[Da imprensa do Sindipetro Unificado-SP]

No início de 2019, a Petrobrás abriu um plano de incentivo ao desligamento voluntário (PIDV) e o operador de processamento Marcio Gonzaga Cardoso, trabalhador da Refinaria Paulínia (Replan), resolveu aderir.

Em dezembro do mesmo ano, ele se desligou da companhia e em janeiro de 2020 ocorreu a homologação. Porém, ao verificar os valores apresentados pela empresa, o Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Unificado-SP) identificou o desconto indevido de faltas não justificadas.

O setor de Recursos Humanos da Replan, que também cuida da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, se comprometeu a dar uma resposta ao questionamento em 10 dias e marcar uma homologação complementar, conforme determina a lei. Mas, quase oito meses depois, Marcio é um dos 17 trabalhadores da Replan que ainda não receberam qualquer parecer.

O mais antigo deles possui ressalva indicada desde setembro de 2018, o que levou o Unificado a mover uma ação e vencer. O processo se encontra na fase de fixação do valor a receber.

Conforme levantamento do sindicato, somadas as pendências, o passivo da refinaria supera a marca de R$ 1 milhão somente nesta unidade.

A dívida preocupa Marcio, que vê crescerem outras contas, inclusive relacionadas à antiga empregadora.

“Quando a gente se aposenta, o rendimento cai e tivemos o aporte extra do plano Petros. Há dois meses pagamos um valor alto porque tinha liminar que impedia o desconto. Mas nem precisaria de qualquer justificativa para que a empresa tivesse que pagar o que deve”, critica.

A situação é a mesma do técnico em operação Dorival Saula Júnior, que deixou a companhia após 32 anos de serviços prestados e move ação por conta da demora em dois meses para a quitação da rescisão.

“Parece que o empregador que deve é sempre favorecido pela Justiça. Hoje ainda consigo levar a vida sem que esse valor seja algo emergencial, mas uma hora isso vai fazer falta”, comenta.

Insatisfação geral com o RH

Tanto quanto a demora, o tratamento oferecido pelo setor de recursos humanos (RH) também é motivo de crítica pelo desrespeito com que tem tratado os petroleiros.

“A gente liga para os canais de comunicação da empresa e eles não respondem. É uma deterioração total, o RH está uma vergonha. Por lei, tinham 10 dias para marcar minha homologação e até hoje não obtive resposta”, critica Marcio Cardoso.

Coordenador-geral da regional Campinas do Unificado, Gustavo Marsaioli, destaca que as falhas só foram identificadas porque a homologação ocorreu no sindicato, portanto, algo fundamental para a categoria, ainda que essa ação não seja mais obrigatória desde a reforma trabalhista implementada pelo presidente golpista Michel Temer (PMDB).

Como resposta à atitude da empresa, o dirigente diz que o Unificado, após encaminhar diversos ofícios e realizar várias reuniões, ouvindo sempre que os casos estão sob análise da diretoria executiva, estuda entrar com uma ação por improbidade administrativa e denunciar a companhia ao Tribunal de Contas da União (TCU).

O diretor aponta ainda o contrasenso de o setor de Recursos Humanos, que defende demissões por baixo desempenho, não conseguir realizar as homologações no prazo adequado.

“Como será que um acionista avalia o RH da Petrobrás, que não consegue cumprir a lei de 10 dias e gera um custo maior para a rescisões do que teriam naturalmente?”, questiona.

Além da atuação em órgãos de fiscalização, o sindicato convocará os trabalhadores para outorgar uma procuração para ingressar com ações individuais, exibição de documentos e produção antecipada de provas.

Neste caso, como a realidade de cada trabalhador é única, não é possível adotar uma ação coletiva, ao menos não neste momento. Os próximos passos dependem das informações que a empresa prestar.

Publicado em Sistema Petrobrás

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

Em meio a crise sanitária mundial de covid-19, a gestão da Refinaria de Paulínia (Replan) – a maior em capacidade de processamento da Petrobrás – introduziu algumas mudanças inevitáveis e necessárias para o enfrentamento da pandemia. Contudo, também estabeleceu alterações questionáveis, como por exemplo a diminuição no tempo dos encontros mensais da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA).

