Para encerrar o mês das mulheres, o Sindipetro Paraná e Santa Catarina lança o 3º e último episódio da série sobre feminismo do programa “Bate-Papo Sem Sutiã”. O tema abordado desta vez foi “o feminismo nos dias hoje” e fala sobre a conjuntura da luta das mulheres.

Participaram desta edição  Ana Carolina Dartora, Bacharel em História, Mestre em Educação com recorte na juventude negra, Militante no Feminismos Negro e na Marcha Mundial de Mulheres; e Priscila Piazentini Vieira, Professora do Departamento de História da UFPR - áreas de interesse: Teoria da História, História e Filosofia Contemporânea, feminismo. Integrante do Núcleo de Estudos de Gênero da UFPR e vice-coordenadora do Labin - Laboratório de Investigação de Corpo, Gênero e Subjetividades na Educação, também da UFPR

Quem apresenta esta edição são as diretoras do Sindipetro PR e SC Anacélie Azevedo e Juliane Bielak.

Acompanhado ao programa, lançamos uma promoção de um Vale Compras de R$ 200,00 na Loja Peita. Para concorrer, basta responder a enquete no link abaixo. Apenas mulheres podem preencher.

Link para a enquete: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdg-mNJ3JX5DrYr_7uIBGNCIcgbORj48PZv4IBoVIHbim1h-A/viewform

Conheça a Loja Peita: https://peita.me/

Assista agora o 3º episódio: O feminismo nos dias de hoje 

[Via Sindipetro-PR/SC]

Publicado em SINDIPETRO-PR/SC
Sindipetro PR e SC estreia o programa “Bate-Papo Sem Sutiã”
 
O Bate-Papo Sindical todo mundo conhece, não é? Uma ferramenta utilizada há muitos anos pela direção para o diálogo com a base.

Mas e aí? Por que sem sutiã?

Porque pretendemos com esse programa conversar com as mulheres da categoria e outras que queiram disfrutar de um tempo leve para ampliar o conhecimento. Os homens também estão convidados a assistir e ouvir um pouco mais sobre esses temas.

Costumeiramente, as mulheres quando chegam em casa, uma das primeiras coisas que fazem é retirar o sutiã e aí, claro inicia a outra jornada. Esse ato traz um significado de conforto e liberdade. O sutiã é um símbolo histórico de opressão, usá-lo ou não o usar causa desconforto para a maioria das mulheres. Tanto que já foi até queimado em praça pública.

O primeiro programa tratou do tema “Feminismo”e contou com a presença da Ana Carolina Dartora, Bacharel em História, Mestre em Educação com recorte na juventude negra, Militante no Feminismos Negro e na Marcha Mundial de Mulheres; e Priscila Piazentini Vieira, Professora do Departamento de História da UFPR - áreas de interesse: Teoria da História, História e Filosofia Contemporânea, feminismo. Integrante do Núcleo de Estudos de Gênero da UFPR e vice-coordenadora do Labin - Laboratório de Investigação de Corpo, Gênero e Subjetividades na Educação, também da UFPR

Quem apresenta esta edição são as diretoras do Sindipetro PR e SC Anacélie Azevedo e Juliane Bielak.

Acompanhado ao programa, lançamos uma promoção de um Vale Compras de R$ 200,00 na Loja Peita. Para concorrer, basta responder a enquete no link abaixo. Apenas mulheres podem preencher.

Link para a enquete: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdg-mNJ3JX5DrYr_7uIBGNCIcgbORj48PZv4IBoVIHbim1h-A/viewform

Conheça a Loja Peita: https://peita.me/

Assista ao primeiro episódio:

 

[Via Sindipetro-PR/SC]

Publicado em SINDIPETRO-PR/SC

Na sexta-feira, 8 de março, milhares de brasileiras saíram às ruas para celebrar o Dia Internacional de Luta das Mulheres. Sob o lema “Pela vida das mulheres, somos todas Marielle”, elas tomaram as ruas do país para protestar contra o desmonte da Previdência, o aumento no número de feminicídios e os retrocessos do governo Bolsonaro (PSL), além de celebrar o legado da militante e vereadora Marielle Franco. Assassinada no Rio de Janeiro (RJ) em 14 de março de 2018, a vereadora tornou-se uma inspiração para trabalhadoras que lutam contra injustiças em todo o país. Até hoje o crime continua impune.

Em São Paulo, mais de 80 mil mulheres coloriram a Avenida Paulista neste Dia Internacional da Mulher para protestar, principalmente, contra a reforma de Previdência proposta pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL).

“Mulheres contra Bolsonaro, vivas por Marielle, em defesa da previdência, da democracia e dos direitos” foi o mote do ato unificado de vários movimentos sociais, feministas, de mulheres da CUT e demais centrais, partidos políticos e milhares que se juntaram à luta.

O vão livre do MASP, ponto de concentração da manifestação, ficou pequeno em poucas horas e as milhares de pessoas que participavam do ato ocuparam as duas vias da Paulista e depois caminharam até a Praça Roosevelt, no centro da cidade.

No Rio de Janeiro, a concentração do ato foi na Candelária, de onde mais de 50 mil pessoas saíram em passeata até a Cinelândia.

