A quarta live promovida pelo Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro-SP) desde o início do período de isolamento social reuniu na tarde desta sexta-feira (8) o jornalista e escritor Alceu Castilho, a dirigente do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Kelli Mafort e o diretor da FUP (Federação Única dos Petroleiros) e do Sindiquímica Gerson Castellano.

Em pauta, a forma como o rolo compressor do agronegócio, com a chancela do governo Jair Bolsonaro (sem partido) e de boa parte do Congresso Nacional, tem avançado sobre os direitos campesinos, prejudicando a biodiversidade e a qualidade do alimento que vai à mesa dos brasileiros.

Autor dos livros “O protegido – por que o país ignora as terras de FHC” e “Partido da Terra – Como os políticos conquistam o território brasileiro”, Alceu Castilho iniciou com um diagnóstico da forma como as propriedades são distribuídas no país e de que maneira isso se reflete nas relações políticas.

“Os políticos de todo o país, inclusive do Sul e Sudeste, são grandes proprietários de terra e concentram suas terras na Amazônia e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), região de expansão da agropecuária. Regiões onde existem muitas terras da União e por meio da bancada ruralista tentam, ao longo de tempo, regularizar essas terras. Esse é um processo histórico que vem de todos os governos e que se acirrou com o golpe de 2016 do presidente Temer e está se acelerando durante governo Bolsonaro”, explicou.

Ele explica que um bom exemplo desse pé no acelerador do governo é a Medida Provisória 910, proposta pelo Executivo federal, que propõe regularizar terras públicas e é a joia da coroa da bancada ruralista, que tem diferenças com o governo federal, mas está segurando o apoio porque quer ver projetos como esse aprovados. Um grupo, conforme destacou Castillo, decisivo para derrubar Dilma, segurar Temer e eleger o atual presidente.

O problema é que a regularização em questão refere-se a terras obtidas por meio de grilagens, um processo violento de rouba que traz graves prejuízos ambientais e sociais.

““No Brasil não se prevê terra coletiva, de uso comum. Aqui as terras de uso de camponeses de fundo de pasto, nos faxinais, vão sendo aos poucos apropriadas pelo Capital num processo de roubo à base de violência e expulsão inclusive em diálogo com a face legal do Estado, com despejos, reintegração de posse, mesmo que a empresa tenha roubado a terra.”, afirmou.

Dirigente do MST, Kelli Mafort reforça o estrago que a MP da grilagem pode causar caso seja aprovada. “São 70 milhões de hectares de terras públicas que podem ser entregues para o agronegócio. O governo e a bancada ruralista vendem a ideia de que a medida vai favorecer gente muito simples e pobre, mas isso é mentira. Vai sim permitir que áreas até 2.500 hectares dentro da Amazônia legal sejam entregues a empresas. Áreas como a fazenda Santa Henrique, invadida pela Cutrale, em Bauru, no interior de São Paulo, maior exportadora de suco do país, se tornarão legais”, alertou.

Petrobrás não cumpre seu papel

Representante da FUP e do Sindiquimica-PR, Gerson Castellano ressaltou a série de crimes de lesa-pátria que foram cometidos por Michel Temer e Bolsonaro na condução da política da empresa.

O dirigente ressaltou que o fechamento das fábricas de fertilizantes da Bahia, Paraná e Sergipe faz com que o Brasil tenha de importar ureia, utilizada como suplemento para o gado, e que vem com formol para evitar que empedre. “Hoje a carne que o brasileiro consome está certamente contaminada com formal.”

Além disso, ele ressalta que com o encerramento das unidades, o país abriu mão de alta tecnologia, mão de obra especializada e encerrou um modelo de produção sem ter uma alternativa nacional.

A situação não é diferente no caso do gás de cozinha. Uma das bandeiras dos sindicatos de petroleiros é a venda a um valor justo, mas como a Petrobrás também abriu mão das distribuidoras, o produto passa pela mão de especuladores. “O valor hoje está extremamente alto por conta de especulação feita em cima dos pobres deste país, o nome disso é capitalismo. Em nossas campanhas nós vendemos a R$ 40 reais, que entendemos ser o preço justo. Queremos uma Petrobrás voltada a desenvolver a nação de forma igualitária e justa, porque sabemos que esse papel não caberá a setores como o do agronegócio”, criticou.

Cadê a comida?

A prova do que disse Castellano está nas campanhas que os ruralistas promovem, conforme aponta a dirigente do MST, Kelli Mafort.

“Nunca ouvimos falar que o agronegócio doou comida em uma campanha, porque o que eles produzem é soja e etanol. Quem produz comida é a cultura camponesa, mas todos os canais de acesso ao crédito para a agricultura familiar foram extintos pelo governo Bolsonaro e agora estamos diante de uma pandemia em é necessário garantir alimentação neste momento de crise. Mas estamos reféns dos grandes conglomerados, reféns da especulação”, pontuou.

Para piorar, o que é oferecido por esses grupos não garante uma alimentação de qualidade. “A falta de imunidade tem relação direta com a forma como nos alimentamos que, por um lado, conduz a um processo de desnutrição e fome por falta de condições de ter acesso a alimentos, e, na outra ponta à obesidade pela enorme propaganda de alimentos ultra processados”, explicou.

Na avaliação de Kelli, se realmente houver o desejo de construir um novo modelo de produção, relação e consumo, a reforma agrária será fundamental.

