Na semana que marca um ano da prisão política e ilegal do ex-presidente Lula, milhares de pessoas vão às ruas no Brasil e em mais de 15 países denunciar as arbitrariedades cometidas pela Justiça contra o ex-presidente.  Confira a lista de atos no final do texto.

As manifestações estão sendo convocadas pelos organizadores da Jornada Lula Livre, que liderará uma série de atos, caravanas e comitês pela liberdade do ex-presidente entre os dias 7 e 10 de abril.

No Rio de Janeiro, haverá um ato político em Copacabana, no domingo (07), e debates na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), na segunda (08), quando será feito o lançamento do Comitê Lula Livre, com a presença do embaixador Celso Amorin, do ex-senador Roberto Requião e do deputado federal Paulo Pimenta (PT/RS). 

Lula, preso político

Lula é mantido preso político na sede da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, no Paraná, desde o dia 7 de abril do ano passado, depois de um processo fraudulento comandando  pelo ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro (PSL).

Moro condenou Lula a 9 anos e meio de prisão por supostamente ter aceitado que a Construtora OAS fizesse uma reforma no tríplex do Guarujá que nem pertence ao ex-presidente, como ficou comprovado. A sentença foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que ampliou a pena para 12 anos e 11 meses de prisão, apesar de não haver um único indício de atos ilícitos.

A condenação sem provas do ex-presidente, criticada pelos juristas do mundo inteiro, será analisada ainda este semestre pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU.

Perseguido no Brasil, Lula é reconhecido em todo o mundo pelas políticas de geração de emprego e renda e combate a fome. E pela sua luta contra as desigualdades sociais, foi indicado ao prêmio Nobel da Paz pelo ativista Adolfo Pérez Esquivel, ganhador do prêmio em 1980. Mais de 500 mil pessoas, entre eles, ganhadores de Prêmio Nobel, parlamentares de vários países, intelectuais e acadêmicos assinaram a indicação do ex-presidente. 

Atos internacionais

As manifestações já foram marcadas em vinte capitais da Europa, América Latina e América do Norte.

Na programação dos atos internacionais, a jornada Lula Livre passará por Madri, Munique, Paris, Berlim, Bonn, Lisboa, Coimbra, Frankfurt, Londres, Colônia, Genebra, Bolonha, Nova York, Amsterdã, Hamburgo, Barcelona, Roma, Copenhague, Melbourne, Estocolmo, Saint Louis, Montevidéu, Cidade do México entre outras cidades. 

> Leia também: 36 cidades no exterior realizam atos pela liberdade de Lula

07 de abril, dia de luta por liberdade para Lula

No Brasil, 17 capitais já confirmaram agenda de manifestações, assim como atividades em várias cidades brasileiras.

Nesta sexta-feira (5), o ex-prefeito e ex-candidato a presidente da República pelo PT, Fernando Haddad (PT), começa com a Caravana Lula Livre, que parte de Porto Alegre em direção a Curitiba, onde será realizado um grande ato nacional no domingo (7). Na capital paranaense, a concentração começa às 8h da manhã no Terminal Boa Vista e a marcha seguirá até a Vigília Lula Livre, nas proximidades da sede da PF, para o tradicional “Bom dia, presidente Lula, a partir das 9h.  Em seguida terá um ato político com lideranças partidárias, do movimento social e sindical. 

Várias autoridades, artistas e militantes de esquerda e autoridades estão confirmadas para participar das mobilizações em defesa da liberdade do ex-presidente Lula, em todo o país. 

No Brasil

Alagoas – Em Maceió, tem ato na Orla Lagunar, às 14h;

Bahia – Em Salvador, tem Bandeiraço, às 9h, nos viadutos de Salvador e Passeata Lula Livre

Céará - Em Fortaleza, haverá bicicleata pelas ruas da cidade no domingo, às 15h30, na Avenida Beira Mar, e o lançamento do Comitê Lula Livre Ceará na segunda-feira (08), às 18h, local ainda a definir.

Distrito Federal - Em Brasília tem ações de rua em São Sebastião, Planaltina, Paranoá e Taguatinga

Goiás - Em Goiânia, tem programação (local definir)

Maranhão – Em São Luís, o ato de rua será no dia 10 – programação a detalhar

Mato Grosso - Em Cuiabá, o ato será também contra a reforma da Previdência de Bolsonaro e vai ser na Praça Alencastro, às 8h.

Pará - Em Belém, tem ato e caminhada no bairro Terra Firme

Paraíba - Em João Pessoa,  tem ato inter-religioso e político e cultural, no Parque da Lagoa, às15h

Paraná - Em Curitiba, a Vigília Lula Livre vai dar bom dia ao presidente, às 9h, às 11h e às 14h tem atos políticos

Pernambuco – Em Recife, tem feijoada, Festival de Pipas Gigantes e encontro de Blocos pela Democracia, no  Armazém do Campo, às 11h, e, às 5h, tem ato político Cultural, no mesmo local, Praça do Arsenal

E, em Caetés, no sitio onde Lula nasceu, tem vigília e romaria, das 6h30 ate 12h

Rio de Janeiro - no Rio,  tem Festival Democracia e Justiça, na Orla de Copacabana, às15h

Rio Grande do Norte – Em Natal, vai haver Bandeiraço Lula Livre, na Feirinha de Ponta Negra, às 9h

Rio Grande do Sul – Em Porto Alegre, o Festival Lula Livre em Porto Alegre começa às 15h, no Memorial Prestes

Santa Catarina - Em Florianópolis, tem Lançamento do Comitê Estadual Lula Livre no dia 10/4, no Fecesc

São Paulo - Na capital paulita, o ato começa às 14h na Praça do Ciclista, esquina da Rua Consolação com a Avenida Paulista

Tocantins – Em Palmas, o Acampamento da Jornada Lula Livre está programando ato.

 

[Com informações do Comitê Nacional Lula Livre | Foto: Francisco Proner] 

Publicado em Política

Na semana que marca um ano da prisão política e ilegal  do ex-presidente Lula, milhares de pessoas vão às ruas em mais de 15 países denunciar as arbitrariedades cometidas pela Justiça contra o ex-presidente.  Confira a lista de atos no final do texto.

