Sindipetro PR e SC estreia o programa “Bate-Papo Sem Sutiã”
 
O Bate-Papo Sindical todo mundo conhece, não é? Uma ferramenta utilizada há muitos anos pela direção para o diálogo com a base.

Mas e aí? Por que sem sutiã?

Porque pretendemos com esse programa conversar com as mulheres da categoria e outras que queiram disfrutar de um tempo leve para ampliar o conhecimento. Os homens também estão convidados a assistir e ouvir um pouco mais sobre esses temas.

Costumeiramente, as mulheres quando chegam em casa, uma das primeiras coisas que fazem é retirar o sutiã e aí, claro inicia a outra jornada. Esse ato traz um significado de conforto e liberdade. O sutiã é um símbolo histórico de opressão, usá-lo ou não o usar causa desconforto para a maioria das mulheres. Tanto que já foi até queimado em praça pública.

O primeiro programa tratou do tema “Feminismo”e contou com a presença da Ana Carolina Dartora, Bacharel em História, Mestre em Educação com recorte na juventude negra, Militante no Feminismos Negro e na Marcha Mundial de Mulheres; e Priscila Piazentini Vieira, Professora do Departamento de História da UFPR - áreas de interesse: Teoria da História, História e Filosofia Contemporânea, feminismo. Integrante do Núcleo de Estudos de Gênero da UFPR e vice-coordenadora do Labin - Laboratório de Investigação de Corpo, Gênero e Subjetividades na Educação, também da UFPR

Quem apresenta esta edição são as diretoras do Sindipetro PR e SC Anacélie Azevedo e Juliane Bielak.

Acompanhado ao programa, lançamos uma promoção de um Vale Compras de R$ 200,00 na Loja Peita. Para concorrer, basta responder a enquete no link abaixo. Apenas mulheres podem preencher.

Link para a enquete: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdg-mNJ3JX5DrYr_7uIBGNCIcgbORj48PZv4IBoVIHbim1h-A/viewform

Conheça a Loja Peita: https://peita.me/

Assista ao primeiro episódio:

 

[Via Sindipetro-PR/SC]

Publicado em SINDIPETRO-PR/SC
Segunda, 11 Março 2019 16:02

Somos Rosas ou Cactos?

Por Priscila Costa Patricio, diretora da FUP e do Sindipetro Espírito Santo, integrante do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP

Às vezes, a vida nos coloca no meio de um dilema. A consciência questiona e você terá que decidir.

Ser mulher no Brasil - mais especificamente no estado do Espirito Santo, mais ainda, trabalhadora de uma empresa majoritariamente masculina, ou mais: militante e sindicalista - é um grande desafio. Muitas vezes, você vai ser sentir lisonjeada e capaz, mas em pouco tempo alguém vai tentar te fazer acreditar que não: “você é uma fraca! E aqui não é o seu lugar.”

Qual é o meu lugar? Será que ele existe? Penso que todas e todos queremos um lugar que nos seja aconchegante, com respeito e reconhecimento - e se tiver um pouco de afeto, até melhor. Este seria o local ideal. Mas ele nunca existiu.

Quando na idade média as camponesas tinham suas vidas definidas pela decisão de seus pais e seus maridos, e viviam uma vida tipo “bela, recatada e do lar”, elas não “precisavam” saber ler, escrever ou administrar negócios, mesmo tendo interesse e capacidade para isso. Muitas viveram a vida contrariadas, com sonhos frustrados. Por isso, e outras tantas coisas, se sentiam escravizadas pelo patriarcado.

Foram milhares as mulheres escravizadas por homens que abusavam sexualmente delas... Imagina se isso era felicidade?! Esses mesmos homens, em sua maioria tinham esposas. Será que elas eram livres de verdade? Você consegue pensar como foi a vida das primeiras mulheres homossexuais que se assumiram? Se hoje, em pleno 2019, alguns casais LGBTI não podem sequer se abraçar na área de lazer de um condomínio (testemunhei isso esta semana), imagina em 1900? Eram muitas denominadas “loucas”, loucas por uma vida autônoma!

