O Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo denuncia que seu diretor Marcelo Garlipp, membro da Comissão de Investigação de Acidentes que apura as causas da explosão e do incêndio ocorridos na madrugada do dia 20 de agosto na Replan, está encontrando dificuldades para exercer seu trabalho. Além de não facilitar a entrada do dirigente às instalações da refinaria, a empresa também tem negado o acesso a computadores.

Na manhã desta quarta-feira (05), como tem sido praxe todos os dias, Garlipp teve que responder na portaria o porquê precisava entrar na empresa e em quais setores ele iria. Depois de alguns minutos, teve a entrada autorizada, mas acabou barrado na segunda portaria, após tentar passar a catraca com seu crachá. Ele foi interceptado por um vigia e solicitado que aguardasse por um outro funcionário para sua liberação.

Dentro da refinaria, Garlipp teve problemas com o uso de computadores. Por duas vezes, ele teve que sair dos equipamentos que utilizava, por determinação dos gerentes dos setores. No RH, o gerente justificou que o dirigente não poderia ficar na área devido à partida da refinaria. O argumento surpreendeu o membro da comissão, que havia utilizado esse mesmo computador no dia anterior, quando a Replan já estava em processo de partida.

Para o Sindicato, essa conduta demonstra que a gestão da Replan está mais preocupada com a presença de representantes da entidade dentro da empresa do que, propriamente, com a apuração efetiva e isenta das causas do acidente.

Para desenvolver seu trabalho na comissão, o diretor sindical precisa ter acesso às instalações da refinaria e também a computadores conectados à rede interna.

A comissão iniciou a investigação no dia 22 de agosto e tem trabalhado duro para entender a origem da explosão na refinaria que, por sorte, não se transformou em uma tragédia.

O grupo é formado por 12 membros, sendo um representante do Sindicato, um da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e 10 especialistas e cargos de chefia, designados pela empresa.

[Via Sindipetro Unificado SP]

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A direção do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado-SP) conversa, nesta quinta-feira (30), com os trabalhadores da Refinaria de Paulínia sobre a criação do Grupo de Trabalho, uma das propostas apresentadas pela entidade para garantir segurança no processo de partida e na operação da Replan.

A ideia é que o grupo seja formado por representantes do Unificado, da empresa e da base, com o objetivo de discutir temas relacionados à manutenção, segurança do processo de partida e procedimentos operacionais e deliberar ações para a operação segura da refinaria.

O assunto será abordado amanhã, em setoriais na sede da Regional Campinas, que acontecem em dois horários, às 10h30 e às 18h30. “O envolvimento e a participação dos trabalhadores na formação desse grupo são muito importantes para focarmos nas questões que realmente são cruciais para uma rotina de trabalho segura”, afirma o diretor do Sindicato Arthur Bob Ragusa.

Inspeção

Desde o início da manhã de hoje (29), técnicos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) estão na Replan, inspecionando as unidades e o serviço de raqueteamento (isolamento das linhas de tubulações), executado nas áreas atingidas pela explosão e o incêndio, ocorridos na madrugada de segunda-feira (20).

A inspeção avalia as condições de segurança das instalações da refinaria, para garantir que a partida operacional seja feita com tranquilidade e sem risco de novos acidentes. O parecer da ANP, que vai determinar se a Replan já pode dar largada aos procedimentos de partida, deve ser emitido logo após a conclusão da vistoria.

Investigação

A comissão criada para investigar as causas da explosão e do incêndio na Replan ainda não tem um laudo conclusivo. “Qualquer informação sobre a origem do acidente, citada neste momento, é incipiente”, declara o diretor do Sindicato Marcelo Garlipp, que integra a comissão de apuração.

Segundo ele, não existe uma causa única para acidentes de grande proporção, como o ocorrido na Replan. “Geralmente, esse tipo de ocorrência é provocado por uma série de motivos, que ainda estamos apurando”, destacou.

A comissão segue entrevistando trabalhadores, analisando dados de processos, painéis e instrumentos, levantando hipóteses e realizando testes nos equipamentos para averiguar as possibilidades. O prazo para o término da investigação é de 30 dias.