As manifestações no Brasil e no mundo estão sendo convocadas pelos organizadores da Jornada Lula Livre, que liderará uma série de atos, caravanas e comitês pela liberdade do ex-presidente entre os dias 7 e 10 de abril.

No Rio de Janeiro, o coordenador da FUP, José Maria Rangel, participa de um debte na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), onde será feito o lançamento do Comitê Lula Livre, com a presença do embaixador Celso Amorin, do ex-senador Roberto Requião e do deputado federal Paulo Pimenta (PT/RS). 

Lula é mantido preso político na sede da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, no Paraná, desde o dia 7 de abril do ano passado, depois de um processo fraudulento comandando  pelo ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro (PSL).

Moro condenou Lula a 9 anos e meio de prisão por supostamente ter aceitado que a Construtora OAS fizesse uma reforma no tríplex do Guarujá que nem pertence ao ex-presidente, como ficou comprovado. A sentença foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que ampliou a pena para 12 anos e 11 meses de prisão, apesar de não haver um único indício de atos ilícitos.

A condenação sem provas do ex-presidente, criticada pelos juristas do mundo inteiro, será analisada ainda este semestre pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU.

Perseguido no Brasil, Lula é reconhecido em todo o mundo pelas políticas de geração de emprego e renda e combate a fome. E pela sua luta contra as desigualdades sociais, foi indicado ao prêmio Nobel da Paz pelo ativista Adolfo Pérez Esquivel, ganhador do prêmio em 1980. Mais de 500 mil pessoas, entre eles, ganhadores de Prêmio Nobel, parlamentares de vários países, intelectuais e acadêmicos assinaram a indicação do ex-presidente. 

Atos internacionais

As manifestações já foram marcadas em vinte capitais da Europa, América Latina e América do Norte.

Na programação dos atos internacionais, a jornada Lula Livre passará por Madri, Munique, Paris, Berlim, Bonn, Lisboa, Coimbra, Frankfurt, Londres, Colônia, Genebra, Bolonha, Nova York, Amsterdã, Hamburgo, Barcelona, Roma, Copenhague, Melbourne, Estocolmo, Saint Louis, Montevidéu e Cidade do México.

Primeiro ato nesta quinta

Em Roma, o ato de solidariedade abre a nova etapa da Campanha Lula Livre nesta quinta-feira (4), às 18h, no auditório da Central Geral Italiana do Trabalho (CGIL). Uma das pautas dos manifestantes é a restauração da democracia, do Estado de Direito e do devido processo legal no Brasil. 

Atos no Brasil no dia 7

No Brasil, 17 capitais já confirmaram agenda de manifestações, assim como atividades em várias cidades brasileiras.

Nesta sexta-feira (5), o ex-prefeito e ex-candidato a presidente da República pelo PT, Fernando Haddad (PT), começa com a Caravana Lula Livre, que parte de Porto Alegre em direção a Curitiba, onde será realizado um grande ato nacional no domingo (7). Na capital paranaense, a concentração começa às 8h da manhã no Terminal Boa Vista e a marcha seguirá até a Vigília Lula Livre, nas proximidades da sede da PF, para o tradicional “Bom dia, presidente Lula, a partir das 9h.  Em seguida terá um ato político com lideranças partidárias, do movimento social e sindical. 

Em Recife, na terra do frevo e do maracatu, vai ter poesia, festival de pipas e uma feijoada, prato que o ex-presidente gosta, no Armazém do Campo para juntar a turma para discutir porque a prisão é política e injusta. E, no dia 7, às 15h na Praça do Arsenal, em Recife, ato político e cultural marca um ano da prisão política de Lula.

Várias autoridades, artistas e militantes de esquerda e autoridades estão confirmadas para participar das mobilizações em defesa da liberdade do ex-presidente Lula, em todo o país. Entre elas, o ex-primeiro ministro italiano Massimo D’Alemma.

Confira os locais e horários dos atos:

No Brasil

Alagoas – Em Maceió, tem ato na Orla Lagunar, às 14h;

Bahia – Em Salvador, tem Bandeiraço, às 9h, nos viadutos de Salvador e Passeata Lula Livre

Céará - Em Fortaleza, haverá bicicleata pelas ruas da cidade no domingo, às 15h30, na Avenida Beira Mar, e o lançamento do Comitê Lula Livre Ceará na segunda-feira (08), às 18h, local ainda a definir.

Distrito Federal - Em Brasília tem ações de rua em São Sebastião, Planaltina, Paranoá e Taguatinga

Goiás - Em Goiânia, tem programação (local definir)

Maranhão – Em São Luís, o ato de rua será no dia 10 – programação a detalhar

Mato Grosso - Em Cuiabá, o ato será também contra a reforma da Previdência de Bolsonaro e vai ser na Praça Alencastro, às 8h.

Pará - Em Belém, tem ato e caminhada no bairro Terra Firme

Paraíba - Em João Pessoa,  tem ato inter-religioso e político e cultural, no Parque da Lagoa, às15h

Paraná - Em Curitiba, a Vigília Lula Livre vai dar bom dia ao presidente, às 9h, às 11h e às 14h tem atos políticos

Pernambuco – Em Recife, tem feijoada, Festival de Pipas Gigantes e encontro de Blocos pela Democracia, no  Armazém do Campo, às 11h, e, às 5h, tem ato político Cultural, no mesmo local, Praça do Arsenal

E, em Caetés, no sitio onde Lula nasceu, tem vigília e romaria, das 6h30 ate 12h

Rio de Janeiro - no Rio,  tem Festival Democracia e Justiça, na Orla de Copacabana, às15h

Rio Grande do Norte – Em Natal, vai haver Bandeiraço Lula Livre, na Feirinha de Ponta Negra, às 9h

Rio Grande do Sul – Em Porto Alegre, o Festival Lula Livre em Porto Alegre começa às 15h, no Memorial Prestes

Santa Catarina - Em Florianópolis, tem Lançamento do Comitê Estadual Lula Livre no dia 10/4, no Fecesc

São Paulo - Na capital paulita, o ato começa às 14h na Praça do Ciclista, esquina da Rua Consolação com a Avenida Paulista

Tocantins – Em Palmas, o Acampamento da Jornada Lula Livre está programando ato.