Previamente, os encontros para discutir a segurança dos trabalhadores e da refinaria costumava ter duração média de 3 horas mensais. Após a pandemia, as conferências, que agora são realizadas digitalmente, possuem apenas uma hora de duração mensal.

Para Leandro Braga, petroleiro dirigente do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado-SP) e participante da comissão, determinados assuntos acabam não sendo abordados nos encontros por falta de tempo. “As reuniões estão fluindo bem, mas muitas demandas acabam ficando de lado por causa dessa redução do horário”, afirma o trabalhador.

Houve também uma redução na quantidade de suplentes participando das conversas, visto que, de acordo com o novo modelo de reunião online, a participação não é obrigatória.  

Ainda, com o fim da vigência da medida provisória 927, que alterava as regras trabalhistas durante o período da pandemia, algumas exigências administrativas também foram cessadas, dentre elas a suspensão dos processos eleitorais e novos mandatos da CIPA. 

Contudo, até o momento não houve e nem foi discutida a posse dos novos participantes eleitos da comissão, que estava prevista para este ano. Assim, somente os suplentes que foram empossados na última eleição podem participar das reuniões atuais. 

Mudanças para o acionamento do alarme

Outra mudança que ocorreu foi com o padrão para o acionamento do alarme da empresa (também descrito como tífon). Previamente, qualquer operador da Replan que se deparasse com alguma situação ou incidente poderia ativar a sirene para mobilizar e alertar as brigadas e equipes de segurança. 

Agora, com a reformulação, somente o supervisor da unidade de segurança ou coordenador de turno (cotur) pode ativar o alarme. “É uma revisão estranha nos padrões de acionamento porque para obter uma resposta eficaz à emergência é necessário que se tenha uma rapidez na mobilização, e para mobilizar a refinaria é necessário que se toque o alarme”, opina operador da área de Segurança Industrial, que preferiu não se identificar.

Ainda, para o petroleiro, a mudança por parte da Replan talvez não tenha sido bem avaliada, pois colocar todos os que estiverem dentro da refinaria em estado de alerta, posicionar a brigada em direcionamento à Segurança Industrial para o auxílio e combate ao incidente e alertar a população que estiver no entorno da empresa representam as três funções básicas que o acionamento do alarme possui. 

[Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil]

Publicado em Sistema Petrobrás

[Da imprensa do Sindipetro Unificado-SP]

A gerência da Refinaria de Paulínia (Replan), localizada no interior de São Paulo, está protagonizando uma inversão de responsabilidades em relação ao aumento de petroleiros contaminados pela covid-19 na divisão de Craqueamento Catalítico Fluido (CCF).

Em decorrência da diminuição da demanda por derivados causada pela pandemia do novo coronavírus, a direção da Petrobrás mandou suspender, a partir de fevereiro, as atividades em uma unidade de destilação e outra de craqueamento da Replan, a maior em capacidade de refino da estatal.

Entretanto, apesar do mercado ainda se manter desaquecido, a Replan convocou os trabalhadores para reativar o funcionamento dessas unidades no dia 19 de junho. A “partida”, como é denominada internamente, acabou gerando aglomeração pela necessidade de mão de obra extra, inclusive de terceirizados.

Após a reativação, entretanto, um vazamento ocasionou um incêndio que paralisou novamente o craqueamento e, consequentemente, provocou nova concentração de pessoas. Depois da interrupção forçada, a nova partida ocorreu no dia 26 de junho.

Para completar o número mínimo de pessoal previsto para o funcionamento do CCF, que é entre 12 e 14 pessoas, a gerência requisitou petroleiros de folga. Isso gerou ainda mais interações e desrespeitou a própria medida de segurança interna de mitigação da covid-19, que é isolar os grupos de trabalho.

“O discurso que a saúde e vida está em primeiro lugar, nessa partida do craqueamento ficou em segundo lugar. Em primeiro lugar ficou a produção. O pior é que agora está sobrando combustível, não tem onde armazenar. Então, existe um questionamento, antes de tudo, se era necessário ter a partida”, questiona um dos petroleiros, que preferiu não se identificar.

Além disso, em plena pandemia, o corpo diretivo decidiu mesclar os grupos de trabalho a partir da experiência de cada integrante. “Além de ter a partida e de solicitar os apoios, os iluminados gestores do nosso setor tinham feito um planejamento para remanejar pessoas para balancear os grupos. Deixar um [trabalhador] mais experiente, com outro menos experiente e outro que precisa de mais treinamento, por exemplo, em cada um dos grupos. Essa decisão gerencial acabou, mais uma vez, diminuindo o isolamento”, explica outro petroleiro, que também preferiu não se identificar.

