Uma Assembleia Geral Ordinária (AGO) realizada nesta semana marcou a posse de Rosangela Buzanelli, representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás. Por meio de eleição direta, Rosangela foi eleita como conselheira no início do ano. No entanto, por conta da pandemia, a posse tardou um pouco mais do que o previsto e aconteceu somente em julho, virtualmente.

A partir de agora, Rosangela representará os milhares de funcionários da maior petroleira e maior empresa do Brasil. “Fico muito feliz de saber que estarei nessa jornada, comprometida com os interesses da categoria para ser a voz do trabalhador. Enfrentamos uma dura crise no país e vemos a Petrobrás saindo do grande papel para o qual foi criada, de colaborar com o desenvolvimento do país, ainda que o povo brasileiro seja seu maior acionista. Por isso, me coloco ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras, focada no projeto de recuperação da economia com uma Petrobrás a serviço do povo brasileiro”, comenta.

> Veja abaixo entrevista concedida ao jornal Estado de São Paulo:

Rosângela Buzanelli diz que manterá o tom diplomático no colegiado e que não quer chegar 'com o pé na porta'

Nova conselheira da Petrobrás se opõe à venda de ativos, mas quer diálogo

Por Fernanda Nunes | O Estado de São Paulo

RIO - A geofísica Rosângela Buzanelli assume nesta quarta-feira, 22, a cadeira de representante dos empregados no conselho de administração da Petrobrás. Funcionária da estatal há 33 anos, ela poderia ter se aposentado há três anos, mas optou por continuar na empresa e assumir papel de liderança sindical na Federação Única dos Petroleiros (FUP). Não fosse a pandemia de covid-19, teria assumido o cargo em abril deste ano, após ser eleita pela maioria dos trabalhadores em primeiro turno.

Em linha com a entidade, Buzanelli vai defender que a Petrobrás continue a ter um perfil integrado, presente em toda cadeia, o que pressupõe a manutenção das suas refinarias, postas à venda pela atual gestão. A primeira a ser privatizada deve ser a Rlam, na Bahia. Ainda assim, diz que manterá o tom diplomático no colegiado e que não quer chegar "com o pé na porta".

Você assume um assento no conselho em meio à privatização das refinarias, a principal pauta de contestação da FUP atualmente, inclusive na Justiça. Como será sua participação nesse processo?

Quem vai assumir o assento no conselho não é a Rosângela, mas uma representante de um coletivo de trabalhadores. Sabemos que somos minoria no colegiado, mas é importante a gente estar lá para trazer outra visão, questionar as decisões e suas bases técnicas. Temos bastante suporte de assessorias. A nossa visão é que, de um tempo para cá, a administração da empresa se voltou exclusivamente aos interesses dos investidores e está focada exclusivamente na produção de petróleo no Sudeste. Mas as grandes companhias petrolíferas são integradas. No primeiro trimestre, foram as refinarias que garantiram o lucro operacional. Manter as refinarias é extremamente importante.

Com a sua presença, os trabalhadores vão ter influência nas decisões?

Somos minoria, mas se não estivermos lá será ainda mais frustrante. Existe a chance de conhecer o debate, protestar e até balançar um conselheiro ou outro. É importante também que tudo seja documentado. Vamos defender que a Petrobrás seja forte e integrada, que zele pelo interesse público, como pela produção de combustível de qualidade a baixo preço. Nosso papel é levar essas visões para tentar que sejam reavaliadas, apesar de a gente saber que não vai converter ninguém.

 

Diretorias da Petrobrás de pelo menos três gestões travaram um embate com os sindicatos dos trabalhadores, que realizaram duas greves desde o fim do ano passado. Como será sua convivência com esses gestores?

Será diplomática e técnica. Ninguém vai entrar com o pé na porta. Não é o ambiente para isso. Num primeiro momento, não vamos nem nos conhecer pessoalmente. Os encontros vão ser virtuais. Isso faz uma diferença. Por um lado, a falta de comunicação corporal atrapalha. Por outro, a distância física pode ajudar na adaptação. O importante é que estamos dispostos a dialogar.

Quais temas da administração são mais urgentes para os trabalhadores atualmente?