 

No exterior (dia 7)

Comitê Lula Livre Madri

– Ato do Coletivo pelos Direitos no Brasil, às 13:30, na Plaza Tirso de Molina, Madri,

Deutsche Initiative Lula Livre

- Ato Mundial pela liberdade de Lula, das 15h às 17h, na  Marienplatz – Munique

 Deutsche Initiative Lula Livre

– Kundgebung Freiheit für Lula (Ato Lula Livre), das 16h às 18 h, no Herrmannplatz, 10967, Neukölln, Berlim

Deutsche Initiative Lula Livre

Zusammen für Lula Livre Hamburg, das 11h às 12h, na Landungsbrücke, Hamburg

Comitê parisiense de Solidariedade a Lula

– Ato pela liberdade de Lula, das 15h às 18h, na  Esplanada do Trocadéro, Paris

Jornada Mundial Lula Livre/Marielle Presente

– Dill: Deutsche Initiative Lula Livre, das 15h às 18h, no  Ecke Poststr/An der Suerst, Bonn

Núcleo PT Lisboa

– 365 dias de injustiça, às 16 h, no Largo Luiz Camões , 1200-234, Lisboa

Vozes do Mundo

– Ato por Lula Livre, das 16 h às 19 h, na Praça 8 de Maio, 8, 3000-300, Coimbra

Comitê Lula Livre UK

– FREE LULA ‘Free Lula London Tour’, às 13h30, na  Embaixada do Brasil em Londres

Lula Livre em Köln

Brasil em Debate Colônia, das 13h às 15h, no Köln Domplatte, Colônia

Rassemblement pour Lula

Comitê Lula Livre Genebra, das 15h às 17h, no Place des Nations, 1202, Genebra

Coletivo Bologna per la Democrazia in Brasile

Ato Mundial Lula Livre, às 17h, na Piazza Nettuno, 40123, Bolonha

Lula livre- The fight to free Lula and regain democracy in Brazil

Coletivos BRADO/DDB/ Mulheres da resistência no Exterior/, às 6h30, na 320W 37th ST NY

Coletivo Amsterdam pela Democracia no Brasil

Ato Mundial Lula Livre, às 14h, na Praça De Dam, Amsterdã

Komitee Freiheit für Lula

Prisão de Lula e a Lava Jato – Palestra com Jessé de Souza, das 18h às 21h, no leine Alessandrstr, 28, 10178, Berlim

Barcelona

Ato das 12h às 14h. na Cascada Del Parque De La Ciudadela, Barcelona

 Comitato Italiano Lula Livre

Atto di solidarietà per Lula, das 18h às 20 h, no Corso Italia, Roma

 Copenhague

Pela Democracia, Lula Livre e pela vida de Marielle

Das 15h às 17h, no Jens Kofods Gade 1, st th, 1268 Embaixada do Brasil

 Melbourne

Das 17h15h às 19h, ato no State Librabry of Victoria, 328 Swanston Street, Melbourne 3000

 Montevideo

Ato às 18h, na Plaza De La Bandera, Montevideo

 Estocolmo

Ato das 17h às 20h, no Kungsgatan 84, Kungsholmen Stockholm, Sverige

 

Publicado em Política

Lideranças políticas das forças progressistas brasileiras, núcleo de uma frente ampla democrática, manifestaram-se nesta segunda-feira (01/04), através deum artigo publicado na Folha de S. Paulo, em que não deixam dúvidas quanto ao golpe de 1964: foi um golpe de Estado, implantou uma ditadura e os militares escreveram "páginas de horror" entre 1964 e 1985. O artigo é assinado por Fernando Haddad, Guilherme Boulos, Sônia Guajajara, Flávio Dino e Ricardo Coutinho.

Leia a íntegra:

O golpe de 1964 

Por Fernando Haddad (PT-SP), ex-prefeito de São Paulo, Flávio Dino (PCdoB-MA), governador do Maranhão, Guilherme Boulos (PSOL-SP), ex-candidato à Presidência da República, Ricardo Coutinho (PSB-PB), ex-governador da Paraíba e Sônia Guajajara (PSOL-MA), ex-candidata a vice-presidente da República. 

 

Não se trata de mera questão semântica. Chamar o que ocorreu há 55 anos pelo nome certo é ato de respeito à nossa história e às vítimas de páginas de horror.

Sim, foi um golpe porque o que foi feito naqueles dias rasgou a Constituição de 1946, então vigente. João Goulart era o presidente da República e afastá-lo pela força das armas não possuía amparo constitucional. Lembremos Tancredo Neves, bradando indignado contra a fraude perpetrada no Congresso Nacional sob a mira das baionetas.

O que se seguiu ao golpe perpetrado há 55 anos está fartamente documentado: torturas, desaparecimento de pessoas, censura a artistas e intelectuais. A repressão descarada, as Obans, os Doi-Codis, as valas comuns no cemitério de Perus e em tantos outros em todo o país. O empoderamento dos esbirros nos Dops. A prepotência e as muitas cassações arbitrárias: mandatos parlamentares, professores universitários, ministros do Supremo Tribunal Federal. Cassaram o sagrado direito de pensar diferente e a liberdade de expressão. E puniram quem se insubordinasse a esta ordem.

Do ponto de vista econômico, aos dias de crescimento se seguiram anos de inflação galopante, recessão econômica, dívida externa, concentração de renda nas mãos de poucos. O bolo cresceu e não foi dividido. Naqueles dias, poucos tinham acesso a escolas e a saúde pública era mais precária do que é hoje. O Brasil foi à falência ao final dos governos militares, com inflação gigantesca e socorros do FMI.

Nenhum outro país do nosso continente, que também passou pelo mesmo processo histórico, aceita discutir qualquer aspecto de comemoração ou rememoração de suas ditaduras militares.

Na semana passada, a sociedade argentina repudiou em uníssono sua efeméride trágica, que custou a vida de mais de 30 mil cidadãos. No Chile, o presidente Sebastián Piñera qualificou de infelizes as declarações do seu colega brasileiro, que enalteceu o triste período Pinochet.

Não há o que comemorar ou rememorar. Vivemos sob a Constituição de 1988, a Carta Cidadã de Ulysses Guimarães e de democratas que proclamaram repulsa àqueles tempos. Por que, então, o atual presidente resolveu acender esse conflito?

