Pelo menos seis mulheres foram assassinadas pelos ex-companheiros; quatro delas eram da região sul do país 

[Da imprensa do Sindipetro PR e SC | Texto:Davi Macedo 

Os bordões natalinos mais repetidos remetem ao renascimento do amor, da paz e da esperança. Contrastam, no entanto, com os vários crimes de feminicídio ocorridos no Brasil durante as comemorações do feriado religioso.   

Na véspera do Natal, Viviane Vieira do Amaral, 45 anos e moradora de Niterói-RJ, foi morta a facadas pelo ex-marido na frente das três filhas pequenas que tiveram juntos. Thalia Ferraz, 23 anos, de Jaraguá do Sul-SC, foi baleada pelo ex-companheiro diante dos parentes. Evelaine Aparecida Ricardo, 29 anos, residente de Campo Largo-PR, interrompeu a ceia em família para atender ao chamado do namorado no portão e foi alvejada. Loni Priebe de Almeida, 74 anos, de Ibarama-RS, levou um tiro na cabeça pelo ex-companheiro, que se matou em seguida. 

Já no dia 25 a “pandemia de feminicídios” fez mais duas vítimas. Anna Paula Porfírio dos Santos, 45 anos, de Recife-PE, foi assassinada a tiros pelo marido dentro de casa, diante da filha de 12 anos. Enquanto Aline Arns, 38 anos, de Forquilhinha-SC, foi baleada pelo ex-companheiro, que cometeu suicídio em seguida, também no interior de sua residência. 

O crime de feminicídio no Brasil é tipificado pela Lei 13.104 de 2015 que o define como um homicídio qualificado e o coloca na lista de crimes hediondos, com penas mais altas, de 12 a 30 anos. É considerado feminicídio quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição da vítima ser mulher. 

Para Cristiane Fogaça, do Coletivo de Mulheres Petroleiras do Paraná e Santa Catarina, os crimes de feminicídio em período festivo chocam porque “são praticamente todos brutalmente planejados para ferir não somente as vítimas, mas também seus filhos. Mais que a crueldade em si que o feminicídio traz, é vil e sórdido que uma data que remete à felicidade e à renovação da esperança seja para sempre marcada na memória de alguém, ainda mais uma criança, como algo tão terrível. Esses assassinos são frios e calculistas. Odeiam aos seus, não têm caráter e empatia”. 

Um vírus e duas guerras

O monitoramento “Um vírus e duas guerras” revela que 497 mulheres perderam suas vidas desde o início da pandemia do novo coronavírus (em meados de março) até o final do mês de agosto. Foi um feminicídio a cada nove horas, com média de três mortes por dia em seis meses de pandemia. O índice médio do país foi de 0,34 feminicídios por 100 mil mulheres. 

O estudo dos casos é feito por uma parceria entre sete veículos de jornalismo independente, que visa monitorar a evolução da violência contra a mulher durante a pandemia. Participam as mídias alternativas Amazônia Real, sediada no Amazonas; #Colabora, no Rio de Janeiro; Eco Nordeste, no Ceará; Marco Zero Conteúdo, em Pernambuco; Portal Catarinas, em Santa Catarina; AzMina e Ponte Jornalismo, em São Paulo. 

Para Cristiane, os números revelam um problema social crônico. “Num período de pandemia, a ‘pandemia do feminicídio’ é mais um indício de que uma mudança brusca no comportamento da sociedade é urgente. Precisamos repensar todo e qualquer ato de violência contra a mulher, seja físico, psicológico, social, enfim, nenhum tipo de violência é aceitável. Mais uma vez fazemos um chamado para dar um basta à violência contra a mulher. Temos que dar fim a todas as pandemias que nos assolam, e a do feminicídio é assunto emergencial”. 

Atualização - Durante a produção desta matéria, nesta segunda-feira (28), mais um caso de feminicídio pode ter ocorrido no Brasil, desta vez em Curitiba-PR. Uma gerente da Caixa Econômica Federal (CEF) de 40 anos foi assassinada a tiros quando saía do banco, no bairro Capão Raso. Como a bolsa dela foi levada existe a suspeita de latrocínio (roubo seguido de morte), porém não se descarta um feminicídio, pois familiares afirmaram que a bancária tinha uma medida protetiva contra o ex-marido. Mesmo sem qualquer esboço de reação da vítima, o criminoso ainda atirou para matar.

 

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25 de novembro é o Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher. A data foi escolhida durante o I Encontro Feminista da América Latina e do Caribe, realizado em Bogotá, na Colômbia, em 1981, em homenagem as três irmãs ativistas políticas, Pátria, Minerva e Maria Teresa, as irmãs Mirabal, conhecidas como Las Mariposas, que foram perseguidas e mortas em 25 de novembro de 1960 pelo governo do ditador Trujillo, da República Dominicana

[Da imprensa do Sindipetro-BA]

Hoje é dia de luta, denúncia e de mobilização em repúdio à violência que destrói a vida de milhares de mulheres em todo o mundo.

Quando se fala em violência contra mulher, a primeira relação feita é com a agressão física, aquela que deixa marcas internas e externas nas vítimas. E tem-se razão para isso, já que o Brasil ocupa o 5° lugar no ranking mundial de feminicídio, de acordo com dados divulgados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Mas a violência contra a mulher não é só a que deixa marcas no corpo. Ameaças, ridicularização, humilhação, constrangimento, manipulação, limitação do direito de ir e vir, vigília constante, perseguição e chantagens são exemplos de violência contra a mulher que também devem ser denunciadas e combatidas.

Durante este período que estamos vivendo, diante de uma pandemia, o isolamento social faz com que as famílias permaneçam em casa, o que agrava o problema, pois o lar é o local onde a violência, na maioria das vezes, acontece, afinal, costuma-se ter menos testemunhas por perto.

Entre os meses de março e abril deste ano, os casos de feminicídio aumentaram em 22,2%, quando analisados dados fornecidos por 12 estados, o que demonstra um alarmante crescimento quando comparados ao ano de 2019.

Por isso, é muito importante chamar a atenção sobre índices e ausência de registros confiáveis; estimular a informação sobre o feminicídio e atuar contra a impunidade.

Importante chamarmos atenção também para o fato de que a mulher negra, segundo o Mapa da Violência, é a principal vítima da violência, com o maior número de homicídios.

Sigamos combatendo, não nos calando, não nos omitindo, mas sim, denunciando qualquer tipo de violência contra as mulheres!