Leia também: Posição do Unificado sobre liberação da operação da Replan pela ANP

[Via Sindipetro Unificado SP]

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A juíza Veranici Aparecida Ferreira, da 2ª Vara do Trabalho de Paulínia, determinou prazo de 48 horas para a Petrobrás se manifestar sobre os questionamentos do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado-SP) em relação ao início do processo de partida operacional da Refinaria de Paulínia, que sofreu uma explosão na madrugada de segunda-feira (20). O despacho foi dado no final da tarde de sexta-feira (24), algumas horas após o Sindicato protocolar a petição na Justiça, reivindicando medidas que impeçam a Replan de realizar os procedimentos de partida das unidades sem as devidas condições de segurança.

A pressão do Sindicato resultou ainda na proibição do funcionamento de unidades que foram impactadas pelo acidente. Na sexta-feira, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determinou medida cautelar de interdição parcial da refinaria. A gerência da Replan disse ao Sindicato que já está providenciando uma série de documentos e procedimentos para garantir que a partida operacional seja executada de forma segura.

Um dos procedimentos é o raqueteamento (isolamento das linhas de tubulações) da unidade de destilação sinistrada. O trabalho começou na sexta-feira e, segundo apuração do Sindicato, já havia sido concluído na tarde desta segunda-feira (27). “Vamos avaliar agora se as condições na área realmente são tranquilas”, declarou o diretor do Unificado Arthur Bob Ragusa. A previsão da Replan é iniciar o processo de partida das unidades que não foram atingidas pelo acidente até quarta-feira (29).

Fiscalização

O Sindicato foi informado ainda que o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) fará uma blitz surpresa na Refinaria de Paulínia, para checar os aspectos de segurança e saúde do trabalhador e se estão sendo cumpridas as Normas Regulamentadoras (NRs) Segundo o site G1, a auditora fiscal do trabalho Renata Matsumoto explicou que a fiscalização será feita por uma equipe especializada em refinarias e projetos que envolvem riscos químicos.

[Via Sindipetro Unificado de São Paulo]

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As mobilizações feitas pela FUP e seus sindicatos, somadas à atuação firme do Sindipetro Unificado de São Paulo, impediram a gestão da Petrobrás de retomar a qualquer custo a operação da Replan, levando a Agência Nacional de Petróleo (ANP) a interditar a refinaria. 

Na sexta-feira (24), após os atos nacionais em defesa da vida, a direção do Unificado-SP reuniu-se com a gerência da Replan para discutir questões de segurança nas unidades não atingidas pela explosão e incêndio na madrugada de segunda-feira (20).

A empresa queria retomar as operações nessas unidades na própria sexta. Os sindicalistas entregaram à gerência geral uma pauta com seis pontos, que foram levantados junto aos trabalhadores da Replan, principalmente com os operadores das áreas afetadas pelo acidente.

No final do dia, a ANP comunicou à Petrobras a medida cautelar de interdição da Replan. De acordo com o órgão, a medida foi tomada em função das denúncias feitas pelo sindicato e tem a finalidade de garantir a segurança operacional das instalações e evitar novos acidentes, diante da possível retomada da operação nas unidades que não foram afetadas no acidente.

A agência ressaltou que a refinaria só poderá voltar a operar quando comprovar à ANP condições de segurança adequadas para os trabalhadores.

Na reunião com a gerência da Replan, o Sindipetro Unificado-SP reivindicou o isolamento total das unidades de craqueamento e destilação afetadas pelo incêndio; apresentação do plano de operação das áreas com a revisão dos procedimentos envolvendo tratamento de águas ácidas para todos os setores envolvidos com as mudanças decorrentes do sinistro; plano de partida, contendo o relatório de inspeção de todos os equipamentos afetados; criação de um grupo de trabalho, entre Sindicato e empresa, com participação de representantes da base para tratar do tema manutenção; fim do descarte de salmoura sem tratamento, o que pode contaminar as águas do Rio Atibaia, que abastecem várias cidades da região; e respeito integral ao número mínimo vigente de trabalhadores.

“Com o sinistro, a condição operacional mudou. O tanque de águas ácidas não existe mais e duas unidades, uma de craqueamento e outra de destilação, terão que ficar paradas por meses. Ainda não se tem a dimensão exata do que esse acidente provocou”, afirma o diretor do Unificado, Arthur Bob Ragusa.

> Leia também: 

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> Em ato na Recap, FUP exige um basta à precarização e ao desmonte

O acidente, ocorrido às 00h51 do dia 20, afetou três unidades: U-683 (Unidade de Tratamento de Água Ácida), U-220A (Unidade de Craqueamento Catalítico) e U-200 (Unidade de Destilação Atmosférica), tendo início com a explosão do tanque TQ-68301, da U-683, seguido de incêndio do material inflamável contido no tanque, que se espalhou pelas outras duas unidades e em parte da tubovia principal. O fogo foi completamente extinto por volta das 4 horas da manhã, permanecendo o trabalho de rescaldo e resfriamento até o final da tarde do dia 20.

