados a abrir mão de direitos, sob a falsa promessa de criação de novos empregos."Há quase 15 milhões de desempregados, 6 milhões que desistiram de procurar emprego, 34 milhões estão na informalidade e mais 33 milhões estão subutilizados, fazendo bico ou biscate”, contestou Lula

 [Por Tiago Pereira, da RBA | Foto: Reprodução TVT]

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que é preciso que o trabalhador brasileiro seja tratado de forma civilizada na hora da contratação. Ele defendeu a retomada de direitos trabalhistas e previdenciários, como férias e 13º salário, que garantam estabilidade e tranquilidade aos trabalhadores. “O trabalhador precisa de paz. Quanto mais paz tiver, quanto mais tranquilidade, mais produtividade”, disse Lula na segunda parte da entrevista a Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual  desta terça-feira (3).

Ele disse que os trabalhadores foram obrigados a abrirem mão desses direitos, sob a falsa promessa de que haveria a criação de empregos. Lula contestou a “qualidade” das vagas de trabalho que o ministro da Economia, Paulo Guedes, utiliza para alardear os supostos feitos do governo.

“O desemprego está campeando nas indústrias brasileiras. Há quase 15 milhões de desempregados. Há 6 milhões que desistiram de procurar emprego, 34 milhões estão na informalidade e mais 33 milhões estão subutilizados, fazendo bico ou biscate”, disse o ex-presidente.

Para ele, é preciso reunir as centrais sindicais, as empresas e as universidades, para discutir “o mundo do trabalho que a gente quer”. Em especial, Lula demonstrou preocupação com os milhões de jovens que, mesmo com ensino superior, não conseguem colocação no mercado.

“Estou muito preocupado, porque é uma parcela enorme da sociedade que não tem perspectivas de trabalho. Pessoas com 30 anos morando com o pai e com a mãe. E não porque querem, mas porque não tem perspectiva de emprego. Toda essa revolução digital que aconteceu no planeta precisa ser revertida para criar oportunidades para essa juventude”, declarou o ex-presidente.

Fome e reforma agrária

Lula afirmou que Bolsonaro não se incomoda em discutir o problema da fome no Brasil. Segundo ele, o atual governo nem sequer sabe o que significa “segurança alimentar”. Ele destacou que não faltam alimentos no país, mas as pessoas não conseguem comprar por conta da elevação de preços. O ex-presidente atribuiu esse descontrole nos preços ao desmantelamento dos estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“Quando fui presidente, a gente fez com que a Conab regulasse os estoques. A Conab comprava quando os preços caiam, e vendia quando subia. E funcionou maravilhosamente bem. Mas agora não tem mais esse mercado regulador. Porque o atual governo despreza o que é segurança alimentar. Isso não está sendo processado pela massa encefálica da cabeça do presidente, que deve ter um distúrbio, só pode ter.”

Lula afirmou que, para Bolsonaro, reforma agrária “é um cidadão com fuzil para matar o outro”. Apesar da retórica violenta contra os movimentos do campo, o líder petista afirmou que é possível dar continuidade à política de reforma agrária, com paz e tranquilidade. Segundo ele, a distribuição de terras improdutivas foi benéfica para os países que a adotaram. Além disso, é preciso garantir apoio técnico e mercado aos pequenos produtores da agricultura familiar. Nesse sentido, o ex-presidente disse, ainda, que é possível estabelecer uma convivência pacífica com o agronegócio.

“É plenamente possível a convivência do agronegócio com a agricultura familiar. Quem gosta de estimular o ódio é que tem que responder. A agricultura familiar é responsável por quase 70% dos alimentos que chegam à mesa do trabalhador. E, por outro lado, o agronegócio tem uma importância de produzir em grandes quantidades para a exportação, para a produção de ração animal. É compatível as duas culturas sobreviverem.”

Lula e o papel do Estado

Para resolver o problema da criminalidade, da violência policial e do encarceramento em massa no país, Lula afirmou que é preciso rediscutir o papel do Estado no Brasil. Não é possível, segundo ele, que o Estado se faça presente nas periferias das grandes cidades apenas com a polícia.

