Em audiência pública realizada segunda, 04, na Câmara dos Vereadores de Mossoró, no Rio Grane do Norte, a FUP e o Sindipetro RN denunciaram os impactos dos desinvestimentos da Petrobrás no estado. A audiência fez parte da agenda de comemoração dos 68 anos de criação da Petrobrás

[Da imprensa do Sindipetro RN]

Vereadores de Mossoró, Governo do Estado, entidades sindicais e de profissionais, reafirmaram a luta pela permanência da Petrobras no Rio Grande do Norte. O consenso foi referendado em audiência pública realizada na última segunda, 4 de outubro, na Câmara Municipal de Mossoró. O ato político foi uma iniciativa da Diretoria do SINDIPETRO-RN em alusão aos 68 anos da Petrobras, celebrado no domingo (3).

A mesa dos trabalhos foi dirigida pelo vereador e presidente da Câmara Municipal, Lawrence Amorim, e composta pelos dirigentes: Pedro Lúcio – Diretor da Federação Única dos Petroleiros – FUP; Ivis Corsino – Coordenador Geral do SINDIPETRO-RN; Orildo Lima – Presidente da AGERN; Silvio Torquato – Secretário Adjunto de Estado; William Marimbondo Vinagre – Diretor da AEPET; Antônio Marcos Brasil – Representando a CTB/RN; e Ronaldo Maia – Representando o Mandato da Deputada Federal, Natália Bonavides.

De acordo com Pedro Lúcio, a audiência pública teve como objetivo ressaltar o papel histórico de desenvolvimento, prosperidade econômica e social promovidos pela Petrobras no RN e defender a permanência da Estatal em solo potiguar. Em sua exposição, o dirigente relembrou o início da exploração de petróleo no Estado.

“Os primeiros relatos da existência de petróleo em terras potiguares datam de 1853, na Chapada do Apodi. Outros estudos foram realizados entre 1930 e 1950, mas somente na década de 1970 é que foram realizadas campanhas exploratórias mais intensas que culminaram na descoberta de Ubarana, em 1973, e em Mossoró, em 1979. Naquele período, a indústria e a atividade econômica do Rio Grande do Norte como um todo estavam passando por dificuldades e o início da atividade petrolífera mais pujante foi recebida com muito entusiasmo”, informou o dirigente sindical.

No link abaixo, a partir de 15:34, você pode conferir parte da apresentação de Pedro Lúcio na Audiência: 

Assista a continuação: 

O Coordenador Geral do SINDIPETRO-RN, Ivis Corsino, parabenizou a todos os presentes, e em especial ao presidente da Casa, Lawrence Amorim, ao vereador Pablo Aires e as vereadoras, Marleide Cunha e Larissa Rosado que compareceram à audiência. “A história vai honrar o nome de cada um e cada na participação desta luta em defesa da Petrobras e da soberania nacional”, destaca Ivis.

Ainda em sua fala, o dirigente leu um trecho da Carta de Monteiro Lobato ao presidente da República, Getúlio Vargas, em 19 de agosto de 1935, na qual apresenta preocupação em defender as reservas de petróleo do país. Clique aqui e leia a correspondência na íntegra.

Assista um trecho da apresentação de Ivis a partir de 8:35 e do Silvio Torquato, onde afirma o compromisso do Governo do Estado em lutar pela permanência da Petrobras no RN e contra sua privatização: 

O ato público também contou com a participação do Presidente da Associação Profissional dos Geólogos do Rio Grande Do Norte – AGERN e Diretor de Comunicação do SINDIPETRO-RN, Orildo Lima. Em sua fala o dirigente destaca o abandono que o atual Conselho de Administração da Petrobras dedica as áreas produtoras em terra, incluindo a bacia potiguar.

Confira um trecho da exposição no link abaixo a partir de 2:32: 

A audiência contou com a participação dos dirigentes do SINDIPETRO-RN, Pedro Idalino, Marcos Brasil, Márcio Dias, Carlos Henrique, Marcos Aurélio, Manoel Assunção, Jorge Luíz e Eufrasio Paulino. Na oportunidade, os diretores também fizeram apresentações na tribuna do plenário(conforme link abaixo). Funcionários e assessores do sindicato também participaram da atividade. 