Estamos assistindo a um desgoverno que rapidamente se esgota. Não há políticas públicas apresentadas à nação, como se demonstra com o caos no Ministério da Educação, o e exótico Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o confuso Ministério do Meio Ambiente... Gerar conflitos passou a ser conteúdo e é a única forma de governar. Criam-se “inimigos” o tempo inteiro para dividir o país e, com isso, supostamente sustentar o governo.

Invoca-se uma nova política cujos desígnios são inspirados por um falso filósofo que se abriga no exterior. Nesse esforço de criar confusões não se mede nenhuma consequência.

A disparatada política externa destrói a imagem do Brasil no mundo. Ameaça trazer o conflito do Oriente Médio para nossas fronteiras. Atenta contra a política com nossos vizinhos. Coloca em risco nossas empresas e nossos empregos. O mundo assiste perplexo à diplomacia presidencial se transformar na submissão dos interesses econômicos do Brasil a outros países, notadamente os Estados Unidos.

O Brasil é de todos. O Estado Democrático de Direito deve ser protegido por todos os segmentos políticos, empresariais, sindicais e populares.

A democracia é que nos deixa conviver com nossas legítimas diferenças pessoais e nos permite sonhar com maior justiça social. Nenhuma ditadura serve mais ao Brasil. Acreditamos que a imensa maioria dos militares sabe disso. Pena que exatamente o presidente da República esteja em contradição com a nossa Constituição. Nesses 55 anos do golpe de 1964, em ato de verdadeiro amor pelo Brasil, proclamamos: Democracia Sempre, Ditadura Nunca Mais.

Não se trata de mera questão semântica. Chamar o que ocorreu há 55 anos pelo nome certo é ato de respeito à nossa história e às vítimas de páginas de horror.

Sim, foi um golpe porque o que foi feito naqueles dias rasgou a Constituição de 1946, então vigente. João Goulart era o presidente da República e afastá-lo pela força das armas não possuía amparo constitucional. Lembremos Tancredo Neves, bradando indignado contra a fraude perpetrada no Congresso Nacional sob a mira das baionetas.

O que se seguiu ao golpe perpetrado há 55 anos está fartamente documentado: torturas, desaparecimento de pessoas, censura a artistas e intelectuais. A repressão descarada, as Obans, os Doi-Codis, as valas comuns no cemitério de Perus e em tantos outros em todo o país. O empoderamento dos esbirros nos Dops. A prepotência e as muitas cassações arbitrárias: mandatos parlamentares, professores universitários, ministros do Supremo Tribunal Federal. Cassaram o sagrado direito de pensar diferente e a liberdade de expressão. E puniram quem se insubordinasse a esta ordem.

Do ponto de vista econômico, aos dias de crescimento se seguiram anos de inflação galopante, recessão econômica, dívida externa, concentração de renda nas mãos de poucos. O bolo cresceu e não foi dividido. Naqueles dias, poucos tinham acesso a escolas e a saúde pública era mais precária do que é hoje. O Brasil foi à falência ao final dos governos militares, com inflação gigantesca e socorros do FMI.

Nenhum outro país do nosso continente, que também passou pelo mesmo processo histórico, aceita discutir qualquer aspecto de comemoração ou rememoração de suas ditaduras militares.

Na semana passada, a sociedade argentina repudiou em uníssono sua efeméride trágica, que custou a vida de mais de 30 mil cidadãos. No Chile, o presidente Sebastián Piñera qualificou de infelizes as declarações do seu colega brasileiro, que enalteceu o triste período Pinochet.

Não há o que comemorar ou rememorar. Vivemos sob a Constituição de 1988, a Carta Cidadã de Ulysses Guimarães e de democratas que proclamaram repulsa àqueles tempos. Por que, então, o atual presidente resolveu acender esse conflito?

Estamos assistindo a um desgoverno que rapidamente se esgota. Não há políticas públicas apresentadas à nação, como se demonstra com o caos no Ministério da Educação, o e exótico Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o confuso Ministério do Meio Ambiente... Gerar conflitos passou a ser conteúdo e é a única forma de governar. Criam-se “inimigos” o tempo inteiro para dividir o país e, com isso, supostamente sustentar o governo.

Invoca-se uma nova política cujos desígnios são inspirados por um falso filósofo que se abriga no exterior. Nesse esforço de criar confusões não se mede nenhuma consequência.

A disparatada política externa destrói a imagem do Brasil no mundo. Ameaça trazer o conflito do Oriente Médio para nossas fronteiras. Atenta contra a política com nossos vizinhos. Coloca em risco nossas empresas e nossos empregos. O mundo assiste perplexo à diplomacia presidencial se transformar na submissão dos interesses econômicos do Brasil a outros países, notadamente os Estados Unidos.

O Brasil é de todos. O Estado Democrático de Direito deve ser protegido por todos os segmentos políticos, empresariais, sindicais e populares.

A democracia é que nos deixa conviver com nossas legítimas diferenças pessoais e nos permite sonhar com maior justiça social. Nenhuma ditadura serve mais ao Brasil. Acreditamos que a imensa maioria dos militares sabe disso. Pena que exatamente o presidente da República esteja em contradição com a nossa Constituição. Nesses 55 anos do golpe de 1964, em ato de verdadeiro amor pelo Brasil, proclamamos: Democracia Sempre, Ditadura Nunca Mais.

Publicado em Política

O golpe militar de 1º de abril de 1964 foi arquitetado pelos militares de alta patente em conluio com os grandes capitalistas, subservientes aos interesses dos Estados Unidos.

Durante décadas, os generais golpistas tentaram esconder a participação de Washington na derrubada de João Goulart. Entretanto, documentos fornecidos pelo governo dos EUA revelam que os yankees acompanharam de perto os preparativos e auxiliaram na execução do plano que instauraria no Brasil uma ditadura sanguinária que durou 21 anos. Era necessário que o Brasil estivesse sob o controle da Casa Branca para garantir a hegemonia estadunidense na exploração dos países latinos.

À época do golpe, João Goulart prometeu medidas como o aumento do salário mínimo e a reforma agrária. Grandes empresários, ruralistas e membros das Forças Armadas extremamente descontentes com essas reformas uniram forças para rasgar a Constituição. São dessa época o mito da "ameaça comunista" e outras falácias inventadas pelos milicos, repetidas até os dias de hoje. Qualquer semelhança da tática de propaganda adotada à época com as utilizadas durante a campanha eleitoral que levou Jair Bolsonaro ao Planalto não é mera coincidência. Hoje os militares e Paulo Guedes, o lacaio dos banqueiros, querem empurrar a chamada "Reforma" da Previdência goela abaixo dos mais pobres e acabar com o resto dos direitos trabalhistas que ainda resistiram ao curto governo do corrupto e também golpista Michel Temer. Para isso, recorrem a uma intensa campanha de desinformação com divulgação massiva.

