Por Pedro Lúcio Góis e Silva, diretor Licenciado do SINDIPETRO/RN

Dois fatos da indústria petrolífera nacional chamaram nossa atenção essa semana e apontam na mesma direção: o fim das operações da Petrobrás no Nordeste brasileiro e a destruição da estatal.

O primeiro deles foi a venda da totalidade da participação da Petrobrás nos campos de Pescada, Arabaiana e Dentão, no mar do Rio Grande do Norte, para a empresa OP Pescada Óleo e Gás Ltda, uma subsidiária da empresa nacional Ouro Preto Óleo e Gás Ltda, pelo valor de US$ 1,5 milhão (um milhão e quinhentos mil dólares). Pela produção atual dos campos, esse valor pode ser recuperado em 140 dias, tornando a venda uma verdadeira “promoção” capitaneada pela Petrobrás. Em busca rápida no site da ANP a empresa não consta no rol de operadoras de campos de petróleo, logo, esses campos no Rio Grande do Norte serão os primeiros de sua operação própria. Há pouco tempo também foi vendido o Pólo Macau, no Rio Grande do Norte, para a empresa 3R Petroleum, o que também se tornará o primeiro campo operado pela empresa. Na prática, sai a Petrobrás, uma estatal nacional de larga experiência e potencial de investimento, e entram duas empresas privadas que irão inaugurar suas experiências em operação de campos de petróleo.

O segundo fato foi o anúncio da fase final da venda da Refinaria Landulfo Alves – RLAM, na Bahia, para a empresa estatal árabe Mubadala. A Petrobrás havia anunciado a intenção de vendar 8 das suas 13 refinarias, privatizando mais da metade do parque de refino nacional. Pelo alto valor dos ativos, é natural que a incipiente indústria privada nacional não tenha capacidade de investimento para essas compras, papel que será desempenhado por empresas multinacionais com sede em outros países. No caso da RLAM, especificamente, a empresa compradora é uma estatal árabe multibilionária que tem parcerias com a Equinor, uma empresa que recentemente comprou campos no pré-sal. Na prática, sai a empresa pública nacional Petrobrás e entra a empresa estatal árabe Mubadala, que deterá esse parque de refino e que tem negócios com empresas que são produtoras nos blocos nacionais do pré-sal.

Perceba, caro leitor, não se trata aqui da vinda de novas empresas desbravando novas oportunidades de investimentos. Nenhum campo novo de petróleo foi descoberto por essas empresas, nenhuma nova refinaria foi construída por elas para dar conta do nosso consumo interno, novos empregos não serão gerados. Trata-se pura e simplesmente da substituição da Petrobrás, controlada pelo governo brasileiro e, em última instância, pelo povo através das eleições e pressões sociais, por empresas privadas alheias aos nossos projetos nacionais. Na prática, trata-se da privatização da soberania nacional capaz de fazer revirar no túmulo os nacionalistas que defenderam a criação da Petrobrás e a campanha “O Petróleo é Nosso”.

Para o Rio Grande do Norte significa redução na arrecadação de royalties e impostos no setor, menor geração de emprego e renda e uma empreitada muito arriscada que, caso seja mal sucedida, pode significar o fim precoce da indústria de maior importância pro nosso Estado durante tanto tempo. Como o SINDIPETRO/RN alardeou há bastante tempo, a saída da Petrobrás do Rio Grande do Norte pode transformar cidades como Mossoró em cidades fantasma.

[Publicado em Blog do Barreto]

Publicado em Sistema Petrobrás

A Petrobras demitiu 1.328 funcionários de suas empresas terceirizadas no Rio Grande do Norte somente este ano. Os dados, levantados pelo Sindipetro, são de registros entre 1º de janeiro e 10 de junho.

No início do ano eram 6.032 funcionários terceirizados no Estado. Agora são 4.704. No final de 2018 eram 6.779, o que mostra que os ritmo das demissões aceleraram no Rio Grande do Norte.

Mas o problema não é de hoje. É uma tendência que reflete o desinvestimento da estatal no Rio Grande do Norte nesta década. Em 2011, 13.151 profissionais terceirizados prestando serviços em terras potiguares.

O diretor licenciado do Sindipetro, Pedro Lúcio Góis, explicou que a questão envolve o enfrentamento da pandemia e simboliza a retirada da Petrobras do RN.

Confira o áudio.

[Via Blog do Barreto]

Publicado em Sistema Petrobrás

É grave a situação dos trabalhadores terceirizados que atuam em diversas unidades da Petrobrás, pois não está havendo fiscalização das gerências da estatal em relação à adoção dos procedimentos para a prevenção contra o novo coronavírus.