“A pandemia tem relação direta com modelo agrário e ambiental que se estabeleceu no mundo.
O agronegócio se hegemonizou e seu modelo é destruidor de florestas tropicais, balizador da criação de animais em larga escala, um modelo gerador de muitas pandemias. A reforma agrária defendida pelo MST e movimentos da terra defende que se distribua a terra, combata o latifúndio, um problema histórico no país, herança escravocrata, mas também desenvolva outra relação com bens naturais. Se não mudarmos a relação entre ser humano e natureza, que não pode servir apenas para atender o lucro do capital, vamos conviver com muitas pandemias.”

Como mudar consciências

Na luta para romper o véu das fake news e implementar um canal de diálogo capaz de levar uma informação diferente daquilo que é veiculado pela grande mídia conforme seus interesses econômicos, Alceu Castillo apontou o caráter estratégico dos sindicatos.

“O presidente sociopota e seu séquito de bajuladores não vão mudar, eles não tem escrúpulos. Quem pode fazer algo é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), do Senado, Davi Alcolumbre, da Procuradoria Geral da República, Augusto Aras, e, em nome de todos os 11 ministros, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli. Esses quatro senhores, além dos outros ministros, deputados e senadores, precisam ser lembrados por cada cidadão, cada movimento, cada sindicato. Estamos muitos distraídos em relação a isso. Precisam ser pressionados e expostos como cumplices desse genocídio. Precisamos enviar mensagens a eles perguntando, ‘e aí, qual a posição de vocês em relação ao genocídio que vemos no Brasil´?”

Ainda sobre o tema da comunicação, Kelli deu um exemplo de como funciona o modelo brasileiro da velha mídia. “Só o MST já doou 600 toneladas de alimentos, as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que inclui vários sindicatos, já chegou à marcada de 1.500 toneladas e mais de 40 mil cestas básicas, mas isso não aparece, porque todos os canais de comunicação são ligados ao agronegócio e faltam com compromisso ético quanto ao direito de informação e comunicação. Para romper, estamos fazendo movimento importante de mídias populares tentando integrar, mas ainda temos deficiência nesse processo. Diante da avalanche de fake news que circula diariamente, a criação de canais mais diretos para desvincular mentiras torna-se essencial para a democracia.”, define.

Assista a íntegra: 

 [Via Sindipetro Unificado SP]

 

Publicado em Movimentos Sociais

O mercado de fertilizantes está em alta e segundo analistas a tendência é de crescimento para 2020 e 2021, apesar do coronavírus.

De acordo com a Scot Consultoria, em São Paulo, o preço da uréia agrícola subiu 6,5% desde o inicio do ano. Só em Março o aumento foi de 3,2% em relação a fevereiro. Já os adubos fosfatados teve um reajuste médio de 0,5% no mesmo período e o cloreto de potássio um aumento, de 0,1% na cotação em março.

A valorização desse segmento tão importante para a economia de qualquer país põe em xeque a política da atual gestão da Petrobrás que, na contramão de outras grandes petrolíferas estatais, foca seu negócio em apenas um segmento de serviço: o pré-sal.

Enquanto isso, acelera o desinvestimento, vendendo e hibernando unidades importantes da companhia como as refinarias e as fábricas de fertilizantes.

Em meio à crise, agravada pelo coronavírus e diante de uma demanda cada vez mais crescente, a Petrobrás permanece com as suas três fábricas de fertilizantes fechadas – a de Camaçari, na Bahia, a de Laranjeiras, em Sergipe e a de Araucária, no Paraná.

Com isso, o Brasil deixa de produzir 8 mil toneladas de fertilizantes por dia para importar o produto mais caro.

Mais uma vez a gestão da Petrobrás caminha na contramão da realidade, pois se a demanda de fertilizantes nitrogenados só aumenta, porque estamos com a nossa produção parada e comprando de outros países?

O segmento de fertilizantes encontra-se em expansão tanto no Brasil quanto no mundo e a demanda do mercado brasileiro de fertilizantes é maior que a produção nacional. Temos as fábricas, temos o know how e trabalhadores prontos para assumir os seus postos e colocar as fábricas para funcionar. Afinal, o Brasil é um dos maiores produtores de grãos e proteínas no mundo e o investimento na produção de fertilizante é fundamental para garantir a continuidade do crescimento do setor e a soberania nacional.

A parada da FAFEN-BA e das demais Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados do país, coloca em risco também a nossa Soberania Alimentar e o Agronegócio, uma vez que a produção agrícola passa a depender totalmente da importação de fertilizantes. Mais um crime lesa pátria que está sendo cometido pela gestão entreguista da Petrobrás.

De acordo com reportagem publicada no Canal Rural (www.canalrural.com.br) “a empresa {Scot Consultoria}  afirma que para os próximos meses, a expectativa é de preços firmes para os fertilizantes, em reais. Além do dólar valorizado e em patamar mais alto, as altas das commodities agrícolas em 2020, principalmente a soja e o milho, deverão aumentar a demanda interna por adubos para a temporada 2020/2021”.

A gestão da Petrobras precisa assumir as responsabilidades com a população brasileira e garantir o alimento em condições acessíveis num momento tão dramático no mundo.

[Via Sindipetro Bahia]

Publicado em Sistema Petrobrás

­A qualidade da carne bovina produzida no Brasil será altamente impactada pelo fechamento da Fafen-PR. Aquele churrasquinho do final de semana e o famoso PF de bife com fritas poderão conter formol. O alerta é dos pecuaristas.

Além dos mil trabalhadores que serão demitidos com o fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen), consumidores de carne bovina em todo Brasil podem ser diretamente prejudicados com a hibernação da unidade.

A fábrica é a maior produtora de ureia pecuária do país, produto utilizado como suplemento para o gado. Com o fim da produção, os pecuaristas passarão a utilizar a ureia agrícola, o que comprometerá a qualidade da carne bovina brasileira. 

