A disparada dos preços do botijão de gás em meio à pandemia do novo coronavírus, que agravou a crise econômica e aumentou as taxas de desemprego e de informais sem renda, está levando mais famílias brasileiras a cozinhar com carvão, álcool e no fogão à lenha, correndo os riscos de acidentes que essas opções costumam causar.

Enquanto as chances de conseguir uma recolocação ou até mesmo renda de bicos fica mais distante por falta de um projeto de governo e em consequência da desastrosa polícia econômica da dupla Jair Bolsonaro (ex-PSL)/Paul Guedes, ministro da Economia, em várias capitais do país, o valor do botijão chega a R$ 120, o que equivale a 12% do salário mínimo.

Temas como as disparadas dos preços dos alimentos e do gás de cozinha estão entre as pautas do 1º de Maio da CUT, que neste momento de drama social vai defender a redução do preço do gás de cozinha no Congresso Nacional.

O 1º de maio será um momento de reflexão e também de denúncia sobre a situação da classe trabalhadora brasileira e uma das principais preocupações dos trabalhadores e trabalhadoras do país neste momento é o custo absurdo do preço do gás, avalia Roni Barbosa, petroleiro e secretário nacional de Comunicação da CUT.

“Está inviabilizado para milhares de famílias brasileiras. Por isso, nesse 1º de Maio esse tema também será debatido. O Brasil tem que dá um jeito de abastecer as famílias brasileiras, que não seja obrigando-as a pagar esse valor absurdo, que muitos sequer têm”.

Piorou depois do golpe

A situação piorou depois do golpe de 2016, que destituiu a presidenta Dilma Rousseff. Nos governos Lula e Dilma, a variação dos preços dos combustíveis seguia um cálculo baseado em vários fatores que possibilitava um controle maior dos preços. Depois do golpe, a gestão da Petrobras adotou a política chamada de PPI, ou  Preço de Paridade de Importação, que nada mais é do que a  paridade com os preços do mercado internacional.

Entre 2016 e 2019, houve um aumento de quase 30% no número de famílias que usam lenha ou carvão para cozinhar, de  acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há dois anos, uma em cada quatro famílias brasileiras usava lenha em algum momento para cozinhar seus alimentos. Por causa dos cortes no orçamento feitos pelo governo Bolsonaro, o IBGE não divulga esses indicadores há quase dois anos.

Mãe de seis filhos, a maranhense Lucenilce Ramos, 43 anos, da cidade de Cururupu, que fica a 220 km da capital São Luís, voltou a cozinhar no carvão devido ao aumento do preço do gás. Ela sustenta toda a família com apenas com R$ 300 do Bolsa Família. Lucenilce não foi contemplada pelo auxilio emergencial que Bolsonaro reduziu de R$ 600, sendo R$ 1.200 para mães solo, pagos no ano passado, para R$ 150 (pessoas que moram sozinhas), R$ 250 (famílias com mais de duas pessoas) e R$ 350 (mães solo), a partir de abril deste ano.

Segundo ela, o dinheiro que recebe não dá para quase nada. “A situação aqui em casa é crítica, com essa crise eu estou cozinhando no carvão porque meu gás acabou. Tem lugar aqui que o gás está 100 reais. Até procurei o preço dele esses dias e estava mais de 100 reais. Está difícil, ruim demais”, relata à reportagem do Portal CUT.

A alta dos preços do botijão de gás tem deixado mães e pais de famílias desalentados. Famílias de uma pessoa só, que tem acesso a apenas R$ 150 de auxílio emergencial, por exemplo, terão dinheiro apenas para comprar itens de higiene pessoal, que vai custar em média R$ 76,26 e limpeza da casa (R$ 46,81). Sobra apenas R$ 28,93, que dá para comprar um pacote de 5 quilos de arroz e menos de 1 quilo de feijão. Só para comprar alimentos básicos, como arroz, feijão, carne e outros 25 itens que entram na composição da cesta de comida, o valor ultrapassa os R$ 800.

Mesmo no Sudeste, onde historicamente o uso de lenha é mais raro, os dados do IBGE revelam que o aumento  foi ainda maior, mais de 60% das famílias passaram a usar alternativas ao botijão de gás par a cozinhar.

Este é o caso da cabeleireira Antônia Ladislau dos Santos, 41 anos, mãe de duas crianças, que está desempregada e mora com seis pessoas, todos sem emprego nem renda. Antônia mora na periferia de Poá, na Grande São Paulo, e conta como ficou difícil a situação dentro de casa depois da pandemia.

“Fiquei um mês cozinhando com álcool. Fiz fogo a lenha no quintal e era onde eu cozinhava. Estou me alimentando porque ganho  cestas básicas. A situação está difícil, eu não trabalho há mais de um ano. Recebi uma doação de um pouco de gás, agora estou cozinhando no fogão”.

No desgoverno de Jair Bolsonaro, é a mobilização social pelo país em busca comida para as pessoas em situação de vulnerabilidade social. Por todo o Brasil, nas comunidades e favelas, são as mulheres negras, chefes de cozinha, que se viram como podem para levar alimentos à família. A maioria delas depende de doações de cesta básicas.

Leia mais: CUT e movimentos se unem para ajudar o povo que foi abandonado pelo governo federal

O drama de Antônia também se repete com sua amiga. “A minha dificuldade é a mesmo, quando o gás acaba aqui a gente também junta uns dinheirinhos e compra álcool para cozinhar”, afirma a diarista Edilene de Souza Lima, que quando trabalhava ganhava R$ 100 por dia.

Tanto Edilene como Antônia recebem doações de alimentos semanal da Coalizão Negra e da Uneafro.

Por que o aumento do gás de cozinha aumenta tanto?

Segundo Cloviomar Cararine Pereira, técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na subseção da Federação Única dos Petroleiros (FUP), o que está acontecendo com o preço do gás de cozinha é que a Petrobras, que produz o gás nas refinarias, tem adotado a paridade internacional na hora de reajustar.

“O que a Petrobras faz, a cada momento, é que ela olha lá fora como está a variação do preço. Olha o câmbio, quanto que está relação real e dólar, e ela olha custo de importação. Daí o valor que aparece para a Petrobras é a referência que ela usa para reajustar o gás”, diz

A Petrobras produz o gás, mas quando vai vender o produto, não vende pelo preço que custou para produzir e, sim, o preço de concorrência com alguém que está importando o gás de fora. Cloviomar Cararine Pereira
- Cloviomar Cararine Pereira

Com isso, os reajustes do gás de cozinha têm sido constantes, diz o técnico do Dieese. Em março do ano passado, o preço do botijão e gás era R$ 69, em média. Hoje já chega a R$ 120 em várias regiões do país, como Norte e Centro-Oeste.

A Petrobras usa a paridade internacional não só para reajustar os preços do gás de cozinha, mas também o diesel e todos os combustíveis.

Fome e pobreza também piorou

A fome está piorando em 2021 com o agravamento da crise sanitária, a alta do desemprego, que atinge mais de 14,3 milhões de trabalhadores e trabalhadoras e a disparada dos preços dos alimentos, que veem subindo mais do que a inflação.

Em meio a esse caos, depois de três meses, o novo auxílio emergencial, que volta a ser pago, vai comprar apenas meio bife, meio copo de leite, três colheres de arroz, segundo o Dieese.

“A pobreza cresceu, a miséria cresceu, o desemprego cresceu e o gás deveria diminuir e não aumentar. Por isso, vamos debater esses temas importantes no 1º de Maio. Muitas famílias estão cozinhando seus alimentos em latinhas com álcool para fazer arroz para seus filhos”, finaliza Roni.