Além desses trabalhadores ficarem expostos, a negligência de muitas empresas terceiras e da Petrobrás, cria uma bola de neve de contaminação no ambiente de trabalho, atingindo a todos.

Um exemplo disso é o que está acontecendo nas plataformas do campo de Manati, localizado na Bacia de Camamu, na costa do município de Cairu, na Bahia. Nessas plataformas, muitos trabalhadores terceirizados estão entregues à própria sorte, pois há empresas que não estão distribuindo sequer as máscaras de proteção que são de uso obrigatório. A Petrobrás só distribui máscaras para os trabalhadores próprios.

Uma das vigilantes que faz a revista no hangar apresentou sintomas da covid e foi afastada. Mas já tinha circulado em diversos ambientes, tendo contato com outros trabalhadores. Outro problema detectado é a Campanha de Mergulho com apoio de embarcação. Na PMNT-1, há cinco trabalhadores acompanhando a campanha durante 24h.

Eles estão instalados em dois camarotes (sem janelas), cada um com quatro camas. O primeiro camarote é dos trabalhadores próprios da Petrobrás, que está ocupado por duas pessoas.

O segundo camarote é dos trabalhadores das empresas terceirizadas, onde dormem três pessoas. Cada camarote tem um banheiro. Quem está fazendo a higienização desses banheiros? Ela está sendo feita de forma correta ?

Além disso, não é possível dormir com a porta aberta devido ao barulho da produção da plataforma, que também não tem sequer área apropriada para higienizar as máscaras. 

Testes

Nenhuma dessas pessoas fez o teste rápido da Covid -19 antes de serem confinadas em um local pequeno e sem ventilação.

O mínimo que a Petrobrás deveria fazer para evitar uma tragédia, que já está anunciada, é disponibilizar os testes rápidos da covid- 19, não só para os trabalhadores próprios, mas também para os terceirizados. Só assim poderia combater as chamadas contaminações cruzadas.

É muito fácil para a chefia ficar em casa em Home Office informando que não tem teste para fazer, enquanto pais de família estão se expondo para não parar a produção. Produção essa que já está sendo colocada a venda. Se não tem testes rápidos, providencie. Mande trazer do Rio de Janeiro, pois são vidas que estão sendo colocadas em risco.

Será que as gerências da Petrobrás não estão aprendendo com a contaminação de muitos dos seus trabalhadores? Estão esperando que alguém morra para tomar as providências?

Os trabalhadores e o Sindipetro têm muitas indagações e cobranças que têm feito a atual gestão da Petrobrás. Queremos saber, por exemplo, se a equipe de saúde realizou um embarque para fazer uma inspeção sanitária antes dessa campanha? E ainda se foi verificada a possibilidade de montar um local adequado para higienização, na plataforma. Enquanto isso, os trabalhadores aguardam a entrega de máscaras suficientes e de qualidade para todos e a realização dos testes.

O Sindipetro está procurando, novamente, a gerência da UO-BA para tratar sobre o assunto e também informar à Cipa o que está se passando no campo de Manati.

[Via Sindipetro Bahia]

Publicado em SINDIPETRO-BA

"A hibernação significa muito mais que uma forma de gestão da Petrobras no contexto de queda do preço do petróleo e da pandemia. Ao contrário, a hibernação é a nova modalidade da política de descaso e entrega da Petrobras. Representa uma estratégia que se aproveita da dificuldade de se organizar as mobilizações de resistência para acelerar o desmonte da empresa", afirma o geógrafo Francismar Cunha, mestre e doutorando em Geografia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Em artigo publicado no Blog do professor Roberto Moraes, o geógrafo analisa detalhadamente a relação entre as decisões da gestão Castello Branco, de colocar plataformas e campos de petróleo em "hibernação", e o processo de desmonte e venda da Petrobrás. 

"Francismar faz uma leitura a partir da localização espacial (com mapas de quatro bacias produtoras de petróleo no Brasil) que identifica os ativos de produção colocados em "hibernação" (eufemismo similar ao que gostam de usar como "desinvestimentos") e os que estão sendo colocados à venda (desinvestimentos) pela estatal", afirma Roberto Moraes. "Todo bom pesquisador começa trabalhando com as informações e junto com os estudos teóricos e as pesquisas empíricas, passa à fase de formulação de hipóteses, para se tentar interpretar o fenômeno que está observando", ressalta. 