Ao contrário da ureia pecuária produzida pela Fafen-PR, a ureia agrícola possui formol em sua composição, o que pode acarretar graves danos em toda cadeia produtiva, chegando, inclusive, ao consumidor final.

O fechamento da Fafen preocupa produtores de gado e médicos veterinários, que já levaram o tema ao Congresso Nacional. O senador Wellington Fagundes (PL-MT), membro da Academia Brasileira de Medicina Veterinária, discutiu o assunto com os ministros Bento Albuquerque, de Minas e Energia, e Tereza Cristina Corrêa, de Agricultura. Saiba mais aqui

“A ureia pecuária tem a importação cara e complexa pois, pela ausência do formol, pode empedrar no transporte. A dificuldade na importação levará produtores brasileiros a usar a ureia agrícola, com formol, trazendo impactos diretos aos consumidores da carne bovina”, afirma o coordenador-geral do sindicato, Santiago da Silva Santos.

A preocupação em Brasília, no entanto, é com a indústria e o empresariado e não com a saúde dos consumidores. Para os ministros e a bancada ruralista, o desafio está no encarecimento do produto e nas possíveis sanções internacionais à exportação da carne brasileira. As tratativas políticas visam liberar novos importadores de ureia pecuária e incrementar a competitividade do mercado. Os produtores querem um ano para se adaptar e a liberação de impostos para importação.

“O fechamento da Fafen compromete a economia, a segurança alimentar e também a saúde do consumidor brasileiro. Por que importar insumos se podemos produzir aqui? Temos tecnologia, fábricas, matéria prima e mão de obra especializa”, alerta Gerson Castellano, funcionário da Fafen-PR e diretor da FUP.

Em reportagem feita pelo Estadão no acampamento montado em frente à sede da Petrobras, os petroquímicos denunciam os riscos do fechamento da fábrica para a soberania alimentar: 

[Via Sindiquímica-PR]

Publicado em Sistema Petrobrás

Por Leandro Grassmann, engenheiro eletricista e vice-presidente do Senge-PR

Não é à toa que o Paraná é conhecido como “celeiro do mundo”. O apelido é resultado do trabalho de um estado que atualmente é o segundo maior produtor de leite do país, com volume superior a 4,4 bilhões de litros produzidos em 2018. O estado também é o segundo maior produtor de grãos do Brasil. Em 2019, o Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá fechou com 20,23 milhões de toneladas de soja e milho, em grão e farelo exportados. Números que impressionam, mas não colocam limites no estado. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, “a safra paranaense de grãos de verão em 2020 terá um crescimento de 18% com relação ao ano passado e pode chegar a 23,3 milhões de toneladas”. 

Produção intensa e de qualidade como a paranaense necessita de grandes parceiros em diversas áreas. E uma delas é o mercado de fertilizantes, fundamental para proteger e fortalecer nosso campo. Segundo o estudo “Biocombustíveis líquidos e a pressão de demanda por fertilizantes nitrogenados: um papel não energético do gás natural no Brasil?”, apresentado por PC Santos na UFRJ em 2016, o Brasil é o 4o maior consumidor mundial de fertilizantes. Além disso, o país está em décimo lugar na produção. Contudo, o “celeiro do mundo” viu a produção nacional cair de 2012 para cá e viu sua dependência de mercados externos atingir 83%. Um cenário que nos torna vulneráveis estrategicamente.

Pois é exatamente neste ano de 2017, quando o Brasil deveria estar planejando um salto em busca da soberania nacional a longo prazo, que uma decisão equivocada do governo de Michel Temer (MDB) e sob o comando do então presidente da Petrobras, Pedro Parente, nos torna mais frágeis. Em 11 de setembro de 2017, a Petrobras informou ao mercado “que iniciou a etapa de divulgação da oportunidade (Teaser), referente ao processo de desinvestimento de 100% de participação na Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) e na Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III)”. Processo estranho que “se conclui” agora com o fechamento da empresa conhecida como Fafen e demissão de mais de mil trabalhadores.

E não é pouca coisa que estamos abrindo mão do controle. Quando foi anunciada a privatização, segundo o próprio edital de “Oportunidade de Investimento no Setor de Fertilizantes”, a Fafen é uma empresa com “Capacidade de produção de ureia nas duas unidades (ANSA e a Fertilizantes Nitrogenados, conhecida como Fafen), representando aproximadamente 40% do consumo aparente de ureia em 2016 e posicionada para atuação de forma relevante nos mercados de ureia industrial e ARLA 32”, dentro de um mercado de agribusiness que tem sido principal pilar da economia no Brasil nos últimos 2 anos ”.

Com essa “joia”, é simplesmente assustador se estar debatendo seu fechamento e a manutenção dos empregos quando se deveria estar tratando a responsabilização de pessoas por abrir mão de setores estratégicos e fundamentais para economia brasileira e paranaense.

Mercado externo

Apenas como comparação, enquanto por aqui a “estratégia de soberania nacional” é aumentar a nossa dependência, na China, outro mercado gigante de consumo e produção de grãos, a opção tem sido investir em fertilizantes. Das 60 novas plantas no mundo, 25 estão situadas neste país. Os asiáticos estão de olho no crescimento do consumo e da superdemanda, como foi apresentado no início deste texto. Em 2020, a expectativa é de que o consumo mundial de fertilizantes bata novos recordes. Não à toa, em 2018 a Sinochem vendeu mais de 14 milhões de toneladas de fertilizantes. O aumento da produção de fertilizantes ocorre simultaneamente à maior produção de gás natural da empresa e da China. 