Generais brasileiros querem entregar a Petrobrás para estrangeiros

É cada vez maior o número dos que se convencem de que o Estado-Maior das Forças Armadas não tem nada de nacionalista. Nunca vimos ameaça maior à Petrobrás depois que os militares passaram a ocupar ministérios e posições estratégicas à frente de Estatais, no governo do fascista Bolsonaro.

Sempre é bom lembrar que militares da patente do general Villas Boas, extremamente ágeis em dar declarações nas redes sociais sobre temas diversos, assistiram calados a entrega do petróleo brasileiro na camada Pré-Sal, a preço de banana, nos leilões da ANP. Em diversas ocasiões o general Hamilton Mourão defendeu a entrega das refinarias da Petrobrás para empresas estrangeiras.

O plano da Lava Jato de entregar os segredos da Petrobrás às empresas estadunidenses em troca de R$ 2,5 Bi para os comparsas de Moro recebeu total apoio dos militares. O procurador do ministério público federa, Deltan Dallagnol, chegou a ser condecorado pelo
Exército logo após o "acordo" ter vindo à tona.

Para executar o plano de destruição da maior estatal do país, Castelo Branco, homônimo do general golpista cearense que deu o pontapé inicial aos anos de chumbo e vergonha, foi o fantoche escolhido para ocupar a presidência da Petrobrás. Castelo Branco tem se empenhado em ameaçar os petroleiros com demissões, destruição do ACT e da liberdade sindical.

O projeto dos milicos para o País

O general Hamilton Mourão foi aplaudido por empresários durante evento recente na FIESP. Mourão reafirmou a necessidade de que o povo pague a conta da crise. Também assumiu seu compromisso com a agenda neoliberal. Ou seja, os milicos de "quatro estrelas" vão impor a pauta dos empresários e banqueiros na retirada dos direitos e destruição da previdência para os trabalhadores, enquanto entregam para os gringos a Petrobrás, Embraer, Alcântara, Eletrobrás e tudo mais que for do desejo estrangeiro.

Em visita recente aos EUA, Jair Bolsonaro envergonhou os brasileiros ao entregar nossa soberania numa bandeja a Donald Trump, com o aval dos generais.

A luta dos trabalhadores

A exemplo do que fizeram os verdadeiros heróis e heroínas do povo brasileiro que lutaram contra a ditadura militar fascista, os trabalhadores petroleiros repudiam o projeto entreguista dos traidores de farda.

É necessário resistir ao governo fascista de Bolsonaro e aos ataques dos criminosos lesa-pátria instalados na direção da Petrobrás

PELOS DIREITOS DOS TRABALHADORES.

CONTRA O FIM DA PREVIDÊNCIA.

PELA PUNIÇÃO DOS ASSASSINOS E TORTURADORES DA DITADURA MILITAR FASCISTA DE 64.

PELA PUNIÇÃO DOS TRAIDORES LESA-PÁTRIA. 

[Sindipetro-Ceará]

Publicado em SINDIPETRO-CE

"Não vamos sucumbir", dizia o arquiteto Ricardo Ohtake diante do monumento – que ele projetou – em homenagem aos mortos e desaparecidos políticos, no Ibirapuera, em São Paulo, no encerramento de ato que reuniu milhares contra a ditadura e em repúdio ao governo, que mandou celebrá-la. O ex-secretário de Direitos Humanos Rogério Sottili, atual diretor do Instituto Vladimir Herzog, disse que a intenção é acionar o Ministério Público Federal (MPF) contra Jair Bolsonaro. O relator das Nações Unidas para a Promoção da Verdade, Justiça e Reparação, Fabián Salvioli, também será procurado.

Milhares de pessoas se concentraram desde as 15h do domingo (31) no Parque do Ibirapuera, na zona sul paulistana, em ato que começou com apresentações musicais e, ao entardecer, teve uma passeata silenciosa em memória das vítimas da violência do Estado – de ontem e de hoje. Terminou já depois das 20h, com a cantora Fabiana Cozza interpretando o Canto das Três Raças (Mauro Duarte/Paulo César Pinheiro), seguida pela multidão. Ao final, flores, velas e fotografias foram postas no monumento, enquanto muitos choravam e se abraçavam. Integrantes da Guarda Civil Metropolitana chegaram a falar em 8 mil presentes, de acordo com o portal G1. A organização não divulgou estimativa.

De iniciativa da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos, a chamada I Caminhada do Silêncio reuniu artistas como Eduardo Gudin, Jean Garfunkel, Mário Gil, Breno Ruiz e Vicente Barreto, arregimentados, principalmente, por Renato Braz. Em um palco decorado por bordados, ele cantou, entre outras, Coração Civil (Milton  Nascimento/Fernando Brant) e Cálice (Gilberto Gil/Chico Buarque), com trechos de Fado Tropical (Ruy Guerra/Chico).

Golpe 64 ibirapuera 2

Jean declama: "Sabendo da mentira e da impostura/ Da mordaça e da censura/ Sabendo da fragilidade da palavra liberdade/ Da relevância da palavra vigilância/ Da inconsequência da palavra violência/ Da desventura da palavra ditadura". Gudin cantou os clássicos Mordaça (dele e de Paulo César Pinheiro) e Velho Ateu (Gudin e Roberto Riberti). O português Roberto Leão interpretou Cantiga de Maio, de Zeca Afonso, autor do "hino" da Revolução dos Cravos,Grândola, Vila Morena.

Nenhum discurso foi feito. A passeata saiu do interior do parque às 18h15, com os manifestantes em silêncio e segurando velas. A maioria vestia roupas pretas, conforme pedido dos organizadores.