A ANP informou que já deu início ao processo administrativo de investigação de acidente e os dirigentes da FUP e do Sindipetro continuarão acompanhando todas as etapas.

FUP cobra reunião com o MTE

Na sexta-feira, 24, a FUP enviou ofício ao Ministério do Trabalho e Emprego, solicitando reunião para discutir a insegurança no Sistema Petrobrás e os riscos e consequências gerados pelo acidente na Replan. A reunião, com data ainda a ser divulgada, será em Brasilia, com participação também do Sindipetro Unificado de São Paulo.

SPIE suspenso

Além da interdição da ANP, o Instituto de Petróleo, Gás e Biocombustível - IBP suspendeu cautelarmente o Certificado de Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos (SPIE) da Refinaria, atribuindo como "Acidente Ampliado" a explosão que ocorreu no dia 20.

"Aplicar 'Suspensão Cautelar' ao Certificado de SPIE da Petrobrás Replan, a partir desta data (21/08/18), até que seja enviado, ao OCP/IBP, relatório detalhado com as causas que levaram ao acidente, ações implementadas e conclusões".

A certificação do SPIE está prevista no ANEXO II da NR-13, do Ministério do Trabalho e Emprego, e tem como objetivo condicionar inspeção de segurança e operação de vasos de pressão, caldeiras e tubulações.

[FUP, com informações da CUT e do Sindipetro Unificado-SP]

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Em decorrência dos acidentes que têm tomado conta do ambiente de trabalho na Petrobrás, os Sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros realizaram na manhã desta sexta-feira, 24, atos em defesa da vida e em solidariedade aos trabalhadores da Refinaria de Paulínia, em São Paulo. Onde na madrugada de segunda-feira, 20, ocorreu uma explosão que, por muito pouco, não causou mortes.

O coordenador geral da FUP licenciado para concorrer ao pleito de deputado federal, José Maria Rangel, participou do ato na Refinaria de Duque de Caxias - REDUC, no Rio de Janeiro,  junto com o coordenador em exercício, Simão Zanardi.

Rangel lembrou aos trabalhadores presentes da importância deste ato e das inúmeras denúncias que a Federação e seus sindicatos filiados têm realizado junto aos órgãos fiscalizadores, além de denunciar o sucateamento das plantas em detrimento da privatização. “Esse ato de hoje se reveste de uma importância muito grande, porque nós temos denunciado todo abandono na área de segurança das unidades operacionais da Petrobrás. A atual administração da empresa reduziu os investimentos em sua área de refino, e isso tem na, nossa concepção, um motivo simples: eles querem vender o refino”.

O candidato alertou ainda que a falta de manutenção nos equipamentos que coloca em risco a vida dos trabalhadores se deve em função do golpe que está em curso no Brasil desde 2016, quando MiShell Temer assumiu de forma ilegítima a presidência da república. “Tem que estar claro para todos e todas que nós vivemos hoje tempos sombrios no país, nós vivemos tempos de resistência (...) o que aconteceu na REPLAN, pela sua gravidade, foi a mão de Deus que permitiu que nós hoje não estivéssemos chorando aqui dezenas de trabalhadores e trabalhadoras assassinados”.  

“PCR é pavimentação da privatização”

Mesmo com o ato contra o Plano de Cargos e Remuneração transferido para a próxima sexta-feira, 31, o coordenador licenciado, José Maria Rangel, lembrou aos presentes que tudo o que vêm acontecendo na Petrobrás é consequência do golpe. Tanto o clima de insegurança, quanto a retirada de direitos dos trabalhadores.

De acordo com ele, “a Petrobrás quer se transformar em uma empresa única e exclusivamente exportadora de óleo cru. Não quer mais saber de refinar ou de área de fertilizante. Para uma empresa que se dizia quebrada, ela destinou ao mercado financeiro no ano passado 137 bilhões de reais. Além de reduzir drasticamente os investimentos na área de exploração e produção e área de refino”. E alertou que “se nós não tivermos a exata dimensão de que estes ataques estão diretamente ligados ao atual momento que o pais vive e atual pensamento escravocrata que essa administração da Petrobrás tem, a gente pode ser levado a cometer alguns equívocos. Pois tudo isso é a pavimentação para a privatização da empresa, se esse modelo de administração não for derrotado nas urnas no próximo dia 07 de outubro.