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O Encontro com a categoria desta terça, 24, transmitiu a live do Sindipetro-NF sobre representação da mulher negra nos ambiente de trabalho, na academia, na política, na cultura, entre outros espaços de poder na sociedade brasileira.

Participaram do debate a diretora do Sindipetro-NF, Conceição de Maria, que também é escritora, formada em Letras e Pós Graduada em Literatura, a técnica em química, petroleira e também diretora do sindicato, Jancileide Morgado, a cientista social e mestranda em Ciências Políticas, Carine Passos, e a arquiteta e vereadora eleita do Rio de Janeiro, Tainá de Paula.

Veja abaixo a íntegra: 

Desigualdade na Petrobrás

Estudo feito pela subseção do Dieese na FUP revela a baixa representatividade de mulheres e homens pretos em cargos de gerência no Sistema Petrobrás. Segundo os relatórios da empresa e balanços financeiros e sociais analisados, o percentual de trabalhadores negros que ocupam cargos de gerência na holding e subsidiárias vem caindo. Em 2008, cerca de 30% das gerências eram ocupadas por petroleiras e petroleiros pretos. Em 2019, esse número caiu para 19,3% e chegou a 17,7% em 2018, o mais baixo índice desde o início da série histórica, revela o Dieese em entrevista dada à revista Carta Capital.

Analisando só a holding Petrobrás, dos 46.416 trabalhadores, 9,42% (4.374) são homens brancos em cargos de gerência, e 1,95%  (907) são mulheres brancas em cargos de gerência. Enquanto isso, somente 0,54% (252) são homens pretos em cargos de gerência, e 0,07% (31) são mulheres pretas nesses postos.

Segundo Cloviomar Cararine Pereira, técnico do Dieese na subseção da FUP e autor da análise, o objetivo foi mostrar que a tendência desigual no mercado de trabalho brasileiro entre brancos e negros se repete de forma pior no alto escalão da Petrobras.

Para isso, ele faz uma comparação com dados da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Enquanto, na Petrobras, somente 0,54% do quadro de funcionários total é de homens negros em cargos de gerência, o Brasil aponta percentual médio de 2,4%. No caso das mulheres negras, se na Petrobras é de 0,07%, o país tem média de 1,9%.

“Se, no Brasil, os cargos de decisão são ocupados, em sua maioria, por homens brancos e mulheres brancas, no caso da Petrobras isso também acontece, com uma diferença ainda maior”, comenta Cararine.

 

[Com informações da Carta Capital]

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São Paulo, Rio, Porto Alegre, Recife e diversas outras capitais terão atos no final de semana contra o julgamento que humilhou a vítima e inocentou o estuprador

[Da Rede Brasil Atual]

A influenciadora Mariana Ferrer terá vozes de apoio no próximo final de semana. Entre sábado (7) e domingo (8), movimentos feministas marcaram manifestações, em diversas capitais do país, contra o julgamento que inocentou o estuprador de Mariana, André de Camargo Aranha.

André havia sido identificado pela Polícia como autor do ato de violência sexual, que teria ocorrido durante uma festa em Jurerê Internacional, Florianópolis, no final de 2018. À época com 21 anos, Mariana, que era virgem, denunciou ter sido dopada e violentada.

O promotor argumentou que o empresário não teria como saber que Mariana Ferrer não estava em condições de consentir a relação. Além disso, em uma das audiências, o advogado do acusado Cláudio Gastão da Rosa Filho mostrou fotos sensuais da jovem para questionar a acusação de estupro. Ele dispara ofensas e ataques contra a vítima, que chora.

O caso chocou grande parte da população. Em São Paulo, mulheres vão às ruas no domingo, a partir das 13h, no Museu de Arte de São Paulo (Masp). No mesmo dia, também haverá uma manifestação no Rio de Janeiro. O ato está marcado para às 13h, na Cinelândia, região central da capital.

Ainda no dia 8, outras capitais irão se mobilizar: em Campo Grande-MS, uma manifestação começa no Aquário do Pantanal, às 15h; Porto Alegre realiza terá concentração também às 15h, na Esquina Democrática; Já Recife marcou um ato, às 14h, no Parque Treze de Maio, no bairro Boa Vista.

Florianópolis, onde ocorreu o crime, também terá apoio à Mariana, com manifestação marcada para às 15h, do domingo, na Avenida Rio Branco, no centro. No sábado, outras três capitais se mobilizam: Palmas, às 15h, na Praça dos Girassóis; Maceió, na Avenida Fernandes Lima, às 14h; e em Brasília, na Praça dos Três Poderes, também às 15h.

Clubes apoiam Mariana

O caso de Mariana Ferrer repercutiu também no meio do futebol. Clubes de todo o país se solidarizaram com a influenciadora e criticaram a tese do “estupro culposo”. Em quase todas as publicações nas redes sociais, os times também divulgaram o telefone 180, que presta uma escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência.

Os principais clubes de São Paulo e do Rio de Janeiro se manifestaram. Com a hashtag #EstuproCulposoNãoExiste, o Corinthians publicou: “A violência física e psicológica contra a mulher é inaceitável. Denuncie!”. Já o São Paulo disse repudiar a violência de gênero em todas suas formas de manifestação. “Toda relação sexual sem consentimento é estupro. Falar em estupro não intencional é desrespeitar profundamente as vítimas e correr o risco de abrir um perigoso precedente”, tuitou.

O Palmeiras afirmou que “falar em estupro não intencional é desrespeitar profundamente as vítimas, as mulheres e toda a sociedade”. O Vasco, o primeiro clube a se manifestar, retuitou todos os posicionamentos de clubes brasileiros e puxou a hashtag: #justicapormariferrer.

Investigação e anulação

Para a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) o julgamento que inocentou o estuprador de Mariana Ferrer pode ser anulado. A advogada Tânia Oliveira, da ABJD, destaca que o juiz Rudson Marcos tem responsabilidade em ter permitido a barbárie contra Mariana Ferrer durante a audiência. “A grande agressão foi aquela audiência, que é caso de nulidade”, afirmou à RBA, sobre o caso denunciado pelo Intercept.

Já a seccional catarinense da Ordem dos Advogados do Brasil informou que vai enviar um ofício pedindo esclarecimentos preliminares ao advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho. A entidade explica que processos disciplinares tramitam no Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-SC e são sigilosos até o seu desfecho.