No caminho, o ex-ministro de Direitos Humanos Paulo Sérgio Pinheiro comentava seu espanto com o momento político e a postura do governo, que determinou a "comemoração" do golpe de 1964. "É extremamente deprimente", dizia, andando ao lado do também ex-ministro José Carlos Dias e do brasilianista e historiador norte-americano James Green. "Por outro lado, é importante que a sociedade civil está atenta e viva", acrescentou Pinheiro, hoje na presidência da Comissão Arns de direitos humanos, da qual também participa outro ex-ministro, Paulo Vannuchi, mais um participante da passeata.

Pinheiro acredita que manifestações como a de ontem vão se repetir. Mas manifestava perplexidade ao lembrar que uma das recomendações da Comissão Nacional da Verdade, da qual participou, foi justamente no sentido de proibir exaltações oficiais ao golpe de 1964 – que a CNV reputou como responsável por graves violações de direitos humanos, como tortura, assassinato e desaparecimentos. "A verdade oficial do Estado é o relatório (da Comissão)", lembrou.

Crimes de ontem e de hoje

Às 19h05, sob aplausos, o público chega ao monumento, inaugurado em 2014 pelo então prefeito Fernando Haddad, à margem da Avenida Pedro Álvares Cabral e perto da Assembleia Legislativa. A procuradora regional da República Eugênia Gonzaga, presidenta da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos, toma a palavra, enquanto a passeata ainda continuava. Artistas começam a citar dados do período ditatorial e já da democracia, como assassinatos e chacinas, nomes de desaparecidos e tragédias como as de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais.

Como havia muita gente, foi usado o método do jogral, em que cada grupo vai passando as falas adiante. O ex-secretário estadual de Justiça Belisário dos Santos Júnior é um deles, enquanto o guitarrista Edgard Scandurra, de bicicleta, observa. Crescem os gritos de "ditadura nunca mais" e "tortura é crime, merece punição".Ato golpe 64 ibirapuera 2

Sottili disse não lembrar de um "31 de março tão polarizado" em muitos anos, destacando a reação social contra a ditadura e pela democracia. "A inabilidade política (do governo) criou um processo de mobilização muito forte e que tende a crescer. O vídeo que o Planalto soltou hoje é de uma atrocidade, de uma provocação desmedida", afirmou, referindo-se a vídeo divulgado nas redes sociais em defesa do golpe de 1964. É justamente esse material que será usado contra o governo, lembrou o ex-secretário de Direitos Humanos.

Antes do ato no Ibirapuera, o Instituto Vladimir Herzog e familiares de desaparecidos políticos haviam divulgado nota para repudiar o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia negado seguimento a um mandado de segurança contra a determinação de Bolsonaro para a realização de comemorações do golpe. Segundo o ministro, não se tratava de "ato passível de ser questionado por meio de mandado de segurança".  Para Mendes, não parecia adequado "enquadrar como ato de autoridade do presidente da República a opinião de natureza política transmitida por seu porta-voz". 

Na nota, o IVH e os familiares afirmam que o presidente da República "quebrou seu juramento à Constituição" ao determinar às Forças Armadas e ao Ministério da Defesa que tomassem providências para celebrar o golpe. "A Constituição democrática de 1988 e as normas internacionais de proteção de direitos humanos exigem que o Estado brasileiro reconheça que cometeu violações a direitos humanos e que promova a reparação para todas as vítimas e seus familiares", dizem no documento. "Qualquer ato de comemoração, celebração ou festejo do dia 31 de março de 1964 por parte das Forças Armadas poderá ser considerado um ato de improbidade e será comunicado ao Ministério Público Federal."

"Vamos novamente provocar o Ministério Público", disse Sottili, para quem o vídeo comprova a participação do presidente. "Agora tem ato de ofício", acrescentou. "E vamos pedir para que a ONU mande o relator para uma visita ao Brasil", lembrou, referindo-se a Salvioli. Ao blog de Jamil Chade no portal UOLo relator afirmou que a divulgação do vídeo representou "um retrocesso inaceitável" e "uma ofensa contra as vítimas que ainda não foram reparadas"

Ato golpe 64 ibirapuera

  [Via Rede Brasil Atual | Texto: Vitor Nuzzi| Fotos: Roberto Parizotti]

Publicado em Movimentos Sociais

Combate aos privilégios, kit gay, fake news durante a disputa eleitoral e outras mentiras ditas pelo presidente Jair Bolsonaro, desde sua campanha eleitoral, ano passado, fizeram o 1º de abril, popularmente conhecido como o Dia da Mentira, ser rebatizado como Bolsonaro Day (Dia do Bolsonaro, em inglês) nas redes sociais. Às 12h desta segunda-feira, a hashtag #BolsonaroDay era o quarto assunto mais comentado no Twitter mundial. No Brasil, a frase lidera como a mais comentada.

Entre os internautas que aderiram ao protesto, alguns lembraram episódios e frases polêmicas do presidente, como a negativa de que o regime militar foi uma ditadura e de que a reforma da Previdência serve para combater privilégios.

Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, usou a data para ironizar o presidente. "O Bolsonaro é uma das pessoas mais inteligentes que eu já conheci", brincou Haddad, no Twitter.

O deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) também entrou na brincadeira com o presidente. "Bolsonaro é patriota e não presta continência aos EUA; a Reforma da Previdência é justa com os que ganham menos; o governo está organizado e tem um projeto sólido para o país. Ah, sim: não houve golpe em 1964 ou Ditadura com tortura e mortes", ironizou.

"No dia da mentira, Bolsonaro faz um pronunciamento à Nação, afirma que venceu as eleições de forma limpa e que jamais mentiu para o povo brasileiro", também brincou a deputada federal Erika Kokay (PT-DF).

[Via Rede Brasil Atual]

Publicado em Política

O dia que durou 21 anos

Documentos secretos e gravações originais de 1964 mostram a influência do governo dos Estados Unidos na ação militar que mergulhou o Brasil em 21 anos de ditadura. O filme destaca a participação da CIA e da própria Casa Branca no golpe que derrubou o presidente João Goulart. 

Torre das Donzelas

Vencedor de vários prêmios, o filme aborda o drama e o cotidiano de um grupo de mulheres encarceradas pela ditadura militar em uma cela do presídio Tiradentes, em São Paulo, entre os anos de 1969 e 1972. A ala que recebeu as presas politicas ficou conhecida como Torre das Donzelas e abrigou a ex-presidenta Dilma Rousseff, que foi barbaramente torturada. Aqui, você pode conhecer o trailer do filme. 