Zé Maria, como é conhecido entre os petroleiros, comparou também a atual postura da empresa, de tentar subornar os empregados, com o ano de 1998, quando foi oferecido aos petroleiros da Bacia de Campos a quantia de 15 remunerações para desfazer a 5ª turma. “Quando a administração da Petrobrás oferece um dinheiro para retirar o nosso Plano de Cargos e Salários, que foi construído por nós, e ainda fala que é individual e muitos aceitam, a leitura que ela faz é de que pode avançar um pouco mais como, por exemplo, oferecer dinheiro para pegar a escala de vocês. Ela fez isso em 98 na Bacia de Campos, em um momento muito parecido da que vivemos atualmente”.

FUP questiona PCR na justiça

De acordo com o sindicalista e candidato a deputado federal, a construção do atual Plano de Cargos (PCAC) foi coletiva e é papel das entidades em conjunto com os trabalhadores batalhar por conquistas que gerem um legado. “Não dá pra a gente fazer uma discussão olhando só para o umbigo, algo que foi conquistado coletivamente. Por isso a Federação e os sindicatos estão questionando o PCR na justiça”.  

Não aperte o botão

Em apelo à vida dos trabalhadores, Jose Maria Rangel pede aos petroleiros presentes no ato que não aceitem o novo Plano de Cargos estipulado unilateralmente pela empresa. “Nós estamos indicando para vocês hoje: não apertem o PCR. Façam a defesa do trabalho seguro. Utilizem o direito de recusa. Porque o valor da vida para Petrobrás é 50 mil reais e a vida vai seguir. Não podemos nos permitir a aceitar isso. A atual legislação trabalhista, oriunda do golpe, permite a terceirização de todas as atividades. Esse momento em que estamos passando, é um momento de resistência. É o momento em que nos temos que escolher qual é o nosso lado. E é o lado do sindicato”, esclarece.

“A nossa resistência é fundamental, pois ela que vai determinar qual vai ser o futuro da companhia nos próximos anos. Em qualquer cenário, vamos ter dificuldades. Só que se a esquerda vence a eleição, nós teremos interlocução, vamos poder pleitear que essa empresa volte a ser uma empresa que tenha compromisso com o povo brasileiro, que seja indutora do desenvolvimento nacional, e não unicamente uma empresa para dar dinheiro a acionistas. Uma empresa que presa pela vida, que não deixa de ser uma empresa integrada de petróleo. Nós vamos ser decisivos nesse processo. E temos a obrigação de dizer para todos os que nos cercam, que a nossa empresa não é corrupta, não é ineficiente e a nossa empresa tem homens e mulheres de bem. E isso vai ser determinante para a gente virar esse jogo”, concluiu Rangel.

Prisão em Manaus

Um fato lamentável marcou o início da mobilização, na manhã dessa sexta-feira, dia 24, na Refinaria Isaac Sabbá - REMAN. Os petroleiros foram surpreendidos por policiais civis e militares que, de arma em punho, afrontaram a direção do Sindipetro Amazonas. Com muita truculência, revistaram os dirigentes sob a alegação de estarem procurando armas.

Na sequência, levaram presos representantes dos trabalhadores terceirizados que estão em greve. De acordo com a direção do Sindicato, quando questionados, os policiais afirmaram que é só o começo.  “Pra quem ainda tinha dúvidas, esse fato deixa bem claro que não vivemos mais em um estado democrático de direito”, alertou Paulo Neves, diretor da FUP.  

Nas fotos abaixo, as mobilizações por todo o país:

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[FUP]

 

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A FUP e seus sindicatos realizaram na manhã desta terça-feira (21) um ato na Refinaria de Capuava (Recap), em São Paulo, para denunciar a insegurança causada pelo desmonte das unidades do Sistema Petrobrás. A mobilização foi uma resposta ao grave acidente ocorrido no dia anterior, na Replan, cuja explosão em uma das unidades poderia ter tido proporções ainda mais assustadoras e causado a morte de diversos trabalhadores.

A drástica redução de efetivos, após a saída de cerca de 20 mil trabalhadores nos planos de desligamentos voluntários, sem reposição das vagas, e o sucateamento das unidades para privatização potencializaram os riscos de acidentes, como vem alertando a FUP e seu seus sindicatos. 