Bruna Silva, mãe de Marcos Vinícius, de 14 anos, morto pela polícia em um operação na Maré, também estavam presentes no ato do Rio. “Estou aqui em nome do meu povo favelado, para dizer que a gente tem vez, tem voz, e temos lugar”, disse Bruna.

A viúva de Marielle, Mônica Benício, enalteceu o legado da companheira e explicou por que participa das manifestações de 8 de março. “Estamos aqui pela vida e pela liberdade de todas as mulheres, pelo direito de exercer o livre acesso ao nosso corpo da forma como nós quisermos”, disse.

Na Bahia, duzentas militantes do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) ocuparam uma unidade da mineradora australiana Mirabela Nickel em Ipiaú, para protestar contra o modelo predatório de exploração de níquel. As mulheres também denunciaram os riscos de contaminação do Rio de Contas, que abastece a região e fica a menos de 1 km de uma barragem de rejeitos da empresa.

Em Salvador, mais de 64 instituições que lutam pelos direitos das mulheres participaram do ato religioso e da marcha que saiu da Praça da Sé, no Centro Histórico de Salvador (BA), em direção ao bairro do Campo Grande, com participação de Manuela D'Ávila.

O cortejo contou com uma homenagem a Marielle Franco, representada em uma bandeira gigante com fundo amarelo e o rosto da militante carioca. 

Na Esquina Democrática, na capital gaúcha, o ato reuniu centenas de manifestantes e recebeu o nome de “Ato pela Vida das Mulheres Trabalhadoras”.

Foram feitas críticas à retirada de direitos da reforma da Previdência e ao feminicídio. As agricultoras, em grande número no ato, protestaram contra os ataques do governo Jair Bolsonaro que tenta criminalizar o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e propõe regras para dificultar a aposentadoria no campo.

Houve atos em Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Curitiba, Vitória, Manaus, Natal, Florianópolis e em diversas outras capitais e cidades do país.

Lula envia carta às mulheres brasileiras

Mantido como preso político desde abril do ano passado em Curitiba, o ex-presidente Lula enviou, nesta sexta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, uma carta às mulheres brasileiras.

A mensagem foi lida na Vigília Lula Livre, em frente a superintendência da Polícia Federal, por Neudicleia de Oliveira, integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Ela visitou o petista junto com o ex-prefeito Fernando Haddad.
 
“Oito de março é dia de lembrar a luta das mulheres que vivem um movimento de luta diária”, escreveu Lula na mensagem.

De acordo com Haddad, o ex-presidente segue determinado em provar sua inocência e destacou a preocupação de Lula com as declarações sobre democracia feitas esta semana por Bolsonaro.

“Ele participou de todo o processo de redemocratização do país e o recado é o seguinte: democracia quem garante é o povo, que é de onde emana todo o poder segundo a nossa Constituição. Então se a gente quiser defender os nossos direitos, nossa mobilização se torna mais necessária do que nunca, no momento em que esses direitos estão sendo ameaçados”, afirmou.

Confira, a íntegra da carta de Lula às mulheres: 

Oito de março é dia de lembrar a luta das mulheres que vivem um movimento de luta diária. Desde o momento em que vêm ao mundo. Dia de marcar posição frente aqueles, que hoje no poder, tentam deslegitimar a luta de quem tem como ideal a igualdade de direitos.

Falamos de igualdade e do próprio direito à vida das mulheres que lutam para existir.

 De onde me encontro, sigo em resistência pela construção da sociedade que sonhamos juntos, de um Brasil com oportunidades iguais para todos e todas.

Um abraço

 Luís Inácio Lula da Silva
 
[FOTOS: FUP, Mídia Ninja, Jornalistas Livres | Texto a partir de informações do Brasil de Fato, CUT e Rede Brasil Atual]
 