As privatizações. O campo de Urucu (na Amazônia) é muito simbólico. O desenvolvimento do campo foi exemplar do ponto de vista ambiental e hoje tem grande importância social. Dá lucro e, ainda assim, está à venda.

Sua atuação nas questões trabalhistas é limitada...

Nas relativas à remuneração, sim. Não posso participar porque configuraria conflito de interesses. Mas a gente percebe também uma precarização da área de SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde), principalmente da segurança. Essa é uma área em que posso atuar. O conselho é um fórum para onde posso levar essa pauta. Os gestores, nas tomadas de decisões, precisam ouvir o pessoal de chão de fábrica. A gente vai conseguir influenciar mais. SMS é central em qualquer grande petrolífera, não somente pela segurança do trabalhador, mas também para o ganho do acionista. Isso não significa, porém, que vamos deixar de levantar questões estratégicas para a empresa.

No início da Operação Lava Jato, uma fatia considerável dos empregados da Petrobrás acusou o sindicato de fazer política partidária em vez de defender seus direitos trabalhistas e elegeu uma representante independente para o conselho. Neste ano, a candidata da FUP foi eleita num único turno. O que justifica essa mudança em cinco anos?

Os empregados da Petrobrás viveram momentos de desmoralização num primeiro momento. Ficamos todos perplexos quando descobrimos que alguns dos nossos colegas desviaram fortunas da empresa. Nos ambientes públicos, parecia que tínhamos voltado à década de 1990, do Collor, quando alguns de nós eram chamados de marajás nas ruas, sem ter nada a ver com a história. Depois veio a fase do excesso de controle, que emperrava todos os processos. Com a entrada da conselheira independente, eles perceberam que suas reivindicações não eram colocadas na mesa e isso foi muito didático. Foi importante para assimilarem a importância de ter de fato um representante dos trabalhadores na cúpula da companhia.

Na Lava Jato, muitos membros do conselho de administração foram responsabilizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por terem autorizado investimentos considerados prejudiciais à empresa posteriormente. Você não se preocupa em assinar decisões com as quais não concorda e ser questionada por isso?

Claro que me preocupo e exatamente por isso temos que ter tudo documentado. Tenho que deixar minha posição explícita na ata de cada votação. Até para no futuro, se for o caso, recorrer à Justiça contra decisões com as quais não concordamos e que tenham se provado contrárias aos interesses da empresa

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Em meio a uma greve histórica, os petroleiros elegeram mais um representante para o Conselho de Administração do Sistema Petrobrás. Com 63,5% dos votos, Felipe Homero Pontes venceu a eleição para o CA da Transpetro, consolidando no segundo turno uma vitória importantíssima para os trabalhadores.

Com apoio da FUP e de seus sindicatos, ele conquistou 686 votos, vencendo a atual conselheira, Fabiana dos Anjos, que obteve 394 votos.

Durante a greve, os petroleiros já haviam eleito em primeiro turno a geofísica Rosângela Buzanelli para o Conselho de Administração da Petrobrás. Foi a primeira vez que uma representação dos trabalhadores foi eleita em 1º turno.

Técnico de Operação da Transpetro há 13 anos, com passagens pelo Terminal Norte Capixaba (TNC) e Terminal Aquaviário de Barra do Riacho (TABR), ambos no Espírito Santo, Homero Pontes tem como principal pauta a manutenção e fortalecimento da subsidiária, que está sob ameaça de desintegração e privatização. Na sua plataforma de luta, também está a defesa incondicional dos interesses dos trabalhadores.

“Reafirmo o meu compromisso de dialogar de forma próxima de todas as entidades representantes e principalmente da categoria durante todo o meu mandato. Também vou utilizar de todos os recursos possíveis para qualificação técnica do meu mandato para fortalecer a defesa dos empregados da Transpetro e para a luta por uma Petrobrás pública estatal e integrada”, afirma.

Em uma conjuntura tão difícil para a categoria petroleira, a eleição de Homero e Rosângela para os principais fóruns de decisão do Sistema Petrobrás é uma vitória fundamental na luta contra o desmonte da empresa.