"Neste caminho, o pesquisador Francismar Cunha conseguiu com a espacialização destas decisões corporativas, localizar o nexo de negócios que expõe de forma clara, que a atual direção da Petrobras, enxerga e usa a pandemia, como "janela de oportunidades" para radicalizar, o processo de desmonte da companhia, cumprindo desejo dos seus maiores investidores, a quem na verdade, representam, exclusivamente", conclui o professor Roberto Moraes.

Confira o texto na íntegra:


A hibernação como nova política de descaso e entrega da Petrobras 

[Publicado originalmente no Blog do Roberto Moraes]

Nos últimos anos nota-se uma brusca mudança na diretriz da gestão da Petrobras e isso tem engendrado uma crescente privatização da empresa. Este processo incide por vários segmentos da petroleira, indo desde a produção até a distribuição. Nessa conjuntura, a empresa bem como seus trabalhadores próprios e terceirizados tem seus futuros marcados por incertezas. 

Várias subsidiárias da Petrobras já foram vendidas como é o caso da Transporte Associado de Gás (TAG), da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), da Liquigás, da BR distribuidora e etc. Do mesmo modo, vários campos de produção onshore e offshore também já foram vendidos. Para exemplificar, somente na Bacia Potiguar foram vendidos 34 campos terrestres para a Petrorecôncavo, na Bacia de Campos os campos de Enchova, Pampo, Vermelho, Pargo, Carapeba, etc. também já foram vendidos. Todas as vendas da Petrobras somavam 24 bilhões de reais, o que correspondia a 60% do lucro da empresa em 2019 segundo o economista Cláudio da Costa Oliveira. 

Para além dos ativos vendidos, chama à atenção a verdadeira liquidação que a atual gestão da Petrobras vem fazendo conforme aponta sua página de “relações com investidores” (teasers). A empresa vem sendo ofertada ao mercado em fatias e nesse movimento já foi colocada à venda as suas participações em usinas eólicas, no segmento de bicombustíveis e até mesmo no refino onde nove refinarias foram oferecidas ao mercado. Soma-se a isso, a inserção de dezenas de campos e blocos colocados a venda nas diferentes bacias. Nas bacias Pará-Maranhão, Ceará, Potiguar, Tucano do Sul e Pelotas a Petrobras colocou todos os seus blocos exploratórios e campos a venda. Até o dia 07/05 na bacia do Solimões três campos haviam sido colocados a venda e um (Azulão) já foi vendido. Na Bacia Sergipe-Alagoas 19 campos e 19 blocos estavam a venda, na bacia do Espírito Santo 34 campos e 3 blocos estavam a venda, além disso, 3 campos já haviam sido vendidos para a Imetame. Na bacia do Reconcavo 38 campos e 8 blocos estavam a venda, em Camanu 1 campo, na bacia de Santos 4 campos e na bacia de Campos 24 estavam a venda, e desses, 7 haviam sidos vendidos juntamente com 1 bloco. Vale ressaltar ainda que a Petrobras também vendeu participações e percentual de participações em campos e blocos do pré-sal como o caso do campo Carcará (antigo BM-S-8) para a Equinor, a participação 35% no campo Lapa na bacia de Santos para a Total, dentre outros. 

Atualmente, a gestão da petroleira vem utilizando estratégias que poderão acelerar o processo de privatização e que tem diretamente efeitos econômicos e também sobre o trabalho. Uma delas consiste no programa de hibernação de plataformas. A Petrobras iniciou em abril o processo de hibernação de 62 plataformas em campos de águas rasas nas bacias de Campos, Sergipe, Potiguar e Ceará. De acordo com a Petrobras, as plataformas que serão hibernadas não têm viabilidade econômica para operar no contexto atual com os baixos preços do petróleo e a queda da demanda devido à pandemia de COVID-19. 

O mesmo argumento de que não há viabilidade econômica utilizada para a venda de campos maduros, se repete agora para hibernar plataformas. Contudo, produção de muitos campos que estão sendo vendidos pela Petrobras deve dobrar ou triplicar de acordo com a avaliação da ANP em função dos investimentos realizados nesses campos. Investimentos esses que a gestão da Petrobras, desde a era Temer, não vem fazendo. 

Em meio a isso, destaca-se o curioso fato de que as plataformas hibernadas das bacias de Sergipe, Ceará e Potiguar são exatamente aquelas que se localizam em campos que estão com anúncio de venda. O mesmo acontece com a maior parte das plataformas que estão em processo de hibernação na bacia de Campos. Os mapas a seguir demonstram esta constatação. Os mapas ampliam a evidência de que não se trata de uma coincidência e sim um estratégia em que a hibernação se tornou estratégia corporativa de negócios escusos e de privatização em larga escala de grande quantidade de ativos da Petrobras. 