Também marcaram presença: Diego Ângelo, representando o IFRN; Aglailton Fernandes do Movimento Sem Terra(MST); Káliane Morais, Coordenadora do SINTEST; Salvina Andrade representando o SINAI; e Rômulo Arnauld, diretor do SINTE-RN(Regional Mossoró).

Movimento Nacional

Petroleiros de todo o Brasil realizaram atividades em alusão ao 68º aniversário da Estatal que “está passando pelo mais perigoso desmonte de sua história”, destaca o coordenador da FUP, Deyvid Barcelar. O dirigente ressalta os diversos ativos privatizados e vários outros para serem vendidos, entre eles, refinarias e terminais.

Ele chama a atenção para a perda da função social da Petrobrás, que gera lucro recorde para os acionistas, às custas das privatizações e de uma política de reajuste dos derivados que impõe preços em dólar e com custos de importação para combustíveis produzidos com petróleo nacional, enquanto a população é obrigada a pagar mais de R$ 100,00 pelo botijão de gás de cozinha e quase R$ 7,00 pelo litro da gasolina.

[Da imprensa do Sindipetro RN]

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Já foram vendidas usinas eólicas, 104 campos de petróleo e gás natural e ativos de petroquímica, fertilizantes e energia elétrica. Com isso, houve redução de 65% dos trabalhadores próprios e 48% dos terceirizados, e há tendência de piora nesses índices com a venda de cinco refinarias

[Da assessoria de comunicação da FUP | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil]

A estratégia da gestão da Petrobrás de vender ativos para se concentrar nas atividades de exploração e produção no pré-sal já deixou marcas nas economias das regiões Norte e Nordeste, com perda de emprego e de renda. É o que mostra estudo do economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), realizado a pedido da Federação Única dos Petroleiros (FUP). 

De um total de US$ 36 bilhões contabilizados pela Petrobrás com a venda de ativos a partir de 2016, US$ 5,4 bilhões (15%) originaram-se dos desinvestimentos nas regiões Norte e Nordeste (ver lista abaixo). Estes valores vieram da venda de diferentes negócios: campos de produção de óleo e gás, em bacias terrestres e marítimas; usinas termelétricas; unidades petroquímicas e de fertilizantes; gasodutos; além das quatro usinas eólicas do parque de Mangue Seco, no Rio Grande do Norte. 

A venda de ativos no Norte e no Nordeste é muito representativa, pois significa que a Petrobrás está vendendo praticamente todos os seus ativos nessas regiões. Ou seja, o que está ocorrendo é a saída da maior companhia do Brasil controlada pelo governo das duas regiões. E isso vem gerando consequências dramáticas diante da crise socioeconômica provocada pela pandemia de Covid-19. 

“Somente nos estados do Norte e Nordeste já foram vendidos 104 campos de petróleo e gás natural e estão à venda outras 81 áreas”, diz Cararine. O economista ressalta que a Petrobrás sempre vendeu e comprou ativos e que isso faz parte da estratégia de qualquer empresa, mas não com essa velocidade e com argumentos falsos, que farão com que a Petrobrás deixe de ser uma empresa integrada e nacional. 

A estratégia resultou em desemprego e redução de receita gerada pelas atividades nessas regiões. De 2013 a 2020, houve redução de 65% no número de trabalhadores próprios da Petrobrás nas regiões Norte e Nordeste, enquanto no Sudeste a queda foi de 26%. Quando se trata de trabalhadores terceirizados, houve perda de mais de 22 mil empregos, uma redução de 48%. “A perda de empregos é um dos impactos mais perversos do processo de privatização da Petrobrás”, destaca Cararine. 

PRIVATIZAÇÃO NÃO AUMENTA INVESTIMENTOS E EMPREGOS

Das nove refinarias colocadas na lista de privatização da Petrobrás, cinco estão nas regiões Norte e Nordeste. Uma delas é a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, vendida a preço aviltado para o fundo árabe Mubadala. A operação ainda não foi concluída e é alvo de processos na Justiça e em outras instâncias, acrescenta o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar. 

Bacelar lembrou que a Petrobrás fez investimentos de US$ 23 bilhões na ampliação de refinarias, em unidades de hidrotratamento (HDT) de diesel e de gasolina. “Somente na RLAM, foram investidos R$ 6 bilhões, e agora ela está sendo vendida a preço de banana, por US$ 1,65 bilhão”. 