Além disso, o conselheiro Henrique Ávila, do Conselho Nacional de Justiça, enviou, nesta terça-feira, um ofício para corregedora nacional de Justiça, ministra Thereza de Assis Moura, pedindo que se apure a conduta do juiz Rudson Marcos.

De acordo com o trecho do documento, “causa-nos espécie que a humilhação a que a vítima é submetida pelo advogado do réu ocorre sem que o juiz que preside o ato tome qualquer providência para cessar as investidas contra a depoente”. O conselheiro diz que o magistrado, ao não intervir, “aquiesce com a violência cometida contra quem já teria sofrido repugnante abuso sexual”.

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Reportagem da Revista Marie Claire, publicada nesta terça-feira, 27, dá visibilidade às lutas das trabalhadoras petroleiras em um "ambiente absolutamente machista", como relata Andressa Delbons, operadora da Reduc e diretora da FUP. Coordenadora do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras, ela é uma das cinco trabalhadoras da Petrobrás que foram ouvidas pela revista.

Leia a íntegra da reportagem:

Em alto mar ou terra firme, petroleiras enfrentam solidão, assédio e precarização
[Reportagem e ilustração: Revista Marie Claire]

Ao chegar para o primeiro dia de trabalho como técnica de operação da Petrobras em uma refinaria em Manaus, Elita Balbino Azevedo, 34 anos, realizava um sonho. Depois de seis meses de curso de formação, a engenheira de produção não via a hora de ir a campo. "Na primeira vez que entrei em um laboratório químico da Petrobras, meus colegas falaram que eu parecia uma criança na Disney", diz. "Sou apaixonada por química industrial e é um privilégio poder contribuir diretamente para o PIB do país."

Apesar do deslumbramento, logo de cara percebeu que enfrentaria dificuldades. Elita ouviu do supervisor que ele era obrigado a recebê-la ali, mas que não concordava com a presença de mulheres no ambiente."Respondi que eu tinha sido aprovada em um concurso público, então não era ele que ia me impedir de fazer nada", conta.

Apenas em 2000 foram abertos concursos públicos para o posto de técnico de operação, o que aumentou o espaço para mulheres nessa função. "Até então só homens eram contratados, por ser uma função que exige esforço físico: subir e descer escada de marinheiro, abrir e fechar válvulas pesadas. Para você ter uma ideia, quando as primeiras mulheres chegaram na refinaria, cinco anos antes de mim, nem banheiro feminino tinha", recorda Elita. Ainda hoje, mulheres são apenas 16% do quadro de funcionários da Petrobras.

A empresa, por meio de sua assessoria de imprensa, diz que o registro mais antigo de admissão de mulheres no cargo de técnico de operação data de 1975 e que não há qualquer restrição à contratação das profissionais: "A representatividade feminina na Petrobras de 16% ocorre principalmente em função do desequilíbrio, presente na sociedade como um todo, entre homens e mulheres nas carreiras STEM (da sigla em inglês: Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Há avanços recentes, principalmente nos cargos da alta administração. Na diretoria executiva, mulheres ocupam duas das oito cadeiras. E, nos últimos dois anos, o número de gerentes executivas aumentou de cinco para onze".
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A função de técnica de operação é considerada perigosa e envolve diversos riscos: a exposição ao benzeno, um composto tóxico e cancerígeno, e ao alto ruído das máquinas. Além disso, trabalhar na exploração de gás e petróleo significa lidar com produtos inflamáveis. "Estamos literalmente trabalhando em cima de uma bomba", diz Elita, que está há 10 anos no polo de Urucu, no meio da floresta amazônica. "A minha atribuição é extremamente técnica. Trabalho em uma planta de processamento, onde o gás natural é separado em porções que podem virar o gás de automóvel ou de cozinha, por exemplo. Tomo conta do processo da unidade, monitoro equipamentos como bombas, compressores, verifico as temperaturas de cada processo", explica.

Elita já passou por inúmeras situações de assédio ao longo dos quase 15 anos de carreira. Desde episódios como o de um chefe que pediu a ela que passasse um cafézinho para a equipe ou então o de um colega que foi entregar um documento e aproveitou para alisar sua coxa em direção à sua vulva. Teve também a vez em que Elita criticou o enxugamento do quadro de funcionários durante uma reunião e o chefe reagiu de forma violenta: "Ele ficou muito nervoso e veio para cima, quase encostando a cabeça dele na minha. Aí foi uma confusão grande". Depois disso, Elita foi afastada e ficou três anos em uma função administrativa – como uma forma de punição, diz ela. Desenvolveu crises de ansiedade e precisou de acompanhamento psicológico por seis meses.

Quem trabalha em plataformas passa temporadas longe de casa. A escala geralmente é em turnos de 8h, de 14 dias de trabalho em alto mar para 21 de folga. Com a pandemia, foi aumentado para 21 dias de trabalho e o mesmo período para descanso, em turnos de 12h. Esse regime de trabalho é especialmente difícil para as mulheres com filhos.

É o caso de Monique*, 34, que atua como técnica de segurança em uma unidade na Bacia de Campos, litoral de São Paulo. Mãe de um menino de 3 anos e de uma menina de 2, afirma que o maior desafio é ficar longe deles. Com a pandemia, passou a ficar mais dias embarcada e as crianças, em casa sem escola. Os familiares que ajudavam a cuidar deles moram longe e, por causa da Covid-19, não podem mais se deslocar. O marido trabalha à noite. Da embarcação, e pelo celular, Monique entrevista possíveis babás e administra as demais necessidades da casa. "É uma sobrecarga imensa", diz ela. "Hoje sei que preciso de ajuda psicológica. Sinto vontade de quebrar uma perna para não ter que embarcar de novo e deixar meus filhos. Sou dona de casa à distância. Minha filha fica bem, mas tem medo de qualquer pessoa sair de perto dela. Meu filho não fala comigo, fica com raiva de mim enquanto estou aqui. Tento fazer chamada de vídeo e ele fala que não quer conversar comigo, nem me ver."

Monique conta que quando entrou na profissão, com 22 anos, era tratada pelos colegas como "boneca" até conseguir se impor pela primeira vez – e aí passar a ser vista como "louca", "mal amada" e "chiliquenta". "É um caminho muito longo até propor uma ideia e ser escutada, não arregar só porque estão todos contra você. Ficam todos comendo pipoca e esperando que eu cometa algum erro", diz ela.