“As pessoas estão largadas, abandonadas, sem emprego, sem proteção social. E sem a existência do Estado. O Estado só aparece quando aparece a polícia. Esse tipo de política não resolve e não ajuda. Se a gente ficar discutindo só a intervenção da polícia, sem discutir a intervenção do Estado antes da polícia, teremos mais dificuldade de resolver esse problema”, afirmou o presidente. Nesse sentido, a saída é “gerar bem-estar social”, com investimentos em infraestrutura urbana – como asfalto, água e saneamento –, e também nas áreas de educação, saúde e lazer.

Assista à entrevista: 

Publicado em Política

Em cinco anos, subiu de 10 milhões para 19 milhões, o número de pessoas que passam fome. Para a ex-ministra de Combate à Fome e o ex-presidente do Conselho de Segurança Alimentar, pandemia só ressaltou o problema

[Da redação da CUT |Texto: Rosely Rocha/Edição: Marize Muniz |Foto: MST/PR]

No governo do desprezo com as questões sociais, aumenta a fome, a miséria e até a venda de produtos de segunda, como o arroz quebrado e o feijão bandinha, em épocas normais destinados, na maioria das vezes, à alimentação animal, e o povo chega a fazer fila para pegar ossos que um açougue ia jogar fora.

Diversas pesquisas mostram que:

> 55,2% da população brasileira não comem as três refeições diárias necessárias

> em 5 anos, subiu de 10 milhões para 19 milhões o número de brasileiros passando fome, sem nenhuma refeição

> mais do que dobrou o contigente da população que não tem o que comer: de 4,2%, em 2013, para 9%, em 2020

Esse é o resultado das medidas perversas do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), que acabou com o Conselho de Segurança Alimentar Nutricional (Consea), criado em 1993, extinto dois anos depois, e recriado por Lula em 2003, assim que assumiu a presidência da República, em 2019.

Bolsonaro ainda continuou o desmonte das políticas públicas importantes que atendiam aos mais vulneráveis, iniciado por Michel Temer (MDB-SP), logo após o golpe de 2016.

Esses desmontes, mais do que a pandemia da Covid-19, são os responsáveis pela situação de miséria da população mais vulnerável, avaliam a ex-ministra de Combate à Fome, Tereza Campello, o ex-presidente do Consea, Francisco Menezes, e o diretor de Ciência e Tecnologia do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf) , Mário Artemio Urchei.

Os três reforçam que o alto índice de desemprego que atinge 14,7% da população, a manutenção do mesmo valor do Bolsa Família, a alta da inflação, especialmente dos alimentos e a redução do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 150, em média, são, mais do que a pandemia, responsáveis pelo aumento da fome durante o governo Bolsonaro.

“A pandemia sozinha não causou o crescimento da fome, ela só aumentou a gravidade do que já vinha ocorrendo, com o desmonte de políticas públicas”, diz Menezes.

Tereza Campello reforça que o problema está nos governos posteriores aos do PT. Para ela, fome é resultado do agravamento do desemprego , que já havia piorado antes da pandemia.

“Em janeiro de 2020 já eram 11 milhões de desempregados, a economia já tinha estagnado, já existia o desmonte do Consea, do SUS, da assistência social, e a população ainda ficou três meses sem o auxílio emergencial”, diz Tereza.

Quem perdeu o emprego e ficou sem auxílio já vendeu a TV, a bicicleta, gastou as reservas para comer, e está morando nas ruas
- Tereza Campello

A afirmação da ex-ministra é comprovada por pesquisas que mostram que desde o governo do golpista Michel Temer até hoje, a fome e a insegurança alimentar leve e moderada no país só aumentaram.

A pesquisa “Orçamento Familiares, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”, que abrangeu os anos do governo Temer, de 2017/2018, mas publicada somente em 2020, mostra que comparando com 2013, a insegurança alimentar leve teve um aumento de 62,2%. Entre 2013 e 2018, houve aumento das prevalências dos graus mais severos. A insegurança alimentar moderada subiu 76,1% e a mais grave (fome), 43,7%. A pesquisa é feita a cada cinco anos, e por isso compara o ano de 2013 com 2018. 

Outra pesquisa mais recente feita no ano passado, com a mesma metodologia do IBGE, mostra que no governo Bolsonaro a fome também avançou. O Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan), feita pelo Instituto Vox Populi, mostra que mais da metade da população convive com algum grau de insegurança alimentar leve, moderada ou grave.