533997481427462730745201195989558263808000n
5335579822833652050626852964924728835309568n
5330549710814218053150292775478892549373952o
5333673714276014073980006792886783198625792n
5328558714275960373985372087995786854924288n
532833031427428790748595428578053275254784n
5314580414275370374044376755472116197359616n
5305568910811674053404698754480587315609600o
457780dd-63d2-43a3-9d0d-59dffc3cdd41
72389a5c-7f3f-4a9b-a879-e05b40f8b4e6
5441f88c-b49a-4127-b478-0f1b9256ce48
4842de61-c698-4dbd-acdd-09a4a843f70f
94baf788-abc7-4422-a7f6-e14730720ef6
608f57f0-9d8d-4fe4-a470-fbdab6d46140
92ceebdd-d330-43eb-af73-270c9692aec0
90d90cca-1865-4ea8-a9d7-9d7b5b0e755a
5422041014275873573994055144624260802674688n
5421731214275675974013814016745842915409920n
5421172614275961007318648772408154471268352n
5420388714275923507322392833551003624669184n
5404134414274943940753687146408655183675392n
5389707014275095474071865990617841840160768n
5383540614274198307494917154881474607448064n
5379047914275810140667068248107443515555840n
5376994814275923773989038387794077927604224n
5372216214275643607350383378357696632717312n
537094951427592354065572598984089084624896n
5369404914275720840675996967114601167060992n
5368414614275753840672694081339750160531456n
5364345114273712107543536532862342043009024n
5360018114274283874153028686893487297134592n
5358056814275923607322382120049286698762240n
5357793514275370640711013396911349761048576n
5356342614275643040683773947709882924269568n
535566361427601414064666737071294855512064n
5353446814275809307333812595419505425383424n
5352480214275753540672722805548843351932928n
5347644814275960173985397011506914987081728n
5346722614275676440680438993920886604038144n
5346351514274627540785326605010680149966848n
5345077514275754174005994905614196978221056n
5345632214275370307377713360319203356704768n
534318731427601444064663923637458648694784n
5341791810811995986705835514423839796232192n
5340358522833651883960202680449884972122112n
534126451427462660745208894239240731230208n
fd5a284e-4499-4ee2-8235-68759f7333d7
f862b42c-1272-4b76-a4b8-cf28c9887db3
f274d5e9-9ce8-4d3c-bb37-dc1382f05788
f6e5deae-87d2-47e6-8727-d10edbf73f5f
ed535d07-ab23-46d9-b788-51f19b760939
e5dc79f2-ec60-4055-a2af-227343bf3f68
e3af2484-8e37-4720-93bd-e1e5a92524f1
cf172c6b-0133-424e-b5c9-eb142b1fbfee
c5f4583a-9857-4752-8f4f-27cbedf36895
bebd2957-3c7c-431a-a13a-d929e0b259e3
bbdcc7f4-4a95-47ed-9359-d33590061687
b516f7a1-733b-4802-a6d9-2a43193b9ab4
b50a7919-78a3-4e46-9700-acee5189ec60
b5e16c84-ef63-4cef-95f5-ca3c14d79036
75c51f86-f27a-426d-a445-5f3473427ffc
63e50d78-3257-425b-9fb4-adbef78bca59
56ebf512-cc5e-4d8c-b323-8f007543e50b
50a46944-846f-44c3-836d-18b2dcc66f51
25d81a48-a879-4d9c-8417-864ebef5c8f9
23efcf7f-eb82-4ba3-ae70-6a8f4fd8846d
9f5caadf-d76c-41b1-8c3c-c250b1b73b7d
9c531fd6-485d-482e-b0b4-221bbc5ee2b5
7dd9fe6b-4086-42ae-847d-dd00009a010d
7bbf8396-0d43-46c0-b6f1-456745824016
7a68e50c-0b47-43cc-94f4-9a777fe3ac35
6cd23420-ba40-417e-b0b8-f14a0889e428
5be81e7a-2f78-4e40-b3dc-b18a265c1b52
4eddf3a9-b51d-4a83-afd9-4382d4a46bd9
4e8666a4-1ce6-4f49-8359-0b8494e39ac8
2a799613-bb7e-4e62-893f-a9f52a5ba3f3
Publicado em Cidadania

As mulheres voltam às ruas nesta sexta-feira (8) em ao menos 22 cidades brasileiras para celebrar o Dia Internacional da Mulher. Depois das manifestações do #Elenão que reverberaram por todo mundo contra o discurso do ódio e o sexismo representados pela candidatura de Jair Bolsonaro(PSL), a edição deste ano alerta para as ameaças de retrocessos com o atual governo.

A proposta de "reforma" da Previdência, o aumento da militarização, a criminalização dos movimentos sociais, a política de "entreguismo" dos recursos naturais que afeta a soberania nacional são alguns dos pontos pautados por movimentos e pela Marcha Mundial das Mulheres. As manifestações também vão protestar contra o machismo, a violência de gênero, a desigualdade, o racismo e o preconceito contra pessoas LGBTs.

assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ), caso ainda sem solução quase um ano após o crime, será destaque na marcha que acontece em Fortaleza (CE) sob a bandeira "Somos todas Marielles".

Na cidade de São Paulo, a partir das 16h, no Masp, e em Campinas, às 16h, no Largo do Rosário, os atos têm como lema "Mulheres contra Bolsonaro! Vivas por Marielle, em Defesa da Previdência, por Democracia e Direitos". A mesma bandeira de luta ganha espaço também nas cidades de Natal, Mossoró e Parelhas, no Rio Grande do Norte.

Em Salvador (BA), Curitiba (PR), Juiz de Fora (MG) e em Brasília (DF), o destaque é a luta por vida, liberdade, justiça e direitos. O movimento em defesa do aborto legal e seguro e por uma educação não sexista e libertadora ganha voz na marcha em Porto Alegre (RS).

O recente crime da Vale, em Brumadinho (MG) é alvo no protesto de Belo Horizonte (MG) que destaca "O lucro não Vale a vida" chamando a atenção para o passivo ambiental deixado no estado pela ganância das mineradoras. Na Paraíba e em Pernambuco, as mulheres reforçam a luta contra o avanço dos interesses conservadores e neoliberais com o mote "Democracia, Reforma da Previdência e perda de direitos".

Reconhecimento e homenagens

A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) realiza no dia 11 de março, a partir da 9h30, uma sessão solene para homenagear o trabalho e a resistência de mulheres com a Medalha Theodosina Ribeiro 2019, iniciativa realizada desde 2012 pela deputada Leci Brandão (PCdoB-SP), em referência à primeira vereadora negra da Câmara Municipal de São Paulo.

Na edição desse ano, em que 18 personalidades serão premiadas, 14 delas são mulheres negras. Todas reconhecidas pelo trabalho e ações que "empoderam, impactam e influenciam decisivamente a vida de pessoas pertencentes a grupos vulneráveis da sociedade".