O tempo passou, algumas dessas mulheres enfrentaram e não aceitaram opressão, muitas, por isso, acabaram queimadas vivas, como Joana D’arc. Outras foram tachadas de “bruxas” e tiveram o mesmo destino. Na China, durante a Guerra Sino-Japonesa, muitas mulheres foram estupradas até a morte. Quantas de nós somos descendentes de “Índias pegas no laço”? Nesse mesmo período, outras milhares de mulheres estavam relativamente seguras, cuidando de seus filhos, tendo maridos que as amavam, bordando e tricotando, enfrentando outros desafios menos arriscados para suas vidas. Contudo, nem a vida dessas mulheres, que de certa forma aceitavam o destino, era fácil. As condições de partos e saúde sempre foram arriscadas também. Milhares morreram dando à luz.

E hoje nos entregam ROSAS pelo Dia Internacional da Mulher...

Eu, como bióloga, gosto muito de plantas. Sei que as rosas são delicadas e é preciso ter muito cuidado e técnica para cuidar delas. São arbustos sensíveis, nem muita água, nem muito sol, nem muito adubo... Tem que ser bom jardineiro para conseguir fazer uma roseira florescer com rosas perfeitas e perfumadas. Isso não me parece nem um pouco com as mulheres!

Estava pensando que na verdade somos todas CACTOS. Você pode achar um cacto feio, mas o que vemos no cacto é exatamente o que as mulheres têm desenvolvido ao longo dos séculos: mecanismos de defesa e resistência à adversidade.

O que é aquele corpo suculento, senão uma forma de reservar água para os longos períodos sem chuvas? O que são os espinhos, senão um mecanismo de defender-se de inimigos e ao mesmo tempo se adaptar a aridez, pois as suas folhas não durariam nada, se fossem como a de todos os homens (ops, todas as plantas) que recebem um vento mais suave. Por dentro, um mecanismo de captação de água e fotossíntese totalmente diferenciado, para ter a eficiência, tendo em vista que a vida não é fácil.

Mas os cactos não ficam ali parados achando que o mundo vai acabar: eles brotam! Se reproduzem facilmente, se você corta um cacto e o faz ferir, ele se transforma em dois! Se você tenta mata-lo fatiando seus braços, ele se recupera e se multiplica. Formam moitas cheias para se defender. Não somos nós isso?

Quando uma de nós é atacada, não nos multiplicamos e resistimos?

E crescemos.  Nossas carreiras são consolidadas, mas o reconhecimento vem devagar. Assim como os cactos, crescemos poucos centímetros por ano. É fato que os salários das mulheres ainda são menores do que os dos homens na média nacional. É fato que somos “desescolhidas” para cargos de chefia muitas vezes. É fato que uma mulher precisa se esforçar o triplo para ser reconhecida num ambiente de trabalho, e ainda o faz driblando os assédios, morais e sexuais, que são uma constante.

Esta história tá parecida demais, não é mesmo?

E ela continua. Pois os cactos demoram, mas florescem.  E quando florescem, não tem para ninguém. Nem rosas, cravos, margaridas, orquídeas, lírios ou antúrios... Nenhuma dessas plantas consegue competir com a beleza das flores de cactos. São majestosas, coloridas, perfumadas, muitas vezes pomposas e irresistíveis... E o são para atrair o que ao cacto faz bem. Elas crescem acima dos espinhos para dizer: ”eu me desarmo porque confio em você”. E ali, os animais as rodeiam e polinizam, e a natureza continua, agora alimentada pelo doce néctar de uma flor da resistência.

Mais tarde ele dará frutos coloridos e ricos em sementes. Do meio da aridez virá a alegria e novas formas de vida. A esperança do caminho. A revolução. Acho que sou cacto. Nenhuma adversidade me fará desistir de meu caminho e minha missão.