A FUP parabeniza a categoria petroleira por essa importante vitória em tempos de enfrentamentos contra as privatizações, demissões e desmonte de direitos.

[FUP]

 

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Quem faz o alerta da chamada dessa matéria é o Técnico de Operação Pleno, bacharel em Engenharia Química e pós-graduado em Investimento e Mercado Financeiro, Felipe Homero Pontes, de 37 anos, 13 anos dedicados à Transpetro. Homero é candidato para o Conselho de Administração da empresa, cuja eleição começa neste dia 16 e vai até 26 de janeiro.

Nesta entrevista, ele fala de suas propostas para o CA, de sua visão de empresa e da luta que irá travar contra a privatização e vendas de ativo.

Confira, a seguir, as opiniões do candidato e não deixe de votar. 

Por que você decidiu se candidatar ao CA?

Homero – Eu vejo no trabalho do conselheiro a necessidade da defesa firme dos interesses da classe trabalhadora pois essa é uma cadeira muito importante, apesar de ser apenas uma [os trabalhadores só têm direito a um acento no Conselho de Administração], a contrapartida de poder se posicionar e apresentar projetos é de suma importância. Quando me vi com os pré-requisitos essenciais para poder assumir, eu disse: vou encarar essa. Outro motivo foi porque eu passei por algumas situações de emoção muito à flor da pele. 

De que tipo, por exemplo?

Homero – Eu vi dois companheiros morrerem afogados na minha frente, isso me sensibilizou muito, quero trabalhar para não deixar isso acontecer nunca mais ou conseguir minimizar ao máximo as ocorrências fatais, a política de SMS é uma prioridade, esse conjunto de ocorrências me incentivou a me candidatar do Conselho. 

O Sistema Petrobrás está em um momento muito delicado, com a Transpetro na mira direta da privatização. O que um conselheiro, apenas uma única voz, pode fazer?

Homero – A gente precisa utilizar o arcabouço de informações que tem dentro do Conselho para poder elaborar projetos, ideias. O CA é uma instância política, são cadeiras indicadas pela empresa e uma cadeira para os trabalhadores, então no voto a gente sempre vai perder, mas definitivamente quando se falar em política de SMS, privatização, em desintegração do Sistema Petrobrás não tem consenso. Eu acredito que um conselheiro alinhado com os interesses da força de trabalho tem como se antecipar a algumas atitudes e estratégias, obviamente respeitando os limites e o termo de confidencialidade que o conselheiro assina.

Paralelamente a isso, eu tenho compromissos firmados com assessorias de extrema qualidade, o Ineep, o Dieese e a Advocacia Garcez. Junto com o Paulo César, que é consultor dessa advocacia, elaborei um estudo técnico sobre a importância da Transpetro para a Petrobrás e para o Brasil. Estou disponibilizando esse estudo durante a campanha para consulta de toda a força de trabalho. 

Como você está divulgando esse estudo?

Homero – Eu vou a uma unidade, faço o debate e entrego uma cópia do estudo nos setores, para consulta coletiva e depois disponibilizo de forma eletrônica para todos os grupos, para os sindicatos, que por sua vez distribuem para as suas bases. O Paulo César escreveu um livro mostrando a importância do refino para a Petrobrás. Eu venho com outro trabalho, em dupla com ele, em que mostramos a importância da Transpetro para a Petrobrás e para o país. Esses dois trabalhos formam um manifesto em defesa da soberania do país. Essas são as principais linhas estratégicas que vou seguir. 

Você falou em alinhamento com a força de trabalho. Como pretende fazer essa ligação, se comunicar com os trabalhadores?

Homero – Primeiro, ter uma boa assessoria de imprensa; depois, minha ideia é criar um comitê permanente com lideranças regionais, não necessariamente sindicais, com competência técnica para me auxiliar e encaminhar as demandas regionais. Terceiro é a criação de um grupo formado por conselheiros de outras estatais para poder tratar de estratégias de âmbito geral, como, por exemplo, essa desproporcional correlação de forças dentro dos conselhos.

Deveria ser paritária?

Homero – Sim, nós temos apenas uma cadeira, para se fazer um debate técnico equilibrado, o número de conselheiros indicados pela empresa e pelo governo tem de ser igual à representação dos trabalhadores.