 

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Moradores de das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul sentem no dia a dia o resultado negativo das privatizações das companhias estaduais de energia. Os relatos são de aumentos exorbitantes de tarifas, apagões e serviços prestados de péssima qualidade aos clientes. Esses problemas podem se espalhar para todos os estados do país se a Eletrobras for privatizada, como quer o governo de Jair Bolsonaro (Ex-PSL).

Todos os compradores das empresas públicas são, é claro, donos de empresas privadas que, em nome do lucro, como era previsível e foi alertado pela CUT e pelos sindicalistas da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), deixam a população sem atendimento decente, mesmo cobrando altos valores nas tarifas de energia. ´

O Portal CUT listou alguns exemplos de como essas privatizações, ao contrário do que diz o governo, trazem enormes prejuízos ao país e ao povo brasileiro.  

Na primeira matéria, vamos mostrar o que vem ocorrendo no Nordeste desde que empresas estaduais foram privatizadas. Na região, a mesma empresa, a Equatorial Energia, comprou as companhias estaduais de Alagoas, Piauí e Maranhão. Incluímos o estado do Pará, que apesar de ser na região Norte, também teve sua companhia de energia comprada pela Equatorial.

Veja o que ocorreu nesses estados.

Alagoas

Desde que Equatorial Energia comprou em leilão, em dezembro de 2018, ainda sob o governo do golpista Michel Temer (MDB-SP), a antiga Companhia Energética do Estado de Alagoas (CEAL) pela bagatela de R$ 50 mil (cinquenta mil reais), as contas dos 3,35 milhões de moradores do estado sofreram reajustes de energia de 26,3%, todos autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Só no ano passado o reajuste foi de 10% - índice maior do que a inflação de 4,52%. O acumulado do índice de 2019 a 2010 é de 8,83% - índices bem abaixo das correções nos valores das contas de energia.

Mesmo pagando mais caro, as reclamações contra a Equatorial Energia no Procon, em 2020, somaram 1.300. As principais queixas são sobre contas cobradas a maior e cortes de energia sem o devido prazo legal, em plena crise sanitária, com as pessoas em isolamento social, consumindo mais energia em suas casas, com renda reduzida e sem poder trabalhar e, portanto, muitas vezes, sem pagar suas contas. Insensível, a Equatorial continua cortando a energia e cobrando além do valor realmente utilizado.

Uma preocupação a mais para a idosa e pensionista Nilda Vieira, que tem toda a responsabilidade de pagar todas as despesas da casa e de mais s três pessoas, com a pensão de três salários mínimos.

“As contas de energia na minha casa chegam entre R$300 e R$ 500. Nosso dinheiro mal dá para pagar todas as contas, e esses aumentos dificultaram muito mais a nossa vida. É revoltante, eu já não sei o que fazer. Eu tento economizar, mas não sei mais o que desligar. Eu acho uma estupidez os preços da Equatorial. Este mês chegou R$502. Ainda tem o gás e a alimentação que também sempre aumentam, afirma a consumidora da Equatorial.

Lucros milionários e demissões

“A Equatorial teve lucros milionários em 2020, graças principalmente ao esforço de seus trabalhadores e trabalhadoras. O aumento no seu lucro líquido foi nada menos que 52,1%, saltando de R$ 1.484 bilhão para R$ 2.257 bilhões, em 2020 comparativamente a 2019”, afirma Dafne Orion, presidenta do Sindicato dos Urbanitários de Alagoas. 

Apesar do lucro bilionário, a empresa só demite. Antes da privatização eram 1.200 trabalhadores. Hoje a Equatorial mantém apenas 700, e no início do mês ainda houve mais 10 demissões injustificadas.

Para Rilda Alves, presidenta da CUT Alagoas, os prejuízos da privatização da CEAL estão principalmente ligados aos trabalhadores que perderam seus postos de trabalho e aos usuários que tiveram aumento na tarifa do serviço.

“Quando foi discutida a privatização, o argumento apresentado para o leilão foi a melhoria nos serviços e atendimentos. Infelizmente não foi isso que vimos. Hoje, a queda de energia é muito mais frequente e ficamos sem ter a quem recorrer”, diz a dirigente.

Quedas de Energia

Moradores de todas as partes da capital alagoana, e também do interior, sofrem com as constantes quedas de energia. Na capital, Maceió, na Ponta Verde e bairros adjacentes, várias quedas são constatadas todas as semanas. Os consumidores reclamam que por causa das quedas de energia constantes estão perdendo equipamentos elétricos. O Ministério Público Federal (MPF) foi acionado para checar como andam os investimentos que a Equatorial tem a obrigação de fazer, mediante contrato em Alagoas, no valor de 545 milhões.

Piauí

Depois que a Equatorial Energia comprou a Companhia de Energia do Piauí (Cepisa), em outubro de 2018, já foram demitidos 1.500 trabalhadores concursados e houve aumento de 47,5% nas tarifas de luz. Para vender a Cepisa, em 2017, o governo de Michel Temer (MDB-SP) autorizou um reajuste imediato de 27,5% e mais 12,5% após a privatização. Também houve reajuste de mais 7,5%, desde entre 2008 e 2010.

Quem também sofreu com a privatização foram os trabalhadores da Cepisa. O Piauí tinha 2.200 trabalhadores do quadro próprio e quase a mesma quantidade de trabalhadores terceirizados.

“Éramos quase 5 mil trabalhadores, hoje já são 1.700 os demitidos, mas a empresa não nos dá acesso ao número de terceirizados. Os concursados são agora somente 650”,  critica Herbert Marinho, dirigente do Coletivo Nacional dos Eletricitários, trabalhador da  Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf/Piauí).

A Equatorial é responsável pela rede de distribuição em todo o estado do Piauí. A empresa pública, Chesf, é a geradora de energia, contudo,  também tem subestações que ligam à geração, passando pela transmissão e chegando até a rede de distribuição da Equatorial.

Maranhão

O processo de privatização da energia no Maranhão teve início na gestão da ex-governadora Roseane Sarney, na década de 1990. A empresa estadual foi vendida a um grupo norte-americano e chileno, mas faliu. Por causa disso, no houve uma nova venda em 2 de Maio de 2004. Hoje quem comanda o setor energético no estado é a Equatorial Energia.

As maiores queixas da população são a falta de energia nas cidades distantes dos principais centros, a falta de postos de atendimento que registrem reclamações e as altas tarifas. Apesar de ser um dos estados mais pobres do país, o Maranhão tem a terceira maior tarifa cobrada sobre a energia.

“A Aneel tem um mecanismo diferente para aumentar a tarifa no Maranhão. Num ano ele diz que é reajuste, no outro diz que é reposição tarifária”, ironiza Fernando Pereira, presidente do Sindicato dos Eletricitários do Maranhão (STIU-MA) e secretário de Energia da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), sobre os aumentos nas tarifas que atingiram 13,1%, de 2018 a 2020.

O precário atendimento à população é outro problema enfrentado pelos consumidores da Equatorial. Segundo Pereira, há apenas três postos instalados em São Luís para atender os 1,5 milhão de moradores da capital do estado, e o resultado são apagões que chegam a durar de dois a três dias em cidades longe dos principais centros urbanos do Maranhão.

Trabalhador terceirizado

Desde que foi privatizada, a empresa já demitiu quase 2.500 trabalhadores, mas para manter a média de 1.200, ela demite e recontrata, seis meses depois,  o mesmo trabalhador com salário menor, tíquetes de refeição também menores e sem plano de saúde, denuncia Pereira.

“É por isso que em 2 de Maio de 2004 a empresa tinha 1.280 trabalhadores e até 19 de março deste ano tem 1.164. Enquanto o ticket para o trabalhador direito é de R$ 1100, o terceirizado ganha R$ 300 na 55 Soluções, empresa criada pelo grupo Equatorial para administrar as contratações e demissões, da área administrativa”, afirma Pereira.

