Terça, 11 Fevereiro 2020 20:50

Bacia de Campos tem 30 plataformas na greve

A Bacia de Campos chega ao final da tarde desta quarta, 11, com 30 plataformas na greve. Essas unidades tiveram a operação entregue pelos trabalhadores à gestão da Petrobrás ou equipes de terra que se negaram a embarcar, cortando a rendição da equipe que está a bordo. O movimento que começou no dia 1 de fevereiro vem crescendo a cada dia mais e a expectativa é que ainda cresça com a adesão dos trabalhadores das salas de controle e equipes de planejamento de manutenção das plataformas (PMB)..

No terminal de Cabiúnas o movimento segue forte desde o início, com atraso de duas horas em solidariedade ao trabalhador devolvido para a Transpetro e seguido de cortes de rendição hoje às 7h e às 15h, Diariamente os trabalhadores em greve comparecem aos aeroportos para auxiliar no convencimento dos colegas em aderir ao movimento.

Na manhã de hoje os trabalhadores da base de Imbetiba foram recepcionados por atividade do Sindipetro-NF, com faixas, cartazes e falas que buscavam conscientizar os petroleiros e petroleiras das áreas administrativa para adesão ao movimento.

Ocupação

No Rio, uma comissão de dirigentes sindicais mantém, há 12 dias, a ocupação de uma sala no Edifício Sede da Petrobras (Edise), no quarto andar, onde funciona a gerência de Recursos Humanos da empresa. Eles pressionam a gestão da companhia para que sejam recebidos para negociarem as pautas do movimento.

O motivo da greve

Os petroleiros em greve reivindicam o cancelamento de cerca de mil demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), o fim do desmonte da Petrobrás por meio da venda de ativos e uma política de preços justos para os combustíveis.

[Sindipetro-NF]

 

 

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A greve petroleira iniciada em 1º de fevereiro segue forte, com quase 40 plataformas no movimento em todo o país, 21 delas no Norte Fluminense. Passa de 80 o número de bases em greve em 13 estados. A avaliação do movimento sindical é a de que a paralisação continuará a crescer, com o convencimento das demais bases de que esse é o momento de estabelecer um marco definitivo contra os ataques do governo Bolsonaro aos trabalhadores e à companhia. 

A diretoria do Sindipetro-NF chama petroleiros e petroleiras a realizarem um grande mutirão de diálogo com os trabalhadores das unidades e bases que não realizaram assembleias de adesão à greve. Na Bacia de Campos, 18 plataformas ainda não entraram no movimento (P-08, P-09, P-12, P-25, P-26, P-33, P-38, P-40, P-52, P-53, P-54, P-65, PCE1, PGP, PRA1, PPM, PNA1 e PNA2). 

O sindicato chama os trabalhadores destas unidades à reflexão sobre a gravidade do momento em que vive o país, e sobre a oportunidade de fazer história em uma paralisação que começa a contagiar até mesmo outras categorias, como forma de dar um basta ao corte de direito, às demissões, ao desrespeito, ao entreguismo, a uma política econômica que só favorece aos ricos. 

Na Petrobras, o foco é claro: contra as demissões, contra o desmonte da empresa e pela redução nos preços dos combustíveis (que os petroleiros sabem ser possível). Não há base da companhia do país que não esteja vivenciando alguns ou vários aspectos deste ataque, seja tendo sido colocada à venda, seja com a deterioração da ambiência, seja com o autoritarismo insano da gestão bolsonarista na empresa.  

Não cabe vacilação. Enquanto a cada dia novas bases entram na greve, enquanto cinco sindicalistas ocupam uma sala no Edise para pressionar a empresa a reverter as demissões na Fafen (que significa dizer que também outras novas demissões não serão aceitas), é preciso que cada um e cada uma que ainda não está na greve reflita sobre o seu papel e se conscientize de que somente juntos podemos ser fortes. 

No Norte Fluminense, além das 21 plataformas que estão no movimento (P-07, P-15, P18, P-19, P-20, P-31, P-32, P-35, P-37, P-43, P-47, P-48, P-50, P-51, P-55, P-56 , P-61 , P-62, P-63, PCH1 e PCH2), tem sido forte a greve na base de Cabiúnas, que segue com o corte de rendição. Para as bases administrativas, o sindicato mantém o indicativo de que os petroleiros e petroleiras não compareçam ao trabalho e se juntem ao movimento. 

 [Via Sindipetro-NF | Foto: Luciana Fonseca]

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O Sindipetro-NF vem alertando à categoria e à sociedade sobre o sucateamento da plataforma de Pampo na Bacia de Campos. Na manhã desta segunda, 13, o sindicato foi informado sobre a ocorrência de um vazamento de gás na plataforma. Os trabalhadores foram encaminhados ao Ponto de Encontro. Às 13h eles ainda estavam no local, sem informação de retorno ao trabalho, porque a extensão do vazamento não havia sido avaliada.

“Temos denunciado diversos problemas na unidade por conta da má gestão e falta de manutenção em Pampo, principalmente agora que Pampo foi vendida. Alertamos para o risco de um desastre de grandes proporções a qualquer momento” – alerta o diretor Rafael Crespo.

