O Natal de 2016 foi inesquecível para um grupo de trabalhadores de turno da Refinaria Paulínia (Replan), no interior de São Paulo, que receberam da Petrobrás um ‘presente’ que ninguém gostaria de ganhar.

Devido a uma greve deflagrada no final daquele ano por conta da discussão do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que levou à paralisação de várias unidades do país, na Replan, houve um corte de rendição a partir das 23h30 do dia 22.

Por conta dessa decisão da empresa, aqueles que entraram às 15h30 do dia 21 e outros petroleiros que estavam desde 7h30 do dia 22 e que, portanto, já se encontravam em dobra de turno, só conseguiram deixar o posto de trabalho no dia 25, às 8h30.

Além de passarem as festas de Natal longe da família, em uma jornada extenuante e muito acima do previsto, a Petrobrás pagou apenas as horas que trabalharam  segundo a escala de turnos e não todo o período em que permaneceram na refinaria sem intervalo, sob ameaças para que não deixassem o local e tendo que comer e dormir no local.

Diante disso, o Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro-SP) ingressou com uma ação coletiva e venceu em primeira instância na 2ª Vara do Trabalho de Paulínia. Após isso, a Petrobrás entrou com um recurso ordinário, que não foi acatado pelo desembargador Ricardo Laraia do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, mantendo a decisão favorável aos trabalhadores.

Ainda cabe recurso para o Tribunal Superior do Trabalho, mas a tendência é que a decisão de pagamento de 100% das horas extras e todos os valores associados como 13º salário, adicional por tempo de serviço e FGTS e demais verbas seja mantida.

Para o coordenador da regional Campinas do Sindipetro-SP, Gustavo Marsaioli, a decisão deixa referendado o questionamento que o sindicato faz sobre a alegação de abandono de posto encampada pela empresa nos períodos de greve para acabar com o movimento.

“Há muito tempo questionamos a argumentação da Petrobrás de abandono de posto quando realizamos nossas greves. A empresa joga com essa ameaça para manipular o efeito de uma paralisação e essa decisão ajuda a questionar as práticas da empresa, que é contraditória. Por um lado, tenta usar esse fator em momentos de greve e quando assume a operação em greve, não respeita o número mínimo. Inclusive, temos enfrentado diversas situações com trabalho do efetivo abaixo do mínimo, na chamada demanda reduzida. Essa decisão ajuda a reforçar nossos argumentos nesse debate bastante antigo”, explica.

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

Em assembleias realizadas na Refinaria Paulínia (Replan) entre os dias 1º e 7 de novembro, 65,06% dos trabalhadores aprovaram a jornada de turno de 12 horas em detrimento do modelo de oito horas.

No terminal de Barueri, também a escolha foi por essa jornada. Porém, houve um empate entre as opções de tabela 13 e 14  e, por conta disso, haverá um segundo turno de assembleias para a definição final. Os encontros acontecerão nos dias 11 (G1 e G3, 7h), 12 (G2, 19h) e 15 (G4 e G5, às 19h) de novembro.

Testagem de Covid-19 rejeitada

O modelo de testagem para a Covid-19 também foi rejeitado por 71,92% dos trabalhadores da Replan. O programa inicialmente imposto pela Petrobrás em junho deste ano já havia sido rechaçado por fazer com que os petroleiros se deslocassem até o local de trabalho durante o período de descanso.

O trajeto era feito com veículos particulares e realizado no sistema drive thru, até dois dias antes de um novo turno, o que interferia no período de descanso dos trabalhadores. Sem a aprovação nos exames, os trabalhadores não são autorizados a ingressar na refinaria.

Leia também: Replan propõe mudanças em testes de covid que atendem grande parte das reivindicações

A partir da pressão do Sindipetro-SP, a empresa propôs que todos os grupos fizessem os testes no dia de retorno da folga em que a jornada se iniciasse às 19h30. O transporte de turno ficaria a cargo da Petrobrás e seria disponibilizado com duas horas de antecedência em relação ao horário usual.

Os petroleiros também negaram essa medida. De acordo com o diretor do sindicato, Arthur Bob Ragusa, a testagem tem sido feita durante a jornada e haverá uma reunião com a direção da companhia nesta terça-feira (10) para discutir se o modelo será mantido.

“Esse sistema tem sido adotado, mas não é nada oficial, vamos apresentar o resultado das assembleias e saber neste encontro com o RH qual a proposta da companhia”, aponta.

Mauá – Na Refinaria Capuava (Recap), a expectativa é que até o final da próxima semana também ocorram discussões a respeito da jornada, que foi adiada por conta de uma parada de manutenção na unidade.

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

A estratégia da companhia de ignorar a quitação de verbas rescisórias ou inserir pendências que não existem continuou e aumentou ainda mais o rombo. Sindipetro reforça importância de homologação no sindicato

[Da imprensa do Sindipetro Unificado de SP | Foto: Agência Brasil]

Em setembro deste ano, o Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro-SP) mostrou que a incompetência e displicência do setor de Recursos Humanos da Refinaria Paulínia (Replan) no pagamento das rescisões gerou um passivo de mais de R$ 1 milhão.