O primeiro mapa (Mapa 1) sobre a Bacia de Campos localiza as plataformas hibernadas e os campos de petróleo colocados à venda. No Mapa 2, estão apontados os campos e blocos colocados à venda na Bacia Sergipe-Alagoas e no Mapa 3, os campos vendidos e com anúncio de venda nas bacias do Ceará e Potiguar. Assim, a Petrobras, reduz-se ao mínimo com a produção para se tornar uma empresa pequena (enxuta) e caminhando para se fixar apenas, e quase somente, no Pré-sal e Bacia de Santos, como deseja os investidores.
 

Mapa 1: Plataformas hibernadas e campos à venda na Bacia de Campos até 07/05/2020

 
Foto: Blog do Roberto Moraes

 Mapa 2: Campos e blocos com anúncio de venda pela Petrobras na Bacia de Sergipe-Alagoas

 

Foto: Blog do Roberto Moraes

 Mapa 3: Campos vendidos e com anúncio de venda nas bacia do Ceará e Potiguar

 

Foto: Blog do Roberto Moraes

Logo, a hibernação das plataformas nada mais é do que uma forma de acelerar e aprofundar o desmonte da Petrobras que vem sendo intensificado pela gestão Castello Branco. Aproveitam-se assim, do que chamam de “janela de oportunidades” gerada pelos efeitos da Covid-19. Afinal, em meio à pandemia, as mobilizações para resistir a essas medidas tendem a ser menores e mais difíceis.  

Os trabalhadores da petroleira dessas plataformas serão realocados para outros ativos sem garantia nenhuma de retorno, além disso, tem-se a política de desligamento voluntário da empresa que faz com que muitos deixem a companhia. Essas e outras medidas nada mais são do que formas de erodir a mobilização dos trabalhadores. 

Além disso, a hibernação implica ainda em outros prejuízos. Do ponto de vista do trabalho a hibernação tende a levar a demissão de trabalhadores terceirizados. Por outro lado, tem-se a consequência econômica onde juntamente com a queda da produção ocorrerá a queda da arrecadação de royalties, o aumento do desemprego em toda cadeia produtiva e também no setor hoteleiro, comércio e afins. O que trará uma dificuldade adicional para os municípios conforme nota do Sindipetro-NF. 

Vale ressaltar ainda que a hibernação se estende para além das plataformas, tem-se a hibernação de campos terrestres e também da fabrica de fertilizantes Araucária Nitrogenados (ANSA). Essa ultima em especial, também colocada a venda. 

Em resumo, a hibernação significa muito mais que uma forma de gestão da Petrobras no contexto de queda do preço do petróleo e da pandemia. Ao contrário, a hibernação é a nova modalidade da política de descaso e entrega da Petrobras. Representa uma estratégia que se aproveita da dificuldade de se organizar as mobilizações de resistência para acelerar o desmonte da empresa.

[Via Blog do Roberto Moraes]

Publicado em Sistema Petrobrás

A paralisação das atividades dos campos terrestres de petróleo na Bahia – assim como em outros estados do Nordeste e Norte do Espírito Santo – pode provocar um impacto gigantesco na cadeia de produção de petróleo e consequentemente na economia de diversos municípios e estados. No caso da Bahia, além da demissão de cerca de 4 mil trabalhadores terceirizados e transferência de 900 empregados diretos da estatal para outros estados, a hibernação desses campos afeta uma grande cadeia de negócio e de produção da primeira e da segunda geração da indústria podendo provocar, entre outros danos, o desabastecimento do mercado nacional de parafinas. É como um efeito dominó, que só para quando todas as peças estiverem no chão, destruídas.

Entenda

A indústria do petróleo funciona em cadeia, mobilizando atividades diversas em vários setores da economia. A Bahia é um bom exemplo para entender como esse mercado funciona, pois foi nesse estado, na cidade do Salvador, que em 1939, jorrou o petróleo pela primeira vez no Brasil, na zona rural de Lobato. Em 1941 o óleo negro passou a ser comercializado, a partir da descoberta do poço Candeias 1. Descoberta essa que, em 1953, levou à oficialização do monopólio estatal sobre a atividade petrolífera e a criação da empresa “Petróleo Brasileiro S.A.”, mais conhecida como Petrobras. Até 1965, a Bahia foi o único estado nacional a produzir petróleo.