"Teve uma vez que embarcou um colaborador para fazer manutenção nos equipamentos da minha área. Eu precisava acompanhar esse serviço e ele já chegou com má vontade de trabalhar, ficava perguntando se era eu que precisava acompanhar, visivelmente incomodado. No fim faltavam alguns equipamentos no relatório dele. Questionei e ele disse que simplesmente não deu tempo e que não ia fazer. Falei que então não ia assinar o relatório e aí ele subiu o tom, ficou agressivo. Falei que não adiantava gritar, não ia chancelar o serviço feito pela metade. Aí ele saiu da sala me xingando, fazendo escândalo", conta.

Monique diz também que "cantadas" por parte dos colegas são frequentes. "Um rapaz me achou no Facebook e ficou me mandando mensagem. Essa vez foi ruim, me deu medo. Ele ficava falando que não conseguia trabalhar porque pensava em mim o dia inteiro, que sonhava comigo. Falei para ele parar e ficar longe de mim. Aí ele continuou, eu bloqueei ele, e ele desembarcou logo depois. Muito desconfortável."

Segundo Andressa Delbons, 33, técnica de operação na refinaria de Duque de Caxias (Reduc), RJ, dirigente do Sindipetro Caxias e coordenadora do Coletivo de Mulheres da FUP (Federação Única dos Petroleiros), a entidade não recebeu nenhuma denúncia formal de assédio e por isso não há um levantamento dos casos. "Quem te disser que nunca foi assediada está mentindo. É um ambiente absolutamente machista. Quando comecei, recebia diversos convites desnecessários. Ouvi de colegas que eu não precisava trabalhar, que podia ficar enfeitando o ambiente."

Andressa conta que a principal conquista do coletivo, criado em 2012, foi a extensão da licença paternidade de 5 para 20 dias. Agora lutam para que seja equivalente à licença maternidade, de 6 meses. Também conseguiram assegurar espaços de amamentação em boa parte das unidades da Petrobras e a redução de jornada para lactantes. "Criar o coletivo foi importante porque o ambiente sindical é ainda mais masculino do que o petrolífero. Até pouco tempo atrás, não tinha mulher dentro do sindicato. Hoje, já temos um número proporcional de mulheres na direção. As políticas de gênero passaram a ganhar mais importância".


> Leia também: Petroleiras mandam o recado: "Fresca é água, mulher aqui é trabalhadora e merece respeito"



Paula*, técnica de segurança de uma empresa terceirizada em uma plataforma na Bacia de Campos, fez parte de uma equipe com outras três mulheres por 4 anos. Em uma reunião com o gerente, reivindicou melhorias nas condições de segurança e ouviu como resposta que ele deveria então simplesmente trocar aquela equipe por uma formada somente por homens. "Nesse século acontecer algo assim foi a coisa mais ridícula que já ouvi de um líder", diz.

As petroleiras entrevistadas pela reportagem denunciam uma piora drástica nas condições de trabalho ao longo dos últimos anos e um quadro de adoecimento mental generalizado dentre os trabalhadores, agravado na pandemia da Covid-19. A maior parte preferiu falar sob anonimato por temer retaliações da Petrobras. Elas descrevem uma "caça às bruxas" dentro da empresa. Um dirigente sindical do Sindipetro Caxias foi punido com uma suspensão após conceder entrevista ao jornal O Globo em junho deste ano, na qual afirmou que a explosão ocorrida na Reduc naquele mês foi causada por falhas de manutenção e inspeção na tubulação da unidade de destilação.

A Petrobras alega que o funcionário foi punido por descumprir a norma de confidencialidade de informações relativas a investigações do acidente.

A empresa também nega a precarização das condições de segurança das unidades: "Pelo contrário, podemos citar o aprimoramento do programa de auditorias internas de segurança operacional com o objetivo de combater desvios de segurança. Também tornamos mais rígidos os padrões de segurança para atividades de mergulho e de aviação, entre outras. As manutenções preventivas, realizadas justamente para evitar acidentes, são realizadas em intervalos de tempo definidos conforme regulamentação e as características de cada unidade".

Foram registrados ao menos dois suicídios de trabalhadores do setor neste ano: um petroleiro de uma refinaria da Bahia em setembro e outro no Rio de Janeiro em outubro, que estava em isolamento no quarto de hotel um dia antes de embarcar, conta Marcelo Juvenal Vasco, da secretaria de saúde da FNP (Federação Nacional de Petroleiros). "Temos muitos casos de trabalhadores depressivos e dependentes químicos. Não só pela condição do trabalho em si, mas também pela exposição a substâncias químicas que absorvem pelas vias aéreas e cutâneas. Existem estudos que evidenciam que essa exposição pode levar a transtornos mentais", diz.

A Petrobras afirma possuir um programa de treinamento e palestras com enfoque em saúde mental, e uma equipe multidisciplinar para atendimento. No período de pandemia, a empresa disponibilizou um canal interno para atendimento psicológico de forma remota e individual. Elita, no entanto, diz que as equipes de atendimento foram reduzidas e praticamente não embarcam mais, e o canal é pouco divulgado. O mesmo é dito por outra entrevistada, sob anonimato: "O serviço é absolutamente insuficiente, principalmente nas áreas operacionais. Esse programa de treinamento e as palestras com esse enfoque eu desconheço".

Monique conta que já viu uma colega desembarcar de uma plataforma com camisa de força, em surto. Foi afastada e nunca mais voltou ao trabalho. Também já passou por uma unidade, no ano passado, em que quatro funcionários estavam com síndrome do pânico.

Segundo ela, o começo da pandemia foi particularmente difícil: "Não tenho nem palavras para descrever. Todo mundo em casa e a gente tendo que embarcar, sem máscara, sem vacina, sem saber quem está contaminado. Não tinha transporte para irmos e voltarmos das plataformas. Hoje estamos bem, me sinto segura. Mas no começo ninguém sabia que tipo de medida de proteção tínhamos que tomar".

Elita foi contaminada com a Covid-19 no primeiro embarque. Ao contrário de alguns colegas infectados, ela não precisou ir para a UTI, mas ainda hoje sofre com as sequelas da doença. "Sentia muita dor no peito, na cabeça, no corpo todo. Precisei de repouso constante. Depois tive uma crise renal, fiz tomografia, expeli as pedras, mas os médicos suspeitam que tenha sido efeito colateral da doença."

