Cinco petroleiros já perderam a vida este ano em acidentes de trabalho no Sistema Petrobrás. É o saldo de uma gestão de SMS que descumpre acordos e legislações, negligencia a segurança e pune os trabalhadores com um sistema de consequências que só faz aumentar a subnotificação.

Na reunião da Comissão de SMS, realizada quinta-feira, 16, a FUP reforçou a urgência de uma política efetiva de prevenção de acidentes e criticou veementemente a postura dos gestores, que seguem na direção contrária. Além de não participar das reuniões da comissão, que é o fórum previsto em Acordo Coletivo para tratar das questões de SMS, a Gerência Executiva ainda tentou impor à FUP uma reunião paralela nesta sexta-feira, 17, que não foi discutida previamente na comissão, nem sequer teve a pauta divulgada.

Isso já aconteceu com a AMS e a PLR. “Não daremos cheque em branco para os gestores continuarem atropelando o ACT”, avisou a FUP. O desrespeito à Comissão de SMS é tamanho, que as gerências levaram dois meses para responder parcialmente à pauta apresentada em março. Nesse intervalo, mais dois trabalhadores morreram em acidentes na Petrobrás. É como diz aquela música: “Tudo agora mesmo pode estar por um segundo”.

Respeito às NRs

Em um cenário de precarização das condições de trabalho, onde o governo Bolsonaro quer revisar as Normas Regulamentadoras de proteção à saúde e segurança dos trabalhadores, a FUP enfatizou a importância da Petrobrás garantir o cumprimento das NRs.

O diretor do Sindipetro Unificado de São Paulo, Itamar Sanches, que representa a CUT na Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP), que trata sobre regulamentações na área de segurança e saúde no trabalho, fez um apelo aos gestores para que defendam as conquistas obtidas. “Tivemos avanços importantes ao longo dos anos. Não queremos que os acidentes que mancharam a imagem da Petrobrás no passado, matando centenas de trabalhadores e afetando o meio ambiente, voltem a acontecer”, ressaltou.

A FUP destacou a importância da construção conjunta da NR 37, que trata especificamente da segurança nas plataformas de petróleo, e cobrou que os gestores da Petrobrás ajudem na consolidação da norma. Uma das ações neste sentido é garantir a participação dos sindicatos na implementação da NR. O RH informou que a empresa apresentará um cronogramas de implementação da norma no encontro anual dos presidentes e vice-presidentes das CIPAs.

Em relação à cobrança que a FUP fez na última reunião da Comissão sobre o cronograma de treinamentos dos trabalhadores, a Petrobrás informou que está sendo preparado um pacote de cursos de reciclagens e treinamentos, nos mesmos moldes do que está sendo implementado em relação à NR-20, via ensino à distância (EaD). A FUP pontuou que os trabalhadores têm relatado uma série de dificuldades nesses treinamentos, pois ainda há gerências que insistem que os cursos sejam feitos simultaneamente à realização das atividades laborais, o que contraria a NR-20.

O RH informou que já foi divulgado um DIP coibindo essas ações e orientando sobre a educação à distância. A FUP, portanto, reforça a importância dos trabalhadores relatarem para os sindicatos como tem sido a implementação das NRs em suas unidades, tanto em relação aos treinamentos, quanto ao seu efetivo cumprimento

Segurança industrial 

A explosão em janeiro de um duto da Pemex (petrolífera mexicana) durante furto de gasolina matou 130 pessoas. No mesmo mês, em Minas Gerais, a Vale causou o maior acidente de trabalho da história do país, com pelo menos 235 mortos (ainda há 35 desaparecidos), após o rompimento de mais uma barragem. Em fevereiro, um incêndio no alojamento do Centro de Treinamento do Flamengo matou 10 adolescentes.

O que essas tragédias têm a ver com o SMS da Petrobrás? Diretamente, nada. Mas há uma grande similaridade com os diversos ambientes de trabalho. A empresa tem sete barragens de água em seis refinarias, duas delas na Rlam (BA). Há trabalhadores que ficam horas em instalações permanentes dentro das unidades industriais, como casarios e dormitórios. Petroleiros próprios e terceirizados são vítimas de criminosos que atacam os dutos da Transpetro para roubar combustíveis.

