Foram presos na manhã desta terça-feira (22) cinco dos 13 suspeitos de envolvimento na execução da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Todos integram a milícia mais antiga e perigosa do Rio de Janeiro que atua, sobretudo, em Rio das Pedras, local escolhido pelo milionário-laranja e ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro (PSL) para se esconder depois que foi denunciado pelo Coaf por movimentações suspeitas em sua conta corrente.

Embora um dos principais objetivos da Operação Intocáveis, ação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), seja atacar a milícia que explora o ramo imobiliário ilegal em Rio das Pedras com ações violentas e assassinatos, a investigação levou aos suspeitos de assassinato de Marielle.

Os dois principais alvos da operação, o ex-capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe da milícia de Rio das Pedras que ainda não foi preso e amigo de Queiroz; e o major da PM, Ronald Paulo Alves Pereira, preso esta manhã, foram homenageados, em 2003 e 2004, na Assembleia Legislativa do Rio por indicação do deputado estadual Flávio Bolsonaro, segundo informações do jornal O Globo

O filho mais velho de Jair Bolsonaro (PSL) empregou em seu gabinete até novembro do ano passado, quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro, a mãe e a mulher do capitão do Bope, tido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como o homem-forte do Escritório do Crime, um grupo de extermínio que estaria envolvido no assassinato da vereadora Marielle. Quem indicou os familiares de Adriano para trabalhar no gabinete de Flávio foi Queiroz, amigo pessoal de Bolsonaro pai desde os anos 1980.

A mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e a mulher, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ocuparam cargos CCDAL-5 no gabinete de Flávio, com salários de R$ 6.490,35. Segundo o Diário Oficial do Estado, ambas foram exoneradas a pedido no dia 13 de novembro de 2018, quase um mês após o pedido de exoneração de Queiroz e seus familiares, filha e esposa. 

Ligação antiga

O relatório do Coaf aponta mais uma possível ligação entre Queiroz e Adriano. Segundo dados da Receita Federal, Raimunda é sócia de um restaurante localizado na Rua Aristides Lobo, no Rio Comprido.

O estabelecimento fica em frente à agência 5663 do Banco Itaú, na qual foi registrada a maior parte dos depósitos em dinheiro vivo feita na conta do ex-assessor de Flávio Bolsonaro - foram realizados 17 depósitos, que somam  R$ 91.796 - 42% de todo o valor depositado em espécie nas transações discriminadas pelo Coaf, segundo um cruzamento de dados feito pelo O Globo.

Denúncia contra Flávio Bolsonaro

Nos últimos três anos, Flávio Bolsonaro negociou imóveis de alto valor no estado do Rio de Janeiro, segundo o jornal Folha de S.Paulo. No total, o filho mais velho do presidente negociou R$ 4,2 milhões em imóveis, diz o jornal.  Neste período, Queiroz, o ex-motorista, movimentou R$ 7 milhões, segundo o COAF. 

Em entrevistas a Record, o senador disse que não tem nada a esconder de ninguém. “Esse apartamento aqui foi pago direitinho, bonitinho. Estou mostrando a vocês qual é a origem. Tem origem, não é origem ilícita, não. Não tem origem em terceiros”. Flávio disse, ainda, que além de parlamentar é empresário. Ele é sócio de uma franquia de uma empresa de chocolates.

Família Bolsonaro e a ligação com as milícias

As denúncias de que as transações financeiras suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-motorista e assessor do filho mais velho de Jair Bolsonaro, podem ir além das suspeitas de apropriação de parte dos salários dos assessores e revelar relações da família Bolsonaro com negócios de milicianos no Rio de Janeiro foram feitas no último domingo pelo líder do PT na Câmara, deputado federal Paulo Pimenta (RS).

O parlamentar relacionou alguns fatos recentes para indicar que a denúncia que fazia não era por acaso e que, por isso, a investigação envolvendo a família Bolsonaro precisa ser aprofundada. Segundo Pimenta, a tesoureira do PSL do Rio de Janeiro, Valdenice de Oliveira Meliga, teve dois irmãos presos recentemente na Operação Quarto Elemento por envolvimento com as milícias no estado.

Os irmãos gêmeos PMs Alan e Alex Rodrigues de Oliveira estavam entre os 46 suspeitos que tiveram prisão decretada pela Justiça. Eles faziam segurança do então candidato ao Senado e presidente do PSL do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, durante as eleições de 2018 quando foram detidos. Registro feito em outubro de 2017 na rede social do próprio Flávio sinaliza que a família Bolsonaro tem ligação com a família de Valdenice e dos dois PM's.

INSTRAGRAM FLÁVIO BOLSONAROInstragram Flávio Bolsonaro
Foto publicada no Instagram de Flávio Bolsonaro, em que aparece com os irmãos Alan, Valdenice e Alex Rodrigues de Oliveira, e com seu pai, Jair Bolsonaro

[Via CUT/Imagem CUT]

Publicado em Política

O assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, completa seis meses, nesta sexta-feira (14), que sem uma solução para o caso. Como se não bastasse, passada a comoção mundial com o caso, a Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro teve o seu efetivo reduzido. De acordo com informações do G1, nos primeiros dias teve 30 agentes, passou a dez e, há 14 dias, voltou a ter 20 investigadores.

