Trabalhadores cruzaram os braços nas agências de Norte a Sul do país. Adesão entre os caixas do banco atingiu cerca de 80% da categoria, que será a mais afetada com as demissões anunciadas pelo comando do BB

[Da imprensa da Contraf/CUT]

Nesta sexta-feira (29), agências, postos de atendimento, escritórios e outras unidades do Banco do Brasil pararam suas atividades contra o plano de reestruturação da direção da instituição. O movimento alcançou todo o país, em um sinal da rejeição por parte dos funcionários do plano de restruturação da direção do banco, que prevê 5 mil demissões e fechamento de centenas de agências, postos e escritórios do BB.

A paralisação ocorreu tanto nas capitais e grandes cidades, como em municípios do interior. Logo pela manhã foram registradas paralisações em cidades como Lagoa Santa (MG), Catanduva (SP), Divinópolis (MG), Passo Fundo (RS), Rolante (RS), Parobé (RS), Igrejinha (RS), Campina Grande (PB), Blumenau (SC), Rio Grande (RS), Macaé (RJ), Dourados (MS), Umuarama (PR), Assis Chateaubriand (PR), Cruzeiro do Oeste (PR), Campos de Goytacazes (RJ), Paranavaí (PR), Taubaté (SP), Olinda (PE), Paulista (PE), Igarassu (PE), Arcoverde (PE), Gravatá PE), Vitória de Santo Antão (PE), Apucarana (PR), Borborema (SP). Uberaba (MG), Mogi das Cruzes (SP) e Juiz de Fora (MG), Assis (SP), Cândido Mota (SP), Paraguaçu Paulista (SP) e Palmital (SP), Alta Floresta (MT), Sinop (MT), Sorriso (MT), Lucas do Rio Verde (MT), Pontes e Lacerda MT).

“A paralisação no dia de hoje foi muito boa. Muitos bancários entenderam a importância de cruzar os braços. Não foi uma paralisação contra o nosso trabalho, mas para cobrar respeito e dignidade por parte da direção do Banco do Brasil”, explicou o coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga. Além da paralisação, houve também um tuitaço com a hashtag #MeuBBvalemais.

Negociação

Na semana que vem, será avaliada a mobilização e sua continuidade, caso a direção do Banco do Brasil se recuse a dialogar com seus funcionários sobre eventuais mudanças no banco. “A Comissão de Empresa vai se reunir na próxima semana, junto com o Comando Nacional, para avaliarmos como foram os atos no Brasil inteiro. Vamos montar um novo calendário de lutas caso o banco não nos chamar para a negociação. Não descartamos a possibilidade de greve dos funcionários do Banco do Brasil”, afirmou o coordenador da CEBB.

Para ver as fotos da paralisação desta sexta-feira, clique aqui.

Publicado em Trabalho

A mobilização será virtual e nas unidades do BB. Objetivo é falar sobre os impactos negativos do plano do governo de Bolsonaro e dialogar com clientes e a população. Greves e paralisações não estão descartadas

[Da CUT]

Um ato nacional de “esquenta” para a luta dos trabalhadores e trabalhadoras do Banco do Brasil (BB) contra a reestruturação anunciada pela estatal nesta semana, que fechará 361 unidades, entre agências e postos de atendimento, e demitirá cerca de 5 mil pessoas no país, em plena pandemia, está marcado para esta sexta-feira (15). Paralisações e greves não estão descartadas.

Vestida de preto, a categoria vai protestar para demonstrar o descontentamento com esta medida do presidente Jair Bolsonaro ( ex-PSL) e o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes. A ideia é que este seja o primeiro passo da luta contra a reestruturação, informam  sindicatos da Contraf-CUT. Outro ato já está sendo articulado no dia 21 ( quinta) para pressionar o banco a rever sua posição.

“É um esquenta para as mobilizações, porque ao fechar as agências e diminuir trabalhadores,  a população ficará mal assistida e o país tem menos chance de ter um desenvolvimento real. Fora o fim do papel social do banco. E ainda vai começar a favorecer os mais privilegiados e parar de atender as micro e pequenas empresas, o agricultor e o trabalhador e passo a virar um espaço elitizado”, diz o diretor do Sindicato dos Bancários do ABC, Otoni Pedro de Lima, e  trabalhador do Banco do Brasil.

Atos pelo Brasil

Como a categoria é nacional e em cada canto deste país tem uma realidade diferente, cada sindicato está organizando sua atividade. No ABC, vai ter intervenção em algumas agências, com paralisações parciais e reuniões nos locais de trabalho. Os trabalhadores e as trabalhadores que estão em home office, poderão contribuir com o tuitaço, que também acontece nesta sexta, a partir das 11h com a hashtag #MeuBBvalemais.

“A mobilização contra a reestruturação não tem dia para acabar, serão plenárias digitais e reuniões permanentes por agência, por cargo. Os bancários estão se mobilizando no mundo digital. A organização no local de trabalho agora também tem nos grupos de Whatsapp e Telegram e em rede nacional. É importante que estejamos unidos neste momento para manifestar nossa indignação”, afirma Otoni.