Não é de hoje que a FUP vem alertando para os riscos de um grande acidente industrial no Sistema Petrobrás, principalmente após as privatizações, cortes de custos com segurança e manutenção das unidades e redução drástica dos efetivos de trabalhadores.  Ao responder aos questionamentos sobre os padrões de segurança e inspeção dessas áreas, as gerências informaram que seguem as orientações legais, mas deixaram muitas perguntas sem respostas. No caso dos furtos de combustíveis por derivações clandestinas nos dutos, a Transpetro informou que as ocorrências saltaram de uma, em 2011, para 261, em 2018, e admitiu que não tem padrões diferenciados para as equipes de contingência  que atuam em situações de emergência.

Faixa de dutos

A FUP ressaltou que os técnicos de dutos (andarilhos), além dos riscos que correm, não têm condições seguras de trabalho, em função da redução de efetivos e da precarização. Até hoje, a empresa sequer resolveu a pendência do ACT referente à implantação do adicional de dutos. Outra questão ressaltada foi a subnotificação de acidentes com trabalhadores terceirizados que atuam nos reparos e limpeza dos vazamentos, a maioria deles sem EPIs e sem treinamento. Os contratos são temporários, não há registros de análises de risco, nem de acidentes, muito menos acompanhamento dos sindicatos. A FUP cobrou da Transpetro que resolva o mais rápido possível os problemas relatados.

Casarios e dormitórios

A Petrobrás informou que cumpre os padrões de segurança e rotinas operacionais de proteção previstos para essas instalações.  A FUP questionou, destacando que, durante as greves nas refinarias, a empresa sofreu diversas autuações de fiscais do MPT por manter equipes de contingências em áreas industriais, lembrando que esses trabalhadores chegaram a dormir em salas de baterias e instalações próximas a subestações e outras unidades operacionais. Os dirigentes sindicais também cobraram informações sobre aplicação de simulados de emergência em prédios administrativos dentro das áreas industriais.

Barragens

A FUP cobrou que a Petrobrás oriente as gerências das refinarias que têm barragens de água a disponibilizarem para consulta dos sindicatos os relatórios de inspeção, que, segundo a empresa, ficam disponíveis para consulta no setor de engenharia.

Outros pontos

A FUP solicitou que a Transpetro apresente os critérios utilizados para estabelecer o número mínimo de trabalhadores que atuam nas brigadas, ressaltando que no Sudeste a empresa não está cumprindo sequer a NR 20 e a NBR 14276, normas referentes ao dimensionamento das brigadas de combate a incêndio.

Outra cobrança feita pelas direções sindicais foi sobre a realização de fóruns nacionais sobre segurança de processo e efetivos.

[FUP]

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Trabalhadores da Replan denunciam as más condições do forno reformador do HI, cujo refratário interno caiu e que está operando em altas temperaturas, colocando em risco os operadores.

A situação já havia sido comunicada à gerência anteriormente, foram feitos anteparos, que não resultaram na solução do problema. “Como a parada está prevista para ocorrer apenas em agosto, todos estão preocupados com as condições do forno, tanto pelo risco de um acidente com a máquina quanto pela condição insalubre que é operar com as altas temperaturas”, afirma o coordenador da Regional Campinas, Gustavo Marsaioli.

Segundo operadores, a temperatura passa de 80 graus, o que fez, inclusive, com que o solado da bota de trabalhador derretesse. “Para subir no reformador só com alguém acompanhando, porque a pessoa passa mal lá devido ao calor”, relatou um operador.

O Sindicato solicita que, além da inspeção do equipamento, seja feita uma análise da Higiene Ocupacional para determinar o grau de insalubridade do trabalho. A Cipa já foi acionada, mas a gerência da refinaria tem que tomar uma atitude urgente para evitar mais um acidente na Replan.

[Via Sindipetro Unificado SP]

Quarta, 20 Março 2019 19:23

Incêndio atinge dique de tanque da Rlam

Um incêndio atingiu a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), no município de São Francisco do Conde, na Bahia, na tarde desta quarta-feira (20).