Já os trabalhadores de campo, que fazem consertos e manutenção das linhas de transmissão e outros serviços, são administrados por três empresas cujos contratos sociais são de construção civil, e não pertence ao grupo Equatorial, o que dificulta a atuação sindical dos eletricitários.

“Os CNPJs dessas empresas são de construção civil, não de energia, e até na hora de uma reclamação trabalhista quem vai lá defender a Equatorial é o terceirizado, da empresa ligada ao sindicato da construção civil”, critica o presidente do STIU-MA.

Pará

A Equatorial Energia comprou, em 2012, a companhia no Pará, que já havia sido privatizada em 1998. Em 23 anos de privatização da então Companhia de Energia do Pará (Celpa) já foram cinco mil, o número de trabalhadores demitidos, o que corresponde a mais de dois quadros de pessoal que a empresa possui.

“Antes da privatização eram 2.500 trabalhadores, hoje são 1.150, mas se contarmos desde 1998, o número de demitidos é muito maior. Também aumentou absurdamente o número de terceirizados. Antes a cada um trabalhador próprio direto havia um trabalhador terceirizado. Hoje de cada um próprio existem 5,5 trabalhadores terceirizados”, conta Ronaldo Romeiro, um dos coordenadores do Sindicato dos Eletricitários do Pará (STIU-PA).

Sofrem os trabalhadores e sofre a população com o descaso da empresa. A Equatorial desligou o sistema de atendimento pelo número 0800 e instalou um posto de atendimento dentro do próprio Procon, onde era uma das campeãs de reclamações. Para Romeiro, este fato deixa claro que a empresa quer diminuir as estatísticas negativas no órgão.

“É como se alguém chegasse no Procon para fazer uma reclamação contra uma empresa e o próprio dono a recebesse. É um absurdo um órgão de defesa do consumidor deixar que uma empresa privada atue dentro de suas instalações”, critica.

A maior queixa dos consumidores, segundo o dirigente, são os preços altos das tarifas. Apesar do estado do Pará ser um exportador de energia para outros estados, a população paga uma das cinco tarifas mais caras do país.

“ A Aneel é uma agência reguladora a serviço do grande capital e não da população brasileira. O grupo Equatorial faz muita propaganda, mas o índice de satisfação do cliente está nas piores posições”, afirma Romeiro.

*Colaboraram: Sandra Sena (CUT-AL) e Ronaldo Granja (Sindicato dos Urbanitários de Alagoas)

*Edição: Marize Muniz

Via Central Única dos Trabalhadores

 

 

 

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Live às 19h, com participação de especialistas, debaterá, entre outros temas, a quebra de monopólio de vacina e o lockdown de 21 dias, defendido por cientistas e pela CUT para frear o avanço da pandemia, que bateu mais um recorde de mortes nesta terça, quando 4.195 brasileiros perderam a vida para a Covid. Ás 11h, será realizado um tuitaço com a hastag #VacinaSalvaBolsonaroNão

[Da redação da CUT*]

No dia Mundial da Saúde, celebrado nesta quarta-feira (7), a CUT e a Frente Brasil Popular vão realizar mobilizações em vários locais do país (veja relação abaixo) reivindicando vacina contra Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, para todos e todas, geração de emprego, quebra de patentes das vacinas contra a doença e pelo “fora, Bolsonaro”.

A CUT realizará também uma live, às 19h, para debater o atual cenário brasileiro. Entre os convidados, o senador, médico e ex-ministro da Saúde, Humberto Costa (PT), o médico sanitarista e pesquisador da Fiocruz Claudio Maierovitch, e Fernando Pigatto, presidente do Conselho Nacional de Saúde. Pela CUT participam a secretária de Saúde do Trabalhador da Central, Madalena Margarida Silva, e Antonio Lisboa, secretário de Relações Internacionais.

Dia Mundial da Saúde em plena pandemia

Criado em 7 de abril de 1948 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar a sociedade sobre qualidade de vida e sobre fatores que afetam a saúde da população, o Dia Mundial da Saúde será simbólico este ano, especialmente no Brasil.

Os brasileiros enfrentam a maior crise sanitária de sua história com o agravamento da pandemia do novo coronavírus e têm no comando do país um presidente negacionista, que sabota as medidas preventivas indicadas por autoridades da área de saúde, espalha fake news e orienta a população a usar o kit covid, que ele chama de tratamento precoce. Jair Bolsonaro (ex-PSL) já é considerado um perigo para o Brasil e para o mundo, como afirmou o editorial do jornal britânico The Guardin desta terça-feira (6).

Com aproximadamente 3% da população mundial, o Brasil concentra 30% de novas infecções registradas diariamente em todo o planeta. Especialistas na área de saúde apontam que abril pode ser o pior mês da pandemia até agora e que, se nada for feito, o Brasil terá um total de 600 mil mortes até julho.

Por isso, no Dia Mundial da Saúde, a CUT, centrais sindicais e movimentos sociais o foco central da luta será pelo ‘Fora, Bolsonaro’.

“A CUT definiu em suas resoluções elencar o ‘Fora, Bolsonaro’ como luta central. É imprescindível associar isso a todas as lutas, como as pela vacina e pelo emprego, porque com ele no governo não vamos conseguir reverter essa situação”, diz a secretária de Saúde do Trabalhador da CUT.

Este é o momento em que a CUT e seus sindicatos filiados reforçam a defesa da vida e a proteção aos empregos, afirma a dirigente.

Temos um mote esse ano que é ‘salvar vidas, proteger o trabalho, vacina para todos e todas e em defesa da quebra de patentes’.  
- Madalena Margarida Silva

Quando fala em ‘quebra de patentes’, a secretária se refere a licença compulsória ou obrigatória de patentes que, na prática, significa uma suspensão temporária do direito de exclusividade do dono do produto, a chamada patente, que permite a produção, uso, venda ou importação do produto ou processo patenteado, por um terceiro, desde que tenha sido colocado no mercado.

“Há uma necessidade, um chamado global sobre a importância da quebra de patentes. Entendemos que é fundamental para diminuirmos os custos de vacinas e insumos para que possam ser fabricadas em larga escala, por mais laboratórios e e assim, garantir que todos ao redor do mundo possam ser vacinados”, explica a dirigente.

Na live da CUT com autoridades da área da saúde, um dos pontos a serem abordados será a vacinação no Brasil, outro ponto fraco do governo federal. Por negligência do governo Bolsonaro, a imunização dos brasileiros começou tardiamente. Também houve um desprezo na aquisição doses. Bolsonaro chegou a negar a compra de imunizantes da Pfizer em setembro do ano passado, chamou a vacina produzida pelo Instituto Butantan de vacina chinesa, disse que não tomaria e duvidou da sua eficácia. Paralelamente, o presidente insiste em defender o chamado tratamento precoce com medicamentos sem eficácia comprovada.

Para Madalena Silva, o tema das vacinas é de extrema importância já que, de acordo com cientistas, a maneira mais segura de frear a pandemia é a combinação de isolamento social com imunização em massa.

Não menos importante é a defesa pelo isolamento social, tão combatido por Bolsonaro. “Países que adotaram o lockdown conseguiram diminuir o número de casos”, lembra Madalena Silva. No Brasil, exemplos de cidades como Araraquara, no interior de SP, comprovam que a medida é eficaz no controle das infecções.

A secretária de Saúde da CUT aponta o lockdown como essencial para a defesa da vida dos trabalhadores e alerta que a defesa do emprego, com proteção social também é fundamental.

“É a classe trabalhadora que está se contaminando no transporte quando vai para o trabalho, porque não houve ação coordenada em nível nacional para que o vírus não circulasse. Para a situação não piorar ainda mais é urgente um lockdown nacional de 21 dias, que a CUT defende, com proteção aos empregos e com recursos [do governo para garantir a sobrevivência econômica das pessoas e para os hospitais”, diz Madalena Silva.