Foi no recôncavo baiano que a empresa deu inicio à sua exploração e produção do petróleo na chamada RPBA (Região de Produção de Petróleo da Bahia) hoje denominada UO-BA (Unidade Operacional da Bahia). Como é intrínseco à atividade, logo surgiu a necessidade de processar esse óleo e seus derivados. Assim, em 1948, foi criada a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), no município de São Francisco do Conde, próximo à cidade de Candeias, onde o promissor campo de petróleo atuava a todo vapor produzindo, no seu auge, cerca de 10 mil barris de petróleo por dia.

Um dos objetivos da construção da RLAM foi diminuir os custos da transferência do petróleo que era enviado para o Rio Grande do Sul para ser processado na refinaria Ypiranga (primeira do Brasil).

Mas a produção do óleo do recôncavo baiano trazia mais um desafio: o gás. Para dar vazão a esse derivado do petróleo foi criada a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados, a FAFEN (antiga Nitrofértil), localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, que no ano de 1993 foi incorporada à Petrobrás. A partir da Bahia, a produção de petróleo e gás em campos terrestres avançou Nordeste afora.

Tendo como ponto de partida a produção da UO-BA nasceu uma grande indústria ancorada na produção do petróleo e seus derivados explorados nos campos terrestres da Petrobrás.

Esse foi só o começo de uma grande história que levou à ampliação do Sistema Petrobràs, à criação do Polo Petroquímico de Camaçari – o mais integrado do hemisfério Sul – e à aceleração do desenvolvimento econômico da Bahia. 

Valor agregado

Mas a integração da cadeia produtiva de petróleo tem infinitas possibilidades de geração de atividades e de empregos. O petróleo produzido nos campos de terra tem um alto teor de parafínicos na sua composição, que é o petróleo que mais agrega valor na sua cadeia produtiva porque dá inicio a uma cadeia de lubrificantes, tipo de óleo – mais caro por causa das suas especificações – muito utilizado em diversas indústrias a exemplo da locomotiva. Além dos lubrificantes há o mercado de parafinas, produtos que estão presentes em vários tipos de indústrias a exemplo das de cosméticos.

Só há duas refinarias da Petrobrás com capacidade para processar esse tipo de petróleo: a Refinaria de Duque de Caxias (REDUC) e a Refinaria Landulpho Alves (RLAM). Na REDUC, após processamento, 20% desse óleo vira parafínico e 80% lubrificante. Já na RLAM acontece o contrário, 80% do óleo processado se transforma em derivados parafínicos e 20% em lubrificantes.

Dentro da cadeia de petróleo esses são os derivados de maior valor agregado, mas perdem em escala porque sua produção é menor.

Portanto, vimos que a partir do petróleo tem-se uma gama de produtos que podem ser gerados e que alimentam indústrias da segunda geração como cosméticos (creme, batom), alimentação (proteção para frutas e queijos), revestimentos (vernizes). Enfim, uma cadeia que nasce a partir do processamento desse petróleo que é produzido no recôncavo baiano e na região do nordeste.

Na Bahia, esse tipo de petróleo, conhecido como petróleo baiano, é processado na unidade 9 (U-9) na RLAM. Atualmente a U- 9 processa 112000 m3 de petróleo baiano e nordestinos de terra (Sergipe terra e outros) na campanha de lubrificantes e parafinas e mais 96 000m3 de nordestinos na campanha de combustíveis. Além disso na campanha Baiano a U-9 produz carga para as Unidades 30 e 31, cujo principal produto é N-C10/C13, matéria prima para a empresa Deten, localizada no Polo de Camaçari, produzir insumos para as indústrias de detergentes e sabão em pó que com a pandemia teve seu consumo ampliado.

Logística

Há várias fábricas de velas localizadas próximas à RLAM, em diversos municípios no entorno da refinaria, no Centro Industrial de Aratu (CIA) e Polo de Camaçari. Elas consomem diariamente diversas toneladas de parafina processadas pela RLAM a partir do petróleo produzido na UO-BA através de seus vários campos terrestres.

Muitos empresários, como o da fábrica de velas Luz Divina, pertencente ao grupo Guanabara, proveniente de Curitiba, optaram por abrir as suas fábricas na Bahia para eliminar a figura do intermediário, comprando diretamente do produtor, a RLAM.

Mas essa proximidade não surtirá mais efeito. Além disso, a escassez da parafina na Bahia pode levar ao aumento do preço da vela e à crise no setor, gerando o fechamento de fábricas e o desemprego.

O diretor do Sindipetro Bahia, que também é funcionário da RLAM, Attila Barbosa, vê na movimentação da atual gestão da Petrobrás uma articulação orquestrada para quebrar a cadeia de petróleo no Nordeste e assim justificar a venda e fechamento de unidades da estatal. “A Petrobrás transformou em commodities o preço do gás produzido por ela mesma, inviabilizando economicamente as suas próprias fábricas de fertilizantes. Ao passar a cobrar de si mesma o gás a preço internacional a Petrobrás decretou o fechamento das Fafens Bahia, Sergipe e Araucária, saindo do negócio de fertilizantes”.