A presidenta e regente do Bloco Afro Ilú Obá de Min, percussionista e arte educadora, Beth Beli; a filósofa e escritora Djamila Ribeiro; a rapper, cantora e ativista da Luta Antirracista Bia Ferreira e a liderança do Movimento de Moradia Maria Helena são algumas das homenageadas. 

Confira os locais da marcha:

 

São Paulo

São Paulo

Local: Masp, na Avenida Paulista

Horário: às 16h

Campinas

Local: Largo do Rosário

Horário: às 16h30

 

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Local: Candelária, no Centro

Horário: às 17h

 

Rio Grande do Norte

Mossoró

Local: INSS, no Bairro Aeroporto, com percurso até o centro da cidade

Horário: às 8h

 Natal

Local: INSS, na Rua Apodi, com caminhada até a Praça dos 3 Poderes

Horário: às 15h

 Parelhas

Local: Cooperativa

Horário: às 7h

 

Alagoas

 

Maceió

Local: Praça Deodoro

Horário: às 9h

 

Pernambuco

Recife

Local: Praça do Derby

Horário: às 14h

 Garanhuns

Data: 9 de março

Local: Largo do Colunata

Horário: às 9h

 Caruaru

Data: 14 de março

Local: em frente ao INSS

Horário: às 8h

 

Rio Grande do Sul

Porto Alegre

Local: Esquina democrática e Feira de Economia Solidária o dia inteiro no Largo Glicênio Peres

Horário: às 18h

 Livramento

Local: Marcha Binacional, na Praça General Osório

Horário: às 8h30
+ mateada, oficinas e atividades culturais das 10h às 17h30 no Parque Internacional

 Rio Grande

Local: Coreto da Praça Tamandaré

Horário: às 16h

 Santa Maria

Local: na Praça Saldanha Marinho

Horário: às 16h intervenções culturais e às 18h ato

 São Leopoldo

Local: Câmara de Vereadores, na Rua Independência, 66

Horário: às 16h

 Caxias do Sul

Local: INSS, às 9h30 e caminhada até a Praça Dante, às 10h30 com atos pela tarde

Minas Gerais

Belo Horizonte

Local: Praça Raul Soares

Horário: às 17h

 Juiz de Fora

Local: Parque Halfeld

Horário: às 18h

 Simonesia

Local: Praça Getúlio Vargas, no Centro

Horário: às 16h

 

Ceará

Fortaleza

Local: Praça da Justiça, Murilo Borges

Horário: às 16h

 

Paraíba

Patos

Local: Concha Acústica

Horário: às 7h30

 

Pará

Belém

Local: Mercado de São Brás

Horário: às 8h30 

 

[Via Rede Brasil Atual, com informações da Marcha Mundial das Mulheres ]

Publicado em Movimentos Sociais

A técnica de operação da Refinaria Duque de Caxias, Andressa Delbons, 32 anos, enfrenta diariamente os desafios de ser mulher em um ambiente de trabalho majoritariamente masculino. “Ser feminista não é uma escolha, é uma necessidade no meu dia a dia”, afirma.

Andressa ingressou na Petrobrás em 2008, aos 21 anos de idade, quando assumiu logo em seguida o cargo de técnica de operação na segunda maior refinaria do país. Percebeu logo que precisava reagir contra as discriminações e precarização das condições de trabalho que atingem em cheio as mulheres petroleiras. Foi assim que começou a participar das atividades sindicais.

Em seu segundo mandato no Sindipetro Caxias, ela é também uma das oito mulheres que integram a Diretoria Plena da FUP, o que representa 22% do total de integrantes. “As petroleiras precisam ocupar mais os espaços de representação, mas esse avanço só virá com a participação ativa das trabalhadoras junto aos seus sindicatos”, declara.

Esse é um dos desafios de Andressa, que acaba de assumir a Coordenação do Coletivo de Mulheres Petroleiras da FUP: “Espero contar com a colaboração das petroleiras para que juntas possamos avançar, não só nas pautas específicas das mulheres, mas também na representação de toda a categoria. A perspectiva dos próximos anos é de ataques à classe trabalhadora e precisamos estar unidas para barrar possíveis retrocessos, barrar as privatizações e garantir a manutenção dos nossos direitos conquistados com luta, sangue e suor”. Confira abaixo a entrevista com ela:

Como estão os preparativos para o 7º Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras?

O Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras acontece anualmente e os sindicatos da FUP se revezam na organização do evento, que neste ano acontecerá entre os dias 5 e 7 de abril em Vitória, no Espírito Santo. É um encontro organizado por mulheres, para mulheres. Em breve, divulgaremos mais detalhes sobre o evento.  

Como é ser feminista em uma empresa majoritariamente masculina, como é o Sistema Petrobrás?

Ser feminista não é uma escolha: é uma necessidade no meu dia a dia. Eu trabalho no chão de fábrica, ambiente majoritariamente masculino. Junto com uma colega, fomos as primeiras técnicas de operação da primeira unidade de processo em que trabalhei na Reduc.

Muitas mulheres lutaram para que hoje eu pudesse votar, estudar e trabalhar sem precisar da anuência de um homem. Tenho a obrigação de valorizar isso.