Outra linha que esse comitê de conselheiros vai poder pensar é na questão de pautas trabalhistas e previdenciárias; atualmente, o conselheiro eleito não participa dessas discussões sob o argumento de conflito de interesses. Por essa lógica, os demais conselheiros também não poderiam debater causas mercadológicas, pois conflita com os interesses privados de conselheiros vindos do mercado. Eu não que tirá-los desse debate, eu quero incluir os representantes dos trabalhadores nos debates trabalhista e previdenciário. Isso envolve mudanças na legislação. 

E como você pretende desenvolver, especificamente, articulações com o conselheiro da Petrobrás, que hoje é o Danilo Silva, mas poderá ser outro?

Homero – Quero usar o arcabouço técnico das assessorias, junto com a experiência do Danilo, ou do próximo conselheiro. Eu vou dialogar com todos sem distinção, respeito muito o Danilo, um cara com uma formação incrível, já participei de reuniões com ele, temos afinidade nas questões que envolvem a Petrobrás e a Transpetro, porque se existe uma bandeira que nos une que é a Petrobrás estatal e integrada. 

E como manter essa integração em vista das ameaças da atual conjuntura?

Homero – Nesse estudo técnico que elaborei mostro que privatizar a Petrobrás e a Transpetro é um processo ilegal, que fere a lei do petróleo (9478), que criou a Transpetro. Ora, se a empresa foi criada por força de lei, o governo só pode abrir mão do controle se o artigo 65 dessa lei for revogado. Isso se chama paralelismo formal.

Outra questão que abordo é sobre a lei 9491, que criou o Programa Nacional de Desestatização. A lei estabelece um rito jurídico para a privatização. Mas o artigo 3 da lei diz que está vedada a privatização do Banco do Brasil, da CEF, e das atividades do Sistema Petrobrás elencadas no artigo 177 da Constituição Federal, que são, entre outros, o refino e o transporte. Ou seja, a lei de desestatização proíbe a privatização do refino e da logística. A empresa cria métodos alternativos, que não estão claramente estabelecidos na lei, para privatizar de outra forma. Como conselheiro quero mostrar essa ilegalidade e usar do arsenal jurídico da assessoria para combater a privatização. 

O que aconteceria com uma Transpetro privatizada?

Homero – Veja, a Transpetro não tem ativo, no decorrer dos governos, a empresa não assumiu a propriedade dos ativos, ou seja, os dutos e os terminais não são da Transpetro, o que é da companhia é a força de trabalho, esse é o maior bem da empresa. Agora, vende-se o ativo, que não é da Transpetro, o dinheiro dessa venda ilegal vai para o caixa da Petrobrás, aí uma nova empresa privada passa a assumir a propriedade do ativo sendo operado pela Transpetro, e essa empresa pode chegar e falar… 

Bye, bye, Transpetro, seu preço está alto, não quero mais…

Homero – Exatamente. A Transpetro se torna uma empresa que vai participar de concessões, deixar de ser a promotora do desenvolvimento e passar a ser e empresa que vai competir com outras empresas para prestar um serviço. 

E, teoricamente, quem comprar a refinaria pode determinar em quais locais é lucrativo levar os dutos.

Homero – É isso mesmo. Nessa lógica dá para dizer que a Transpetro “salva” a Petrobrás. Hoje, o mercado de importação de combustíveis não está pior, ou seja a Petrobrás não perdeu uma parcela maior de mercado por causa da Transpetro, se o país tivesse um monte de terminais privados, a Petrobrás teria perdido muito mais do que já perdeu. Aí vem a diretoria da Transpetro e diz que se a Petrobrás quer diminuir de tamanho o problema é dela, nós vamos continuar crescendo. Mas crescendo como sem os ativos? 

O Sistema é integrado, não tem como privatizar o refino sem atingir a Transpetro.

Homero – Claro! Se a malha logística não está com a Transpetro, a empresa se torna refém. Só que os compradores também sabem que só ter o refino não é interessante, eles querem black Friday todo dia. Diante dessa política de desinvestimento, com um governo entreguista, não comprometido com a soberania, deixando o mercado financeiro e o de capitais precificar o país a Transpetro pode ser desintegrada. 