Publicado em Cidadania
Sexta, 01 Março 2019 14:07

Onde estaríamos sem o feminismo?

Ao longo da história, as lutas por direitos para as mulheres resultaram em conquistas fundamentais, que muitas vezes passam despercebidas pela maioria das pessoas. O direito das mulheres ao ensino, ao voto, ao trabalho, à liberdade de ir e vir, às escolhas de seus amores... tudo isso foi conquistado com muita luta. Nada caiu do céu ou foi concedido pelos homens.  Conhecer alguns marcos dessa luta é fundamental para preservar as conquistas e ampliar direitos que estão constantemente sob ataque.

1827 – mulheres passam a ter permissão para cursarem o ensino fundamental no Brasil, mas só garantem o direito de entrarem na universidade em 1879

1893 – Nova Zelândia é o primeiro país no mundo a garantir o voto feminino

1932 – mulheres brasileiras conquistam o direito ao voto

1945 - Carta das Nações Unidas, que rege a criação da ONU, reconhece a igualdade de direitos entre homens e mulheres

1960 – a pílula anticoncepcional passa a ser comercializada

1962 – após mais de uma década de lutas no Congresso Nacional, as mulheres brasileiras conquistam mudanças importantes no Código Civil, garantindo autonomia para que pudessem trabalhar, realizar transações financeiras, receber heranças, fixar residência, requisitar a guarda dos filhos, entre outros direitos que antes dependiam de autorização do marido ou de outro homem que exercesse o pátrio poder sobre elas

1974 – na Argentina, Isabel Perón é eleita a primeira mulher no mundo a presidir um país

1977 – o divórcio passa a ser garantido no Brasil, através de mudanças na legislação, que permitiram à mulher se divorciar apenas uma única vez

1985 – é criado o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), que será fundamental nas lutas por igualdade de direitos no Brasil

1988 – o movimento feminista, com a articulação de 26 deputadas federais constituintes, conquistam avanços importantes na Constituição Federal para as mulheres brasileiras, como a igualdade de direitos com os homens na vida civil, no trabalho e na família. Foi garantida a licença maternidade remunerada de 120 dias para as mulheres e proibido discriminações de salários e cargos, em função do sexo

2006 – Lei Maria da Penha cria mecanismos para coibir e punir a violência doméstica sofrida pela mulher, seja em forma de agressão, ameaças ou assédio

2010 – Dilma Rousseff é eleita a primeira mulher presidenta do Brasil

2015 –Lei do Feminicídio transforma em crime hediondo homicídio de mulheres por questões de gênero

[FUP | Edição Especial Dia Internacional das Mulheres]

Publicado em Cidadania
Quinta, 28 Fevereiro 2019 18:02

Por mais mulheres a bordo

Por Jancileide Morgado, diretora do Setor Privado do Sindipetro-NF, e Bárbara Bezerra, Técnica de Segurança da U0-BC

Você sabe quantas mulheres trabalham em uma plataforma? Você sabe quais as funções?

Sim, são poucas. Em média, apenas 3% do quadro de embarcados é feminino. Muitas vezes apenas 1%. E em algumas embarcações, não há vagas femininas. Mas, e as funções? São distintas para homens e mulheres? Na maioria das vezes, não. Vemos duas funções como maioria de ocupação feminina, que é a Técnica em Química e a Comissária de Bordo. No mais, as funções são majoritariamente masculinas.

Mas, por que será que isso acontece? Será que as mulheres não têm habilidades para as demais funções? Se fizermos uma pequena pesquisa histórica, vemos que houve gerentes femininas, existem Coordenadoras, Mestre de Cabotagem, Rádio operadoras, Operadoras de Produção, Supervisoras, Pintoras, Soldadoras, Técnicas em Segurança e Enfermagem. O que nos leva a concluir que não faltam habilidades, nem disposição das mulheres em realizar atividades prioritariamente “masculinas”.