A estratégia da companhia de ignorar a quitação de verbas rescisórias ou inserir pendências que não existem continuou e aumentou ainda mais o rombo.

De acordo com levantamento do sindicato, o montante devido pela empresa é de R$ 1.213.782,75. Com o acréscimo do valor de multas, que supera os R$ 400 mil, a companhia já teria ultrapassado a marca de R$ 1,5 milhão em dívidas.

Mesmo após ofícios e reuniões com o sindicato, a Petrobrás afirma que os casos estão sob análise da diretoria executiva, mas ainda sem resposta. Alguns trabalhadores aguardam há mais de dois anos por uma definição.

Por conta disso, o sindicato tem reforçado a recomendação de que todas as homologações sejam feitas no Sindipetro-SP para que possa ingressar com ações individuais que pedem a exibição de documentos e a produção antecipada de provas no caso em que há identificação de falhas.

Muitas das pendências, aponta o diretor da entidade Jorge Nascimento, têm relação com um novo modelo de contagem de folgas adotado unilateralmente pela companhia.

Ele explica que os trabalhadores do turno, ao marcarem suas férias, aguardavam o retorno do grupo para retomarem as atividades. Porém, desde 2018, a Petrobrás informou que o sistema seria alterado para não gerar débito de dias. O problema é que o novo modelo gerou problemas a toda a categoria.

“Como estava em férias, o petroleiro não trabalhou o suficiente para gerar a folga e, na visão da empresa, isso resulta num acúmulo de débito de dias. Porque ele tem de esperar o turno dele voltar para também poder retornar e, por conta disso, há casos em que recebiam dias adicionais de descanso. Mas isso foi autorizado por gerência e RH. Agora querem cobrar, inclusive, o tempo retroativo e quanto mais antigo for o trabalhador, maior o débito”, critica.

Além das ações individuais, o Sindipetro-SP pretende ingressar com uma ação por improbidade administrativa e denunciar a empresa no Tribunal de Contas da União (TCU).

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Há três semanas, fogo deixou dois feridos e destruiu 24 casas na comunidade Vila Paula, no bairro San Martin, em Campinas (SP)

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP | Texto: Guilherme Weimer | Foto: Luciano Claudino/Código 19]

No último sábado (17), trabalhadores da Refinaria de Paulínia (Replan) e integrantes do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) doaram 25 botijões de gás de cozinha, com casco, para famílias desalojadas por incêndio ocorrido há três semanas, no dia 28 de setembro, em Campinas (SP).

Foram 24 casas destruídas na comunidade Vila Paula, pertencente ao bairro campineiro San Martin. Duas pessoas ficaram feridas, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Além disso, 130 pessoas ficaram desalojadas e foram acolhidas na Escola Estadual Maria de Lourdes Bordini e em duas igrejas na região.

Desde então, as vítimas têm recebido todos os tipos de doações, como alimentos, água, roupas e móveis. Um projeto de financiamento coletivo também foi criado com o objetivo de arrecadar R$ 200 mil para a reconstrução das casas e a compra dos móveis e objetivos queimados – foram doados R$ R$ 22.827,90 até o fechamento desta reportagem.

A solidariedade está sendo responsável pela reconstrução de todas as casas. De acordo com o morador Paulo César Santos, as famílias esperam iniciar o retorno à comunidade ainda nesta semana. “Já foi reconstruída uma parte dos barracos queimados. Nós tivemos uma perda muito grande, mas também tivemos muitas doações de toda a região. Já estão dizendo que viramos a ‘Vila Fênix’, por conseguirmos ressurgir das cinzas, literalmente”, afirma.

Também como uma forma de solidariedade, os petroleiros, junto com o Sindipetro-SP, decidiram levar aos moradores da Vila Paula a “Campanha Gás a Preço Justo”. Desde o final do ano passado, a iniciativa tem doado ou subsidiado botijões em todo o país, como uma forma de discutir com a população sobre os motivos que tem elevado constantemente os preços do gás de cozinha e de outros derivados de petróleo nos últimos anos.

A comunidade é uma ocupação que existe desde 2015 e conta, atualmente, com aproximadamente 150 famílias, que totalizam cerca de 800 pessoas. O terreno onde estão localizados os barracos de madeira pertence à Prefeitura de Campinas.

Despejo na favela é fogo

No último mês, dois incêndios também atingiram uma outra comunidade na região. No total, 25 pessoas ficaram desalojadas em uma área de ocupação no Jardim Boa Esperança, em Hortolândia (SP).

Infelizmente, essa é uma situação recorrente nas favelas brasileiras. E, justamente por isso, já levantou diversas suspeitas em relação as suas causas que, em diversas circunstâncias, não podem ser enquadradas como “acidentes”.