Nesse cenário crítico, um conselheiro pode tentar fazer esse diálogo com a sociedade e os trabalhadores.

Homero – Exato, principalmente com a sociedade. Temos o dever de demonstrar a importância do Sistema Petrobrás para o desenvolvimento do país, a necessidade da presença do estado em regiões remotas, a necessidade da soberania energética, da capacidade de geração de empregos que a Petrobrás possui. Não defender a Petrobrás e a Transpetro agora é comprometer o futuro desta e das próximas gerações.

[Entrevista concedida ao jornalista Norian Segatto]

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Após mais de 60 dias de vacância, a vaga para o representante dos trabalhadores no Conselho de Administração foi ocupada por Danilo Silva, petroleiro da base da Replan e ex-diretor do  Sindipetro Unificado de São Paulo. Nesta entrevista ao sindicato, ele fala com o jornalista Norian Segat sobre as expectativas e projetos para o mandato que se encerra em abril de 2020.

Segundo o novo conselheiro, que tomou posse no dia 3 de janeiro, o país vive uma conjuntura difícil, com um governo que tende a ser mais duro nas relações com os trabalhadores, o que exigirá mais resistência.

“O mandato do CA pode ajudar a fazer esse debate político, mas não podemos esquecer que nosso campo está no chão de fábrica, na porta dos prédios administrativos e temos que saber exercer e aproveitar todos esses espaços”, afirma Danilo. Leia a íntegra:

Como você analisa a demora para a sua posse?

Acho que a Petrobrás errou, ela poderia ter atendido à nomeação muito mais rapidamente, uma vez que a dúvida suscitada [a participação de Danilo no conselho de outra empresa] era uma situação que tinha casos idênticos e até mais complexos no Conselho. O ruim é que nesse tempo algumas medidas importantes foram tomadas, como a aprovação do Plano de Negócios, na qual poderíamos colaborar com uma visão mais preocupada com os empregados do que apenas com o mercado. Agora é assumir o mandato e dialogar daqui pra frente buscando os melhores interesses da companhia.  

Como você pretende pautar sua atuação no CA?

Pretendo pautar pela transparência, divulgando o que for possível dentro das regras da legislação e da CVM, pautar pelo diálogo constante com os trabalhadores, com os demais membros do Conselho e com a Diretoria da empresa na busca de caminhos e soluções, mas também fazer o contraponto em relação a questões como a venda de ativos, por entender que isso é ruim e compromete a geração de caixa em longo prazo. Acredito que é um equívoco a venda do refino, pois enfraquece a companhia e constrói monopólios regionais de empresas privadas; se querem entrar no mercado, isso é bom, mas que façam suas próprias refinarias e disputem mercado com a Petrobrás. É como se a Coca Cola deixasse de vender seu produto por achar que as pessoas devem tomar Pepsi, isso não faz o menor sentido.  

 Você assume um mandato que está praticamente na metade, com uma nova gestão na empresa e um novo governo. O que ainda é possível ser feito?  

O mandato se encerra em abril de 2020, acho que é possível discutir nesse tempo questões importantes. Os mandatos do Deyvid e do Zé Maria foram de apenas um ano e foram consistentes. Muitas questões importantes, em relação ao refino e ao pré-sal, ainda não foram apreciadas pelo CA, há muita coisa para acontecer. Com o novo governo podem ocorrer mudanças na política da Petrobrás, algumas muito ruins para os trabalhadores e por isso temos de estar atentos. Pretendo fazer um processo de aproximação do trabalhador com o Conselho, para que nas próximas eleições se dê mais valor a esse espaço, com mais gente participando, mais candidaturas, mais debates.

 Como se dará a comunicação entre você e os petroleiros, como a categoria poderá acompanhar seu trabalho?

Sempre tendo como perspectiva o que pode e não pode ser divulgado, pretendo fazer um grande trabalho de conversas e debates, utilizar as redes sociais, prestar conta dos gastos, do uso da remuneração do conselho para a contratação de assessorias; vamos ativar um blog para colocarmos textos mais técnicos e internamente usar a comunidade do Conecte para que as pessoas possam ter acesso a informações, sempre seguindo a legislação. Quero, também, visitar o maior número possível de unidades da Petrobrás para conversar olho no olho com os petroleiros e petroleiras, mas desde já deixo um telefone de contato para falar comigo, é o 19 9956-02177. O diálogo e a troca de ideias serão essenciais para a efetividade desse mandato. Forte abraço!

