O novo vídeo da campanha #PetrobrásFicanoCeará, produzido pelo Sindipetro CE/PI em parceria com a Nigéria Filmes, revela as dificuldades que as famílias do Bairro Granja Lisboa, na periferia de Fortaleza, sofrem para conseguir se alimentar, devido à disparada do preço do gás de cozinha e dos alimentos.

O valor absurdo do botijão de 13 kg já ultrapassa os R$ 110,00 nas regiões Norte e Nordeste, com o novo reajuste de 5,9% anunciado nesta segunda-feia, 14, pela Petrobras. Este é o quinto aumento do ano e o primeiro sob a gestão do general Silva e Luna. Em janeiro a diretoria da empresa já havia reajustado em 6% o preço do gás. Já em fevereiro, a alta foi de 5,51%. Em março, o preço subiu R$ 0,15 e em abril sofreu mais um aumento de 5%.

Desde 2016, a FUP e seus sindicatos lutam contra a política de reajuste dos derivados adotada pela Petrobrás no rastro do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, que é baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI). Essa política fez disparar os preços dos combustíveis e tem um efeito cascata no aumento de preços em outros setores da economia, como os de alimentos e transportes.

Para enfrentar a carestia causada pela disparada dos preços do botijão de gás em plena pandemia da Covid-19, as famílias estão sendo obrigada a cozinhar com lenha, álcool e carvão. "O aumento do preço do gás é uma decisão exclusivamente política e econômica do Ministério da Economia do governo Bolsonaro. A privatização da estatal aumentará ainda mais o preço dos combustíveis", afirma a direção do Sindipetro.

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[Com informações da imprensa do Sindipetro-CE/PI]

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Em mais uma ação solidária, petroleiros do Paraná e Santa Catarina participam de mobilização conjunta que acontece sábado (12/6), nas vilas Pantanal e Chacrinha, no Alto Boqueirão, periferia de Curitiba

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

Na manhã deste sábado (12), a ação conjunta de várias entidades vai levar 500 cestas de alimentos e 100 cargas de gás a famílias em situação de vulnerabilidade social das vilas Pantanal e Chacrinha, no Alto Boqueirão, em Curitiba. Batizada de “União Solidária”, a iniciativa vem sendo realizada desde junho de 2020 em ajuda humanitária a quem enfrenta a fome e o desemprego neste período de pandemia. 

A maioria das famílias das comunidades enfrenta dificuldade para garantir comida na mesa. Somado a isso, parte das moradias ainda sofre com a falta de energia elétrica. A Unidade de Saúde local também está desativada há meses, o que dificulta o acesso a atendimento neste período de crise sanitária. 

Ao longo de toda a ação serão cumpridos os protocolos de prevenção da Covid-19. As doações serão entregues a famílias cadastradas com antecedência por organizações das próprias comunidades. Para evitar aglomerações, a entrega dos alimentos será com distribuição de senhas, horários pré-estabelecidos e organização de distanciamento nas filas. O uso de máscara e de álcool em gel também estão sendo recomendados às pessoas que irão receber os itens. 

A maior parte dos alimentos doados são adquiridos diretamente com cooperativas da Reforma Agrária do Paraná, vindos de áreas de assentamentos e acampamentos do MST. Cerca de 3 toneladas de alimentos também serão doadas por famílias acampadas e assentadas em comunidades do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Castro, Teixeira Soares e Lapa. 

As cargas de gás de cozinha vêm de doações dos trabalhadores da Petrobrás, que defendem a redução dos preços deste item essencial à sociedade, com o fim da política de valores atrelada ao dólar e à variação do barril do petróleo no mercado internacional, chamada de PPI (Preço de Paridade de Importação). O país possui reservas de petróleo e refinarias, o que possibilita a prática de preços baseada na produção nacional. 

Horta comunitária

Junto com a entrega das doações, também será realizado um mutirão para a criação de uma horta comunitária na vila Chacrinha, com 1700 metros quadrados e pelo menos 50 canteiros de verduras e legumes, além do plantio de 150 mudas de árvores nas duas comunidades e revitalização da praça do Pantanal. 

O preparo dos plantios têm orientação técnica de integrantes da Escola Latino Americana de Agroecologia (ELAA), e máquinas da Cooperativa Terra Livre, ambas localizadas no assentamento Contestado, da Lapa. O objetivo é que a horta complemente a alimentação das famílias da comunidade. 

A ação é realizada MST; o Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro-PR/SC); Comissão da Dimensão Social da Arquidiocese de Curitiba; Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR); Produtos da Terra; Coletivo Marmitas da Terra; APP-Sindicato Estadual, e Núcleos Curitiba Norte e Sul; e Partido dos Trabalhadores do Paraná (PT-PR). 