Todavia, faltam leitos femininos. Faltam vagas femininas. As plataformas estabelecem um número ínfimo de camarotes femininos, o que dificulta as mulheres serem um número maior em nossa categoria. E sabe qual a diferença de um camarote feminino para um masculino? Nenhuma! Exceto que o feminino é mais limpinho e cheiroso!

Portanto, que tal um GEPLAT tornar sua plataforma mais feminina, ofertando um número maior de camarotes para tal?

Garanto que somos competentes e contribuímos positivamente para a melhoria do ambiente de trabalho. Nossas “Ilhas de ferro” já são hostis por natureza, não precisamos de mais empecilhos para torná-las um ambiente de trabalho misto e com direitos iguais.

[FUP | Edição Especial Dia Internacional das Mulheres]

Publicado em Sistema Petrobrás

A luta das mulheres por igualdade de direitos muitas vezes é desqualificada, principalmente no ambiente corporativo, onde o feminismo ainda é tratado como vitimismo e mi-mi-mi. Não é raro ouvir frases do tipo “feminismo é coisa de mulher que tem raiva dos homens”,  “pra quê feminismo se homens e mulheres são tratados da mesma forma?”, “quem é competente não precisa de feminismo”, “feminismo é um plano de dominação e vingança das mulheres”...

Por mais absurdas e preconceituosas que sejam, esse tipo de declaração encontra eco em uma sociedade onde o machismo ainda permeia as relações sociais e familiares. No Sistema Petrobrás não é diferente. As trabalhadoras representam pouco mais de 16% dos quadros da empresa e apenas 18% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres.

Muitas petroleiras são vítimas de assédio e convivem diariamente com colegas de trabalho que defendem abertamente posicionamentos machistas. Na rede de comunicação interna da empresa, são comuns comentários jocosos, criticando e desqualificando programas e projetos relacionados aos direitos das mulheres e ao público LGBT.

Desde 2006, a Petrobrás tem o selo de Pró-Equidade de Gênero e Raça, criado pelas Nações Unidas e, há quase dez anos, adotou os Princípios de Empoderamento das Mulheres que fazem parte do Pacto Global da ONU.  Mas, apesar dessas importantes iniciativas corporativas, as mulheres ainda enfrentam muitas dificuldades no trabalho. “O machismo está presente em várias decisões dos gestores, como, por exemplo, a intransigência em relação às faltas ou atrasos das petroleiras que acompanharam os filhos em emergências médicas. Quem mais sofre com isso são as mães que estão solteiras. A maioria dos colegas homens não compreende a situação, especialmente quando têm uma esposa que cuida disso por eles”, destaca Priscila Patrício, técnica química de petróleo na Transpetro e diretora da FUP.

[FUP | Edição Especial Dia Internacional das Mulheres]

Publicado em Trabalho

Os coletivos de mulheres estão organizando as diversas mobilizações que agitarão o país, logo após o carnaval, no 08 de março, Dia Internacional da Mulher.

Mais uma vez, o combate à violência e a defesa de direitos estão entre os eixos principais das manifestações, que neste ano abrem o calendário de lutas contra a reforma da previdência. As mobilizações do Oito de Março também denunciarão os ataques do governo Bolsonaro contra a classe trabalhadora, cuja agenda de retrocessos atinge em cheio as mulheres. 

Nas principais cidades e capitais do Brasil, haverá manifestações e protestos, logo após o carnaval. Nas semanas seguintes, a luta continua com atos unificados chamados pelas centrais sindicais contra a reforma da previdência.

As centrais sindicais já unificaram a luta contra a reforma da previdência, convocando mobilizações em todo o país para o dia 22 de março.

O Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras estará presente. Fiquem de olho nas agendas regionais.

Oito de março não é uma data comercial

Para muitos, o 8 de Março é apenas um dia para dar flores e homenagear as mulheres. Mas, diferentemente de outras datas comemorativas, esta não foi criada pelo comércio. Sua origem é operária e socialista.  É uma data de luta, com diversas mobilizações ao redor do mundo, por igualdade de direitos.