Devido às constantes ocorrências de incêndios em favelas paulistas, vereadores de São Paulo criaram, em 2011, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que foi encerrada sem dados conclusivos em 2012. Uma reportagem do UOL denunciou na época que os seis integrantes da CPI receberam doações de empresas do ramo da construção, no total de R$ 700 mil.

Apesar da evidente falta de neutralidade, a comissão verificou o número de 1.643 incêndios ocorridos em favelas da capital paulistana entre 2009 e 2012.

Além do elevado índice, um levantamento realizado pela Pública em parceria com o Guardian Cities revelou que as comunidades afetadas estão localizadas em áreas 75% mais valorizadas do que a média.

A pesquisa analisou relatório da Defesa Civil, com informações de 80 incêndios, ocorridos entre 2008 e 2012 na cidade de São Paulo. O valor venal médio dessas áreas atingidas era de R$ 291 na época, enquanto o cálculo feito em outras 460 favelas foi de R$ 167, uma diferença de 75%.

Essas informações, apesar de inconclusivas, sugerem que incêndios cometidos em favelas ou comunidades pobres podem ser provocados por atos criminosos, devido à especulação imobiliária. Despejo nas favelas, muitas vezes, é feito com fogo.

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Após cobranças da categoria, Refinaria de Paulínia apresentará uma alternativa ao atual modelo de testagem, que é realizado nos dias de descanso dos trabalhadores

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP | Foto: Breno Esaki/Agência Saúde]

Nesta terça-feira (6), o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado – SP) receberá uma proposta da Refinaria de Paulínia (Replan) – a maior em capacidade de processamento do Sistema Petrobrás – com alterações nos testes de covid-19, que, atualmente, são realizados nos dias de descanso dos trabalhadores.

O modelo foi implementado em junho, após cobranças formais e informações da direção do Sindipetro, mas sua elaboração ocorreu de forma unilateral pela empresa. Dessa forma, os petroleiros são obrigados a se deslocarem à refinaria durante o período de descanso, com seus veículos particulares, para serem testados por meio de um sistema drive thru, duas vezes por mês, até dois dias antes de recomeçarem um novo ciclo de trabalho.

Além do incômodo de abdicarem de algumas horas de suas folgas, que são garantidas na legislação, os trabalhadores também têm que arcar com os custos do combustível e pedágios. A Replan está localizada no quilômetro 130 da Rodovia Zeferino Vaz (SP-332), em Paulínia (SP), e uma grande porcentagem dos seus funcionários moram em municípios vizinhos, como Hortolândia (SP), Valinhos (SP) e Campinas (SP).

Atualmente, cerca de 450 petroleiros, de um total de 976, continuam realizando suas atividades presencialmente. Grande parte é formada por profissionais que trabalham nas áreas operacionais da refinaria, conhecidos como trabalhadores do “turno”. Durante a pandemia, eles estão realizando jornadas de 12 horas, para evitar a troca constante de equipes. Com isso, trabalham três dias seguidos, folgam quatro, trabalham novamente três dias e folgam outros cinco. Os testes são feitos dois dias antes do recomeço de cada novo ciclo.

O mecânico da Replan e coordenador regional do Sindipetro Unificado, Gustavo Marsaioli, exalta a necessidade de realização dos testes, mas pondera a inconsistência da maneira como estão sendo implementados. “É preciso deixar muito claro que em nenhum momento o Sindipetro está questionando a rotina de testes, muito pelo contrário. A gente acredita que essa é uma iniciativa essencial que seja mantida. No entanto, atualmente o trabalhador precisa se deslocar no meio da sua folga, o que fere a própria legislação trabalhista”, afirma.

Testes rápidos

A testagem realizada pela Replan é do tipo IgM e IgG, mais conhecida como “teste rápido”. Diferentemente do tipo RT-PCR, que identifica a presença do próprio vírus Sars-Cov-2 no organismo, os testes do tipo IgM e IgG conseguem reconhecer a contaminação por covid-19 a partir de anticorpos.

As imunoglobulinas (Ig) são os anticorpos de defesa do organismo humano. O IgM é um tipo de anticorpo e a sua presença indica infecção de covid-19 na fase ativa, ou seja, quando o organismo já foi contaminado recentemente pela doença. Nessa etapa, o infectado é um possível transmissor do vírus. Já o IgG é um anticorpo que aparece em uma fase já avançada da infecção. Nessa etapa, a pessoa já não transmite mais o vírus.

Por isso, de acordo com a Anvisa, os testes rápidos conseguem detectar a presença do vírus no organismo apenas a partir do sétimo dia de infecção, com resultados mais confiáveis do décimo dia em diante, devido à janela imunológica.

Além disso, um estudo concluiu que este tipo de testagem, chamada de imunocromatografia, que analisa a presença de anticorpos a partir do sangue retirado do dedo da pessoa testada, apresenta uma taxa de 34% de falso negativo.