Do total de 211,7 milhões de pessoas, 116,8 milhões estão nesta situação. Destes, 43,4 milhões não contavam com alimentos em quantidade suficiente para atender suas necessidades (moderada ou  grave). Tiveram que conviver e enfrentar a fome, 19 milhões de brasileiros.

Penssan

Segundo Francisco Menezes, esta última pesquisa é importante porque abrange o ano de 2020, da pandemia, e o período em que o governo reduziu o valor do auxílio emergencial.

“Se considerarmos as três modalidades de insegurança alimentar: leve, moderada e grave, mais da metade da população brasileira está em situação de insegurança alimentar, e esses índices devem aumentar quando for pesquisado o ano de 2021, diz Francisco Menezes.

Medidas de combate à fome

A ex-ministra Tereza Campello ressalta que não é pedindo donativos que a fome vai desaparecer. São as políticas públicas que precisam ser retomadas. Para ela, a caridade, a filantropia e a solidariedade são importantes, mas o nível de drama por que o país passa, essas atitudes são insuficientes.

“Ninguém consegue com solidariedade enfrentar esta dimensão, não resolve nem 10% do problema. A fome atinge mais brasileiros do que a população da Argentina inteira. Quando se fala em insegurança alimentar estamos falando de crianças que passam fome e quem não come o suficiente passa fome também”.

Para ela, só com politicas públicas emergenciais, como a retomada do auxílio em R$ 600, bandeira também defendida pela CUT, e ações da alimentação escolar, com a retomada da aquisição de alimentos e outras políticas estruturais, a fome poderá ser reduzida.

“O governo além de reduzir o valor, excluiu 29 milhões de pessoas do auxílio emergencial. A economia não retomou para que tanta gente fosse retirada do programa”, critica Campello, ao lembrar que caiu de 68 milhões para 39 milhões,  o número de pessoas que recebem o auxílio emergencial.

O controle dos preços dos alimentos básicos como o arroz e o feijão e a entrega de alimentos nas escolas são defendidos por Francisco Menezes,  como forma de atenuar a fome dos brasileiros.

“Estão vendendo arroz e feijão quebrados, as escolas deixaram de fornecer alimentação para as crianças. É preciso que essas crianças voltem a ser atendidas com comida. Dar um voucher para a mãe não resolve porque ela não vai conseguir comprar no mercadinho perto da casa dela, o mesmo tipo de alimentação que a escola oferece”, defende Menezes.

Fome leva brasileiros a comprar arroz quebradinho e o feijão bandinha

A compra do arroz quebradinho e do feijão bandinha (também quebrado), como são conhecidos esses produtos de segunda linha sempre existiu, mas agora com a disparada dos preços dos alimentos e a crise econômica,  agravada pela pandemia, se tornou evidente, diz o diretor de Ciência e Tecnologia do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf) e pesquisador da Embrapa, Mário Artemio Urchei.

Ele explica que o valor nutricional desses alimentos é o mesmo dos demais, mas que o aumento da venda desses produtos que são destinados, na maioria das vezes, à alimentação animal, mostra a que ponto chegou a  exclusão e a concentração de renda no Brasil.

O Brasil tem 215 milhões de cabeças de gado, o mesmo número da população, é também um dos maiores produtores de carne suína, de aves, de soja e milho do mundo, e ainda assim aumenta a fome e a miséria com gente comendo osso de boi. Isto é assustador
- Mário Artemio Urchei

Segundo o dirigente, isto é resultado da concentração de terra, da falta de políticas para a reforma agrária, de recursos para a agricultura familiar, que não é o agronegócio.

“A agricultura familiar está sem apoio, sem crédito, os recursos do PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar]caíram quase a zero. Se somarmos a isto às queimadas no Pantanal e o desmatamento da Amazônia e as consequências climáticas dos ataques ao meio ambiente, teremos um futuro ainda incerto”, diz Mário.

O diretor do Sinpaf , ressalta que somente o papel da Embrapa, de pesquisas para o aumento da produção e da diminuição dos custos na agricultura não são suficientes para resolver a fome. É preciso políticas de estoques de alimentos.