Bacelar contesta o discurso do governo federal de que a venda de ativos da Petrobrás irá estimular investimentos e gerar empregos. Para ele, o que está ocorrendo é simplesmente a transferência de patrimônio público nacional para a iniciativa privada – que investe e emprega menos que as estatais. 

“Não se aumenta investimentos vendendo o que já temos. Não somos contrários a investimentos privados, mas queremos que eles construam novos ativos no país. Privatizar empresas e ativos públicos é trocar seis por cinco, já que os agentes privados investem menos e empregam menos. É uma mentira que a venda de ativos aumenta investimentos e empregos. O campo de Riacho do Forquilha, no Rio Grande do Norte, por exemplo, empregava 750 trabalhadores, entre próprios e terceirizados da Petrobrás, e esse número caiu para 400 pessoas depois da privatização, reduzindo a massa salarial e a geração de riqueza e renda das economias locais.” 

SAÍDA DAS RENOVÁVEIS VAI NA CONTRAMÃO DAS PETROLEIRAS MUNDIAIS

Coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), William Nozaki reforça a crítica ao processo de desmonte da Petrobrás no Norte e Nordeste questionando a saída da empresa da área de fontes renováveis de energia. Além da venda das usinas eólicas do Rio Grande do Norte, a Petrobrás está saindo da produção de biodiesel, com a venda da Petrobrás Biocombustível (PBio). A unidade da PBio de Quixadá, no Ceará, já foi paralisada. 

Para Nozaki, ao vender ativos de energias renováveis para acelerar a produção do petróleo, a Petrobrás vai na contramão de outras grandes petroleiras mundiais. ”De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), mais de 60% dos investimentos em energias renováveis são feitos pela indústria petrolífera. E a Petrobras, na contramão das grandes empresas, tem se desfeito de seus ativos”, observa. 

 Fonte: Ineep

Novamente, a equivocada decisão empresarial da gestão da Petrobrás penaliza o Nordeste. A região lidera os índices de vento e radiação solar em todo o país, potencial que poderia ser explorado pela petroleira com investimentos em energia eólica e solar. 

Além de estimular o desenvolvimento econômico e social no Nordeste com o investimento em fontes renováveis, a Petrobrás poderia colaborar na garantia de oferta de energia elétrica para o país, que está prestes a sofrer um racionamento por causa da crise hídrica.

 

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O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) realiza, nesta terça, 98, às 19h, em seu canal do Youtube, webnário sobre as mudanças do setor energético do Rio Grande do Norte. O pesquisador do Instituto Henrique Jäger é o convidado para a conversa e falará sobre as oportunidades e os desafios do estado nordestino diante do ciclo de expansão das energias eólica e fotovoltaica.

Durante o webnário, Jäger fará um histórico do papel exercido pela indústria do petróleo no Rio Grande do Norte, mostrará os impactos da gradativa redução desta atividade para a economia e a sociedade potiguar e falará do cenário que se apresenta com o elevado potencial do estado para a geração de eletricidade a partir do vento e do sol nos próximos anos.


Leia também: Na contramão do mundo, Petrobrás vende ativos fundamentais para transição energética


Acompanhe por aqui: 

[Do site do Ineep]

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Petroleiros do Rio Grande do Norte estão ampliando a mobilização contra o descaso da Petrobras no enfrentamento da COVID 19 nas instalações da companhia, contra a agenda neoliberal para a venda de ativos no Estado e contra a privatização da PBio.

Nesta terça, 02 de junho, no Polo Guamaré(RN), a diretoria do SINDIPETRO-RN esteve reunida com a categoria numa assembleia informativa para denunciar a gestão desastrosa da Petrobras, com respaldo do Governo Federal.

Durante a assembleia foi discutida a venda acelerada dos ativos em solo potiguar, Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS); acidentes de trabalho que ocorreram no polo Guamaré nas últimas semanas, com registro de incidentes de Alto Risco Potencial, que poderiam causar danos irreversíveis a saúde dos trabalhadores, bem como a segurança estrutural do Polo.

Neste último ponto, foi falado sobre os protocolos de segurança e o ambiente inseguro que permeiam as bases da Petrobras no solo potiguar em razão da agenda da venda de ativos. Ao que parece o objetivo é precarizar para vender mais rápido.