Voltando ao Paraná e a Fafen, de acordo com o estudo o Mercado de Fertilizantes: O papel da Petrobras, a situação brasileira e do Paraná, “o uso dos fertilizantes também promove grande impacto nas propriedades físicas do solo Plantas que receberam nutrientes na quantidade adequada apresentam maior crescimento e um sistema radicular mais vigoroso, promovendo uma maior agregação das partículas do solo”. Resta saber se é interessante aos nossos agricultores e ao governo do estado entregar essa tecnologia em troca de alguns dólares.

É importante destacar, no mesmo estudo, que a “Fafen PR representa 38% da produção de ureia no Brasil. O  Paraná é o quarto maior demandante de fertilizantes no Brasil, respondendo por 11,9% do consumo de fertilizantes atrás de MT, SP e RS. Em 2017, a capacidade de produção da Fafen PR foi superior a 700 mil toneladas em um cenário em que aa produção nacional de ureia foi de 836 mil toneladas. Nela ainda foram produzidos  475 mil toneladas/ano de amônia, além de produzir o Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla 32), sendo a maior planta do mundo. A Fafen ainda tem como subprodutos enxofre, pellets de carbono e excedente de CO2.

Arrecadação

Não bastasse tudo isso, é preciso olhar para a questão fiscal. Segundo informações do governo do Paraná, os ativos da Petrobras representam 11,26% do ICMS do estado. O valor pago em impostos subiu de R$ 2,4 bilhões em 2017, quando representam 4,36% de todas as receitas tributárias do estado, para R$ 3,36 bilhões, de acordo com o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Como as importações de nitrogenados são isentos de ICMS, a hibernação da Fafen/PR terá como resultado uma redução de participação da Petrobras no estado.

O fechamento da Fafen traz um grande impacto social. O município de Araucária deixará de receber R$ 75 milhões em impostos apenas relacionados a demissão de mil funcionários. É importante destacar que cada emprego direto, criado pela Petrobras ou suas empresas, particularmente no refino, acabam por gerar até vinte vagas em outros setores. Isso nas condições atuais de mercado, sendo a companhia a promotora de desenvolvimento regional e nacional. 

Por tudo isso, é um equívoco por completo a venda da Fafen. Em uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná, engenheiros e especialistas apontaram para esse erro que pode deixar o estado vulnerável. Para Patrícia Laier, Conselheira da AEPET e Diretora do Sindipetro-RJ, “a venda destes ativos estratégicos conforme exposto nos próprios teasers da Petrobras poderá acarretar prejuízo para o Estado e a União, recomendando-se a cessação de tais desinvestimentos que se realizados significam a transferência das receitas para multinacionais estrangeiras privadas ou estatais”.

Neste sentido, de um estado inovador, como o Paraná se apresenta ao país e ao mundo, se espera que as autoridades tenham capacidade de promover avanços tecnológicos, inovação, concorrência com o mercado externo e não serem tão pacatos diante de qualquer ameaça que possa retirar empregos e recursos das famílias paranaenses.

[Via Senge-PR]

Publicado em Petróleo

Petroquímicos e petroleiros do Paraná ocupam desde a manhã de terça-feira, 21/01, a entrada da Araucária Nitrogenados (ANSA) para impedir que os gestores coloquem a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-PR) em hibernação, o que significará a desativação da unidade e a demissão arbitrária de cerca de 1.000 trabalhadores.

A Fafen-PR integra o Sistema Petrobras, cuja gestão anunciou o fechamento da planta e comunicou a demissão sumária dos trabalhadores, que souberam da notícia pela imprensa. Esse fato, além de demonstrar a crueldade dos gestores, contraria o Acordo Coletivo de Trabalho dos petroquímicos, cuja cláusula 26 assegura que "a companhia não promoverá despedida coletiva ou plúrima, motivada ou imotivada, nem rotatividade de pessoal (turnover), sem prévia discussão com o Sindicato". 

Desde o ano passado, quando Roberto Castello Branco assumiu o comando da Petrobrás, defendendo a privatização total da empresa, sua gestão vem promovendo o maior desmonte da história do setor petróleo no mundo. As outras duas fábricas de fertilizantes nitrogenados (Fafen-BA e Fafen-SE) foram hibernadas e seus trabalhadores estão sendo deligados, via PDVs, ou transferidos sumariamente para outras unidades.

Aos trabalhadores da Fafen-PR, que é também 100% controlada pela Petrobrás, não foi dada sequer essa chance. A gestão da fábrica informou que serão todos demitidos 30 dias após a hibernação da unidade, com prazo até 90 dias para serem desligados da empresa.

Na BR Distribuidora, que já foi privatizada, os trabalhadores também foram sumariamente demitidos e os que ficaram sofrem assédio e pressão para se desligarem da empresa, com redução de salários e de benefícios. 

O mesmo acontecerá com os petroleiros das oito refinarias, dutos e terminais que estão em processo acelerado de venda pela gestão Castello Branco.

Para barrar as demissões em massa e os ataques que a direção da Petrobrás vem fazendo contra o Acordo Coletivo de Trabalho, os petroleiros estão aprovando o indicativo da FUP de greve nacional por tempo indeterminado, a partir de primeiro de fevereiro. As assembleias prosseguem até o dia  28. 

Em vídeo na porta da Fafen-PR, o diretor da FUP, Gerson Castellano, um dos mil trabalhadores da fábrica que estão sendo demitidos, explica a importância da resistência da categoria: 

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[FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

A Petrobras anunciou nesta terça-feira (26) o encerramento das negociações, sem acordo, para vender 100% de sua participação acionária na Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa/Fafen-PR) e na Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III).