“Nós não temos mais trabalhadores próprios na manutenção. Viramos fiscais de contrato e os trabalhadores terceirizados estão tendo direitos cortados e salários reduzidos em quase 50%”, alertou o coordenador da FUP, Simão Zanardi Filho. “Nós estamos aqui vivos e com saúde, mas pode ocorrer uma emergência operacional a qualquer momento. Esse é o risco do nosso trabalho, lutamos para que esses riscos sejam controlados e para que não haja acidentes. Nosso papel é evitar mortes. Mas como trabalhar com segurança se não temos efetivos? Como trabalhar com segurança se não temos manutenção?”, questionou, lembrando que em recentes reuniões com a Petrobrás, a FUP denunciou a insegurança causada pela redução dos efetivos, mas a empresa continua menosprezando os riscos.

Na próxima sexta-feira (24), os petroleiros farão um Dia Nacional de Luta em Defesa da Vida e por Segurança no Sistema Petrobrás, com mobilizações em todas as unidades, pela recomposição dos efetivos e contra o desmonte da empresa e a retirada de direitos.

Leia também: 

Precarização piorou com o golpe

 “Essa política se agravou com o golpe e reduz não só os direitos e salários dos trabalhadores terceirizados, como coloca em risco a saúde e a vida dos trabalhadores”, afirmou o coordenador do Sindipetro Unificado de São Paulo, Juliano Deptula, denunciando a falta de manutenção preventiva e preditiva nas refinarias, o que é primordial para a segurança operacional.

“Poderíamos ter hoje na Replan muitos feridos e até mesmo mortes. A perda material é o de menos. A unidade, eles constroem de novo. Mas e as vidas dos trabalhadores?”, questionou. “Tudo isso o sindicato, a FUP, os trabalhadores vêm denunciando há anos”, reiterou Deptula, lembrando outros acidentes provocados por falta de manutenção, como o que causou a morte do operador da Reduc, Luiz Cabral.

O trabalhador foi vítima de um acidente absurdo, no dia 31 de janeiro de 2016, quando caiu dentro de um tanque de óleo com temperatura de 75 graus, cujo teto, corroído por ferrugem, rompeu quando ele fazia a medição. O coordenador do Unificado lembrou que os gestores da Petrobrás ainda tentaram culpar Cabral pelo acidente, quando várias inspeções de órgãos fiscalizadores já haviam denunciado a situação precária do tanque e nenhuma providência foi tomada.

O exemplo da P-36

A diretora de Saúde, Meio Ambiente e Segurança da FUP, Rosângela Maria, destacou que, em vez de um ato de desagravo, a FUP e seus sindicatos poderiam estar no velório das vítimas do acidente na Replan. “O que os gestores da Petrobrás estão fazendo com os trabalhadores é uma coisa funesta”, afirmou a petroleira. “A nossa vida está sendo colocada em risco por esse governo golpista, que está sucateando as refinarias para entrega-las ao capital estrangeiro a preço de banana”, declarou Rosângela, lembrando que o acidente com a plataforma P-36, em março de 2001, também foi devido a uma série de erros de gestão.  O acidente causou a morte de 11 trabalhadores e deixou sequelas psicológicas nos demais 164 petroleiros que estavam a bordo.

Não ao individualismo

O coordenador da FUP, Simão Zanardi, fechou o ato na Recap, fazendo um apelo aos trabalhadores para que não caiam nas armadilhas dos gestores da Petrobrás, que vêm jogando os petroleiros uns contra os outros, apostando no individualismo para dividir a categoria, como estão fazendo com o PCR. “Não se vendam à empresa porque nós vamos resistir e vamos vencer. Não podemos abrir mão dos nossos direitos. O que aconteceu ontem na Replan foi um aviso. Os gestores da empresa não estão preocupados conosco, nem com ninguém. O que eles querem é privatizar tudo. O sucateamento e a precarização fazem parte do negócio, para baratear e facilitar a entrega”, alertou Simão.

[FUP]

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Publicado em Sistema Petrobrás
Terça, 21 Agosto 2018 16:28

Após explosão, Replan segue parada

A produção da Refinaria de Paulínia continua parada nesta terça-feira (21/08), sem previsão de normalização. Duas unidades foram afetadas pela explosão e o incêndio, ocorridos no início da madrugada desta segunda-feira (20). Trabalhadores garantem que este foi o pior acidente registrado na história da maior refinaria do país, inaugurada em maio de 1972. 