Com isso, os casos de coronavírus no setor de craqueamento disparou, em comparação com o restante da refinaria, justamente a partir do décimo dia após a partida. A solução da direção, todavia, foi a abertura de auditorias para averiguar possíveis descumprimentos das regras para evitar o contágio, como uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento.

“A gente achou uma cafajestice dizer que o aumento dos casos é devido a uma possível irresponsabilidade dos trabalhadores. Todos têm seguido o mesmo protocolo, mas houve um fato novo no craqueamento, que foi essa partida. A empresa está tentando repassar para os próprios trabalhadores uma responsabilidade que é dela”, aponta outro trabalhador, que também preferiu não divulgar sua identidade.

Para o diretor do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado-SP), Gustavo Marsaioli, existe uma contradição da empresa em diversas medidas que estão sendo tomadas durante essa pandemia. O diretor chama atenção, primeiramente, para a maneira como foram implementados os testes rápidos, nos dias de folga dos trabalhadores. “Na nossa opinião, a forma como a empresa está realizando o teste rápido é uma tentativa de descaracterizar qualquer contaminação laboral, já que não existe um argumento técnico para que ele seja feito na folga, devido ao tamanho da janela”, avalia Marsaioli.

Apesar dessa tentativa de se desfazer da responsabilidade, o fato da gerência tentar culpabilizar os próprios petroleiros pelo aumento do número de casos no craqueamento já é uma forma de assumir que a contaminação se deu em ambiente de trabalho. “De um lado, a empresa tenta não gerar nenhum tipo de nexo com contaminação laboral, mas ao tentar jogar a responsabilidade dos trabalhadores pelo aumento de casos nesse setor, ela está afirmando que pode haver, sim, contaminação no ambiente de trabalho”, aponta.

Marsaioli afirmou que o necessário, neste momento, é tomar todos os cuidados necessários em relação à saúde dos trabalhadores. “Pra nós, mais importante do que a questão de descobrir onde a pessoa se contaminou é tentar preservar a vida das pessoas em primeiro lugar. Caça às bruxas não ajuda em nada e apenas acirra os ânimos em um momento muito difícil pra gente”, conclui o sindicalista.

[Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil]

Publicado em Sistema Petrobrás

Em 05 de julho de 1983, os petroleiros da Refinaria de Paulínia (Replan/SP) iniciaram uma das mais importantes greves da categoria, que logo em seguida teve a adesão dos trabalhadores da Refinaria Landulpho Alves (Rlam/BA). Foram sete dias de enfretamento, em um movimento essencialmente político contra a ditadura, cujo estopim foi um decreto do general João Batista Figueiredo, para cortar direitos dos trabalhadores de estatais e reduzir efetivos.

Os militares ocuparam as refinarias, fizeram intervenções nos sindicatos, cassaram seus dirigentes e demitiram 358 petroleiros. Dez dias depois, em 21 de julho de 1983, cerca de três milhões de trabalhadores das mais diversas categorias cruzaram os braços na primeira greve geral da ditadura militar.

Em agosto do mesmo ano, a CUT foi fundada, tendo como principais eixos de luta o fim da ditadura, a revogação da Lei de Segurança Nacional e a garantia de liberdade e autonomia sindical. 

Conheça a história da greve de 1983

Uma das primeiras greves no período da Ditadura Militar a ser assumida pelos trabalhadores como essencialmente política, a moblização dos petroleiros em julho de 1983 representou um novo marco na história recente do movimento sindical brasileiro. A categoria desafiou a Lei de Segurança Nacional, parando a produção na Refinaria Landulfo Alves (RLAM), em Mataripe (BA) e na Refinaria Planalto (REPLAN), em Campinas (SP). Era o estopim para a primeira greve geral no Brasil, decretada após o golpe militar de 1964, e que parou o país no dia 21 de julho de 1983, abrindo caminho para a criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O cenário econômico em 1983 era favorável à série de mudanças políticas que estavam por acontecer. A crise econômica do governo Figueiredo fervilhava. Atendendo às determinações do FMI, o governo aumentava os juros para conter a inflação e cortava despesas, chegando ao ponto de baixar em maio o Decreto-Lei 2.025, que extingüia todos os benefícios dos empregados das empresas estatais. A reação dos trabalhadores foi imediata. No dia 16 de junho, 35 entidades sindicais e associações de funcionários públicos, incluindo os petroleiros da RLAM, aprovam o estado de greve, em protesto contra o decreto. Diversos setores da sociedade estudantes, partidos de esquerda, OAB, ABI, entre outros se solidarizaram com os trabalhadores, manifestando-se publicamente contra o decreto. Várias bases de petroleiros aderem ao estado de greve Campinas, Rio Grande do Sul, Pará, Minas Gerais, Cubatão e Duque de Caxias.