Uma luta que remonta ao início do século 20, quando operárias dos Estados Unidos e da Europa realizaram inúmeras greves e mobilizações por condições dignas de trabalho e pelo direito ao voto. Os movimentos impulsionaram a 1ª Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em 1907, com a presença de importantes intelectuais marxistas da época, como Alexandra Kollontai, Clara Zetkin e Rosa Luxemburgo, que defenderam a unidade internacional em torno da luta pelo voto feminino.

Um incêndio, em março de 1911, causado por condições desumanas de trabalho a que eram submetidas as mulheres de uma fábrica têxtil em Nova Iorque, matou 125 operárias, entre 13 e 23 anos, e 21 homens, a maioria judeus. Várias mobilizações de mulheres por condições dignas de trabalho e direito ao voto eclodiram ao redor do mundo.

Em 08 de março de 1917 (27 de fevereiro no calendário russo), uma greve das tecelãs de São Petersburgo tornou-se o estopim da Revolução Russa. As internacionais socialistas transformaram a data em símbolo das lutas feministas. A partir de 1922, o Dia Internacional das Mulheres passou a ser celebrado oficialmente neste dia. Em 1975, a ONU reconheceu 8 de março como Dia Internacional da Mulher.

[FUP | Edição Especial Dia Internacional das Mulheres]

Publicado em Cidadania
Terça, 04 Dezembro 2018 13:04

Petroleiras debatem assédio moral e sexual

Como parte das atividades promovidas pelo Sindipetro Paraná e Santa Catarina durante a campanha global “16 dias de Ativismo de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, nos dias 27 e 28 de novembro as petroleiras da Usina do Xisto, em São Mateus do Sul, e da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, participaram dos Cafés com Debate que abordaram a temática dos assédios moral e sexual. 

Em ambiente de diálogo e sororidade, as petroleiras citaram diversos exemplos de assédios ocorridos durante a vida, nas ruas, dentro dos ônibus, nas escolas e universidades, que geram um clima de angústia e medo. 

Entre os diagnósticos apontados para tal situação, as petroleiras destacaram que a cultura patriarcal da sociedade é a base das desigualdades e das violências sofridas pelas mulheres. “A relação desigual do poder, especialmente ligada à questão econômica, propicia um ambiente de assédio dentro dos lares, chegando à violência doméstica e ao feminicídio. A condição de submissão e a despersonificação da mulher nas relações abusivas geram ciclos de violência com grande dificuldade de rompimento. A ausência de políticas públicas, em especial nas cidades do interior, prejudica muito na mudança dessa realidade”, diz trecho do relatório das atividades. 

Um dado alarmante citado foi de que em São Mateus do Sul cerca de 30% das denúncias de crimes, as vítimas são mulheres. 

Com relação à Petrobrás, as participantes afirmaram que os casos de assédio moral têm aumentado e afetam todos os funcionários. “Porém, por se tratar de uma indústria pesada, composta majoritariamente por homens – apenas 17% da força de trabalho é feminina e no refino chega a 10%, as mulheres estão em condições de vulnerabilidade”. 

Os exemplos citados dos casos de assédios dentro da Petrobrás foram muitos. Por exemplo, quando colocam as mulheres no horário administrativo (com a tendência de desqualificação técnica ou econômica), também muito comum o assédio durante a gestação e o aleitamento, as mulheres sofrem pressão para permanecer em turno neste período, desrespeitando um direito social à maternidade. Um direito que nem é das mulheres, mas das crianças e que garante a continuidade da sociedade. Outro apontamento foi com relação aos acidentes de trabalho, nos quais as mulheres escutam com frequência piadas como “se tivesse lavando a louça em casa não teria se acidentado”. Outra realidade opressora são as pornografias no ambiente de trabalho ou nos grupos de Whatsapp. Os assediadores estão tanto nas relações verticais, de chefias, quanto as horizontais, dos colegas de trabalho. Uma das queixas é a não manifestação dos colegas quando observam essas situações e acabam levando os assédios como brincadeiras. A empresa não constrói condições de diminuir essas violências cotidianas no ambiente de trabalho. 