O debate reuniu dezenas de trabalhadores do setor público e privado, que fazem parte dos setores da manutenção, caldeiraria, operação, instrumentação, logística entre outras áreas. Todos os participantes utilizaram máscaras de proteção individual, álcool em gel e obedeceram ao distanciamento social. Participaram da assembleia os dirigentes sindicais, Márcio Dias, Marcos Brasil e o Coordenador Geral do SINDIPETRO-RN, Ivis Corsino.

Para Ivis Corsino, A gestão da Petrobras atua de maneira acelerada para consumar os processos de venda, muito embora existam muitos empecilhos de ordem ambiental, tributária e civil. “A Petrobrás para efetuar a venda de um ativo como o polo Guamaré ela sequer adequou ao recebimento da produção dos diversos produtores que estão disputando e já produzindo nas demais áreas, como é o caso da Potiguar E&P S.A em Riacho da Forquilha e da 3R Petroleum no polo de Macau”.

O coordenador ainda explicou que com esse ritmo desenfreado de concretizar o processo de venda, a Petrobras cria um ambiente inseguro nas instalações provocando medo e angústia para os trabalhadores que ali atuam.

“A falta de informação e clareza no tratamento que será dado aos trabalhadores concursados, por exemplo, é muito obscura. Não sabemos se serão demitidos, realocados ou se serão absorvidos. O mesmo acontece com os trabalhadores do setor privado. Por que há uma incerteza da continuidade dos contratos. Existem contratos em Guamaré que tem previsão de três anos, mas tudo indica que a Petrobras deva concluir a venda dos ativos até junho de 2022. Isso é um absurdo!”, explica o dirigente.

O coordenador continua, “neste cenário de incertezas, o que se enxerga nas bases do Rio Grande do Norte são contratos sendo abandonados, rescindidos, trabalhadores ficando com atraso de salários num período de três meses. E a Petrobras não tem tratado isso da forma adequada, focando apenas na agenda de venda dos ativos no Estado”.

Greve na PBio

Ainda na assembleia a diretoria fez um relato sobre a greve na PBio. Em greve desde o dia 20 de maio, os trabalhadores das usinas de biodíesel de Candeias, na Bahia, e de Montes Claros, em Minas Gerais, e da sede da PBio, no Rio de Janeiro, reivindicam a garantia de permanência no Sistema Petrobras, caso a privatização da subsidiária, que já está em processo avançado, se concretize. São cerca de 150 trabalhadores concursados, que lutam para ser incorporados e transferidos para outras áreas da empresa, como tem ocorrido em diversos desinvestimentos feitos pela estatal. A gestão da Petrobrás, no entanto, alega “impossibilidade jurídica” e a direção da PBio diz não ter competência para atender a esta reivindicação.

Diante do impasse estabelecido, os trabalhadores da subsidiária estão há 14 dias em greve e cobram que representantes da holding participem da audiência de conciliação que ocorre nesta quarta, à tarde.

Após a explanação, todos os trabalhadores do Polo Guamaré se posicionaram à favor da greve da PBio. O coordenador geral também relembrou que no polo de Guamaré existe uma planta da Petrobras Biocombustivel que foi desativada. “Essa planta comprava a produção de oleaginosas de cinco mil famílias. Nesta instalação existiam doze postos de trabalhos diretos que ajudavam na operação da planta, essa desmobilização que aconteceu no RN é o mesmo que vem ocorrendo nos demais Estados”, ressaltou o dirigente.

Faixas comunicando a venda irresponsável da PBIO também foram aplicadas nas imediações da Refinaria Potiguar Clara Camarão e também próximo a sede da Petrobrás em Natal.

No fim da assembleia foi estabelecido um pacto entre os presentes para não aceitar esse tipo de conduta arbitrária e entreguista que a Petrobras vem tomando, na qual vem apresentando uma série de prejuízos aos trabalhadores. Nesse sentido, a diretoria do sindicato também estabeleceu como meta, “estar como nunca antes, próximo a categoria e construir uma mudança positiva em decorrência dos atrasos promovidos pela atual gestão da Petrobras. A mobilização será permanente até que mude a conjuntura que permeia a Estatal”, destacou Ivis.