Nossa luta é defender a vida acima de tudo de tudo, principalmente no contexto da pandemia. Perdemos o controle e não temos ações que garantam a sobrevivência das pessoas. Hoje, nossa luta é para que as pessoas não cheguem aos hospitais, que estão superlotados.
- Madalena Margarida Silva


A live da CUT, Salvar vidas, proteger o trabalho, vacina para todos e todas e em defesa da quebra de patentes, será transmitida pelas redes sociais da central – Facebook e Youtube – a partir das 19h

Mobilização social

A CUT e movimentos sociais que fazem parte da Frente Brasil Popular farão mobilizações nas redes sociais e em várias cidades do país com foco na defesa do SUS e pelo ‘fora, Bolsonaro’. A hashtag principal deste dia será #VacinaSalvaBolsonaroNão. Um tuitaço está programado para as 11h.

A mobilização também é em defesa da vacinação para todos e todas e na denúncia da responsabilidade de Bolsonaro nos números terríveis de doentes e mortos no Brasil.

Os atos serão simbólicos com no máximo 10 pessoas em locais estratégicos com panfletagens e cartazes para conscientizar a população e estão programados para acontecer a partir das 9h.

Veja os locais 

DF – Brasília

9h: ato da CUT no gramado do Ministério da Saúde

16h: ato do Conselho Nacional de Saúde na Praça dos três poderes 

Minas Gerais

Belo Horizonte, atos a partir das 13h, nas UPAS:

-Pampulha

-Oeste

-Venda Nova

-Centro-Sul

-Leste

-Noroeste II

-Nordeste

-Barreiro

-Norte

Pernambuco

Recife

7h: ato simbólico de protesto em frente à Praça Oswaldo Cruz (Boa Vista), com a fixação de cartazes, faixas e cruzes em memória dos mortos pela COVID-19. Todos devem ir de branco.

Piauí

Teresina

11h: Hospital Monte Castelo 

RJ

Rio de Janeiro

10h: ato do Sindprev no Hospital da Lagoa

13h: ato do Sindprev no Hospital do Andaraí 

Rio Grande do Sul

Porto Alegre

9h30: ato das centrais sindicais em frente à Prefeitura

11h: ato às 11h no Palácio Piratini 

Santa Catarina

Florianópolis

9h: ato do Sindsaúde na Casa da Agronômica

12h: ato no Largo da Catedral 

SP

Carapicuiba

Ato às 11h,na UBS da COHAB II (na Rua Dumont, 410) 

Osasco 

Ato às 11h em frente à Prefeitura 

São Paulo (às 11h)

Ato da Central de Movimentos Populares (CMP) no vão livre do MASP

Ato do Sindsep-SP na UPA do Hospital de Campo Limpo

Ato da CMP na Catedral da Sé

Ato do Sindsaúde no Hospital das Clínicas

Ato no Hospital Vila Alpina

Ato no Hospital Itaim

Ato do Movimento Atingidos por Barragens e da CMP no Hospital Grajaú

Ato do PT em frente à Prefeitura

Ato do Fórum de Saúde Campo Limpo no Hospital M. Boi Mirim

Ato do Sindsep no Hospital/UPA Pirituba

Ato no Hospital João XXIII

Ato no terminal e no Hospital de Sapopemba

Ato no Hospital de Vl. Prudente

Ato do Sindesep no Hospital Municipal Dr. Arthur Ribeiro Saboya

Ato do MTST no Hospital Menino Jesus em - Ermelino Matarazzo

Ato dos Metroviários na estação Jabaquara (METROVIÁRIOS) 

Hortolândia (6h às 11h)

Ato na rodovia SP 101 (sentido Campinas)

Ato no Hospital Municipal

Ato no Centro Comercial 

SERGIPE 

Aracaju

7h: Ato na Praça General Valadão 

LIVES

10h - CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE: “Em defesa do SUS e da Vida de todas as pessoas”
onde: instagram.com/conselhonacionaldesaude.cns/

16h - PROGRAMA BRASIL POPULAR: “Pandemia e os desafios do SUS”, com Inez Padula, Diretora Científica da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade e Francisco Funcia, Consultor técnico da Comissão de Orçamento e Financiamento do Conselho Nacional de Saúde
onde: TV 247 (youtube.com/brasil247)

16h - ÁGORA ABRASCO: “A saúde no Brasil”, com Guilherme Werneck, Edna de Araújo, Reinaldo Guimarães, Eloi Lola Gurgel, Naomar de Almeida Filho e Gulnar Azevedo e Silva.
onde: youtube.com/tvabrasco

17h30 - ESPIRITO SANTO: “O dia mundial da saúde, a defesa do SUS e a pandemia”. Com Geiza Pinheiro, Milene Terra, Madalena Margarida e Maria Faria (Sindsaude/ES).
onde: facebook.com/sindsaudees/live

18h - SÃO PAULO: “Semana Mundial da Saúde em defesa da Vida”, com Raimundo Bonfim, Alexandre Padilha, Lourdes Estevão, Pedro Tourinho, Celia Costa
onde: facebook.com/cmpbrasil/live_videos/

19h - GOIÁS: Plenária Estadual Fora Bolsonaro: “A necropolítica genocida do governo e a devastação da pandemia de COVID-19 no Brasil”
onde: facebook.com/forabolsonarogoias/live

19h - CUT BRASIL: “Salvar vidas e proteger empregos”, com Madalena Margarida (Saúde do Trabalhador CUT), Antonio Lisboa (Relações Internacionais CUT), Claudio Maierovitch (FIOCRUZ), Senador Humberto Costa (PT), Fernando Pigatto (Presidente CNS)
onde: http://facebook.com/cutbrasil/live / www.youtube.com/Cutbrasil

19h - METALÚRGICOS ABC: “Reflexões sobre a pandemia, homenagem aos profissionais da saúde, oração e solidariedade às famílias”, com Arthur Chioro (Ex-Ministro da Saúde), Eduardo Brasileiro (Economia de Clara e Franscisco), Gilberto Carvalho (PT), Romi Bencke (CONIC) e lideranças interreligiosas. 
onde: http://facebook.com/smabc

20h - Hortolândia/SP: “Dia Mundial da Saúde”. Com Carlos Neder (PT)
onde: https://fb.me/e/3EFKj3MPZ 

Outros dias 

8 de abril

Brasília/DF: Entrega da Carta Aberta ao Povo Brasileiro da Frente Pela Vida e do Conselho Nacional de Saúde ao STF ( frentepelavida.org.br ) 

9 de abril

Florianópolis/SC: Ato com velas às 18h30 no Largo da Catedral

São Paulo: Ato em defesa do SUS e da vida e em solidariedade aos

profissionais de saúde em frente ao Instituto Butantan

Rio de Janeiro: Ato em defesa do SUS e da vida e em solidariedade aos

profissionais de saúde em frente a Fundação Osvaldo Cruz 

11 de abril

Vitória/ES: Circulação de carros de som pela cidade em defesa do SUS, da vacina, do auxílio emergencial e do Fora Bolsonaro

 

*Edição: Marize Muniz

 
Publicado em Movimentos Sociais

Direção Executiva da Central exige a imediata anulação da punição contra o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar e acusa a Petrobras de adotar práticas antissindicais

[Nota da CUT]

A Central Única dos Trabalhadores vem a público denunciar e protestar contra a direção da Petrobras, que tenta intimidar a categoria petroleira e a sua representação sindical com práticas antissindicais, que desconsideram a lei e a democracia. 