Iniciativas da “União Solidária” começaram em junho de 2020, e levaram alimentos e gás a diversas comunidades de Curitiba e região metropolitana. A mais recente ocorreu na vila Sabará, no dia 1 de maio, com a partilha de 560 cestas de alimentos e 100 cargas de gás. Também houve mutirão para a criação da Agrofloresta Papa Francisco, que está sendo mantida pelo Centro de Integração Social Divina Misericórdia (CISDIMI). 

Pandemia, desemprego e fome em alta

Curitiba está em bandeira vermelha desde o dia 29 de maio, devido à nova onda de agravamento dos números da pandemia na cidade. Passados quase 10 dias, os dados mostram uma leve redução dos casos, no entanto, ainda há fila de espera por leitos de UTI. As maiores restrições de circulação, a lentidão na vacinação e a falta de auxílio emergencial para toda a população sem renda agravam a situação de desemprego e falta de alimento na mesa.

 

Em todo o país, são mais de 14,2 milhões de desempregados e 6 milhões de desalentados (que desistiram de procurar emprego) - os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Já a população que está fora da força de trabalho soma 76,3 milhões.

 

Pelo menos 19 milhões de brasileiros passam fome e 116,8 milhões de pessoas, mais da metade dos domicílios no país, enfrentam algum grau de insegurança alimentar. A pesquisa é da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), divulgada no início de abril.

 

Somado ao gesto humanitário, a “União Solidária” deste sábado também cobra o direito à vacinação imediata para toda a população, a defesa do SUS e o auxílio emergencial de R$ 600 para cada trabalhador sem renda.

Ação solidária do Sindipetro-PE/PB na Zona Oeste do Recife vem ajudando centendas de famílias, fornecendo botijões de gás para o preparo das refeições que alimentam a população em situação de risco

[Da imprensa do Sindipetro-PE/PB |Fotos: Sindipetro e Paloma Luna\MTST]

Na quinta-feira (20), a direção do Sindicato dos Petroleiros de Pernambuco e Paraíba participou da inauguração da Cozinha Solidária do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), no terreno localizado na Vila Santa Luzia, no bairro da Torre (Zona Oeste do Recife). A unidade é a 9ª e mais recente montada pelo MTST, que pretende instalar 26 iniciativas do gênero em todo o Brasil (ainda no primeiro semestre deste ano), com a meta de produzir e distribuir 32 mil refeições por mês. Na capital pernambucana, o Sindipetro será uma das organizações a apoiar o projeto e irá fornecer mensalmente 15 botijões de gás de cozinha para auxiliar no preparo dos alimentos.

A ocupação foi instalada no antigo Núcleo de Triagem de Recicláveis (pertencente à Prefeitura do Recife) e ocorreu na noite da última segunda-feira (17), com o objetivo de construir uma cozinha solidária para o combate à fome de forma gratuita. O terreno em questão estava abandonado há mais de dez anos, deixando de cumprir qualquer função social – ferindo o artigo 182 da Constituição Federal de 1988 e as atribuições de uso do espaço urbano preconizadas pela Lei Municipal Nº 18.770/2020 que institui o novo plano diretor da cidade do Recife.

Esta foi a primeira Cozinha Solidária montada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto no estado de Pernambuco. Em operação desde a terça-feira (18), a Cozinha Solidária distribuiu, nos três primeiros dias, mais de 600 refeições, sendo elas almoço e jantar, segundo informações da assessoria de comunicação do movimento. Ao todo, 60 pessoas têm atuado no local, em parceria com o Coletivo Pão e Tinta, Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal do Recife (SINTRACI), Federação Única dos Petroleiros (FUP), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (FETAPE), além das ONGs FASE e CEPAS.

Tal iniciativa ocorre em um momento crucial para a população brasileira, quando seis em cada 10 famílias enfrentam algum grau de insegurança alimentar, que é a falta de disponibilidade e/ou acesso aos alimentos. Segundo estudo Coordenado pelo Grupo de Pesquisa Food For Justice (Alimento para Justiça) – da Universidade Livre de Berlim, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de Brasília (UnB) – 59,4% dos domicílios do país apresentaram algum grau de insegurança alimentar entre os meses de agosto e dezembro de 2020. Em dados mais gerais, este número corresponde a aproximadamente 125,9 milhões de pessoas. Dentro deste grupo, 44% reduziram significativamente o consumo de carne e 41% de frutas.

De acordo com Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), nos últimos meses de 2020, mais de 19 milhões de brasileiros e brasileiras já enfrentavam a fome.

Como indica o estudo do Food For Justice, entre as regiões brasileiras, é no Nordeste onde a situação é mais alarmante. Aqui, 73,1% dos domicílios registraram situação de insegurança alimentar. A região Norte aparece logo abaixo, com 67,7%, seguida pelo Centro-Oeste (54,6%), Sudeste (53,5%) e por fim, pelos estados do Sul (51,6%).