Na semana passada, denunciamos que a gestão da Petrobras estava ignorando as normas regulamentadoras, ao deixar 76 equipamentos de proteção respiratória (EPRs) vencidos a bordo, colocando em risco a vida dos seus trabalhadores. O edital da licitação foi publicado em  16 de dezembro, e a compra pode levar em média 90 dias para ser feita, fora o tempo que demorará para chegar esses equipamentos a bordo. Enquanto isso a plataforma fica sem a totalidade de seus EPRs.

No início de dezembro também denunciou a falta de comida e problemas de habitabilidade e segurança na plataforma. Casos de vazamento da tubulação do triturador de alimentos dentro da plataforma, pisos amarrados com arames, banheiros em péssimas condições e sanitários interditados. Também havia problemas com a limitação de espaço nos camarotes e condições dos boxes; vazamentos, tamponamentos e gambiarras para manter camarotes em uso.

O sindicato tem cobrado a solução imediata das pendências e solicita aos trabalhadores que continuem a enviar informações sobre as condições de segurança e habitabilidade. A diretoria do NF alerta para a situação crítica e lembra que já fez denúncias de Pampo junto à ANP, Marinha e Ministério Público do Trabalho.

Leia também:

> Plataformas de Pampo e Pargo: caos para quem sai e para quem fica

[Via Sindipetro-NF]

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A diretoria do Sindipetro-NF está em contato permanente com os petroleiros da plataforma P-43, na Bacia de Campos, para enfrentar um caso, ao que tudo indica, de discriminação praticada pela gestão da Petrobrás. Os relatos da categoria a bordo dão conta de que trabalhadores da unidade estão sendo desimplantados (transferidos para bases de Terra) para que ocupantes de cargos de chefias do Pólo de Pargo, que teve suas plataformas vendidas, assumam as vagas.

O sindicato já entrou com contato com as gerências geral e de gestão de pessoas da Petrobrás, buscando esclarecimentos sobre a situação. Os representantes da empresa se comprometeram a apurar e a suspender os desembarques se ficar caracterizada prática discriminatória.

Desculpas não colam

Os trabalhadores afirmam que ouviram dos chefes imediatos explicações pouco convincentes sobre as razões do desimplantes, como proximidade de aposentadoria ou baixo desempenho para justificar as escolhas. No entanto, alguns dos chefes do pólo de Pargo também estão próximos da aposentadoria, e não foi comprovado o baixo desempenho dos possíveis desembarcados. O NF cobra uma postura rigorosa da empresa contra a discriminação.

[Via Sindipetro-NF]

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O Sindipetro-NF consolidou na noite de domingo os resultados parciais das assembleias da região que avaliam os indicativos da entidade sobre a Campanha Reivindicatória realizadas até o momento.

Nesta terça-feira, 15, o sindicato realiza pela manhã no Ginásio Juquinha, em Macaé, a assembleia com os trabalhadores das bases administrativas de Imbetiba, Imboassica, Edinc, Barra do Furado e Administrativo e Grupo D de Cabiunas. A entrada no ginásio será feita das 7h às 10h.

Em assembleias em todos os aeroportos, com troca de turma, petroleiros e petroleiras do Norte Fluminense puderam escolher com liberdade se aceitam ou não a proposta da mediação do TST e, apesar de todo o terrorismo da empresa e do TST, aprovando também o início da greve para o dia 26/10.

Durante as assembleias, muitos trabalhadores e trabalhadoras, em razão do assédio e do terror da Petrobrás, manifestaram preocupação com a possibilidade de encerramento das garantias dos direitos previstos no ACT. No entendimento da assessoria jurídica do Sindipetro-NF e da FUP, a Petrobrás não pode reduzir direitos de modo unilateral.

Importante ressaltar que a categoria petroleira já votou em outras rodadas de votação a continuidade da negociação, porém a intransigência da Petrobrás faz com que seja necessária uma grande greve para demonstrar a insatisfação perante a retirada de direitos.

Assembleias continuam durante a semana

Além dos aeroportos, onde até dia 17/10 ocorrerão assembleias, os grupos de turno de Cabiunas e bases administrativas terão uma semana intensa.

Nesta segunda, 14, as assembleias começam às 7h* e continuam às 15h*, com os trabalhadores do grupo C e B de Cabiunas, respectivamente.

Na terça, 15, uma grande assembleia com petroleiros e petroleiras das bases de Imbetiba, Imboassica, Edinc, Barra do Furado, além do HA e Grupo D de Cabiunas, terá início às 7h (com fechamento dos portões às 10h) no ginásio do Juquinha.

Já no dia 16, a categoria de Campos e região poderá participar da assembleia na sede do Sindicato em Campos às 10h, e às 23h* o grupo A de Cabiunas.

No dia 17, último dia de votação, às 7h*, o grupo E de Cabiunas fechará o calendário de assembleias.

*Para garantir a segurança e o conforto dos trabalhadores dos grupos de turno, as assembleias serão realizadas na sede do sindicato, em Macaé.