“ Apesar da pesquisa na agropecuária, se não houver políticas públicas que retomem a economia, que gere empregos para os quase 15 milhões de desempregados, os seis milhões de desalentados e os 34 milhões de brasileiros na informalidade, a fome vai continuar batendo na porta, por culpa

Combate à fome era prioridade nos governos do PT

Desde que Lula assumiu  sua prioridade foi o enfrentamento à fome, diz o ex- presidente do Consea.

O sucesso de Lula no combate à fome foi ter fortalecido o emprego formal, com carteira assinada, o que reduziu a extrema pobreza, e a política de valorização do salário mínimo, além das políticas de segurança alimentar com a aquisição de alimentos da agricultura familiar e da reformulação do PNAE
- Francisco Menezes

Já no governo Dilma, segundo Menezes,  a dificuldade imposta por boa parte do Congresso Nacional, que já preparava o impeachment ,acabou por reduzir drasticamente o orçamento, e o que se viu após o golpe foi a aprovação do Teto de Gastos Públicos que congelou até 2036 os investimentos do governo.

“ Nos anos seguintes começou a crescer a pobreza e a extrema pobreza aceleradamente, e mesmo assim o governo Bolsonaro mantem o mesmo orçamento para o Bolsa Família. Se há mais pobres, mais miseráveis é preciso que cresça o orçamento do programa”, afirma o ex-presidente do Consea.

Bolsonaro deve esperar até o ultimo dia para reajustar o Bolsa Família, em função da eleição de 2022
- Francisco Menezes

O Mapa da Fome

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) considera como indicador do Mapa da Fome , quando 5% ou mais da população de um país, estão em situação de subalimentação. O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2014, no governo Dilma Rousseff ( PT).

“ A FAO ainda não fez nova pesquisa sobre a fome no Brasil, mas a julgar pelos índices pesquisados pelo IBGE, posso afirmar que voltamos ao mapa da fome”, diz Francisco Menezes, que hoje atua como consultor de políticas públicas da Action AID, uma federação que congrega diversas ONGs pelo mundo.

O país vive uma regressão, uma tolerância em relação à fome, pela atuação criminosa deste governo
- Francisco Menezes

Na manhã desta segunda-feira (05/07), o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, compartilhou com diretores da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e sindicatos filiados uma análise de conjuntura nacional e internacional.

Duas vezes Ministro das Relações Exteriores, a última durante oito anos no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim foi também Ministro da Defesa no governo Dilma. Estudioso dos assuntos de defesa, em diálogo com petroleiros e petroleiras de todo o Brasil, ele analisou o governo Bolsonaro e as mudanças no governo americano e na geopolítica.

A exposição do ex-ministro começou chamando a atenção para um fato recente, que passou quase despercebido em meio à avalanche de notícias que nos atropela: a visita de William Burns, diretor da CIA, agência de inteligência do governo norte-americano, que reuniu-se semana passada com ministros do governo Bolsonaro, em Brasília, na volta de sua passagem pela Colômbia. Para Amorim, foi um fato surpreendente, pois “geralmente essas autoridades se deslocam na véspera de um conflito, ou situação muito dramática. Por isso mesmo, a vinda do chefe da CIA despertou várias especulações. Todas elas respeitáveis”, afirmou.

Após destacar que Colômbia e Brasil foram os dois únicos países que votaram contra a resolução que condena as sanções contra Cuba na ONU, e que “são os dois países cujos presidentes estavam mais ligados a Trump”, Amorim acrescentou: “Acredito que essa visita do chefe da CIA foi para tomar o pulso em ambos os países. Eles (referindo-se aos EUA) estão olhando para América Latina e tentando entender como vão se posicionar. Não acredito que ele (William Burns) esteja aqui para apoiar um golpe, seria muito evidente e contraditório com a forma de atuação da CIA. Me parece que seja mais uma necessidade de entender”.

Mudança de tom

Amorim divide em duas frentes as mudanças ocorridas na política norte-americana, após a vitória de Joe Biden. Internamente, destaca mudanças: “no sentido de uma política mais social, um retrocesso do neoliberalismo, e um aumento do investimento público”. Mas, do ponto de vista da política internacional, ele diz que “mudou muito pouco”. Porém, Amorim enxerga “uma mudança de estilo, com menos ameaças, uma diferença no tom, há vários indícios disso, o que não significa que os objetivos tenham mudado”.