Estar desempenhando a função que exerço hoje na Petrobrás é fruto da ideia de que homens e mulheres devem ter oportunidades iguais, e isso é uma das ideias propagadas pelo feminismo.

Houve mudanças importantes para as mulheres no ambiente de trabalho desde que você ingressou na Petrobrás?

Houve um tempo em que as mulheres não podiam sequer se inscrever no concurso para o cargo que exerço na Petrobrás. A função era estritamente masculina. Hoje, o número de mulheres na área operacional vem aumentando, inclusive em posições de liderança. Infelizmente, as ações para acolhimento das mulheres nem sempre são efetivas e por isso recebemos muitas denúncias de assédio moral e sexual, mas acredito que aos poucos estamos avançando. Já houve adequação em várias áreas da Petrobrás para atender às demandas as mulheres, como implantação de vestiários femininos nas unidades operacionais, instalação de salas de amamentação, designação de camarotes femininos nas plataformas, coisas que há alguns anos atrás seriam impensáveis

Hoje as mulheres são 22% da diretoria da FUP. É a maior representação feminina da história da entidade. Dá para avançar mais? Como está hoje a participação das petroleiras no movimento sindical?

Eu entendo que o movimento sindical idealmente deve ser reflexo da categoria que representa. E isso só se dá com a participação ativa dos trabalhadores e trabalhadoras junto aos sindicatos. Com o aumento da quantidade de mulheres nas bases do sistema Petrobrás, devemos ter um aumento também no percentual de mulheres nas direções dos sindicatos, federações, confederações e centrais. Na CUT, por exemplo, que é a central à qual o meu sindicato é filiado, a direção é composta por 50% de mulheres. Então penso sim, que existe espaço para avançar e reitero que esse avanço só virá com a participação ativa das trabalhadoras junto aos seus sindicatos.

Quais os desafios do Coletivo de Mulheres Petroleiras nesse momento de tantos retrocessos sociais?

Nossos objetivos centrais são formar e organizar as mulheres petroleiras pelo país, barrar as privatizações, garantir o efetivo exercício dos direitos contidos na CLT e no nosso Acordo Coletivo de Trabalho e avançar na construção de um ACT que garanta melhor qualidade de vida para petroleiras e petroleiros. Não aceitaremos retrocesso, independente de quem estiver no governo. Nosso lema continua sendo “Nenhum direito a menos!”.

[FUP | Edição Especial Dia Internacional das Mulheres]

 

Publicado em Cidadania

Você acha normal a mulher receber 77% do salário pago aos homens? É justo mulheres trabalharem mais horas do que os homens? Segundo o Estudo de Gênero, publicado em 2018 pelo IBGE, as mulheres brasileiras trabalham, em média, três horas por semana a mais do que os homens, mas recebem, em média, 76,5% do rendimento deles. 

Como você se sente ao saber que 13 mulheres são assassinadas diariamente no nosso país, vítimas de feminicídio? Os dados são do Atlas da Violência 2018, organizado pelo IPEA, que revela que o número de assassinatos de mulheres no Brasil aumentou 6,4% em dez anos.

Se essas informações te causam indignação, você provavelmente entende a importância da luta pela igualdade de direitos entre mulheres e homens. O nome disso é feminismo. Um movimento que há mais de um século vem garantindo conquistas importantes para a sociedade.

Não faz muito tempo, as mulheres precisavam de autorização do marido ou do pai para trabalhar e até para ter uma conta bancária individual. Isso acontecia no Brasil até 1962. Foram as lutas feministas que deram autonomia e liberdade às mulheres.

Por que, então, o feminismo atrai tanta polêmica e preconceito? “O feminismo pretende realizar uma mudança de cultura, inclusive na forma como o poder é exercido em nossa sociedade. Por isso, é alvo de calúnias e difamações”, explica Anacélie Azevedo, Secretária Geral do Sindipetro-PR/SC e técnica de laboratório na Repar.


Leia também:

Onde estaríamos sem o feminismo?  

[FUP | Edição Especial Dia Internacional das Mulheres]

Publicado em Cidadania
Sexta, 01 Março 2019 14:07

Onde estaríamos sem o feminismo?

Ao longo da história, as lutas por direitos para as mulheres resultaram em conquistas fundamentais, que muitas vezes passam despercebidas pela maioria das pessoas. O direito das mulheres ao ensino, ao voto, ao trabalho, à liberdade de ir e vir, às escolhas de seus amores... tudo isso foi conquistado com muita luta. Nada caiu do céu ou foi concedido pelos homens.  Conhecer alguns marcos dessa luta é fundamental para preservar as conquistas e ampliar direitos que estão constantemente sob ataque.