 

Cidadão Boilesen

O documentário conta a história do empresário dinamarquês Henning Albert Boilesen, naturalizado brasileiro, dono do grupo Ultra e um dos principais financiadores da tortura durante a ditadura militar. Ajudou a financiar a Operação Bandeirante (Oban), criada pelo Exército para investigar e reprimir grupos da esquerda.  É um dos raros filmes que mostram os vínculos do empresariado com a repressão no regime militar. 

Pastor Cláudio

O documentário registra um encontro histórico entre duas figuras antagônicas: o ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), Cláudio Guerra, e Eduardo Passos, um psicólogo e ativista dos Direitos Humanos. Atualmente pastor de igreja evangélica, o ex-agente da ditatura confessa que assassinou e incinerou diversas pessoas que lutaram contra o regime militar. Aqui, você pode conferir uma versão resumida do documentário, cuja íntegra está em exibição nos cinemas brasileiros. 

Cúmplices? A Volkswagen e a Ditadura Militar no Brasil

Documentário alemão revela as investigações feitas pelas TVs estatais NDR e SWR e pelo jornal Süddeutsche sobre a colaboração da Volkswagen com a ditadura militar brasileira. 

Expurgado

O documentário produzido pelo Sindipetro-PR/SC conta a história de José Romeu Nadolny, um petroleiro que foi expulso da Petrobrás e perseguido pela ditadura militar, por ser considerado comunista e subversivo. Ele ajudou a construir a Usina do Xisto (SIX) e foi um dos fundadores do sindicato. Três meses após o golpe de 1964, foi expurgado da Petrobras. 

Publicado em Política

A Comissão Nacional da Verdade comprovou a participação de diversos empresários no golpe de 1964 e na sustentação da ditadura militar. O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) foram os instrumentos de financiamento utilizados por eles. Em depoimento à Comissão, Paulo Egydio Martins, governador “biônico” de São Paulo entre 1975 e 1979, afirmou que os empresários usavam dinheiro de caixa dois nas doações que faziam a estes institutos.

A Volkswagen, por exemplo, colaborou de forma ativa com a ditadura brasileira, como revelou a força tarefa investigativa formada pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e pelas emissoras estatais NDR e SWR. Os jornalistas tiveram acesso exclusivo à investigação externa, ordenada pela própria empresa para tentar encobrir sua ligação com os agentes e órgãos de repressão do regime militar. "Operários eram presos na planta da fábrica e, em seguida, torturados: a colaboração da Volkswagen com a ditadura militar brasileira foi, aparentemente, mais ativa do que antes presumido", revelou a reportagem do Süddeutsche Zeitung (saiba mais)

Alguns empresários participavam diretamente do esquema, subsidiando a estrutura de repressão da ditadura. O mais famoso deles, Henning Boilesen, do grupo Ultra, que controlava a Ultragaz, ajudou pessoalmente os militares a importar instrumentos de tortura. Um dos aparatos chegou a ser batizado com o nome do empresário, que também assistiu sessões de tortura no DOI-CODI de São Paulo.

Em 2009, o cineasta Chaim Litewski lançou o documentário “Cidadão Boilesen”, após 16 anos de investigações sobre a ligação do empresário dinamarques, naturalizado brasileiro, que foi um dos principais financiadores da ditadura e teve participação direta na criação da temível Oban – Operação Bandeirante, que investigava e reprimia grupos da esquerda. O documentário mergulha a fundo na história de Boilesen, através de depoimentos, imagens e reconstituições de fatos narrados pelos entrevistados. Assita a seguir: 

[FUP]

Publicado em Política
Quinta, 28 Março 2019 15:21

Primeiro de abril de 1964, o retorno

Passados 55 anos do golpe militar, que em primeiro de abril de 1964 mergulhou o Brasil em duas longas décadas de ditadura, o país enfrenta novamente os desmandos de um governo  que enaltece torturadores, viola direitos e mente para o povo. Enquanto famílias de desaparecidos ainda lutam por justiça, o capitão-presidente Jair Bolsonaro evoca os quartéis a se levantar em defesa das atrocidades do regime militar.

Assim como hoje, a classe trabalhadora, os sindicatos e as organizações populares foram os principais alvos da ditadura. Na Petrobrás e em outras estatais, trabalhadores foram ameaçados, perseguidos e denunciados por serviços internos de inteligência, que agiam articuladamente com os órgãos de repressão. Os sindicatos sofreram intervenções e os dirigentes foram perseguidos e reprimidos. 

Qualquer semelhança com o atual momento e com o que ainda pode estar por vir não é mera coincidência. Vide o Decreto 9.735/19 e a Medida Provisória 873/19, ambos inconstitucionais e editados por Bolsonaro para tentar asfixiar os sindicatos e, assim, impedir a resistência dos trabalhadores.

Os núcleos que apoiaram e deram sustentação à ditadura militar nos anos 60 e 70 são os mesmos que insuflaram o ódio contra o PT e a esquerda, a ponto de eleger um presidente forjado por fake news. Hoje se sabe que o golpe de 1964 foi gestado em conjunto com os Estados Unidos, sob o pretexto de salvar o Brasil do comunismo. O mesmo roteiro que elegeu Bolsonaro.  

Na época, o então presidente João Goulart foi acusado de querer implantar no país uma “república sindical”, ao defender reformas sociais e o fortalecimento da Petrobrás. Foi derrubado com o apoio dos empresários, do sistema financeiro e da mídia, que, cinco décadas depois, golpearam a presidenta Dilma Rousseff.

Até agora o Brasil não se recuperou. O desemprego e a miséria só aumentam e os trabalhadores são chamados a pagar a conta de um golpe que mergulhou o país no caos político, social e econômico.  Enquanto isso, Bolsonaro finge que governa, propondo sandices, como as homenagens a 31 de março, uma data tão falsa quanto o seu governo. O golpe se deu em Primeiro de Abril, o dia da mentira, o que levou os militares a inverter a data.

Os capítulos seguintes dessa história nós conhecemos de cor. Os assassinatos, as torturas, os desaparecimentos, a censura, o Estado de Exceção não serão esquecidos, muito menos comemorados. O passado nos mostrou o caminho da resistência. Ditadura nunca mais.   