Segundo informações preliminares obtidas pelo Sindipetro-BA, o fogo atingiu o dique do tanque F4634C. A brigada de incêndio da refinaria foi acionada e as chamas foram debeladas.

O dique é uma área de proteção do tanque para que em caso de vazamento essa área retenha o óleo ou outras substâncias em uma área contida. Segundo o Sindipetro, normalmente esses diques contém resíduos de produtos e por esse motivo a fumaça causada pelo incêndio desta quarta foi bem escura.

O sindicato informou ainda que o incidente não deixou vítimas e que o tanque não foi atingido. 

[Via Bahia Notícias]

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No final da tarde desta sexta, 15, mesmo dia em que completam 18 anos do acidente com a P-36, o Sindipetro-NF foi informado que o mergulhador Walter Luiz dos Santos, 39, da empresa Belov Engenharia, passou mal durante um mergulho e morreu.

O trabalhador estava na embarcação Aroldo Ramos na Bacia de Campos, a serviço da Petrobras e não se sentiu bem durante um trabalho. Por volta das 16h foi transferido para a P-33 para atendimento pela enfermagem da plataforma e vídeo conferência com o médico, mas não resistiu.

Segundo informações, a equipe de bordo aguarda embarque da polícia e médico para a retirada do corpo. O Sindipetro-NF está cobrando da empresa mais informações sobre caso e a garantia na participação na Comissão de Investigação do Acidente..

O último acidente com mergulhador, que se tem notícia na indústria do petróleo, ocorreu em agosto de 2018, com Athayde dos Santos Filho, 57 anos, da empresa Fugro, que prestava serviços para a petrolífera no projeto de expansão da produção da Plataforma de Mexilhão, na Bacia de Santos. Veja mais clicando aqui.

[Via Sindipetro-NF]

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No dia 15 de março de 2001 aconteceu um dos mais graves e emblemáticos acidentes em plataformas de petróleo, o da P-36. Onze trabalhadores morreram e seus corpos foram para o fundo do mar junto com a plataforma que afundou.

Nessa sexta, 15, o Sindipetro Norte Fluminense realizará um Ato Político no Farol de São Tomé, a partir das 7h30, que contará com a presença de familiares dos trabalhadores mortos nesse terrível acidente da P-36.

Durante a atividade que defende o direito à vida e ao trabalho seguro serão distribuídas camisas e feitas denúncias sobre as condições de saúde e segurança na Petrobras e nas empresas de petróleo.

Na época do acidente P-36, o país “vivia uma série de privatizações, de destruições, de vazamento na Baía de Guanabara, de vazamento no rio Paranagua”. Cenário muito parecido com o momento em que se vive na Petrobras de venda de ativos, destruição da empresa, diminuição da manutenção e dos trabalhadores a bordo. Atualmente, o trabalhador não está treinado tem que assumir um posto de trabalho, por que se não fizer sofre assédio.

Acidente

Na madrugada de quinta-feira, 15 de março de 2001, às 0h22 teve início o acidente com a P-36, localizada no campo de Roncador, que vitimou onze trabalhadores. A maioria deles fazia parte da brigada de incêndio que desceu à coluna de popa boreste para verificar o ocorrido. Os outros 175 trabalhadores foram retirados com vida da plataforma.

No dia seguinte, a P-36 começou a mostrar sinais de inclinação e deu indícios que iria afundar. Foram dias de angústia para os parentes, colegas de trabalho e para o país. Na quarta, 21, às 10h45 a plataforma começa a afundar, levando os corpos dos trabalhadores mortos.

Bandeira de luta

A partir de março de 2001 o Sindipetro-NF continuou a fazer a luta da segurança e da saúde como uma das suas principais bandeiras.

Entre as conquistas que foram frutos da atuação sindical após a tragédia da P-36 foram os embarques para reuniões de Cipa, as Cipas por plataforma, as participações de representantes do sindicato em comissões de investigação de acidentes e o Direito de Recusa. O sindicato tem advertido, no entanto, que todos estes avanços, no entanto, assim como tantos direitos da classe trabalhadora, estão ameaçados pelo cenário político de retrocessos presente no País.