A gerência-geral da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, ignorou a legislação e decidiu punir com suspensão de 29 dias o Coordenador-Geral da FUP, Deyvid  Bacelar, que estava exercendo seu legítimo direito de representar os petroleiros e defender seus direitos, que vêm sendo atacados pela atual gestão da petroleira.

A direção da estatal ignorou o fato de que o mandato sindical tem  garantias legais e constitucionais e também é protegido pelas  Convenções 98 e 135 da OIT, ratificadas pelo Brasil, que têm força de lei.

Para a CUT, o ataque ao dirigente sindical é uma tentativa da direção da estatal de intimidar os petroleiros e petroleiras que estão denunciando não apenas as condições de trabalho a que estão sendo submetidos, mas também as ilegalidades do processo de privatização da refinaria, vendida por um preço muito abaixo do mínimo fixado e cercado de denúncias e suspeitas, além das denúncias das altas remunerações e bônus que beneficiaram os atuais diretores da Petrobras.

A CUT entende que o direito dos trabalhadores e trabalhadoras se organizarem em suas entidades sindicais é inerente à democracia, repudia as perseguições, punições e as práticas antissindicais da Petrobras e exige a imediata anulação da punição contra o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, e de todas às lideranças e funcionários da empresa.

A CUT vai continuar apoiando as ações e mobilizações da FUP, que luta para reverter a irresponsável privatização do Sistema Petrobras e reafirma o compromisso com a liberdade sindical, a democracia e a defesa da vida.

Não existe democracia sem a existência da organização sindical e ela está prevista na nossa Constituição.

São Paulo, 06 de Abril de 2021.

Executiva Nacional da CUT

Publicado em Sistema Petrobrás

Entidades reforçam importância de isolamento e vacinação para conter pandemia e articulam paralisação para quarta-feira, 24. Economistas também divulgam documento por “lockdown”

[Da Rede Brasil Atual]

Centrais sindicais estão convocando trabalhadores de todos os setores para um Lockdown em Defesa Da Vida e dos Direitos na quarta-feira (24). De acordo com as entidades, a manifestação foi articulada por conta da “irresponsabilidade do governo federal, que levou o país ao pior colapso sanitário e hospitalar de sua história”.

Já são quase 3 mil mortes diárias após um ano de pandemia. As centrais apontam que o Brasil se tornou “um exemplo mundial de fracasso e de falta de políticas públicas” para conter a disseminação da covid-19. E protestam também contra a falta de vacinação em massa e pela retomada do auxílio emergencial com parcelas de, no mínimo, R$ 600.


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Diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista e presidente da organização sindical internacional IndustriALL-Brasil, Aroaldo Oliveira destaca que as centrais sindicais, desde o início da crise sanitária, discutem medidas para proteger os trabalhadores e a sociedade. “Antes da descoberta de alguma vacina como solução, as centrais sempre defenderam o isolamento social, o distanciamento, o trabalho essencial com os protocolos necessários. E com a vacina é de extrema importância a imunização em massa. Ela é o que tem de mais importante para acabar com o vírus e essas mortes”, observa ao repórter Cosmo Silva, da Rádio Brasil Atual. 

No entanto, ainda segundo Aroaldo, o governo “negacionista” de Jair Bolsonaro “criou uma divisão entre saúde, vida e economia. E nega as medidas de isolamento social, de segurança e a vacina. Então chegamos em um ponto em que vemos os números de mortes aumentando a cada dia”, critica. 

Articulando o lockdown

Diante do agravamento da crise, as centrais e os sindicatos filiados já articulam também com governadores e prefeitos o ato no próximo dia 24 para que os trabalhadores do país fiquem em casa. Segundo o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, as entidades estão em contato com parlamentares no Congresso Nacional. Nesta semana, por exemplo, elas também se reuniram com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), para discutir medidas de contenção da pandemia.

“Nesse momento a questão principal é a doença, evitar que a pandemia continue aumentando o número de mortos a cada dia. Essa é a luta que as centrais sindicais têm feito junto à sociedade”, comenta Juruna. 

O representante da Força Sindical também reforça a importância das entidades se somarem na arrecadação de alimentos para distribuir em todo o país. Juruna alerta ainda que, com a pandemia, milhares de brasileiros estão sem conseguir se alimentar. “As centrais incentivam todos os sindicatos a prestarem solidariedade na sua cidade, região, para que a gente possa ganhar corpo e fortalecer a luta contra essa doença. É uma demonstração de que a pandemia também se combate com a atuação de cada pessoa”, afirma. 

Convocatória da CUT

Na quinta-feira (18), dia em que morreram 2.659 brasileiros e brasileiras por complicações causadas pela Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) editou a Medida Provisória (MP) nº 1.039/2021, que determina uma nova fase do auxílio emergencial reduzindo o valor pago no ano passado, de  R$ 600, para apenas R$ 250 e o número de trabalhadores e trabalhadoras desempregados e informais com direitos ao benefício. 

O governo também reduziu o valor recebido pelas mulheres chefes de família de R$ 1.200 para R$ 375 e as cotas individuais de R$ 600 para R$ 150,00. E, mesmo com valores absolutamente insuficientes para uma pessoa sobreviver, Bolsonaro reduziu o número de cotas por família de 2 para apenas 1 cota, ou seja, apenas R$ 250 por família. Como se não bastasse, incluiu critérios de renda, para reduzir o público que terá acesso ao benefício que será de apenas quatro parcelas.

De forma cruel, o governo Bolsonaro condena as classes populares a viverem na miséria e a passarem fome no momento em que o país enfrenta a segunda onda da pandemia, com média diária acima de 2.000 mortos.

Ao mesmo tempo, Bolsonaro mantém sua postura negacionista, provocando aglomerações e sabotando as medidas de isolamento social decretadas por governadores e prefeitos  que tentam reduzir as altas taxas de contaminações e mortes. Nos hospitais faltam leitos de enfermarias e de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), medicamentos, oxigênio e insumos para tratar os pacientes. O colapso do sistema de saúde se espalhou pelo país e a classe trabalhadora é a mais atingida.

Para a CUT, é urgente um efetivo lockdown que amplie o isolamento social para pôr fim a esta tragédia e acabar com o sofrimento e as mortes promovidas por esse genocídio contra o povo brasileiro.

A direção Executiva Nacional da Central, considera que o auxílio emergencial, dentre outras medidas, é fundamental para assegurar condições básicas de sobrevivência de milhões de trabalhadores e trabalhadoras desempregados e informais para que eles possam ficar em casa.

E razões para isso não faltam. Somada à tragédia provocada pela pandemia, o desemprego bate recordes históricos e hoje atinge 13,9 milhões de pessoas. Grande parte de quem ainda trabalha, enfrenta a informalidade e trabalhos precários.

A inflação também disparou. Em um ano, os alimentos aumentaram 15,17%. Os produtos mais consumidos pelas famílias de trabalhadoras e trabalhadores chegaram a aumentar mais de 23% em 12 meses.

Esse é o resultado da política econômica desastrosa do governo. Bolsonaro que causou a maior queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 30 anos, aumentou a forme, a pobreza e o desemprego.

Recursos para investir na proteção da população existem!

O movimento sindical apresentou diversas propostas de como financiar políticas de proteção à renda dos trabalhadores e trabalhadoras, ao emprego e à vida. Mas o governo Bolsonaro prefere deixar os trabalhadores e trabalhadoras passando fome para agradar o mercado financeiro e para manter formas de drenar os recursos públicos para o setor privado, com as reformas neoliberais e as privatizações.

A CUT reafirma sua posição pela manutenção do auxílio emergencial de R$ 600 sem critérios que excluam todos e todas que precisam de proteção nesse momento.

A CUT convoca todos os Sindicatos filiados para mobilizarem os trabalhadores e trabalhadoras, formais e informais, contra a ação destruidora do governo Bolsonaro.