“A fome e a insegurança alimentar estão, cada vez mais, se tornando o drama de muitas famílias no Brasil, e com a pandemia ficou ainda pior”, diz Diego Liberalino, Secretário Adjunto de Comunicação do Sindipetro PEPB. “Nesse cenário a solidariedade tem sido cada vez mais necessária. A Cozinha Solidária de Santa Luzia, em Recife, assim como muitas iniciativas em todo país, tem garantido comida no prato daqueles que têm fome”.

“Além da solidariedade e do combate à fome”, continua o dirigente sindical, “o sindicato aproveita essas iniciativas para denunciar o abuso nos preços dos combustíveis, principalmente do gás de cozinha; é possível ter combustível a preço justo”, conclui.

De fato, os aumentos no valor do gás liquefeito de petróleo (GLP) em muito contribuíram para o crescimento da insegurança alimentar. Desde 2020, o produto sofreu 16 aumentos sob a gestão de Roberto Castello Branco na Petrobrás, em decorrência da política de Paridade de Preços de Importação (PPI), que atrela os combustíveis e derivados brasileiros ao mercado internacional, deixando-os à mercê das variações cambiais e do barril de petróleo (que é avaliado em dólar).

Com a desvalorização do Real e a alta nos preços dos combustíveis, os alimentos que chegam às gôndolas dos supermercados acabam também sendo impactados, uma vez que a principal modal de transporte de mercadorias e produtos agrícolas no país se dá através da malha rodoviária. Assim, as variações nos preços do Diesel acabam impactando toda a cadeia logística nacional e quem mais sente esse impacto final é a população.

“Estamos à disposição para apoiar causas como essa”, diz Rogério Almeida, Coordenador Geral do Sindipetro, “que visam ajudar à população mais carente neste momento crítico que a gente vive”. A fim de contribuir com os trabalhos sociais desenvolvidos pela Cozinha Solidária do MTST, o sindicato irá fornecer 15 botijões de gás por mês, o que irá possibilitar o preparo dos alimentos de maneira segura no espaço.

Com as expectativas de um novo superciclo de commodities e a taxa de câmbio sem sinais de alívio, cresce no mercado o apoio a medidas alternativas para proteger o consumidor da escalada dos preços dos combustíveis sem impactar as finanças da Petrobras.

Tanto Executivo quanto Legislativo avaliam medidas para suavizar os repasses das cotações internacionais do petróleo ao preço final dos produtos. As propostas vão desde a criação de um fundo de estabilização a alternativas tributárias.

A expectativa de uma solução que não impacte a Petrobras ajudou a impulsionar as ações da estatal nesta segunda (19), depois que o novo presidente da companhia, o general Joaquim Silva e Luna, sinalizou que a empresa continuará acompanhando as cotações internacionais.

As propostas em estudo consideram que a Petrobras já teve prejuízos bilionários quando foi usada para segurar os preços durante o governo Dilma Rousseff (PT), e que o estatuto da empresa hoje tem mecanismos para tentar impedir a repetição do problema.

Nesse período, estima-se que o prejuízo na venda de combustíveis somou entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões (cerca de R$ 80 bilhões a R$ 100 bilhões pelo câmbio da época).

O temor de novas ingerências derrubou as ações da companhia em meados de fevereiro, depois que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou a substituição de Roberto Castello Branco por Silva e Luna em meio a críticas pela escalada dos preços cobrados pela estatal.

O principal foco do governo hoje é viabilizar um fundo de estabilização com receita do petróleo, que poderia bancar parte da alta das cotações internacionais e seria reposto em caso de queda acentuada no mercado internacional.

A ideia inicial era usar os próprios royalties do petróleo como fonte de recursos para este fundo. Nas últimas semanas, o governo começou a estudar também a possibilidade de usar recursos de leilões de petróleo para garantir o colchão necessário para bancar as variações positivas.

Até 2002, as volatilidades internacionais eram suavizadas por um mecanismo semelhante, chamado PPE (Parcela de Preço Específica), que podia estar negativa em tempos de petróleo alto e positiva em tempos de petróleo barato.

Com a abertura do mercado de combustíveis, ela foi substituída em 2002 pela Cide, cujo valor também poderia variar de acordo com as cotações internacionais.

A Cide ainda existe: hoje a alíquota incidente sobre a gasolina é de R$ 0,10 por litro e a do diesel foi zerada como resposta à greve dos caminhoneiros de 2018. Mas a função de estabilizar preços, com a alíquota variando para baixo ou para cima, nunca foi usada.

Autor de uma proposta de retomada da função original da Cide, o deputado federal Christino Áureo (PP-RJ) sugere o estabelecimento de bandas de variação dos preços. Caso o petróleo suba dentro dessa banda, o imposto é diminuído para reduzir o repasse pelas refinarias.

Em caso de queda, o imposto é elevado para recuperar a arrecadação perdida, mecanismo semelhante à proposta do fundo.

Caso as variações sejam maiores do que a banda, o consumidor passa a pagar a conta. "É mecanismo de atenuação, não de solução a qualquer preço. Mas é muito mais conforável que o ambiente de selvageria que temos hoje", defende.