Há algum tempo a empresa afirmou que pretende abandonar os negócios de fertilizantes, posição estratégica para o Brasil, e focar na exploração do pré-sal.

Até o final de 2018, o Brasil tinha três unidades de produção de amônia/ureia no país. As Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) da Petrobrás, operavam na Bahia, no Sergipe e no Paraná. E ainda existe uma unidade semiconcluída no Mato Grosso do Sul, que está parada desde que o governo Temer começou a aplicar seu projeto de desinvestimento (levado a cabo com mais voracidade pelo governo Bolsonaro).

O posicionamento da Petrobras de sair dos negócios de fertilizantes e nitrogenados, tendo em vista apenas questões momentâneas do mercado e sem considerar qualquer estratégia de desenvolvimento de médio e longo prazo, fez com que as unidades do nordeste brasileiro (BA e SE) fossem “hibernadas” (cessaram a produção e as mantiveram com controle operacional mínimo).

Com o fracasso das negociações anunciado hoje, a unidade do Paraná, a única que ainda opera no Brasil, corre o risco de também ser hibernada, o que poderia acarretar em centenas de demissões e aumentar a dependência do país em relação ao mercado externo.

“O Brasil que hoje tem apenas uma fábrica de fertilizantes nitrogenados em operação, a Ansa/Fafen-PR, caso resolva seguir o caminho absurdo de hibernação ou fechamento da unidade, ficará 100% dependente de importações de um insumo que tem tecnologia, unidades e mão de obra aptas a produzir”, afirmou Santiago da Silva Santos, diretor do Sindiquímica-PR.

Logo, caso a Ansa/Fafen-PR seja hibernada – ou mesmo encerre as atividades, o que é um risco real –, mais uma vez o Brasil abrirá mão de sua autonomia econômica e estratégica.

Além disso, o país será dependente do mercado externo de Arla 32, reagente químico obrigatório usado para reduzir a poluição ambiental produzida por veículos automotores pesados. A Ansa/Fafen-PR é a maior produtora nacional. Sem ela, o mercado de combustíveis ficaria desabastecido, gerando-se perigo iminente para a população com o aumento da poluição ambiental.

Sabendo dos riscos, petroquímicos estão mobilizados desde ontem (25) exigindo a continuidade das operações.

“Abrir mão de suas unidades, tecnologias e mão de obra para ficarmos dependentes apenas de importações, será um erro estratégico que muito custará para nossa sociedade. Desde nosso feijão que ficará mais escasso e caro, até o agronegócio que ficará mais ainda refém de insumos fundamentais para a sua produtividade”, analisa Santiago.

Em 2018, o Brasil importou 24,96 milhões de toneladas de fertilizante. A Ureia foi o nitrogenado mais importado no ano passado, com 62% do volume total, equivalente a 5,4 milhões de toneladas. O Sulfato de Amônio (SA) ficou em segundo lugar, com 26% do volume, 2,3 milhões de toneladas. Quando ainda tinha em operação as três unidades (Bahia, Sergipe e Paraná), o Brasil importava 76% da ureia consumida no país.

Em vez de ampliar os investimentos para que o Brasil seja autossustentável, o governo Bolsonaro dá um passo atrás e quer colocar o Brasil cada vez mais dependente do mercado externo. “Brasil acima” do que mesmo?

[Via Sindiquímica-PR]

Publicado em Sistema Petrobrás
Domingo, 24 Novembro 2019 12:00

A Petrobrás é do Brasil. A Petrobrás é sua

Em carta aberta à população, divulgada neste domingo, véspera do início das mobilizações dos petroleiros por empregos e segurança no Sistema Petrobrás, a FUP e seus sindicatos denunciam o desmonte da estatal e convocam os brasileiros e brasileiras a defenderem a maior empresa do país.

O texto foi publicado no caderno principal do jornal Folha de São Paulo (veja abaixo)

Leia a íntegra:

A Petrobrás é do Brasil. A Petrobrás é sua

Os brasileiros sabem da importância da Petrobrás e têm orgulho do crescimento e do desenvolvimento social e econômico que a empresa traz para o País. São pessoas que reconhecem a presença da Petrobrás no seu dia-a-dia. O petróleo da Petrobrás está no transporte de carros e ônibus. Está nos caminhões que cruzam o Brasil, levando as mais diversas cargas, dos remédios aos alimentos; do eletrodoméstico às matérias-primas. Está presente também nos fertilizantes usados para produzir a comida que vai para a mesa, roupas que usamos, peças de eletrônicos, celulares e computadores.

Contudo, sem dar ouvidos à opinião pública, a atual gestão da Petrobrás vem implementando um processo gradual de enfraquecimento da companhia. Um importante sinal disso é o brutal corte de trabalhadores, o que contribui para as altas taxas de desemprego do Brasil. Em cinco anos, um em cada quatro trabalhadores da Petrobrás foi desligado da empresa. Entre os terceirizados foram dois em três. São mais de 270 mil pessoas que perderam seu trabalho. Considerando suas famílias, podemos falar em mais de 1 milhão de pessoas atingidas.

Esse imenso corte de trabalhadores coloca em risco toda a sociedade, por aumentar também as chances de graves acidentes. Os brasileiros ainda não se esqueceram da P-36, então a maior plataforma do mundo, afundando no mar com 11 mortos. E os vazamentos de petróleo e combustíveis que já ocorreram no País não foram piores justamente porque a Petrobrás desenvolveu experiência, investiu em pessoas e capacitou recursos humanos para responder a incidentes com a devida rapidez.