Por essas evidências, o Sindipetro questiona a eficácia de realizar os testes dois dias antes de um novo início de jornada de trabalho. “Esse teste possui uma margem de erro e uma janela imunológica entre a pessoa ser contaminada e os anticorpos serem detectáveis. Por isso, apesar de estarmos tratando com o maior cuidado possível a questão, eu não vejo uma justificativa plausível para que os testes sejam realizados dessa forma atual”, opina Marsaioli.

Uma das propostas do Unificado é que os testes sejam feitos na entrada da refinaria, antes do início de cada novo ciclo de trabalho. “Uma das possibilidades que a gente levantou é que as pessoas cheguem antecipadamente. Por uma questão logística, poderia haver escalonamentos dos ônibus para permitir que elas consigam fazer os testes e que, assim que sair o resultado, estejam liberadas para trabalhar”, explica.

A empresa, entretanto, pondera que os trabalhadores já estariam juntos no ônibus, o que poderia gerar maiores riscos de contaminação. Por isso, ela chegou a levantar a possibilidade dos petroleiros irem com seus veículos particulares no primeiro dia de jornada.

O Sindipetro aguarda uma nova proposta, que a direção da refinaria prometeu apresentar até a próxima terça-feira. “O que o sindicato está orientando é que todas as pessoas guardem os comprovantes de gastos, porque elas precisam ser reembolsadas. Com a proposta da Replan em mãos, vamos colocá-la para ser apreciada por todos os trabalhadores”, finaliza.

[Da imprensa do Sindipetro Unificado-SP]

No início de 2019, a Petrobrás abriu um plano de incentivo ao desligamento voluntário (PIDV) e o operador de processamento Marcio Gonzaga Cardoso, trabalhador da Refinaria Paulínia (Replan), resolveu aderir.

Em dezembro do mesmo ano, ele se desligou da companhia e em janeiro de 2020 ocorreu a homologação. Porém, ao verificar os valores apresentados pela empresa, o Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Unificado-SP) identificou o desconto indevido de faltas não justificadas.

O setor de Recursos Humanos da Replan, que também cuida da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, se comprometeu a dar uma resposta ao questionamento em 10 dias e marcar uma homologação complementar, conforme determina a lei. Mas, quase oito meses depois, Marcio é um dos 17 trabalhadores da Replan que ainda não receberam qualquer parecer.

O mais antigo deles possui ressalva indicada desde setembro de 2018, o que levou o Unificado a mover uma ação e vencer. O processo se encontra na fase de fixação do valor a receber.

Conforme levantamento do sindicato, somadas as pendências, o passivo da refinaria supera a marca de R$ 1 milhão somente nesta unidade.

A dívida preocupa Marcio, que vê crescerem outras contas, inclusive relacionadas à antiga empregadora.

“Quando a gente se aposenta, o rendimento cai e tivemos o aporte extra do plano Petros. Há dois meses pagamos um valor alto porque tinha liminar que impedia o desconto. Mas nem precisaria de qualquer justificativa para que a empresa tivesse que pagar o que deve”, critica.

A situação é a mesma do técnico em operação Dorival Saula Júnior, que deixou a companhia após 32 anos de serviços prestados e move ação por conta da demora em dois meses para a quitação da rescisão.

“Parece que o empregador que deve é sempre favorecido pela Justiça. Hoje ainda consigo levar a vida sem que esse valor seja algo emergencial, mas uma hora isso vai fazer falta”, comenta.

Insatisfação geral com o RH

Tanto quanto a demora, o tratamento oferecido pelo setor de recursos humanos (RH) também é motivo de crítica pelo desrespeito com que tem tratado os petroleiros.

“A gente liga para os canais de comunicação da empresa e eles não respondem. É uma deterioração total, o RH está uma vergonha. Por lei, tinham 10 dias para marcar minha homologação e até hoje não obtive resposta”, critica Marcio Cardoso.

Coordenador-geral da regional Campinas do Unificado, Gustavo Marsaioli, destaca que as falhas só foram identificadas porque a homologação ocorreu no sindicato, portanto, algo fundamental para a categoria, ainda que essa ação não seja mais obrigatória desde a reforma trabalhista implementada pelo presidente golpista Michel Temer (PMDB).

Como resposta à atitude da empresa, o dirigente diz que o Unificado, após encaminhar diversos ofícios e realizar várias reuniões, ouvindo sempre que os casos estão sob análise da diretoria executiva, estuda entrar com uma ação por improbidade administrativa e denunciar a companhia ao Tribunal de Contas da União (TCU).

O diretor aponta ainda o contrasenso de o setor de Recursos Humanos, que defende demissões por baixo desempenho, não conseguir realizar as homologações no prazo adequado.

“Como será que um acionista avalia o RH da Petrobrás, que não consegue cumprir a lei de 10 dias e gera um custo maior para a rescisões do que teriam naturalmente?”, questiona.