Confira o depoimento do Coordenador Geral do SINDIPETRO-RN, Ivis Corsino, na Assembleia realizada no Polo de Guamaré desta quarta-feira (02) 

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No dia em que a Refinaria Landulpho Alves (RLAM) completa 70 anos, petroleiros promovem ato em celebração à data e lançam campanha mostrando à sociedade razões para que a Petrobrás não venda suas refinarias, às vésperas do início do julgamento no STF sobre a legalidade da operação

Na manhã desta quinta-feira (17/9), dia em que a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, a primeira refinaria do Brasil, completa 70 anos, petroleiras e petroleiros realizaram o ato “RLAM 70 anos: história, luta e resistência” em frente à entrada principal da unidade, em São Francisco do Conde (BA), para celebrar a data. Simultaneamente, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus 13 sindicatos lançaram nas redes sociais a campanha “7 razões para a Petrobrás não vender refinarias”, para mostrar à população os riscos associados à privatização dessas unidades.

O ato na RLAM e a campanha nas redes sociais reforçam a campanha #PetrobrásFica, lançada no início de agosto pela Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobrás. A movimentação ocorre às vésperas do início do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do pedido das mesas do Senado Federal e do Congresso Nacional à corte para impedir que a empresa privatize oito refinarias sem autorização do Poder Legislativo. 

Além da RLAM, a gestão da Petrobrás anunciou a venda de Refap (RS), Repar (PR), SIX (PR), Regap (MG), RNEST (PE), RPCC (RN), Lubnor (CE) e Reman (AM). A RLAM está sendo negociada com o Fundo Mubadala, de Abu Dhabi, enquanto a Repar, segundo informações veiculadas na imprensa, teria atraído o interesse da Raízen, joint venture entre a anglo-holandesa Shell e a brasileira Cosan, e do grupo Ultrapar.

“A Constituição Federal é clara quanto à necessidade de autorização do Congresso Nacional para a venda de estatais. O que a atual gestão da Petrobrás e o governo estão fazendo é criar uma forma de burlar a exigência legal, criando subsidiárias para vender essas refinarias sem a aprovação do Legislativo”, explica o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

CAMPANHA MOSTRA RAZÕES PARA NÃO VENDER REFINARIAS

Reforçando as mobilizações jurídica e política, a campanha “7 razões para a Petrobrás não vender suas refinarias”, lançada hoje pela FUP e seus sindicatos, vai levar para as redes sociais informações sobre o prejuízo que a privatização dessas unidades causaria à sociedade brasileira. Com dados baseados em estudos e pesquisas, a campanha mostra, de forma resumida, impactos sobre o bolso do consumidor, emprego e renda, além da perda de arrecadação dos cofres públicos.

“Queremos mostrar às pessoas que a Petrobrás está sendo privatizada ‘aos pedaços’ e que isso é ruim para a economia do Brasil e para as economias locais e regionais. E a população brasileira é contrária à privatização da Petrobrás, como mostram pesquisas de opinião. Por isso, esperamos que essas informações que estamos compartilhando mobilize a população a se unir a nós na campanha ‘PetrobrásFica’”, reforça Bacelar. 

7 RAZÕES PARA A PETROBRÁS NÃO VENDER REFINARIAS

1 - Vender refinarias não garante concorrência, nem preços de combustíveis mais baixos

No mercado brasileiro, uma refinaria não concorre com outra. Cada uma foi instalada em uma região para suprir os mercados locais. Se uma refinaria não concorre com a outra, quem comprar uma refinaria da Petrobrás não precisa se preocupar com concorrência. Vai poder colocar em seus produtos os preços que quiser. Vamos trocar o equilíbrio dos mercados por monopólios privados.

2 - Vender refinarias cria risco de desabastecimento

Quem comprar as refinarias vai poder decidir se vende no Brasil ou exporta sua produção. E vai decidir se produz combustíveis ou usa apenas as instalações de armazenagem. A própria ANP está preocupada com o risco de desabastecimento, porque não existe regulação no país para a situação de diversos agentes no refino.

3 - Vender refinarias pode reduzir a massa salarial dos trabalhadores

A Petrobrás investe mais nos trabalhadores e na geração local de empregos que empresas privadas. A venda das refinarias diminuirá empregos tanto nas unidades como entre fornecedores. Menos empregos, menos renda, menos poder de compra.

4 - Vender refinarias ameaça as economias locais

Se quem comprar a refinaria resolver produzir menos, ou não produzir, vai impactar a cadeia produtiva que gira em torno dessas refinarias. Pequenos e médios comerciantes, prestadores de serviços e outras atividades econômicas podem ser impactadas.