A Petrobrás ainda vem sendo atacada em outras frentes. Na redução da atividade de refino, diminuindo a produção de gasolina e diesel no Brasil e aumentando a importação desses combustíveis, a preços mais altos. Na venda do controle da BR Distribuidora, a maior distribuidora de combustíveis do País. Na venda de outros ativos, como campos de petróleo, termelétricas, fábricas de biodiesel e fertilizantes, transportadoras e distribuidoras de gás. Sem falar nos planos de vender oito das suas 15 refinarias.

Nós, petroleiros e petroleiras, estamos mobilizados para mostrar o desmonte hoje em curso na Petrobrás e destacar essa agenda, que é da maioria da sociedade brasileira.

A Petrobrás é sua.

A Petrobrás é nossa.

A Petrobrás é do Brasil.

FUP - Federação Única dos Petroleiros


Contatos para a imprensa:

José Maria Rangel - (22) 98123-1875

Deyvid Bacelar - (71) 99977-8405


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Desde quinta-feira, 18, dois navios cargueiros iranianos estão retidos no Porto de Paranaguá (PR), impedidos de seguir viagem devido à recusa da Petrobrás em abastecer as embarcações, que trouxeram ureia do Irã e retornariam ao país levando milho nacional. O motivo alegado é a ameaça do governo norte-americano de retaliar as nações e empresas que comercializarem com o Irã.

O embargo econômico foi imposto pelos EUA unilateralmente. Não há sanções do Conselho de Segurança da ONU contra o Irã. O problema deve agravar-se nos próximos dias, já que outros dois navios iranianos trazendo ureia estão se aproximando do Porto de Imbituba, em Santa Catarina.

Trump é meu amigo. Mexeu com ele, mexeu comigo

No domingo, 21, Bolsonaro reafirmou que o Brasil está alinhado com a política dos Estados Unidos. “Fazemos o que tem de fazer... Eu, particularmente, estou me aproximando, cada vez mais, do Trump”, declarou.

Ao impor ao Brasil a agenda autoritária do presidente norte-americano, Bolsonaro, que tanto prega a não ideologização do Estado, viola a soberania nacional e ainda impõe prejuízos bilionários aos exportadores brasileiros.

No ano passado, o Brasil exportou US$ 2,2 bilhões para o Irã, a maioria produtos agropecuários, como milho, soja e carne bovina. Só nos seis primeiros meses de 2019, essas exportações cresceram 22% e representaram US$ 1,3 bilhão na nossa balança comercial.

Saída da Petrobrás do setor de fertilizantes deixou o Brasil refém das importações

Além da vergonhosa submissão ao governo Trump, o boicote ao Irã traz à tona outro fato também relacionado à soberania nacional: o aumento da dependência das importações de ureia e de outros nitrogenados, em função do desmonte e privatização do setor de fertilizantes da Petrobrás.

Os navios iranianos estão trazendo cerca de 600 mil toneladas de ureia importadas pelo agronegócio. O produto é um insumo nitrogenado utilizado em fertilizantes agrícolas e em suplementos minerais para o gado. Segundo dados da Globalfert, importamos no ano passado 8,7 milhões de toneladas de fertilizantes nitrogenados, dos quais, 5,4 milhões foram ureia.  

O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo e, com o desmonte da Petrobrás, tornou-se ainda mais dependente das importações, o que compromete a soberania alimentar. O país importa mais de 75% dos insumos nitrogenados, na direção contrária de outras grandes nações agrícolas, cujos mercados de fertilizantes estão em expansão.

“Com a Petrobrás saindo do setor de fertilizantes nitrogenados, e ainda se sujeitando aos movimentos políticos dos EUA, o Brasil corre o risco de desabastecimento de fertilizantes. E isso tem impacto direto na alimentação. A Ureia é utilizada na pecuária, na produção de cana, feijão e batata, que são alimentos básicos do povo”, alerta o diretor da FUP, Gerson Castellano, funcionário da Araucária Nitrogenados (PR), uma das fábricas de fertilizantes da Petrobrás que está sendo vendida.

Os governos Lula e Dilma trabalharam para reduzir a dependência externa a menos de 10%, através da implementação do Plano Nacional de Fertilizantes e da ampliação da participação da Petrobrás no setor.  As últimas gestões da empresa, no entanto, abortaram os projetos de novas fábricas, como a Fafen Uberaba e a Fafen Mato Grosso do Sul, que chegou a ter 85% das obras concluídas, mas está sendo vendida, junto com a fábrica de Araucária. As outras duas unidades de fertilizantes da Petrobrás - Fafen Bahia e Fafen Sergipe - estão praticamente paradas, em processo de hibernação.

[FUP]

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Centenas de trabalhadores diretos e terceirizados da Petrobrás e do Polo de Camaçari realizaram nessa segunda-feira, 01/04, mais um ato contra o fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (FAFEN-BA).

O objetivo da manifestação, que durou aproximadamente quatro horas, foi mostrar a importância da FAFEN para toda a cadeia produtiva do Polo de Camaçari, para a agricultura, os munícipios vizinhos e o estado da Bahia e até para os pacientes que necessitam da hemodiálise.

A decisão da atual gestão da Petrobrás de fechar a fábrica está gerando protestos, não apenas dos trabalhadores – prejudicados diretos – mas também de empresários, parlamentares e gestores dos municípios e estado da Bahia.

O Sindipetro Bahia, assim como sindicatos patronais estão travando uma guerra na justiça contra o fechamento da fábrica. Na sexta-feira, 29/03, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região proferiu nova decisão relativa ao fechamento da FAFEN-BA. 