Assista também a o bate papo com Danilo, no último dia 12, em seu perfil no facebook: 

[Via Sindipetro Unificado de São Paulo]

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Do Blog da INEEP

Na última segunda-feira (14/01), a União indicou três novos membros para o Conselho de Administração da Petrobras. Em fato relevante, a companhia anunciou que os indicados são Eduardo Leal Ferreira, John Milne Albuquerque Forman e João Cox. Ontem, no entanto, John Forman, desistiu da nomeação, diante da repercussão da sua condenação pela CVM por uso de informação privilegiada. Os demais nomes serão submetidos aos procedimentos de governança da petroleira.

Os indicados substituirão Luiz Nelson Carvalho, Francisco Petros e Durval José Soledade Santos no Conselho. Carvalho e Petros renunciaram aos postos em 1º de janeiro. Já o pedido de saída de Soledade Santos foi apresentado nesta semana, mas só ocorrerá a partir de 4 de fevereiro. Com a renúncia de Forman, no entanto, a Petrobras ainda não sabe quem será o terceiro indicado a substituir as cadeiras do governo no Conselho.

 Leal Ferreira é Almirante de Esquadra e foi Comandante da Marinha do Brasil até janeiro de 2018, o maior posto da hierarquia naval. Além disso, Leal Ferreira recebeu treinamento de nível superior na Escola de Guerra Naval do Brasil, na Academia de Guerra Naval do Chile e na Academia Naval de Annapolis dos EUA. Antes de ser Comandante da Marinha do Brasil exerceu vários cargos importantes na força, tendo sido Chefe do Estado Maior da Marinha e Comandante-em-Chefe da Esquadra.

A indicação do militar foi feita pelo governo Bolsonaro para exercer a Presidência do Conselho de Administração.

Cox é economista com especialização em economia petroquímica pela Universidade de Oxford. Possui carreira como executivo nas telecomunicações, tendo sido Presidente da Telemig Celular e da Claro. Atualmente, é Presidente do Conselho de Administração da Tim Brasil, além de ser membro dos conselhos da Embraer, Linx e Braskem.

A grande surpresa, contudo, foi a desistência de John Albuquerque Forman ao Conselho. Sondado para o cargo ainda no fim do ano passado pelo atual ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, o nome de Forman apareceu no anúncio oficial da Petrobras dessa semana. No entanto, Forman desistiu da indicação diante da repercussão que teve a notícia de sua condenação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por uso de informação privilegiada na venda de ações da petroleira HRT, hoje chamada de PetroRio.

Mestre em Geologia pela Universidade de Stanford, Forman já presidiu a Nuclebrás e foi diretor da ANP. Em 2016, foi multado em R$ 338,5 mil pela CVM por insider trading na venda de ações da petroleira, em 2013, quando foi conselheiro da empresa.

O que esperar dos novos conselheiros da Petrobras?

Conforme o blog do Ineep já vem apontando desde o ano passado, as nomeações na equipe do governo Bolsonaro tem revelado uma “disputa velada” entre as alas liberal e militar, sobretudo quando o assunto é a política energética.

De um lado, a indicação de Castello Branco à presidência da Petrobras representa uma vitória da equipe de Paulo Guedes na condução da companhia, com enfoque na privatização dos setores de refino e distribuição. Em seu discurso de posse, no último dia 03/01, o economista endossou o foco nos investimentos voltados para as atividades de exploração e produção (E&P) em águas profundas e a política de preços de paridade com o mercado internacional.

Por outro lado, a nomeação de Leal Ferreira à presidência do Conselho de Administração da Petrobras tende a um alinhamento com o ideário militar de fortalecimento nos investimentos de infraestrutura, o que pode significar políticas de incentivo à indústria naval brasileira, com investimentos aos estaleiros no programa do submarino nuclear, conforme indicou o Almirante em entrevista no ano passado.