O governo recuou, mas no dia 29 de junho, o general João Batista Fiqueiredo, assinou um novo decreto, o 2.036, atacando diretamente os direitos dos funcionários das estatais acabou com o abono de férias, as promoções, os auxílios alimentação e transporte, o salário adicional anual e a participação nos lucros, só para citar alguns. Menos de uma semana depois, em 05 de julho, os trabalhadores do turno da noite da REPLAN entram em greve, desafiando a truculência do regime militar. A pauta de reivindicações era essencialmente política contra o arrocho salarial, à manipulação do INPC, o Decreto-Lei 2.036, o entreguismo governamental e o acordo com o FMI. No dia 07 de julho, interventores, acompanhados de agentes da Políca Federal, invadem o sindicato de Campinas, cassando os seus dirigentes.

A reação dos trabalhadores não tardou, com a greve se alastrando e atingindo a RLAM. Os metalúrgicos, químicos e trabalhadores em transporte do ABC paulista também param. Na Refinaria do Vale do Paraíba (REVAP), o movimento já estava prestes a ser deflagrado, mas a polícia agiu rápido, frustando a ação dos grevistas. O governo intervem nos sindicatos dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo e Diadema e no sindicato dos petroleiros em Mataripe (BA).

O Exército entra de prontidão no ABC e, no dia 9 de junho, 153 trabalhadores foram demitidos em Paulínia e 205 em Mataripe. Diante de tamanha repressão, a unidade dos trabalhadores começa a ser enfraquecida. No dia 11 de julho, os metalúrgicos e os petroleiros suspendem a greve. Se por um lado os trabalhadores não tiveram naquele momento as suas reivindicações atendidas, por outro deram o passo decisivo para impulsionar a primeira greve geral da ditadura militar, no dia 21 de julho. Em 28 de agosto, os trabalhadores criavam a Central Única dos Trabalhadores. Nascia alí um sindicalismo autêntico e combativo, que mudaria para sempre as relações trabalhistas travadas no Brasil até então.

Esquecer a história é esquecer quem somos

Esquecer a história é esquecer quem somos, assim como celebrar a história é lembrar como chegamos aqui. A greve de 83 é um dos momentos mais importantes do sindicalismo brasileiro, é um registro de coragem que nos inspira até hoje. Os companheiros e companheiras que se colocaram a frente de todos aqueles riscos, são heróis e heroínas dos nossos tempos.

Cada petroleiro e petroleira deve carregar no peito com orgulho e coragem pertencer a categoria que, em plena ditadura militar, cruzou os braços para lutar contra o arrocho salarial, a manipulação do INPC, o Decreto-lei nº 2.036 e contra o acordo com o FMI.

Nossos companheiros e companheiras da RLAM (BA) e da REPLAN (SP) desafiaram a lei de segurança nacional, iniciando um movimento que acabou por ser a centelha da primeira greve geral do país, desde o golpe de 64, greve que acabou por abrir caminho para a criação da Central Única dos Trabalhadores.

Que nossa história nunca se perca! Que tenhamos sempre a união dos companheiros e companheiras de 83, porque defender a Petrobrás é defender o Brasil!

[Da imprensa da FUP e do Sindipetro-BA]

Publicado em Trabalho

Após diversas reclamações formais e informais, a Refinaria de Paulínia (Replan) anunciou, finalmente, um plano de testagem para detectar possíveis contaminados pelo novo coronavírus. A maneira como está sendo colocado em prática, entretanto, demonstra a falta de diálogo da gerência.