Para o ex ministro, os EUA continuam a ver a América Latina sob a ótica da luta pela hegemonia mundial com a China e a Rússia: “A cabeça norte-americana em relação ao continente ainda é muito moldada pela visão de América Latina como quintal estratégico”. Porém, afirmou que “em política internacional, uma mudança de tom pode significar salvar milhares de vidas e não pode ser desprezada”. E apontou: “Os Estados Unidos com Biden decidiram voltar ao mundo, mas parece que ainda não perceberam que o mundo mudou e que essa hegemonia que eles exerceram durante tanto tempo terá que ser compartilhada. É algo que o Brasil e a América Latina têm que entender também para se posicionar”.

A Caserna e a política

Ministro da Defesa no momento mais tenso da relação entre os governos progressistas e as Forças Armadas, que foi a instauração da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em 2011, Amorim afirma que existe um processo de politização dos militares, mas defende a necessidade da existência das Forças Armadas.

“Há um ranço da caserna com a esquerda, que vem dos anos 30, se acentuou com a Guerra Fria e ficou amenizado durante os governos Lula e Dilma, graças aos progressos feitos e a forma respeitosa com que foram tratados”, afirma, acrescentando: “A Comissão da Verdade mexeu em feridas, é verdade, que poderia ter sido feito de outra maneira, talvez, mas não devemos puxar para nós a responsabilidade de uma coisa errada deles, que foi se meter em política”.

Para o ex-ministro da pasta da defesa, o que o presidente Bolsonaro está tentando fazer com as Forças Armadas é “neutralizá-las”, ou seja, “fazer com que numa situação caótica, gerada com apoio de setores das polícias ou milícias, as Forças Armadas não atuem". Apontando um certo “desconforto de setores do alto comando”, Amorim acredita que "dificilmente os militares apoiariam Bolsonaro numa aventura de golpe”.

Mas Amorim reafirmou a necessidade da existência das forças militares: “Um país de dimensão continental, com dez fronteiras, com o maior litoral no Oceano atlântico do mundo, uma riqueza como o pré-sal, um espaço aéreo gigante, não pode deixar de ter Forças Armadas. Mas elas têm que entender que sua missão é proteger a soberania da nação”.

Desafíos nacionais

No tocante à realidade nacional e à conjuntura política, o diplomata apontou a necessidade de reforçar a luta pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro: “O ideal seria que Bolsonaro fosse derrotado por Lula nas urnas. Mas as coisas ruins que podem acontecer até lá no campo humano, político, cultural e econômico, não nos permitem abandonar a linha de exigir o urgente impeachment do Bolsonaro”.

“Não devemos ter medo da palavra impeachment. Precisamos restabelecer a democracia no Brasil. Estamos falando de quase 530 mil mortes, uma economia que não cria emprego, situação de carestia que atinge sobretudo os mais pobres e vulneráveis”, afirmou.

Para Amorim, “a elite econômica está descontente com esse comportamento absurdo do Bolsonaro em relação à pandemia, que teve efeito contrário. Além das mortes, as elites económicas sabem que as soluções para a economia não deram certo. Querem um governo estável, não uma crise por dia. Isso está enfraquecendo a base política de apoio do Bolsonaro”.

Para sair desta situação, o ex-ministro aponta Lula: “Um líder que transcende o Brasil, enxergado no mundo como uma liderança importante, que pode reconstruir esse país”. E acrescenta: “O Lula está tendo uma atitude muito coerente e muito correta nesse momento. Lula é uma figura agregadora que tem que ser preservada e conquistar a Presidência da República”.

[Da imprensa da FUP]

Publicado em Movimentos Sociais

Visita ao que restou da indústria naval em Niterói (RJ) foi acompanhada por petroleiros do Norte Fluminense. O ex-presidente culpou a Operação Lava Jato e  governo Bolsonaro pelo desmonte do setor de óleo e gás

[Com informações do Sindipetro-NF e do Brasil 247]

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou, na manhã desta sexta-feira, 11, um dos estaleiros ainda em funcionamento em Niterói (RJ), acompanhado de lideranças políticas e sindicais do estado, como o ex-coordenador da FUP, José Maria Rangel. Outros diretores do Sindipetro-NF participaram da atividade, como o coordenador da entidae, Tezeu Bezerra, e Alessandro Trindade, do Movimento Petroleiro Solidário, demitido arbitrariamente pela gestão da Petrobrás por participação em ações solidárias de combate à fome.

