P-36 nos anos FHC e ruínas do Museu Nacional nestes anos golpistas de MiShell Temer são Ícones trágicos de uma mesma ideologia entreguista e antipopular. NF sempre lutou contra esta política que quer reduzir o estado brasileiro a pó

Matéria de capa do boletim Nascente, do Sindipetro-NF

A categoria petroleira viveu grandes tragédias e sabe que nenhuma delas é fruto do acaso. Um conjunto enorme de variáveis se forma ao longo do tempo, inclusive emitindo sinais, até que uma delas detona todo o castelo de fragilidades. O trágico incêndio que levou, de acordo com estimativas iniciais, pelo menos 90% do acervo do Museu Nacional e enorme parte do próprio prédio, traz elementos de um descaso histórico do Brasil para com a cultura e o conhecimento, mas está diretamente relacionado ao agravamento da política de desmonte do Estado brasileiro, baseado em opções econômicas ultrapassadas regidas por uma noção desumana de austeridade.

Esta política neoliberal é a que deixou a imagem do afundamento da P-36 como expressão icônica máxima dos anos FHC, e que agora deixa a imagem do Museu Nacional em chamas como ícone deste seu retorno violento por meio do Golpe de 2016.

Embora não expliquem tudo, os números são contundentes: entre 2001 e 2011, a área de museus teve aumento de 980% na destinação de recursos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibran). Em uma década, a maior parte dela nos anos Lula, que tomou posse em 2003, os recursos destinados anualmente ao setor saltaram de R$ 20 milhões para R$ 216 milhões.

O cenário atual, para o Museu Nacional, era de cortes drásticos nos repasses. Nos últimos cinco anos, desde quando a direita começou a inviabilizar o governo Dilma no Congresso, criando o ambiente de insustentabilidade que daria o discurso de legitimação do impeachment, o orçamento da instituição caiu de R$ 1,3 milhão, em 2013, para R$ 643 mil, em 2017. Para este ano de 2018, o que estava previsto no orçamento era pouco mais de R$ 300 mil, dos quais havia recebido menos de R$ 100 mil.

Virada nas eleições

É contra essa marcha da insensatez, contra esse caminho para a barbárie, que o Sindipetro-NF, a CUT, a FUP, e milhares de outras entidades sindicais e dos movimentos sociais se insurgem. Nesta luta, as eleições não são a única frente, mas são extremamente importantes.

Para o sindicato, o Brasil que sairá das urnas de outubro poderá ser o que viverá o aprofundamento desse quadro nefasto destes anos de Golpe, ou aquele que retomará as condições de desenvolvimento com justiça social, distribuição da renda, geração de empregos, soberania energética, entre tantas bandeiras defendidas pela categoria petroleira e por todos os brasileiros e brasileiras que verdadeiramente amam o País.

[Via Sindipetro-NF]

Publicado em Política

O incêndio de grandes proporções que neste domingo (2) destruiu o acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e comprometeu toda a sua estrutura é o símbolo do desmonte do Estado Brasileiro sob o desgoverno Temer. O incêndio destruiu coleções de geologia, paleontologia, botânica, zoologia, antropologia biológica, arqueologia e etnologia, fósseis de animais, utensílios indígenas, múmias, incluindo o mais antigo fóssil humano já encontrado nas Américas, o crânio de Luzia.

Com o orçamento reduzido a pouco mais de R$ 300 mil, as condições precárias de manutenção do prédio e do acervo do museu, assim como ocorre com vários outros setores do Estado, foram agravadas pela política fiscal de Temer, que congelou por 20 anos os investimentos públicos em áreas estratégicas, como saúde, educação, cultura, ciência e tecnologia. A Proposta de Emenda à Constituição 55/2016, que Temer enviou ao Congresso logo após ter afastado a presidenta Dilma Rousseff, ficou conhecida como a "PEC do teto de gastos".

É esse contexto de "restrição orçamentária" que, segundo o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, colaborou para a ocorrência da tragedia.

"Num contexto como esse, todas as unidades (da universidade) são afetadas. Para o país, é uma perda imensa. Aqui temos a nossa memória. Grande parte do processo de constituição da história moderna do Brasil passa pelo Museu Nacional. Este incêndio sangra o coração do país." O museu é vinculado à UFRJ.

Leher também atribuiu as dificuldades no combate a falta de "infraestrutura" para enfrentar uma emergência desse porte. "Reconhecemos o trabalho valoroso do Corpo de Bombeiros, mas a forma de combate ao incêndio não foi da mesma proporção e escala do incêndio. Percebemos claramente que faltou uma logística e uma capacidade de infraestrutura."

Sem água nos hidrantes, o incêndio avançava enquanto os bombeiros aguardavam a chegada de carros-pipa enviados pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio (Cedae). Bombeiros, professores e técnicos do museu dizem que ainda conseguiram salvar algumas peças do acervo, composto por mais de milhões de obras e documentos. Mas, segundo o diretor de Preservação do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, João Carlos Nara, "o dano é irreparável".

“Infelizmente a reserva técnica, que esperávamos que seria preservada, também foi atingida. Teremos de esperar o fim do trabalho dos bombeiros para verificar realmente a dimensão de tudo. “É uma edificação muito antiga que foi concebida em um contexto em que não existia o uso de energia, muito menos o uso intensivo de energia como são as edificação acadêmicas, que têm laboratórios, área administrativa, informática", afirmou Nara.

Ele também afirmou que as instalações do museu contavam com uma brigada de incêndio que realizava "trabalho sistemático" junto ao Corpo de Bombeiros e à Defesa Civil, e que os extintores estavam "em ordem".

Para a ex-secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura Ivana Bentes, não é possível atribuir à tragédia a um suposto "descaso" da UFRJ. "Não existe política pública para manter e conservar nosso patrimônio. É o mesmo descaso com o patrimônio, a pesquisa, a ciência e tudo que é público. O Museu sobrevive com o mínimo de recursos do Estado."

Ela lembra que até mesmo o público chegou a contribuir com "vaquinha" para ajudar na manutenção do museu, e disse que tragédias dessa dimensão podem ocorrer em outras instituições que vivem na mesma situação. "São incêndios e tragédias que não são ainda mais frequentes nem sabemos porquê. Na adversidade vivemos e as universidades fazem muito e muitíssimo com muito pouco."

Segundo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC-RJ), desde 2014, o "Governo Federal não faz os repasses apropriados para a manutenção do Museu". O órgão também declarou que o incêndio "é um símbolo do descaso do governo atual com a nossa cultura, ciência e patrimônio."

Leia também: Investimento em museus cresceu 980% no governo Lula, afirma Ibram

[Com informações da Agência Brasil]

Publicado em Cidadania

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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