[Via Sindipetro-NF]

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Caldeireiro da empresa RIP, Márcio Azevedo Ferreira, 34 anos, sofreu amputação da ponta de um dos dedos da mão durante trabalho em P-63, na Bacia de Campos, na última sexta, 8. O trabalhador atuava em uma operação de torqueamento de linha.

O acidente foi comunicado ao Sindipetro-NF pela área de SMS da Petrobrás. O trabalhador foi desembarcado e passou por cirurgia. Ferreira se manterá afastado das suas atividades por 15 dias.

O Sindipetro-NF integrará a comissão que vai apurar as causas do acidente de trabalho. A entidade está em alerta em razão de uma sequência de acidentes recentes nas áreas operacionais da Petrobrás.

A entidade reforça o chamado à categoria para que mantenha o sindicato informado sobre as condições de trabalho em todas as unidades, por meio de envio de relatos para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. A identidade da autoria do relato é preservada pelo NF.

[Via Sindipetro-NF]

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O vazamento de óleo na plataforma P-58, no litoral capixaba, no último sábado, 23, é mais um sintoma da falta de investimentos da Petrobrás na área de segurança operacional. A avaliação é do coordenador geral do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, que acompanha o caso por meio da atuação do Sindipetro-ES.

“Fizemos contato com os companheiros da diretoria do Sindipetro-ES. Há um diretor deles a bordo da unidade. Este é mais um caso que mostra a falta de investimento em prevenção, em um ambiente gerencial que só pensa em punir os trabalhadores”, afirma Tezeu.

De acordo com informações da Petrobrás, foram derramados 188 mil litros de óleo no mar. O acidente, ainda segundo a empresa, ocorreu em decorrência do rompimento de um mangote durante uma operação de transferência de petróleo da plataforma para um navio aliviador.

Em nota, a Petrobrás afirmou ainda que as ações de controle e recolhimento do óleo foram bem sucedidas, “restando apenas uma mancha residual”.

[Via Sindipetro-NF]

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Segunda, 11 Fevereiro 2019 18:34

Crimes impunes, vidas em vão?

Colocar vidas em risco não é acidente. É crime. No entanto, a conta sempre recai sobre a vítima. As barragens de rejeitos de minérios que se romperam em Mariana e em Brumadinho não foram acidentes. As tragédias já estavam anunciadas, mas nenhum executivo da Samarco e da Vale foi responsabilizado pelos riscos a que submeteram os trabalhadores e as populações. A conta da negligência quem paga são as centenas de vítimas.

A história se repete com mais uma tragédia anunciada. Agora, no Centro de Treinamento do Flamengo, onde dez adolescentes foram carbonizados em alojamentos de containers que não tinham sequer alvará para funcionamento.  O presidente do clube, Rodolfo Landim, ainda teve a cara de pau de arranjar desculpas para as negligências cometidas pelos gestores.  

Na coluna desta segunda-feira, 11, no Portal UOL, o jornalista Renato Maurício Prado, critica duramente a covardia do presidente do Flamengo, que tenta se isentar diante das responsabilidades da gestão do clube com a terrível tragédia que comove o país.  

“Sonhei que o Flamengo tinha um presidente à altura de sua grandeza ... No meu sonho, o presidente do Flamengo não fugiria de nenhum questionamento, ainda que não fosse diretamente responsável pela tragédia (até porque assumiu há pouco mais de um mês)... Acordei, empapado de suor e ainda arrasado pela devastadora calamidade rubro-negra. Acorda também, Rodolfo Landim! E assuma, de uma vez por todas, a postura que um presidente do Flamengo tem que ter”, destaca o jornalista em sua coluna.  Leia aqui a íntegra do texto.

A omissão covarde de Landim é a mesma dos gestores que acham que podem tudo quando se trata de garantir o lucro dos acionistas, mesmo que coloquem em risco a vida dos trabalhadores e da população.  Quando o bicho pega, tiram o corpo fora e ainda tentam culpar a vítima pela imprudência e negligência que cometeram.  A conta sempre sobra para o trabalhador.