434 mortos e desaparecidos

Em 2012, o governo Dilma Rousseff instalou a Comissão Nacional da Verdade (CNV), que durante dois anos e meio recolheu depoimentos e levantou uma série de dados sobre os crimes da ditadura. As investigações resultaram em um relatório com mais de quatro mil páginas, onde foram listados 434 mortos e desaparecidos, bem como as circunstâncias e autoria dos crimes. A Comissão responsabilizou 377 pessoas pelas mortes, torturas e demais violações aos direitos humanos, entre eles agentes das Forças Armadas, empresários e ex-ditadores.

“Um golpe de classe”

Além de assassinatos e torturas, a ditadura militar violou direitos dos trabalhadores, arrochou os salários, acabou com a estabilidade no emprego e impôs uma lei antigreve. “Os trabalhadores foram o objeto principal do golpe, que foi um golpe de classe. Um golpe contra uma ‘República Sindical´. Não era a questão comunista a principal, mas dar um golpe contra a causa dos trabalhadores. Isso tinha muito a ver com o Estado que eles queriam construir naquele momento. A repressão se abateu, principalmente, sobre a classe trabalhadora”, afirmou a jurista Rosa Cardoso, que coordenou a Comissão da Verdade.

Acesse aqui a edição especial da FUP sobre a ditadura

[FUP]

Publicado em Política

A União Europeia posicionou-se na manhã desta segunda-feira (25) contra a intervenção militar na Venezuela, defendida pelo governo dos EUA, pelo governo da Colômbia e pelo clã Bolsonaro. "A posição da União Europeia neste contexto é muito clara: é preciso evitar a intervenção militar", afirmou a porta-voz da diplomacia europeia, Maja Kocijancic. 

Segundo a porta-voz, a União Europeia quer uma saída "pacífica, política e democrática” para a crise, o que “exclui a violência”, informa a HispanTV.

Representantes de 13 dos 14 países do Grupo de Lima, com exceção do México, se reúnem em Bogotá para discutir a crise na Venezuela. Apesar de os Estados Unidos não participarem oficialmente como país membro do bloco, representantes do governo Trump vêm acompanhando as reuniões – desta vez com a presença do vice-presidente estadunidense Mike Pence. 

Manifestada poucas horas da reunião do Grupo de Lima em Bogotá, a posição da União Europeia é ainda mais relevante. O chefe da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente do país, compareceu ao encontro para defender que a América Latina apoie a opção militar.

A posição da União Europeia isola a tríplice aliança entre o governo americano (Trump), o colombiano (Duque) e o clã Bolsonaro, que sequer representa a posição unificada do governo brasileiro. Enquanto Jair e seus filhos acompanham Trump e batem o tambor da guerra, com o sempre obediente Ernesto Araújo às ordens, os militares que comandam o governo rejeitam, segundo o vice-presidente Hamilton Mourão, uma intervenção no país vizinho.

A senha para a intervenção foi dada sábado por um Juan Guaidó derrotado depois que o projeto de invasão do território venezuelano com a fantasia de "ajuda humanitária" fracassou e o presidente eleito da Venezuela, Maduro sagrou-se vencedor do "Dia D", como a extrema-direita denominou o dia 23 de fevereiro e abandonou a denominação assim que sua derrota tornou-se clara. 

Derrotado e isolado em seu país, ele apela diretamente ao império para que invada seu país. Por isso, foi qualificado por Maduro no sábado como "traidor".  

Povo venezuelano resiste

O fim de semana foi marcado por tensões na fronteira da Venezuela com a Colômbia, onde manifestantes contrários ao governo bolivariano tentaram forçar a entrada de “ajuda humanitária” dos Estados Unidos em território venezuelano. O governo de Nicolás Maduro acusa a ação de ser uma tentativa de infiltrar um “cavalo de troia” no país para abrir caminho a uma intervenção militar. Após horas de conflito, o plano de Guaidó de furar o bloqueio venezuelano fracassou.

"Todos contribuíram, desde as mulheres que ontem no combate foram, em meio ao palco do conflito, levar água com limão para nossos soldados [para ajudá-los a enfrentar o calor seco da região], até as mulheres e homens que resistiram a mais de 15 horas de enfrentamentos, de ataques paramilitares, de ameaças”, afirmou o representante do governo nacional no estado venezuelano de Táchira, Freddy Bernal.

Ele se refere aos 1.500 civis venezuelanos que se uniram aos agentes militares na fronteira com a Colômbia para evitar que opositores de Maduro furassem o bloqueio e entrassem no país com uma suposta ajuda humanitária vinda dos Estados Unidos. Segundo o governo colombiano, o carregamento incluía 90 toneladas de alimentos.

Os dirigentes da FUP, Cibele Vieira e Alexandre Finamori, participam na Venezuela da Assembleia Internacional dos Povos (AIP), junto com delegações de 85 países. O encontro teve início no domingo, 24, e prossegue até 27 de fevereiro.  

A subserviência do governo Bolsonaro

"Além de não ter dado em absolutamente nada, em termos práticos, o papel do Brasil na tentativa de intervenção americana na Venezuela está sendo um fiasco do ponto de vista político. A participação desnecessária e sem sentido, além de subserviente, expõe, mais uma vez, o Brasil a um vexame planetário. O mundo inteiro está nos vendo como um país ajoelhado e nu diante dos Estados Unidos, único interessado nessa patifaria que se comete contra um país que elegeu o seu governo de forma legítima. Um país cujo pecado é ser potencialmente rico em razão de suas reservas milionárias de petróleo, alvo único da ira de Donald Trump e seus miquinhos amestrados brasileiros e colombianos", afirmou o jornalista Gilvandro Silva, em artigo no Brasil 247.

"Não é preciso ser defensor do governo de Nicolás Maduro para repudiar, com veemência, a intromissão absurda e criminosa dos governos dos Estados Unidos, da Colômbia e do Brasil nos assuntos internos da Venezuela", declarou o cientista político Aldo Fornazieli. "A farsa da ajuda humanitária ficou desnudada. Tratava-se de um ardil, de uma emboscada, para promover um golpe interno por meio de uma ação externa, visando derrubar o governo venezuelano e instalar um governo ilegítimo e golpista de Juan Guaidó", destacou.

[Com informações do Brasil 247 e do jornal Brasil de Fato]

Publicado em Política
Página 1 de 2

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

Instagram