O mercado de combustíveis, que já foi mais avesso a esse tipo de solução, começa hoje a ver com bons olhos. "A gente deveria encontrar algum mecanismo que não interfira na Petrobras", afirmou, em entrevista em março, o presidente da Cosan, Luis Henrique Guimarães.

"O que se espera de um bom governo é um equilíbrio", escreveu também em março o economista Franco Montoro. "Não é possível penalizar a Petrobras, como foi feito no governo Dilma Rousseff (PT), mas o governante tem a obrigação de proteger e defender o consumidor brasileiro."

Coordenador técnico do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o economista Rodrigo Leão também é partidário de mecanismos de estabilização, mas defende a criação de um imposto sobre a exportação de petróleo para financiar um eventual fundo.

A nova diretoria da Petrobras, sem mulheres
A nova diretoria da Petrobras, sem mulheres

Outra medida defendida pelo setor de combustíveis é a mudança na legislação do ICMS, passando de um percentual sobre o preço final para um valor fixo em reais. Hoje, o imposto estadual tem efeito retroalimentador dos preços: se a gasolina sobe nas bombas, o valor em reais do imposto sobe também, empurrando a gasolina para nova alta.

O professor do Instituto de Economia da UFRJ, Edmar Almeida, defende o debate sobre a carga tributária para "corrigir distorções" como a retroalimentação da alta pelo ICMS, mas avalia que a discussão sobre preços só ocorre por que não há competição no mercado.

"Só discutimos a Petrobras porque ela é monopolista e todo o mundo sabe que ela pode baixar os preços", diz, frisando que soluções artificiais de preços têm impactos em outros setores da economia, como a indústria de etanol, que viveu quebradeira generalizada durante os anos de controle de preços da gasolina.

"O cardápio de experimentos nessa linha já se esgotou. Já se tentou de tudo, preço abaixo, preço acima, preço diário, e nada deu certo."

Petroleiros subsidiam venda de combustível em protesto à política de preços e à venda de refinarias
Petroleiros subsidiam venda de combustível em protesto à política de preços e à venda de refinarias

Via Folha de São Paulo

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Ação será realizada, simultaneamente, às 14 horas dessa quinta-feira (29), em 11 cidades do Brasil, em bairros periféricos.

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Em mais uma ação para ajudar a amenizar os impactos do desemprego, da pandemia do novo coronavírus e dos preços abusivos do gás de cozinha no dia a dia das famílias em situação de vulnerabilidade social, a Central de Movimentos Populares (CMP) e os Sindicatos dos Petroleiros filiados a Federação Única dos Petroleiros (FUP) vão promover uma ação solidária, nesta quinta-feira (29), com a venda de botijão de gás de cozinha a preço justo, por cerca de R$ 40.

Em várias regiões do país, valor do botijão chega a R$ 120 - 12% do salário mínimo. Alta dos preços penaliza famílias brasileiras, que recorrem a opções que costumam causar acidentes, como carvão, álcool e lenha.

A ação solidária tem também o objetivo de denunciar a privatização da Petrobrás, fortalecer a luta por vacina já para toda a população, pela volta do auxílio emergencial no valor de 600 reais e pelo 'Fora, Bolsonaro'.

E será realizada, simultaneamente, às 14 horas dessa quinta-feira (29), em bairros periféricos de 11 cidades do Brasil: São Paulo-SP, Brasília-DF, Manaus- AM, Fortaleza-CE, Salvador-BA, Belém-PA, Rio de Janeiro-RJ, Palmas-TO, Porto Velho-RO, Ipatinga-MG e Jaboatão dos Guararapes, PE. Além da venda de botijão de gás a preço justo, serão distribuídas cestas básicas, verduras, legumes, máscaras de proteção e kits de higiene e limpeza.

A ação conjunta da CMP e FUP acontece em um momento em que o país se aproxima dos 400 mil mortos por complicações causadas pela Covid-19, já tem mais de 14 milhões de contaminados, 14,3 milhões de desempregados e um cenário de fome. Somado a isso, o governo de Jair Bolsonaro incentiva aglomerações, demora com a vacinação e desestimula as medidas de prevenção à doença. Bolsonaro é, inclusive, investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Covid-19) instalada nesta terça-feira (26) para apurar suas ações e omissões no combate a pandemia. 

“Bolsonaro é um genocida, tendo em vista que sabota medidas de combate à Covid-19, sendo responsável pela morte de quase 400 mil pessoas. Além disso, sua política econômica é responsável por milhões de desempregados, e a redução do auxílio emergencial joga o povo na pobreza", afirma Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP, se referindo a redução do valor do auxílio de R$ 600 para, entre R$ 150 e R$ 375, que mata a população de fome e não aquece a economia, como disse o vice-presidente da CUT, Vagner Freitas

"Já são 19 milhões passando fome. Desde o início da pandemia a CMP tem promovido diversas ações de solidariedade. Esta ação em parceria com a FUP é mais uma importante iniciativa de fortalecimento do trabalho de base e solidariedade de classe", completou Bonfim. 