Paula conta que os espaços de lazer nas plataformas foram fechados por questões sanitárias, prejudicando ainda mais a saúde mental dos trabalhadores. "A gente passa 12 horas trabalhando e 12 horas dormindo. Trabalhamos com metas, com prazos, sob muita pressão o tempo inteiro. Com esse desgaste, o trabalhador começa a sentir incapacidade, nessa carga excessiva de trabalho de 12 horas. Um bom profissional não quer atingir meta, quer o serviço feito com qualidade. O trabalho em confinamento não é para qualquer um. Vai acumulando até chegar no nível de estresse limite. O cliente não quer saber disso, só das metas. Você é só mais uma peça. Se não trabalha feito robô, não serve. Essa desvalorização que nos adoece."

Os cortes de gastos na estatal provocaram a diminuição no quadro de funcionários mas não no volume de trabalho, o que leva a situações de acúmulo de funções, denunciam os sindicatos. Com a pandemia, trabalhadores do grupo de risco foram afastados, diminuindo ainda mais o pessoal. Em meio à privatização de unidades da empresa, vivem sob a incerteza de serem transferidos para outras localizações e áreas de atuação.

Entre janeiro de 2019 e julho de 2020, a Petrobras abriu 48 processos de vendas de ativos, uma média de 2,5 por mês, de acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos). A média era de 1,4 por mês durante o governo Michel Temer e 0,4 por mês no último mandato de Dilma Rousseff, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.

Sandra*, que trabalha como técnica de operação na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, conta que, com a implementação do chamado estudo de O&M (Organização e Método), em 2017, a equipe foi reduzida em 40%. A metodologia do modelo, segundo ela, é questionada por especialistas da área de segurança do trabalho, e foi utilizada pela direção da Repar para justificar a redução do pessoal. Por causa disso, ela passou a monitorar mais operações ao mesmo tempo.

Em uma ocasião, percebeu e conseguiu conter por uma questão de minutos o aumento repentino na pressão de gás sulfídrico em um equipamento. "O risco de acidentes geralmente é controlado, no entanto com a sobrecarga esse tipo de evento torna-se mais frequente. Acidentes na indústria química têm um alto potencial de risco e uma possível contaminação poderia ter matado não só os funcionários, mas também quem vive nos arredores da refinaria", diz Sandra.

Para Elita, é uma questão de tempo até um acidente grave acontecer: "Faltam materiais, manutenções são declaradas mesmo sem a troca de todos os componentes, as unidades estão sucateadas. Equipamentos estão envelhecendo. Uma tubulação corroída, com vazamento, pode levar a uma explosão. A gente pode perder uma vida e todas ao mesmo tempo".

*Nomes foram trocados a pedido das entrevistadas

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Em tempos de pandemia, o 8º Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP (ENMP) será inteiramente online, no domingo. Os debates serão transmitidos ao vivo, nas redes da FUP e dos sindicatos.

Com o tema “Petroleiras na linha de frente: pandemia, resistência e nossos próximos passos” o evento será dividido em duas partes. A primeira, aberta ao público, será realizada em forma de webinários, que serão transmitidos no Facebook (https://www.facebook.com/fupetroleiros/). Não será necessária a inscrição. Todxs poderão fazer perguntas via chat que serão selecionadas e respondidas ao final de cada apresentação.

Na segunda parte do encontro, que será de deliberações, as delegadas inscritas deverão ingressar na reunião via chave enviada pela comissão organizadora. Cada participante deve fazer a inscrição conforme orientação de seu sindicato.

Esta será a primeira vez que o ENMP acontece 100% online devido à quarentena e isolamento social da pandemia do coronavírus. A participação dos homens também é bem-vinda, porém o público-alvo são as mulheres petroleiras.

"O ENMP tem como objetivo organizar as trabalhadoras, traçando estratégias políticas de forma a enfrentar uma conjuntura cada vez mais reacionária, machista e ultraliberal. Todo ano, definimos uma comissão organizadora para planejar o encontro e escolhemos em conjunto um tema atual que julgamos pertinente ao momento político. Esse ano, não poderíamos deixar de falar de COVID-19 e da resistência necessária frente aos ataques ferozes deste governo à classe trabalhadora”, destaca Andressa Delbons, coordenadora do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP. 

Andressa ressalta que o formato virtual não substitui a importância de um encontro presencial. "É claro que nenhum encontro virtual substitui plenamente o olho no olho, a troca de afeto e a energia de renovação que ocorre anualmente nos nossos encontros presenciais. Chegamos a cogitar postergar a realização do evento para um período de pós-pandemia, mas, infelizmente, a condução política dessa crise sanitária está nos levando para um horizonte de total indeterminação. Assim, não sabemos ao certo quando poderemos nos reunir presencialmente com segurança. Ao mesmo tempo, é imprescindível manter a organização permanente das mulheres, e da classe trabalhadora em geral, especialmente nos momentos de crise. Como diria Simone de Beauvoir: basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Precisamos estar atentas”. 

Ouça a convocatória: https://soundcloud.com/user-830660142/andressa-delbons-convida-para-8-encontro-nacional-de-mulheres-petroleiras


Confira a programação e os links para participar das lives:

8º Encontro nacional de mulheres petroleiras da FUP

Ao vivo via https://www.facebook.com/fupetroleiros/

09 - 10:30h

Petroleiras na linha de frente: resistência em tempos de pandemia 

Mesa de abertura com a participação de Deyvid Bacelar (FUP), Lucineide Varjão (CNQ), Carmem Foro (CUT) e Valéria Morato (CTB)

Facebook - https://www.facebook.com/fupetroleiros/videos/261442398290569/

Youtube - https://www.youtube.com/watch?v=pT1Lp653sQQ

11 - 12:30h

Entendendo a conjuntura do setor petróleo e o papel das mulheres no enfrentamento às políticas neoliberais 

Análise de conjuntura com a participação do DIEESE e INEEP

Facebook - https://www.facebook.com/fupetroleiros/videos/819945015503853/

Youtube - https://www.youtube.com/watch?v=WrlkaQ6hiFc

14 – 15:30h

Debate: As petroleiras estão onde elas quiserem!

Bate-papo com as pré-candidatas Priscilla Patrício e Conceição de Maria

Facebook - https://www.facebook.com/fupetroleiros/videos/1176764772716228/

Youtube - https://www.youtube.com/watch?v=M_4q9MQjXy8

16 às 19h

Nossos próximos passos: um bate papo com as mulheres petroleiras 

Reunião do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras (somente para delegadas inscritas)

[FUP] 

Publicado em Sistema Petrobrás

Com o tema “Petroleiras na linha de frente: pandemia, resistência e nossos próximos passos” o VIII Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP acontece no próximo domingo, 21/06.