1827 – mulheres passam a ter permissão para cursarem o ensino fundamental no Brasil, mas só garantem o direito de entrarem na universidade em 1879

1893 – Nova Zelândia é o primeiro país no mundo a garantir o voto feminino

1932 – mulheres brasileiras conquistam o direito ao voto

1945 - Carta das Nações Unidas, que rege a criação da ONU, reconhece a igualdade de direitos entre homens e mulheres

1960 – a pílula anticoncepcional passa a ser comercializada

1962 – após mais de uma década de lutas no Congresso Nacional, as mulheres brasileiras conquistam mudanças importantes no Código Civil, garantindo autonomia para que pudessem trabalhar, realizar transações financeiras, receber heranças, fixar residência, requisitar a guarda dos filhos, entre outros direitos que antes dependiam de autorização do marido ou de outro homem que exercesse o pátrio poder sobre elas

1974 – na Argentina, Isabel Perón é eleita a primeira mulher no mundo a presidir um país

1977 – o divórcio passa a ser garantido no Brasil, através de mudanças na legislação, que permitiram à mulher se divorciar apenas uma única vez

1985 – é criado o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), que será fundamental nas lutas por igualdade de direitos no Brasil

1988 – o movimento feminista, com a articulação de 26 deputadas federais constituintes, conquistam avanços importantes na Constituição Federal para as mulheres brasileiras, como a igualdade de direitos com os homens na vida civil, no trabalho e na família. Foi garantida a licença maternidade remunerada de 120 dias para as mulheres e proibido discriminações de salários e cargos, em função do sexo

2006 – Lei Maria da Penha cria mecanismos para coibir e punir a violência doméstica sofrida pela mulher, seja em forma de agressão, ameaças ou assédio

2010 – Dilma Rousseff é eleita a primeira mulher presidenta do Brasil

2015 –Lei do Feminicídio transforma em crime hediondo homicídio de mulheres por questões de gênero

[FUP | Edição Especial Dia Internacional das Mulheres]

Publicado em Cidadania
Quinta, 28 Fevereiro 2019 18:02

Por mais mulheres a bordo

Por Jancileide Morgado, diretora do Setor Privado do Sindipetro-NF, e Bárbara Bezerra, Técnica de Segurança da U0-BC

Você sabe quantas mulheres trabalham em uma plataforma? Você sabe quais as funções?

Sim, são poucas. Em média, apenas 3% do quadro de embarcados é feminino. Muitas vezes apenas 1%. E em algumas embarcações, não há vagas femininas. Mas, e as funções? São distintas para homens e mulheres? Na maioria das vezes, não. Vemos duas funções como maioria de ocupação feminina, que é a Técnica em Química e a Comissária de Bordo. No mais, as funções são majoritariamente masculinas.

Mas, por que será que isso acontece? Será que as mulheres não têm habilidades para as demais funções? Se fizermos uma pequena pesquisa histórica, vemos que houve gerentes femininas, existem Coordenadoras, Mestre de Cabotagem, Rádio operadoras, Operadoras de Produção, Supervisoras, Pintoras, Soldadoras, Técnicas em Segurança e Enfermagem. O que nos leva a concluir que não faltam habilidades, nem disposição das mulheres em realizar atividades prioritariamente “masculinas”.

Todavia, faltam leitos femininos. Faltam vagas femininas. As plataformas estabelecem um número ínfimo de camarotes femininos, o que dificulta as mulheres serem um número maior em nossa categoria. E sabe qual a diferença de um camarote feminino para um masculino? Nenhuma! Exceto que o feminino é mais limpinho e cheiroso!

Portanto, que tal um GEPLAT tornar sua plataforma mais feminina, ofertando um número maior de camarotes para tal?

Garanto que somos competentes e contribuímos positivamente para a melhoria do ambiente de trabalho. Nossas “Ilhas de ferro” já são hostis por natureza, não precisamos de mais empecilhos para torná-las um ambiente de trabalho misto e com direitos iguais.

[FUP | Edição Especial Dia Internacional das Mulheres]

Publicado em Sistema Petrobrás

A luta das mulheres por igualdade de direitos muitas vezes é desqualificada, principalmente no ambiente corporativo, onde o feminismo ainda é tratado como vitimismo e mi-mi-mi. Não é raro ouvir frases do tipo “feminismo é coisa de mulher que tem raiva dos homens”,  “pra quê feminismo se homens e mulheres são tratados da mesma forma?”, “quem é competente não precisa de feminismo”, “feminismo é um plano de dominação e vingança das mulheres”...

Por mais absurdas e preconceituosas que sejam, esse tipo de declaração encontra eco em uma sociedade onde o machismo ainda permeia as relações sociais e familiares. No Sistema Petrobrás não é diferente. As trabalhadoras representam pouco mais de 16% dos quadros da empresa e apenas 18% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres.

Muitas petroleiras são vítimas de assédio e convivem diariamente com colegas de trabalho que defendem abertamente posicionamentos machistas. Na rede de comunicação interna da empresa, são comuns comentários jocosos, criticando e desqualificando programas e projetos relacionados aos direitos das mulheres e ao público LGBT.

Desde 2006, a Petrobrás tem o selo de Pró-Equidade de Gênero e Raça, criado pelas Nações Unidas e, há quase dez anos, adotou os Princípios de Empoderamento das Mulheres que fazem parte do Pacto Global da ONU.  Mas, apesar dessas importantes iniciativas corporativas, as mulheres ainda enfrentam muitas dificuldades no trabalho. “O machismo está presente em várias decisões dos gestores, como, por exemplo, a intransigência em relação às faltas ou atrasos das petroleiras que acompanharam os filhos em emergências médicas. Quem mais sofre com isso são as mães que estão solteiras. A maioria dos colegas homens não compreende a situação, especialmente quando têm uma esposa que cuida disso por eles”, destaca Priscila Patrício, técnica química de petróleo na Transpetro e diretora da FUP.