Neste sentido, a CUT orienta todos os Sindicatos filiados a ampliar a organização e mobilização para o lockdown dos trabalhadores do dia 24 de março! Nesse dia, todos os trabalhadores e trabalhadoras devem ficar em casa em protesto contra o abandono promovido pelo governo e demonstrar a preocupação com o avanço da pandemia.

Fora Bolsonaro!

Auxílio emergencial de R$600!

Vacina para todos já!

Executiva Nacional da CUT

O coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, participou nesta quinta-feira, 18, de audiência em Brasília com o presidente da Câmara dos Deputados Federais, Arthur Lira (PP/AL), que contou também com a participação dos presidentes da CUT, Sérgio Nobre, da IndustriAll Brasil, Aroaldo de Oliveira, e da Força Sindical, Miguel Torres. Articulada pela liderança do PT, a reunião teve como objetivo discutir propostas para recuperar a indústria nacional e estancar a privatização do Sistema Petrobrás e as perdas geradas pela operação Lava Jato.

Os dirigentes sindicais apresentaram ao presidente da Câmara estudo do Dieese que denuncia os estragos feitos pela Lava Jato na economia do Brasil, ao destruir a indústria nacional e acabar com milhões de empregos. O estudo revela que a operação resultou na perda de 4,4 milhões de empregos e R$ 172,2 bilhões de investimentos para o país. Por conta disso, o PIB deixou de crescer 3,6% entre 2014 e 2017, a economia perdeu R$ 85,8 bilhões somente em massa salarial e o Estado deixou de arrecadar R$ 47,4 bilhões em impostos.

A audiência contou com a participação dos deputados Bohn Gass (PT/RS), Vicentinho (PT/SP), Reginaldo Lopes (PT/MG) e Marcelo Ramos (PL/AM), vice-presidente da Câmara. Os parlamentares, junto com as lideranças sindicais, sugeriram a Arthur Lira a criação de um grupo de trabalho específico para discutir medidas para retomar o crescimento da indústria nacional, para geração de empregos e proteção dos postos de trabalho e direitos da classe trabalhadora. “A geração de emprego é a grande pauta da classe trabalhadora e mostramos para o presidente da Câmara que a Petrobrás está sendo fatiada e privatizada, assim como as demais estatais brasileiras. É urgente que o país discuta o fim das privatizações. Todos os momentos em que o Brasil teve crescimento econômico foi com planejamento do Estado, com investimentos públicos e puxado pelas empresas estatais”, afirmou o presidente da CUT, Sérgio Nobre.

Os sindicalistas também apresentaram ao presidente da Câmara o documento intitulado “A Petrobras é do Brasil”, que reforça a urgência de medidas para recuperar o papel econômico e social que a empresa sempre teve no Brasil, desde sua criação. “A Petrobrás foi e ainda é o principal instrumento de fomento à industrialização do Brasil nos últimos 70 anos. Porém, nos últimos anos a empresa foi capturada pelo capital financeiro que vem impondo na empresa a lógica do lucro no curto prazo em detrimento do longo prazo e do papel de alicerce do desenvolvimento do país. Precisamos resgatá-la e trazê-la para o controle real do Estado Brasileiro novamente. A empresa precisa voltar a investir, voltar a gerar as centenas de milhares de empregos diretos e indiretos, voltar a fomentar o desenvolvimento com inclusão social no país”, destaca o documento, assinado pelo coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, e pelo presidente da CUT, Sérgio Nobre.

O documento elenca algumas das propostas do movimento sindical para fortalecimento da Petrobrás:

Interromper a venda das refinarias e mudar a política de preços

O tema dos preços dos derivados é central e uma nova política é necessária. Nos últimos anos, os preços dos derivados estão subindo muito acima do aumento da inflação e da renda do brasileiro, o está fomentando uma reação popular contrária à Petrobrás e ao governo. O governo pode perder o controle! As refinarias não estão trabalhando em carga máxima. Em 2020, ficaram em 77% de sua capacidade de produção. A Petrobrás tem optado por reduzir a carga, exportar petróleo cru e importar derivados. As refinarias podem ajudar na redução dos preços, aumentando a produção. Temos que retomar os investimentos no aumento da capacidade do refino também. O segundo trem da RNEST é fundamental. Mas é preciso, também, mudar a política de preços e levar em consideração outros fatores além da paridade de importação, como os custos de produção, por exemplo. Isso é possível e não traz prejuízos para a Petrobrás.

Retomar investimentos no Brasil e a política de conteúdo local

A Petrobrás precisa voltar a investir no Brasil. Os investimentos da empresa em 2020 foram os mais baixos dos últimos 20 anos, 50% abaixo do realizado em 2016, que já era bem abaixo dos anos anteriores. Estes investimentos geram empregos e renda e desenvolvimento. Precisamos retomar os índices de conteúdo local, que caíram de 55%, em média, para 25%.

Fortalecer a integração do Sistema Petrobrás

Não pode vender mais ativos, a empresa precisa ser integrada para sofrer menos impactos com a flutuação do preço do barril e do dólar. A escolha por ter uma Petrobrás atuando em vários setores, integrada, tinha a ver com sua capacidade de superar gargalos em vários setores na cadeia de óleo e gás e reduzir riscos. A Petrobras integrada e atuando em todas as regiões gera mais lucro para os acionistas e induz o desenvolvimento do país.

Restabelecer o diálogo com os trabalhadores

A gestão da empresa precisa dialogar mais com os trabalhadores e movimento sindical. Precisa de um canal de diálogo para não voltarmos a conviver com movimentos grevistas. As mudanças no mundo do trabalho requerem negociações difíceis, mas abertas entre as partes.

Acesse aqui a íntegra do documento apresentado ao presidente da Câmara, deputado Arthur Lira

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O levantamento da CUT-Dieese revela que a Lava Jato fez o Brasil perder R$ 172,2 bilhões em investimentos e destruiu 4,4 milhões de empregos. O setor mais afetado foi a construção civil, que perdeu 1,1 milhão de postos de trabalho

[Da redação da CUT]

“Nosso objetivo é garantir a criação de instrumentos e leis para impedir que a destruição causada pela Lava Jato se repita no Brasil”. A afirmação é do presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, e revela a importância do estudo inédito da Central, elaborado pelo Dieese, sobre os estragos provocados na economia pela operação de Curitiba, deflagrada em 2014 e dissolvida em fevereiro deste ano.

Nesta terça-feira (16), às 14h, Sérgio Nobre apresentará o estudo, ao movimento sindical e à mídia, em evento virtual ao vivo nas redes sociais e canal de Youtube da CUT nacional. A live, que seria feita na semana passada, foi adiada por causa da coletiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve suas condenações anuladas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin e, assim, voltou a ser elegível. Lula falou sobre o estudo durante seu pronunciamento na quarta-feira (10) 

Edson Rimonatto

O levantamento da CUT-DIEESE revela que a Lava Jato fez o Brasil perder R$ 172,2 bilhões em investimentos e destruiu 4,4 milhões de empregos. O setor mais afetado foi a construção civil, que perdeu 1,1 milhão de postos de trabalho. A destruição no mercado de trabalho foi tão extensa que atingiu até categorias de setores fora das cadeias produtivas mais atingidas (construção e petróleo), como a educação privada, com 106,5 mil vagas perdidas.

Os R$ 172,2 bilhões que deixaram de ser investidos no País equivalem a 40 vezes os R$ 4,3 bilhões que a Lava Jato informa, segundo o Ministério Público Federal, ter recuperado aos cofres públicos.

Mostra também que, além de cair como uma bomba sobre a construção civil, a Lava

Jato provocou crise sem precedentes no setor de petróleo e gás, fragilizando a

Petrobras, um dos principais indutores de investimentos no país.