Confira o resultado parcial:

  A favor Contra Abstenção
01 – Rejeição da proposta apresentada pelo TST no dia 19/09. 95,17% 2,90% 1,93%
02 – Aprovação dos itens encaminhados ao TST, em 26/09, como melhoria à proposta do Tribunal. 97,83% 0,72% 1,45%
03 – Condicionar a assinatura da eventual aprovação das propostas às assinaturas dos acordos coletivos de trabalho das subsidiárias e da Araucária Nitrogenados. 94,69% 0,48% 4,83%
04 – Caso não ocorra negociação, greve a partir do zero hora do dia 26/10. 86,32% 4,25% 9,43%

[Via Sindipetro-NF \ Foto: Arquivo NF ]

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por Iderley Colombini e Cloviomar Cararine

A Petrobrás informou nessa quarta-feira, 28 de novembro de 2018, que assinou com a petroleira anglo-francesa Perenco, contratos para a cessão da participação total nos campos de Pargo, Carapeba e Vermelho, o chamado Polo Nordeste, localizados na Bacia de Campos, em águas rasas na costa do estado do Rio de Janeiro. Na mesma ocasião, anunciou o acordo com a 3R Petroleum para a cessão da participação total em 34 campos de produção terrestre na Bacia Potiguar. O anuncio (teaser) pela Petrobrás dessa venda da totalidade de seus direitos de exploração, desenvolvimento e produção nesse conjunto de campos foi feita em 28 de julho de 2017. A venda dos campos de Pargo, Carapeba e Vermelho representa mais uma etapa da política de privatização da Petrobras que se iniciou com a gestão do Governo Temer em 2016.

O campo de Pargo foi descoberto em 1975 e os campos de Carapeba e Vermelho em 1982 e sua produção inicia-se em 1988, momento em que a Petrobrás exercia o monopólio na exploração de petróleo no país. Em 1998, na chamada Rodada Zero, essas concessões foram outorgadas à Petrobras, quando passou a operar no regime de concessão. O sistema de produção desses campos é integrado e consiste em sete plataformas do tipo jaqueta fixa, que é exportada através da plataforma de Garoupa (PGP1), seguindo através de oleoduto para o continente até o terminal de Cabiúnas. As sete plataformas em operação nesses campos possuem diretamente nas suas operações cerca de 280 funcionários da Petrobrás. Assim, a primeira preocupação está no destino destes trabalhadores, irão para outras unidades da Petrobrás ou continuarão trabalhando nestas unidades em regime de contrato?

Além disso, estes três campos foram vendidos no valor de US$ 370 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhões). Apesar do valor aparentemente alto, se torna irrisório se comparado com o potencial dos três campos. Segundo estimativas com base em dados fornecidos pela ANP, as reservas atuais (outubro de 2018) dos campos de Pargo, Carabepa e Vermelho são de 1,5 bilhões de barris de petróleo e 6,7 bilhões de metros cúbicos de gás natural. Para se ter uma ideia da magnitude dos recursos que ainda serão gerados nestes campos, se considerarmos o preço do barril em outubro de 2018, equivaleriam a R$ 441 bilhões. Montante 440 vezes maior que o arrecadado pela Petrobrás com a venda e obviamente, valores que justificam o interesse da empresa europeia.

Chama atenção ainda que o descaso da Petrobrás com os campos maduros da Bacia de Campos não se deve apenas a essa privatização, como se fosse um fato isolado, pois há tempos vem diminuindo investimentos na região, tanto em relação a redução do número de trabalhadores, quanto com a manutenção de maquinas-equipamentos e com os investimentos secundários nos campos. Por serem campos maduros, sua produção depende desses investimentos, que possibilitam a manutenção da produção.

Quando acompanhamos a produção destes 3 campos somados, de 2015 a meados de 2016, esteve na média de 19 mil barris por dia. A partir de julho de 2016, após implantação das novas políticas pelo então presidente da empresa, Pedro Parente, a produção dos três campos diminui de forma drástica, caindo para cerca de 11 mil barris por dia. Considerando os preços do barril de petróleo nos seus respectivos meses de extração e uma produção constante de 18 mil barris, o valor não produzido pela Petrobrás, nesses três campos, em pouco mais de dois anos, foi de R$ 1,18 bilhões, muito próximo do valor que conseguiu vendendo os campos. Esta é mais uma demonstração dos efeitos perversos para a Petrobrás (e, como empresa estatal, para o povo brasileiro) da decisão equivocada de reduzir investimentos na Bacia de Campos, assim como a venda de ativos da empresa.

A privatização dos campos maduros brasileiros para as empresas estrangeiras, apenas representa o triste desfecho de uma política de descaso e entrega do patrimônio público do país, trazendo muitas perdas materiais e incertezas quanto a capacidade produtiva. Infelizmente as políticas executadas pelo próximo governo parece irem no mesmo sentido, de recolocar o Brasil na sua trajetória de subdesenvolvimento.

 

 Economista DIEESE, Subseção Sindipetro NF

 Economista DIEESE, Subseção FUP

Publicado em Petróleo

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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