"Todo ano definimos uma comissão organizadora para planejar o ENMP, e escolhemos em conjunto um tema atual que julgamos pertinente ao momento político que vivemos. Esse ano não poderíamos deixar de falar de COVID-19 e da resistência necessária frente aos ataques cada vez mais ferozes à classe trabalhadora”, destaca Andressa Delbons, diretora da FUP e Sindipetro Caxias. Segundo ela, o encontro tem como objetivo organizar as trabalhadoras, traçando estratégias políticas de forma a enfrentar uma conjuntura cada vez mais neoliberal, machista e retrógrada, instaurada pelo atual governo.

O encontro será dividido em duas partes. A primeira, aberta ao público, será realizada em forma de webinários, que serão transmitidos no Facebook (https://www.facebook.com/fupetroleiros/). Para esta parte não será necessária a inscrição. Todos poderão fazer perguntas via chat que serão selecionadas e respondidas ao final de cada apresentação.

Para a segunda parte, as delegadas inscritas deverão ingressar na reunião via chave enviada pela comissão organizadora. Cada participante deve fazer a inscrição conforme orientação de seu sindicato.

Esta será a primeira vez que o ENMP acontece 100% online devido à quarentena e isolamento social da pandemia do coronavírus. A participação dos homens também é bem-vinda, porém o público-alvo são as mulheres petroleiras.

Andressa ressalta que o online não substitui a importância de um encontro presencial. "É claro que nenhum encontro virtual substitui plenamente o olho no olho, a troca de afeto e a energia de renovação que ocorre anualmente nos nossos encontros presenciais. Chegamos a cogitar postergar a realização do evento para um período de pós-pandemia, mas infelizmente a condução política dessa crise sanitária está nos levando para um horizonte de total indeterminação. Assim não sabemos ao certo quando poderemos nos reunir presencialmente com segurança. Ao mesmo tempo, é imprescindível manter a organização permanente das mulheres (e da classe trabalhadora em geral), especialmente nos momentos de crise. Como diria Simone de Beauvoir: basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Precisamos estar atentas”.

Confira a programação:

8º Encontro nacional de mulheres petroleiras da FUP
Ao vivo via https://www.facebook.com/fupetroleiros/

09 - 10:30h
Petroleiras na linha de frente: resistência em tempos de pandemia 

Mesa de abertura com a participação de Deyvid Bacelar (FUP), Lucineide Varjão (CNQ), Carmem Foro (CUT) e Valéria Morato (CTB)

11 - 12:30h
Entendendo a conjuntura do setor petróleo e o papel das mulheres no enfrentamento às políticas neoliberais 

Análise de conjuntura com a participação do DIEESE e INEEP

14 – 15:30h
Debate: As petroleiras estão onde elas quiserem!

Bate-papo com as pré-candidatas Priscilla Patrício e Conceição de Maria

16 às 19h
Nossos próximos passos: um bate papo com as mulheres petroleiras 

Reunião do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras (somente para delegadas inscritas)

Participe! 

Publicado em Sistema Petrobrás
Sindipetro PR e SC estreia o programa “Bate-Papo Sem Sutiã”
 
O Bate-Papo Sindical todo mundo conhece, não é? Uma ferramenta utilizada há muitos anos pela direção para o diálogo com a base.

Mas e aí? Por que sem sutiã?

Porque pretendemos com esse programa conversar com as mulheres da categoria e outras que queiram disfrutar de um tempo leve para ampliar o conhecimento. Os homens também estão convidados a assistir e ouvir um pouco mais sobre esses temas.

Costumeiramente, as mulheres quando chegam em casa, uma das primeiras coisas que fazem é retirar o sutiã e aí, claro inicia a outra jornada. Esse ato traz um significado de conforto e liberdade. O sutiã é um símbolo histórico de opressão, usá-lo ou não o usar causa desconforto para a maioria das mulheres. Tanto que já foi até queimado em praça pública.

O primeiro programa tratou do tema “Feminismo”e contou com a presença da Ana Carolina Dartora, Bacharel em História, Mestre em Educação com recorte na juventude negra, Militante no Feminismos Negro e na Marcha Mundial de Mulheres; e Priscila Piazentini Vieira, Professora do Departamento de História da UFPR - áreas de interesse: Teoria da História, História e Filosofia Contemporânea, feminismo. Integrante do Núcleo de Estudos de Gênero da UFPR e vice-coordenadora do Labin - Laboratório de Investigação de Corpo, Gênero e Subjetividades na Educação, também da UFPR

Quem apresenta esta edição são as diretoras do Sindipetro PR e SC Anacélie Azevedo e Juliane Bielak.

Acompanhado ao programa, lançamos uma promoção de um Vale Compras de R$ 200,00 na Loja Peita. Para concorrer, basta responder a enquete no link abaixo. Apenas mulheres podem preencher.

Link para a enquete: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdg-mNJ3JX5DrYr_7uIBGNCIcgbORj48PZv4IBoVIHbim1h-A/viewform

Conheça a Loja Peita: https://peita.me/

Assista ao primeiro episódio:

 

[Via Sindipetro-PR/SC]

Publicado em SINDIPETRO-PR/SC
Segunda, 11 Março 2019 16:02

Somos Rosas ou Cactos?

Por Priscila Costa Patricio, diretora da FUP e do Sindipetro Espírito Santo, integrante do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP

Às vezes, a vida nos coloca no meio de um dilema. A consciência questiona e você terá que decidir.

Ser mulher no Brasil - mais especificamente no estado do Espirito Santo, mais ainda, trabalhadora de uma empresa majoritariamente masculina, ou mais: militante e sindicalista - é um grande desafio. Muitas vezes, você vai ser sentir lisonjeada e capaz, mas em pouco tempo alguém vai tentar te fazer acreditar que não: “você é uma fraca! E aqui não é o seu lugar.”

Qual é o meu lugar? Será que ele existe? Penso que todas e todos queremos um lugar que nos seja aconchegante, com respeito e reconhecimento - e se tiver um pouco de afeto, até melhor. Este seria o local ideal. Mas ele nunca existiu.

Quando na idade média as camponesas tinham suas vidas definidas pela decisão de seus pais e seus maridos, e viviam uma vida tipo “bela, recatada e do lar”, elas não “precisavam” saber ler, escrever ou administrar negócios, mesmo tendo interesse e capacidade para isso. Muitas viveram a vida contrariadas, com sonhos frustrados. Por isso, e outras tantas coisas, se sentiam escravizadas pelo patriarcado.