A ideia é impor aos trabalhadores um deslocamento à refinaria durante o período de descanso, com seus veículos particulares, para realizarem testes rápidos de coronavírus por meio de um sistema drive thru, duas vezes por mês, até dois dias antes de recomeçarem um novo ciclo de trabalho.

Como a Replan – maior refinaria em capacidade de processamento do Sistema Petrobrás – está localizada no quilômetro 130 da Rodovia Professor Zeferino Vaz (SP-332), em Paulínia (SP), grande parte dos trabalhadores terão que arcar com os custos do transporte e pedágios, além de abdicarem de algumas horas dos seus dias de descanso.

Atualmente, cerca de 450 petroleiros, de um total de 976, continuam realizando suas atividades presencialmente. Grande parte é formada por profissionais que trabalham nas áreas operacionais da refinaria, conhecidos como trabalhadores do “turno”. Durante a pandemia, eles estão realizando jornadas de 12 horas, para evitar a troca constante de equipes. Com isso, trabalham três dias seguidos, folgam quatro, trabalham novamente três dias e folgam outros cinco. Os testes serão realizados dois dias antes do recomeço de um novo ciclo.

Esse foi o caso do técnico de operação e diretor do Sindipetro Unificado, Marcelo Garlipp. Nesta quarta-feira (3), o petroleiro se viu obrigado a sair de sua casa, em Campinas, para ir até a entrada sul da refinaria realizar o teste rápido, que demora entre 10 e 30 minutos para fornecer os resultados após a coleta.

“A Replan está acatando um pleito do sindicato e, mais do que isso, da própria Organização Mundial de Saúde, mas no meio da folga, que é um direito do trabalhador. Se o trabalhador é chamado pela empresa no meio da folga, isso já se constitui como trabalho. A empresa está escolhendo o caminho mais fácil para ela, e jogando todo o ônus no colo dos trabalhadores”, afirma Garlipp.

Além disso, o técnico de operação também aponta a necessidade de desmistificar essa iniciativa da empresa. Para ele, os testes são um direito da categoria petroleira, que está enquadrada como um serviço essencial e, por isso, não pode paralisar suas atividades.

“A empresa está cumprindo com atraso aquilo que o sindicato já havia indicado. Mas ela não está fazendo isso de boazinha, está fazendo para não arcar com possíveis consequências judiciais e para não ficar sem sua força de trabalho. A gente tem que quebrar a narrativa de que a empresa está fazendo uma benesse ao trabalhador”, opina Garlipp.

Falta de diálogo

A aplicação dos testes começou a ser feita na quinta-feira passada, 28 de maio. Muitos dos trabalhadores foram informados somente no dia anterior, quarta-feira (27), sobre o cronograma de testagem. De acordo com o coordenador regional do Sindipetro Unificado, Gustavo Marsaioli, isso demonstra a falta de diálogo da empresa com os trabalhadores.

“Desde o início da pandemia nós cobramos da gerência a necessidade de realização de testes rápidos. Mas a implementação dos testes foi feita de uma forma muito açodada e autoritária. A empresa ameaçou de impedir a entrada dos trabalhadores no próximo ciclo, caso não realizassem o teste”, explica Marsaioli.

De acordo com o dirigente sindical, o gerente de Relação Humanas (RH) garantiu que os casos de pessoas que não possuíam veículos particulares seriam avaliados, para que fossem disponibilizados transportes alternativos. “Eles disseram que essas situações seriam avaliadas individualmente. O que percebemos foi que as solicitações de trabalhadores grevistas e próximos aos sindicatos foram negadas”, denuncia.

Durante reuniões setoriais online, trabalhadores elaboraram duas propostas alternativas à atual testagem (Foto ilustrativa tirada antes do início da pandemia)

Diante desse cenário, o Sindipetro Unificado realizou três reuniões setoriais online, que contou com a presença massiva dos petroleiros. A partir disso, surgiram duas propostas que foram encaminhadas à gerência e ao Comitê de Crise da Covid-19 da Replan.

A primeira alternativa é a antecipação da chegada dos ônibus dos petroleiros em uma hora, para a realização dos testes antes do início da jornada de trabalho. A segunda propõe a criação de pontos descentralizados de testagens nos principais municípios da região, como Paulínia, Americana, Campinas e Limeira, onde possuem residências a maioria dos trabalhadores.