Com a FAFEN parada, no caso da Bahia, não há mais demanda de gás, o que acaba inviabilizando a produção de gás dos campos terrestres da UO-BA, tornando esses campos também inviáveis financeiramente.

Além de todo esse prejuízo, a paralisação das atividades dos campos terrestres da UO- BA (já há cinco sondas paralisadas no Campo de Dom João) pode afetar não somente a U-9 na RLAM, mas também outras unidades da refinaria como as unidades 11, 12, 13, 16, 18, 23 e 24, que de uma forma ou de outra fazem parte da cadeia de parafínicos e lubrificantes, alerta Attila, ressaltando que isso atingirá a força de trabalho e os resultados financeiros da refinaria. “Há uma integração no Sistema Petrobrás que é base e fortaleza de qualquer empresa petrolífera e ela está sendo quebrada para justificar a entrega e privatização dessa grande empresa, orgulho dos brasileiros”. 

[Via Sindipetro Bahia]

Publicado em Sistema Petrobrás

Empresas como a Baker, Halliburton, Schlumberger e Superior estão propondo à Federação Única dos Petroleiros (FUP) e aos seus sindicatos aditivos aos Acordos Coletivos de Trabalho para implementar mudanças na jornada de trabalho enquanto durar o estado de calamidade pública decretado pelo governo federal em função da pandemia.

Na proposta das empresas, a relação trabalho e folga vai continuar a mesma, sendo um dia de folga para cada dia trabalhado para o pessoal embarcado em regime de turno ou sobreaviso. O que muda é o prolongamento das escalas podendo ser de até 28 dias embarcado com as respectivas 28 folgas. Algumas empresas também querem redução salarial para os maiores salários ocupados por gerentes e diretores.

A FUP e seus sindicatos entendem que os trabalhadores podem dar sua cota de contribuição neste momento, mas em contrapartida as empresas precisam se comprometer em nao promover demissões enquanto durar a pandemia. Neste momento precisamos manter os empregos.

Essas empresas prestam serviços para a Petrobras, que é uma empresa estatal e tem o dever de contribuir com a estabilidade econômica do país. A maior responsabilidade social neste momento é manter os empregos.

Para que não haja demissões nas empresas terceirizadas a Petrobras precisa:

1) Suspender a hibernação de campos e plataformas de petróleo;

2) Manter os contratos de serviços com suas empresas terceirizadas.

Já existe no Brasil o movimento #naodemita com a participação de mais de 4 mil empresas que se comprometem em manter os empregos durante a pandemia objetivando evitar ou minimizar um possível colapso econômico e social.

A atual direção da Petrobras pode agir imediatamente por que sua Política de responsabilidade social estabelece os compromissos visando prevenir e mitigar impactos negativos das atividades da direta da Estatal em fornecedores de bens e serviços e comunidade local envolvida.

#NaoDemitaPetrobras

[FUP]

Publicado em Setor Privado

No intuito de impedir que a Petrobras feche de vez as bases de produção do petróleo no Rio Grande do Norte, o Sindipetro-RN está intensificando a campanha “Pelo Povo Potiguar, a Petrobras Fica no RN” e reforçou a cobrança a políticos, entidades e sociedade civil ao engajamento na luta pela permanência da empresa no Estado.

Dessa vez, devido as normas de isolamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), os sindicalistas enviaram eletronicamente um documento a todos os seguimentos da sociedade cobrando a intervenção política.

documento traz um apanhado de dados, informações e matérias que demonstram as ações que o Sindicato vem desenvolvendo para manter a produção nos campos da Bacia Potiguar.

Histórico

O Sindicato tem cobrado da Companhia a manutenção de investimentos para a região e exigido o cumprimento da sua responsabilidade social, enquanto empresa estatal geradora de serviços e de uma grande rede econômica, da qual muitos municípios e o próprio Estado são pertencentes.

“Agora, os desafios são maiores. Um governo entreguista se instaurou no Brasil após uma disputa eleitoral injusta e está vendendo à preço de banana os ativos da região. E quem lucra com tudo isto não é o Brasil, e sim ao capital estrangeiro, por meio de negociações ocultas”, afirma o Sindicato.