Foram milhares as mulheres escravizadas por homens que abusavam sexualmente delas... Imagina se isso era felicidade?! Esses mesmos homens, em sua maioria tinham esposas. Será que elas eram livres de verdade? Você consegue pensar como foi a vida das primeiras mulheres homossexuais que se assumiram? Se hoje, em pleno 2019, alguns casais LGBTI não podem sequer se abraçar na área de lazer de um condomínio (testemunhei isso esta semana), imagina em 1900? Eram muitas denominadas “loucas”, loucas por uma vida autônoma!

O tempo passou, algumas dessas mulheres enfrentaram e não aceitaram opressão, muitas, por isso, acabaram queimadas vivas, como Joana D’arc. Outras foram tachadas de “bruxas” e tiveram o mesmo destino. Na China, durante a Guerra Sino-Japonesa, muitas mulheres foram estupradas até a morte. Quantas de nós somos descendentes de “Índias pegas no laço”? Nesse mesmo período, outras milhares de mulheres estavam relativamente seguras, cuidando de seus filhos, tendo maridos que as amavam, bordando e tricotando, enfrentando outros desafios menos arriscados para suas vidas. Contudo, nem a vida dessas mulheres, que de certa forma aceitavam o destino, era fácil. As condições de partos e saúde sempre foram arriscadas também. Milhares morreram dando à luz.

E hoje nos entregam ROSAS pelo Dia Internacional da Mulher...

Eu, como bióloga, gosto muito de plantas. Sei que as rosas são delicadas e é preciso ter muito cuidado e técnica para cuidar delas. São arbustos sensíveis, nem muita água, nem muito sol, nem muito adubo... Tem que ser bom jardineiro para conseguir fazer uma roseira florescer com rosas perfeitas e perfumadas. Isso não me parece nem um pouco com as mulheres!

Estava pensando que na verdade somos todas CACTOS. Você pode achar um cacto feio, mas o que vemos no cacto é exatamente o que as mulheres têm desenvolvido ao longo dos séculos: mecanismos de defesa e resistência à adversidade.

O que é aquele corpo suculento, senão uma forma de reservar água para os longos períodos sem chuvas? O que são os espinhos, senão um mecanismo de defender-se de inimigos e ao mesmo tempo se adaptar a aridez, pois as suas folhas não durariam nada, se fossem como a de todos os homens (ops, todas as plantas) que recebem um vento mais suave. Por dentro, um mecanismo de captação de água e fotossíntese totalmente diferenciado, para ter a eficiência, tendo em vista que a vida não é fácil.

Mas os cactos não ficam ali parados achando que o mundo vai acabar: eles brotam! Se reproduzem facilmente, se você corta um cacto e o faz ferir, ele se transforma em dois! Se você tenta mata-lo fatiando seus braços, ele se recupera e se multiplica. Formam moitas cheias para se defender. Não somos nós isso?

Quando uma de nós é atacada, não nos multiplicamos e resistimos?

E crescemos.  Nossas carreiras são consolidadas, mas o reconhecimento vem devagar. Assim como os cactos, crescemos poucos centímetros por ano. É fato que os salários das mulheres ainda são menores do que os dos homens na média nacional. É fato que somos “desescolhidas” para cargos de chefia muitas vezes. É fato que uma mulher precisa se esforçar o triplo para ser reconhecida num ambiente de trabalho, e ainda o faz driblando os assédios, morais e sexuais, que são uma constante.

Esta história tá parecida demais, não é mesmo?

E ela continua. Pois os cactos demoram, mas florescem.  E quando florescem, não tem para ninguém. Nem rosas, cravos, margaridas, orquídeas, lírios ou antúrios... Nenhuma dessas plantas consegue competir com a beleza das flores de cactos. São majestosas, coloridas, perfumadas, muitas vezes pomposas e irresistíveis... E o são para atrair o que ao cacto faz bem. Elas crescem acima dos espinhos para dizer: ”eu me desarmo porque confio em você”. E ali, os animais as rodeiam e polinizam, e a natureza continua, agora alimentada pelo doce néctar de uma flor da resistência.

Mais tarde ele dará frutos coloridos e ricos em sementes. Do meio da aridez virá a alegria e novas formas de vida. A esperança do caminho. A revolução. Acho que sou cacto. Nenhuma adversidade me fará desistir de meu caminho e minha missão.

Publicado em Cidadania

As mulheres, que ganham menos e trabalham mais horas do que os homens – 55,1 horas por semana contra 50,5, se somados o trabalho remunerado e o doméstico -, serão as mais prejudicadas se a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 006/2019) da reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro (PSL/RJ) for aprovada pelo Congresso Nacional.

Atualmente, as trabalhadoras podem se aposentar por tempo de contribuiçãopor idade. Pela primeira regra, ela pode se aposentar após 30 anos de contribuição ao INSS, sem a exigência de idade mínima. Nesse caso, para ter acesso ao valor integral do benefício, as mulheres precisam que a soma da idade mais o tempo de contribuição seja igual a 86 (56 anos + 30 contribuição = 86 – aposentadoria integral).

No caso das trabalhadoras que não conseguem se aposentar por tempo de contribuição, a aposentadoria é por idade: 60 para as mulheres, com no mínimo 15 anos de contribuição.

A PEC de Bolsonaro acaba com a regra de aposentadoria por tempo de contribuição, prevê a obrigatoriedade de idade mínima de 62 anos e 20 anos de contribuição. O tempo mínimo de contribuição sobe de 15 anos para 20 anos e as trabalhadoras vão receber apenas 60% do valor do benefício. Para ter acesso à aposentadoria integral, a trabalhadora terá de contribuir por pelo menos 40 anos.

Pelas regras atuais, uma mulher de 55 anos e com 25 anos de contribuição precisaria trabalhar mais 5 anos para se aposentar com o benefício integral.

Já pelas regras propostas por Bolsonaro, essa mesma mulher terá de trabalhar pelo menos mais 7 anos (55 + 7 = 62) para se aposentar por idade, com 32 anos de contribuição (25 + 7 = 32) e, mesmo assim, não se aposentaria com o benefício integral, que, pelas novas regras propostas por Bolsonaro, vai exigir, no mínimo, 40 anos de contribuição para receber 100% do valor.

No caso da trabalhadora, com 62 anos e 32 de contribuição, a conta resultaria em um benefício de apenas 84% do valor.