No Sistema Petrobrás não é diferente. Há quatro anos, uma explosão que matou nove petroleiros no navio plataforma Cidade de São Mateus segue impune. O acidente ocorreu em 11 de fevereiro de 2015, no litoral do Espírito Santo, e deixou 26 trabalhadores que estavam a bordo feridos e 39, traumatizados.  A embarcação pertencia à multinacional BW Offshore que, prestava serviços para a Petrobrás.

As apurações feitas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) e demais órgãos fiscalizadores comprovaram que houve erros e negligência dos gestores e tanto a BW, quanto a Petrobrás foram responsabilizadas pelo acidente. No entanto, nenhum executivo foi condenado. A BW, além de subnotificar a emissão de CATs (Comunicados de Acidente de Trabalho), ainda lançou um Plano de Demissão Voluntária, onde obrigou os trabalhadores que quisessem aderir a abrir mão de processos contra a empresa. Um cipista que denunciou as irregularidades e negligências que levaram à explosão também foi arbitrariamente demitido pela BW.

Para que este e outros “acidentes” anunciados no Sistema Petrobrás não caiam no esquecimento, dirigentes da FUP e do Sindipetro ES realizaram uma mobilização nesta segunda-feira nas bases da Petrobrás no estado, reafirmando que  vidas importam e valem mais que o lucro.

Vidas ceifadas pelo lucro

Explosão no FPSO Cidade de São Mateus

Vítimas: 09 trabalhadores mortos, 26 feridos e 39 traumatizados. Segundo o Sindipetro, a maioria das famílias ainda não foi indenizada.

Crime: segundo a ANP, 28 itens do Sistema de Gerenciamento de Segurança Operacional foram descumpridos pela BW. A principal causa da explosão foi a estocagem inadequada de condensado, que era feita com a conivência da Petrobrás, apesar de não estar prevista no contrato. O relatório não deixa dúvidas sobre a responsabilidade dos gestores no acidente: "decisões gerenciais tomadas pela Petrobrás e BW Offshore, ao longo do ciclo de vida do FPSO Cidade de São Mateus, introduziram riscos que criaram as condições necessárias para a ocorrência deste acidente maior", apontou o relatório da ANP.

Punição: a Petrobrás foi condenada por decisão de 1ª instância administrativa a pagar multa no valor de R$ 68.350.000,00 referente às 50 infrações identificadas durante o processo de investigação realizado pela ANP. A empresa preferiu não recorrer da decisão e foi agraciada com um desconto de 30% (previsto na legislação), pagando então uma multa de R$ 47.845.000,00. Nenhum gestor foi punido ou responsabilizado.

Rompimento da barragem da Vale em Mariana

Vítimas: 19 mortos, 400 famílias desabrigadas, 500 mil pessoas afetadas em mais de 40 cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo

 Crime: maior desastre ambiental do Brasil, cometido em 5 de novembro de 2015, pelas empresas Samarco, Vale e BHP BIliton, responsáveis pela barragem de resíduos de minérios de Fundão, que rompeu nos arredores da cidade mineira de Mariana.  Pelo menos 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos vazaram e contaminaram o Rio Doce até desaguar no Oceano Atlântico, no litoral do Espírito Santo, com consequências irreparáveis para o meio ambiente.

Punição: nenhum gestor das empresas foi punido até o momento. Em 2016, foi iniciado o julgamento de 21 diretores e ex-diretores da Samarco, Vale e BHP BIliton. O processo chegou a ser suspenso em julho de 2017 e retomado depois, sem previsão de conclusão ainda.  Das 68 multas aplicadas por órgãos ambientais, apenas uma está sendo paga, em 59 parcelas. Através de acordos feitos na Justiça, as vítimas garantiram o recebimento temporário de aluguel e uma pequena ajuda de custo mensal, mas ainda lutam por indenização.

 Rompimento da barragem da Vale em Brumadinho

Vítimas:  165 mortos, 160 desaparecidos, 393 resgatados com vida. A maioria das vítimas eram funcionários da Vale.