“A política de preços e de privatização da gestão da Petrobras, que já entregou o controle da BR Distribuidora, Liquigás e mantém ativa a venda de refinarias, agora se revela desastrosa com a baixa demanda de combustíveis provocada pela pandemia do coronavírus”, afirmou o diretor do Sindipetro-RN, Rodolpho Vasconcelos.

Segundo o dirigente, a cadeia integrada, defendida por petrolíferas mundiais, permite manter a empresa saudável nesse período de redução do preço internacional do barril de petróleo e “acirrada disputa entre grandes produtores da commodity”.  No entanto, a Petrobras lançou um plano de redução de 200 mil barris por dia, fechou 62 plataformas marítimas, dessas 24 são do Rio Grande do Norte, e continua paralisando poços terrestres. O polo industrial de Guamaré trabalha com sua capacidade reduzida no processamento de gasolina, diesel e gás, tendo paralisado a produção de querosene de avião.

Estima-se que, desde 2019, mais de mil trabalhadores diretos do setor já foram demitidos e outros 300 transferidos para a região Sudeste. E a tendência, segundo o sindicato, é que outros 800 fiquem desempregados nos próximos meses.

“Isso gera um impacto social e econômico enorme, com significativa redução de tributos, royaties e a própria renda gerada pela atividade”, avalia Rodolpho.

Desde o ano passado, o Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do Rio Grande do Norte vem tentando reforçar essa luta por meio da campanha Pelo povo potiguar, a Petrobrás fica no RN, com objetivo de aglutinar forças de todos os campos da sociedade para defender a sua permanência no Estado e barrar o desmonte da Companhia.

Iniciativa da Bahia

Na manhã da terça-feira (21), feriado de Tiradentes, prefeitos, parlamentares e representantes da FUP, Sindipetro Bahia e CUT, participaram de uma reunião virtual em caráter de urgência para tratar sobre a decisão da direção da Petrobras de fechar vários campos terrestres de petróleo no Nordeste e norte do Espirito Santo.

[Via Sindipetro-RN]

Publicado em Sistema Petrobrás

A notícia da decisão da direção da Petrobrás de hibernar (fechar) vários campos terrestres da UO-BA, dada em primeira mão pelo Sindipetro Bahia, caiu como uma bomba, não só entre a categoria, mas também entre os prefeitos de muitos municípios que vão ser atingidos, vereadores, deputados e senadores.

Mas a diretoria do Sindipetro já entrou em campo para tentar barrar esse absurdo que vai levar à perda da arrecadação de muitos municípios e do estado da Bahia, além do aumento do número de desempregados, contribuindo para acirrar a crise econômica do país em plena pandemia da Covid-19.

Reunião com prefeitos e vereadores

O Sindipetro já solicitou reunião com os prefeitos e os presidentes das câmaras de vereadores dos municípios produtores de petróleo e gás da Bahia. A reunião está sendo articulada pela Prefeita de Cardeal da Silva, Mariane Mercuri (PTN), envolvendo principalmente as cidades de Esplanada, Entre Rios, Cardeal da Silva, Alagoinhas, Araças, Itanagra, Catu, Pojuca, Mata de São João, São Sebastião do Passé, Candeias e São Francisco do Conde.

A reunião está prevista para acontecer na próxima terça-feira (21), ás 10h. Além disso, os diretores do Sindipetro procuraram os deputados federais Joseildo Ramos (PT), Paulo Azi (DEM), João Carlos Bacelar (Podemos) e Jorge Solla (PT), além do senador Jaques Wagner (PT). Já foi solicitada também reunião com o governador do estado, Rui Costa. E foi feito ainda o pedido de uma articulação política na Assembleia Legislativa da Bahia através dos deputados Alex Lima (PSB) e Rosemberg Pinto ( PT). Desta forma, pretendemos buscar articulações políticas com a bancada baiana de senadores, deputados federais, estaduais, além de vereadores e governo do estado.

Além disso, o Sindipetro estará tratando e buscando outras alternativas e ações, nas esferas sociais, jurídicas e na imprensa, que já se interessou em repercutir o assunto. Vamos dar ampla publicidade, utilizando vários meios, para que a sociedade baiana fique ciente sobre o que está acontecendo e se junte ao Sindipetro nessa luta em defesa da Petrobrás e dos empregos.

[Via Sindipetro Bahia]

Publicado em SINDIPETRO-BA

O Sindipetro-NF vem alertando à categoria e à sociedade sobre o sucateamento da plataforma de Pampo na Bacia de Campos. Na manhã desta segunda, 13, o sindicato foi informado sobre a ocorrência de um vazamento de gás na plataforma. Os trabalhadores foram encaminhados ao Ponto de Encontro. Às 13h eles ainda estavam no local, sem informação de retorno ao trabalho, porque a extensão do vazamento não havia sido avaliada.