Sindipetro Unificado disponibilizou a sua sede, em Campinas, além de endereços de sindicatos parceiros, para abrigar esses centros de testagens. Entretanto, não houve resposta da empresa até o momento.

Na próxima semana, haverá uma nova rodada de reuniões setoriais para avaliar as medidas que serão tomadas a partir das sinalizações da Replan.

Testes rápidos

A Replan disponibilizará os testes rápidos do tipo IgM e IgG. Diferentemente do tipo RT-PCR, que identifica a presença do próprio vírus Sars-Cov-2 no organismo, os testes do tipo IgM/IgG conseguem reconhecer a contaminação por Covid-19 a partir de anticorpos.

O teste disponibilizado pela Replan detecta os anticorpos do tipo IgM e IgG (Foto: Leonardo Souza /PMF)

As imunoglobulinas (Ig) são os anticorpos de defesa do organismo humano. O IgM é um tipo de anticorpo e a sua presença indica infecção de Covid-19 na fase ativa, ou seja, quando a pessoa foi contaminada recentemente pela doença. Nessa etapa, a pessoa é uma possível transmissora do vírus. Já o IgG é um anticorpo que aparece em uma fase já avançada da infecção. Nessa etapa, a pessoa contaminada já não transmite mais o vírus.

Apesar da Replan não divulgar o número de infectados, negando o direito de acesso à informação, o Sindipetro Unificado já tomou conhecimento de um petroleiro que testou positivo para coronavírus no teste do tipo RT-PCR, e três assintomáticos que testaram positivos nesses novos testes do tipo IgM/IgG.

[Via Sindipetro Unificado SP]

Em 05 de julho de 1983, os petroleiros da Refinaria de Paulínia (Replan/SP) iniciaram uma das mais importantes greves da categoria, que logo em seguida teve a adesão dos trabalhadores da Refinaria Landulpho Alves (Rlam/BA). Foram sete dias de enfretamento, em um movimento essencialmente político contra a ditadura, cujo estopim foi um decreto do general João Batista Figueiredo, para cortar direitos dos trabalhadores de estatais e reduzir efetivos.

Os militares ocuparam as refinarias, fizeram intervenções nos sindicatos, cassaram seus dirigentes e demitiram 358 petroleiros. Dez dias depois, em 21 de julho de 1983, cerca de três milhões de trabalhadores das mais diversas categorias cruzaram os braços na primeira greve geral da ditadura militar.

Em agosto do mesmo ano, a CUT foi fundada, tendo como principais eixos de luta o fim da ditadura, a revogação da Lei de Segurança Nacional e a garantia de liberdade e autonomia sindical.  

434 mortos e desaparecidos

Em 2012, o governo Dilma Rousseff instalou a Comissão Nacional da Verdade (CNV), que durante dois anos e meio recolheu depoimentos e levantou uma série de dados sobre os crimes da ditadura.

As investigações resultaram em um relatório com mais de quatro mil páginas, onde foram listados 434 mortos e desaparecidos, bem como as circunstâncias e autoria dos crimes.

A Comissão responsabilizou 377 pessoas pelas mortes, torturas e demais violações aos direitos humanos, entre eles agentes das Forças Armadas, empresários e ex-ditadores.

“Um golpe de classe”

Além de assassinatos e torturas, a ditadura militar violou direitos dos trabalhadores, arrochou os salários, acabou com a estabilidade no emprego e impôs uma lei antigreve.

“Os trabalhadores foram o objeto principal do golpe, que foi um golpe de classe. Um golpe contra uma ‘República Sindical´. Não era a questão comunista a principal, mas dar um golpe contra a causa dos trabalhadores. Isso tinha muito a ver com o Estado que eles queriam construir naquele momento. A repressão se abateu, principalmente, sobre a classe trabalhadora”, afirmou a jurista Rosa Cardoso, que coordenou a Comissão da Verdade.

Caixa dois dos empresários financiou o golpe e a repressão

A Comissão da Verdade comprovou a participação de diversos empresários no golpe de 1964 e na sustentação da ditadura militar.

O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) foram os instrumentos de financiamento utilizados por eles.

Em depoimento à Comissão, Paulo Egydio Martins, governador “biônico” de São Paulo entre 1975 e 1979, afirmou que os empresários usavam dinheiro de caixa dois nas doações que faziam a estes institutos.