5 - Vender refinarias vai diminuir a arrecadação de estados e municípios

Se a empresa que comprar as refinarias usar petróleo importado haverá impacto na arrecadação de royalties de municípios que tem instalações para transportar o petróleo até as refinarias. Aqui, o risco diz respeito aos royalties de cidades que têm instalações de produção, já que no refino o pagamento de imposto é pela circulação dos derivados.

6 - Vender refinarias vai contra a vontade dos brasileiros, que não querem a privatização da Petrobrás

Pesquisa divulgada na última semana pela Exame apontou que 41% dos brasileiros são contrários à privatização da Petrobrás, ante 28% favoráveis. Esses dados se juntam às pesquisas do Datafolha e da Revista Fórum que mostraram a reprovação da população à venda da empresa.

7 - Vender refinarias vai impactar financeiramente a Petrobrás e reduzir os ganhos de seus acionistas

A privatização “aos pedaços” é prejudicial até mesmo para o acionista da Petrobrás, aquele que investiu suas economias em ações da empresa. Empresas “do poço de petróleo ao posto”, verticalizadas, têm mais valor no mercado. E a Petrobrás está virando uma exportadora de petróleo cru e deixando de agregar valor ao petróleo que ela produz. Com a pandemia de Covid-19, os prejuízos da Petrobrás foram minimizados com o aumento de sua exportação de óleos combustíveis, principalmente bunker para navios. E são as refinarias da empresa que fabricam esses produtos. A RLAM, da Bahia, é uma das maiores produtoras de bunker do país. Se for vendida, isso vai impactar as contas da própria Petrobrás.

FONTES: Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep); Estudo: “Competitividade no mercado de gasolina e diesel no Brasil: uma nova era?” – Departamento de Engenharia Industrial, PUC-Rio; ANP está preocupada com abastecimento de gás de cozinha após venda de refinarias da Petrobrás” – Jornal Estado de SP, 24 de julho de 2020; “Pesquisas Exame/IDEIA (Agosto 2020), Revista Fórum (julho 2020), Datafolha (setembro 2019)

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[Da imprensa do Sindipetro-RN]

Neste sábado, 5 de setembro, a diretoria do SINDIPETRO-RN realiza em Mossoró uma carreata em defesa da Petrobrás no Rio Grande do Norte. A concentração do ato está agendada para às 8 horas no "Posto do Ceguinho"(Av. Presidente Dutra, Alto de São Manoel). O protesto busca chamar atenção dos mossoroenses sobre as consequências da saída da Petrobrás do nosso Estado.

Na última semana o Governo Bolsonaro anunciou a venda de diversas áreas da Petrobrás na bacia potiguar. Essa decisão extrema vai causa forte impacto social e econômico na vida de todos os mossoroenses.

A saída da Petrobras de Mossoró vai aumentar o desemprego e fechar pequenas e grandes empresas. Deixando um rastro de miséria e pobreza por toda a cidade. Todos perdem com essa decisão.
Por isso, é preciso unir forças para barrar o desmonte da nossa Petrobrás no RN.

Participe dessa luta! Juntos somos mais fortes.

A Petrobras Fica no RN!

OBS: Todas as medidas de segurança serão tomadas para evitar aglomeração durante a atividade. Separe sua máscara e o álcool em gel, e venha defender a Petrobrás no RN.

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[Da imprensa do Sindipetro-RN]

Debater formas de obter uma reação firme e eficaz para barrar a venda do conjunto de vinte e seis concessões de campos de produção terrestres e de águas rasas, localizadas na Bacia Potiguar, anunciada esta semana pela Petrobrás. Esse foi o objetivo da reunião realizada entre a diretoria colegiada do SINDIPETRO-RN e o Governo do Estado, nesta quarta-feira, 26.

A necessidade de cobrar compromissos sobre a permanência da Estatal em áreas que ainda não foram vendidas e também de compensações com relação às ações já consolidadas pela Companhia, foi apontada pela diretoria do sindicato dos petroleiros como um norte a ser seguido pelo Governo.

Na oportunidade, representantes do Sindicato puderam, ainda, detalhar os principais impactos e riscos que o Rio Grande do Norte enfrentaria no caso da saída de uma empresa do porte da Petrobrás do RN em suas principais dimensões. Como, por exemplo, o esvaziamento econômico, o desemprego e o prejuízo fiscal inerentes a esta trágica decisão anunciada pela empresa.