Além da atuação em órgãos de fiscalização, o sindicato convocará os trabalhadores para outorgar uma procuração para ingressar com ações individuais, exibição de documentos e produção antecipada de provas.

Neste caso, como a realidade de cada trabalhador é única, não é possível adotar uma ação coletiva, ao menos não neste momento. Os próximos passos dependem das informações que a empresa prestar.

Publicado em Sistema Petrobrás

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

Em meio a crise sanitária mundial de covid-19, a gestão da Refinaria de Paulínia (Replan) – a maior em capacidade de processamento da Petrobrás – introduziu algumas mudanças inevitáveis e necessárias para o enfrentamento da pandemia. Contudo, também estabeleceu alterações questionáveis, como por exemplo a diminuição no tempo dos encontros mensais da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA).

Previamente, os encontros para discutir a segurança dos trabalhadores e da refinaria costumava ter duração média de 3 horas mensais. Após a pandemia, as conferências, que agora são realizadas digitalmente, possuem apenas uma hora de duração mensal.

Para Leandro Braga, petroleiro dirigente do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado-SP) e participante da comissão, determinados assuntos acabam não sendo abordados nos encontros por falta de tempo. “As reuniões estão fluindo bem, mas muitas demandas acabam ficando de lado por causa dessa redução do horário”, afirma o trabalhador.

Houve também uma redução na quantidade de suplentes participando das conversas, visto que, de acordo com o novo modelo de reunião online, a participação não é obrigatória.  

Ainda, com o fim da vigência da medida provisória 927, que alterava as regras trabalhistas durante o período da pandemia, algumas exigências administrativas também foram cessadas, dentre elas a suspensão dos processos eleitorais e novos mandatos da CIPA. 

Contudo, até o momento não houve e nem foi discutida a posse dos novos participantes eleitos da comissão, que estava prevista para este ano. Assim, somente os suplentes que foram empossados na última eleição podem participar das reuniões atuais. 

Mudanças para o acionamento do alarme

Outra mudança que ocorreu foi com o padrão para o acionamento do alarme da empresa (também descrito como tífon). Previamente, qualquer operador da Replan que se deparasse com alguma situação ou incidente poderia ativar a sirene para mobilizar e alertar as brigadas e equipes de segurança. 

Agora, com a reformulação, somente o supervisor da unidade de segurança ou coordenador de turno (cotur) pode ativar o alarme. “É uma revisão estranha nos padrões de acionamento porque para obter uma resposta eficaz à emergência é necessário que se tenha uma rapidez na mobilização, e para mobilizar a refinaria é necessário que se toque o alarme”, opina operador da área de Segurança Industrial, que preferiu não se identificar.

Ainda, para o petroleiro, a mudança por parte da Replan talvez não tenha sido bem avaliada, pois colocar todos os que estiverem dentro da refinaria em estado de alerta, posicionar a brigada em direcionamento à Segurança Industrial para o auxílio e combate ao incidente e alertar a população que estiver no entorno da empresa representam as três funções básicas que o acionamento do alarme possui. 

[Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil]

Publicado em Sistema Petrobrás

[Da imprensa do Sindipetro Unificado-SP]

A gerência da Refinaria de Paulínia (Replan), localizada no interior de São Paulo, está protagonizando uma inversão de responsabilidades em relação ao aumento de petroleiros contaminados pela covid-19 na divisão de Craqueamento Catalítico Fluido (CCF).

Em decorrência da diminuição da demanda por derivados causada pela pandemia do novo coronavírus, a direção da Petrobrás mandou suspender, a partir de fevereiro, as atividades em uma unidade de destilação e outra de craqueamento da Replan, a maior em capacidade de refino da estatal.

Entretanto, apesar do mercado ainda se manter desaquecido, a Replan convocou os trabalhadores para reativar o funcionamento dessas unidades no dia 19 de junho. A “partida”, como é denominada internamente, acabou gerando aglomeração pela necessidade de mão de obra extra, inclusive de terceirizados.

Após a reativação, entretanto, um vazamento ocasionou um incêndio que paralisou novamente o craqueamento e, consequentemente, provocou nova concentração de pessoas. Depois da interrupção forçada, a nova partida ocorreu no dia 26 de junho.

Para completar o número mínimo de pessoal previsto para o funcionamento do CCF, que é entre 12 e 14 pessoas, a gerência requisitou petroleiros de folga. Isso gerou ainda mais interações e desrespeitou a própria medida de segurança interna de mitigação da covid-19, que é isolar os grupos de trabalho.

“O discurso que a saúde e vida está em primeiro lugar, nessa partida do craqueamento ficou em segundo lugar. Em primeiro lugar ficou a produção. O pior é que agora está sobrando combustível, não tem onde armazenar. Então, existe um questionamento, antes de tudo, se era necessário ter a partida”, questiona um dos petroleiros, que preferiu não se identificar.