Alguns empresários participavam diretamente do esquema, subsidiando a estrutura de repressão da ditadura.

O mais famoso deles, Henning Boilesen, do grupo Ultra, que controlava a Ultragaz, ajudou pessoalmente os militares a importar instrumentos de tortura. Um dos aparatos chegou a ser batizado com o nome do empresário, que também assistiu sessões de tortura no DOI-CODI de São Paulo.

SNI tinha uma divisão dentro da Petrobrás

Durante a ditadura, as estatais foram comandadas por militares de alta patente, que implantaram nas empresas uma extensão do Serviço Nacional de Informações (SNI) para investigar os trabalhadores.

Na Petrobrás, o trabalho ficou a cargo da Divisão de Informações (DIVIN), responsável por identificar a “orientação política e social” dos petroleiros.

Em maio de 2013, a direção da empresa transferiu para o Arquivo Nacional uma série de documentos produzidos pelo DIVIN. O acervo reúne 426 rolos de microfilmes, com 131.277 fichas de controle dos trabalhadores que foram investigados pela ditadura.

Sindicatos à frente da redemocratização

Em maio de 1978, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, a greve dos metalúrgicos da Scania, em São Bernardo do Campo, contestou a ditadura, iniciando uma série de revoltas operárias no ABC paulista.

O estádio de Vila Euclides foi palco e símbolo desse movimento, que iniciou o processo de redemocratização no país. Foi lá que Lula conduziu, em 13 de março de 1979, uma assembleia histórica, com 80 mil metalúrgicos.

Paralisações pipocaram por todo o país, desafiando a lei antigreve.

Em 1981, apesar da proibição dos generais, mais de cinco mil trabalhadores se reuniram em Praia Grande, no litoral paulista, para a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), que aprovou a construção da CUT.

Criada em 1983, a central foi fundamental nas mobilizações pela redemocratização, que desencadearam o movimento Diretas Já e a retomada das eleições para presidente da República.

> Entenda a importância da greve dos petroleiros em 1983: 

[FUP] 

 

Publicado em Trabalho

Durante ato em defesa da vida, realizado na manhã desta quinta-feira (19), na entrada da Replan, em Paulínia, a direção do Sindipetro Unificado-SP propôs a criação de um Fórum de Segurança Operacional. Esse grupo seria responsável pelas discussões sobre segurança e implementação de procedimentos de intervenção, operação e manutenção, com o objetivo de reduzir os riscos de acidentes na refinaria.

A proposta é que o fórum reúna trabalhadores de diferentes setores e representantes da gestão da refinaria, além de dirigentes dos sindicatos dos petroleiros, da construção civil e dos metalúrgicos (esses dois últimos representam os terceirizados). “A ideia é criarmos um espaço multisetorial, com caráter deliberativo, e trabalhadores escolhidos pela categoria, no mesmo modelo da eleição da Cipa”, afirmou o diretor do Unificado Arthur Bob Ragusa.

O fórum será construído em conjunto com os petroleiros. “Vamos pensar juntos na operacionalização desse espaço e, em janeiro, queremos encaminhar essa proposta para a gestão da Replan”, destacou o dirigente.

A ideia do fórum foi aprovada pelos trabalhadores do turno e administrativo, que participaram da manifestação por mais segurança, promovida hoje de manhã pelo Sindicato. O ato terminou por volta das 9h30, quando o grupo entrou na refinaria para iniciar a jornada de trabalho.

Cinco ocorrências em um dia

A sugestão de se criar o fórum surgiu em agosto de 2018, após a explosão do tanque de águas ácidas, no Craqueamento. O tanque foi lançado pelo ar e atingiu uma das áreas de destilação. Sete minutos antes do acidente, uma petroleira fazia a ronda naquele local. A proposta não foi levada adiante pela gestão da Replan e acabou não saindo do papel.

Em decorrência do grande número de acidentes de processo que vêm ocorrendo na Replan, especialmente neste ano de 2019, a direção sindical decidiu retomar essa ideia. A situação tornou-se ainda mais preocupante nessa terça-feira (17), quando os trabalhadores contabilizaram cinco ocorrências no dia, em diferentes unidades.