Com a redução do auxílio emergencial, a alta do preço dos alimentos, a política da Petrobras de acompanhar o preço de importação, que provoca constantes aumentos de preços dos combustíveis, ficou ainda mais difícil para as famílias mais pobres comprarem o gás de cozinha e se alimentarem. 

“Em meio a pandemia, gestos como este são de extrema necessidade para amenizar um pouco o problema da fome que atinge milhares de brasileiros", diz Deyvid Bacelar, coordenador-Geral da FUP. De acordo com ele, essas ações de luta e defesa da soberania alimentar e da dignidade do nosso povo fortalecem o elo entre o movimento sindical e os movimentos populares, visando a retomada da democracia no país.

"Em 2022, precisaremos estar unidos mais uma vez para eleger Lula e, assim, retomar os projetos de uma Petrobrás a serviço do povo e da soberania nacional", completou o dirigente.

Segundo Deyvid, a FUP e seus sindicatos, desde o início da pandemia, têm realizado ações de venda de botijão de gás e combustíveis a preço justo, assim como distribuição de alimentos cestas básicas, materiais de limpeza e de proteção contra a Covid-19. 

A disparada dos preços do botijão de gás em meio à pandemia do novo coronavírus, que agravou a crise econômica e aumentou as taxas de desemprego e de informais sem renda, está levando mais famílias brasileiras a cozinhar com carvão, álcool e no fogão à lenha, correndo os riscos de acidentes que essas opções costumam causar.

Enquanto as chances de conseguir uma recolocação ou até mesmo renda de bicos fica mais distante por falta de um projeto de governo e em consequência da desastrosa polícia econômica da dupla Jair Bolsonaro (ex-PSL)/Paul Guedes, ministro da Economia, em várias capitais do país, o valor do botijão chega a R$ 120, o que equivale a 12% do salário mínimo.

Temas como as disparadas dos preços dos alimentos e do gás de cozinha estão entre as pautas do 1º de Maio da CUT, que neste momento de drama social vai defender a redução do preço do gás de cozinha no Congresso Nacional.

O 1º de maio será um momento de reflexão e também de denúncia sobre a situação da classe trabalhadora brasileira e uma das principais preocupações dos trabalhadores e trabalhadoras do país neste momento é o custo absurdo do preço do gás, avalia Roni Barbosa, petroleiro e secretário nacional de Comunicação da CUT.

“Está inviabilizado para milhares de famílias brasileiras. Por isso, nesse 1º de Maio esse tema também será debatido. O Brasil tem que dá um jeito de abastecer as famílias brasileiras, que não seja obrigando-as a pagar esse valor absurdo, que muitos sequer têm”.

Piorou depois do golpe

A situação piorou depois do golpe de 2016, que destituiu a presidenta Dilma Rousseff. Nos governos Lula e Dilma, a variação dos preços dos combustíveis seguia um cálculo baseado em vários fatores que possibilitava um controle maior dos preços. Depois do golpe, a gestão da Petrobras adotou a política chamada de PPI, ou  Preço de Paridade de Importação, que nada mais é do que a  paridade com os preços do mercado internacional.

Entre 2016 e 2019, houve um aumento de quase 30% no número de famílias que usam lenha ou carvão para cozinhar, de  acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há dois anos, uma em cada quatro famílias brasileiras usava lenha em algum momento para cozinhar seus alimentos. Por causa dos cortes no orçamento feitos pelo governo Bolsonaro, o IBGE não divulga esses indicadores há quase dois anos.

Mãe de seis filhos, a maranhense Lucenilce Ramos, 43 anos, da cidade de Cururupu, que fica a 220 km da capital São Luís, voltou a cozinhar no carvão devido ao aumento do preço do gás. Ela sustenta toda a família com apenas com R$ 300 do Bolsa Família. Lucenilce não foi contemplada pelo auxilio emergencial que Bolsonaro reduziu de R$ 600, sendo R$ 1.200 para mães solo, pagos no ano passado, para R$ 150 (pessoas que moram sozinhas), R$ 250 (famílias com mais de duas pessoas) e R$ 350 (mães solo), a partir de abril deste ano.

Segundo ela, o dinheiro que recebe não dá para quase nada. “A situação aqui em casa é crítica, com essa crise eu estou cozinhando no carvão porque meu gás acabou. Tem lugar aqui que o gás está 100 reais. Até procurei o preço dele esses dias e estava mais de 100 reais. Está difícil, ruim demais”, relata à reportagem do Portal CUT.