Além disso, em plena pandemia, o corpo diretivo decidiu mesclar os grupos de trabalho a partir da experiência de cada integrante. “Além de ter a partida e de solicitar os apoios, os iluminados gestores do nosso setor tinham feito um planejamento para remanejar pessoas para balancear os grupos. Deixar um [trabalhador] mais experiente, com outro menos experiente e outro que precisa de mais treinamento, por exemplo, em cada um dos grupos. Essa decisão gerencial acabou, mais uma vez, diminuindo o isolamento”, explica outro petroleiro, que também preferiu não se identificar.

Com isso, os casos de coronavírus no setor de craqueamento disparou, em comparação com o restante da refinaria, justamente a partir do décimo dia após a partida. A solução da direção, todavia, foi a abertura de auditorias para averiguar possíveis descumprimentos das regras para evitar o contágio, como uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento.

“A gente achou uma cafajestice dizer que o aumento dos casos é devido a uma possível irresponsabilidade dos trabalhadores. Todos têm seguido o mesmo protocolo, mas houve um fato novo no craqueamento, que foi essa partida. A empresa está tentando repassar para os próprios trabalhadores uma responsabilidade que é dela”, aponta outro trabalhador, que também preferiu não divulgar sua identidade.

Para o diretor do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado-SP), Gustavo Marsaioli, existe uma contradição da empresa em diversas medidas que estão sendo tomadas durante essa pandemia. O diretor chama atenção, primeiramente, para a maneira como foram implementados os testes rápidos, nos dias de folga dos trabalhadores. “Na nossa opinião, a forma como a empresa está realizando o teste rápido é uma tentativa de descaracterizar qualquer contaminação laboral, já que não existe um argumento técnico para que ele seja feito na folga, devido ao tamanho da janela”, avalia Marsaioli.

Apesar dessa tentativa de se desfazer da responsabilidade, o fato da gerência tentar culpabilizar os próprios petroleiros pelo aumento do número de casos no craqueamento já é uma forma de assumir que a contaminação se deu em ambiente de trabalho. “De um lado, a empresa tenta não gerar nenhum tipo de nexo com contaminação laboral, mas ao tentar jogar a responsabilidade dos trabalhadores pelo aumento de casos nesse setor, ela está afirmando que pode haver, sim, contaminação no ambiente de trabalho”, aponta.

Marsaioli afirmou que o necessário, neste momento, é tomar todos os cuidados necessários em relação à saúde dos trabalhadores. “Pra nós, mais importante do que a questão de descobrir onde a pessoa se contaminou é tentar preservar a vida das pessoas em primeiro lugar. Caça às bruxas não ajuda em nada e apenas acirra os ânimos em um momento muito difícil pra gente”, conclui o sindicalista.

[Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil]

Em 05 de julho de 1983, os petroleiros da Refinaria de Paulínia (Replan/SP) iniciaram uma das mais importantes greves da categoria, que logo em seguida teve a adesão dos trabalhadores da Refinaria Landulpho Alves (Rlam/BA). Foram sete dias de enfretamento, em um movimento essencialmente político contra a ditadura, cujo estopim foi um decreto do general João Batista Figueiredo, para cortar direitos dos trabalhadores de estatais e reduzir efetivos.

Os militares ocuparam as refinarias, fizeram intervenções nos sindicatos, cassaram seus dirigentes e demitiram 358 petroleiros. Dez dias depois, em 21 de julho de 1983, cerca de três milhões de trabalhadores das mais diversas categorias cruzaram os braços na primeira greve geral da ditadura militar.

Em agosto do mesmo ano, a CUT foi fundada, tendo como principais eixos de luta o fim da ditadura, a revogação da Lei de Segurança Nacional e a garantia de liberdade e autonomia sindical. 

Conheça a história da greve de 1983

Uma das primeiras greves no período da Ditadura Militar a ser assumida pelos trabalhadores como essencialmente política, a moblização dos petroleiros em julho de 1983 representou um novo marco na história recente do movimento sindical brasileiro. A categoria desafiou a Lei de Segurança Nacional, parando a produção na Refinaria Landulfo Alves (RLAM), em Mataripe (BA) e na Refinaria Planalto (REPLAN), em Campinas (SP). Era o estopim para a primeira greve geral no Brasil, decretada após o golpe militar de 1964, e que parou o país no dia 21 de julho de 1983, abrindo caminho para a criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O cenário econômico em 1983 era favorável à série de mudanças políticas que estavam por acontecer. A crise econômica do governo Figueiredo fervilhava. Atendendo às determinações do FMI, o governo aumentava os juros para conter a inflação e cortava despesas, chegando ao ponto de baixar em maio o Decreto-Lei 2.025, que extingüia todos os benefícios dos empregados das empresas estatais. A reação dos trabalhadores foi imediata. No dia 16 de junho, 35 entidades sindicais e associações de funcionários públicos, incluindo os petroleiros da RLAM, aprovam o estado de greve, em protesto contra o decreto. Diversos setores da sociedade estudantes, partidos de esquerda, OAB, ABI, entre outros se solidarizaram com os trabalhadores, manifestando-se publicamente contra o decreto. Várias bases de petroleiros aderem ao estado de greve Campinas, Rio Grande do Sul, Pará, Minas Gerais, Cubatão e Duque de Caxias.