O acidente mais grave foi o incêndio no tanque de óleo combustível da Transferência e Estocagem, que foi controlado rapidamente pela brigada da refinaria. Em nenhum dos casos houve vítimas, mas as ocorrências demonstram a fragilidade da refinaria e alertam para os riscos de segurança. “Teorias de segurança afirmam que quanto mais acidentes pequenos ocorrem na base, haverá uma ponta dessa pirâmide com acidentes de alta gravidade”, argumenta o diretor Gustavo Marsaioli.

Evitar tragédia

Segundo Marsaioli, é fundamental que a empresa dialogue com o Sindicato sobre o assunto. “Dado o número de ocorrências que têm acontecido e a proporção que elas podem tomar, exigimos que a Petrobrás, o gerente geral e o corpo gerencial nos ouçam, para evitarmos uma tragédia, evitarmos de dizer presente aqui na frente ou de visitar alguém no hospital. A empresa precisa nos ouvir”, ressaltou.

[Via Sindipetro Unificado SP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Um tanque de óleo combustível da Replan, em Paulínia, pegou fogo na manhã desta terça-feira (17), lançando na atmosfera uma densa fumaça preta. A empresa disparou o alarme e o incêndio foi controlado em poucos minutos pelas brigadas de combate da refinaria.

Não houve feridos, mas, segundo apuração do Sindipetro Unificado-SP, alguns trabalhadores chegaram a inalar a fumaça e foram encaminhados ao departamento médico.

O incêndio ocorreu em um tanque que estava em manutenção, na unidade de Transferência e Estocagem (TE). O setor opera os tanques e dutos que abastecem e interligam as unidades da refinaria. A unidade também é responsável pelos dutos que trazem petróleo para refinar e levam produtos para terminais, fora da Replan.

O Sindicato está buscando informações junto aos trabalhadores e à empresa sobre as possíveis causas do incêndio.

[Via Sindipetro Unificado SP]

Os petroleiros da base do Unificado aprovaram, na noite desta quarta-feira (27), o indicativo da FUP de suspensão da greve nacional por tempo determinado.

As assembleias foram realizadas nas regionais Campinas, Mauá e São Paulo, sendo a proposta aprovada por unanimidade pelos participantes.

A direção do Sindicato reafirma que as mobilizações, iniciadas na segunda-feira (25), foram positivas e alcançaram grande projeção da mídia nacional. Além disso, o movimento chamou a atenção da população para as pautas de luta da categoria petroleira.

O Sindicato parabeniza todos os petroleiros que se empenharam nessas mobilizações e reforça que nossa batalha está apenas começando.

[Via Sindipetro-SP]

O diretor da FUP e do Sindipetro Unificado-SP, Arthur Bob Ragusa, e petroleiro da Replan, registrou na manhã de quarta-feira (27), na Delegacia de Paulínia, um boletim de ocorrência de tentativa de lesão corporal contra uma advogada da Petrobrás. A mulher, de 54 anos, tentou atropelar o dirigente na terça-feira (26), durante ato pacífico do Sindicato, que acontecia na entrada da refinaria. A ação foi filmada pela assessoria de comunicação do Sindicato.

Bob discursava aos trabalhadores em frente ao portão de acesso de veículos, na Portaria Sul da Replan, quando foi surpreendido por um carro Troller que forçou a entrada na empresa de forma truculenta. Ao invés de parar, a advogada jogou o veículo em cima do diretor. A ação violenta foi testemunhada por dezenas de trabalhadores, diretores do Sindicato, pela vigilância da refinaria e por policiais militares, que acompanhavam de perto a mobilização dos petroleiros.

Durante o movimento da categoria, realizado de segunda (25) a quarta-feira (27), os dirigentes do Sindicato se posicionaram na frente do portão de entrada de veículos, pois a estratégia era parar os ônibus fretados para conversar com os trabalhadores. O acesso de carros estava liberado em outra portaria, a Norte.

É importante esclarecer que toda a sistemática da mobilização na frente da refinaria foi combinada entre Sindicato, Petrobrás e Polícia Militar, que encontrava-se no local, para garantir a segurança.

O Sindicato espera uma retratação da advogada, diante da falta de discernimento por ela demonstrada, já que não havia motivo para uma ação truculenta. O dirigente se manifestava tranquilamente, no ato que transcorria de forma pacífica, na frente da refinaria.

[Via Sindipetro Unificado SP]

Publicado em Sistema Petrobrás
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