[FUP | Edição Especial Dia Internacional das Mulheres]

Publicado em Trabalho

Mais de 45 guerrilheiras que resistiram à ditadura militar brasileira pela Ação Libertadora Nacional (ALN) testemunham que as mulheres não foram linha auxiliar na luta armada contra a repressão. Essas memórias fazem parte do livro "Mulheres na luta armada: protagonismo feminino na ALN", da historiadora Maria Cláudia Badan Ribeiro.

Em entrevista ao Brasil de Fato, a pesquisadora apresenta reflexões sobre o legado emancipatório dessas rebeldes e desmonta equívocos e preconceitos difundidos pelos agentes da ditadura militar. As militantes romperam com sociedade e família para integrarem a frente de batalha.

"Historicamente, no Brasil, a figura do desobediente político é sempre do homem, a mulher fica reservada ao lar ou tem uma pequena esfera de ação dentro das tarefas do cotidiano. Quando a mulher tinha alguma punição, diziam que ela tinha feito aquilo levada por alguém, nunca como uma decisão pessoal e independente, como se essa mulher não tivesse política na cabeça. Era uma questão que a repressão e a imprensa da época tentavam difundir, de que a mulher não tinha autonomia de militância, não era um ser político e tinha que ficar em casa".  

Leia a entrevista na íntegra.

Brasil de Fato – Como se deu o protagonismo feminino na ALN na resistência aos anos de chumbo?

Maria Cláudia – Eu quis explorar o chamado setor de apoio na organização, porque sempre se associa setor de apoio e mulheres vinculando ao papel maternal de cuidar e eu quis mostrar que isso não era realidade.

Isso também aconteceu em outras organizações, mas na ALN existia maior liberdade de ação em que a mulher era protagonista da história e da luta. Eu quis mostrar que a figura da guerrilheira de armas na mão é importante, mas ela também pode ser muito abstrata se desconsidera o funcionamento real de uma organização.

Era definido, por exemplo, setor de apoio e logística da ALN, um processo que o então professor Joel Rufino participava com sete mulheres em volta. Então falavam que ele era amante dessas mulheres, mas, na verdade, elas estavam militando pela ALN, mas sempre aparecia como ele encabeçando o processo.

Na realidade, era uma rede de apoio que mantinha a organização: elas ajudavam a tirar gente pela fronteira, davam dinheiro, emprestavam o carro para fazer ação e empregavam gente que tinha sido despedida dos empregos, já que não se podia ter atestado ideológico. Enfim, são vários os gestos que mostram o compromisso político dessas mulheres.

Então houve uma continuidade, não uma ruptura. O próprio Carlos Marighella era um dirigente cercado de mulheres e estimulava muito a militância delas. O Marighella tinha uma visão diferente: ele tentava convencer os companheiros de deixarem suas mulheres participarem das reuniões, trazerem os problemas sociais da dona de casa.

Inclusive, por exemplo, os acordos entre o Marighella e Cuba para treinamento guerrilheiro, os cubanos não queriam aceitar as mulheres. O Marighella mandou a Zilda Xavier Pereira para Cuba para dizer aos cubanos que se as mulheres não participassem do treinamento rural, onde principalmente elas eram proibidas com a justificativa que causavam problemas na tropa, ele não ia aceitar o acordo e ninguém mais ia treinar. O Marighella defendeu até o fim a participação das mulheres na luta da ALN.

Uma série de mulheres foi para Cuba fazer treinamento, outras fizeram aqui; minimamente, todas tiveram algum contato com arma de fogo para se defender. O homem nem sempre fez parte de ação armada ou era bom atirador.

Elas se identificavam com a horizontalidade, porque a organização não era como um partido com hierarquia muito rígida, a ALN dava espaço para apoios e em qualquer lugar que você pudesse militar, no setor estudantil, junto aos operários.

No livro, eu considero o papel das associações de bairro e movimentos de mulheres que foram anteriores à luta armada. A ALN saiu do Partido Comunista e levou muitas pessoas de lá. Uma das pioneiras da ALN, na realidade, era a chamada Liga Feminina da Guanabara, que era um grupo de mulheres que militava no partido, algumas que ajudaram pessoalmente o Marighella, mas não aderiram a ALN.

Então não foi um rompimento total, eu tentei mostrar essa luta como um processo e quis trabalhar com a militância feminina porque eu percebi que ela era muito rede. A luta armada não foi só violência e eu quis mostrar isso.

A luta armada foi uma experiência de bastante importância para a história do Brasil e há uma certa dificuldade em lidar com isso até hoje, principalmente quando as mulheres fazem parte.

Como você analisa a invisibilidade dada às mulheres guerrilheiras, mesmo quando integravam a frente de batalha?

Historicamente, no Brasil, a figura do desobediente político é sempre do homem, a mulher fica reservada ao lar ou tem uma pequena esfera de ação dentro das tarefas do cotidiano.

Existe uma pesquisa muito interessante que fala como as mulheres chilenas começaram a militar politicamente de maneira mais incisiva a partir de grupos de mulheres donas de casa. Eu acho que no Brasil também aconteceu um pouco disso.

Foi um caminho de crescimento pelo contexto em que se vivia: a mulher saiu para o mercado de trabalho, foi para a universidade, ocorreu o êxodo rural, então ela viu os campos de vida mais abertos, inclusive a militância. Elas começaram a se colocar publicamente, com certas dificuldades, claro, porque o mundo político sempre foi muito masculino.