“Temos denunciado diversos problemas na unidade por conta da má gestão e falta de manutenção em Pampo, principalmente agora que Pampo foi vendida. Alertamos para o risco de um desastre de grandes proporções a qualquer momento” – alerta o diretor Rafael Crespo.

Na semana passada, denunciamos que a gestão da Petrobras estava ignorando as normas regulamentadoras, ao deixar 76 equipamentos de proteção respiratória (EPRs) vencidos a bordo, colocando em risco a vida dos seus trabalhadores. O edital da licitação foi publicado em  16 de dezembro, e a compra pode levar em média 90 dias para ser feita, fora o tempo que demorará para chegar esses equipamentos a bordo. Enquanto isso a plataforma fica sem a totalidade de seus EPRs.

No início de dezembro também denunciou a falta de comida e problemas de habitabilidade e segurança na plataforma. Casos de vazamento da tubulação do triturador de alimentos dentro da plataforma, pisos amarrados com arames, banheiros em péssimas condições e sanitários interditados. Também havia problemas com a limitação de espaço nos camarotes e condições dos boxes; vazamentos, tamponamentos e gambiarras para manter camarotes em uso.

O sindicato tem cobrado a solução imediata das pendências e solicita aos trabalhadores que continuem a enviar informações sobre as condições de segurança e habitabilidade. A diretoria do NF alerta para a situação crítica e lembra que já fez denúncias de Pampo junto à ANP, Marinha e Ministério Público do Trabalho.

Leia também:

> Plataformas de Pampo e Pargo: caos para quem sai e para quem fica

[Via Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

O Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro) realizou, nesta terça-feira (7), às 9h, um ato na Refinaria Landulpho Alves-Mataripe (RLAM), em conjunto com diversas associações de moradores das cidades vizinhas – Associação de Pescadores de São Francisco do Conde, Sitcan, Sindsefran e sociedade civil –, contra a visita da comitiva da estatal petroleira chinesa, a Sinopec, que foi acompanhada pela alta cúpula da direção da Petrobras. A Sinopec é uma das petroleiras estrangeiras interessadas na compra das refinarias brasileiras.

“A visita dessa comitiva à refinaria visa satisfazer a segunda fase do processo de venda. Nós, trabalhadores da Petrobras, ativos, terceirizados e aposentados, somos totalmente contrários, assim como a sociedade, por conta do investimento financeiro, do trabalho e da luta feitos pela e para a estatal. Não é justo entregar assim de bandeja para os estrangeiros”, afirma Jairo Batista, coordenador geral do Sindipetro Bahia.

Responsável por 14% do refino de petróleo no Brasil, a RLAM representa atualmente aproximadamente 25% da arrecadação de ICMS do estado da Bahia. Para o diretor do Sindipetro e trabalhador da refinaria, Attila Barbosa, a privatização da Petrobras é um ataque à soberania brasileira.

“O fato de vender essa refinaria para outra empresa, de capital estrangeiro, seja ela estatal ou não, fere os interesses de soberania nacional e do povo brasileiro. O ato hoje é um recado claro em defesa da manutenção dos empregos, porque a refinaria pode ser vendida e fechada, devido à capacidade ociosa de refino no mundo”, diz.

Trabalhador há 36 anos da RLAM, o petroleiro Ivo dos Santos, demonstra preocupação com os empregos que são gerados para as comunidades vizinhas. “A empresa privada só se preocupa com o lucro. Ela não quer saber do lado social e não se preocupa com a população.”

O petroleiro ainda ressalta a importância das pessoas conheceram a Petrobrás para compreender porque ela pertence ao povo brasileiro, entender o que está entre ao processo do poço ao posto e como isso impacta na vida da população, principalmente em relação aos preços do gás e da gasolina. Para Ivo dos Santos a Petrobrás significa vida e a possibilidade de sua venda seria a morte para o trabalhador brasileiro.

O diretor do Sindipetro, Radiovaldo Costa, avaliou como muito satisfatório o resultado da manifestação.

“Tivemos a participação maciça dos trabalhadores da RLAM, sociedade civil e diversas entidades, que se comprometeram a dar continuidade na luta contra a privatização da refinaria. A privatização da RLAM é um enorme prejuízo para a população baiana, e, por isso, o Sindipetro estará vigilante para realizar atos e impedir a visita de qualquer interessado em comprar a refinaria, e assim preservar o patrimônio nacional. Chineses aqui não, a RLAM é do povo brasileiro.”

[Via Sindipetro-BA]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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