Lava Jato colocou 4,4 milhões de brasileiros no desemprego e tirou 172,2 bilhões da economia
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O estrago causado pela Lava Jato vai além. Segundo o estudo, em consequência dos R$ 172,2 bilhões de investimentos a menos na economia, os cofres públicos deixaram de arrecadar R$ 47,4 bilhões em impostos, sendo R$ 20,3 bilhões em contribuições sobre a folha de salários. A perda em relação à massa salarial foi de R$ 85,8 bilhões. Toda destruição somada, levou ao aprofundamento da crise econômica e a um tombo ainda maior do PIB. Caso os R$ 172,2 bilhões tivessem sido investidos na economia haveria um acréscimo positivo de 3,6% no PIB do período, que foi negativo.

Para chegar a esses números, o estudo consumiu mais de um ano de pesquisas e análises de contratos, documentos oficiais, relatórios, monitoramento de publicações na mídia e modelamento econométrico, tendo como referência a matriz-insumo-produto. O levantamento utilizou dados oficiais e nacionais de 67 setores da economia. A integra do estudo será publicada em livro a ser lançado no final de abril.

Desde o início

Segundo Sérgio Nobre, estudo foi realizado porque a maior central sindical do país, por defender o emprego, tinha de apurar o impacto da Lava Jato no mercado de trabalho e na economia. “Desde o início da Operação, lá em 2014, alertamos que a Lava Jato tinha que se concentrar em investigar as denúncias e punir os culpados, sem, com isso, destruir as empresas e, consequentemente, os empregos e a economia”.

A CUT apoia a investigação de casos de corrupção e a punição das responsáveis, mas por conta dos métodos erráticos e sob suspeição de ilegalidade usados pelo comando da Lava Jato, potencializada pela utilização indevida de holofotes na mídia, os danos à classe trabalhadora e à economia foram enormes e poderiam ter sido evitados, segundo o presidente nacional da CUT.

“Em vez de fazer seu papel de investigar, comprovar e punir os responsáveis pela corrupção, a Operação destruiu empresas e empregos ao politizar, partidarizar, agir de forma seletiva e se desviar dos rumos e objetivos das investigações”.

Com isso, a Lava Jato destruiu a imagem das empresas investigadas que, em consequência, quebraram, perderam investimentos e demitiram, gerando efeito dominó nas cadeias produtivas, em especial a da construção civil e a do petróleo e gás. No caso da Petrobras, a Operação serviu também de argumento para a mudança no seu modelo de gestão, que está levando à sua venda fatiada e à ameaça de privatização.

“Por causa da Operação Lava Jato, construtoras e empresas que desenvolviam alta tecnologia e já estavam em processo de internacionalização, realizando obras ao redor do mundo, gerando empregos, foram paralisadas. Isso é um crime”, diz Sérgio Nobre.

O estudo será entregue pela CUT nas mãos dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, de entidades nacionais e internacionais e de organizações representativas da sociedade. “Nosso objetivo é criar instrumentos e leis para impedir que essa destruição causada pela Lava Jato nunca mais se repita no Brasil”, afirma Sérgio Nobre.

Publicado em Economia
Convocado pelas centrais sindicais e movimentos sociais, o Dia Nacional de Luta desta quinta-feira, 04, em defesa das estatais, do serviço público e contra a reforma administrativa, terá ações solidárias por todo o país, com venda subsidiada de combustíveis. As mobilizações são puxadas pela FUP e por seus sindicatos, que desde novembro de 2019 realizam esta forma de protesto, mostrando para a população que é possível o país ter gasolina, diesel e gás de cozinha comercializados a preços justos. Os petroleiros vêm fazedo esse diálogo com a sociedade desde que a gestão da Petrobrás alterou em 2016, no governo Temer, a política de preços dos derivados de petróleo, passando a reajustar os produtos nas refinarias, com base no Preço de Paridade de Importação (PPI)

[Com informações da CUT]

Na quinta-feira (4), a CUT, confederações e sindicatos filiados farão uma ação solidária em várias cidades do país para demonstrar, na prática, como os preços dos combustíveis poderiam ser mais baratos não fosse a política da Petrobras de acompanhar os preços de importação. Além de cobrar o preço internacional é acrescido o custo do transporte e seguro até vir para o Brasil. Em parceria com movimentos sociais e associações de moradores, serão distribuídos cupons de desconto para a aquisição de botijões de gás com preço inferior ao praticado no mercado – que em muitos locais do país chega a R$ 120,00.

A campanha tem como foco conscientizar a população sobre os impactos sociais da política de preços das Petrobras que tem penalizado os trabalhadores brasileiros. Nesta terça-feira (2), a estatal anunciou mais um aumento de cerca de 5% nos preços. É o terceiro do ano para o gás de cozinha, quarto do ano para o diesel e quinto aumento da gasolina em 2021.

Mais do que denunciar o alto custo dos combustíveis, como o gás de cozinha, a gasolina e o diesel, sindicalistas vão explicar que é possível vender mais barato e, do próprio bolso, vão subsidiar esses produtos para a população, vendendo pelo o que deveria ser o preço justo. A ação já foi realizada com sucesso em outras ocasiões quando a Federação Única dos Petroleiros (FUP) subsidiou descontos aos consumidores, para a compra de gasolina e diesel.

“O Brasil tem petróleo suficiente para o consumo interno e até sobra pra exportar e temos refinarias da Petrobras pra refinar esse petróleo. O custo da empresa é em real. Por que cobrar em dólar da população?”, questiona o secretário de Comunicação da CUT, Roni Barbosa, que também é trabalhador petroleiro.

De acordo com o dirigente, o brasileiro não tem que pagar no combustível o mesmo preço de países que não têm uma gota de petróleo e nem refinarias. “Essa política de preços tem que mudar. O combustível tem que baixar ou o Brasil vai parar! Preço justo nos combustíveis é urgente e necessário!”, diz Roni Barbosa.

Quem mais sofre com os aumentos é a população mais pobre. “Trabalhadores assalariados, nas periferias, desempregados, aqueles que contavam com auxílio emergencial para sobreviver durante a pandemia, são as principais vítimas dessa política. Não têm como comprar um botijão de gás para poder cozinhar o pouco que conseguem comprar de alimentos, que também estão cada vez mais caros”, diz o secretário de Relações do Trabalho da CUT, Ari Aloraldo do Nascimento.

Ele explica que a ação solidária da CUT e da FUP vai provar à toda sociedade que é possível praticar preços mais acessíveis à população.  “Será um dia de diálogo com os trabalhadores para retratar o que está acontecendo em nosso país, sobre o que pode mudar e sobre a importância de todos estarem mobilizados contra esse governo que não tem nenhuma preocupação com os trabalhadores mais pobres”, diz Ari.

Em defesa das estatais e do serviço público

A ação faz parte do Dia Nacional de Mobilização, organizado pela CUT e demais centrais sindicais contra a política do governo Bolsonaro de redução do papel do Estado. As pautas incluem a defesa das empresas estatais que são estratégicas para o desenvolvimento do país, com geração de emprego e renda; defesa do serviço público que vem sendo sucateado desde o governo de Michel Temer (MDB-SP) e que agora sofre mais ataques com a proposta de reforma Administrativa; e luta pelo auxílio emergencial para garantir condições de sobrevivência àqueles que perderam sua renda durante a pandemia.

Num esforço de levar o diálogo à população, em especial nesses tempos de pandemia em que todos os cuidados com a contaminação devem ser rigorosamente seguidos, as entidades representativas do setor público e privado, ligadas à CUT, também se somarão, apoiando as ações, respeitando protocolos de segurança como distanciamento social e uso de máscaras. Bancários já têm ações programadas em vários locais, nas proximidades de postos BR, para além de conscientizar sobre os preços dos combustíveis, mostrar a importância e o papel social de bancos públicos como a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco do Brasil (BB) para o desenvolvimento do país.