Neste sentido, a desistência de Forman ao Conselho após a recente divulgação pela imprensa de sua condenação na CVM por um processo de 2016 pode ser um indicativo dessa tensão entre os setores do governo, uma vez que pelo histórico do geólogo é possível observar uma maior afinidade com a ala militar, tendo em vista a sua passagem pela presidência da Nuclebrás e a sua proximidade com o ministro do MME, Bento Albuquerque.

De acordo com o cientista político e diretor técnico do Ineep, William Nozaki, a disputa entre liberais e militares, no entanto, pode encontrar convergências: “Acho que precisamos esperar e olhar com mais atenção para essa composição. Se olharmos a nova direção e conselho, me parece que há uma espécie de ‘divisão social do trabalho’: os civis-liberais vão cuidar de privatizar o downstream e os militares vão cuidar de manter o upstream alinhado aos interesses político-econômicos dos EUA”.

[Via INEEP]

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A Petrobras divulgou no início desta semana oito nomes indicados pela União para compor o conselho de administração da companhia e apresentou a proposta de ampliação no número de conselheiros, passando de sete para onze.

Segundo o site da revista Isto É, entre os membros que já integram o colegiado devem permanecer no posto iniciando novo mandato o atual presidente do conselho, Luiz Nelson Guedes de Carvalho, o presidente executivo da Petrobras, Pedro Parente, além de Francisco Petros, Segen Farid Estefen e Jerônimo Antunes.
De acordo com o portal G1, os acionistas Leblon Ações Master FIA, Leblon Icatu Previdência FIM e Ataulfo LLC, indicaram os seguintes candidatos: Marcelo Mesquita, ligado ao mercado de capitais, representando os acionistas minoritários ordinaristas e Sônia Júla Sulzbeck Villalobose, ligada ao mercado de private equity, representando os acionistas minoritários preferencialistas. Além disso, deve ser endossada pela empresa o representante dos funcionários Christian Queipo, ligado aos engenheiros e aos escalões gerenciais da empresa.
Os três novos indicados são (i) Clarissa de Araújo Lins, sócia fundadora da consultoria cata-vento; (ii) Ana Lucia Poças Zambelli, presidente da empresa dinamarquesa de transporte e energia até 2017; (iii) José Alberto de Paula Torres Lima, gestor de áreas estratégicas da Shell nos últimos 27 anos. A eleição foi marcada para a próxima reunião da Assembléia Geral Ordinária agendada para o dia 26 de abril.
O atual conselho de administração da Petrobras é composto majoritariamente por conselheiros diretamente ligados ao mercado financeiro, com membros que também mantém assento nos conselhos de empresas como a BM&F/Bovespa ou com membros oriundos de bancos como Citibank, BTG-Pactual, além de instituições como a Associação Brasileira de Mercado de Capitais. Além disso, membros da atual direção são egressos de setores e empresas que mantém interesse direto no pacote de desinvestimentos da Petrobras, como BG e Comgás. Tal composição denota a presença de interesses privados e financeiros não só orbitando ao redor da Petrobras, mas sendo representados desde dentro da empresa.
A novidade na nova lista de indicações é a possível intensificação da presença de interesses de grandes companhias transnacionais dentro da própria Petrobras. Vale lembrar que a Maersk é uma das grandes fornecedoras de porta-contentores e navios para a Petrobras. Além disso, nos últimos anos observam-se inúmeros sinais do lobby da Shell assediando políticos, parlamentares e gestores que atuam na cadeia produtiva de óleo e gás no Brasil. Não é nenhum segredo o fato de que essas duas companhias estabeleceram como parte dos seus planos estratégicos a diretriz de intensificar sua presença no Brasil, sobretudo, nas áreas do pré-sal e nos segmentos que orbitam ao seu redor.
A proposta de nova composição do conselho da Petrobras traduz como os interesses privados, financeiros e internacionais sistematicamente se impõe sobre os interesses públicos, industriais e nacionais que deveriam orientar a ação de uma companhia que, antes de mais nada, é um patrimônio do conjunto da população brasileira.

Fonte: blog do ineep.org.br

 

Publicado em CA DA PETROBRÁS

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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