Ou seja, pela proposta de Bolsonaro, uma mulher que trabalha, em média, 7,5 horas a mais do que os homens por semana devido à dupla jornada, que inclui tarefas domésticas e trabalho remunerado, terá de trabalhar mais e receber menos.

Hoje, pelo menos dois terços das mulheres se aposentam por idade, aos 60 anos, com 15 anos de contribuição, segundo a professora de Economia e Relações do Trabalho do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Cesit-Unicamp), Marilane Teixeira.

A professora explica que elas se aposentam depois de contribuírem em média 18 anos para os cofres do INSS. Isso significa que para alcançar os 20 anos da contribuição mínima, de acordo com a proposta da reforma, teriam que trabalhar inevitavelmente até os 62.

Com o aumento da informalidade e do trabalho por conta própria, em que a maioria não contribui para a Previdência, alcançar o tempo mínimo de contribuição será um desafio. Já o benefício integral, que demanda 40 anos de contribuição, passa a ser um objetivo praticamente inalcançável para a grande maioria.

"Uma pessoa que conseguiu manter um salário médio de R$ 2.000 nos últimos 20 anos, vai receber uma aposentadoria com valor em torno de R$ 1.200. Isso se conseguir manter essa contribuição", afirma Marilane.

Segundo a professora, desde a crise, as mulheres jovens, de 14 a 19 anos, têm sido o grupo mais afetado pelo aumento do desemprego. Para as mulheres brancas, nessa faixa etária, a taxa de desocupação atinge cerca de 60%. Para as negras, ultrapassa os 80%. Demorando mais para entrar no mercado de trabalho, mais tempo vão levar para atingir o tempo de contribuição para as aposentadorias. 

Categorias especiais, como as trabalhadoras rurais e professoras, perderão o direito de se aposentar com menos tempo de serviço e contribuição, se a reforma da Previdência de Bolsonaro for aprovada pelo Congresso Nacional. 

Trabalhadoras rurais

A PEC de Bolsonaro pode retardar ou até mesmo acabar com o direito à aposentadoria dos trabalhadores rurais e também dos agricultores e das agricultoras familiares, que nem sempre têm renda para contribuir com o INSS e, por isso, estão na categoria de “segurados especiais”.

A aposentadoria dos rurais é regulada por uma lei específica por causa das duras e degradantes condições de trabalho no campo.

Pelas regras atuais, a idade mínima de acesso à aposentadoria dos trabalhadores rurais é de 55 anos para as mulheres e 60 para os homens, com obrigatoriedade de comprovar 15 anos de atividade rural.

A alíquota de contribuição dos trabalhadores rurais segue as mesmas regras dos trabalhadores da iniciativa privada. Já no caso dos agricultores familiares, é feita uma contribuição de 2,1% somente quando é vendido o excedente da produção.

proposta desumana de Bolsonaro prevê que tanto os homens quanto as mulheres se aposentem apenas com a idade mínima de 60 anos. Além disso, os rurais terão de contribuir por 20 anos – e não mais 15 anos – para receber 60% da média de todas as suas contribuições.

As famílias (grupo familiar) serão obrigadas a contribuir com R$ 600,00 ao ano, no mínimo, mesmo se não conseguirem produzir devido a dificuldades climáticas, financeiras ou de qualquer ordem. Portanto, mesmo que as famílias não consigam comercializar no período, terão de contribuir se quiserem ter acesso à aposentadoria.

Pela proposta de Bolsonaro, os 20 anos exigidos para contribuição terão de ser comprovados por meio das notas de comercialização.

No caso dos rurais que têm bloco de notas comprovando a comercialização dos produtos, a contribuição é hoje de cerca de 1,2% sobre o valor das notas. Se as contribuições não atingirem os R$ 600,00 previstos na PEC, os trabalhadores serão obrigados a complementar de outra maneira, como carnês, por  exemplo.

Professoras

Se a reforma da Previdência for aprovada, as professoras terão de trabalhar pelo menos mais dez anos e contribuir obrigatoriamente mais cinco anos para ter direito a 80% do benefício previdenciário. Para ter direito ao valor integral, a contribuição mínima passará dos atuais 25 anos para 40 anos, totalizando 15 anos a mais de contribuição.

Atualmente, o artigo 201 da Constituição Federal, que respeita o entendimento de que os professores são submetidos a condições penosas e exaustivas de trabalho, determina que as mulheres se aposentam com 50 anos de idade e 25 anos de contribuição e os homens com 55 anos de idade e 30 anos de contribuição.

Na rede particular de ensino, não há a exigência de idade mínima, as mulheres precisam comprovar 25 de contribuição.

A proposta de Bolsonaro pretende fixar em 60 anos a idade mínima para professores e professoras da rede pública e privada se aposentarem. A reforma também pretende unificar em 30 anos o tempo mínimo de contribuição para ambos os sexos.

E mesmo trabalhando durante 30 anos, os professores e professoras receberiam apenas 80% do salário-benefício. Para receber o valor integral (100%), eles teriam de contribuir por 40 anos.

Como é hoje

Professoras - 50 anos + 25 de contribuição

Professores - 55 anos + 30 de contribuição

Proposta de Bolsonaro

Homens e mulheres – 60 anos + 30 anos de contribuição no mínimo (rede pública e privada)

A obrigatoriedade de ter 10 anos de serviço público e cinco anos no mesmo cargo é uma exigência atual que foi mantida na proposta do governo.

Estudo do Dieese

Em nota técnica divulgada nesta sexta-feira, o Dieese mostra que, comparadas às regras atuais, as medidas propostas pelo governo exigirão mais sacrifício das mulheres do que dos homens.

Mesmo que ambos os sexos percam o direito à aposentadoria por tempo de contribuição e passem a ter a exigência de idade mínima, as mulheres terão que trabalhar dois anos a mais se forem do setor urbano e cinco anos a mais se forem do setor rural. Os homens, ao contrário, permanecerão com as mesmas referências etárias da atual modalidade de aposentadoria por idade (65 anos, no setor urbano, e 60, no rural). O tempo mínimo de contribuição exigido de ambos os sexos também aumentará, passando de 180 meses (15 anos) para 240 (20 anos), no campo e na cidade. As professoras (e os professores) do ensino básico poderão se aposentar mais cedo, aos 60 anos, desde que comprovem 30 de contribuição exclusiva no magistério.

Confira aqui a íntegra da nota

[Via CUT | Foto: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.