O diretor do Sindipetro, Jailton Andrade, explica que nessa nova decisão o desembargador Jirair Aram Meguerian restabeleceu a medida liminar concedida pela 13a Vara Federal que impede o fechamento da fábrica. “O desembargador considerou que, quando proferiu a segunda decisão, permitindo a hibernação, não tinha conhecimento da Recomendac?a?o no 001/2019-MA, expedida pelo Ministe?rio Pu?blico do Estado da Bahia, que considera que a FAFEN-BA não apresentou plano de encerramento de atividades determinado pela Lei Estadual n. 10.431/2006 e que transferências de amônia por carretas passando por quatro estados diariamente e por tempo indeterminado causa risco para a sociedade.

Na prática, a decisão obriga a Petrobrás a reiniciar a produção das plantas da FAFEN-BA, que já havia sido paralisada, enquanto não houver nova decisão e suspender o processo do MOBILIZA (que visa à transferência de funcionários para outras unidades da empresa). O gerente de produção da FAFEN já determinou a suspensão dos treinamentos nos novos postos de trabalho pós-fechamento.

O ato, coordenado pelo Sindipetro Bahia, contou com a participação e o apoio da CUT Bahia e de diversos sindicatos, a exemplo, do Sindiquímica, Sindticcc, Sindlimp, Sindiborracha, Sindfretur, Sitercoba, Sindmetropolitano, Sispec e Sitcan.

Estiveram presente também o presidente da CUT Bahia, Cedro Silva, deputado estadual, Rosemberg Pinto (petroleiro e aposentado da FAFEN), os deputados federais, Nelson Pellegrino e Joseildo Ramos, os ex deputados Caetano e Bira Coroa e o vereador Tiago de Zezo (PT  de Mata de São João). Além dos vereadores de Camaçari, Dentinho do Sindicato (PT), Jamelão (DEM), Marcelino (PT) e Teo Ribeiro (PT).   

Angústia e insegurança

Trabalhadores diretos e terceirizados da FAFEN, que participaram do ato, externaram sentimentos de angústia e incerteza com o que está acontecendo. Roberto Santana, 47 anos de idade, 2 filhos, que trabalha na FAFEN há 12 anos, disse que a sua vida está de “pernas para o ar”. É muita insegurança, diz ele. “Não sei para onde vou ser transferido, e se o novo local de trabalho continuará fazendo parte da Petrobrás. Além disso, minha esposa é funcionária pública do estado. O que fazer? Separar a família? Questiona.

Já Ederlei Souza, 34 anos de idade e 10 de FAFEN, lamenta que “o capital esteja definindo a vida e o destino das pessoas. A prioridade da empresa é o acionista. A Petrobrás está agindo como se fosse uma empresa privada. Só visa o lucro e deixa de lado o seu papel social, que é obrigação de uma empresa estatal”.

Jadson Santos, 12 anos de empresa e 35 anos de idade, explica que “é a Petrobrás que  fornece matéria prima para o funcionamento da FAFEN e ela própria resolveu aumentar o preço do gás natural que vende para a FAFEN, o que provocou o prejuízo financeiro apresentado pela empresa. Portanto, foi caso pensado para sair do negócio. A Petrobrás é detentora da produção de ureia e amônia  do país  e  não pode sair dessa forma deixando o agronegócio – responsável por mais de 20% do PIB nacional - nas mãos do mercado internacional”, lamenta Jadson, afirmando que os trabalhadores estão indignados com essa situação.

Para o trabalhador terceirizado, André Luiz, que trabalha na Kempetro e presta serviços à FAFEN  há 18 anos, “é uma grande tristeza para nós o que está acontecendo. Sou filho da FAFEN, meu pai trabalhou nessa empresa, o sustento da nossa família depende desse trabalho. Então, temos que lutar para que a Petrobrás volte atrás e a FAFEN não seja fechada”.

O coordenador do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, afirmou que o Sindipetro vai continuar lutando para garantir o funcionamento da fábrica e a geração de empregos. Além disso, “depender do mercado externo de fertilizantes é arriscado. Soberania na agricultura é uma questão de sobrevivência, e países com visão estratégica não abrem mão disso.”

Entenda o caso

A fábrica estava sendo mantida em funcionamento devido a decisão liminar proferida pelo Desembargador Federal do TRF da 1ª Região Jirair Aram Meguerian, no dia 28/02, mas o desembargador voltou atrás em sua decisão.

Em sua decisão anterior, o desembargador havia afirmado que “a hibernação coloca em risco a “continuidade das atividades do Polo Petroquímico de Camaçari/BA, que dependem de adequações mínimas para que insumos, como a amonia, possam continuar sendo recebidos pelas empresas.” Além disso, afirmou que “embora a agravante (Petrobras) alegue que a suspensão da hibernação da FAFEN-BA lhe causa sucessivos prejuízos, afirma em suas razões que tais prejuízos estão ocorrendo desde o ano de 2006, de modo que, por ora, não será a decisão agravada que causara dano irreparável ou de difícil reparação” Em outras palavras, entendeu que não há urgência para resolver a questão da hibernação se a FAFEN-BA vem tendo prejuízo há tanto tempo.

Trinta dias depois, o mesmo desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região reconsiderou sua decisão por entender que a Petrobras teria prejuízo de R$ 40 milhões com uma parada de manutenção prevista para começar dia 25/03.

Na última sexta-feira, 29/03, o desembargador Jirair voltou atrás mais uma vez e declarou o restabelecendo a medida liminar concedida pela 13a Vara Federal que impede o fechamento da fábrica. Desta forma, a Petrobrás fica obrigada a colocar novamente a fábrica em operação. 