A alta dos preços do botijão de gás tem deixado mães e pais de famílias desalentados. Famílias de uma pessoa só, que tem acesso a apenas R$ 150 de auxílio emergencial, por exemplo, terão dinheiro apenas para comprar itens de higiene pessoal, que vai custar em média R$ 76,26 e limpeza da casa (R$ 46,81). Sobra apenas R$ 28,93, que dá para comprar um pacote de 5 quilos de arroz e menos de 1 quilo de feijão. Só para comprar alimentos básicos, como arroz, feijão, carne e outros 25 itens que entram na composição da cesta de comida, o valor ultrapassa os R$ 800.

Mesmo no Sudeste, onde historicamente o uso de lenha é mais raro, os dados do IBGE revelam que o aumento  foi ainda maior, mais de 60% das famílias passaram a usar alternativas ao botijão de gás par a cozinhar.

Este é o caso da cabeleireira Antônia Ladislau dos Santos, 41 anos, mãe de duas crianças, que está desempregada e mora com seis pessoas, todos sem emprego nem renda. Antônia mora na periferia de Poá, na Grande São Paulo, e conta como ficou difícil a situação dentro de casa depois da pandemia.

“Fiquei um mês cozinhando com álcool. Fiz fogo a lenha no quintal e era onde eu cozinhava. Estou me alimentando porque ganho  cestas básicas. A situação está difícil, eu não trabalho há mais de um ano. Recebi uma doação de um pouco de gás, agora estou cozinhando no fogão”.

No desgoverno de Jair Bolsonaro, é a mobilização social pelo país em busca comida para as pessoas em situação de vulnerabilidade social. Por todo o Brasil, nas comunidades e favelas, são as mulheres negras, chefes de cozinha, que se viram como podem para levar alimentos à família. A maioria delas depende de doações de cesta básicas.

Leia mais: CUT e movimentos se unem para ajudar o povo que foi abandonado pelo governo federal

O drama de Antônia também se repete com sua amiga. “A minha dificuldade é a mesmo, quando o gás acaba aqui a gente também junta uns dinheirinhos e compra álcool para cozinhar”, afirma a diarista Edilene de Souza Lima, que quando trabalhava ganhava R$ 100 por dia.

Tanto Edilene como Antônia recebem doações de alimentos semanal da Coalizão Negra e da Uneafro.

Por que o gás de cozinha aumenta tanto?

Segundo Cloviomar Cararine Pereira, técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na subseção da Federação Única dos Petroleiros (FUP), o que está acontecendo com o preço do gás de cozinha é que a Petrobras, que produz o gás nas refinarias, tem adotado a paridade internacional na hora de reajustar.

“O que a Petrobras faz, a cada momento, é que ela olha lá fora como está a variação do preço. Olha o câmbio, quanto que está relação real e dólar, e ela olha custo de importação. Daí o valor que aparece para a Petrobras é a referência que ela usa para reajustar o gás”, diz

A Petrobras produz o gás, mas quando vai vender o produto, não vende pelo preço que custou para produzir e, sim, o preço de concorrência com alguém que está importando o gás de fora. Cloviomar Cararine Pereira
- Cloviomar Cararine Pereira

Com isso, os reajustes do gás de cozinha têm sido constantes, diz o técnico do Dieese. Em março do ano passado, o preço do botijão e gás era R$ 69, em média. Hoje já chega a R$ 120 em várias regiões do país, como Norte e Centro-Oeste.

A Petrobras usa a paridade internacional não só para reajustar os preços do gás de cozinha, mas também o diesel e todos os combustíveis.

Fome e pobreza também piorou

A fome está piorando em 2021 com o agravamento da crise sanitária, a alta do desemprego, que atinge mais de 14,3 milhões de trabalhadores e trabalhadoras e a disparada dos preços dos alimentos, que veem subindo mais do que a inflação.

Em meio a esse caos, depois de três meses, o novo auxílio emergencial, que volta a ser pago, vai comprar apenas meio bife, meio copo de leite, três colheres de arroz, segundo o Dieese.

“A pobreza cresceu, a miséria cresceu, o desemprego cresceu e o gás deveria diminuir e não aumentar. Por isso, vamos debater esses temas importantes no 1º de Maio. Muitas famílias estão cozinhando seus alimentos em latinhas com álcool para fazer arroz para seus filhos”, finaliza Roni.

 

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“O constante aumento no preço do gás é demonstração contundente da inviabilidade da política de Preço de Paridade de Importação (PPI) usada pela administração da Petrobrás para reajustar os combustíveis e derivados de petróleo, componentes importantes nos cálculos da inflação, com efeito cascata na cadeia produtiva e no bolso dos consumidores”, destacou o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, sobre o quarto reajuste este ano do GLP nas refinarias. 

O produto já acumula alta de 22,8% na cesta de produtos da Petrobrás só em 2021. O quilo do GLP passou a ser vendido a R$ 3,21 nas refinarias, fazendo com que o botijão de 13 kg custe R$ 41,68. Em janeiro, a Petrobrás cobrava o equivalente a R$ 33,96 por botijão.