As participantes concluíram que todas já sofreram algum tipo de assédio moral ou sexual, seja na vida ou no trabalho. Outra observação gravíssima foi que todas haviam sofrido algum assédio sexual durante a infância, tanto de pessoas desconhecidas na rua, como de pessoas próximas à família. 

Ambas atividades terminaram com a análise de que a condição das mulheres tende a piorar com o avanço do conservadorismo, mas também apontou como saída o fortalecimento e resistência, como foram as manifestações do #EleNão, um dos maiores atos políticos da história do Brasil. 

Encaminhamentos

Como ações propostas ao Sindicato, as participantes sugeriram que a atividade “Café com Debate” aconteça pelo menos uma vez por ano para o fortalecimento e formação das mulheres Petroleiras. Também recomendaram que a entidade desenvolva uma campanha contra os assédios Moral e Sexual para colaborar com a conscientização e dar mais poder às denúncias. Outra indicação foi o questionamento nas mesas de negociação de SMS sobre os dados de assédios moral e sexual dentro da empresa e como são tratadas as denúncias.

Seminário com aposentadas, pensionistas e esposas de petroleiros

Ainda como parte da campanha dos “16 Dias de Ativismo”, o Sindipetro PR e SC também promoverá um espaço de vivência e partilha entre as diferentes realidades das aposentadas, pensionistas e mulheres dos aposentados. 

Será um seminário sobre as principais dificuldades enfrentadas no acesso aos direitos sociais das mulheres e benefícios corporativos (AMS, Petros, Previdência Social, entre outros).  Também serão abordadas as diversas facetas da violência contra as mulheres, em especial após os 50 anos de idade. 

Ainda como parte desta atividade, haverá a inauguração do Espaço Kids da Sede do Sindicato, em Curitiba. Portanto, as crianças serão muito bem-vindas. Haverá recreação infantil.

Calendário

Curitiba: Dia 04 de Novembro (terça-feira), das 14h00 às 18h00

Local: Sede do Sindipetro - Rua Lamenha Lins, 2064, Rebouças

São Mateus do Sul: Dia 06 de Dezembro (quinta-feira), das 14h00 às 18h00

Local: Sede Regional do Sindipetro - Rua Paulino Vaz da Silva, Nº 535.

Programação:

14h00 - Dinâmica Inicial e Abertura

14h20 - Painel Direito corporativo e social relevante

15h10 - Café

15h20 - Painel Violência Dentro e Fora de Casa

17h00 - Oficina de bonecas Abayomi

18h00 – Encerramento

Dia do Laço Branco: petroleiros na luta pelo fim da violência contra as mulheres

Os petroleiros dirigentes do Sindipetro Paraná e Santa Catarina se mobilizaram no dia 06 de dezembro nas ruas e nas unidades da Petrobrás para dialogar sobre problema da violência de gênero.

A data escolhida é conhecida como o Dia do Laço Branco – Homens pelo fim da violência contra as Mulheres. No dia 6 de dezembro de 1989, um homem de 25 anos (Marc Lepine) entrou armado na Escola Politécnica de Montreal, no Canadá. Em uma sala de aula, ele ordenou que os homens (aproximadamente 50) se retirassem. Assassinou 14 mulheres e depois saiu atirando pelos corredores e outras dependências da escola, gritando “Eu odeio as feministas”. Ele assassinou 14 estudantes, todas mulheres. Feriu ainda 14 pessoas, das quais 10 eram mulheres. Depois suicidou-se.

O crime, que ficou conhecido como o “Massacre de Montreal”, motivou a Campanha Mundial do Laço Branco (White Ribbon Campaign): homens pelo fim da violência contra a mulher.