Nem a delação de um suposto envolvido com o crime ajudou a clarear as investigações. O vazamento do depoimento, de acordo com autoridades, “atrapalhou e até pode ter desaparecido com provas do assassinato”. De acordo com o depoimento, o vereador Marcelo Siciliano teria planejado a morte de Marielle que foi executada a mando do miliciano Orlando de Oliveira Araújo, o Orlando da Curicica.

Repercussão mundial

O assassinato de Marielle e Anderson teve repercussão mundial. O caso foi reportagem de capa do jornal americano The Washington Post. O título da matéria diz: “A black female politician was gunned down in Rio. Now she’s a global symbol” (Parlamentar negra foi baleada no Rio. Agora ela é um símbolo global).

O texto conta a trajetória da vereadora, descreve o crime e fala, sobretudo, sobre a repercussão que o caso teve em todo o mundo. A reportagem destaca a importância de Marielle na luta contra a violência policial nas favelas do Rio: “A matança não é apenas uma guerra contra os pobres. É também uma guerra contra os negros”, dizia ela.

Marielle defendeu incansavelmente os direitos de todos. Dias depois do crime, o coronel Robson Rodrigues, um dos mais respeitados coronéis da Polícia Militar do Rio de Janeiro, escreveu um texto, em sua página no Facebook, no qual homenageia a socióloga a vereadora do PSOL-RJ, Marielle: “Ela defendia muito mais nossos policiais do que nós fomos capazes de compreendê-lo e de fazê-lo”.

Em outro caso, do policial civil Eduardo Oliveira, que morreu em abril de 2012, Marielle também foi lembrada. A mãe do policial, Rose Oliveira, correu atrás de justiça: “Nem vivi o luto”, lembra. Ela foi aconselhada a procurar a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia do Rio (Alerj) e se surpreendeu. “Falei: ‘Direitos Humanos? Não fazem nada por policiais’”. De acordo com Gabriel Barreira, do G1, mesmo desconfiada, Rose conheceu Marielle Franco, então assessora do comitê na Alerj: “Entrei no gabinete e tive outra impressão”. Seis anos depois, ao recordar da mulher que se tornou sua amiga e que acabou assassinada, ressalta com gratidão: “A Marielle foi imbatível, foi muito importante no caso do meu filho”.

[Via Revista Forum]

Publicado em Política

Marinete da Silva e Antonio Francisco da Silva Neto, pais da vereadora do PSOL assassinada no Rio de Janeiro, Marielle Franco, visitam a Vigília Lula Livre nesta terça-feira (4). Os dois passarão a tarde e o início da noite em Curitiba, em especial para participar da inauguração do Centro de Formação e Cultura Marielle Vive, que homenageia a filha do casal.

O ato de inauguração do Centro de Formação será às 17h. Antes disso, os pais da vereadora participam de outras agendas na Vigília, como do “boa tarde” ao presidente Lula, de uma roda de conversa e do plantio de duas mudas de araucária – em homenagem a Marielle e a Anderson Gomes, motorista assassinado junto com a vereadora. (Confira a programação completa abaixo)

Formação e cultura

O Centro de Formação e Cultura Marielle Vive integra o conjunto de locais que compõem a vigília permanente pela liberdade de Lula. O novo espaço fica a cerca de 100 metros da Superintendência da Polícia Federal (PF), onde o ex-presidente é preso político há 151 dias.

Um muro interno de aproximadamente 30 metros servirá como uma exposição a céu aberto. Ainda em fase de conclusão, a obra traz retratos realistas de teóricos e lideranças mundiais da esquerda, como Karl Marx, Rosa Luxemburgo, Fidel Castro, Hugo Chávez e a própria Marielle Franco. O trabalho é feito por um jovem artista do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O espaço abriga um salão para formações e exibição de filmes, com capacidade para 150 pessoas. Além de jardim, viveiro de mudas e minhocário, a cozinha comunitária da vigília também funciona no local. Ali são preparados café da manhã, almoço e jantar para as pessoas vindas de outras cidades para participar das atividades nos arredores da PF.

A preparação e reforma do espaço durou cerca de 70 dias, resultado de trabalho voluntário e de doações. O Centro de Formação é resultado da articulação entre o conjunto de entidade sindicais e movimentos que mantêm a Vigília Lula Livre há cinco meses, entre elas o próprio Partido dos Trabalhadores, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a Central Única dos Trabalhadores (CUT-PR), a Via Campesina, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), os Sindicatos dos Petroleiros e dos Petroquímicos (Sindipetro e Sindiquímica), movimentos populares, mídias alternativas, entre outros.

Local: O Centro de Formação e Cultura Marielle Vive fica na Rua Guilherme Matter, 362, bairro Santa Cândida.

Programação completa

14h30 – “Boa Tarde, presidente Lula” – com a presença dos pais da Mariele Franco, Marinete da Silva e Antonio Francisco da Silva Neto, e da cantora Brinsam N’tchala.

15h – Plantio de duas mudas de pinheiro, representando Marielle Franco e Anderson Gomes – “Tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos semente”.

15h40 – Roda de conversa “A impunidade contra os lutadores do povo – indignação transformada em resistência”, com os pais da lutadora Marielle Franco, Marinete da Silva e Antonio Francisco da Silva Neto.

17h – Ato de inauguração do Centro de Formação e Cultura Marielle Vive.

18h – Leitura dramática do texto “Ordens de Cima”, de Pedro Carrano, com Susi Monte-Serrat, João Bello e Carlinhos do MST.

[Via Revista Fórum]

Publicado em Movimentos Sociais

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

Instagram