Uma comissão para investigar as causas da explosão foi instaurada e começou a atuar hoje, com a participação de representante do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado-SP). Para a direção sindical, o acidente é resultado do processo de desmonte da Petrobrás, promovido pelo governo de Michel Temer (MDB) para privatizar a empresa. 

A explosão não teve vítimas, mas causou pânico nos trabalhadores. Cerca de 50 empregados próprios e terceirizados executavam serviços nas unidades atingidas. No momento do acidente, ocorrido a 00h51, como mostra um vídeo com imagens internas viralizado no whatsapp, não havia ninguém na área afetada. Era horário do jantar e os trabalhadores estavam reunidos no restaurante.

Outro vídeo, também registrado pelo circuito interno e compartilhado nas redes sociais, mostra uma petroleira passando pela área atingida sete minutos antes da explosão. “Por muito pouco não tivemos uma fatalidade”, afirma o diretor do Sindicato Gustavo Marsaioli.

Além de colocar em risco a vida dos trabalhadores, o acidente também assustou moradores próximos à refinaria e de cidades vizinhas. O barulho da explosão foi tão forte que pode ser ouvido a cerca de 40 quilômetros de distância. 

Morador de Americana, do bairro Vila Omar, o técnico em elétrica Edson Lima contou que acordou com o estrondo, por volta da 1h. “Quando fui sair para o trabalho, encontrei minha vizinha e perguntei se ela tinha ouvido o estouro de madrugada. Só mais tarde é que vi a notícia e soube que tratava-se de uma explosão na Replan”, comentou.

Manutenção terceirizada

A explosão ocorreu em uma unidade de craqueamento (processo que transforma as partes mais pesadas e de menor valor do petróleo em moléculas menores, dando origem a derivados mais nobres, aumentando o aproveitamento do petróleo). O tanque de águas ácidas explodiu, provocando incêndio na área. As chamas de alastraram e atingiram uma unidade de destilação (processo no qual o petróleo é aquecido em altas temperaturas até evaporar, para separação dos derivados, como gasolina, querosene de aviação, diesel e asfalto, entre outros).

O que chama a atenção do Sindicato é que o acidente aconteceu poucos dias após o término de uma parada para manutenção do craqueamento. Pela primeira vez, o serviço foi executado por uma empresa de fora, apenas com trabalhadores terceirizados. O serviço incluiu a manutenção das grandes máquinas, que demandam conhecimento específico e mais qualificado. 

“Historicamente, a manutenção desses grandes equipamentos, que são considerados o coração das unidades, sempre foi feita por mão de obra própria, utilizando-se, principalmente, do acervo técnico e acúmulo de experiência, conhecimento que era passado de trabalhador a trabalhador”, explica o diretor do Unificado Jorge Nascimento.

Parada emergencial

A explosão, seguida do incêndio, causou a paralisação emergencial de toda a refinaria. Hoje, o setor administrativo retomou o serviço, mas a parte de produção continua parada e sem previsão de retorno. 

A Replan tem duas unidades de craqueamento e duas de destilação. Como apenas duas das quatro unidades foram afetadas, a refinaria poderia retomar o processo operacional parcialmente. 

O problema é que várias linhas de tubulação, que passam pelas unidades prejudicadas, sofreram grandes avarias e essa malha é fundamental para o acionamento parcial da refinaria. Sem essas linhas periféricas funcionamento perfeitamente, as duas unidades da destilação e do craqueamento, que não foram atingidas pelo acidente, ficam sem condições de operar.

Sucateamento

O Unificado aponta o processo de desmonte da Petrobrás, com a redução do efetivo mínimo operacional e a precarização das manutenções preventivas, como uma das principais causas de acidentes na empresa. Segundo o Sindicato, o governo golpista quer enfraquecer a empresa para vendê-la a preço de banana. “Há anos o Sindicato vem denunciando essa política da destruição, o sucateamento da

Petrobrás e a falta de segurança, que se agravou ainda mais com a redução do efetivo mínimo operacional”, declara o coordenador do Unificado, Juliano Deptula. 

Desde a implantação do estudo de Organização e Métodos (O&M) da Petrobrás, em junho do ano passado, que promoveu o corte no número mínimo de trabalhadores e aumentou as condições de risco, a Replan já sofreu quatro paradas emergenciais. “Grande parte dos trabalhadores afirma que nunca se viu na refinaria um acidente com um potencial tão grande quanto foi este”, alertou Marsaioli.

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[Via Sindipetro Unificado de São Paulo]

Publicado em Sistema Petrobrás

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