Agora, essa invisibilidade, de qualquer maneira, eu mostro no livro que também ajudou, porque o fato de a mulher nunca ser suspeita de entrar em um assalto, por exemplo, também a protegia. Essa invisibilidade foi causada pela ditadura, porque as mulheres que participaram da luta armada, geralmente, eram inocentadas na Justiça Militar, porque diziam que elas tinham sido levadas a fazer ações por conta de seus namorados, maridos, irmãos… o que não era verdade.

De alguma maneira, os advogados dos presos políticos também usaram esse artifício para liberar as mulheres, para dizer que elas não eram culpadas pelas ações, que não tinham panfletado ou feito pichação.

A ditadura criou a ideia da "loura dos assaltos", que também foi uma maneira de desvalorizar a luta e de transformar a mulher em uma figura desviante do papel que era aceito na sociedade.

Em todas as ditaduras, como na Espanha e na maior parte dos países latino-americanos, o arcabouço prático e jurídico era desmerecer a mulher e sua capacidade política, resumindo como a mãe de família, cuidadora dos filhos e da casa, nunca envolvida em nada que fosse público. É um pensamento conservador que existe até hoje.

O modo de agir fechado de todo o regime militar era baseado em desmobilizar politicamente o homem e, principalmente, a mulher, porque ela tem um espírito "pacífico" na visão da repressão. Então a ditadura limitou o espaço da mulher ao ar.

Nos documentos da Justiça Militar e na própria imprensa, aparecia muito "mulher de fulano foi envolvida sentimentalmente e fez processos para a organização porque estava apaixonada". Isso foi uma maneira da repressão não chamar a atenção para a militância feminina como independente e autônoma.

Isso não foi uma postura da mulher, nenhuma delas queria ser colocada como coadjuvante ou dependente do marido, muito pelo contrário. Muitas delas entraram na luta armada tendo pais da repressão ou um parentesco com ministros da ditadura, então elas foram muito valentes ao romper com a família e a sociedade para estar na militância.

No livro, eu também abordo como foi a volta dessas mulheres à sociedade depois do exílio ou da prisão. Muitas eram adolescentes. Tem histórias de mulheres que foram presas com os filhos ou que tiveram o parto na prisão.

A ALN não teve um fim formalizado, ela acabou por perseguição e repressão. Essas mulheres se dedicaram muito, deram tudo o que tinham e a luta custou a vida de muitas. Era a luta pela sobrevivência, pela justiça. Então o protagonismo também é delas, porque foram vanguarda em tudo o que pensaram e fizeram.

Eram feministas?

As mulheres estavam em um processo de liberação, o feminismo como a gente conhece hoje ainda não tinha chegado no Brasil. Existiam muitas mulheres que estavam na universidade e tinham contato com leituras como Simone de Beauvoir e outras referências europeias ou estadunidenses que chegavam aqui.

Mas, naquele contexto, as mulheres estavam mais preocupadas em derrubar a ditadura do que falar mais de si. Eu não posso dizer que o movimento de mulheres contra a ditadura, ainda que na luta armada, fosse feminista. O movimento feminista enquanto teoria e prática é posterior e quem se engajou naquela luta se propunha a destruir a ditadura sem saber se no dia seguinte estaria viva.

Mas já se questionava todas as amarras para a vida pessoal, sexual e sentimental da mulher. E isso não só no Brasil, essa liberação se deu no mundo todo, principalmente a partir dos anos 1970.

A Comissão Nacional da Verdade estimulou essas mulheres a falarem mais sobre o assunto?

Eu acredito que com as comissões da verdade, o Brasil passou a olhar um pouco mais para essa questão, mas eu não sei até que ponto isso envolveu a sociedade. Não foi feito um debate amplo, ela mobilizou alguns núcleos, movimentou a sociedade, mas tem muita gente que nem sabe o que é. Existem pessoas que pedem a volta da ditadura sem nem saber o que foi. Ela trouxe muita documentação, muitos testemunhos e permitiu a mulher de falar o que viveu sem ser sob tortura. Isso é muito positivo. O primeiro fundo de documento espontâneo de histórias foi a Comissão da Anistia.

Isso deu voz a mulheres, homens e crianças que sofreram, porque o Estado se colocou no papel de repressor e culpado. Isso se tornou legítimo e as mulheres se apropriaram dessa luta valorizando suas trajetórias. A Comissão Nacional da Verdade liberou a sala, mas, infelizmente, sua duração foi rápida.

Depois, veio as Clínicas do Testemunho para falar dos casos de estupro, que ainda são considerados privados no Brasil. Essa parte não avançou muito na Comissão, na história do país e nem em trabalhos feitos sobre mulheres. Além disso, cada militante que viveu essa experiência trágica precisa de tempo para poder falar. É uma questão delicada, mas eu acho que deveria se investigar mais sobre isso.

As mulheres também começaram a escrever suas memórias, mas não conseguem espaço na imprensa e nas editoras. Existe uma política de apagamento dessas experiências, em que se elege algumas e se despreza outras.

[Via Brasil de Fato | Edição: Juca Guimarães]

Publicado em Cidadania

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

Instagram