Crime: rompimento da barragem de rejeitos de minério de ferro da Vale, no dia 25 de janeiro, na Mina Córrego do Feijão, na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais. Informações iniciais apontam que pode ter havido fraudes nos relatórios que atestavam a segurança da barragem, além de uma série de imprudências e negligências cometidas pela empresa. Não foi acionado plano de fuga e nem as sirenes tocaram. Já é considerado o maior acidente de trabalho do país.

Punição: nenhum gestor foi punido ou responsabilizado até o momento.

 Incêndio no CT do Flamengo

 Vítimas:  10 adolescentes mortos e 03 feridos

Crime:  incêndio na madrugada do dia 08 de fevereiro no Centro de Treinamento do Flamengo, onde estavam alojados jogadores de base com idades entre 14 e 16 anos. Os meninos dormiam em containers, quando o incêndio se alastrou, causado, a princípio, por um curto circuito nos aparelhos de ar condicionado, que eram interligados.  Informações iniciais apontam que os alojamentos não tinham alvará para funcionamento, as instalações de ar condicionado tinham gambiarras e o Centro de Treinamento acumulava mais de 30 autos de infração desde 2017.

Punição: nenhum gestor foi punido ou responsabilizado até o momento.

[FUP]

 

 

Publicado em Trabalho
Quinta, 31 Janeiro 2019 10:59

Três anos sem Cabral

Em uma manhã como esta, no dia 31 de janeiro de 2016, um petroleiro não retornou pra casa depois da jornada de trabalho. O técnico de operação Luiz Augusto Cabral perdeu a sua vida na REDUC - Refinaria de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, ao cair dentro do TQ-7510, com óleo em uma temperatura a quase 80ºC. E seu corpo só foi encontrado após o esvaziamento do tanque que durou mais de 2 dias.

Os gerentes a época, foram omissos e culparam o próprio trabalhador por sua morte. Estes, apenas foram transferidos da REDUC sem sofrer nenhuma punição. A direção do Sindipetro Caxias não descansou até que as atividades em cima dos tanques fossem interditadas e que o SPIE (Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos) fosse caçado pelo Ministério do Trabalho e Emprego pela criminosa gestão. Além das várias multas que foram aplicadas à Refinaria por falta de manutenção.

Em 2018, a Petrobrás foi finalmente reconhecida como culpada da morte do petroleiro Luiz Cabral. No dia 17 de maio, a juíza do trabalho condenou a empresa ao pagamento de R$ 500.000 (quinhentos mil reais) de indenização à família do Técnico de Operação. A empresa ofereceu R$80.000 (oitenta mil reais) para encerrar o processo, mostrando que o mais importante para a diretoria/gerência da empresa é ignorar as suas falhas e perdurar o sofrimento da família do Cabral em um processo judicial com uma negociação rasteira de barateamento da vida do petroleiro.

Hoje a direção do Sindipetro Caxias junto com os trabalhadores continuam lutando para que haja fiscalização, manutenção dos equipamentos, aumento de efetivo na fábrica e que todos retornem em segurança para suas famílias, todos os dias.

CABRAL, PRESENTE!

Via Sindipetro Caxias 

Publicado em SINDIPETRO CAXIAS

Um incêndio de grande proporção atingiu a área de armazenamento da Petrobrás, que fica no Terminal Industrial e Multimodal da Serra (Tims), no final da tarde deste domingo (27). O diretor do Sindipetro-ES Valnisio Hoffman esteve no local e confirmou que nenhum trabalhador se feriu.

“No galpão estavam armazenados mais de mil e quinhentos flutuadores e todos foram consumidos pelo fogo. Além do prejuízo, a perda do material poderá comprometer o lançamento de linhas de produção de novas plataformas”, disse o Sindicalista.
 
O Sindipetro-ES já indicou um representante para a comissão de investigação do incêndio e também acompanhará o destino do terminal e dos trabalhadores, como serão remanejados ou absorvidos pela empresa, tanto os próprios quanto os terceirizados.
 
O sindicato reforça que recentemente enviou um ofício alertando do risco daquela área que já havia sido invadida, tendo equipamentos roubados. Infelizmente, a gerência não prestou a atenção necessária.

Fonte: Sindipetro ES

Publicado em SINDIPETRO-ES
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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