[Via Sindipetro-PR/SC]

Publicado em Cidadania

Até domingo, 02/12, turistas e moradores do Rio de Janeiro poderão conhecer de perto as arpilleras, técnica de bordado utilizada pelas mulheres chilenas nas décadas de 70 e 90 para denunciar as atrocidades cometidas pela ditadura de Pinochet.  Na exposição “Arpilleras: bordando a resistência”, que está no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), no centro da cidade, as telas foram criadas por mulheres brasileiras, atingidas pelas barragens das hidrelétricas. São 20 peças, onde linhas coloridas e tecidos estampados costuram relatos de lutas dessas mulheres, que estão revelados em cada uma das arpilleras que integram a mostra.

As arpilleras chegaram ao Brasil em 2013 e se transformaram em uma ferramenta de educação popular e auto-organização feminista dentro das regiões afetadas pela construção de barragens. Desde então, já foram confeccionadas cerca de 100 peças, que envolveram aproximadamente 900 mulheres atingidas. As 20 telas que integram a exposição passaram por uma curadoria minuciosa do Coletivo de Mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). 

“Nós resgatamos essa ferramenta feminista latinoamericana, criada por lutadoras chilenas, para trabalhar dentro das áreas atingidas por barragens. Desde 2013, realizamos diversas oficinas que ajudaram a criar um diagnóstico das diversas violações sofridas pelas mulheres, mas também se colocaram como combustível de emancipação e organização”, explicou Daiane Hohn, uma das integrantes do Coletivo.

Além do cuidado em relação à diversidade regional, houve também uma preocupação de selecionar obras que conseguissem abarcar as diversas formas de violação e negação dos direitos das mulheres atingidas por barragens constatadas nos últimos anos. No ano de 2010, por exemplo, o Estado brasileiro reconheceu formalmente no relatório do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana que 16 direitos humanos são violados sistematicamente na construção de barragens.

Nesse universo de abuso institucional contra as populações atingidas, as mulheres são as principais vítimas. “Existe um debate que vem sendo construído há muitos anos, que constatou e elaborou as especificidades das violências sofridas pelas mulheres atingidas; as arpilleras entraram justamente nesse processo, corroborando pontos já destacados e também jogando luz sobre novos elementos”, destaca Daiane.

Exposição

Na mostra, os visitantes poderão conferir 20 telas de tecidos (arpilleras) costuradas por atingidas de todas as regiões do Brasil. Cada peça traz, de maneira artística, testemunhos de violações de direitos humanos sofridas por mulheres nas grandes obras construídas nas últimas décadas, de norte a sul do país. As peças são divididas em seis eixos temáticos: Mundo do trabalho, Participação política e relação com as empresas, Água e energia, Quebra dos laços comunitários e familiares, Violência contra às mulheres e Prostituição, Acesso a políticas públicas e Direitos básicos.

“Através da confecção das arpilleras, as mulheres atingidas por barragens conseguem expressar com linha e tecidos aquilo que muitas vezes as palavras não conseguem dizer. Mas as arpilleras não têm só um sentido de denúncia, sendo também uma semente de organização das mulheres, pois cada uma percebe que não está sofrendo sozinha e que é necessário lutar coletivamente para ser mais forte”, afirma Alexania Rossato, do Coletivo de Mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

As obras ficarão expostas no CCJF até domingo, 02 de dezembro, das 12h às 19h. As visitações de grupos poderão ser agendadas anteriormente, de acordo com a disponibilidade das facilitadoras. Ao longo da semana, serão ministradas oficinas e rodas de conversa nas quais as atingidas ensinarão a técnica de confecção das arpilleras ao público interessado.

Mulheres petroleiras participam de oficina de arpilleras

Na quinta-feira, 29, às 13 horas, o Coletivo de Mulheres Petroleiras da FUP participará da oficina de arpilleras, que será realizada pelo MAB e pela Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia no CCJF.

A partir das 18h, será exibido o documentário “Arpilleras: atingidas por barragens bordando a resistência”, que conta as histórias de dez mulheres atingidas por barragens de cinco regiões do Brasil. O longa-metragem foi premiado como melhor documentário no 44º Festival Sesc Melhores Filmes.