O governo recuou, mas no dia 29 de junho, o general João Batista Fiqueiredo, assinou um novo decreto, o 2.036, atacando diretamente os direitos dos funcionários das estatais acabou com o abono de férias, as promoções, os auxílios alimentação e transporte, o salário adicional anual e a participação nos lucros, só para citar alguns. Menos de uma semana depois, em 05 de julho, os trabalhadores do turno da noite da REPLAN entram em greve, desafiando a truculência do regime militar. A pauta de reivindicações era essencialmente política contra o arrocho salarial, à manipulação do INPC, o Decreto-Lei 2.036, o entreguismo governamental e o acordo com o FMI. No dia 07 de julho, interventores, acompanhados de agentes da Políca Federal, invadem o sindicato de Campinas, cassando os seus dirigentes.

A reação dos trabalhadores não tardou, com a greve se alastrando e atingindo a RLAM. Os metalúrgicos, químicos e trabalhadores em transporte do ABC paulista também param. Na Refinaria do Vale do Paraíba (REVAP), o movimento já estava prestes a ser deflagrado, mas a polícia agiu rápido, frustando a ação dos grevistas. O governo intervem nos sindicatos dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo e Diadema e no sindicato dos petroleiros em Mataripe (BA).

O Exército entra de prontidão no ABC e, no dia 9 de junho, 153 trabalhadores foram demitidos em Paulínia e 205 em Mataripe. Diante de tamanha repressão, a unidade dos trabalhadores começa a ser enfraquecida. No dia 11 de julho, os metalúrgicos e os petroleiros suspendem a greve. Se por um lado os trabalhadores não tiveram naquele momento as suas reivindicações atendidas, por outro deram o passo decisivo para impulsionar a primeira greve geral da ditadura militar, no dia 21 de julho. Em 28 de agosto, os trabalhadores criavam a Central Única dos Trabalhadores. Nascia alí um sindicalismo autêntico e combativo, que mudaria para sempre as relações trabalhistas travadas no Brasil até então.

Esquecer a história é esquecer quem somos

Esquecer a história é esquecer quem somos, assim como celebrar a história é lembrar como chegamos aqui. A greve de 83 é um dos momentos mais importantes do sindicalismo brasileiro, é um registro de coragem que nos inspira até hoje. Os companheiros e companheiras que se colocaram a frente de todos aqueles riscos, são heróis e heroínas dos nossos tempos.

Cada petroleiro e petroleira deve carregar no peito com orgulho e coragem pertencer a categoria que, em plena ditadura militar, cruzou os braços para lutar contra o arrocho salarial, a manipulação do INPC, o Decreto-lei nº 2.036 e contra o acordo com o FMI.

Nossos companheiros e companheiras da RLAM (BA) e da REPLAN (SP) desafiaram a lei de segurança nacional, iniciando um movimento que acabou por ser a centelha da primeira greve geral do país, desde o golpe de 64, greve que acabou por abrir caminho para a criação da Central Única dos Trabalhadores.

Que nossa história nunca se perca! Que tenhamos sempre a união dos companheiros e companheiras de 83, porque defender a Petrobrás é defender o Brasil!

[Da imprensa da FUP e do Sindipetro-BA]

Publicado em Trabalho

Após diversas reclamações formais e informais, a Refinaria de Paulínia (Replan) anunciou, finalmente, um plano de testagem para detectar possíveis contaminados pelo novo coronavírus. A maneira como está sendo colocado em prática, entretanto, demonstra a falta de diálogo da gerência.

A ideia é impor aos trabalhadores um deslocamento à refinaria durante o período de descanso, com seus veículos particulares, para realizarem testes rápidos de coronavírus por meio de um sistema drive thru, duas vezes por mês, até dois dias antes de recomeçarem um novo ciclo de trabalho.

Como a Replan – maior refinaria em capacidade de processamento do Sistema Petrobrás – está localizada no quilômetro 130 da Rodovia Professor Zeferino Vaz (SP-332), em Paulínia (SP), grande parte dos trabalhadores terão que arcar com os custos do transporte e pedágios, além de abdicarem de algumas horas dos seus dias de descanso.

Atualmente, cerca de 450 petroleiros, de um total de 976, continuam realizando suas atividades presencialmente. Grande parte é formada por profissionais que trabalham nas áreas operacionais da refinaria, conhecidos como trabalhadores do “turno”. Durante a pandemia, eles estão realizando jornadas de 12 horas, para evitar a troca constante de equipes. Com isso, trabalham três dias seguidos, folgam quatro, trabalham novamente três dias e folgam outros cinco. Os testes serão realizados dois dias antes do recomeço de um novo ciclo.