Ítem essencial na cesta básica das famílias brasileiras, o gás de cozinha que chega ao consumidor já acumula alta recorde de 18,2% nos últimos doze meses (até março), segundo o IPCA-15, medido pelo IBGE. E somente nos primeiros três meses de 2021, o aumento foi de 10,5%, sendo 4,6% só em março. O reflexo da alta do gás de cozinha foi sentido no item alimentação e bebidas, que aumentou 14,5% em doze meses, ou 2,2% em janeiro/março.

“E isso ocorre em pleno agravamento da pandemia, que exige maior distanciamento social, com as pessoas em casa, com preparação e consumo domésticos de alimentos”, observa Cloviomar Cararine, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/FUP), ao comentar a deterioração no custo de vida dos trabalhadores.


Leia também:

Política de reajustes da Petrobrás contribui para descontrole da inflação


[Da assessoria de Comunicação da FUP]

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Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no último dia 25 mostram que a prévia da inflação de março disparou, atingindo a maior alta do mês desde 2015.

Somada ao Preço de Paridade de Importação (PPI) – a atual política de preços praticada pela Petrobrás – a alta na inflação apresenta como resultado a forte pressão do preço dos combustíveis, que impactam, principalmente, os itens de alimentação e transportes.

“A prévia da inflação de março divulgada hoje pelo IBGE é mais uma prova contundente da inviabilidade da política de Preço de Paridade de Importação usada pela atual diretoria da Petrobrás para reajustar os combustíveis. Balizada pelas cotações do mercado internacional, essa política prejudica toda a sociedade brasileira, pois a alta dos preços dos derivados, componente importante do cálculo da inflação, tem efeito cascata na cadeia produtiva e no bolso dos consumidores”, destaca o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar.

Estatísticas desagregadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para a FUP revelaram a deterioração no custo de vida dos trabalhadores: o botijão de gás teve alta recorde de 18,2% nos últimos doze meses e de 10,5% somente no primeiro trimestre deste ano, sendo 4,6% só em março.

O reflexo da alta do gás de cozinha abalou o setor de alimentação e bebidas, que encareceu em 14,5% no último ano e 2,2% apenas nos três primeiros meses de 2021. “Isso [aumento dos preços de itens básicos] ocorre em pleno agravamento da pandemia, que exige maior distanciamento social, com as pessoas mantidas em casa, com preparação e consumo domésticos de alimentos”, observa Cloviomar Cararine, economista do Dieese/FUP.

Impacto nos combustíveis e transportes

Os reajustes nos preços dos combustíveis, que representam uma alta de 3,79% somente em março deste ano, atingiram duramente a indústria e serviços de transportes. Só o óleo diesel aumentou 13% em doze meses e 15,9% no acumulado no primeiro trimestre de 2021, sendo 10,7% a taxa de encarecimento do produto apenas em março.

E a gasolina não ficou para trás. Foram registradas altas de 15,8% e 16,2% no valor do combustível durante o último ano e o primeiro trimestre de 2021, respectivamente. Somente em março, o aumento é de 11,2%.

Advindo da cana de açúcar, o etanol também registrou altas sem precedentes, com um aumento de 13% nos preços do último ano e 18% nos primeiros três meses deste ano sendo 16,4% só em março.

Os trabalhadores por aplicativo de transporte foram duplamente penalizados. Além dos aumentos de gastos com combustíveis, eles perderam receita. O valor pago pela corrida caiu 15,8% em doze meses, 3,6% em três meses e 2,4% apenas em março.

[Assessoria de Comunicação da FUP |Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas]

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O principal jornal do Rio Grande do Sul, Zero Hora, publicou na quinta-feira, 11 de março, um artigo do diretor da FUP e presidente do Sindipetro-RS, Fernando Maia da Costa, sobre a política de preço dos combustíveis. Ele alerta sobre a necessidade do governo federal revogar a política de preço de importação (PPI) e a suspensão da venda das oito refinarias da Petrobrás, entre elas a Refap.

"Mais do que trocar peças do tabuleiro, Bolsonaro precisa acabar com a dependência do país em relação aos preços internacionais, suspendendo a PPI, cancelando a venda das refinarias e retomando a produção em toda sua capacidade. Esse é o dever de um governo de fato patriota", afirma o diretor da FUP.

Leia o artigo na íntegra: 

Por Fernando Maia da Costa, diretor da FUP e presidente do Sindipetro RS

Sucessivos aumentos de preço dos combustíveis e do gás de cozinha vêm revoltando os brasileiros. Com razão: o diesel e a gasolina já acumulam alta de, respectivamente, 41,5% e 54% em 2021. Isso num país assolado pela pandemia da covid-19.

Embora Bolsonaro tenha anunciado a troca na presidência da Petrobras, substituindo Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna, a simples dança das cadeiras não irá aliviar a situação do consumidor.