Uma das histórias relatadas no filme é a da moradora do município de Barra Longa (MG), Simone Silva. Ela foi atingida pelo estouro da barragem de Fundão, de propriedade das mineradoras BHP Billiton, Samarco e Vale. Nesta semana, este rompimento que causou a morte de 22 pessoas e a contaminação da bacia do Rio Doce completa três anos. Diversas atividades estão sendo realizadas entre os estados de Espírito Santo e Minas Gerais.

O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) está localizado na Avenida Rio Branco, 241, no Centro do Rio de Janeiro (RJ).

[FUP, com informações do MAB]

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Em reunião na VII Plenária da FUP, o Coletivo Nacional de Mulheres (CNMP-FUP) aprovou apoios às candidaturas de petroleiras que disputam vagas no parlamento e nos fóruns de representação da categoria. O coletivo definiu o apoio à Náustria de Albuquerque, funcionária concursada da BR Distribuidora, pré-candidata a deputada estadual no Rio de Janeiro pelo Partido dos Trabalhadores. Ela é a única mulher petroleira do campo da FUP a disputar uma candidatura nas eleições deste ano.

Outro apoio importante definido pelo Coletivo é a reeleição da petroleira Fabiana dos Anjos, atual representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Transpetro. O Coletivo defenderá que a VII Plenafup aprove o apoio à candidatura de Fabiana.

O Coletivo também apresentou às delegações da Plenafup as resoluções do último Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras, realizado em abril em Natal, no Rio Grande do Norte, com participação recorde de petroleiras e petroleiros. A diretora da FUP e coordenadora do Coletivo, Rosângela Maria, ressalta a importância do crescimento da participação feminina nos fóruns e espaços de representação dos petroleiros. “O Encontro do Rio Grande do Norte foi um marco para nós. Reunimos 70 petroleiras, um número de participação recorde, que prova que nosso trabalho está avançando”, destacou.

A petroleira Fátima Viana, que também é diretora da FUP e integrante do Coletivo Nacional de Mulheres, afirmou que o crescimento da participação feminina nos debates da categoria reflete o avanço da atuação do Coletivo na organização sindical. “A reunião do Coletivo na Plenafup teve participação massiva das mulheres, mas também dos homens petroleiros. Isso é prova de que estamos avançando no debate de gênero e ampliando a organização da categoria”, declarou.

Entre os principais encaminhamentos definidos no Encontro Nacional do Rio Grande do Norte está a ampliação dos canais de comunicação do Coletivo de Mulheres Petroleiras, através da reprodução e divulgação pelos sindicatos.

Acesse o facebook do Coletivo: @mulherespetroleiras

Acesse o instagram do Coletivo: @mulherespetroleiras

Veja a íntegra das resoluções:    

1 - Realizar os encontros estaduais e criar os coletivos locais;

2 - Reproduzir nas mídias da FUP e dos Sindicatos as publicações do CNMP-FUP;

3 - Levar para a comissão nacional de SMS a demanda sobre direito à amamentação. A implementação desse direito continua a depender de negociação setorial;

4 - A FUP e os Sindicatos devem fazer o mapeamento dos pedidos de redução de jornada, para identificar as razões e quantas são as mulheres envolvidas;

5 - Exigir que a Petrobras realize campanha interna sobre a importância da promoção da equidade de gênero, etnia e diversidade;

6 - Exigir da Petrobras a definição de critérios na movimentação dos empregados em áreas envolvidas no processo de parcerias/privatizações;

7 - Construir a greve em defesa do petróleo nacional, da Petrobras e contra a privatização;

8 - A PLENAFUP 2018 deve instalar o processo estatuinte, com vistas a criação Secretaria de promoção da equidade de gênero, etnia e da diversidade;

9 - O VI Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP aprova como agenda prioritária dos trabalhadores petroleiros a luta em defesa da liberdade e da democracia.

[FUP]

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Publicado em VII PlenaFUP

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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