A manifestação está sendo organizada pela Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), federações e sindicatos.

BB trai seu trabalhador  

Mesmo com crescimento no lucro líquido e na receita de tarifas, 2016 a 2019, o banco fez uma reestruturação de quadros, de 2016 até o terceiro trimestre de 2020. O número de funcionários caiu de 109.864 para 92.106, uma redução relativa de 16%. No mesmo período, o número de agências foi reduzido de 5.428 para 4.370, uma redução de 19%.

Além disso, excluiu funções e criou uma relação com alguns trabalhadores com formato de um contrato intermitente. O caixa, por exemplo, deixou de existir no BB e se alguém precise ocupar esta função em algum momento o banco paga por tempo de trabalho. “E a tendência é que isso se repita em outras funções”, diz Otoni.

De acordo com ele, a categoria está se sentindo traída por ter sido considerada essencial na pandemia, trabalhou correndo risco de vida e está vendo a reestruturação como um pagamento injusto pelo esforço. Os bancários e bancárias estão mobilizados porque estão apreensivos com o que pode acontecer com eles. Mesmo quem não foi impactado ainda, está junto na luta.    

 “A gente sabe que o desmonte que estão fazendo no BB é um projeto para a privatização. Bolsonaro e Guedes trabalham para os banqueiros e não querem que tenha um BB no país para atrapalhar os lucros dos amigos. Precisamos conversar com a população para que entendam os prejuízos e venham lutar com a gente”, critica o dirigente.

Serviço:

Tuitaço: hashtag: #MeuBBvalemais

A partir das 11h

Publicado em Movimentos Sociais

Plano prevê fechamento de agências, perdas de gratificação e redução do papel do banco público

[Com informações da Contraf/CUT]

A direção do Banco do Brasil pregou uma triste surpresa para seus funcionários e as entidades sindicais ao anunciar na segunda-feira (11) um plano de restruturação que prevê o fechamento de fechar agencias e outras unidades, além de um Plano de Demissões Voluntários (PDV) que tem por meta dispensar 5 mil trabalhadores do banco, entre outras medidas consideradas muito ruins.

O plano prevê mudanças em 870 pontos de atendimento por meio do fechamento de agências, postos de atendimento e escritórios e a conversão de 243 agências em postos. Também estão previstas a transformação de oito postos de atendimento em agências, de 145 unidades de negócios em Lojas BB, além da relocalização e 85 unidades de negócios e a criação de 28 unidades de negócios. O PDV prevê duas modalidades de desligamento: o Programa de Adequação de Quadros (PAQ), para o que a direção do banco considera excessos nas unidades; e o Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), para todos os funcionários do BB que atenderem aos pré-requisitos.

O banco também quer fazer mudanças no atual modelo e remuneração dos caixas executivos, que deixariam de ter a gratificação permanente a passariam a ter uma gratificação proporcional apenas aos dias de atuação, se houver.

“Fomos informados pelos funcionários, que receberam o comunicado do banco às 9h. Foi um desrespeito com os funcionários e com as entidades sindicais. Somos contrários a esse plano, que retira do BB o papel de banco público. Também prejudica os caixas executivos, que terão perdas. Na reunião de hoje, as informações foram poucas”, afirmou João Fukunaga, coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB).

Na reunião com a CEBB, os representantes do BB admitiram que não tinham todas as informações por ser o dia do anúncio do plano de restruturação. “Estudamos medidas judiciais e orientamos os bancários que procurem seus sindicatos para mais informações. O anúncio do plano provocou muita preocupação entre os funcionários. Agora, quem está em home office vai querer voltar a trabalhar presencialmente porque está preocupado para não deixar de ser notado em um momento de redução de pessoal. Tudo isso acontece em meio à pandemia”, criticou Fukunaga.

Participaram da reunião desta segunda-feira vários representantes de federações de bancários de todo o Brasil. O plano de restruturação foi considerado um ataque à categoria e pode causar, na prática, a redução do papel do Banco do Brasil como banco público, com o fechamento de agências em diversas cidades do país. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do (Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a CEBB orientam os sindicatos a fazerem reunião para saber o impacto do plano nas suas bases e repasses essas informações para as federações. A CEBB vai realizar nova reunião na quarta-feira (13) para discutir um calendário de lutas e de mobilização dos funcionários.

"Tem que vender essa porra logo"

O ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia sinalizado sua intenção de privatizar o Basnco do Brasil.  Em reunião ministerial no dia 22 de abril do ano passado, ele foi taxativo: “O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”.

Na ocasião, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendia que o governo aproveitasse a preocupação geral com a pandemia para passar a “boiada” do desmonte do Estado. Paulo Guedes tomou carona na fala do ministro e abriu o verbo: “É um caso pronto e a gente não tá dando esse passo (…) Então tem que vender essa porra logo”, se referindo ao BB.

Publicado em Economia

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.