Trabalhadores do estaleiro relataram ao ex-presidente Lula o sucateamento de unidades e a dificuldade do setor naval desde a Operação Lava Jato. A indústria foi uma das maiores beneficiadas pela política desenvolvimentista dos governos Lula, gerando milhares de empregos no estado do Rio. Atualmente, o estaleiro visitado tem apenas uma reforma contratada em um navio.

Lula atribuiu a situação ao governo Bolsonaro e seus apoiadores do grande capital. "[Os trabalhadores] construíram. O governo incentivou, mas vocês construíram. Quem perde é o povo trabalhador. Ou a gente reage e defende o país, que não é de Bolsonaro, banqueiro, fazendeiro. Está na hora de a gente dizer: deixem alguém governar esse país com competência. Americanos nunca aceitaram a ideia de partilha, de fundo social. Um outro Brasil é possível", disse o petista.

“Nós em pouco tempo conseguimos criar uma indústria naval competitiva e poderosa. O Brasil poderia ter uma das maiores indústrias navais do mundo”, disse. 

Em 2003, a indústria naval contava com apenas 2,5 mil vagas de emprego abertas, segundo dados da Petrobras. Dez anos depois, já eram 82 mil trabalhadores empregados no setor e milhares de postos de serviço indiretamente ligados a ele.

O ex-presidente reforçou que a Petrobras possui um papel importante além da produção de petróleo: "A Petrobrás não é apenas uma empresa de petróleo. É importante para o desenvolvimento nacional. Ela investe muito em pesquisa e pode ajudar outras indústrias, como a de óleo e gás e a indústria naval", destacando que, no seu governo, quando foi descoberto o pré-sal, “tinha gente que não acreditava que conseguiríamos explorar”. “E conseguimos tirar petróleo a 7 mil metros de profundidade. Já visitei tantos estaleiros ao longo da minha vida, mas hoje volto ao Rio com tristeza vendo o desmonte da indústria naval”, disse.

Entre 2012 e 2014, foram construídas mais de 500 embarcações pela indústria naval brasileira. Também neste período, o número de plataformas em operações passou de 36 para 82. Atualmente, segundo a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), 67 plataformas de petróleo estão em operação no país.

“Deixamos de ser grande pra voltar a ser pequenos. Deixamos de produzir conteúdo nacional pra virar vira-lata de outras economias. Temos engenharia, tecnologia e mão de obra qualificada. Apenas no estado do RJ, a indústria naval tinha 33 mil trabalhadores. Hoje são 7 mil”, criticou o ex-presidente, lembrando que "o país só será rico quando o povo tiver dinheiro, não é quando o empresário tiver dinheiro... Aí a gente consegue gerando emprego, salário". 

“Quero mandar um recado aos trabalhadores da indústria naval: não deixem destruírem o que vocês construíram. São 15 milhões de brasileiros desempregados. A gente tem que reagir e defender esse país. O Brasil não é do Bolsonaro”, afirmou Lula.

Publicado em Sistema Petrobrás

Já está disponível nas plataformas digitais o curta-documentário “Submundo: a conspiração da Lava Jato contra Lula”, que detalha os desvios cometidos pela equipe da operação com o intuito de construir uma visão deturpada do ex-presidente petista. A produção é do Comitê Suprapartidário Lula Livre.

O cenário tem como pano de fundo a atuação dos procuradores da Lava Jato e do então juiz Sérgio Moro. O filme traz, entre outras coisas, depoimentos contraditórios utilizados nas condenações de Lula e é conduzido por dois apresentadores, sendo eles o rapper e ator Thaíde e a atriz Raquel Ferreira, que participou de diferentes produções globais.

O Supremo Tribunal Federal (STF) também entra em cena na produção, com destaque para o voto do ministro Gilmar Mendes. O filme tem um total de 26 minutos de duração e pode ser assistido no site do Comitê Lula Livre, no link https://lulalivre.org.br/, na TVT e em plataformas de parceiros no Facebook e no Youtube. 

Assista agora: 

[Com informações do Comitê Lula Livre]

Publicado em Política
Página 1 de 7

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.