Após a explanação do Sindicato e da preocupação demonstrada pela governadora Fátima Bezerra, ficou mais clara a convergência de pontos fundamentais entre a entidade e poder executivo:

  1. Nenhuma outra empresa produtora de petróleo é capaz de suprir ou substituir o papel desempenhado pela Petrobrás no Rio Grande do Norte;
  2. O Governo do Estado tem todo interesse de fazer coro à resistência em barrar a saída da empresa, em consonância ao Sindicato;
  3. Se faz necessário todo o apoio político para que a governadora tenha força suficiente para fazer a defesa da permanência da Petrobrás no RN.

Sobre a  substituição da Estatal por empresas privadas de outros países na exploração de petróleo aqui do RN, o coordenador interino do SINDIPETRO-RN, Rafael Matos, comentou que, “quando as petrolíferas estrangeiras assumem esses ativos, além de não possuírem a mesma tecnologia para revitalização dos campos deixados pela Petrobrás, nunca respondem com o mesmo percentual de investimento, nem a mesma capacidade de exploração e produção que ela”.

Ao final da reunião com o SINDIPETRO-RN, a governadora se reuniu com a bancada federal para levar o debate à esfera parlamentar.

Desmonte

Não é de hoje que o SINDIPETRO-RN vem alertando a sociedade potiguar sobre os desdobramentos drásticos da redução de investimentos da Petrobrás no Rio

Grande do Norte. Pelo menos, desde 2010 a entidade alerta sobre o desinvestimento e intenção de venda de ativos no Estado. Sendo que, atualmente, é realidade a ameaça de que a Petrobrás pode encerrar por completo suas atividades em no RN, com graves consequências políticas, econômicas, sociais, culturais e ambientais.

A Bacia Potiguar, como é chamada a região de produção de petróleo no Rio Grande do Norte, vem sofrendo com um grande processo de desinvestimentos financeiros e venda de concessões, por parte do Governo Federal. Fato repudiado e denunciado em Nota pelo Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras esta semana.

No RN a Petrobrás é responsável, em média, por 52% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial. Mas a partir da nova política, os números de exploração de petróleo no Rio Grande do Norte sofreram uma redução exponencial. Como demonstra os últimos dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Quando estávamos na casa dos 120 mil barris de petróleo/dia, a Petrobrás chegou a investir, anualmente, no RN, aproximadamente, R$ 1,9 bi. Mas nos últimos anos, entre investimento, manutenção e integridade das instalações, o valor foi algo em torno de R$ 500 mi (dado de 2018). O que representa um quarto do que se investia quando produzíamos duas vezes mais do que é produzido hoje.

Ações do Sindicato

No momento, o mais importante é estabelecer um diálogo entre os mais diversos segmentos da sociedade e assumir compromissos para formular ações que garantam a presença da Petrobrás no RN.

Pensando nisso, o Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do RN, desde o ano passado, lançou uma campanha que visa sensibilizar e conseguir apoio da sociedade.

Com slogan “Pelo Povo Potiguar, a Petrobrás fica no RN!”, vem aglutinando forças de maneira a se opor a saída desta importante Companhia em detrimento da economia local e da cadeia produtiva industrial do Rio Grande do Norte.

Mais de sessenta entidades já aderiram à campanha, e o Sindicato está buscando o diálogo com diversas outras para fazer voz nacionalmente a luta dos trabalhadores norte-rio-grandenses.

Outra ação importante, paralela à campanha, é a proposta para criação do Programa e do Conselho Estadual do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis lançada pelo SINDIPETRO-RN, que tem como objetivo inicial fomentar a discussão sobre essa matéria no seio da categoria petroleira visando a construção de um relatório final a ser apresentado para a sociedade.

Essa proposta deve definir as atribuições, ações e acompanhar, de maneira consultiva e propositiva, a implementação da política do setor energético do petróleo implementada pelo governo do estado a partir do funcionamento do Conselho.

São, também, elementos a serem considerados como de sua competência, o acompanhamento do cumprimento de metas e o cronograma, além de fomentar e articular ações nos diferentes níveis do governo, sociedade civil e, claro, na cadeia produtiva do setor petróleo e suas interseções.

[Foto: Bruno Vital/G1]

Publicado em Sistema Petrobrás

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.