Esse foi o caso do técnico de operação e diretor do Sindipetro Unificado, Marcelo Garlipp. Nesta quarta-feira (3), o petroleiro se viu obrigado a sair de sua casa, em Campinas, para ir até a entrada sul da refinaria realizar o teste rápido, que demora entre 10 e 30 minutos para fornecer os resultados após a coleta.

“A Replan está acatando um pleito do sindicato e, mais do que isso, da própria Organização Mundial de Saúde, mas no meio da folga, que é um direito do trabalhador. Se o trabalhador é chamado pela empresa no meio da folga, isso já se constitui como trabalho. A empresa está escolhendo o caminho mais fácil para ela, e jogando todo o ônus no colo dos trabalhadores”, afirma Garlipp.

Além disso, o técnico de operação também aponta a necessidade de desmistificar essa iniciativa da empresa. Para ele, os testes são um direito da categoria petroleira, que está enquadrada como um serviço essencial e, por isso, não pode paralisar suas atividades.

“A empresa está cumprindo com atraso aquilo que o sindicato já havia indicado. Mas ela não está fazendo isso de boazinha, está fazendo para não arcar com possíveis consequências judiciais e para não ficar sem sua força de trabalho. A gente tem que quebrar a narrativa de que a empresa está fazendo uma benesse ao trabalhador”, opina Garlipp.

Falta de diálogo

A aplicação dos testes começou a ser feita na quinta-feira passada, 28 de maio. Muitos dos trabalhadores foram informados somente no dia anterior, quarta-feira (27), sobre o cronograma de testagem. De acordo com o coordenador regional do Sindipetro Unificado, Gustavo Marsaioli, isso demonstra a falta de diálogo da empresa com os trabalhadores.

“Desde o início da pandemia nós cobramos da gerência a necessidade de realização de testes rápidos. Mas a implementação dos testes foi feita de uma forma muito açodada e autoritária. A empresa ameaçou de impedir a entrada dos trabalhadores no próximo ciclo, caso não realizassem o teste”, explica Marsaioli.

De acordo com o dirigente sindical, o gerente de Relação Humanas (RH) garantiu que os casos de pessoas que não possuíam veículos particulares seriam avaliados, para que fossem disponibilizados transportes alternativos. “Eles disseram que essas situações seriam avaliadas individualmente. O que percebemos foi que as solicitações de trabalhadores grevistas e próximos aos sindicatos foram negadas”, denuncia.

Durante reuniões setoriais online, trabalhadores elaboraram duas propostas alternativas à atual testagem (Foto ilustrativa tirada antes do início da pandemia)

Diante desse cenário, o Sindipetro Unificado realizou três reuniões setoriais online, que contou com a presença massiva dos petroleiros. A partir disso, surgiram duas propostas que foram encaminhadas à gerência e ao Comitê de Crise da Covid-19 da Replan.

A primeira alternativa é a antecipação da chegada dos ônibus dos petroleiros em uma hora, para a realização dos testes antes do início da jornada de trabalho. A segunda propõe a criação de pontos descentralizados de testagens nos principais municípios da região, como Paulínia, Americana, Campinas e Limeira, onde possuem residências a maioria dos trabalhadores.

Sindipetro Unificado disponibilizou a sua sede, em Campinas, além de endereços de sindicatos parceiros, para abrigar esses centros de testagens. Entretanto, não houve resposta da empresa até o momento.

Na próxima semana, haverá uma nova rodada de reuniões setoriais para avaliar as medidas que serão tomadas a partir das sinalizações da Replan.

Testes rápidos

A Replan disponibilizará os testes rápidos do tipo IgM e IgG. Diferentemente do tipo RT-PCR, que identifica a presença do próprio vírus Sars-Cov-2 no organismo, os testes do tipo IgM/IgG conseguem reconhecer a contaminação por Covid-19 a partir de anticorpos.

O teste disponibilizado pela Replan detecta os anticorpos do tipo IgM e IgG (Foto: Leonardo Souza /PMF)

As imunoglobulinas (Ig) são os anticorpos de defesa do organismo humano. O IgM é um tipo de anticorpo e a sua presença indica infecção de Covid-19 na fase ativa, ou seja, quando a pessoa foi contaminada recentemente pela doença. Nessa etapa, a pessoa é uma possível transmissora do vírus. Já o IgG é um anticorpo que aparece em uma fase já avançada da infecção. Nessa etapa, a pessoa contaminada já não transmite mais o vírus.

Apesar da Replan não divulgar o número de infectados, negando o direito de acesso à informação, o Sindipetro Unificado já tomou conhecimento de um petroleiro que testou positivo para coronavírus no teste do tipo RT-PCR, e três assintomáticos que testaram positivos nesses novos testes do tipo IgM/IgG.

[Via Sindipetro Unificado SP]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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