No último dia 25 de fevereiro, a CUT lançou uma campanha de mídia contra as privatizações, com peças que estão sendo veiculadas em rádios, TVs, sites, redes sociais e em grupos de WhatsApp.

A ação desta quinta-feira, 04/03, volta a unificar ramos do setor público e privado em um conjunto de ações para conscientizar a população contra os prejuízos que as privatizações representam, ampliando a mobilização e o diálogo com a classe trabalhadora.


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“Essa paralisação é importante para todo o país”, diz presidente nacional da CUT, que participa nesta quinta (18) do ato que marca início da greve na refinaria de Landulpho Alves

[Da redação da CUT]

O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, desembarca na noite desta quarta-feira (17) na Bahia para apoiar, de perto, a greve dos petroleiros no Estado, decretada em protesto contra a venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), do sistema Petrobras, à empresa Mubadala Capital, de Abu Dhabi, nos Emirados Arabes.

“Essa greve é importante para todo o país, defende empregos, a Petrobras e mais, a soberania”, disse Sérgio Nobre, que participará, nesta quinta-feira (18), às 7h, do ato que marca o início da paralisação por tempo indeterminado. 

O ato acontecerá no acesso à refinaria, no município de São Francisco do Conde, a 72 quilômetros de Salvador. Somente em 2019, o governo de Bolsonaro e Paulo Guedes, ministro da Economia, vendeu R$ 70,9 bilhões em ativos da Petrobrasa maior empresa estatal do país, que já teve mais de 16% de suas ações repassadas à iniciativa privada desde 2018, depois do golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff. 

“Essa greve é muito emblemática e importante na nossa luta para denunciar como esse governo faz tudo para precarizar a vida dos trabalhadores e trabalhadoras, ao atacar a soberania de uma nação por meio da privatização, da venda de empresas estratégicas”, afirma Sérgio Nobre.

 “Não vamos aceitar que os bens mais valiosos da nossa soberania sejam passados à iniciativa privada, que só pensa em lucro e não tem nenhum compromisso com a classe trabalhadora e o desenvolvimento do país”, complementou o presidente nacional da CUT

PRIORIDADE, EMPREGOS

Ao destacar que “a pauta da geração de empregos de qualidade é prioritária para a CUT e o movimento sindical”, Sérgio Nobre afirmou: “Ao longo da história do nosso país, nunca houve um momento em que o Brasil tivesse vivido um crescimento que não tenha sido impulsionado pelas estatais, como a Petrobras, os bancos públicos. A iniciativa privada, por sua vez, jamais fez os investimentos necessários ao crescimento do Brasil, ao contrário do que tenta pregar esse governo genocida e entreguista”

O presidente nacional da CUT lembrou que a Petrobras representa, sozinha, 70% do investimentos que entram no país, que é uma estatal lucrativa, e que nenhuma o nação no mundo privatizaria uma empesa como essa.

O que o governo Bolsonaro vem fazendo, segundo Sérgio Nobre, é fatiar (em subsidiárias) a Petrobras para vender, sem ter que que passar pela aprovação do Congresso Nacional. É uma ameaça permanente a esse outros setores estratégicos, como energia elétrica, que impõe ao povo brasileiro o risco de altas constantes de preços e de escassez de produtos.  

Nenhuma nação do mundo conseguiu dar um padrão de vida digno de para o seu povo sem ter uma base industrial importante e a Petrobras é um dos instrumentos de desenvolvimento do Brasil e “isso precisa ficar claro para o povo brasileiro. Todo apoio à greve dos petroleiros da Bahia”

Com base em dados do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), divulgados pela FUP (Federação Única dos Petroleiros), a Landulpho Alves vale US$ 4 bilhões, mas está sendo entregue à empresa Mubadala Capital por US$ 1,65 bilhão

A Landulpho Alves tem 70 anos, foi a primeira refinaria do Sistema Petrobras e a segunda do país em capacidade. Tem 900 trabalhadores diretos e 1,7 mil terceirizados. São homens e mulheres, agora, sem certeza do futuro, do emprego e dos seus direitos.

A Sindipetro-BA e a FUP destacam que a Rlam é importante à economia da Bahia e à de diversos municípios que dependem dos royalties, ISS e ICMS pagos pela refinaria. Dirigentes petroleiros destacam que a Rlam foi decisiva para alavancar o desenvolvimento econômico do Estado baiano e também do primeiro complexo petroquímico planejado do país e maior complexo industrial do Hemisfério Sul: o Polo Petroquímico de Camaçari, na região metropolitana de Salvador.

LUTA CONTRA NOVAS VENDAS

A direção da Petrobras anunciou em 8 de fevereiro a conclusão das negociações para a venda da refinaria à Mubadala Capital, que  “apresentou a melhor oferta”. Com a Rlam serão entregues 669 quilômetros de oleodutos, que ligam a refinaria ao Complexo Petroquímico de Camaçari e ao Terminal de Madre de Deus, que também está sendo vendido no pacote que inclui ainda outros três terminais da Bahia (Candeias, Jequié e Itabuna).

A Rlam tem 26 unidades de processamento, e 201 tanques de armazenamento. Ela refina mais de 30 tipos de produtos, entre eles gasolina, diesel, lubrificantes, querosene de aviação, entre outros.

A Refinaria Landulpho Alves é a única produtora nacional de uma parafina alimentícia usada na fabricação de chocolates e chicletes, a chamada food grade. O processo de venda da Rlam é o mais adiantado entre as oito refinarias que a Petrobras pretende privatizar até o final de 2021

Estão em processos para venda, segundo Petrobras: Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), no Rio Grande do Sul, Refinaria Isaac Sabbá (REMAN), no Amazonas, Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, Refinaria Gabriel Passos (REGAP), em Minas Gerais, Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (LUBNOR), no Ceará, e Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná (dados da empresa).

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Direçãoda Executiva Nacional da Central convoca entidades filiadas a se manifestar contra mais esta negociata absurda feita pelo governo e a apoiar as lutas dos petroleiros

[Nota da CUT]

A Central Única dos Trabalhadores protesta veementemente contra duas atrocidades cometidas contra o Brasil e o povo brasileiro: a primeira barbaridade foi a venda a Refinaria Landulpho Alves (RLAM) por preço de banana, metade de seu valor real, anunciada nesta segunda-feira (8) pela direção da Petrobras. A segunda foi mais um aumento nos preços da gasolina, do óleo diesel e do gás de cozinha este ano, em vigor a partir desta terça-feira (9).

Localizada na Bahia, a RLAM e toda a infraestrutura de armazenamento e escoamento foram vendidas para o Fundo Mumbadala por apenas US$ 1,65 bilhão, quando estudo do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) revelam que a unidade baiana vale entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões.

A privatização irresponsável do governo está praticamente entregando para o fundo dos Emirados Árabes Unidos a primeira refinaria de petróleo, construída em 1950, que apenas nos últimos dez anos recebeu investimentos de R$ 6 bilhões somente em hidrotratamento.

A irresponsabilidade deste governo genocida não tem limites. Vende a preço de banana uma refinaria histórica e aplica mais um aumento absurdo nos preços da gasolina, do óleo dieesel e do gás de cozinha, em um momento de crescimento do desemprego, de redução dos salários e da renda das famílias. Medidas como estas, ao invés de propiciar a retomada do crescimento empurram o país para a recessão.

A CUT protesta e convoca todas as entidades filiadas a se manifestar contra mais esta negociata absurda feita pelo governo e a apoiar as lutas dos petroleiros, a quem o governo e a empresa não deixam outra alternativa senão a paralisação da produção e dos serviços como forma de protesto.

Direção Executiva Nacional da CUT

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.