Nada mudará se Bolsonaro não revogar a chamada PPI – política de paridade de importação no preço de derivados. Essa, sim, é a grande vilã para a disparada no preço dos combustíveis, pois usar a cotação do barril de petróleo e do dólar como base para calcular o preço do seu produto tem provocado sucessivos aumentos nos postos de gasolina. Ganham as multinacionais, que vendem o seu derivado importado no mercado nacional, perdem os brasileiros.

Por isso, é um engano apostar em alterações na carga tributária como saída. Aliás, as promessas do governo nesse sentido são mera cortina de fumaça. Para se ter uma ideia, em nove meses, o diesel teve um aumento nos postos de R$ 0,56. Os impostos atribuídos foram responsáveis por R$ 0,06 desse valor.

Cabe lembrar um detalhe não menos relevante: o Brasil é produtor de petróleo e tem refinarias que atendem à quase totalidade de sua demanda interna. Ou seja, temos capacidade de explorar e refinar nosso petróleo, diminuindo as importações e reduzindo a dependência do país diante do mercado externo. 

Entretanto, o governo caminha no sentido oposto ao manter a produção do parque de refino nacional ociosa além de colocar à venda oito refinarias da estatal, uma delas a nossa Refap. Mais do que trocar peças do tabuleiro, Bolsonaro precisa acabar com a dependência do país em relação aos preços internacionais, suspendendo a PPI, cancelando a venda das refinarias e retomando a produção em toda sua capacidade. Esse é o dever de um governo de fato patriota. Com a palavra, Bolsonaro.

[Do Zero Hora]

 

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Combustíveis têm preços elevados pela 6ª vez no ano, o que afeta toda a economia, a inflação e o crescimento do país. Brasil paga “preço de escolha política dos governos Temer e Bolsonaro”, diz o Dieese

[Da Rede Brasil Atual | Foto: Guilherme Santos/Sul21]

Pela sexta vez no ano, a Petrobras elevou nesta terça-feira (9) os preços dos combustíveis, o que agrava em especial a sobrevivência de trabalhadores precarizados. A medida, mais uma vez, coloca em questão o acesso ao gás de cozinha e aperta a margem de sobrevivência econômica de caminhoneirosmotoristas de aplicativos e entregadores. E todos aqueles que têm no deslocamento pela cidade sua fonte de renda. É o que alerta o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Júnior, em sua coluna na Rádio Brasil Atual

De acordo com o especialista, os reajustes progressivos, anunciados pela Petrobras, estão “retirando a renda de setores muito precarizados em que o preço dos combustíveis interferem na sua remuneração”. Em pouco mais de dois meses, os reajustes acumulados no ano nas refinarias já chegaram a 54% na gasolina, ultrapassando a casa dos R$ 5 na maioria dos postos, e de 41,6% no óleo diesel. Nesta terça-feira (9), a gasolina e o diesel sofreram novo aumento de 8,8% e 5,5%, respectivamente. 

O impacto dos aumentos

Tudo isso para “garantir a taxa de retorno dos acionistas da Petrobras, dos importadores de combustível e dos grandes produtores de etanol”, aponta o Dieese. O “preço de uma escolha” que o Brasil paga desde o governo de Michel Temer ao atual de Jair Bolsonaro com uma política de preços atrelada ao mercado internacional e ao dólar. “Mas teoricamente, porque na prática normalmente ela tem flutuado para cima. Todas as vezes que o preço do petróleo e do câmbio se reduz, de alguma forma, essa redução acaba ficando com o distribuidor”, ressalta. 

“E isso traz impactos diretos na vida das pessoas, cotidianamente elas estão com muita dificuldade. Primeiro para lidar com a alta do preço de um botijão de gás, passando da casa dos R$ 80, em alguns lugares chegando a quase R$ 90. E de alguma forma isso vai afetando diversos setores. No caso dos trabalhadores, em geral, estamos vendo um impacto grande nos trabalhadores de aplicativo, do transporte, taxistas”, explica. 

“Essa forma como a Petrobras escolhe de organizar o preço está de algum modo ligada ao aumento da desigualdade e da concentração de renda”, completa. 

Política de preços intocável 

Os reajustes ainda provocam impactos mais gerais, prejudicando toda a economia, contribuindo para a inflação e impedindo o crescimento econômico. O país, segundo Fausto, está num “looping” em que o preço dos combustíveis aumenta por conta do câmbio. Que por sua vez varia de acordo com o “humor do mercado” que “estressado” contribui para elevar o dólar e em sequência o preço da gasolina. “E isso não faz o menor sentido”, pontua o diretor técnico. 

A solução, define o Dieese, passa por enfrentar o sistema de preços da Petrobras. Mas o que o país está vendo é uma “lambança”, destaca, com relação às medidas de redução dos impostos federais anunciada na semana passada por Bolsonaro. A proposta, comenta Fausto, retira os recursos de arrecadação do próprio Estado e não impacta no bolso do consumidor. A tendência, ainda segundo ele, é que com a venda das refinarias da Petrobras, a dependência do mercado internacional e essa oscilação de preços para cima se torne ainda pior. 

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.