Prejuízos

O fechamento da FAFEN afeta profundamente o funcionamento de muitas empresas do Polo, que utilizam os produtos da fábrica como matéria-prima: a amônia é necessária para a produção da OXITENO, ACRINOR, PROQUIGEL, IPC DO NORDESTE e PVC; já a ureia é utilizada na HERINGER, FERTIPAR, YARA, MOSAIC, CIBRAFÉRTIL, USIQUÍMICA e ADUBOS ARAGUAIA; o gás carbônico na CARBONOR, IPC e WHITE MARTINS.

Tais empresas, para continuar trabalhando na região, terão de recorrer às importações para substituir os insumos fornecidos pela FAFEN-BA, o que pode ampliar custos e criar dificuldades logísticas.

Além das empresas citadas, o encerramento das atividades da FAFEN-BA provocará um desequilíbrio na produção da térmica Rômulo Almeida, que foi projetada para atender à demanda de energia elétrica para a FAFEN-BA, podendo inviabilizar seu funcionamento.

No caso da Carbonor, o impacto do fechamento é ainda maior, podendo afetar milhares de pacientes com problemas renais e que necessitam da hemodiálise para sobreviver, pois a empresa é a única detentora de tecnologia de produção de bicarbonato de sódio para uso farmacêutico e, em especial, para hemodiálise no Brasil, atendendo também a outros países na América do Sul.

Carne e leite

A FAFEN é a única fabricante no Brasil da Ureia Pecuária, que é um suplemento alimentar para o gado isento de aditivos químicos como o formol.
Com a falta do produto e pelas dificuldades de importação, será usado no alimento do gado a Ureia, fertilizante que contém o formol que é cancerígeno contaminando a carne, o leite e derivados que consumimos.

Além disso, por sermos o maior país exportador de carne do mundo, outros países estarão também correndo risco de seus habitantes adquirirem câncer através do consumo de nossa carne.

Os insumos fabricados são utilizados na indústria de alimentos, produção de cosméticos, indústria farmacêutica, produtos de limpeza, alimentação de animais, fabricação de resinas sintéticas, plásticos, dentre outros.

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[Via Sindipetro Bahia]

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Contra o fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), os petroleiros e petroleiras realizarão um ato nesta segunda-feira (1º), a partir das 7h, na rua Eteno, 2198, no Polo Petroquímico de Camaçari.

O diretor da FUP e do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA), Deyvid Bacelar, acredita que a mobilização será maior do que a ocorrida no final de janeiro, quando 2 mil trabalhadores e trabalhadoras denunciaram os impactos que a decisão da Petrobras poderia causar.

Segundo Deyvid, além da demissão direta de 750 petroleiros, os trabalhadores e trabalhadoras de outras empresas do Polo Petroquímico também correm o risco de perder o emprego. “A Fafen tem um papel central para o funcionamento do Polo de Camaçari, pois é responsável por fornecer insumos para as diversas empresas que compõem a cadeia produtiva da região”.

É o caso da empresa Carbonor S.A, situada no Polo Petroquímico de Camaçari e única detentora de tecnologia de produção de bicarbonato de sódio para uso farmacêutico, em especial para hemodiálise.

De acordo com a Carbonor, para tornar viável a utilização de CO2 gasoso é necessária uma fonte próxima à unidade processadora. Por essa razão, as duas empresas - Fafen e Carbonor - estão localizadas no mesmo complexo industrial. A Carbonor utiliza dióxido de carbono (CO2) na forma gasosa recebido por tubo via da unidade da Fafen-BA.

Além da Carbonor, outras empresas, como Oxiteno, Acrinor, Proquigel, IPC do Nordeste, PVC, e White Martins, também podem ser prejudicadas com a decisão.

Por isso, segundo Deyvid, além dos petroleiros, diversos sindicatos que representam os trabalhadores e trabalhadoras de outras empresas do Polo Petroquímico também estão mobilizados contra o fechamento da Fafen.

“Até mesmo os sindicatos patronais, que representam as empresas, estão dialogado e trabalhando contra o fechamento. Muitos deputados, vereadores, a prefeitura e o governo do Estado também estão negociando e tentando evitar essa tragédia”. 

A Fafen

Fundada em 1971, a Fafen-BA se estabeleceu como responsável por produzir diversos produtos, entre eles a amônia, que é um derivado do gás natural, empregado na produção de outros bens como uréia, sulfato de amônio e nitrato de amônio que são fertilizantes nitrogenados.

Os insumos fabricados são utilizados na indústria de alimentos, produção de cosméticos, indústria farmacêutica, produtos de limpeza, alimentação de animais, fabricação de resinas sintéticas, plásticos, entre outros.

Se for fechada, a Petrobras deixará de ter o controle de uma produção de 3.100 toneladas por dia de fertilizantes, que passará para as mãos de empresas privadas. Também serão arrendados os terminais marítimos no Porto de Aratu (BA), com capacidade de armazenagem e carregamento de 50 mil toneladas dos produtos.

Os números representam 30% de toda a produção brasileira. O país é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo e, hoje, importa mais de 75% do que utiliza.

“A saída da Petrobras do segmento de fertilizantes, além de comprometer a soberania alimentar, coloca o país na contramão de grandes nações agrícolas, cujos mercados de fertilizantes estão em expansão”, alerta o coordenador-geral do Sindipetro-BA.

“Além disso, deixará o Brasil refém da oscilação de preços no mercado internacional, o que pode encarecer o preço de diversos produtos”, conclui Deyvid.

[Via CUT]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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